A Noite do Dia Seguinte
The Night of The Following Day
(1968)
(1968)
Uma moça milionária é sequestrada por um grupo de criminosos profissionais logo após a sua chegada no aeroporto de Paris. O plano é extorquir a maior quantidade de dinheiro possível de seu pai. Mas os planos do grupo começam a dar errado quando um dos criminosos dá sinais de que é um psicopata. Há também um policial bondoso que está sempre por perto querendo ajudá-los, sem desconfiar de que está lidando com criminosos.
Direção: Hubert Cornfield e Richard Boone (sem créditos)
Roteiro de Hubert Cornfield e Robert Phippeny (baseado no romance de Lionel White)
Produzido por Hubert Cornfield, Jerry Gershwin, Elliott Kastner e Al Lettieri
Música por Stanley Myers
Fotografia por Willy Kurant
Edição: Gordon Pilkington
Direção de Arte: Jean Boulet
Elenco:
Marlon Brando...motorista, sequestrador
Richard Boone...sequestrador psicopata
Rita Moreno...sequestradora viciada
Jess Hahn...sequestrador cordial
Pamela Franklin...moça sequestrada
Gérard Buhr...policial
Jacques Marin...dono do bar
Hugues Wanner...pai da sequestrada
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Resenha por ChatGPT:
Quando a escuridão se prolonga além da meia-noite e os limites entre o bem e o mal se diluem, "A Noite do Dia Seguinte" emerge como um thriller psicológico sombrio e perturbador.
Dirigido por Hubert Cornfield, com participação não creditada de Richard Boone, este filme de 1968 nos arrasta para um mundo de tensão e incertezas. Baseado no romance de Lionel White, a trama começa com o sequestro frio e calculado de uma jovem milionária (Pamela Franklin) no aeroporto de Paris. O objetivo do grupo é simples: extorquir uma enorme quantia do pai da vítima. No entanto, à medida que a história se desenrola, o plano meticulosamente arquitetado começa a ruir, revelando as rachaduras nos ânimos e na moralidade dos criminosos.
Marlon Brando brilha como o motorista do grupo de sequestradores, entregando uma atuação carregada de nuances que transita entre frieza e uma misteriosa humanidade. Sua presença na tela é magnética, mas é Richard Boone quem rouba a cena ao interpretar um psicopata imprevisível. Sua performance é ao mesmo tempo fascinante e desconcertante, adicionando uma camada de perigo palpável à narrativa. Rita Moreno, por sua vez, dá vida à sequestradora viciada com uma intensidade que equilibra vulnerabilidade e destemor, enquanto Jess Hahn oferece um contraste intrigante como o sequestrador cordial, cujo comportamento amistoso mascara a gravidade de seus atos.
A direção de Cornfield é marcada por uma abordagem minimalista e claustrofóbica, utilizando ângulos apertados e composições sombrias para aumentar a sensação de confinamento. A cinematografia de Willy Kurant é um espetáculo à parte, capturando a Paris de maneira fria e desoladora, refletindo o estado psicológico dos personagens. A trilha sonora composta por Stanley Myers intensifica o clima de suspense, com melodias que oscilam entre o melancólico e o ameaçador, reforçando a tensão em cada cena.
Outro aspecto notável é o jogo psicológico que permeia o filme. A jovem vítima não é apenas um peão passivo; sua presença e resistência silenciosa servem como um lembrete da humanidade perdida pelos sequestradores. Além disso, a figura do policial bondoso (interpretado por Gérard Buhr) adiciona uma camada de ironia à trama. Sem desconfiar da verdadeira natureza do grupo, ele se torna um símbolo de uma moralidade impotente diante do caos.
O roteiro de Cornfield e Robert Phippeny tece um estudo fascinante sobre a degradação humana e os conflitos internos que emergem quando a ganância e a violência se tornam motores de ação. Embora o ritmo do filme possa parecer lento para os padrões atuais, essa escolha narrativa serve para aprofundar os personagens e criar um crescendo de tensão quase insuportável.
"A Noite do Dia Seguinte" não é apenas um thriller; é uma exploração sombria da psicologia humana em situações extremas. A direção de arte, assinada por Jean Boulet, e a edição precisa de Gordon Pilkington contribuem para a construção de um ambiente opressivo que prende o espectador do início ao fim.
Embora não tenha recebido o reconhecimento que merece na época de seu lançamento, o filme hoje é uma joia rara para os amantes do cinema noir e dos dramas psicológicos. A combinação de um elenco formidável, direção ousada e uma narrativa inquietante faz de "A Noite do Dia Seguinte" uma obra que permanece na memória muito tempo depois que os créditos finais sobem.
Prepare-se para uma experiência intensa e visceral que desafia as convenções dos thrillers criminais. Neste filme, o verdadeiro terror não está no ato do crime em si, mas na fragilidade das relações humanas e na capacidade de cada personagem de trair ou ser traído.