Maurício Vancine
Unesp
O ano de 2021 iniciou-se triste com a lembrança das mortes decorrentes da COVID-19 em 2020. Depois de uma relativa calmaria entre os meses de outubro a dezembro de 2020, muito em decorrência das medidas para conter o vírus tomadas nos meses anteriores, acredito que muitas famílias, tomadas pelo cansaço e vontade de contato humano se reuniram nas comemorações de final de ano em 2020. Antes disso, tivemos as eleições para vereadores e prefeitos. A retomada do comércio, costumeiro do final do ano, para presentear nossos entes queridos, com diversas pessoas pelas ruas e enfraquecimento das medidas, até então eficazes, infelizmente estão cobrando seu preço nesse momento.
Apesar de notícias boas como a aprovação de duas vacinas e começo de suas aplicações em profissionais da saúde e idosos, o ano de 2021 tem se mostrado mais triste e tenebroso que o ano de 2020. Desde janeiro, acompanhamos a escalada vertiginosa do número de casos e consequentes mortes por COVID-19. Agora em março, decorrido exato um ano após minha entrada no acompanhamento dos dados, recebo a triste notícia da perda da irmã de um grande amigo para essa doença. Infelizmente, percebo que notícias assim se tornarão cada mais vez mais comuns.
Manaus, ainda em 2020, demonstrou quase colapso do sistema de saúde, se recuperando logo depois. Entretanto, o ano de 2021 não tem sido tão afável. Acompanhamos aflitos em janeiro o colapso: a desesperadora falta de oxigênio. Depois de uma pequena mobilização da sociedade civil e famosos e quase estabilização, descobrimos o motivo: uma variante da COVID-19. Pouco se sabe ainda sobre essa variante, mas sabemos que é mais transmissível. E infelizmente essa variante se disseminou pelo país, chegando no interior de São Paulo.
Araraquara já apontava sinais de iminente colapso do sistema de saúde desde início de fevereiro. A despeito, uma decisão isolada e extrema da cidade: lockdown total. Todas as atividades foram suspensas, mantendo-se apenas os serviços de saúde. O lockdown ocorreu entre 21 de fevereiro e 02 de março. Passados um mês desde o início, podemos acompanhar esses resultados nos gráficos abaixo, disponível no link. O primeiro, mostra a média (não especificada para a janela de dias) diária de novos casos com forte padrão de inversão do crescimento para o decrescimento após o início do lockdown, passado de 189 no dia 21 de fevereiro para 108 casos no dia 10 de março, uma redução de aproximadamente 43%. O segundo mostra a queda no número de casos, seguindo o mesmo padrão de inversão, passando de 1512 pessoas contaminadas para 635, uma queda de aproximadamente 58%.
Quando voltamos no tempo e plotamos os casos de 2020, comparando Rio Claro e Araraquara, notamos que as medidas tomadas, pelo decreto prévio de fechamento do comércio aqui em Rio Claro, demostraram efeitos na redução do número de casos, o que não aconteceu em Araraquara.
Após notar o eminente colapso, a cidade de Araraquara não teve alternativa, se não fazer o fechamento mais rígido para frear a contaminação e não colapsar seu sistema de saúde. Um mês depois, a cidade ainda se encontra com problemas para conter o avanço, mas não colapsou como os dados davam indício, tendo esse caso se tornado referência nacional de uma gestão correta da pandemia.
Rio Claro parece se aproximar do colapso. Os dados recentes mostram um aumento vertiginoso do número de dados e óbitos. Quando analisamos o sistema de saúde de Rio Claro, notamos o eminente colapso, com o número de internações e internações na UTI disparando desde o mês de março.
Olhando também para o Rt (número de infectados que transmitem a doença para outras pessoas), vemos o número flutuando muito próximo de 2, ou seja, 2 pessoas contaminadas infectam outras duas pessoas. Se nenhuma medida for tomada, é possível que o Sistema de Saúde de Rio Claro entre em colapso nessa ou na próxima semana.
No início de março, o Estado de São Paulo também adotou medidas mais restritivas para conter o avanço, dado que também estava prestes a entrar em colapso. Apesar de medidas mais restritivas, não foi adotado ainda o lockdown total e os casos continuam a aumentar ou sofreram leve freamento, se mantendo altos.
O Brasil como um todo passa por um momento nunca antes: um colapso total. O boletim extraordinário do FIOCRUZ de 16 de março de 2021 (link), mostra a altíssima taxa de ocupação dos leitos de UTI do Brasil, todos acima de 70%, com a maior parte deles acima de 90%, e como essa evolução se deu de forma rápida, como podemos ver nas figuras à esquerda e à direita, receptivamente.
Não posso terminar esse texto sem pensar que a irmã do meu grande amigo poderia estar viva, caso tivéssemos tomado as medidas que diminuíssem a disseminação do vírus. Araraquara sofreu e provavelmente sofrerá com o lockdown: é inegável que a economia de bens e serviços será afetada. Muitos comerciantes terão problemas para se recuperar, assim como todas e todos estamos sofrendo com os efeitos negativos da inflação dos produtos básicos e com o desemprego generalizado. Mas seguiremos vivos, podemos correr atrás da nossa vida e não lamentando a perda dos nossos entes queridos.
Gostaria que analisar esse último gráfico do Prof. Pedro Curi Hallal, disponível no link. Apesar dele ser bastante simples (geralmente nós brincamos que para gráficos de pizza, jogamos o gráfico fora e pedimos uma pizza), ele demostra algo tenebroso: à esquerda temos a porcentagem (2,7%) em verde da população brasileira em relação ao resto do planeta em cinza; à direita, temos a porcentagem (27,9%) em verde de brasileiros que morreram por COVID-19 no dia 17 de março de 2021. Se pararmos para analisar, nesse momento detemos mais de um quarto de mortes decorrentes de COVID-19 de todo o planeta, e possuímos apenas 2,7% da população mundial.
Para fechar, como afirmou o próprio Prof. Pedro Hallal, ainda no dia 22 de janeiro de 2021, disponível no link.
“A resposta trágica do Brasil à COVID-19 tem um preço. A população brasileira representa 2,7% da população mundial. Se o Brasil também representasse 2,7% das mortes por COVID-19 (isto é, tivesse uma performance no enfrentamento da COVID-19 igual à média mundial), 56.311pessoas teriam morrido. Contudo, até o dia 21de janeiro de 2021, 212.893 pessoas haviam falecido devido à COVID-19 no país. Em outras palavras, 156.582 vidas foram perdidas por causa do mau desempenho brasileiro no enfrentamento da pandemia. Atacar pesquisadores definitivamente não vai ajudar a resolver o problema”.
É possível salvar muitas vidas. Isso vai depender muito de uma organização nas diferentes esferas públicas: municipal, estadual e federal, para que ações conjuntas reduzam a contaminação, com efetivos lockdowns temporários, e principalmente que os mesmos venham acompanhados com auxílios financeiros à trabalhadoras e trabalhadores, assim como comerciantes, para que a economia e as pessoas sobrevivam ao pior momento da história do Brasil.
José Roberto Gnecco
Presidente do Comitê AntiCovid-19 da UNESP/RC
Derrotar o coronavírus é uma guerra que não se vence só com remédios e leitos de UTI nem da noite para o dia.
A Prefeitura precisa organizar reunião on-line semanal num Conselho Consultivo ampliado com as forças protagonistas da sociedade: Associação Comercial, Escolas, Hospitais, Igrejas, OAB, Sindicatos, Universidades, etc.
O Prefeito precisa de um Conselho Consultivo médico-científico para ouvir sobre as decisões difíceis, além de seu Comitê Executivo de Crise.
Enquanto a Secretaria de Saúde coordena as medidas clínicas/terapêuticas para o enfrentamento, o Prefeito precisa delegar e empoderar outro setor para a gestão das medidas preventivas não farmacológicas na organização do enfrentamento no Município – as medidas não farmacológicas são mais decisivas que as medicamentosas. O enfrentamento ao vírus não é só do setor de Saúde, nem é só da Administração Pública, mas de todo o Município e de seus cidadãos.
Tornar viável e efetivo o sistema de teleconsultas remotas médicas, psicológicas, assistenciais, etc.
Estabelecer um ou mais centros de triagem e rastreamento para sintomas respiratórios de forma a não se misturar estes com a procura diária pelas Unidades de Saúde.
Organizar sistema de comunicação por meio dos professores das escolas municipais - compartilhado com as escolas estaduais e particulares - para orientação diária por TICs a todas as famílias com crianças no Município.
Fazer chegar conjunto de máscaras PFF2 ou TNT a cada moradia do Município.
Viabilizar coleta de amostras para exames RT-PCR no Município – o Estado realiza as análises desde que os Municípios coletem as amostras.
Adotar aplicativo antiCOVID-19 para comunicação e orientação aos munícipes mais jovens.
O Prefeito ou Secretário de Saúde precisa gravar vídeo diário em menos de 5min com balanço do dia e orientações pondo-o para circular por meio da mídia tradicional e das redes sociais on-line – o Município deve permanecer em clima de tensão: estamos em guerra contra o vírus.
Por óbvio, os procedimentos para vacinação devem estar em prontidão para quando as doses chegam, pois é o que está sob a governabilidade da Prefeitura. O Prefeito não pode temer apontar a responsabilidade pela insuficiência de vacinas para seus cidadãos!
Esse é um resumo das ações viáveis discutidas no Grupo de Projetos que coordenei no Programa Latino-Americano de Governabilidade, Gerência Política e Gestão Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com bolsa do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Os Municípios que as adotaram reduziram os números de casos e de óbitos. Além de minha participação, o Grupo era composto por:
- Secretária de Finanças de Salto de Pirapora, SP;
- Secretária de Negócios Jurídicos de Jumirim, SP;
- Enfermeira Preceptora Sênior do Hospital São Luiz, São Paulo, SP;
- Médica Especialista em Saúde do BID para América Latina, Brasília, DF.
Todos os casos bem-sucedidos de enfrentamento da pandemia de COVID-19 andam na contramão daquilo que gestores executivos fazem no Brasil ao negar, permitir e incentivar o desrespeito às normas científicas e de saúde com cidadãos ignorantes do perigo a se deslocar nas ruas das cidades sem máscaras.
Fontes:
CLP – Liderança Pública. A Liderança Pública em Tempos de Crise. ENAP, 2020. Disponível em: https://www.escolavirtual.gov.br/curso/299/. Acesso em: 21 mar. 2021.
OMS. Vírus respiratórios emergentes, incluindo COVID-19: métodos para detecção, prevenção, resposta e controle. ENAP, 2020. Disponível em: https://www.escolavirtual.gov.br/curso/288. Acesso em: 21 mar. 2021.
PINTO, C.M.F.; CALDAS, M.C.G.; SANTOS, G.N.; BALDINI, W.C.; GNECCO, J.R. Ações viáveis preventivas à pandemia de COVID-19 no Município de Salto de Pirapora, SP. FGV/CAF, 2021. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30138. Acesso em: 21 mar. 2021.
No Blog do BAC em 18 de março de 2021
Márcia Correa Bueno Degasperi
Unesp
Com lançamento em 22 de marco, o projeto Memória Unesp Covid-19: uma perspectiva cidadã tem o propósito de registrar as ações da Universidade no combate à pandemia a partir de um olhar humanizado, narrando esse capítulo da história do país pelo viés dos integrantes do universo Unesp, que se ofereceram para ajudar as comunidades em que estão inseridos. As memórias estão registradas através de entrevistas, podcast e vídeos.
Assista o vídeo de lançamento do projeto aqui.
segundo estatísticas oficiais.
Prof. José Alexandre de Jesus Perinotto
(atualizado pela Comissão Editorial em 12/03/2021)
Márcia Correa Bueno Degasperi
Unesp
Em plena fase vermelha no Estado e sobrecarga de hospitais em todo país,
disse uma aluna:
Quer sair: Quero.
Pode sair: Posso.
Vamos sair: Nem pensar.
Sábias palavras.
O Brasil passou da triste marca de 250 mil mortes em decorrência da Covid-19. Nunca é demais lembrar as recomendações de saúde pública. Veja as orientações do epidemiologista Carlos Magno Fortaleza, da Unesp no vídeo: https://fb.watch/3LoerJ5iYk/
Diálogos Unesp RC entrevistou em 12/1/2021 o Prof. Osmar Malaspina sobre a importância da vacinação contra a Covid-19 disponível no canal dos Diálogos Unesp RC no Youtube.
#unesppelavida
Vídeo novo da campanha Unesp pelas vacinas.
Mensagem da Unesp na campanha pelas vacinas aqui.
A UNESP – Universidade Estadual Paulista é um patrimônio do povo de Rio Claro e de São Paulo. Sua presença, há mais de 60 anos no município, tem impacto altamente positivo em vários aspectos da vida da cidade. A Universidade Pública, ao promover Educação de Qualidade, Pesquisas Científicas Fundamentais e Extensão Universitária para a Comunidade (e dinamizar a economia local), é uma estrutura estadual séria e comprometida com as boas práticas, que visa, sobretudo, a construção da verdadeira cidadania de que tanto o país necessita.
Por isso a UNESP conta com seu apoio e o da comunidade de Rio Claro em suas iniciativas.
Na fase atual, todas as medidas para evitar a transmissão devem ser tomadas.
Ficar em casa se estiver doente
Usar máscaras em locais públicos ou quando estiver perto de pessoas que não moram com você, especialmente se as medidas de distanciamento social são difíceis de cumprir
Manter o distanciamento social de pelo menos 1,5 m
Antes de sair, informar-se sobre medidas de prevenção extra que estão sendo tomadas no local de destino
Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos quando chegar no destino e em casa
Higienizar produtos de compras, sapatos, roupas e quaisquer objetos ANTES de entrar em sua casa
Evitar aglomerações e locais com alta taxa de ocupação
Evitar locais com baixa ventilação ou ambientes fechados
Evitar contato prolongado (maior do que 15 minutos) com outras pessoas principalmente de fora do círculo usual de relacionamento
Evitar locais onde as pessoas falam em voz alta, gritam ou cantam
A campanha para apoio a vulneráveis com arrecadação de alimentos não perecíveis, itens de higiene pessoal, limpeza e agasalhos continua em andamento.
Os pontos onde os produtos podem ser doados são:
* Portaria da UNESP - Av 24-A, 1515
- Bairro Bela Vista.
* Pantoja Supermercados - Lojas 1 e 2
* Rotisserie DISK FRANGO Rio Claro - Av. 1, 503. Centro
Grupo Apoio Social
#UnespRCpelaVIDA
#UnespRCpelaVIDA
#Atenda136
#FiqueEmCasa
POR EMAIL
unesprcpelavida@gmail.com
POR FORMULÁRIO
Envie sugestões ou dúvidas preenchendo esse breve formulário
BOLETIM ANTI COVID-19, Rio Claro: Unesp, n. 94, março 2021. Disponível em: https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-94-23032021. Acesso em [dia / mês (abreviado) / ano]
Diretor do Instituto de Biociências da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Euzébio de Oliveira Souza Aragão
Diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. Edson Denis Leonel
Presidente do CEAC-19:
Prof. Dr. José Roberto Gnecco
Editores:
Eduardo Kokubun
Eugenio Maria de França Ramos
Márcia Correa Bueno Degasperi
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Colaboradores:
Bibiana Monson de Souza
Bernadete Benetti
Roberto Goitein
Artes e diagramação:
Arianne Dechen Silva
Mateus Fernando Silva Sales
Lucas Massensini de Azevedo
Angela Ferraz
Vídeos (Lives e Mini-Lives)
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Felipe Renger Ré
Lucas Henrique Silvestrin
Osmar Malaspina