Touch of Evil
Ano de lançamento: 1958
Gênero: Crime, suspense, film noir
Duração: 1h35min
O filme se passa na fronteira entre México e Estados Unidos e segue a investigação do detetive Mike Vargas (Charlton Heston) sobre uma explosão que ocorreu na fronteira e a morte de um importante empresário. No entanto, o detetive acaba se envolvendo em uma trama complexa e perigosa que envolve corrupção policial e tráfico de drogas.
Direção: Orson Welles
Roteiro: Orson Welles (baseado no romance de Whit Masterson)
Elenco principal: Charlton Heston, Janet Leigh, Orson Welles, Akim Tamiroff, Joseph Calleia
Direção de Fotografia: Russell Metty
Direção de arte: Alexander Golitzen e Robert Clatworthy
Figurino: Bill Thomas
Edição: Virgil W. Vogel
Música: Henry Mancini
Produção: Albert Zugsmith
Estúdio: Universal International Pictures
País de origem: Estados Unidos
Idioma: Inglês, Espanhol
Orçamento: US$ 829.000
Bilheteria: US$ 2,25 milhões
Principais prêmios e indicações:
Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia
Vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cinema de Cannes
Curiosidades:
A famosa cena de abertura do filme, que mostra uma bomba sendo colocada em um carro, foi filmada em um take contínuo de três minutos e meio.
O papel de Charlton Heston originalmente era para ser interpretado por um ator latino, mas a produção decidiu escalar Heston para aumentar o apelo comercial do filme.
Orson Welles, que também atuou no filme como o corrupto capitão de polícia Hank Quinlan, ganhou peso e usou maquiagem para se transformar no personagem.
A versão original do filme foi reeditada e lançada várias vezes após o lançamento inicial, e somente em 1998 foi lançada uma versão restaurada que seguiu o corte original de Welles.
A Marca da Maldade é considerado um dos mais importantes filmes noir da história do cinema e uma das obras-primas de Orson Welles, tanto por sua habilidade em construir uma atmosfera tensa e opressiva quanto por sua inovadora técnica cinematográfica.
O filme é notável por sua abertura de três minutos e meio sem cortes, que começa com a colocação de uma bomba em um carro e termina com uma explosão. Outra sequência notável é a cena do interrogatório, filmada em um ambiente escuro e claustrofóbico que reflete o estado psicológico dos personagens.
A atuação de Orson Welles como o corrupto capitão de polícia Hank Quinlan é uma das melhores de sua carreira, e Charlton Heston entrega uma performance convincente como o detetive determinado a desvendar a verdade. A trilha sonora de Henry Mancini contribui para criar uma atmosfera tensa e perturbadora.
A Marca da Maldade foi inicialmente mal recebido pela crítica e pelo público, mas desde então se tornou um clássico do cinema noir e é amplamente considerado como um dos melhores filmes de Welles. A história complexa, a atmosfera opressiva e a técnica cinematográfica inovadora fazem deste um filme obrigatório para qualquer cinéfilo.
***********************
Resenha redigida por ChatGPT
"Entre Luzes e Sombras, a arte sublime de Orson Welles"
Introdução
Touch of Evil (A Marca da Maldade, no Brasil), dirigido por Orson Welles, é um marco do cinema noir, transbordando atmosferas sombrias e ambiguidades morais. O filme é conhecido tanto por sua cena de abertura icônica quanto por seu mergulho profundo em temas como corrupção, preconceito e a complexidade da justiça. Welles não apenas dirigiu, mas também interpretou um dos papéis principais, entregando uma atuação memorável como o corrupto Capitão Hank Quinlan.
Uma Direção Por Acaso
Curiosamente, Orson Welles foi originalmente contratado apenas para atuar no filme. Porém, devido a um mal-entendido, Charlton Heston pensou que Welles seria o diretor. Para manter Heston satisfeito, o produtor Albert Zugsmith acabou cedendo a direção a Welles, o que resultou em mudanças substanciais no roteiro e na concepção do filme.
Entre as mudanças feitas por Welles, destacam-se a transformação do personagem de Heston, que originalmente seria um promotor público branco, em um agente mexicano de narcóticos. Já a personagem de Janet Leigh foi alterada de mexicana para americana, e o cenário do filme mudou de uma pequena cidade na Califórnia para uma cidade na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Essas alterações não foram meramente estéticas, mas fundamentais para o impacto temático do filme, enriquecendo sua narrativa com tensões culturais e sociais mais marcantes.
A Cena de Abertura
A cena inicial de Touch of Evil é uma aula de cinema em si e merece destaque especial. Trata-se de um plano-sequência magistral de três minutos e vinte segundos, onde a câmera segue ininterruptamente um carro que atravessa a fronteira entre o México e os Estados Unidos antes de explodir. Essa abertura não apenas estabelece o tom do filme, mas também demonstra o domínio técnico de Welles e sua capacidade de criar tensão.
Filmada em preto e branco, a cena aproveita ao máximo os contrastes de luz e sombra para intensificar a atmosfera de suspense. A iluminação realça os detalhes das ruas sujas e dos becos escuros, enquanto os ângulos da câmera capturam a profundidade do cenário, reforçando a sensação de vigilância e perigo iminente. Welles utiliza ângulos baixos e altos de forma calculada, sugerindo uma ordem de poder invisível e onipresente.
Inicialmente, os créditos do filme apareciam sobrepostos à cena de abertura na versão lançada em 1958, uma decisão do estúdio que contrariava a visão de Welles. O diretor acreditava que isso distrairia o público da intensidade do plano-sequência. Apenas na versão restaurada de 1998, apelidada de "o corte do diretor", Welles finalmente teve seu desejo atendido, e os créditos foram transferidos para o final do filme, permitindo que a abertura fosse exibida em toda a sua glória.
O plano-sequência é mais do que um truque visual; ele insere o espectador diretamente na história, conectando-nos ao destino dos personagens antes mesmo de conhecermos suas identidades. O movimento fluido da câmera, acompanhado pela trilha sonora carregada de sons diegéticos e música atmosférica, constrói uma sensação de iminência que ecoa por todo o filme. Esta abertura continua sendo um dos momentos mais analisados e celebrados da história do cinema, influenciando gerações de cineastas e consolidando Welles como um mestre da narrativa visual.
Enredo
A trama se desenrola na fronteira entre os Estados Unidos e o México, começando com a explosão que mata um casal em um carro logo após cruzarem para o lado americano. Miguel Vargas (Charlton Heston), um honrado investigador mexicano, é arrastado para o caso enquanto está em lua de mel com sua esposa, Susie (Janet Leigh). Ao longo da investigação, Vargas confronta Quinlan, cuja reputação como policial eficiente é manchada por métodos antiéticos e pela manipulação de provas. O conflito entre os dois não é apenas um embate de personalidades, mas também um duelo de valores, explorando a linha tênue entre o bem e o mal.
Aspectos Técnicos
A fotografia, assinada por Russell Metty, utiliza contrastes de luz e sombra característicos do film noir, amplificados pelo uso magistral de enquadramentos inclinados e profundidade de campo. Além da cena inicial, o filme apresenta composições visuais que retratam a decadência e a corrupção não apenas nas ações dos personagens, mas também no próprio ambiente: uma paisagem urbana opressiva e claustrofóbica que parece consumir aqueles que nela habitam.
A escolha do preto e branco não é meramente estética, mas fundamental para a narrativa. O jogo de luz e sombra simboliza a moralidade ambígua dos personagens, enquanto as texturas ásperas do cenário urbano intensificam a sensação de degradação. Cada quadro é meticulosamente pensado, transformando o filme em uma obra visualmente hipnotizante. A direção de Welles é arrojada, equilibrando cenas intensas de diálogo com momentos de pura experimentação visual. Ele transforma cada quadro em uma obra de arte que reflete a tensão e a complexidade emocional dos personagens.
Ensaios e Improvisações
Uma característica marcante do processo de criação de Touch of Evil foi o método de Orson Welles de ensaiar o elenco antes do início das filmagens. Ele encorajava os atores a explorarem profundamente seus personagens, permitindo improvisações nas cenas e alterações nos diálogos. Essa abordagem colaborativa resultou em performances mais naturais e autênticas, enriquecendo a narrativa com nuances que poderiam não ter surgido em uma execução mais rígida. Para Welles, o cinema era uma arte viva, e a flexibilidade criativa era essencial para capturar a intensidade emocional necessária.
Essa prática também refletia a confiança de Welles em seu elenco, que incluía nomes renomados como Charlton Heston, Janet Leigh e o próprio Welles. Os ensaios permitiram que os atores se apropriassem de seus papéis, trazendo uma profundidade adicional às interações e reforçando a complexidade dos personagens e de seus dilemas morais.
Temas e Personagens
O Capitão Quinlan é um dos vilões mais complexos do cinema. Sua corrupção é motivada não apenas por ganância ou poder, mas por uma convicção quase messiânica de que seus fins justificam os meios. Miguel Vargas, por outro lado, representa a justiça idealista, mas é constantemente testado pela hipocrisia e pelos preconceitos do mundo à sua volta.
O filme também aborda questões de xenofobia e tensões culturais na fronteira, destacando o tratamento dispensado a Vargas e sua esposa. A vulnerabilidade de Susie em um ambiente hostil reflete as dificuldades enfrentadas por aqueles que se tornam peças em um jogo de poder que está além de seu controle.
A Maquiagem e Transformação de Orson Welles
A maquiagem de Orson Welles no papel do Capitão Quinlan é um elemento marcante e deliberado na composição do personagem. Para acentuar a decadência física e moral de Quinlan, Welles utilizou próteses faciais e corporais que o fizeram parecer mais corpulento e envelhecido. Sua aparência inchada e desleixada reflete simbolicamente a corrupção interna do personagem, tornando sua presença física tão perturbadora quanto suas ações.
As próteses adicionaram peso ao rosto e ao corpo de Welles, criando um visual grotesco que enfatiza o estado de degradação do personagem. A maquiagem, aliada à iluminação noir do filme, realça os detalhes de suas expressões e intensifica a aura intimidante de Quinlan. Esse trabalho de caracterização não só ajudou a construir um dos vilões mais memoráveis do cinema, mas também exemplifica a atenção meticulosa de Welles aos detalhes visuais.
A Versão Restaurada de 1998
A versão restaurada de Touch of Evil, lançada em 1998, é um marco na preservação cinematográfica e no respeito à visão autoral. Após o lançamento original de 1958, o estúdio reeditou o filme sem o consentimento de Orson Welles, cortando cenas e alterando a estrutura narrativa. Essas mudanças comprometeram o impacto artístico da obra, levando ao seu reconhecimento tardio como um clássico.
A restauração de 1998 foi baseada em um memorando detalhado escrito por Welles, no qual ele descrevia como desejava que o filme fosse montado. Esse documento, descoberto anos depois, serviu como guia para os restauradores Walter Murch, Rick Schmidlin e Jonathan Rosenbaum, que buscaram recriar a experiência planejada pelo diretor. As alterações incluíram a reintegração de cenas cortadas, ajustes na trilha sonora e uma nova estrutura narrativa mais coesa.
Essa versão não apenas devolveu a integridade artística ao filme, mas também destacou a genialidade de Welles em construir uma narrativa que desafia convenções e subverte expectativas. Hoje, Touch of Evil é celebrado tanto por sua versão original quanto pela restaurada, que oferece um vislumbre mais próximo da intenção do diretor.
Legado
Apesar de ter sido recebido com receio na época de seu lançamento, Touch of Evil ganhou reconhecimento ao longo das décadas como uma obra-prima. A versão restaurada em 1998, baseada em memorandos de Welles, revelou a visão original do diretor, consolidando sua posição como um dos grandes filmes da história do cinema.
Conclusão
Touch of Evil é um estudo sombrio sobre a natureza humana, onde heróis e vilões se confundem em uma trama densa e visualmente deslumbrante. Orson Welles demonstra aqui não apenas seu talento como cineasta, mas também sua habilidade em desafiar convenções, criando um filme que continua a fascinar e provocar reflexão. Um clássico indispensável para qualquer amante do cinema.