O início da carreira: Mais uma nova fase de muitas
Lígia Souza, Nov 11, 2016
Lígia Souza, Nov 11, 2016
A grande maioria das transições das nossas vidas nos obriga a deixar a órbita da zona do conforto rumo a um cenário, por vezes, completamente desconhecido. Essas transições podem ser de várias naturezas e residem em coisas como:
Na dúvida de chamar o(a) garoto(a) do colégio para ir ao cinema;
Na escolha do curso superior;
Na escolha da universidade;
No aceitar ou não de uma oportunidade;
Na escolha do país para o intercâmbio;
Na escolha de uma área de atuação (consultoria, banco, indústria pesada, indústria de bens de consumo, concurso público, empreendedorismo, fazer outro curso ou até mesmo jogar tudo para o alto e vender a sua arte na praia).
A depender da pessoa esses pontos de ruptura e tomada de decisão podem tomar proporções muito particulares e eu estou aqui para compartilhar com vocês como foi uma das minhas rupturas mais intensas, chamada inserção no mercado de trabalho.
Vocês com certeza já devem estar cansados de ouvir: “O mercado está difícil”, “Não tem emprego”, “As empresas estão despedindo e não contratando”, “Cara, vai procurar uma segunda, terceira e quarta opção, porque está complicado com essa crise”. Que o mercado está em retração, não podemos negar, mas isso não pode ser, em hipótese alguma, uma desculpa para não ir atrás do que se deseja. Se você tem clareza da sua resposta para a última pergunta dos bullet points acima, vá atrás do que você sabe que vai lhe fazer feliz. Não deixe que uma crise tome a decisão por você. Tente se capacitar ao máximo durante a sua formação para chegar ao fim dos 5 anos de curso bem preparado, com fôlego e força suficientes para correr atrás dos seus sonhos. Caso você não esteja certo da sua resposta para o bullet point, teste as opções que você está em dúvida, faça processos seletivos, converse com pessoas e leia sobre o assunto. Com certeza, ao longo desse processo, as suas ideias vão se clareando.
Quando estava no nono período comecei a me movimentar para fazer inscrição nos processos seletivos de trainee que mais me chamavam a atenção. Como resposta ao bullet point, sabia que gostaria de trabalhar em uma indústria pesada ou de bens de consumo. Fiz inscrição em um mol de empresas com esse perfil, já que pensei que a possibilidade de sucesso era tanto maior quanto mais generosa fosse a minha amostra populacional. É como diz o ditado: Não devemos colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Mesmo você tendo se preparado para esse momento, é importante ter planos B, C e as vezes até D, lembrando sempre que todos eles devem estar alinhados com o que você sabe que lhe fará feliz. Esse momento da minha vida, segundo semestre de 2015, décimo período, foi muito difícil, porque existiam muitas incertezas quanto ao meu futuro que geraram um intenso frio na barriga. Dediquei vários sábados e domingos ao preenchimento de fichas de inscrição e para responder as famosas perguntas de trainee, do tipo: “Do que você mais se orgulha na sua vida?”, “Por que você acredita que fará a diferença na empresa X?”, “Conte-nos um momento em que teve que tomar uma difícil decisão.” Os processos de seleção para trainee são longos e a cada etapa que eu tinha a oportunidade de participar aprendia mais coisas que seriam fundamentais para as etapas seguintes. Estar perto das pessoas que amo e entender melhor os meus pontos fracos e as minhas forças me ajudaram muito, não só durante os processos seletivos, mas também no aumento da minha confiança e estabilidade no aguardo do retorno das etapas.
No fim das contas, tive o privilégio de escolher entre quatro empresas. E então surgiu mais um ponto de ruptura. E agora? Qual eu escolho? Três das quatro possibilidades eram para trainee e a outra era uma vaga como Engenheira de Processo na empresa em que fazia estágio. Foi extremamente difícil escolher para onde ir. Era o meu futuro que seria moldado com base na decisão que eu estava prestes a tomar. Depois de fazer um balaço das forças: família, possibilidade de crescimento, realização, localização, reconhecimento, desafio e área de atuação, consegui excluir duas das quatro opções.
Essa redução de possibilidades ajudou, mas não resolveu o meu impasse. Ainda tinha que decidir entre as duas restantes. Em uma delas os desafios eram mais previsíveis e minha curva de conhecimento mais amortecida. No entanto, estaria perto de casa fazendo algo que sabia que gostava. Na outra, era mais ou menos assim, entre aqui e saia automaticamente da sua zona de conforto. Eu viajaria muito, conheceria novas pessoas, seria mais desafiada e estaria em contato com algo completamente diferente do que eu estava habituada.
Vou contar para você o que eu fiz para tomar essa decisão da maneira mais consciente possível. Fiz uma grande matriz SWOT para cada uma das minhas possibilidades, conversei com as pessoas que amo e que, por vezes, me conheciam melhor do que eu mesma. Filosofando, as vezes ficamos imersos em alguns ambientes e nos moldamos para tal. É sempre bom voltar às origens, família, velhos amigos, para receber um banho de renovação dos seus valores mais intrínsecos. É como aquela história do Rei Leão: “Lembre-se de quem você é”. Conversei com meus pais, avós, amigos e visitei lugares que me remetem bons momentos. Um desses lugares foi a sala da Mult Jr. Entrei, sentei e conversei com as pessoas que estavam lá no momento. As ideias parecem se concatenar mais naturalmente quando temos a oportunidade de revisitar boas lembranças. Pelo menos é uma impressão que tenho.
Depois disso tudo tomei a minha decisão. Optei por sair da minha zona de conforto e experimentar novos ares. E cá estou eu, super feliz com a minha escolha, não poderia ter optado por coisa melhor. Sou extremamente agradecida pelas pessoas que passaram pela minha vida. Devo muito dessa conquista a elas.
O objetivo desse texto é mostrar que, apesar de todo o cenário adverso, nós podemos alcançar o que desejamos. Partindo da premissa de que você, caro leitor, não pulou do primeiro parágrafo para esse último, agradeço que esteja aqui comigo até agora. E não se esqueça, seja obcecado pelo seu sonho e não meça esforços para alcança-lo. É normal ser tomado por incertezas no meio do caminho, mas lembre-se de que sempre vale muito a pena ir atrás do que lhe faz feliz. Encerro com a frase de um cara de que admiro muito: “Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno. Por que vou sonhar pequeno?”.
Lígia Souza, aluna formada em 2015. Nov 11, 2016