Grupo de Monitoramento da Covid-19, Unesp Rio Claro
O objetivo desse texto é apresentar resumidamente o funcionamento do modelo matemático aplicado para prever os números da Covid-19. Para entender como uma epidemia por um vírus se dissemina, e eventualmente se extingue, podemos dividir a população de um país ou um município em três grupos de pessoas. Numa epidemia provocada por um novo vírus, assume-se que todas as pessoas podem ser infectados pela doença. Essas pessoas compõem o grupo dos suscetíveis (S) que podem adquirir a doença, pois não apresentam imunidade. A doença chega à comunidade por uma pessoa infectada (I) que contraiu o vírus e pode transmitir a outras pessoas suscetíveis, gerando assim mais pessoas infectadas. Assim, o contágio ocorre pelo contato das pessoas infectadas com as pessoas suscetíveis. No auge da epidemia haverá muitos infectados transmitindo a doença para outros suscetíveis. Os indivíduos infectados podem evoluir para duas situações: se curam (ganhando assim imunidade), ou veem a óbito. Como essas pessoas não transmitem mais o vírus, eles comporão um grupo de pessoas removidas. À medida que a epidemia avança, o número de suscetíveis diminui, assim como o número de novas infecções, podendo até mesmo extinguir a epidemia. Quando isso acontece, diz-se que a imunidade coletiva ou imunidade de rebanho foi atingida. Outra forma de controlar ou até mesmo extinguir uma epidemia é a vacinação, que imuniza pessoas, passando-as para o grupo de removidos, sem que ocorra a infecção. Esse modelo de disseminação de uma epidemia é conhecido como modelo SIR.
O isolamento dos suscetíveis e infectados é uma medida fundamental para diminuir a taxa de infecção (a famosa expressão do início da pandemia: “achatar a curva”, nesse caso é tonar a curva vermelha da figura acima menos pontiaguda, para que não haja uma grande quantidade de pessoas infectadas num curto período de tempo) até que a vacinação em massa ocorra. O isolamento vem sendo relaxado em vários lugares antes do número de infectados diminuir significativamente. Isso aumentar a chance de suscetíveis na comunidade se infectarem pelo vírus, e provocar aumento no número de novos casos conhecido como “segunda onda”, ou seja, outro pico na curva vermelha da figura acima. Epidemiologistas de diversas partes do mundo aplicam modelos como o SIR e suas variações (muitas vezes mais complexos), para acompanhar a progressão da pandemia da Covid-19. Embora não sejam exatos, pois não é possível conhecer todos os fatores que afetam uma epidemia, esses modelos permitem um vislumbre da mesma, para entender as fases da pandemia e eventualmente sua tendência futura, auxiliando na tomada de decisões pelo poder público, por exemplo, a fim de diminuir os impactos sobre as pessoas.
O modelo SIR foi implementado e aplicado aos dados da pandemia aqui em Rio Claro, pelo Prof. Rodrigo Moruzzi, do Depto. de Geografia e Planejamento Ambiental do IGCE da Unesp-Rio Claro, com o apoio da equipe composta pelos Profs. Adilson Roberto Gonçalves, Eduardo Kokubun e Maurício Humberto Vancine constituída pela Unesp. Um resumo dos dados pode ser visualizado no gráfico abaixo.
A linha contínua laranja mostra a previsão do modelo SIR para o número de infetados (I) no município de Rio Claro e as marcas em formato de “X” na cor preta os dados observados. O número de novos casos aumentou até o dia 125 (27/07) quando começou a diminuir. Os dados de novos casos divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde apresentam algumas oscilações em relação ao modelo previsto, porém elas vêm sendo compensadas nos dia seguinte.
O modelo SIR também permite estimar o número de internações e de óbitos. O número estimado de internações atingiria o pico em meados de julho, o que de fato foi observado em Rio Claro . Os óbitos, segundo o modelo SIR, estariam se estabilizando nessas semanas atuais em valores próximos a 150 registros, muito próximo aos 138 até ontem. É possível também estimar como seria a evolução da pandemia em diferentes cenários. O cenário mais dramático é revelado na situação em que nenhum isolamento tenha sido adotado no município: em 01/10, teriam sido registrados cerca de 900 óbitos, um valor 6,6 vezes superior aos 137 registados naquela data. No início da fase laranja, em 01/06, a taxa de isolamento no município estava ao redor de 40%. enquanto as autoridades sanitárias do Estado de São Paulo consideravam o valor de 60% como o ideal. Se nenhuma medida adicional fosse adotada, estima-se que cerca de 270 a 280 óbitos teriam ocorrido até 01/10, o dobro daquele efetivamente registrado. Rio Claro introduziu o uso obrigatório de máscaras no dia 07/05 e endureceu as medidas de isolamento no município, fechando as atividades econômicas não essenciais em 24/06, quando o sistema de saúde foi fortemente pressionado pelo aumento no número de internações que ameaçou saturar o sistema de saúde. É possível que essas medidas tenham contribuído muito para reduzir os efeitos mais dramáticos da pandemia no município.
Contudo, é importante considerar que desde o início da pandemia, as atividades econômicas e sociais estão restritas. Além disso, o ensino presencial nas escolar de Rio Claro ainda não retornaram, sendo mantidas apenas à distância. O município abriga cerca de 40 mil alunos no ensino fundamental e outro 7 mil no ensino superior, o que juntos representam 22% da população de Rio Claro. Isso significa que há uma parcela significativa da população que vem se mantendo isolada, com menos pessoas expostas a infectados e por menor tempo.
O relaxamento das medidas de distanciamento e isolamento social precisam ser avaliados com bastante critério e realizadas de forma gradual, quando o número de novas infecções estiverem muito baixas. Isso deve ser feito sem abandonar as medidas sanitárias amplamente difundidas incluindo higienização de mãos e superfícies, uso correto de máscaras, evitar aglomerações principalmente em ambientes mal ventilados, pois são elas que possibilitaram o controle da pandemia. O número de suscetíveis a adquirir a infecção ainda é muito alto no município e uma segunda onda da doença ainda pode ocorrer, a exemplo do que vem ocorrendo em outros países, como na Europa, até que a vacinação em massa ocorra.
Ontem, 05 de outubro, aconteceu a abertura da Semana Virtual do Livro e das Bibliotecas da Rede Unesp com a participação do Prof. Dr. Sérgio Roberto Nobre - Vice-Reitor, da Profª. Drª. Cleopatra da Silva Planeta, Pró-reitora de Extensão Universitária e Cultura, da Dra. Flávia Maria Bastos, Coordenadoria Geral de Bibliotecas e da bibliotecária Sandra Pedro da Silva, Diretoria Técnica de Biblioteca e Documentação representando a comissão organizadora do evento.
Na cerimônia houve apresentação musical da Orquestra Acadêmica da UNESP com a participação especial do Diretor Artístico Prof. Dr. Lutero Rodrigues e show “Mundo de dentro, mundo de fora” com Matheus Pezzotta, egresso da universidade.
A mediação ficou por conta das bibliotecárias Sandra Pedro da Silva e Pâmella Benevides Gonçalves.
A cerimônia está registrada no Youtube.
O evento, que sempre aconteceu na sua maior parte de forma presencial nas bibliotecas da Rede, este ano, por conta das atividades remotas, acontece totalmente on-line com atividades acadêmicas, culturais e de entretenimento com a integração de toda a Rede.
Há também exposição virtual das bibliotecas e depoimentos de egressos da universidade que já passaram pelas nossas bibliotecas, hora do conto, gincana literária, música e muito mais.
Página do evento
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O Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi para os norte-americanos Harvey J. Alter e Charles M. Rice e ao britânico Michael Houghton pela descoberta do vírus da hepatite C que levou ao conhecimento sobre o mecanismo com que ele atua na inflamação do fígado (matéria completa aqui).
O estudo virológico é semelhante ao que tem sido feito sobre o novo coronavírus e a Covid-19, revelando a importância dessa área científica para a medicina. A Covid-19 e o coronavírus passam a ser fortes candidatos em prêmios futuros, pois a láurea máxima é conferida após estudos muito bem consolidados e de importância. Em 1976, a hepatite B havia sido o objeto de pesquisa para o Nobel daquele ano, concedido ao cientista Baruch Blumberg.
Segundo a Fundação Municipal de Saúde, o município de Rio Claro oferece testes rápidos nas unidades de saúde, HIV, sífilis, hepatites B e C durante todo o ano. No mês de julho existe a Campanha Julho Amarelo, de caráter nacional, para intensificar a testagem para as hepatites B e C, em que o município de Rio Claro participa também. Quando existe um teste reagente, o usuário é encaminhado ao SEPA (Serviço Especializado de Prevenção em Assistência), onde são feitos mais exames específicos e conduta médica. No entanto, em 2020 não foi possível realizar a Campanha do Julho Amarelo por conta da pandemia.
Relembramos que o IgNobel divulgado no mês passado procura premiar trabalhos mais recentes e de impactos mais imediatos, como foi o de “educação médica” aos líderes negacionistas sobre a Covid-19, incluindo os presidentes de Brasil e Estados Unidos.
Nesta terça-feira foram divulgados os vencedores do Prêmio Nobel em Física, que foi concedido a Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez por descobertas sobre buracos negros.
Na quarta-feira será divulgado o de Química e na quinta o de Literatura e o da Paz encerra a semana. Na semana que vem é a vez do prêmio de Economia, que não é um dos prêmios originalmente previstos por Alfred Nobel e concedido em homenagem ao inventor e idealizador do prêmio.
Harvey Alter, Michael Houghton e Charles Rice, laureados de 2020 Medicina, pela descoberta do vírus da hepatite C
O boletim da Covid-19 da Fundação Municipal de Saúde registrou que não houve nenhum caso novo nas últimas 24 horas. Isso havia ocorrido há 127 dias, em 31/05/2020, um dia antes do início do Plano São Paulo. Aquela data também marca o início de um período de 6 angustiantes semanas da aceleração da pandemia em Rio Claro e que ameaçou saturar o sistema hospitalar local. A gravidade da pandemia, medida pelo número de novos casos, casos ativos, internações e óbitos vem arrefecendo a partir da última semana de julho, com pequenas oscilações para melhor ou para pior. Não ter registro de caso nesse cenário é um alento, porém a pandemia não está debelada. Nos próximos dias os indicadores oscilarão, ora para melhor, ora para pior. Ademais, o curso da pandemia em outras localidades nos ensina que uma segunda onda está à espreita.
Precisamos aproveitar a oportunidade, com baixo número de casos, para implementar medidas de controle que evitem ou minimizem os efeitos de uma segunda onda da pandemia.
Com base em informações fornecidas pelas Secretarias de Saúde do Município de Rio Claro e do Estado de São Paulo, são apresentados gráficos de tendências e evolução da pandemia, desde a confirmação do primeiro caso.
Ficar em casa e sair somente em caso de absoluta necessidade é ainda a principal recomendação para o controle da pandemia.
Se necessário, devem ser tomadas todas medidas para evitar a transmissão:
Ficar em casa se estiver doente
Usar máscaras em locais públicos ou quando estiver perto de pessoas que não moram com você, especialmente se as medidas de distanciamento social são difíceis de cumprir
Manter o distanciamento social de pelo menos 1,5 m
Antes de sair, informar-se sobre medidas de prevenção extra que estão sendo tomadas no local de destino
Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos quando chegar no destino e em casa
É necessário ainda que se evitem a presença de muitas pessoas num mesmo ambiente e que a permanência tenha a menor duração possível.
BOLETIM ANTI COVID-19, Rio Claro: Unesp, n. 50, outubro 2020. Disponível em: https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-50-06102020. Acesso em [dia / mês (abreviado) / ano]
Diretor do Instituto de Biociências da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Euzébio de Oliveira Souza Aragão
Diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Alexandre de Jesus Perinotto
Presidente do CEAC-19:
Prof. Dr. José Roberto Gnecco
Editores:
Eduardo Kokubun
Eugenio Maria de França Ramos
Márcia Correa Bueno Degasperi
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Colaboradores:
Bibiana Monson de Souza
Bernadete Benetti
Igor Salomão Monteiro
Roberto Goitein
Maria Christina Amoroso
Auro Aparecido Mendes
José Eduardo F. Ramos
Jamil Viana Pereira
Artes e diagramação:
Arianne Dechen Silva
Mateus Fernando Silva Sales
Lucas Massensini de Azevedo
Angela Ferraz
Vídeos (Lives e Mini-Lives)
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Felipe Renger Ré
Lucas Henrique Silvestrin
Osmar Malaspina