A pandemia do novo coronavírus em Rio Claro poderia ter ceifado 900 vidas até o início de outubro. Até ontem, sem registrar óbitos durante 6 dias, foram 138, pouco mais de 15% do previsto sem isolamento. Poupamos mais de 750 vidas. A evolução de casos no município mostra que a curva de novos casos acompanhou rigorosamente o comportamento previsto pelos cientistas para epidemias: não houve nem queda, nem aumento inesperados na sua evolução: aumentou continuamente até atingir um pico e a trajetória descendente segue o curso esperado. Hospitalizações e óbitos seguiram aquilo que os cientistas esperam do novo coronavírus. Isso significa que as medidas não farmacológicas contra a pandemia adotadas em Rio Claro se mantiveram estáveis desde que o SarsCo-2 desembarcou por aqui. Se houvesse afrouxamento em momento inoportuno, a pandemia teria se acelerado, como foi visto em alguns municípios vizinhos. Por outro lado, se nada tivesse sido feito, rioclarences estariam chorando 900 mortes.
O Departamento Regional de Saúde de Piracicaba foi promovido hoje à zona verde do Plano São Paulo. Essa progressão para a penúltima fase, ocorreu para a região metropolitana de São Paulo e os Departamentos Regionais de Saúde de Piracicaba, Campinas, Taubaté, Sorocaba e Baixada Santista. As Prefeituras nesses municípios ficam autorizadas a regulamentarem a ampliação do horário de funcionamento de shoppings, comércios, bares, restaurantes, academias e setor de serviços para até 12 horas, com a ocupação de 60%. A próxima e a última fase azul ainda está distante e só deve se alcançada, dentre outros critérios, com a chegada da vacina.
Em Rio Claro, que foi promovido para a zona verde com outros 26 municípios da região de Piracicaba, a pandemia está retornando a níveis similares ao do mês de maio, quando começava assustar os moradores daqui com a doença se acelerando. Muitas cidades ainda não retrocederam tanto quanto o nosso município. É uma conquista importante, que merece ser comemorada com a devida cautela. Será necessário acompanhar se essa tendência, de baixo número de casos e óbitos se manterá ao longo de 14 dias, que é o ciclo natural da doença. Além disso, entrar na zona verde não significa que a pandemia acabou, mas sinaliza que ela poderá voltar. Se voltar, será necessário retomar as medidas mais restritivas de distanciamento.
É importante ressaltar que a pandemia arrefeceu no município devido às medidas de isolamento e higiene que foram implantadas e adotadas pela população, alguns em maior outros em menor grau. Se elas forem relaxadas, sobretudo se ocorrerem aglomerações, o risco de uma segunda onda de infecções aumentará. Além disso, com baixo número de casos, abre-se a oportunidade para ações públicas de rastreamento e testagem para interromper a corrente de transmissão.
Adilson Roberto Gonçalves
IPBEN Unesp
A pesquisadora francesa Emmanuelle Charpentier, diretora do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções em Berlim (Alemanha), e a norte-americana Jennifer Doudna, professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, foram as ganhadoras do Prêmio Nobel de Química de 2020.
É a primeira vez que duas mulheres são premiadas com o Nobel de Química. Ainda assim, desde 1901, em 119 anos, elas são somente a sexta e a sétima mulheres a ganhar a honraria. De 186 laureados, elas correspondem a menos de 4%. Chama a atenção que ambas são relativamente jovens, com bem menos de 60 anos de idade. Os três ganhadores de 2019 tinham entre 71 e 97 anos.
O prêmio foi pelo desenvolvimento da técnica de edição do genoma, ou seja, montagem e desmontagem molecular do DNA, chamada Crispr (pronuncia-se “crísper”), que pode ser usada em aplicações médicas para corrigir genes causadores de doenças ou desativar qualquer característica ou função da célula. Em todos os infográficos de explicação do que é a técnica Crispr aparece uma tesoura, simbolizando a semelhança com o cortar e colar de pedaços da fita do DNA e substituindo-as por outras.
A técnica é muito poderosa e está sendo amplamente empregada na engenharia genética de microrganismos, plantas e até alguns animais, mas carrega forte questionamento ético, pois a mesma ferramenta pode ser usada, em princípio, para selecionar características em seres humanos que não necessariamente as relacionadas com disfunções. Dentro dessas possibilidades antiéticas, a técnica poderia ser usada, por exemplo, para aumentar massa muscular de futuros atletas, modificar corantes presentes na pele, cabelo ou olhos e até mesmo interferir em aparências puramente estéticas. Especialistas dizem que estamos longe de tais façanhas eugênicas, mas o pesquisador chinês He Jiankui, em 2018, anunciou ter feito a edição genética de bebês gêmeos para que fossem imunes ao HIV, o vírus que causa a aids. Ele foi condenado pela comunidade científica e pela justiça, perdendo o direito à prática da medicina.
Como sempre, ciência e conhecimento são importantes e determinantes para a melhoria das condições de vida da humanidade se forem utilizados dentro dos parâmetros éticos determinados pela própria sociedade. Além disso, a técnica Crispr está em desenvolvimento e possui limitações, especialmente quanto a efeitos colaterais que as mudanças genéticas podem causar, considerando a aplicação em humanos ou mesmo em embriões.
As duas pesquisadoras premiadas estão envolvidas em uma disputa judicial nos Estados Unidos quanto à propriedade intelectual da descoberta. Um outro pesquisador, Feng Zhang, do Instituto Broad (ligado a Harvard e ao MIT), realizou experimentos e patenteou os resultados usando vários tipos de células bem mais complexas que as bactérias empregadas por Charpentier e Doudna, como a de plantas e animais, incluindo os mamíferos. As agora premiadas com o Nobel perderam parcialmente a causa e fica a dúvida sobre o que pesou na premiação para não ter sido incluído o outro pesquisador entre os contemplados. Os demais concorrentes – os que foram eventualmente sugeridos ou votados no processo – somente serão revelados pelo comitê de premiação daqui a 50 anos, conforme as regras estabelecidas.
Não são raras denúncias de apropriação indevida de resultados de membros de grupos de pesquisa entre si que levam a tais disputas. No caso, houve desenvolvimento simultâneo da pesquisa em grupos distintos. As pesquisadoras publicaram suas descobertas primeiro, usando células mais simples, mas a patente do outro pesquisador foi concedida antes.
No BAC 50 estão descritos os vencedores em Medicina e Física. O de Literatura foi noticiado na quinta-feira, concedido à poeta norte-americana Louise Glück e hoje o da Paz foi para o Programa Mundial de Alimentação da ONU. Esses são os chamados prêmios canônicos. Na segunda-feira, 12 de outubro, deve ser anunciado o de Economia que não é um Prêmio Nobel como os demais, mas, sim, concedido em homenagem a Alfred Nobel.
Durante a Semana Virtual do Livro e das Bibliotecas da Rede Unesp, aconteceu a mesa de conversa sobre comunicação científica com a participação do Prof. Dr. Adilson Roberto Gonçalves, do IPBEN Rio Claro e da discente Beatriz Dean Rizzo do campus do Litoral Paulista com mediação da bibliotecária Márcia Correa Bueno Degasperi da Biblioteca do câmpus de Rio Claro.
Com a preocupação em levar a ciência para fora da universidade através das diversas mídias, a conversa coloca a vasta experiência do prof. Adilson e a iniciativa recente da Beatriz e os seus resultados já conquistados em pouco tempo.
O evento que se encerra hoje, fica registrado no Youtube da Coordenadoria Geral de Bibliotecas aqui.
Confira a programação completa do evento aqui.
Facebook: @cgbunesp
Instagram: @semanabibliotecas.unesp
Página: https://bit.ly/svlb2020
Há 6 dias, nenhum óbito por Covid-19 foi confirmado no município. O número de casos novos e dados de internação mostram valores próximos aos patamares do início do Plano São Paulo. É necessário acompanhar se a tendência se estabiliza durante 14 dias.
Com base em informações fornecidas pelas Secretarias de Saúde do Município de Rio Claro e do Estado de São Paulo, são apresentados gráficos de tendências e evolução da pandemia, desde a confirmação do primeiro caso.
Ficar em casa e sair somente em caso de absoluta necessidade é ainda a principal recomendação para o controle da pandemia.
Se necessário, devem ser tomadas todas medidas para evitar a transmissão:
Ficar em casa se estiver doente
Usar máscaras em locais públicos ou quando estiver perto de pessoas que não moram com você, especialmente se as medidas de distanciamento social são difíceis de cumprir
Manter o distanciamento social de pelo menos 1,5 m
Antes de sair, informar-se sobre medidas de prevenção extra que estão sendo tomadas no local de destino
Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos quando chegar no destino e em casa
Higienizar produtos de compras, sapatos, roupas e quaisquer objetos ANTES de entrar em sua casa
É necessário ainda que se evitem a presença de muitas pessoas num mesmo ambiente e que a permanência tenha a menor duração possível.
BOLETIM ANTI COVID-19, Rio Claro: Unesp, n. 51, outubro 2020. Disponível em: https://sites.google.com/unesp.br/boletim-anti-covid-19/ed_anteriores/bac-51-09102020. Acesso em [dia / mês (abreviado) / ano]
Diretor do Instituto de Biociências da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Euzébio de Oliveira Souza Aragão
Diretor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp-Rio Claro:
Prof. Dr. José Alexandre de Jesus Perinotto
Presidente do CEAC-19:
Prof. Dr. José Roberto Gnecco
Editores:
Eduardo Kokubun
Eugenio Maria de França Ramos
Márcia Correa Bueno Degasperi
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Colaboradores:
Bibiana Monson de Souza
Bernadete Benetti
Igor Salomão Monteiro
Roberto Goitein
Maria Christina Amoroso
Auro Aparecido Mendes
José Eduardo F. Ramos
Jamil Viana Pereira
Artes e diagramação:
Arianne Dechen Silva
Mateus Fernando Silva Sales
Lucas Massensini de Azevedo
Angela Ferraz
Vídeos (Lives e Mini-Lives)
Lucas Massensini de Azevedo
Adilson Roberto Gonçalves
Felipe Renger Ré
Lucas Henrique Silvestrin
Osmar Malaspina