O primeiro BAC foi publicado em 20/4/2020 [BAC 01], cinco meses atrás e trazia como diretrizes principais usar a expertise da Unesp no combate à Covid-19, acompanhando a evolução da doença em Rio Claro e divulgar as articulações com representantes da comunidade externa à universidade. Desde o primeiro número, estiveram presentes as ações de solidariedade, as culturais e a atualização do painel Covid. Logo na segunda edição foi dada ênfase aos perigos da voltas de alunos a atividades presenciais, por não garantir a segurança sanitária e os alertas para o relaxamento do isolamento social e suas consequências.
O BAC 16 de 21/5/2020 marcou o início dos alertas efetivos, calculados, usando os dados disponíveis e trabalhados pelo grupo Unesp Covid Ciência que indicavam a correlação direta entre mais gente nas ruas de Rio Claro e o aumento do número de casos. Pico de movimento nas vésperas dos feriados levou a aumento de novos casos com 9 dias de atraso era o subtítulo da matéria de abertura daquela edição que também alertou sobre as falsas soluções que se apresentavam, sem base científica, como o uso da cloroquina e seu derivado hidroxicloroquina.
No início de junho, o BAC 19 fez o cálculo da ocupação das UTIs que estariam saturadas pelos próximos quatro anos se não houvesse controle pela diminuição da taxa de contaminação em Rio Claro e alertou que o município caminhava para a zona vermelha do Plano São Paulo (BAC 20), devido ao baixo isolamento e aumento do número de casos. Isso levou o Prefeito a retroceder à fase 1 do Plano São Paulo (fase vermelha) (BAC 24). O Boletim ressaltou que em 16/7 o município continuava na fase vermelha e discorria sobre a importância reconhecida pela Prefeitura do monitoramento da Unesp. Nessa edição foi divulgada a mesa redonda com o professor Carlos Magno Fortaleza, com ampla repercussão.
As medidas de prevenção, ainda que não totalmente adequadas, fizeram reduzir o número de casos, tema do boletim 31 que também avaliou a presença dos profissionais da saúde na linha de frente e as possibilidade de contaminação cruzada entre crianças em uma sala de aula. Os riscos de contaminação entre os professores apareceram no boletim seguinte, juntamente com avaliações econômicas reflexo da pandemia.
Ainda em luto pelas 100 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, o BAC 34 deu ênfase às medidas de prevenção como o distanciamento social, o uso correto de máscaras, a higienização constante, fugir de aglomerações. Essas recomendações foram repetidas em todos os boletins desde então.
Mais recentemente foram discutidos os riscos de contágio de diferentes atividades, possíveis novas ondas de contágio em diferentes países. e a análise da Covid-19 como um doença comunitária.
O BAC também reproduz artigos de autoridades universitárias publicadas em outros veículos, e uma discussão sobre a desinformação na forma de um guia sobre fakenews, notícias falsas, boatos sem comprovação, que prejudicam o entendimento do desenvolvimento da doença e a prática das ações para mitigá-la.
O Plano São Paulo para enfrentar a pandemia da Covid-19, agrupa os municípios do Estado em 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS). As medidas de isolamento social e restrição de atividade nesses Departamentos obedece a quatro fases, identificadas pelas cores, em ordem da mais para menos restritiva: vermelha, laranja, amarela a verde. Cada um dos DRS recebeu uma classificação no lançamento do Plano São Paulo e eles podem progredir ou regredir para fases respectivamente menos ou mais restritivas, conforme a situação do sistema de saúde e da progressão da pandemia.
A essência do plano é comparar entre a situação da pandemia nas cidades que compõem um DRS numa semana com a semana anterior. Se os indicadores melhoram de uma semana a outra, por exemplo, quando o número de internados diminui, o DRS pode progredir para uma fase menos restritiva.
No momento, todo estado se encontra na fase amarela, a penúltima fase antes do relaxamento total das restrições. Contudo, o sistema de progressão do Plano São Paulo não considera um importante aspecto da pandemia: a quantidade total de pessoas infectadas pelo SarsCov-2 ou de óbitos dela decorrente. Um DRS que tem redução de 400 para 200 óbitos semanais recebe a mesma nota de outro que reduziu de 4 para 2 óbitos semanais: ambos reduziram em 50% e podem progredir de fase. Porém, é inegável que a situação da pandemia é muito mais grave no primeiro do que no segundo caso.
Essa situação é semelhante à febre de um doente. Suponha que esse doente tenha uma febre de 40 graus e que com o tratamento reduza a temperatura para 39 graus. Pode-se dizer que a febre abaixou em 1 grau, porém, não há razão para se admitir que ele está sem febre. Esse doente de fato melhorou, mas não está curado. Por outro lado, se a febre diminuiu de 38,5 para 37,5 graus, portanto em 1 grau como no primeiro caso, podemos sim dizer que não há mais febre.
A tabela abaixo apresenta alguns indicadores da Covid-19 em Rio Claro. No dia 1/06/2020 o Plano São Paulo colocou a DRS de Piracicaba, ao qual o município pertence, na fase laranja. Naquele dia, havia na média dos 7 dias anteriores, 5 casos novos, 21 internações, sendo 10 em UTI e 3 óbitos durante a semana. Entramos na fase vermelha em 24/09/2020 com expressivo aumento nesses números (24 novos casos, 71 internados, 24 em UTI na média de 7 dias, e 4 óbitos). Com indicadores em ascensão, o endurecimento nas medidas de isolamento era previsível conforme o BAC alertara em 05/06/2020.
A entrada na fase amarela foi obtida em 08/08/2020 com redução nos indicadores de uma semana a outra. Porém, os números registrados continuavam maiores do que o início da fase vermelha mais restritiva! Eram 38 casos novos, 80 internados, 26 em UTI na média diária e 11 óbitos na semana. A progressão de fase foi obtida porque após um crescimento vertiginoso da pandemia que atingiu o ápice em meados de julho, houve diminuição substancial no número de casos, internações e óbitos.
Seis semanas de fase vermelha, os números continuaram a diminuir para 13 casos novos, 31 internados, 12 em UTI na média diária e 9 óbitos na semana, registrados em 24/09/2020. Uma comparação com dados do início da fase laranja em 01/06/2020 mostra que ainda estamos registrando o triplo de casos diários, 50% e 20% mais internações e UTs e um pouco mais do que o dobro de óbitos.
É indiscutível que entramos na fase laranja com a cidade já doente, com febre. Durante os quase quatro meses que nos separam da fase inicial da doença, a febre aumentou e começou a diminuir. Contudo, não voltamos ainda aos números do início. A febre ainda não passou. Não é hora ainda de dar alta ao doente.
A temperatura corporal é uma métrica simples, compreendida por todos, que tem um valor de corte bem estabelecido: acima de 37,5 grau há febre. Qual seria a métrica para a pandemia da Covid-19? Qual seria o ponto de corte? O ideal seria que a pandemia se extinguisse totalmente e nenhum caso seja registrado. Porém, enquanto a vacina e tratamentos eficazes não sejam desenvolvidos, teremos que conviver com um nível aceitável de contaminações e suas consequências. Qual seria um valor aceitável para considerar que a pandemia está em nível controlado?
Antes de ver a segunda onda da pandemia se espalhando pela Europa, o Reino Unido estabeleceu que os viajantes com origem em países com média superior a 20 casos novos semanais por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, deveriam passar por quarentena obrigatória de 14 dias antes de circular pelas ruas. Se Rio Claro fosse um país, atenderíamos aquele critério do Reino Unido se não superássemos 41,6 novos casos por semana, ou 5,9 casos diários durante 14 dias. Esse número é semelhante à média de 5 casos diários no início do Plano São Paulo em junho. Portanto, parece razoável admitir que a pandemia esteja controlada quando o município atingir os números da registrados no nício da fase laranja, pelo período de 14 dias.
Com entrevista e apoio do Prof. Eduardo Kokubun matéria exibida dia 25 de setembro lembra que o número de casos diminuiu, mas ainda continuam elevados. A matéria também entrevista a família que concedeu depoimento para live "O impacto da Covid em nossas vidas: testemunhos de pessoas recuperadas - MAS, a pandemia continua matando" que aconteceu em 12/09/2020 com apoio da Unesp.
Com tudo organizado para acontecer em março deste ano, por conta da pandemia, assim como os demais eventos culturais, as atividades do festival foram suspensas na véspera.
Para dar continuidade à programação, foi necessário também se adaptar ao mundo virtual e, agora em setembro, inicia-se a programação.
“Confirmou-se, ao mesmo tempo, o papel essencial da cultura, em convívio social, subitamente inviabilizado, e em nossas vidas privadas, como nunca antes isoladas e enclausuradas. Se o vírus persegue a vida, a cultura nos humaniza.”
Página do evento: http://etudoverdade.com.br/br/home/
Entrevista no Jornal da Tarde na TV Cultura com o fundador do festival, Amir Labaki aqui.
Dados de 24/09/2020 mostram mudanças discretas: aumento no número de novos casos, diminuição de internações e óbitos. Rio Claro vem diminuindo o ritmo da pandemia, porém, os números absolutos são maiores do que do início do Plano São Paulo.
Com base em informações fornecidas pelas Secretarias de Saúde do Município de Rio Claro e do Estado de São Paulo, são apresentados gráficos de tendências e evolução da pandemia, desde a confirmação do primeiro caso.
Ficar em casa e sair somente em caso de absoluta necessidade é ainda a principal recomendação para o controle da pandemia.
Se necessário, devem ser tomadas todas medidas para evitar a transmissão:
Ficar em casa se estiver doente
Usar máscaras em locais públicos ou quando estiver perto de pessoas que não moram com você, especialmente se as medidas de distanciamento social são difíceis de cumprir
Manter o distanciamento social de pelo menos 1,5 m
Antes de sair, informar-se sobre medidas de prevenção extra que estão sendo tomadas no local de destino
Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos quando chegar no destino e em casa
É necessário ainda que se evitem a presença de muitas pessoas num mesmo ambiente e que a permanência tenha a menor duração possível.
BOLETIM ANTI COVID-19, Rio Claro: Unesp, n. 47, setembro 2020. Disponível em: https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-47-25092020. Acesso em [dia / mês (abreviado) / ano]
Diretor do Instituto de Biociências da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Euzébio de Oliveira Souza Aragão
Diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Alexandre de Jesus Perinotto
Presidente do CEAC-19:
Prof. Dr. José Roberto Gnecco
Editores:
Eduardo Kokubun
Eugenio Maria de França Ramos
Márcia Correa Bueno Degasperi
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Colaboradores:
Bibiana Monson de Souza
Bernadete Benetti
Igor Salomão Monteiro
Roberto Goitein
Maria Christina Amoroso
Auro Aparecido Mendes
José Eduardo F. Ramos
Jamil Viana Pereira
Artes e diagramação:
Arianne Dechen Silva
Mateus Fernando Silva Sales
Lucas Massensini de Azevedo
Angela Ferraz
Vídeos (Lives e Mini-Lives)
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Felipe Renger Ré
Lucas Henrique Silvestrin
Osmar Malaspina