22/03/2026
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AS LEITURAS DESTA PÁGINA E DO MÊS TODO
1ª Leitura: Ezequiel 37,12-14
Salmo 129(130)-R- No Senhor, toda graça e redenção!
2ª Leitura: Romanos 8,8-11
Evangelho de João 11,1-45
Naquele tempo: 1Havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã. 2Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugara os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente. 3As irmãs mandaram então dizer a Jesus: 'Senhor, aquele que amas está doente.' 4Ouvindo isto, Jesus disse: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.' 5Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. 6Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava. 7Então, disse aos discípulos: 'Vamos de novo à Judéia.' 8Os discípulos disseram-lhe: Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?' 9Jesus respondeu: 'O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz'. 11Depois acrescentou: 'O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo.' 12Os discípulos disseram: 'Senhor, se ele dorme, vai ficar bom.' 13Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo. 14Então Jesus disse abertamente: 'Lázaro está morto.15Mas por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele'. 16Então Tomé, cujo nome significa Gêmeo, disse aos companheiros: 'Vamos nós também para morrermos com ele'. 17Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. 18Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21Então Marta disse a Jesus: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá.' 23Respondeu-lhe Jesus: 'Teu irmão ressuscitará.' 24Disse Marta: 'Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia.' 25Então Jesus disse: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?' 27Respondeu ela: 'Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.' 28Depois de ter dito isto, ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho: 'O Mestre está aí e te chama'. 29Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele. 31Os judeus que estavam em casa consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar. 32Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: 'Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido.' 33Quando Jesus a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido, 34e perguntou: 'Onde o colocastes?' Responderam: 'Vem ver, Senhor.' 35E Jesus chorou. 36Então os judeus disseram: 'Vede como ele o amava!' 37Alguns deles, porém, diziam: 'Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?' 38De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma caverna, fechada com uma pedra. 39Disse Jesus: 'Tirai a pedra'! Marta, a irmã do morto, interveio: 'Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias.' 40Jesus lhe respondeu: 'Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?' 41Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: 'Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste.' 43Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' 44O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: 'Desatai-o e deixai-o caminhar!' 45Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. Palavra da Salvação.
Jo 11,1-45
A enfermidade de Lázaro é mortal. A irmãs de Lázaro enviam uma mensagem a Jesus para dizer que ele estava muito doente. A notícia não era somente informativa, mas incluía uma súplica discreta. Por sua vez, Jesus anuncia que aquela doença não era para a morte, mas para a glória de Deus se manifestar.
Depois de alguns dias, Jesus ordena aos apóstolos a partida para Betânia. Os apóstolos se surpreendem por causa do perigo deste retorno à Judéia. Eles têm medo das ameaças de morte contra Jesus. E Jesus conta-lhes uma parábola. Enquanto é dia se pode caminhar sem tropeçar; o perigo é de noite. A noite de sua paixão ainda não chegou; ela está muito próxima, mas ainda não chegou. Por isso, nada poderão fazer contra ele ainda. Além disso ele é a luz que as trevas não podem vencer. Mesmo assim os discípulos estão aterrorizados. Tomé diz: vamos também nós para morrer com ele.
A fé de Marta é imperfeita. Acreditava que o poder da oração de Cristo pudesse salvar seu irmão da morte. Mesmo que confie no poder da oração de Cristo ela não acredita que seu irmão ressuscitará. Jesus promete que Lázaro ressuscitará, mas Marta pensa na ressurreição final.
Jesus proclama que ele mesmo é a Ressurreição. Mesmo que alguém morra, mas acredita em Cristo, este não morrerá e viverá.
Não se trata de ressurreição física, mas ressurreição para a vida eterna, sobrenatural. Esta é a fé que Cristo pede a Marta. E ela confessa que Jesus é o filho de Deus.
O pranto de Cristo mostra o seu amor pelo amigo. Esta emoção de Jesus santifica todas as lágrimas que nascem do amor e da dor.
Ao pedir que rolassem a pedra do sepulcro, ninguém imaginava que Jesus fosse ressuscitar Lázaro. É por isso que alertam Jesus sobre o mau cheiro do cadáver em decomposição. Quatro dias é também um período simbólico. Segundo a crença da época, a alma permanecia no cadáver e só o abandonava no terceiro dia. Marta ainda não compreende o que Jesus irá realizar; pensa que Jesus quer ver o corpo do amigo morto.
Terminada a oração Jesus ordena com voz forte que Lázaro venha para fora. Ele grita no lugar da morte a vitória da vida.
O verdadeiro milagre de Jesus é sua ressurreição.
5º domingo da Quaresma – Jo 11, 1-45 – Ano A – 22-03-26
“Todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11,26)
Depois do sinal da Água (samaritana) e da Luz (cego de nascimento), o evangelista João oferece hoje o terceiro de seus grandes sinais, a Vida (êxodo de Lázaro).
O tempo quaresmal abre um excelente caminho para aprofundarmos sobre este último tema: a vida é uma oportunidade, um dom, ou algo inevitável e, talvez, insuportável? Há algo mais valioso que a vida para o ser humano? Cuidamos dela e a amamos com empenho, buscamos preservá-la diante de qualquer anomalia ou temor de perdê-la? Por que existem pessoas que “arriscam” sua vida e há aqueles que até doam sua própria vida por uma causa justa?
A morte física nos angustia, nos transtorna. Mas há outra morte que nos ronda sem cessar, ao menos em determinados momentos de nossa existência, ou seja, a ausência do sentido da vida: para que vivemos, lutamos e morremos? O ser humano de hoje, como de todos os tempos, traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e mais difícil de responder: o que vai ser de todos e de cada um de nós?
Leituras do dia
É inútil fugir dela ou tentar nos enganar. Que podemos fazer diante da morte? Rebelar-nos? Deprimir-nos? Angustiar-nos?...
Sem dúvida, a reação mais generalizada é esquecer essa dura realidade e “tocar prá frente!”. Mas, o ser humano é chamado a viver sua vida com intensidade e inspiração, com lucidez e responsabilidade; ele não deve se aproximar de seu final de forma inconsciente e irresponsável, sem tomar atitude alguma.
Diante do mistério último da morte não é possível apelar a dogmas científicos nem religiosos; eles não nos podem guiar para além desta vida.
E, no entanto, queremos continuar vivendo. Todos carregamos no mais íntimo de nosso ser um desejo insaciável de viver. Por que temos de morrer? Por que a vida não é mais ditosa, mais longa, mais segura, mais vida? Do mais profundo do nosso ser brota um anseio profundo que nos move a desejá-la, a amá-la, a cuidá-la, a aceitá-la.
Como cristãos, também temos de nos aproximar com humildade diante do fato obscuro de nossa morte. Mas, fazemos isso com uma confiança radical na bondade do mistério de Deus que vislumbramos em Jesus.
Esta confiança não pode ser entendida a partir de fora; só pode ser vivida por quem responde, com fé simples, às palavras do mesmo Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida; crês isto?” O teólogo Hans Kung, no final de sua vida, afirmou que, para ele, “morrer é descansar no mistério da misericórdia de Deus”.
A vida é tão valiosa que o centro mesmo da revelação cristã é o anúncio da salvação como vida oferecida a todo ser humano. Deus nos oferece e nos garante a salvação de nossa própria vida. O cristão sabe que a existência não acaba com a morte, no nada, no absurdo.
Cremos no Deus que acolhe e abraça a vida de toda criatura e a leva à sua plenitude.
Esta confiança não pode ser entendida a partir de fora; só pode ser vivida por quem responde, com fé simples, às palavras do mesmo Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida; crês isto?” – Adroaldo Palaoro
No evangelho deste domingo, em um novo relato catequético, o evangelista João nos apresenta Jesus como “ressurreição e vida”, diante da morte de seu amigo Lázaro.
Progressivamente, ao longo de todo o seu evangelho, o autor vai apresentando Jesus com várias imagens: pão de vida, água viva, luz do mundo, porta, pastor, vinha, caminho, verdade e vida, ressurreição... Todas elas têm um elemento comum: Jesus é reconhecido como portador e doador de vida. E todas pretendem um mesmo objetivo: que a comunidade dos seus seguidores se fundamente sobre esta verdade. Daí a pergunta ao redor da qual giram todas essas catequeses: “crês isto?”.
É preciso compreender, de modo mais profundo, a proclamação que o quarto evangelho põe na boca de Jesus: “Eu sou a Vida”. Assim, tomamos consciência que, com essas palavras, Jesus está revelando nossa verdadeira identidade, que está profundamente unida com a sua. De fato, quando uma pessoa sábia fala, o que diz é válido não só para ela, mas para todo ser humano. A afirmação de Jesus não é a de alguém separado, mas a própria Vida; só a Vida pode dizer “eu sou a vida”.
Por isso, para além da pessoa – corpo, mente, psiquismo – na qual nos experimentamos, podemos dizer que em nossa verdade mais profunda “somos vida”. Nós não “temos vida”, mas, na essência, “somos vida”. E esta nunca “morre”.
São muitas as “leituras literais” de “Lázaro” que confundem a ressurreição com o reviver. Lázaro não revive, não volta a esta vida, mas sai desta vida para a Vida, é um êxodo para a verdadeira vida.
Há um forte apelo de Jesus no relato de João, encontrado no versículo 44, e que dá a chave do sentido do grande sinal: “Desatai-o e deixai-o caminhar!” É como se Jesus dissesse: “deixai-o ir mais além, deixai-o ir para a Vida da vida?”
Infelizmente, a mentalidade dualista não consegue compreender os evangelhos; a linguagem religiosa é simbólica, pois aponta para uma outra dimensão. Não podemos nos prender à “materialidade” do relato.
Sem a sensibilidade para a criatividade poética dos relatos bíblicos, é impossível deixar-nos transformar pela leitura evangélica. É preciso aprender a ler, re-ler e deixar-nos “afetar” pelos sinais bíblicos, pois despertam nossa vida da letargia, da acomodação, da paralisia.
Infelizmente, a mentalidade dualista não consegue compreender os evangelhos – Adroaldo Palaoro
Todos somos “lázaros”, fechados em nossos túmulos existenciais, atados em nossas preocupações, travados em nossas “práticas religiosas” estéreis, carentes de sentido na vida, atrofiados em nossa criatividade e busca, presos à “normalidade doentia” do ritmo cotidiano...
E o trágico está em “acostumar-nos” a uma vida de “túmulo”. Quantas potencialidades enterradas, quantos recursos não ativados, quanta energia bloqueada!... Muitas vezes nos preocupamos com o “pós-morte” e não temos a coragem de nos perguntar: “há vida antes da morte?”
O relato joanino deste domingo é tremendamente provocativo; tal relato só tem sentido quando provoca uma sacudida em nossa vida e nos arranca da acomodação. É muito fácil nos perder na interpretação fundamentalista do texto sagrado e continuarmos bloqueados por uma pesada pedra na entrada do nosso coração.
É preciso deixar ressoar o grito de Jesus nas profundezas de nossa existência: “vem para fora! Deixai-vos desatar e caminhai! Não fostes criados para a paralisia mortal, mas para serdes itinerantes em busca do novo! Deixai-vos conduzir pelo Pai que, com sua graça, fazeis passar da vida medíocre à Vida plena!”
Releiamos, portanto, e reinterpretemos, recriando a narração à luz das palavras de Jesus: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”. Devemos estar centrados na Pessoa de Jesus, que é Vida em plenitude, e não nos percamos no “assombroso” do relato de João, ou seja, um morto que sai do túmulo todo amarrado.
A verdadeira vida consiste em ouvir a Voz do Enviado pelo Pai para dar a vida ao mundo; o importante não é o maravilhoso, mas mostrar e compreender que Jesus tem a autoridade de dar a Vida – Adroaldo Palaoro
Encontrar-nos com Aquele que é Ressurreição e Vida é despertar a vida que quer se expandir em nós.
Com uma autoridade, soberana e amiga, a ordem de Jesus é dada com voz forte, com um grito...
O relato joanino deste domingo é tremendamente provocativo; tal relato só tem sentido quando provoca uma sacudida em nossa vida e nos arranca da acomodação – Adroaldo Palaoro
Esta é a mensagem central que o evangelista João quer transmitir: a verdadeira vida consiste em ouvir a Voz do Enviado pelo Pai para dar a vida ao mundo; o importante não é o maravilhoso, mas mostrar e compreender que Jesus tem a autoridade de dar a Vida. Jesus desata as ataduras, as amarras da morte; elas mantêm os homens cegos, mudos e surdos, atados e asfixiados. Seu lugar não é entre os mortos, mas entre os vivos. Eles precisam ser libertados e soltos por ordem de Jesus para que possam seguir seus caminhos, viver suas vidas livremente, voltar à comunhão com os outros. Não foi só Lázaro que saiu das suas faixas.
Todos os que estavam enclausurados em seus hábitos, presos em suas memórias, sufocados e conformados pela mediocridade, todos os que preparavam túmulos antes da hora de seu último suspiro... todos ouviram esta voz: “Saia!... Saia daí, vão além de vocês mesmos, a caminho!”
Para meditar na oração:
- Quais são as “faixas” que estão travando o fluir de sua vida: religiosas, políticas, sociais, intolerâncias, preconceitos, julgamentos... e que o(a) fazem permanecer no ambiente de morte?
- Para onde você sente que o grito de Jesus impulsiona a sua vida?
Em Betânia, uma pequena vila próxima a Jerusalém, viviam Marta, Maria e Lázaro, que está doente. Jesus não está presente, mas suas irmãs, Marta e Maria, desejam informá-lo, dizendo: "Senhor, aquele a quem o senhor ama está doente". É notável que essa comunicação seja feita por meio do amor que Jesus tinha por Lázaro. Não sabemos muitos detalhes sobre ele; ele não fazia parte do grupo dos discípulos que acompanhavam Jesus constantemente. No entanto, esse trecho revela uma amizade entre Jesus e Lázaro, assim como com suas irmãs, fundamentada no amor mútuo.
Marta e Maria sabem o quanto Jesus as estimava; ele amava não só sua casa e sua família, mas cada um deles. Neste momento, é Lázaro, esse amigo de Jesus — que mais tarde fará Jesus chorar ao se deparar com seu sepulcro fechado — quem está doente. Essa mensagem enviada a Jesus é uma demonstração do afeto que ele tinha por seu amigo.
Acreditamos realmente em Jesus Ressuscitado? – Ana Maria Casarotti
Quando Jesus decide voltar à Judéia, Marta sai ao seu encontro e, com a dor pela partida de Lázaro, diz a Jesus: “Se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. A dor parece que fez esquecer o amor que Jesus tem por Lazaro... neste momento é era “seu irmão”. No diálogo que se segue, Jesus a faz “levantar-se”, olhar para Ele e reconhecer quem Ele é: o Messias, aquele que viria ao mundo.
Em Marta, reconhecemos nossas perguntas diante da dor e, especialmente, diante da morte, esse fim de nossa vida que todos sabemos que chegará e que nos torna conscientes de nossa limitação, de nossa fragilidade, da impotência diante dessa realidade que não controlamos, não depende de nós, não podemos atravessar e que desperta tantas perguntas que concentramos numa só: acreditamos realmente em Jesus Ressuscitado?
Diante da primeira afirmação de Jesus: “Teu irmão ressuscitará”, Marta manifesta sua fé na ressurreição dos mortos, como algo que acontecerá no fim dos tempos; mas Jesus está falando dele como portador dessa vida nova… Em Marta estão refletidas nossas angústias e incertezas, a dificuldade que enfrentamos diante da morte de quem amamos e que não está mais entre nós.
Defronte da morte, o tempo parece desacelerar, e cada momento desses dias fica gravado em nossa memória, como uma porta que se abriu e que não podemos fechar. Algo de nós se foi, e por mais que desejemos recuperá-lo, ele já não está mais fisicamente presente, ficando do outro lado... Cada pessoa reage de maneira diferente diante da morte, do falecimento de alguma pessoa querida: alguns preferem retirar tudo que lembre a pessoa falecida, talvez para evitar a dor contínua de sua ausência; outros optam por deixar tudo como ficou no momento da morte, seu dormitório, seus objetos pessoais, seu vestuário, como uma forma de manter uma conexão com ela. No entanto, chega um momento em que esse acumulo tornando-se algo que dói e machuca o coração constantemente. Mas sabemos que ninguém pode entrar nesse espaço intimo e pessoal que é a dor pela ausência da pessoa querida, esse amor que segue presente apesar que o destinatário parece ausente....
Jesus estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido, e perguntou: "Onde o colocastes?"
Ao ver a dor de suas amigas, Marta e Maria, Jesus se comove profundamente; sua angústia e seu sofrimento o tocam, e, junto com elas, caminha até o sepulcro, o lugar onde o colocaram.
Ninguém pode entrar nesse espaço intimo e pessoal que é a dor pela ausência da pessoa querida – Ana Maria Casarotti
Pela mão de Jesus, comovido e profundamente afetado pela dor de suas irmãs, dirigimo-nos com elas ao sepulcro. Elas não vão sozinhas; agora retornam ao lugar onde seu irmão está sepultado. E assim também nos convida hoje a nos aproximarmos de tantos sepulcros que estão ao nosso redor, a não ter medo de tocar essa morte, a não a disfarçar, a não a evitar, a não a encobrir.
Responderam: "Vem ver, Senhor". E Jesus chorou.
Jesus é conduzido por elas até o túmulo, para que “veja”. E estando lá, cercado por tantas pessoas que acompanhavam as irmãs em sua dor, que também amavam Lázaro, Jesus chora! Em poucas ocasiões esse sentimento de Jesus é descrito de maneira tão íntima, tão “humana”. Jesus sente a partida, sente a dor, chora junto com as irmãs pela partida de seu amigo, estremece, sente-se profundamente comovido…
Junto com Jesus, nos questionamos: quantas vezes permitimos que a dor dele entre na nossa dor? Ou permanecemos no meio do caminho, expressando uma fé que vacila diante da morte, porque nos custa acreditar na ressurreição e preferimos manter o túmulo fechado, como se estivesse com um mau cheiro? Jesus não é indiferente à nossa dor e talvez seja difícil olhar para Ele e confiar Nele, que nos repete, assim como fez com Marta:
“Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram então a pedra.
Junto com Jesus, nos questionamos: quantas vezes permitimos que a dor dele entre na nossa dor? – Ana Maria Casarotti
Jesus não é indiferente à nossa dor e talvez nos custe olhar para Jesus e acreditar Nele, que nos repete, como disse a Marta: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”
Então, retiraram a pedra.
Perto da Páscoa, somos convidados a confiar em Jesus Ressuscitado de modo que sua vida penetre em todos os túmulos e mortes, pessoais e coletivas. O que é aquilo que deixamos enterrado, coberto por lajes decoradas com flores de papel? Aquilo que deixamos sepultado porque, no fundo, acreditamos que já não há mais nada a fazer?
Em meio à triste situação que vivemos mundialmente, onde parece predominar o poder de poucos que tomam decisões de acordo com interesses egoístas e excludentes, matando milhares de pessoas como se fossem apenas números, o Papa Leão nos convida a rezar pela Paz. Acreditamos realmente na Paz que traz o Ressuscitado? Uma paz que não é ausência de conflito, mas, como diz o Papa, uma paz desarmada e desarmante?
Deixamo-nos interpelar por suas palavras: "Basta de guerras com suas dolorosas pilhas de mortos, destruições e exilados", “o mundo anseia por paz: precisa de uma verdadeira e sólida época de reconciliação, que ponha fim à opressão, à exibição da força e à indiferença pelo direito”.
"Só a paz é santa, nunca a guerra." O Papa: eis o clamor da terra e dos pobres
Neste tempo de Quaresma apresentamos nossa dor, nossas mortes, todo aquilo que está no sepulcro junto com tantas mortes que há no mundo para que sejam atravessadas pela morte e ressurreição de Jesus!
MORTE E RESSURREIÇÃO
Ao morrer meu amigo
algo de mim
que já era ele
se foi.
Algo de mim
ressuscitou nele.
Algo dele
que ainda sou eu
ficou.
Algo dele
espera em mim por ressurreição
O tempo ao passar
parece devorar
todo o amor.
Mas quanto mais afasta
no passado minha recordação,
mais me aproxima
ao encontro sem distância
do futuro.
Ainda que em mim
cada dia tenha
sua poda, sua espera e sua colheita,
para ele
já toda a história se cumpriu,
eu cheguei com ele,
e ali estou.
Obrigado, Senhor.
Benjamin Gonzalez Buelta
Estamos demasiado presos pelo «mais cá» para nos preocuparmos com o «mais lá». Submetidos a um ritmo de vida que nos atordoa e escraviza, oprimido por uma informação asfixiante de notícias e acontecimentos diários, fascinados por mil atrativos que o desenvolvimento técnico coloca nas nossas mãos, não parece que necessitemos de um horizonte mais amplo do que «esta vida», em que nos movemos.
Para que pensar em «outra vida»? Não é melhor gastar todas as nossas forças em organizar o melhor possível a nossa existência neste mundo? Não deveríamos esforçar-nos ao máximo em viver esta vida de agora e calarmo-nos a respeito de tudo o resto? Não é melhor aceitar a vida com a sua escuridão e os seus enigmas, e deixar o «além» como um mistério do qual nada sabemos?
No entanto, o homem contemporâneo, como o de todas as épocas, sabe que, no fundo do seu ser, está sempre latente, a pergunta mais séria e difícil de responder: o que acontecerá com todos e cada um de nós? Qualquer que seja a nossa ideologia ou a nossa fé, o verdadeiro problema que todos estamos enfrentando é o nosso futuro. Que fim nos espera?
Peter Berger recordou-nos com profundo realismo que «toda a sociedade humana é, em última instancia, uma congregação de homens frente à morte». Por isso, é precisamente ante a morte onde aparece com mais claridade «a verdade» da civilização contemporânea que, curiosamente, não sabe o que fazer com ela, que não seja para escondê-la e evitar ao máximo seu trágico desafio.
Mais honesta parece ser a posição de pessoas como Eduardo Chillida, que em algumas ocasiões se expressou nestes termos: «Da morte, a razão diz-me que é definitiva. Da razão, a razão diz-me que é limitada».
É aqui onde temos de situar a posição do crente, que sabe lidar com realismo e modéstia o acto inevitável da morte, mas que o faz com uma confiança radical no Cristo ressuscitado. Uma confiança que dificilmente pode ser entendida «desde fora» e que só pode ser vivida por quem escutou, alguma vez, no fundo do seu ser, as palavras de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida». Acreditas nisto?
1. João 11,1-16: Uma chave para entender o sétimo sinal da ressurreição de Lázaro
Lázaro estava doente. As irmãs Marta e Maria mandam chamar Jesus: “Aquele a quem amas está doente!” (Jo 11,3.5). Jesus atende ao pedido e explica: “Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho de Deus!” (Jo 11,4). No Evangelho de João, a glorificação de Jesus acontece através da sua morte (Jo 12,23; 17,1). Uma das causas da sua condenação à morte vai ser a ressurreição de Lázaro (Jo 11,50; 12,10). Assim, o sétimo sinal vai ser para manifestar a glória de Deus (Jo 11,4). Os discípulos não entendem (Jo 11,6-8). Jesus fala da morte de Lázaro, e eles entendem que esteja falando do sono (Jo 11,11-15). Ainda não percebem a identidade de Jesus como vida e luz (Jo 11,9-10). Porém, mesmo sem entenderem, eles estão dispostos a ir morrer com ele (Jo 11,16). A doutrina deles é deficiente, mas a fé é correta.
2. João 11,17-19: Jesus chega em Betânia
Lázaro está morto mesmo. Depois de quatro dias, a morte é absolutamente certa, o corpo entra em decomposição e já cheira mal (Jo 11,39). Muitos judeus estão na casa de Marta e Maria para consolá-las da perda do irmão. Os representantes da Antiga Aliança não trazem vida nova. Só consolam. Jesus é que vai trazer vida nova. Os judeus são os adversários que querem matar Jesus (Jo 10,31). As duas mulheres criaram um espaço novo de contato entre Jesus e seus adversários. Assim, de um lado, a ameaça de morte contra Jesus! De outro lado, Jesus chegando para vencer a morte! É neste contexto de conflito entre vida e morte que vai ser realizado o sétimo sinal.
3. João 11,20-24: Encontro de Marta com Jesus – promessa de vida e de ressurreição
No encontro com Jesus, Marta diz que crê na ressurreição. Ela está dentro da cultura e da religião do povo do seu tempo. Os fariseus e a maioria do povo já acreditavam na ressurreição (At 23,6-10; Mc 12,18). Acreditavam, mas não a revelavam. Era fé na ressurreição no final dos tempos, e não na ressurreição presente na história, aqui e agora. Não renovava a vida. Faltava dar um salto. A vida nova da ressurreição só vai aparecer com Jesus.
4. João 11,25-27: A revelação de Jesus provoca a profissão de fé
Jesus desafia Marta a dar este salto. Não basta crer na ressurreição que vai acontecer no final dos tempos, mas tem que crer que a ressurreição já está presente hoje na pessoa de Jesus e naqueles que acreditam em Jesus. Sobre eles a morte não tem mais nenhum poder, porque Jesus é a “ressurreição e a vida”. Então, Marta, mesmo sem ver o sinal concreto da ressurreição de Lázaro, confessa a sua fé: “Eu creio que tu és o Cristo, o filho de Deus que vem ao mundo”.
5. João 11,28-31: O encontro de Maria com Jesus
Depois da profissão de fé, Marta vai chamar Maria, sua irmã. É o mesmo processo que já encontramos na chamada dos primeiros discípulos: encontrar, experimentar, partilhar, testemunhar, conduzir até Jesus. Maria vai ao encontro de Jesus, que continua no mesmo lugar onde Marta o tinha encontrado. Tal como a sabedoria, que se manifesta nas ruas e nas encruzilhadas (Pr 1,20-21), assim Jesus é encontrado no caminho fora do povoado. Hoje, tanta gente busca saídas para os problemas da sua vida nas ruas e nas encruzilhadas! João diz que os judeus acompanhavam Maria. Pensavam que ela fosse ao sepulcro do irmão. Eles só entendiam de morte, e não de vida!
6. João 11,32-37: A resposta de Jesus
Maria repete a mesma frase de Marta: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11,21). Ela chora, todos choram. Jesus se comove. Quando os pobres choram, Jesus se emociona e chora. Diante do choro de Jesus, os outros concluem: “Vede como ele o amava!” Esta é a característica das comunidades do Discípulo Amado: o amor mútuo entre Jesus e os membros da comunidade. Alguns ainda não acreditam e levantam dúvidas: “Esse que curou o cego, por que não impediu a morte de Lázaro?”
7. João 11,38-40: Retirem a pedra!
Pela terceira vez, Jesus se comove (Jo 11,33.35.38). É assim que João acentua a humanidade de Jesus contra aqueles que, no fim do século I, espiritualizavam a fé e negavam a humanidade de Jesus. Jesus manda tirar a pedra. Marta reage: “Senhor, já cheira mal! É o quarto dia!” Novamente, Jesus a desafia, apelando para a fé na ressurreição, aqui e agora, como um sinal da glória de Deus: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?”
8. João 11,41-44: A ressurreição de Lázaro
Retiraram a pedra. Diante do sepulcro aberto e diante da incredulidade das pessoas, Jesus se dirige ao Pai. Na sua prece, primeiro, faz ação de graças: “Pai, dou-te graças, porque me ouviste. Eu sabia que tu sempre me ouves!” O Pai de Jesus é o mesmo Deus que sempre escuta o grito do pobre (Ex 2,24: 3,7). Jesus conhece o Pai e confia nele. Mas agora ele pede um sinal por causa da multidão que o rodeia, para que possa acreditar que ele, Jesus, é o enviado do Pai. Em seguida, grita em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” E Lázaro vem para fora. É o triunfo da vida sobre a morte, da fé sobre a incredulidade! Um agricultor do interior de Minas comentou: “A nós cabe retirar a pedra. E aí Deus ressuscita a comunidade. Tem gente que não quer tirar a pedra e, por isso a comunidade deles não tem vida!”
Para entender melhor este texto, temos que situá-lo no seu contexto dentro do Quarto Evangelho, o do Discípulo Amado. Cumpre lembrar a divisão literária e teológica deste Evangelho. Os primeiros onze capítulos formam o que é normalmente entitulado como “O Livros dos Sinais”, ou seja, eles relatam sete sinais (tradução melhor do que “milagres”) operados por Jesus.
Um sinal aponta para algo mais além, e os sinais relatados por João apontam para uma realidade mais profunda – eles revelam algo mais profundo sobre a pessoa e missão de Jesus. São eles: a mudança de água em vinho em Caná (2,1-11), a cura do filho dum funcionário real (4,46-54), a cura do paralítico em Betesda (5,1-18), a partilha de pães, (6,1-15), o caminhar sobre as águas (6,16-21), a cura do cego de nascença (9,1-41) e o sinal culminante, a Ressurreição de Lázaro (11,1-45), o texto de hoje. Como bloco, formam o Livro dos Sinais, e preparam os Capítulos 13 a 20, “O Livro da Glorificação”.
Desafiam-nos a ler por trás das palavras e imagens, ou seja, não parar no visível, mas descobrir o que sinalizam sobre a pessoa e missão de Jesus e, consequentemente, a nossa missão também. Portanto, devemos ter presente que o relato de um sinal sempre quer revelar algo sobre Jesus. Diferentemente das curas em Marcos, onde não se faz milagres a não ser que se tenha fé em Jesus, os sinais em João revelam uma verdade sobre ele e levam as pessoas a aprofundar a sua fé nele. Assim, no texto de hoje, não devemos centralizar-nos sobre a pessoa de Lázaro, ou sobre os pormenores da história, mas descobrir o que João quer dizer sobre a pessoa de Jesus e a sua missão, através dessa narrativa.
Talvez possamos dizer que o centro do relato se encontra nos versículos 21-27. Partindo da fé na ressurreição dos mortos, já corrente entre as camadas populares do judaísmo desde o tempo dos Macabeus, mas rejeitada pela classe dominante dos saduceus, João tece um diálogo entre Jesus e Marta, que culmina com a declaração que a Ressurreição e a Vida acontecem através do acreditar nele como o Enviado de Deus, que veio para que todos tivessem plena vida, dando a sua vida para que isso acontecesse (cf. Jo 10,10-11).
Vale notar que, no Evangelho de João, a primeira pessoa a professar sua fé no messianismo divino de Jesus é uma mulher, Marta. Nos Sinóticos, isso cabe a Pedro (Mc 8,29). Como a cegueira do cego de nascença servia para que a glória de Deus fosse revelada através da sua cura, revelando Jesus como Luz do mundo (Jo 9,3-5), a morte de Lázaro serve para revelar Jesus como Ressurreição e Vida (11,25-27).
Jesus traz esta Vida para todos, através da entrega da sua própria vida. O relato de João enfatiza que ele dará a sua vida para que todas as pessoas tenham a vida plena, colocando na boca do Sumo Sacerdote a famosa frase: “É melhor um homem morrer pelo povo do que a nação toda perecer” (11,50). A libertação total que Jesus trouxe não acontece sem que ele se esbarre contra os interesses dos poderosos da sociedade que procurarão conter esta libertação, matando-o. É a maneira joanina de dizer a verdade que Marcos sublinha quando ele faz Jesus dizer “se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8,34). A verdadeira vida exige luta contra tudo que é de morte, de dominação, de exploração, de exclusão.
Notemos que, no fim da história, Lázaro é desatado dos panos e sudário – pois ele vai precisá-los quando passará pela morte. A Ressurreição de Jesus, que logo celebraremos, é diferente. O cap. 20 de João faz questão de mencionar que, quando os discípulos entram no túmulo vazio, eles veem o sudário e os panos no chão – pois Jesus não foi simplesmente ressuscitado, mas passou pela Ressurreição, para a vida definitiva. O que aconteceu com Lázaro simplesmente prefigura o que aconteceria com Jesus de uma maneira mais definitiva e, por conseguinte, com todos e todas nós.
Que a nossa fé naquele que é “a Ressurreição e a Vida”, que veio “para que todos tenham vida e a vida plena” nos leve, não à religião intimista e individualista, sem maiores consequências na vida comunitária, social, política e econômicas, mas a um engajamento na construção do mundo que Deus quer, o mundo da verdadeira “Shalom” – um conceito que vai muito além do sentido do termo português “paz”, para indicar a plenitude do bem-viver, tudo o que Deus deseja para todos os seus filhos e suas filhas, como nos lembra o tema do programa catequético-bíblico da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nestes quatro anos: “Para que n´Ele nosso povos tenham vida”, o que implica levar a sério a Campanha da Fraternidade deste ano, em defesa das biomas brasileiras, elementos essenciais para uma vida plena.
(CONFIRA COM O ORIGINAL EM ESPANHOL LOGO APÓS A TRADUÇÃO)
QUINTO DOMINGO: JESUS PODE NOS DAR A VIDA PARA SEMPRE
Dos símbolos pascais oferecidos nas leituras da Quaresma, hoje temos o símbolo pascal e batismal por excelência: A VIDA. Meditamos sobre a ÁGUA VIVA e sobre a LUZ DA VIDA. Hoje, Jesus se apresenta a nós como a RESSURREIÇÃO E A VIDA. Como bem afirma A. Vanhoye : "A liturgia deste domingo nos prepara para o Mistério Pascal de Jesus, que se aproxima, falando-nos da vitória sobre a morte. De fato, o Mistério Pascal de Jesus é um mistério de morte e ressurreição, isto é, da morte vencendo a morte. Somos convidados a entrar neste mistério com a esperança da vitória sobre a morte."
Primeira Leitura (Ezequiel 37:12-14):
Israel encontra-se no exílio babilônico, em um estado de morte, de não-vida. Ali, o profeta Ezequiel anuncia à casa de Israel o dom de um "novo coração" e um "novo espírito" (cf. Ez 11:16-20; 18:31; 36:24-28). O novo coração, um coração de carne e não de pedra, significa sensibilidade e docilidade às leis de Deus. O novo espírito indica que a intervenção de Deus produzirá mudança contínua, concedendo o princípio permanente de uma nova vida, que é o ruah (espírito) de Deus. Assim, por meio da renovação interior da humanidade, anuncia-se a possibilidade de um novo relacionamento com Deus. Mais tarde, o profeta passa da transformação pessoal e interior para a transformação comunitária, de todo o povo; mas a força transformadora é essencialmente a mesma: o espírito . Essa é a mensagem da visão inspiradora dos ossos secos revividos pelo poder do Espírito (cf. Ez 37,1-14), cujos versículos finais constituem a leitura de hoje. É a promessa da restauração do povo, de sua ressurreição da morte (ossos secos) para a vida. Deus pode reviver o que aparentemente está morto. A mensagem profética é clara: “A última palavra de Deus é sempre uma palavra de vida. Mesmo nas maiores adversidades, sempre há esperança, porque é Deus quem tem a palavra final. Mesmo no caso da morte, que parece uma barreira intransponível. Além dela está o Criador, e seu Espírito é sempre um comunicador de vida. ” ²
2ª Leitura (Rm 8,8-11):
Como nos domingos anteriores, esta leitura é uma síntese das outras duas. Ela compartilha com o texto de Ezequiel a ação vivificante própria do Espírito . A natureza do Espírito é dar vida, animar. Ora, o homem pode levar uma vida animada pela carne, isto é, uma vida meramente humana; ou uma vida animada pelo Espírito de Deus. Somente aqueles que vivem desta segunda maneira podem agradar a Deus. Jesus era plenamente habitado pelo Espírito, e Deus o ressuscitou dos mortos. Este é o caminho e a esperança do cristão: ser habitado pelo Espírito de Jesus e ressuscitar como Ele. A ressurreição de Lázaro é um sinal desta nova vida. Em suma, “a afirmação fundamental é a constatação de que o crente, por meio do seu batismo, não vive mais ‘na carne’ (o homem fechado em si mesmo, separado de Deus e de seus irmãos), mas está ‘ no Espírito ’, porque este Espírito foi concedido por Deus ao crente no seu batismo e este evento muda a vida do homem para sempre, se ele permanecer no reino do Espírito” 3 .
Evangelho (João 11:1-45):
O capítulo 11 é o penúltimo capítulo da primeira parte do Evangelho de João, conhecido como o “livro dos sinais” (capítulos 1-12), que será seguido pelo “livro da paixão e da glória” (capítulos 13-21). Em certo sentido, a ressurreição de Lázaro é o ápice dos sinais e a passagem para a glória de Jesus. De fato, seu propósito é “introduzir o discípulo à hora da morte e da glória de Jesus, por meio do dom da vida”.<sup> 4 </sup> Podemos dizer, então, que a ressurreição de Lázaro determina a morte de Jesus, visto que a narrativa conclui com esta decisão dos sacerdotes e fariseus: “A partir daquele dia, eles tramaram para matar Jesus” (João 11:53).
A narrativa começa com uma introdução relativamente extensa dos personagens e seus relacionamentos. Em seguida, avança com a notícia que chega a Jesus por meio das duas irmãs de Lázaro: “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11,3). Seguem-se as palavras de Jesus comentando a notícia e um diálogo com os discípulos que destacam o valor simbólico do que está acontecendo e do que Jesus está prestes a fazer. Como afirma G. Zevini : “As palavras de Jesus, transcendendo as circunstâncias que as motivaram, apontam para a sua missão. Enquanto para os discípulos elas se referem ao fato de que a doença não será fatal, para Jesus elas têm um significado muito diferente: a morte não terá a palavra final na vida de seu amigo, porque ele é o Senhor da vida e da morte. O milagre da ressurreição de seu amigo manifestará, assim, a glória do Pai e do Filho, como a única realidade divina. Ele anuncia de antemão que a glória de Jesus vem somente pelo caminho do Gólgota e da morte na cruz.”
Agora, “o diálogo com Marta e as palavras de Jesus no v. 25 “Eu sou a ressurreição e a vida” são a mensagem-chave de todo o sinal que Jesus vai realizar” 6. Será bom concentrarmo-nos neste diálogo porque o contexto litúrgico nos inclina a ele, embora todo o texto seja de grande riqueza teológica.
Marta acreditava no poder de Jesus e esperava tudo Dele, até mesmo a possibilidade de ter evitado a morte de seu irmão. Mas Marta acreditava apenas na ressurreição no último dia, assim como alguns judeus de sua época. De fato, o judaísmo defendia a ideia de uma dupla ressurreição: primeiro, um reavivamento (retorno à vida) para todos (bons e maus) antes do julgamento final; e depois, para os justos, uma transformação ou segunda ressurreição que levaria à glorificação.
Jesus, por sua vez, a convida com sua resposta a passar de uma fé imperfeita para uma fé plena e madura; a crer nEle como a Ressurreição e a Vida e, portanto, a crer que Ele pode ressuscitar dos mortos aqueles que têm fé. De fato, a mensagem central da história encontra-se em João 11:25-26: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim jamais morrerá. Você crê nisso?”
A fórmula “Eu Sou” nos lábios de Jesus é frequente no Evangelho de João (cf. 6,35.48.51; 8,12; 10,7.11.14) e indica que em Jesus é o próprio Deus que se revela . Portanto, Jesus não é apenas um poderoso intercessor (como acredita Marta), mas o próprio Deus com o poder de ressuscitar os mortos, de dar a vida. E isso não apenas no último dia (como também pensa Marta), mas já agora, sob a condição de crer nele. De fato, Jesus expressa que a fé, crer e viver nele, vence a morte, a supera, a transcende. Ou seja, “em sua conversa com Marta, Jesus afirma que dá a vida eterna àqueles que creem nele, o que os liberta da morte em sentido escatológico, embora possam momentaneamente experimentar a morte física ” . 7
Esclareçamos que, para falar de vida e viver, usa-se o termo grego zoé (ζωή), que em João significa “vida eterna”. 8 Portanto, a vida que transcende a morte física é viver em Jesus pela fé . A este respeito, V. Mannucci9 afirma que, no Evangelho de João, a fé claramente abre o homem à existência escatológica, na medida em que promove uma passagem do “ser deste mundo”, do “ser de baixo”, para o “ser de Deus” e o “ser de cima”; e tudo isso sem deixar de “estar no mundo”. Assim, a vida eterna recebida pela fé começa neste mundo e o transcende .
É o mesmo “evangelho” que Jesus revela nesta declaração, e requer a fé de seus ouvintes e discípulos. É por isso que ele termina com a pergunta fundamental dirigida a Marta: “Você crê nisso?”. A confissão de fé de Marta, expressão de sua fé madura e completa, é uma síntese da cristologia do quarto Evangelho: “Ela lhe disse: ‘Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo’” (Jo 11,27). Portanto, é verdade que “Marta, de sua fé judaica na ressurreição dos mortos no último dia, passa para uma fé cristã e faz em João uma profissão de fé que Pedro faz em Mateus (16,16) ” . ¹⁰
Em conclusão, deve ficar claro que a VIDA em João tem um valor simbólico que, de certa forma, reavalia a ÁGUA VIVA e a LUZ. Em João, a VIDA é propriamente a VIDA ETERNA, que é a própria VIDA DE DEUS que Jesus veio revelar e comunicar à humanidade. Já no prólogo do Evangelho, a VIDA é mencionada como a primeira posse do LOGOS ou PALAVRA: "Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens" (Jo 1,4). Assim, a vida precede até mesmo a luz, visto que a luz ou o conhecimento nada mais é do que o esplendor da vida .
Em resumo , no Evangelho de João, o termo VIDA possui um significado cristológico e um significado soteriológico-escatológico . O primeiro é confirmado pelas inúmeras vezes em que se afirma que Cristo é a Vida e a Fonte da vida (cf. 1,4-5; 5,21.26; 6,33.51; 10,10; 11,25; 14,6). No conceito de Vida Eterna, prevalece a dimensão soteriológica e escatológica; e para muitos, seria o equivalente joanino do Reino dos Céus nos Evangelhos Sinópticos. Esta vida eterna aparece como sinônimo de Ressurreição (6:40: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”) e para recebê-la é necessária a fé (6:47: “Quem crê tem a vida eterna”; 11:26: “Quem vive e crê em mim jamais morrerá”) 12 .
Algumas reflexões:
A missão da Quaresma é destacar uma dimensão essencial da vida cristã: a primazia da Graça , o dom de Deus. A mulher samaritana foi ao poço em busca de água natural e encontrou o dom da Água Viva. Na cura do cego, é Jesus quem vai ao seu encontro, tornando ainda mais evidente a gratuidade do dom . Ora, a gratuidade do Dom da Vida é total , como indicam os quatro dias em que Lázaro permaneceu morto e sepultado (cf. Jo 11,17.38). Um morto nada pode fazer; é totalmente impotente. "Os que descem ao Sheol nada podem fazer ", diz um salmo. Portanto, a ressurreição que nós, cristãos, aguardamos consiste numa transformação e glorificação que é pura e exclusivamente obra de Deus . É um milagre, o maior de todos, uma obra do seu poder divino, uma nova criação. É muito mais do que a imortalidade ou a sobrevivência da alma como mera substância espiritual. Penso que precisamos enfatizar este ponto novamente porque, juntamente com a pseudoespiritualidade da Nova Era , o tema da "vida eterna" está sendo difundido, mas como o destino natural de todos os homens, seja como vida após a morte ou como um processo de reencarnação.
Retomando as ênfases específicas deste tempo litúrgico, podemos reconhecer que na primeira parte da Quaresma fomos convidados à conversão, a mudar nossas vidas, a fazer o que é certo. Nesta segunda parte, a ênfase recai mais sobre a obra de Deus em nós, sobre o seu poder de nos transformar e justificar, e sobre a necessidade da fé para que isso aconteça em nós. Fé como aceitação da vida que vem de Deus e como confiança na salvação divina.
Para além da ênfase, a dimensão batismal permanece muito presente porque: “existe uma conexão progressiva nos grandes textos de João lidos ao longo destes últimos domingos da Quaresma. Depois de ter falado do dom de Deus (água viva), Jesus, verdadeira Luz, abriu os olhos do cego de nascença. Estas ações simbólicas anunciavam o batismo, isto é, o renascimento pela água e pelo Espírito. Hoje, outra ação simbólica fala-nos das consequências do batismo: vida nova e imperecível. ” ¹³
Portanto, o tema central deste domingo é a proclamação da Vida Eterna, que Jesus nos comunica pelo Batismo e que devemos receber pela fé . Este domingo marca o terceiro escrutínio dos catecúmenos, e no Rito de Iniciação Cristã de Adultos para a Argentina (março de 2024), o seguinte exorcismo é proferido sobre os eleitos: “Pai da Vida eterna, que não és Deus dos mortos, mas dos vivos, enviaste o teu Filho como mensageiro da vida para arrebatar os homens do reino da morte e conduzi-los à ressurreição; nós te suplicamos que libertes estes eleitos do poder mortal do espírito maligno, para que recebam a nova vida de Cristo ressuscitado e sejam sempre suas testemunhas. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.”
Em relação ao Evangelho de hoje, devemos observar que, estritamente falando, não se trata da "ressurreição" de Lázaro, mas sim de seu reavivamento , pois, na verdade, ele apenas retornou à sua vida anterior. Portanto, sua ressurreição foi meramente um sinal da ressurreição que acontecerá com Jesus e que é oferecida aos fiéis. É um sinal para despertar a fé em Jesus como Filho de Deus e, portanto, com o poder de nos dar a ressurreição e a vida eterna. R. Cantalamessa explica isso muito bem: “Jesus ressuscita para a frente , em direção à vida eterna; Lázaro, ao contrário, ressuscita para trás , em direção à sua vida anterior. Jesus, ressuscitado, deixa este mundo; Lázaro permanece neste mundo. Uma vez ressuscitado, Jesus não morre mais; Lázaro sabe que ainda deve morrer. A ressurreição de Lázaro é, portanto, provisória […] A história de Lázaro foi escrita para nos dizer isto: que há uma ressurreição do corpo e há uma ressurreição do coração; se a ressurreição do corpo deve ocorrer 'no último dia', a ressurreição do coração ocorre ou pode ocorrer todos os dias. Hoje . ” ¹⁴
Assim, as leituras de hoje nos conduzem ao âmago do Mistério Pascal e nos preparam abertamente para celebrá-lo. Recordemos aqui as palavras de São Leão Magno: "O que deve acontecer em nossos corpos já deve estar realizado em nossos corações" (Sermão 15 sobre a Paixão do Senhor; LH Quinta-feira da Quarta Semana da Quaresma). Portanto, a Vida Eterna nos é dada com a substância da Fé já no corpo.
Nos dias de hoje, responde às aspirações mais profundas e legítimas de cada pessoa. O Evangelho também chama a nossa atenção para algo muito importante: o amor de Jesus por Lázaro, seu amigo . Ele o afirma três vezes ao longo da narrativa: (cf. 11,3: “Senhor, aquele a quem amas está doente”; 11,5: “Jesus amava Marta, e a sua irmã, e Lázaro”; e 11,36: “Os judeus disseram: ‘Vejam como ele o amava!’”). E é importante porque nos revela a razão última da nossa esperança na vida eterna: o amor de Deus. E é também a razão da nossa vocação para a vida eterna. Podemos recordar aqui a conhecida frase de Paulo Claudel: “Amar o próximo é dizer-lhe: não morrerás”. Só Deus pode dizer isto com eficácia. E Ele nos ama, por isso o diz a Lázaro e a todos os crentes. Aqui devemos parar e perguntar-nos sinceramente: acreditamos nisto? Porque, se realmente acreditássemos nisso, essa fé no amor de Deus nos levaria a viver de uma maneira diferente, com esperança e confiança. De fato, podemos nos sentir "sepultados" porque estamos presos em nosso túmulo, sem nenhuma esperança de sair. Nosso túmulo pode ser a rotina, a mediocridade, a recusa em mudar ou se converter, a morte dos sonhos e ideais da juventude; a depressão, o ódio e até mesmo o próprio pecado. O Senhor quer nos "ressuscitar" de tudo isso, mas Ele precisa que removamos as pedras de nossos túmulos espirituais.
A respeito disso, o Papa Francisco disse em sua mensagem do Angelus de 26 de março de 2023: “Jesus nos diz isso também. Tirem a pedra : não escondam sua dor, seus erros, seus fracassos dentro de si, em um quarto escuro, solitário e fechado. Tirem a pedra : tragam para fora tudo o que está dentro. ‘Tenho vergonha’, dizemos. Mas o Senhor diz: apresentem-na a mim com confiança, eu não me escandalizo; apresentem-na a mim sem medo, porque estou com vocês, eu os amo e quero que vocês vivam novamente. E, como com Lázaro, ele repete para cada um de nós: Saiam! Levantem-se, retomem sua jornada, redescubram sua confiança! Quantas vezes na vida nos encontramos nessa situação, sem forças para nos levantarmos novamente? E Jesus: ‘Sigam em frente!’” “Estou com vocês.” Eu os pego pela mão, diz Jesus, como quando vocês eram crianças aprendendo a dar os primeiros passos. Querido irmão, querida irmã, tirem as bandagens que os prendem (cf. v. 45), por favor, não cedam ao pessimismo que deprime, não cedam ao medo que isola, não cedam ao desânimo causado pela lembrança de más experiências, não cedam ao medo que paralisa. Jesus nos diz: “Eu quero vocês livres e quero vocês vivos, eu não os abandono, estou com vocês! Tudo está escuro, mas eu estou com vocês. Não se deixem aprisionar pela dor, não deixem a esperança morrer. Irmão, irmã, voltem à vida!” — “Como faço isso?” — “Peguem a minha mão”, e Ele pega a nossa mão. Deixem que Ele os conduza para fora, Ele é capaz disso. Nesses momentos difíceis pelos quais todos passamos.”
Podemos ajudar os outros removendo as pedras de seus túmulos e desamarrando-os para que possam andar. Mas o principal, tirá-los do túmulo, é obra de Jesus. Só podemos ser instrumentos de Deus, como explica o Padre Cantalamessa: “Muitas vezes, as pessoas nessa situação são incapazes de fazer qualquer coisa, nem mesmo rezar. São como Lázaro no túmulo. Outros precisam agir em seu nome. Encontramos este mandamento dirigido aos seus discípulos nos lábios de Jesus: ‘Curem os enfermos, ressuscitem os mortos’ (Mt 10,8) […] Jesus se referia aos mortos de coração, aos mortos espiritualmente […] O mandamento de ressuscitar os mortos é dirigido a todos os discípulos de Cristo […] Revelarei a vocês como ressuscitar alguém ainda hoje ou nos próximos dias. Vocês têm um pai idoso em casa ou em um asilo? Talvez o coração dele esteja morto pelo silêncio dos filhos. Liguem para ele com carinho; se puderem, prometam que o visitarão amanhã. Provavelmente vocês já ressuscitaram alguém. Seu marido, desmoralizado, saiu de casa depois de mais uma discussão: liguem para ele, reacendam a confiança em seu coração. Façam o mesmo com sua esposa, se vocês forem o marido. Talvez vocês também já tenham ressuscitado alguém. os mortos. ” 15
PARA ORAÇÃO (RESSONÂNCIAS DO EVANGELHO EM UMA ORAÇÃO):
Havia um homem doente…
Havia um homem doente, rico em posses,
Com a família e os amigos.
A cura para seus males
Só chegou mais tarde.
Ele sofreu na solidão, mesmo estando acompanhado.
Deus o havia deixado... Ele o havia abandonado?
A morte veio procurá-lo.
O som do choro ecoou no silêncio.
Na glória do Filho, permaneceu a última palavra.
E os outros aprenderam.
Aquele único que trouxe a Vida
E ele levou isso consigo também.
A Vontade do Criador é um Mistério
E as nossas decisões…
Eles irão para a alegria ou para o sofrimento.
Até o unigênito foi tentado.
Mas atravessar a morte com fé viva
É um sacramento puro e divino.
A ressurreição virá mais tarde.
De um sofrimento sagrado.
Todos os dias cruzamos esse limiar.
Em coisas grandes e pequenas.
Por meio de Cristo, com ele e nele
O jugo de si mesmo e o jugo dos outros.
Acompanhar aqueles que encontram dificuldades.
Suportar a dor do luto,
Incentive-o a continuar caminhando.
Com os olhos voltados para o céu.
O caminho para a Vida que nunca termina, Senhor.
Seja a ressurreição.
Que as vendas caiam dos nossos olhos.
Vamos viver sua paixão ao máximo.
O dia tão esperado chegará, ouviremos a sua voz.
Com medo, mas ainda sem coragem,
A fé se acendeu no calor.
Do teu Santo Espírito. Amém.
1 Leituras bíblicas para domingos e festas. Ciclo A (Mensajero; Bilbao 2003) 85.
2Juan A. Mayoral, Homilética 2 (2005) 137.
3José M. Carracedo, Homilética 2 (2005) 137.
4 G. Zevini, Evangelho segundo São João (Siga-me; Salamanca 1995) 269.
5 Evangelho segundo São João (Siga-me; Salamanca 1995) 277.
6 Comissão Episcopal do Clero, Pregação do Evangelho de São João (Madrid 1988) 122. 7 G. Zevini, Evangelho segundo São João (Sígueme; Salamanca 1995) 284.
8 Cf. LH Rivas, O Evangelho de João (San Benito; Buenos Aires 2006) 323.
9 João o evangelho narrativo (EDB; Bolonha 1993) 322.
10 CEA, A Alegria do Pai. Orientações para homilias aos domingos durante a Quaresma , 56.
11 Cf. V. Mannucci, João o evangelho narrativo (EDB; Bolonha 1993) 116-117.
12 Cf. Comissão Episcopal do Clero, Pregação do Evangelho de São João (Madrid 1988) 201-203. 13 G. Zevini - PG Cabra (eds.), Lectio Divina para cada dia do ano. Vol 3 (Verbo Divino; Estella 2001) 314.
14 R. Cantalamessa, Lançar as redes. Reflexões sobre os Evangelhos. Ciclo A (EDICEP; Madrid 2003) 108-109.
15 R. Cantalamessa, Lançar as redes. Reflexões sobre os Evangelhos. Ciclo A (EDICEP; Madrid 2003) 111.
QUINTO DOMINGO: JESÚS PUEDE DARNOS LA VIDA PARA SIEMPRE
De los símbolos pascuales que nos ofrecen las lecturas de cuaresma, hoy tenemos el símbolo pascual y bautismal por excelencia: LA VIDA. Meditamos sobre el AGUA VIVA y sobre la LUZ DE LA VIDA. Hoy se nos presenta a Jesús como la RESURRECCIÓN Y LA VIDA. Como bien dice A. Vanhoye1: "la liturgia de este domingo nos prepara para el misterio pascual de Jesús, ahora ya inminente, hablándonos de victoria sobre la muerte. En efecto, el misterio pascual de Jesús es un misterio de muerte y resurrección, esto es, de muerte que vence a la muerte. Estamos invitados a entrar en este misterio con la esperanza de la victoria sobre la muerte".
1a. Lectura (Ez 37,12-14):
Israel se encuentra en el exilio babilónico, en una situación de muerte, de no-vida. Allí el profeta Ezequiel anuncia a la casa de Israel el don de un "corazón nuevo" y un "espíritu nuevo" (cf. Ez 11,16-20; 18,31; 36,24-28). El corazón nuevo, corazón de carne y no de piedra, indica la sensibilidad y docilidad a las leyes de Dios. El espíritu nuevo señala que la intervención de Dios producirá un cambio continuo al conceder el principio permanente de una nueva vida que es la ruah (espíritu) de Dios. Se anuncia entonces, mediante la renovación interior del hombre, la posibilidad de una nueva relación con Dios. Más adelante el profeta pasa de la transformación personal, interior, a la comunitaria, a todo el pueblo; pero la fuerza transformadora es substancialmente la misma: el espíritu. Tal el mensaje de la impresionante visión de los huesos secos que reviven por la fuerza del espíritu (cf. Ez 37,1-14) y cuyos últimos versículos constituyen la lectura de hoy. Es la promesa de la restauración del pueblo, de su resurgir de la muerte (huesos secos) a la vida. Dios puede hacer revivir lo que aparentemente está muerto. Es claro el mensaje profético: "La última palabra de Dios es siempre una palabra de vida. Incluso en las mayores adversidades hay siempre una esperanza, porque es Dios quien tiene la palabra definitiva. Hasta en el caso de la muerte, que supone una barrera infranqueable. Más allá de ella se encuentra el Creador, y su espíritu es siempre comunicador de vida"2.
2a. Lectura (Rom 8,8-11):
Al igual que en los domingos anteriores, esta lectura es una síntesis de las otras dos. Comparte con el texto de Ezequiel la acción vivificadora propia del Espíritu. Lo propio del Espíritu es dar vida, animar. Pues bien, el hombre puede llevar una vida animada por la carne, o sea meramente humana; o una vida animada por el Espíritu de Dios. Sólo quien vive de esta segunda forma puede agradar a Dios. Jesús fue habitado plenamente por el Espíritu y Dios lo resucitó. Este es el camino y la esperanza del cristiano: ser habitado por el Espíritu de Jesús y resucitar también como Él. De esta nueva vida la revivificación de Lázaro es un signo. En fin, "la afirmación fundamental es la constatación de que el creyente, por su bautismo, ya no vive “en la carne” (el hombre cerrado en sí mismo, separado de Dios y de los hermanos) sino que está "en el Espíritu", porque este Espíritu ha sido concedido por Dios al creyente en su bautismo y ese acontecimiento cambia la vida del hombre para siempre, si éste permanece en el ámbito del Espíritu"3.
Evangelio (Jn 11,1-45):
El capítulo 11 es el penúltimo de la primera parte del evangelio de Juan que se denomina el ‘libro de los signos’ (cc. 1-12), a la cual le seguirá el "libro de la pasión y la gloria" (cc. 13-21). En cierto modo la resurrección de Lázaro es el culmen de los signos y el paso a la gloria de Jesús. En efecto, su objetivo es “introducir al discípulo en la hora de la muerte y de la gloria de Jesús, a través del don de la vida”4. Podemos decir, entonces, que la resurrección de Lázaro decide la muerte de Jesús, ya que el relato se cierra con esta decisión de los sacerdotes y los fariseos: “A partir de ese día, resolvieron que debían matar a Jesús” (Jn 11,53).
La narración comienza con una relativamente amplia presentación de los personajes y sus vínculos. Y se pone en movimiento con la noticia que le llega a Jesús de parte de las dos hermanas de Lázaro: “Señor, el que tú amas, está enfermo” (Jn 11,3). Siguen unas palabras de Jesús comentando la noticia y un diálogo con los discípulos que ponen de relieve el valor simbólico de lo que sucede y lo que Jesús va a realizar. Como dice G. Zevini5: “Las palabras de Jesús, superando las circunstancias que las provocaron, orientan hacia su misión. Si para los discípulos se refieren al hecho de la enfermedad que no será mortal, para Jesús tienen un valor muy distinto: la muerte no tendrá la última palabra en la vida de su amigo, porque él es Señor de la vida y de la muerte. El milagro de la resurrección de su amigo manifestará así la gloria del Padre y la del Hijo, como única realidad divina. Anuncia de antemano que la gloria de Jesús pasa sólo a través del camino del Gólgota y de la muerte en la cruz”.
Ahora bien, “el diálogo con Marta y las palabras de Jesús en el v. 25 “Yo soy la Resurrección y la vida” son el mensaje clave de todo el signo que Jesús va a realizar”6. Será bueno concentrarnos en este diálogo porque a ello nos inclina el contexto litúrgico, aunque todo el texto sea de una gran riqueza teológica.
Marta cree en el poder de Jesús, lo espera todo de Él; incluso el haber podido evitar la muerte de su hermano. Pero Marta sólo cree en la resurrección en el último día, como creían algunos judíos de su tiempo. En efecto, en el judaísmo estaba presente la idea de una doble resurrección: primero una revivificación (volver a la vida) de todos (buenos y malos) antes del juicio final; y luego para los justos una transformación o segunda resurrección en vistas a la glorificación.
Jesús, por su parte, la invita con su respuesta a pasar de una fe imperfecta a una fe plena, adulta; a creer en Él mismo como la Resurrección y la Vida y, por tanto, a creer que Él puede resucitar de la muerte a los que tienen Fe. Justamente el mensaje central del relato está en Jn 11,25- 26: "Yo soy la Resurrección y la Vida. El que cree en mí, aunque muera, vivirá: y todo el que vive y cree en mí, no morirá jamás. ¿Crees esto?".
La fórmula "Yo soy" en boca de Jesús es frecuente en el evangelio de Juan (cf. 6,35.48.51; 8,12; 10,7.11.14) e indica que en Jesús es Dios mismo quien se manifiesta. Por tanto, Jesús no es sólo un poderoso intercesor (como cree Marta) sino Dios mismo con el poder de resucitar a un muerto, de dar la vida. Y esto no sólo en el último día (como también piensa Marta), sino ya desde ahora, con la condición de creer en Él. En efecto, Jesús expresa que la fe, el creer y vivir en Él, vence a la muerte, la supera, la sobrepasa. Es decir, “en su conversación con Marta Jesús afirma que comunica una vida duradera a los que creen en él, lo cual los libera de la muerte en sentido escatológico, aunque pueden experimentar momentáneamente la muerte física”7.
Aclaremos que para hablar de vida y de vivir se utiliza el término griego zoé (ζωή) que en Juan significa la "vida eterna"8. Por tanto, el vivir que supera la muerte física es el vivir en Jesús por la fe. Al respecto sostiene V. Mannucci9que en el evangelio de Juan claramente la fe abre al hombre a la existencia escatológica por cuanto provoca un pasaje del "ser de este mundo", del "ser de abajo" al "ser de Dios" y "ser de lo alto"; y todo esto sin dejar de "estar en el mundo". Así la vida eterna que se recibe por la fe comienza en este mundo y lo trasciende.
Es el mismo "evangelio" el que Jesús revela en esta afirmación y que requiere la fe de sus oyentes y discípulos. Por eso termina con la pregunta clave dirigida a Marta: "¿crees esto?" La confesión de fe de Marta, expresión de su fe ya adulta y plena, es una síntesis de la cristología del cuarto evangelio: "Le dice ella: «Sí, Señor, yo creo que tú eres el Cristo, el Hijo de Dios, el que iba a venir al mundo» (Jn 11,27). Por tanto, es cierto que “Marta, de su fe judía en la resurrección de los muertos el último día, pasa a una fe cristiana y hace en Juan una profesión de fe que hace Pedro en Mateo (16,16)”10.
Para ir concluyendo, nos tiene que quedar claro que la VIDA en Juan tiene un valor simbólico que de algún modo reasume al AGUA VIVA y a la LUZ. En Juan la VIDA es propiamente la VIDA ETERNA que es la misma VIDA DE DIOS que Jesús ha venido a revelar y a comunicar al hombre. Ya en el prólogo del evangelio se hablaba de la VIDA como primera posesión del LOGOS o PALABRA: "En ella estaba la vida, y la vida era la luz de los hombres" (Jn 1,4). Así, la vida es anterior incluso a la luz pues la luz o conocimiento no es más que el esplendor de la vida11.
En síntesis, en el evangelio de Juan el término VIDA tiene una significación cristológica y soteriológica-escatológica. Lo primero se confirma con las numerosas veces en que se afirma que Cristo es la Vida y la Fuente de la vida (cf. 1,4-5; 5,21.26; 6,33.51; 10,10; 11,25; 14,6). En el concepto de Vida eterna, por su parte, prevalece la dimensión soteriológica y escatológica; y para muchos sería el equivalente joánico del Reino de los cielos de los sinópticos. Esta vida eterna aparece como sinónimo de Resurrección (6,40: “Esta es la voluntad de mi Padre: que el que ve al Hijo y cree en él, tenga Vida eterna y que yo lo resucite en el último día”) y para recibirla es necesaria la fe (6,47: “El que cree tiene vida eterna”; 11,26: "el que vive y cree en mí, no morirá jamás")12.
Algunas reflexiones:
La cuaresma tiene como misión poner de relieve una dimensión esencial de la vida cristiana como es la primacía de la Gracia; del don de Dios. La samaritana había ido hasta el pozo en busca del agua natural y se encontró con el don del Agua Viva. En la curación del ciego es Jesús quien va a su encuentro, por tanto, se pone más de manifiesto la gratuidad del don. Ahora bien, la gratuidad del Don de la Vida es total, como lo indican los cuatro días que lleva Lázaro muerto y sepultado (cf. Jn 11,17.38). Un muerto nada puede; se encuentra en la impotencia absoluta. Nada pueden los que bajan al sheol, reza un salmo. Entonces, la resurrección que esperamos los cristianos consiste en una transformación y glorificación que es pura y exclusivamente obra de Dios. Es un milagro, el mayor de todos, una obra de su poder divino, una nueva creación. Es mucho más que la inmortalidad o supervivencia del alma en cuanto sustancia espiritual y simple. Pienso que hay que volver a insistir en este aspecto porque de la mano de la pseudo-espiritualidad de la new age se difunde el tema de la "vida para siempre", pero como destino natural de todos los hombres, sea como vida después de la muerte, sea como un proceso de reencarnación.
Volviendo a las acentuaciones propias de este tiempo litúrgico podemos reconocer que en la primera parte de la cuaresma se nos invitaba a convertirnos, a cambiar de vida, a obrar la justicia. En esta segunda parte se insiste más en la obra de Dios en nosotros, en su poder para cambiarnos y justificarnos; y en la necesidad de la FE para que esto tenga lugar en nosotros. La fe como aceptación de la Vida que viene de Dios y como confianza en la salvación de Dios.
Más allá de las acentuaciones, sigue muy presente la dimensión bautismal por cuanto: “se da una conexión progresiva en los grandes textos de Juan leídos a lo largo de estos últimos domingos de cuaresma. Después de haber hablado del don de Dios (el agua viva), Jesús, verdadera Luz, ha abierto los ojos al ciego de nacimiento. Estas acciones simbólicas anunciaban el bautismo, es decir, el renacimiento por el agua y el Espíritu. Hoy, otra acción simbólica nos habla de las consecuencias del bautismo: la vida nueva e imperecedera”13.
Por tanto, el gran tema de este domingo es el anuncio de la Vida Eterna que Jesús nos comunica a través del Bautismo y que tenemos que recibir por la fe. Este domingo se celebra el tercer escrutinio de los catecúmenos y en el Ritual de Iniciación Cristiana de Adultos para Argentina (marzo 2024) se dice sobre los electos este exorcismo: “Padre de la Vida eterna, que eres Dios no de muertos sino de vivientes, tú enviaste a tu Hijo como mensajero de la vida para arrancar a los hombres del reino de la muerte y llevarlos a la resurrección; te rogamos que libres a estos electos del poder mortal del espíritu maligno, para que puedan recibir la vida nueva de Cristo resucitado, y sean siempre sus testigos. Por Jesucristo, nuestro Señor”.
En cuanto al evangelio de hoy, debemos notar que en sentido estricto no se trata de la "resurrección" de Lázaro, sino más bien de la reviviscencia de Lázaro, porque de hecho sólo volvió a la misma vida anterior. Por tanto, lo suyo fue sólo un signo de la resurrección que acontecerá a Jesús y que se ofrece a los creyentes. Es un signo para despertar la fe en Jesús como Hijo de Dios y, por tanto, con poder para darnos la resurrección y la vida eterna. Lo explica muy bien R. Cantalamessa: "Jesús resucita hacia delante, hacia la vida eterna; Lázaro, por el contrario, resurge hacia atrás, hacia la vida de antes. Jesús, resucitado, deja este mundo; Lázaro permanece en este mundo. Una vez resucitado, Jesús ya no muere más; Lázaro sabe que deberá morir todavía. La de Lázaro es, por lo tanto, una resurrección provisional […] La historia de Lázaro ha sido escrita para decirnos esto: que hay una resurrección del cuerpo y hay una resurrección del corazón; si la resurrección del cuerpo va a tener lugar 'en el último día', la del corazón tiene lugar o puede tenerla cada día. Hoy mismo"14.
De este modo las lecturas de hoy nos llevan al corazón del misterio pascual y nos preparan ya abiertamente para celebrarlo. Recordemos aquí las palabras de San León Magno: "lo que ha de tener lugar en los cuerpos se realice ya en los corazones" (Sermón 15 sobre la Pasión del Señor; L. H. Jueves IV de cuaresma). Por tanto, la Vida Eterna nos viene dada con la sustancia de la Fe ya en el
tiempo presente, dando respuesta a las aspiraciones más profundas y legítimas de toda persona. También el evangelio nos llama la atención sobre algo muy importante: el amor de Jesús por Lázaro, su amigo. Lo dice tres veces en el curso del relato: (cf. 11,3: “Señor, el que tú amas (φιλεῖς), está enfermo”; 11,5: “Jesús quería mucho (ἠγάπα) a Marta, a su hermana y a Lázaro” y 11,36: “Los judíos dijeron: "¡Cómo lo amaba (ἐφίλει)!". Y es importante porque nos revela el motivo último de nuestra esperanza en la vida eterna: el amor de Dios. Y es también la razón de nuestra vocación a la vida eterna. Podemos recordar aquí la conocida frase de Paul Claudel: “Amar a otro es decirle: tú no morirás”. Sólo Dios puede decir esto eficazmente. Y nos ama, por eso se lo dice a Lázaro y a todos los creyentes. Aquí habría que hacer un alto y preguntarnos sinceramente: ¿creemos esto? Porque si lo hiciéramos de verdad, esta Fe en el Amor de Dios nos llevaría a vivir de un modo diferente, con Esperanza y confianza. De hecho, podemos sentirnos "sepultados" por habernos quedado encerrados en nuestra tumba, sin ninguna esperanza de salir de ella. Nuestro sepulcro puede ser la rutina, la mediocridad, la renuncia a cambiar, a convertirse, la muerte a los sueños e ideales juveniles; la depresión, el odio y el mismo pecado. De todo esto quiere "resucitarnos" el Señor, pero necesita que quitemos las piedras de nuestras tumbas espirituales.
Al respecto decía el Papa Francisco en el ángelus del 26 de marzo de 2023: “Jesús nos dice esto también a nosotros. Quitad la piedra: no escondáis el dolor, los errores, los fracasos, dentro de vosotros, en una habitación oscura y solitaria, cerrada. Quitad la piedra: sacad todo lo que hay dentro. “Me da vergüenza”, decimos. Pero el Señor dice: ponedlo ante mí con confianza, yo no me escandalizo; ponedlo ante mi sin temor, porque yo estoy con vosotros, os amo y deseo que volváis a vivir. Y, como a Lázaro, repite a cada uno de nosotros: ¡Sal fuera! ¡Levántate, reemprende el camino, reencuentra la confianza! Cuantas veces en la vida nos hemos visto así, en la situación de no tener fuerzas para volver a levantarnos. Y Jesús: “¡Ve, adelante! Yo estoy contigo”. Te tomo de la mano, dice Jesús, como cuando de pequeño aprendías a dar los primeros pasos. Querido hermano, querida hermana, quítate las vendas que te atan (cfr. v. 45), no cedas, por favor, al pesimismo que deprime, no cedas al temor que aísla, no cedas al desánimo por el recuerdo de malas experiencias, no cedas al miedo que paraliza. Jesús nos dice: “¡Yo te quiero libre y te quiero vivo, no te abandono, estoy contigo! Todo está oscuro, pero yo estoy contigo. No te dejes aprisionar por el dolor, no dejes que muera la esperanza. Hermano, hermana ¡vuelve a vivir!”. — “¿Cómo lo hago?” — “Tómame de la mano”, y Él nos toma de la mano. Deja que te saque, Él es capaz de hacerlo. En esos malos momentos por los que todos pasamos”.
Nosotros podemos ayudar a los demás quitando la piedra de sus sepulcros y desatándolos para que caminen. Pero lo principal, hacer salir de la tumba, es obra de Jesús. Nosotros sólo podemos ser instrumentos suyos, como bien lo explica el P. Cantalamessa: "Frecuentemente, las personas que se encuentran en esta situación no están en disposición de hacer nada, ni siquiera de orar. Son como Lázaro en la tumba. Es necesario que otros hagan por ellos. En los labios de Jesús ya encontramos este mandamiento dirigido a sus discípulos: "Curen enfermos, resuciten muertos" (Mt 10,8) […] Jesús se refería a los muertos de corazón, a los muertos espirituales […] El mandamiento de resucitar a los muertos está dirigido a todos los discípulos de Cristo […] Os desvelo cómo se hace para resucitar un muerto esta misma tarde o en los próximos días. ¿Tienes en casa o en el asilo a un padre anciano? Quizás su corazón esté muerto por el silencio de sus hijos. Hazle una llamada de teléfono de las hermosas; si puedes, prométele que mañana irás a verle. Probablemente ya has resucitado a un muerto. Tu marido, desmoralizado, ha salido de casa después de una enésima trifulca: llámale por teléfono, hazle renacer la confianza en el corazón. Lo mismo haz tu con tu mujer si eres el marido. Posiblemente habéis resucitado también vosotros un muerto"15.
PARA LA ORACIÓN (RESONANCIAS DEL EVANGELIO EN UNA ORANTE):
Había un hombre enfermo…
Había un hombre enfermo, rico en bienes,
En familia y amistades.
La cura de sus dolencias
No llegó hasta más tarde.
Padecía en soledad aunque lo acompañaban
Dios se había ido…¿lo abandonaba?
La muerte llegó a buscarlo
Sonaba en el silencio el llanto.
En la Gloria del Hijo, quedó la última palabra
Y aprendieron los demás
Que uno solo traía la Vida
Y también se la llevaba.
La Voluntad del Creador es un Misterio
Y nuestras decisiones…
Irán al gozo o al sufrimiento.
Así también fue tentado el Unigénito.
Pero pasar por la muerte con viva fe
Es puro y divino sacramento,
Resucitar viene después
De un santo padecimiento.
Cada día atravesamos ese umbral
En lo grande y lo pequeño.
Por Cristo con él y en él
El yugo propio y el ajeno.
Acompañar a quien se le hace cuesta arriba
Llevar el dolor del duelo,
Animarlo seguir andando
Con los ojos en el cielo.
Camino a la Vida que no acaba, Señor
Sé tú la resurrección.
Caigan las vendas de los ojos
Vivamos a pleno tu Pasión.
Pues vendrá el día esperado, escucharemos tu Voz,
Con temor y aún sin valor,
La fe encendida en el calor
De tu Espíritu Santo. Amén
1 Lecturas bíblicas de los domingos y fiestas. Ciclo A (Mensajero; Bilbao 2003) 85.
2Juan A. Mayoral, Homilética 2 (2005) 137.
3José M. Carracedo, Homilética 2 (2005) 137.
4 G. Zevini, Evangelio según san Juan (Sígueme; Salamanca 1995) 269.
5 Evangelio según san Juan (Sígueme; Salamanca 1995) 277.
6 Comisión Episcopal del Clero, Predicación del evangelio de San Juan (Madrid 1988) 122. 7 G. Zevini, Evangelio según san Juan (Sígueme; Salamanca 1995) 284.
8 Cf. L. H. Rivas, El Evangelio de Juan (San Benito; Buenos Aires 2006) 323.
9 Giovanni il vangelo narrante (EDB; Bologna 1993) 322.
10 CEA, El gozo del Padre. Orientaciones para las homilías de los domingos del tiempo de Cuaresma, 56.
11 Cf. V. Mannucci, Giovanni il vangelo narrante (EDB; Bologna 1993) 116-117.
12Cf. Comisión Episcopal del Clero, Predicación del evangelio de San Juan (Madrid 1988) 201-203. 13 G. Zevini - P. G. Cabra (eds.), Lectio Divina para cada día del año. Vol 3 (Verbo Divino; Estella 2001) 314.
14 R. Cantalamessa, Echad las redes. Reflexiones sobre los Evangelios. Ciclo A (EDICEP; Madrid 2003) 108-109.
15 R. Cantalamessa, Echad las redes. Reflexiones sobre los Evangelios. Ciclo A (EDICEP; Madrid 2003) 111.