Anatomy of a Murder
O filme é um drama jurídico que conta a história de um advogado de defesa, Paul Biegler (interpretado por James Stewart), que aceita o caso de Frederick Manion (Ben Gazzara), um tenente do exército acusado de assassinato.
A história se desenrola na região superior de Michigan, onde Biegler e seu assistente, Parnell McCarthy (Arthur O'Connell), começam a preparar a defesa de Manion. O réu alega que matou em legítima defesa, após sua esposa Laura Manion (Lee Remick) ter sido estuprada pelo falecido, Barney Quill. O caso se torna complexo e envolve questões de psicologia legal, evidências circunstanciais e testemunhos duvidosos.
À medida que o julgamento avança, Biegler confronta o promotor Claude Dancer (George C. Scott), que é um oponente formidável. O filme explora temas como a justiça, a verdade e a manipulação de informações, e mantém o público em suspense até o veredicto final.
Diretor
Roteiro
Adaptação do livro de John D. Voelker (pseudônimo Robert Traver)
Elenco
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Paul Biegler
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Laura Manion
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Tenente Frederick Manion
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Parnell Emmett McCarthy
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Maida Rutledge
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Mary Pilant
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Claude Dancer
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Dr. Matthew Smith
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George Lemon
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Alphonse Paquette
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Advogado Distrital Mitch Lodwick
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Detetive sargento James Durgo
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Delegado xerife Sulo
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Dr. Dompierre
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Dr. W. Gregory Harcourt
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Dr. Raschid
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Clarence Madigan
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Xerife Battisfore
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Lloyd Burke
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Duane 'Duke' Miller
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Escrivão do Tribunal
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Army Sergeant 1st Class
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Juiz Weaver
Produzido por
Música de
Cinematografia de
Sam Leavitt (diretor de fotografia)
Edição de
Desenho de produção
(Carlyle Productions)
(Estados Unidos, 1959) (Columbia Pictures Corporation)
Tempo de duração
2 h 41 min(161 min)
2 h 21 min(141 min) (cut) (United Kingdom)
Mixagem de som
Mono(Westrex Recording System)
Cor
Preto e branco
Proporção
1.85 : 1
Duração do filme
4.400 m(Finland)
4.525 m(Italy)
Formato negativo
35 mm
Processo cinematográfico
Digital Intermediate(4K, 2021 remaster)
Spherical
Formato de filme impresso
35 mm
23 de mar. de 1959 - 16 de mai. de 1959
29 de junho de 1959(Ishpeming, Michigan, premiere)
29 de junho de 1959(Marquette, Michigan, premiere)
1 de julho de 1959(Detroit, Michigan)
2 de julho de 1959(New York City, New York)
Fonte: https://www.imdb.com/title/tt0052561/reference/
Resenha (redigida com o auxílio de ChatGPT)
"Anatomia de um Crime" (1959), dirigido por Otto Preminger, é um dos mais refinados dramas jurídicos da história do cinema, transcendendo seu gênero ao explorar com profundidade a complexidade da moralidade e da justiça.
O filme destaca-se por uma abordagem ousada para a época, incluindo o uso de termos considerados indecorosos, o que gerou polêmica e contribuiu para sua notoriedade. Preminger conduz a narrativa sem recorrer a flashbacks, uma decisão estilística que respeita a linearidade dos eventos e permite que o espectador vivencie o julgamento como se estivesse no tribunal. Essa opção, somada aos diálogos brilhantemente escritos, cria uma atmosfera de tensão e imprevisibilidade que mantém o público engajado durante os 160 minutos de duração, que passam sem que se perceba o tempo.
A produção de "Anatomia de um Crime" foi notável também pela sua rapidez: as filmagens foram concluídas em apenas dois meses, e o filme foi cortado, marcado e exibido apenas um mês após o término das filmagens, uma realização impressionante para a época.
O elenco é irrepreensível (com exceção de Ben Gazzara, que é sempre canastrão), liderado por James Stewart, cuja atuação impecável como o advogado Paul Biegler lhe rendeu sua última indicação ao Oscar. Stewart equilibra leveza e seriedade com maestria, capturando a essência de um personagem que combina astúcia com um certo desdém pelas formalidades da vida. George C. Scott, em seu primeiro papel indicado ao Oscar, impressiona como o promotor Claude Dancer, oferecendo uma performance intensa e memorável. É também curioso saber que o simpático juiz do caso foi interpretado por Joseph N. Welch, um juiz na vida real, cuja naturalidade adiciona verossimilhança às cenas de tribunal.
Embora as cenas externas sejam raras, as locações em Michigan conferem um charme único ao filme, servindo como contraponto à austeridade do tribunal. Detalhes como a inclusão de Duke Ellington — que não apenas compõe a trilha sonora, mas também aparece tocando piano ao lado de Stewart — enriquecem ainda mais a obra, adicionando uma camada de sofisticação musical. No entanto, eu não gostei da música dos créditos iniciais, assim como dos desenhos de Saul Bass, que me pareceram pouco atraentes.
O filme também é marcado por momentos curiosos, como quando Lee Remick, antes de entrar na delegacia, coloca seu cão na mureta e aparece a sombra de uma pessoa da equipe técnica, além do cão bater o rabo, ou o uso de figurinos que hoje parecem pitorescos, como a calcinha exageradamente grande de Laura Manion, interpretada maravilhosamente por Lee Remick. Essas peculiaridades, longe de serem defeitos, conferem ao filme uma autenticidade que o distancia de produções excessivamente polidas.
"Anatomia de um Crime" não é apenas um grande filme por seu roteiro, direção e atuações, mas também por sua capacidade de provocar reflexão. Mesmo que o final possa não satisfazer completamente todos os espectadores, ele é coerente com o tom realista e ambíguo da narrativa. Trata-se de um exemplo de cinema que não apenas entretem, mas também desafia o público a ponderar sobre as nuances do comportamento humano e da aplicação da lei.