Caso Role Play
Identificação: Verônica, 12 anos, sexo feminino, solteira, branca, proveniente de São Paulo, mora com os pais e com um irmão de 9 anos. 7º ano ensino fundamental II
Mãe, Maria, 37 anos, casada, tem 2 filhos (9, 12 anos)
Queixa: discrepância do desenvolvimento do filho mais novo com Verônica.
Antecedentes pessoais: A mãe relata que a adolescente nasceu de parto normal, a termo, sem intercorrências na gestação ou no parto. Relatando que Verônica sentou-se sem apoio aos oito meses de idade, engatinhou de com ajuda aos 10 meses de idade, andou sem apoio com 1 ano e 2 meses de idade e sempre apresentou irritabilidade fácil.
Atualmente, a paciente não fala muito, é agitada, irrita-se com sons altos (como secador, ventilador e liquidificador), não interage com as outras pessoas, nem com adolescentes da mesma idade. Apresenta ainda dificuldades significativas na alimentação, evitando alimentos mais consistentes (adora sopinhas, danoninho e gelatina), além de apresentar sono fragmentado. Dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência de interesse por pares.
Paciente mais falta do que vai pra escola, não tem interesse nas aulas (escola 7º ano)
Exame físico:
•Abdome: plano, sem cicatrizes, lesões, retrações ou abaulamentos, RHA audíveis e percussão timpânica nos quatro quadrantes. Ausência de dor ou rigidez abdominal a palpação.
•Pulmonar: Tórax plano sem retrações ou abaulamentos, eupneico, com ritmo respiratório regular (20 irpm) e expansibilidade preservada. Expansibilidade e FTV simétricos a palpação. Som claro pulmonar à ausculta em ambos hemitóraxes. Murmúrio vesicular fisiológico presente em ambos hemitóraces, sem ruídos adventícios.
•Cardíaco: Área precordial sem alterações com ictus não visível. Ictus palpável em ritmo regular, sem frêmito. Bulhas cardíacas normofonéticas com ritmo regular em 2T em foco pulmonar, aórtico, mitral e tricúspide, sem sopros.
•Neurológico: ausência de lesões cutâneas.
Durante a avaliação:
1.Adolescente não apresentou contato visual com o examinador ou com a mãe, ficando com o celular nas mãos.
2.Disperso ao atender quando chamado pelo nome.
3.Não deu importância ao que estava sendo falado;
4.Relatando que não usa o computador por causa do barulho do teclado.
5.Em seguida perguntou com gestos para a mãe -que entendeu apenas com um toque da filha- se estava próximo de ir embora, pois estava próximo do horário do almoço e costuma não atrasar as refeições.
6.Apresentou movimentos repetidos de balançar de mãos durante a consulta.
Percepções do Examinador:
Paciente não consegue desenvolver uma conversa e olhar nos olhos;
Não tem comunicação verbal explícita;
Não tem autonomia para fazer coisas básicas diárias (colocar camisetas, ir para escola;
Tem dificuldade nas relações interpessoais, com pessoas de todas as idades;
Excesso de organização;
Irritação e ansiedade frequentes;
Movimentos repetitivos.
TEA
1. Quais são as características específicas do TEA?
O TEA é caracterizado por variações qualitativas no desenvolvimento. Em algum grau, a pessoa com o Transtorno do Espectro Autista (ou do Autismo) apresenta, segundo o DSM-5, dificuldades na comunicação e interação social e pode apresentar comportamentos, interesses e atividades com padrões repetitivos e restritos.
Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e limitam ou prejudicam o funcionamento diário. Em relação à comunicação e interação social, podem ocorrer obstáculos, por exemplo, em:
iniciar e manter interações sociais;
compartilhar interesses e emoções;
compreender e usar gestos (comunicação não verbal);
desenvolver, manter e compreender relacionamentos;
compartilhar brincadeiras imaginativas ou fazer amigos;
dar resposta a pistas sociais complexas (p. ex., saber quando e como entrar em uma conversa e o que não dizer); fazer contato visual e usar gestos, expressões faciais, orientação corporal e entonação da fala (de acordo com as normas culturais);
coordenar a comunicação não verbal com a fala (podendo passar a impressão de “linguagem corporal” estranha, rígida ou exagerada durante as interações);
compreender as diversas figuras de linguagem na comunicação (p. ex., ironia, sarcasmo). O uso da linguagem literal é comum;
situações novas ou sem apoio (podendo sofrer com o esforço e a ansiedade para, de forma consciente, calcular o que é socialmente intuitivo para a maioria das pessoas);
imaginar e compreender a perspectiva e experiência do outro;
manter a atenção compartilhada e compreender nuances de expectativas e comportamentos sociais;
colocar-se no lugar do outro e ter empatia;
compreender, respeitar e reproduzir a distância física adotada pelas pessoas nas diferentes situações sociais.
Em relação aos comportamentos, interesses e atividades com padrões repetitivos e restritos, pessoas com o TEA podem vivenciar obstáculos relacionados a:
interesses fixos e restritos (p. ex., forte apego ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos);
adesão a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., fazer perguntas repetitivas, sofrimento em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente);
hiperreatividade ou hiporreatividade a estímulos sensoriais (p. ex., hipersensibilidade a determinados sons, ruídos);
vivência de sobrecarga sensorial em ambientes com maior oferta de estímulos, podendo se tornar menos interativa e participativa;
movimentos motores ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipias motoras simples).
Pessoas com autismo podem enfrentar dificuldades nas Funções Executivas, que consistem no conjunto de processos responsáveis por originar e controlar as ações e os pensamentos, propiciando a autorregulação e o comportamento reflexivo (não impulsivo).
Entre esses obstáculos, é possível citar dificuldades:
nas habilidades de planejamento;
no gerenciamento do tempo;
na modificação imediata dos planos;
no controle de determinados comportamentos;
na manutenção da atenção durante uma tarefa (atenção sustentada);
na habilidade de focar a atenção unicamente naquilo que for relevante (atenção seletiva).
2. Quais os graus de autismo? Evidenciando os casos em que a criança nunca se comunicou ou que iniciou o desenvolvimento mas este foi interrompido.
Nível 1 — Leve
As pessoas com nível leve de autismo, em relação à interação e comunicação social, apresentam prejuízos mas não necessitam de tanto suporte. Têm dificuldade nas interações sociais, respostas atípicas e pouco interesse em se relacionar com o outro.
Em relação ao comportamento, apresentam dificuldade para trocar de atividade, independência limitada para autocuidado, organização e planejamento.
Nível 2 — Moderado
As pessoas com nível moderado de autismo, em relação à interação e comunicação social, necessitam de suporte substancial, apresentando déficits na conversação e dificuldades nas interações sociais, as quais, muitas vezes, precisam ser mediadas.
Em relação ao comportamento podem apresentar dificuldade em mudar de ambientes, desviar o foco ou a atenção, necessitando suporte em muitos momentos.
Nível 3 — Severo
As pessoas com nível severo de autismo, em relação à interação e comunicação social, necessitam de muito suporte, pois apresentam prejuízos graves nas interações sociais e pouca resposta a aberturas sociais.
Em relação ao comportamento, apresentam dificuldade extrema com mudanças e necessitam suporte muito substancial para realizar as tarefas do dia a dia, incluindo as de autocuidado e higiene pessoal.
Além desses fatores, outros critérios específicos para o diagnóstico de autismo são: prejuízo intelectual e de linguagem, condição médica ou genética, outras desordens do neurodesenvolvimento ou transtornos relacionados.
https://institutoneurosaber.com.br/dsm-5-e-o-diagnostico-no-tea/
3. O que é o mutismo seletivo?
Obs.: Lembrar da questão dos enfileiramentos e seleção, justificando qual o diagnóstico de Verônica (TEA com comorbidades).
O Mutismo Seletivo é um transtorno de ansiedade que se caracteriza pela recusa da criança em falar em determinados locais, principalmente na escola. O objetivo deste estudo é identificar os fatores associados ao Mutismo Seletivo, suas alterações comportamentais e as dificuldades no desenvolvimento escolar.
Vários transtornos podem impactar no processo da aprendizagem e memorização, dentre estes, podemos observar os transtornos da ansiedade, considerado uma das psicopatias mais comuns no período infantil. Esta psicopatologia está associada negativamente ao desenvolvimento escolar e pessoal, suas manifestações podem passar pela infância, adolescência e atingir a fase adulta. Se não forem diagnosticadas e tratadas, podem tornar-se fatores de risco para o surgimento de patologias como depressão, transtornos do humor, transtornos de conduta e sentimentos que podem levar a tentativas ao suicídio (Bartholomeu et al., 2018). Esta psicopatologia pode ocorrer associada a outros problemas, segundo preconiza Ford et al (1998 apud Figueiras, 2017, p. 06), como "a enurese, défices de atenção, hiperatividade, comportamento desafiante/oposicional, problemas de humor, fobia social, ataques de pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos, reações de stress pós-traumático e dificuldades de ajustamento". A preocupação com o Mutismo Seletivo está na limitação do desenvolvimento e a forma como esta perturbação condiciona a qualidade de vida da criança, nomeadamente no que concerne ao rendimento escolar, que, em situações futuras, poderá levar a dificuldades no desempenho laboral, ou ainda na capacidade de comunicação social
file:///C:/Users/Usuario/Downloads/16316-Article-211091-1-10-20210621.pdf
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/download/16316/14778/211091
• Como fazer rastreio de ascite?
• Explique as consequências orgânicas que o álcool causa no organismo
O álcool, substância psicoativa com propriedades que causam dependência, tem sido amplamente utilizado em muitas culturas durante os séculos. Seu uso nocivo tem um grande peso na carga de doenças, além de um ônus social e econômico para as sociedades. O álcool afeta as pessoas e as sociedades de muitas formas e seus efeitos são determinados pelo volume consumido, pelos padrões de consumo e, em raras ocasiões, pela qualidade do álcool.
O uso nocivo do álcool também pode resultar em danos a outras pessoas, como membros da família, amigos, colegas de trabalho ou estranhos. Além disso, o uso nocivo de bebidas alcoólicas resulta em um fardo significativo em termos sociais, econômicos e de saúde.
O consumo de álcool é um fator causal em mais de 200 doenças e lesões. Está associado ao risco de desenvolvimento de problemas de saúde, tais como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência ao álcool, doenças não transmissíveis graves, como cirrose hepática, alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares, bem como lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito.
Uma proporção significativa da carga de doenças atribuíveis ao consumo de álcool decorre de lesões intencionais e não intencionais, incluindo aquelas causadas por acidentes de trânsito, violência e suicídios. Lesões fatais relacionadas ao álcool tendem a ocorrer em grupos relativamente mais jovens.
As relações causais mais recentes são aquelas entre o uso nocivo de álcool e a incidência de doenças infecciosas, como a tuberculose e o HIV/aids. O consumo de álcool por mulheres grávidas pode causar síndrome fetal do álcool e complicações no parto prematuro.
• O que dá para ver no USG nos casos de ascite?
• Quais exames necessários nos casos de alcoolismo crônico?
Os exames laboratoriais devem incluir bioquímica hepática com albumina, transaminases (AST/ALT), bilirrubinas, hemograma completo e tempo de protrombina (TP/INR). Em casos em que o diagnóstico é duvidoso, pode ser necessário realizar biópsia hepática.
• Qual direcionamento de um paciente com mutilações e/ou ideações suicidas? (encaminhamento para internação?