Na semana em que o governo do estado implanta plano de retomada econômica, Rio Claro tem indicadores que podem ameaçar a progressão de fases, constata GT de monitoramento Covid-19 da Unesp*. Em 7 dias, houve 66 novos casos e 4 óbitos, com salto de 75% e 36% respectivamente. O número diário de internados aumentou 12%, incluindo UTI. A taxa de isolamento continua em declínio, voltando a patamares encontrados antes das medidas de distanciamento.
A retomada da atividade econômica não revoga medidas de higiene e distanciamento social. Nunca é demais repetir, a pandemia não acabou, permanecerá por tempo muito longo. Vacinas e tratamentos poderão chegar somente no ano que vem. Enquanto isso, as pessoas precisam fazer de tudo para não serem infectados e não infectarem os outros. É muito mais do que uma questão de saúde pessoal: envolve responsabilidade social com os outros. Se alguém ficar doente, outros também poderão adoecer.
A maioria das pessoas infectadas pelo vírus da Covid-19 pode apresentar sintomas leves ou nenhum sintoma. Porém, qualquer pessoa que tenha contraído o vírus, não importa se não tem sintoma, se tem sintoma leve ou grave, pode transmitir para outra. Sem nenhum sinal para indicar se você ou alguém pode transmitir a doença, o melhor é se precaver e adotar a etiqueta de distanciamento social adequado para o momento.
O fechamento de uma agência por iniciativa do próprio banco no centro de Rio Claro é um exemplo de que todo cuidado é pouco. Uma única pessoa infectada poderia ter transmitido a covid-19 e a todos os colaboradores e clientes. A atitude tomada de fechar a agência, providenciar a higienização do local, monitorar todos que por lá passaram é a única atitude responsável que se poderia esperar.
O mundo já viveu antes com epidemias que mudaram a forma como nos comportamos: cólera, peste-negra, gripe espanhola, HIV-Aids, são doenças provocadas por bactérias ou vírus contra as quais a prevenção é mais importante. Imagine que no século XIX lavar as mãos não eram um hábito incorporado na população, nem mesmo entre médicos. Naquela época, centros urbanos eram imundos quando comparados com os de hoje: sem água encanada, lixo e estrume acumulando nas ruas, esgoto correndo a céu aberto. Hoje, todos aprendem desde pequeno que germes podem ser transmitidos de pessoa a pessoa pelo ar, pela água, pelo compartilhamento de objetos, pelo toque. Lavar as mãos é uma das medidas de higiene mais baratas e mais eficazes para evitar a transmissão de doenças.
Adquirir hábitos eficazes é possível, como mostraram outras epidemias. Perguntar se é mesmo necessário sair é o primeiro passo. Se responder que sim, pergunte-se novamente. Não se renda ao impulso e faça novamente a pergunta.
Se ainda assim tiver que sair relembre do comportamento saudável. Lavar e higienizar as mãos com álcool em gel, usar máscaras, manter distância de pelo menos 2 metros de outros devem se tornar hábito, um ato tão automático como escovar os dentes após as refeições. Quando as pessoas saem para as ruas, não podem se esquecer dessas regras básicas.
A julgar pela evolução da Covid-19 na última semana, muita gente não incorporou o novo hábito por aqui e Rio Claro está retrocedendo. Até início de maio, o número de casos e de óbitos aumentavam de forma civilizada. Deu-se até a impressão de que o vírus não tinha chegado na cidade vindo da capital. Contudo, a evolução da doença e do isolamento mostram que talvez o vírus tenha desembarcado definitivamente por aqui após o dia das mães.
Se todos nós de Rio Claro, poder público, setores organizados da sociedade, população, não tomarmos as medidas necessárias para conter a propagação do vírus, ao invés de progredir para a fase 3, corremos o risco de retroceder para a zona vermelha.
*Membros do GT: Eduardo Kokubun, Auro Aparecido Mendes, Milton Cezar Ribeiro, Rodrigo Braga Moruzzi e Maurício Humberto Vancine.
Márcia Correa Bueno Degasperi
UNESP Rio Claro
A Covid-19 chegou ao Brasil depois de se espalhar no hemisfério norte. Tivemos a "vantagem" de nos preparar para o enfrentamento da pandemia. Um mundo conectado e bem informado favorece esse cenário. Vários canais de informação como jornais e revistas científicas liberaram conteúdos relacionados ao novo coronavírus.
Assim, palavras como distanciamento social, isolamento social e quarentena ficaram comuns em nossos dias desde o mês de março.
Os números diários da Covid-19, mesmo com problemas de sub notificação, são alarmantes e, com o relaxamento do isolamento social, nas suas últimas semanas, vemos a doença avançando e, sem surpresa, de forma exponencial.
Mesmo assim, temos notícias de tentativas de reabertura do comércio e da volta das atividades esportivas, como o futebol da cidade do Rio de Janeiro e o basquete nacional mesmo com torcida reduzida, observando que estes são esportes de contato.
Na Europa, vimos na França, o retorno das aulas das crianças e, na semana seguinte, nova suspensão dessas atividades. O futebol alemão voltou sem torcida e também correndo o risco de ser novamente suspendo. Na Itália, shoppings reabriram com a entrada liberada por sinalização, o sentido do caminho a ser percorrido marcado com sinalização horizontal e a distância entre as pessoas pre-determinada.
Podemos ver que na Europa não existe o normal e sim, o "novo normal" e a volta está acontecendo depois da queda do número de casos de Covid-19 por semanas. O cotidiano volta mas com muitas restrições.
Pensando nos números da nossa cidade, Rio Claro está no momento de flexibilizar e normalizar as atividades com protocolos de segurança?
A ciência, a medicina e tecnologia que temos hoje estão a nosso favor. Muitos estão trabalhando arduamente no combate ao Covid-19 no mundo.
Vamos preservar a vida humana hoje.
#UnespRCpelaVIDA #fiqueemcasa #136"
BOLETIM ANTI COVID-19, Rio Claro: Unesp, n. 21, maio 2020. Disponível em: https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-21-10062020.
Acesso em [dia / mês (abreviado) / ano]