La battaglia di Algeri (1966)
Descreve eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, entre 1954 e 1957, marco do processo histórico de libertação das colônias européias na África.
Direção de
Roteiro de
Franco Solinas...(roteiro)
Franco Solinas...(história) e
Gillo Pontecorvo...(história)
Elenco
Brahim Hadjadj...Ali La Pointe (como Brahim Haggiag)
Jean Martin...Cel. Mathieu
Yacef Saadi...Djafar (como Saadi Yacef)
Samia Kerbash...Fathia
Ugo Paletti...Capitão
Fouzia El Kader...Halima (como Fusia El Kader)
Mohamed Ben Kassen...Petit Omar (como Petit Omar)
Franco Moruzzi...Mahmoud (não creditado)
Tommaso Neri...Capitão (não creditado)
Rouiched...O Bêbado (não creditado)
Gene Wesson... (não creditado)
Produzido por
Antonio Musu
Yacef Saadi
Música de
Ennio Morricone
Gillo Pontecorvo
Direção de Fotografia:
Marcello Gatti
Montado por
Mario Morra
Mario Serandrei
Tempo de duração
2 h 1 min (121 min)
Mixagem de som
Cor
Preto e branco
Proporção
1.85 : 1
Laboratório
Istituto Nazionale Luce, Roma, Italy
Formato negativo
35 mm
Processo cinematográfico
Digital Intermediate (4K, master format, restored version)
Spherical
Formato de filme impresso
35 mm
Companhia Produtora:
Casbah
Igor Film [Itália]
Itália
31 de agosto de 1966 (Venice Film Festival)
Qual foi o orçamento de A Batalha de Argel?
$ 800.000
Quanto A Batalha de Argel arrecadou nas bilheterias mundiais?
$ 962.000
Quanto A Batalha de Argel arrecadou nas bilheterias dos EUA?
$ 880.000
Resenha do crítico de cinema Rubens Ewald Filho (1945-2019)
Não é exagero colocar A Batalha de Argel como um dos melhores filmes políticos de todos os tempos. Como o filme posterior do mesmo diretor, Queimada (1969) , ele é de uma extrema clareza e objetividade, engajado certamente. Mas nem por isso, panfletário ou simplório. Realizado em 1965, esteve durante anos proibido no Brasil (só foi liberado em 1982) e sua cópia foi requisitada para o Adestramento de Técnicas Anti-Guerrilhas nos Cursos da Escola Superior de Guerra. O problema com o filme é que ele é um verdadeiro manual didático das táticas de Guerrilha. Ao descrever dos argelinos contra os dominadores franceses, entre 1954 e 1957, mostra-se todo o comportamento de um grupo militante em plena ação. O extraordinário no filme de Pontecorvo é que embora veja com simpatia a ação dos argelinos ele não deixa de mostrar o outro lado com isenção.
Pela primeira vez, os militares não aparecem caricaturados, o Coronel Mathieu, chefe dos pára-quedistas é um homem inteligente, sóbrio, consciente e até com certo humor (como na observação que faz sobre Sartre, dizendo que não gosta de de tê-lo no lado oposto).
Se o filme mostra como age a guerrilha ele também é muito preciso ao descrever como age as forças anti-guerrilhas. É igualmente didático ao mostrar a Teoria das Pirâmides, a comparação do movimento à uma tênia (se não eliminar a cabeça voltará a germinar) e a técnica do interrogatório em massa, selecionando e torturando as pessoas ao acaso, até encontrar suspeitos e chegar até as cabeças da organização clandestina.
Não é preciso ser muito esperto para perceber as semelhanças entre o Processo Argelino e a nossa falida tentativa de guerrilha urbana. Aliás o próprio filme se encarrega de explicar as razões do fracasso da guerrilha no Brasil, afirmando que ela teria de ser apenas uma primeira fase, que teria de ser seguida pela revolução do próprio povo. E o líder rebelde diz com muita segurança: “Se é difícil começar uma revolução, as verdadeiras dificuldades só surgem quando ela sai vitoriosa” .
Um letreiro no começo do filme previne que não há cenas extraídas de documentários. Todas as sequências que foram reconstruidas segundo o roteirista Franco Solinas rigorosamente autênticas, pontilhadas por comunicados oficiais das Forças de Libertação e dos próprios militares encarregados da Repressão ( numa situação difícil respondem as criticas contra o uso de tortura, afirmando “ vocês não querem que a Argélia continue a ser francesa !? Pois essa é a única maneira de conservá-la”).
Em todo o numeroso elenco, há apenas um ator profissional, Jean Martin, que faz o Coronel e o líder Kadar é interpretado por um autêntico líder da Força de Libertação Yacef Saadi ( também co-produtor do filme). Nem por isso, a interpretação deixa de ser homogênea e convincente. A verossimilhança das sequencias que para os desavisados poderia um cine-jornal é uma mistura de cinema-verdade com as melhores tradições do Neo-Realismo.
Todo o filme tem um incrível ar de autenticidade, de um processo histórico inexorável, que Pontecorvo pontua com música (dele e de Ennio Morricone), às vezes em tom quase religioso( como nas torturas e na morte de Ali La Pointe ). É evidente que toda concepção do filme é marxista e tem conotações óbvias com os problemas em todos os países que tem conflitos revolucionários. Mas é um filme realizado com maestria, que conclui sua história com uma imagem inesquecível, o povo dançando nas ruas, emergindo finalmente em busca da liberdade.
Resenha redigida por ChatGPT (Não há nenhuma opinião minha, mas concordo com cada palavra)
Dirigido por Gillo Pontecorvo, La battaglia di Algeri é uma obra-prima do cinema político e histórico que retrata a luta pela independência da Argélia contra o domínio colonial francês na década de 1950. Filmado em preto e branco, com um estilo quase documental, o longa oferece uma visão visceral e intensa de um conflito marcado pela opressão, resistência e pela complexidade das relações humanas. O filme é amplamente reconhecido como uma das representações mais impactantes de um movimento de libertação nacional, oferecendo uma análise profunda das dinâmicas sociais e políticas que moldaram essa luta.
Enredo e Contexto Histórico
O filme se concentra na batalha pela cidade de Argel, onde a Frente de Libertação Nacional (FLN) organizou uma insurreição contra as autoridades francesas. A narrativa alterna entre as perspectivas dos insurgentes argelinos e dos militares franceses, destacando tanto a estratégia militar quanto os dilemas éticos envolvidos. Com cenas poderosas e tensas, como os atentados em cafés frequentados por colonos franceses e os interrogatórios conduzidos pelos militares, a obra captura a brutalidade e as contradições de uma guerra de independência. Além disso, o contexto histórico é apresentado com fidelidade, situando o espectador no panorama global do pós-Segunda Guerra Mundial, quando movimentos anticoloniais emergiram com força em várias partes do mundo.
Aspectos Técnicos e Estilo
Pontecorvo utiliza uma abordagem neorrealista, com atores não profissionais e locações autênticas, o que confere ao filme uma autenticidade impressionante. A câmera na mão e os ângulos dinâmicos criam uma sensação de imersão, transportando o espectador para o coração do conflito. A escolha de utilizar a cidade de Argel como um "personagem" no filme, com suas vielas labirínticas e mercados movimentados, reforça o impacto visual e emocional da narrativa. A trilha sonora, composta por Ennio Morricone em colaboração com o diretor, reforça a tensão dramática, misturando elementos tradicionais árabes com tons marcadamente ocidentais. Esse diálogo entre sonoridades reflete, de forma simbólica, o choque de culturas presente no conflito.
Temas e Relevância
A luta pela liberdade e a opressão colonial são temas centrais, mas o filme também provoca reflexões profundas sobre moralidade, violência e as ambiguidades da guerra. Em nenhum momento, Pontecorvo romantiza a guerra; pelo contrário, ele a retrata como um processo desumanizante para ambas as partes. Os insurgentes são mostrados como heróis determinados, mas também como pessoas comuns enfrentando decisões difíceis, enquanto os militares franceses são apresentados com uma mistura de frieza estratégica e dilemas morais. O longa levanta questões que permanecem atuais, como a eficácia e os limites da resistência armada, o papel da mídia na formação da opinião pública e os impactos duradouros do colonialismo na identidade cultural e política dos povos oprimidos.
Recepção e Legado
La battaglia di Algeri foi aclamado internacionalmente, ganhando o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1966. Apesar disso, foi banido na França por vários anos devido à sua representação crítica do colonialismo francês. O filme também enfrentou censura em outros países, sendo considerado "controverso" por sua abordagem franca e honesta de temas delicados. Sua influência transcende o cinema, inspirando movimentos de libertação e sendo utilizado como material de estudo por militares e estrategistas para entender táticas de guerrilha e contrainsurgência. Acadêmicos de diversas áreas consideram o filme um documento essencial para compreender as complexidades do colonialismo e das lutas anticoloniais.
Conclusão
Mais do que um simples filme, La battaglia di Algeri é uma experiência cinematográfica transformadora que desafia o espectador a refletir sobre as consequências do imperialismo e a complexidade da luta por liberdade. Sua combinação de precisão histórica, excelência técnica e profundidade temática faz dele um marco incontestável na história do cinema mundial. Ao mesmo tempo, sua mensagem universal sobre resistência, dignidade e autodeterminação ressoa até os dias de hoje, tornando-o uma obra indispensável para aqueles que buscam compreender as lutas pela justiça e igualdade ao longo da história.