"E viu Deus que era... horrível"

                             "E viu Deus que era... horrível"                               

                                                                

A terrível proliferação de um evangelicalismo do bizarro

Era uma dessas tardes da vida. De repente, recebo um e-mail assustador. Cliquei no link e fui direto para um vídeo com um verdadeiro show de horrores: encontro de profetas! Tinha de tudo: uma batida ritmica, forte, bem ao estilo candomblé; uma galera pulando, rodando e fazendo as mais bizonhas caretas que você puder imaginar...

Crianças tentando entender a coisa toda, ameaçavam "entrar no ritmo", mas ainda tímidas, não conseguiam achar graça na "brincadeira". O clima era pesado. Os chamados "profetas" estavam numa espécie de catarse tresloucada, indo e vindo, numa mescla de dança e contorcionismo.

Não é de hoje que essas "rodas de capoeira eclesiásticas" acontecem. "Paranauê..." É bizarro! O culto - que já não tem liturgia - também não tem o menor sentido de ser. O que interessa mesmo é "entrar no mistério", sentir a adrenalina celestial, a radicalidade maluca. Se você não tiver o molejo, sem chance, tá fora! (fora da "unção", claro). O que importa é falar línguas estranhas (algumas são MUITO estranhas). É o que costumo chamar de "desespero pentecostal".

Tentei traçar um perfil rápido dos tais "profetas" (os do vídeo, através do olhar treinado, e os muitos que conheço espalhados pelos "terreiros eclesiásticos" do Brasil, pela simples e terrível convivência). São "profetas do exclusivismo": eles são os santos, nós somos os desviados, inimigos, teólogos (leia-se: demônios). São os "profetas da clandestinidade": eles habitam nas sombras, no "underground" divino. Só são vistos à noite (é a vampirização teológica). Você não os vê na Escola Dominical (as vigílias e "montes" abortam as manhãs de educação); você não os vê entre os reles mortais... eles podem se contaminar conosco...

O que mais me entristece é o fato de haver um discurso perigoso e nojento que ainda faz a cabeça das igrejas: "a igreja precisa desse movimento"; "o povo gosta"; "isso atrai o povo". É a escravização do resultado. A mania das campanhas. O vício das vigílias (que têm tudo, menos oração e Palavra). É a imbecilização pentecostalizada. Chega! Chega dessa hipocrisia, desse joguinho religioso vulgar - abaixo as expressões heréticas de um pentecostalismo da neurose!

Voltemos à Bíblia! Voltemos às amadas reuniões de oração e lágrimas honestas. Quem sabe possamos novamente ter a certeza feliz de que Deus está vendo o que é bom...

Até mais...

Alan Brizotti

(a imagem acima foi tirada do maravilhoso site: www.monergismo.com)