Mansueto Lunardi, Cavalheiro; Rua Vila Nova Botucatu – Lei Nº1202 de 04/01/1965
Nasceu em São Pelegrino (Itália), província de Lucca, aos 14 de julho de 1881, filho de Ferdinando Lunardi e Luzia Lunardi, veio para o Brasil em 1911, estabelecendo-se em Botucatu.
Casou-se, em 1913, com Maria Ana Carmello Lunardi, dessa união nasceram: Ferdinando Lunardi, Dêmade Nelson Lunardi, Clovis Milton Lunardi, Clarice Lucia Lunardi, Maria Odette Lunardi e Cleonice Carlota Lunardi.
Mansueto Lunardi foi industrial, fazendeiro e comerciante. Com sua dedicação ao trabalho não mediu esforços, sempre contribuindo para o engrandecimento e progresso da cidade que adotou como sua. Incutiu em seus familiares acendrado amor à terra natal de seus filhos, considerando-se, orgulhosamente, um brasileiro nascido na Itália.
Ao lado de seu laborioso irmão, o Cavalheiro Virgínio Lunardi, foi um dos pioneiros da Indústria em nossa cidade.
Os irmãos Lunardi fundaram um verdadeiro parque industrial na Vila dos Lavradores: as Industrias Lunardi, sob a denominação de “Virgínio Lunardi & Irmão”, depois transformada em Sociedade Anônima.
Essa indústria ficou famosa em todo o estado pois a mesma fornecia bolachas e macarrão, produtos fabricados na referida indústria.
Além da sua grande atividade industrial, Mansueto era uma pessoa muito caritativa.
Em 29 de setembro de 1938, recebeu o Diploma de Sócio Protetor, pelo auxilio e apoio prestado prestados à Campanha de Tuberculose e da Lepra.
Colaborou com o setor educacional doando, em 1937, o terreno para a construção do prédio da Escola Estadual “Dom Lúcio Antunes de Souza”.
O Cavalheiro Mansueto Lunardi recebeu, no ano de 1958, uma homenagem da Associação Comercial, através de seu Presidente, o Dr. João Cioffi que lhe outorgou uma placa de prata.
Pertenceu à Sociedade Italiana de Beneficência, esteve na direção da mesma por várias vezes, recebendo do governo do país de seu nascimento, o título honorífico de “Cavalheiro e La Decorazione Della Stella Al Mérito Del Lavoro All’Estero”, por relevantes serviços prestados á pátria distante.
Trabalhou em prol da construção da nova Matriz do Sagrado Coração de Jesus, da Vila dos Lavradores. Participou da direção de várias outras entidades filantrópicas, dispensando dedicada e sólida colaboração.
Mansueto Lunardi faleceu em Botucatu no dia 25 de janeiro de 1961, com a idade de 79 anos.
Texto do livro Tempo de Dante - Gente de Hoje do Dr. Sebastião Almeida Pinto
OS QUE VIERAM DE SÃO PEREGRINO
Família tradicional na Vila dos Lavradores, é a dos Lunardi.
Gente que impulsionou decisivamente o progresso botucatuense.
Foram pioneiros da indústria local. Constituíram autênticos valores, que devem ser focalizados nestas evocações, para conhecimento da geração atual.
Os irmãos Virgínio e Mansueto eram italianos.
Naturais de São Peregrino in Alpes, Província de Luca.
Moços, vieram para o Brasil. Para o Estado de São Paulo. E aqui em Botucatu se fixaram, ramificando-se em numerosas famílias, cujos descendentes estão por aí, atestando que os “velhos” foram elementos positivos na vida local. Mansueto e Virgínio dormem o sono eterno na terra que escolheram para berço dos filhos, netos e bisnetos, que, em grande número constituem a linhagem dos Lunardi.
Seus nomes figuram em rua e praça pública da cidade, como reconhecimento ao que fizeram.
CAVALHEIRO VIRGÍNIO LUNARDI
No fim do século passado, o moço Virgínio Lunardi, já casado com a patrícia Stela Paolini, chegou a Botucatu.
Juntamente com um irmão ( prematuramente falecido ), iniciou atividades comerciais.
Em 1911, com a chegada do irmão Mansueto, os dois Lunardi alargaram seus negócios. Enveredaram para a indústria e subsequentemente para a lavoura. E prosperaram.
No “Almanaque de Botucatu” de 1920 há referencias ao Empório “Apeninos”de Virgínio Lunardi e Irmão; ao Curtume Vitória, de Virgínio Lunardi & Cia; ao Açougue da Liberdade, de Lunardi & Fialdini; à Grande Fábrica de Massas Alimentícias – Torrefação de Café e Fábrica de Banha Refinada, de Lunardi & Cassetari; Máquina de beneficiar Café e Algodão ( São Pelegrino ), de Lunardi & Cia; Sociedade Anonima Botucatuense, serraria.
Mais tarde, Virgínio e Mansueto adquiriram as fazendas Boa Vista e São Bento (café e pecuária), e mantinham campos de cooperação (produção de sementes), com o Governo de São Paulo.
Essas atividades foram complementadas, posteriormente, por agências de automóveis e distribuição de filmes, bombas de gasolina,etc. . . aqui e na alta Sorocabana.
No seio da Colônia, Virgínio era um líder. Durante longos anos foi Presidente da Sociedade Italiana de Beneficência.
Foi agraciado pelo governo italiano com a comenda de Cavalheiro Uf. Da Coroa da Itália.
Em avançada idade, em 1933, faleceu o Cav. Virgínio. Sua viúva faleceu em 1939.
Ambos estão sepultados em Botucatu.
Deixaram os filhos: Luciano, casado com Etelvina Santini; Oliva, casada com o Mestre Pedro Chiaradia, o decano dos jornalistas interioranos, agraciado com a medalha “Couto de Magalhães”, pelos serviços prestados ao país; Margarida, já falecida, que foi casada com Leopoldo Bechelli, sendo mãe do Professor Lunardi Bechelli, o popular “ Maestro da Vila”; Oswaldo, Contador, Ex- Vereador, rotariano dos bons, ex-presidente do Aeroclube local e do Centro Cultural de Botucatu,casado com Olga Donini; Ana Clementina Virgínia (Déia), Professora,casada com o Contador Waldomiro Pires Correia; Rolando Aristides Armando (o Ary), casado com Inês Ayres. Ary e Déia são italianos e os demais são brasileiros, botucatuenses.
Netos, bisnetos e trinetos do Cav. Virgínio, são numerosos.
Um deles, o Dr. Virgínio José (neto) é médico, e o Primo Virgínio é universitário.
Os netos Inocente e Fulvio Chiaradia são homens de empresas, e as netas Lívia, Eda, Vera, Lourdes e Mirna Chiaradia, são Professoras, bem como Lina e Lana Lunardi.
CAVALHEIRO MANSUETO LUNARDI
O jovem Mansueto Lunardi deixou a Itália em 1911.
E veio se reunir ao mano Virgínio com ele se associando.
Logo se casou com Maria Carmelo, da veterana família Carmelo, tradicional no antigo Bairro da Estação.
Mansueto Lunardi era o braço forte da casa. Ativo, dinâmico, de visão larga, colaborou em muito para o engrandecimento da firma Virgínio Lunardi & Irmão.
Por morte do irmão mais velho, assumiu a chefia e levou a bom termo sua tarefa, revelando-se um capitão de indústria.
Faleceu aos 25 de janeiro de 1961, aos 80 anos de idade.
Está sepultado na necrópole local.
Mansueto Lunardi, Cavalheiro Uf. Da Coroa de Itália, era um líder da Colônia Italiana e gozava de prestígio em todos os meios sociais.
De seu casamento com dona Maria Carmelo , também falecida, deixou os filhos:
Ferdinando, lavrador, casado com a Professora Maria Eulália César ( Lalica );
Demade Nelson, industrial, Vereador à Câmara Municipal de Botucatu em três legislaturas, casado com a Professora Dulce Porto Rodrigues;
Dr. Clóvis Milton, Engenheiro, residente em Curitiba, casado com a Professora Nilza Santos;
Maria Odette, Professora, casada com Antonio Figueira; Cleonice Carlota, Professora do Ensino Industrial, residente em Ipaussu.
Netos e bisnetos do Cavalheiro Mansueto, em grande número, residem em Botucatu, onde são Professores, pecuaristas, comerciários, industriários e estudantes.
Tenho lembrança das senhoras Maria Alcina e Leila César Lunardi, que são Professoras do Ensino Secundário; do jovem Mansueto César Lunardi, que é aluno da Escola Superior da Agricultura de Viçosa, Minas Gerais. (Correio de Botucatu – 18/12/1971)