"Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem." — Paulo (Romanos 12:21)
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. Natureza: 3.1. Conceito; 3.2. Manifestações e Fenômenos Naturais; 3.3. Compreendendo a Natureza. 4. O Mal: 4.1. As Causas do Mal; 4.2. A Utilidade dos Males; 4.3. O Mal como Ausência do Bem. 5. O Bem: 5.1. Conceito; 5.2. Tempo, Automatismo e Responsabilidade; 5.3. A Natureza Pródiga em Exemplos. 6. Conclusão
1. INTRODUÇÃO
Qual é a origem e o contexto desse tema? Por que Emmanuel insiste na explicação sobre a natureza e os fenômenos naturais? O mal realmente existe ou deve ser entendido como a mera ausência do bem? Por que não devemos nos deixar vencer por ele?
2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Espírito Emmanuel, no capítulo 35 da obra Fonte Viva — intitulado "Estendamos o Bem" —, comenta a passagem de Romanos 12:21.
Paulo passou por uma transformação radical em sua vida: de perseguidor dos cristãos, tornou-se perseguido após o seu marcante episódio na estrada de Damasco. Depois de se refazer e fortalecer durante três anos no deserto, deu início à pregação do Evangelho de Jesus Cristo.
Com o tempo, passou a escrever suas famosas epístolas — cartas endereçadas às comunidades cristãs que havia fundado e a outras que solicitavam sua orientação.
Nesta Carta aos Romanos, do capítulo 1 ao 11, Paulo desenvolve a parte doutrinária, abordando o pecado e a salvação da alma. Já dos capítulos 12 ao 15, o apóstolo exorta os fiéis a porem em prática a teoria apresentada anteriormente.
Do versículo 12 ao 21 do capítulo 12, ele trata especificamente do comportamento cristão diante da hostilidade e da maldade. Para isso, Paulo cita e adapta ensinamentos de Jesus (especialmente os do Sermão do Monte) e princípios do Antigo Testamento.
Romanos 12:21 representa o ponto culminante da ética paulina de não retaliação e de amor aos inimigos, enraizada tanto no ensino de Jesus quanto na esperança escatológica de que Deus fará justiça. É a aplicação prática da justificativa pela fé: quem foi vencido pela graça de Deus passa, agora, a vencer o mal com o bem.
3. NATUREZA
3.1. CONCEITO
Natureza vem do latim natura, que significa "nascer". Embora seja um conceito amplo — envolvendo análises científicas, filosóficas e religiosas —, de forma geral, refere-se ao conjunto de tudo o que existe no mundo físico e material espontaneamente, sem depender da intervenção humana deliberada. Inclui os fenômenos naturais, que ocorrem independentemente da ação do homem.
3.2. MANIFESTAÇÕES E FENÔMENOS NATURAIS
A natureza manifesta-se por meio de diversos fenômenos, tais como terremotos, enchentes e erupções vulcânicas. Alguns desses eventos, embora sejam essencialmente naturais, podem ter a sua intensidade ou frequência agravadas pela ação humana. De qualquer modo, são realidades que existem objetivamente, cabendo-nos aprender a conviver com elas, quer queiramos, quer não.
3.3. COMPREENDENDO A NATUREZA
Em síntese, a natureza é o conjunto de todos os seres, processos, forças e fenômenos do mundo físico que existem e operam de modo autônomo, regidos por leis próprias, independentemente da vontade ou do arbítrio humano. A natureza nasce, cresce e se transforma por si mesma; já o que o ser humano fabrica pertence ao domínio do cultural e do artificial.
4. O MAL
4.1. AS CAUSAS DO MAL
Há duas espécies de males: aqueles que podemos evitar e aqueles que ocorrem independentemente da nossa vontade. Dada a limitação do nosso conhecimento, muitas vezes não conseguimos vislumbrar o conjunto da obra divina e, por isso, consideramos más e injustas certas ocorrências que, sob uma perspectiva mais ampla, revelam-se profundamente boas e justas. Um exemplo disso é o fato de nem sempre percebermos, de imediato, o bem proporcionado por uma tempestade ou chuva torrencial.
4.2. A UTILIDADE DOS MALES
Uma das principais utilidades dos males naturais e das intempéries é o incentivo à busca por meios de prevenção e proteção. Esse esforço constitui um valioso exercício para a inteligência humana e para o desenvolvimento de suas faculdades físicas e morais. Como costuma ressaltar a visão espírita, a dor atua como um aguilhão que impele o homem para a frente na jornada do progresso. Sem as dificuldades e sem a dor, dificilmente encontraríamos a motivação necessária para avançar em nosso aprimoramento espiritual.
4.3. O MAL COMO AUSÊNCIA DO BEM
Onde o bem ainda não se estabeleceu, observa-se a presença do mal — compreendido não como uma criação autônoma, mas como a imperfeição ou a ausência do próprio bem. Do mesmo modo, o simples ato de deixar de praticar o mal já representa um primeiro passo na prática do bem.
A Doutrina Espírita ensina que Deus quer apenas o bem; o mal, portanto, provém unicamente da ignorância e do livre-arbítrio imperfeito do homem. É por essa razão que Allan Kardec e os Espíritos instrutores, como Emmanuel e André Luiz, convidam-nos constantemente à prática ativa do bem e à transformação moral.
5. O BEM
5.1. CONCEITO
Em sentido amplo, o "bem" designa a conformidade entre o que uma coisa é e o que ela deve ser. Trata-se da atualização das potencialidades inscritas na própria natureza do ser, estando intimamente relacionado às ideias de perfeição e de perfectibilidade. Sob a ótica do Espiritismo, o bem é definido como tudo aquilo que está em harmonia com a Lei de Deus.
5.2. TEMPO, AUTOMATISMO E RESPONSABILIDADE
O verdadeiro progresso humano passa a se fundamentar de forma sólida a partir do momento em que passamos a valorizar a dimensão moral. No livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o Espírito André Luiz traça a trajetória do princípio inteligente ao longo de sua evolução pelos diversos reinos da natureza.
Durante as fases iniciais dessa jornada, o princípio inteligente é tutelado e conduzido pelos "Operários Espirituais". A constante repetição das experiências gera o hábito, fixando a herança biológica e os automatismos psíquicos. Ao atingir o reino hominal, a alma adquire o pensamento contínuo, a razão e o livre-arbítrio. À medida que a consciência se desenvolve, os benfeitores espirituais vão transferindo ao ser a condução do seu próprio destino. A partir daí, sob a responsabilidade do livre-arbítrio, o indivíduo passa a responder por suas escolhas, cuja finalidade última é o aprendizado e a prática do bem.
5.3. A NATUREZA PRÓDIGA EM EXEMPLOS
O Espírito Emmanuel recorda-nos de que a própria natureza é pródiga em nos oferecer lições vivas para a nossa transformação comportamental. Logo após um temporal — evento muitas vezes encarado como um "mal" devido à aparente destruição da paisagem —, novas forças da vida organizam-se para o trabalho de reconstrução:
"O Sol envia luz sobre o lamaçal, curando as chagas do chão; o vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos; o cântico das aves substitui a voz do trovão... A árvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silêncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos."
6. CONCLUSÃO
Em última análise, compreende-se que, na economia divina, todo mal encerra em si a semente ou a oportunidade para um bem maior. É natural que nem sempre estejamos capacitados a perceber essa finalidade imediata, dada a limitação do nosso entendimento frente às soberanas Leis de Deus. Contudo, a nossa confiança na Providência Divina e no amparo dos Bons Espíritos deve sobressair-se à nossa percepção ainda imperfeita da realidade.
São Paulo, agosto de 2025.