“Linguagem sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.” — Paulo. (Tito, 2:8.)
SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Considerações Iniciais. 3. Palavra: 3.1. Conceituando; 3.2. Argumentação; 3.3. Transmissão do Conhecimento. 4. Enigmas de Cada Um: 4.1. Necessidade; 4.2. Problema: 4.3. Dor. 5. Linguagem: 5.1. Expressão; 5.2. Maneira; 5.3. Voz. 6. Conclusão
1. INTRODUÇÃO
Como estamos nos expressando? Nossa voz acrescenta ou diminui algo sobre quem somos? Qual é a impressão dos outros ao se conectarem conosco? Como está a nossa linguagem? Será que a nossa fala tem sido sã e irrepreensível?
2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Paulo de Tarso foi aquele seguidor de Cristo que, uma vez convertido, nunca mais se desviou do Mestre Jesus.
O contexto é o de organização e disciplina de uma igreja jovem e problemática em Creta, no final do ministério de Paulo.
Em Tito 2:1-10, o apóstolo trata dos ensinamentos para diversas classes de pessoas. Logo no primeiro versículo, orienta: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina”. Mais adiante, dirige-se aos idosos, às mulheres e exorta os jovens a serem moderados. No versículo 8, destaca: “Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós.”
É sobre isso que iremos tratar.
3. PALAVRA
3.1. CONCEITUANDO
Palavra — do grego parabolé, pelo latim parabola — é um termo que surgiu no século XI por contração da palavra parábola (comparação). Com o passar do tempo, passou a designar o ato de falar, o vocábulo e também o compromisso de honra ("dar a palavra").
O Espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, apresenta a trajetória da linguagem — sempre amparada pelos Sábios Tutores —, mostrando sua evolução desde os primeiros grunhidos dos primórdios humanos até a fala racional dos dias atuais.
3.2. ARGUMENTAÇÃO
A palavra serve para que o ser humano aprenda a argumentar — ou seja, a questionar aquilo que parece óbvio e corriqueiro, aprofundando o diálogo na constante busca pela verdade.
Observe a maiêutica socrática: por meio de perguntas, Sócrates buscava extrair verdades implícitas dos fatos sem, contudo, impor uma verdade absoluta. A verdade, afinal, precisa estar sempre em construção.
3.3. TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO
A palavra — escrita ou falada — serve para a transmissão do conhecimento entre as pessoas. Nesse processo, há sempre um emissor e um receptor. Para que a comunicação seja eficaz, convém que o emissor evite ruídos, impedindo que a mensagem chegue de forma truncada ao receptor.
Observe, como exemplo, o termo evangelho: oriundo do grego euangelion, significa "boa-nova" ou "boa notícia" — referindo-se, sobretudo, aos ensinamentos e às mensagens trazidos por Jesus Cristo.
4. ENIGMAS DE CADA UM
4.1. NECESSIDADE
O que é uma necessidade? É a consciência de que nos falta algo. Por que procuramos um Centro Espírita? Muitas vezes, porque já passamos por diversas religiões e ainda assim não conseguíamos compreender a causa do nosso sofrimento. A necessidade possui uma dinâmica interessante: manifesta-se primeiro nas demandas mais rudimentares, como comer e beber, para depois ascender às esferas intelectual, moral e espiritual. Nesse estágio, o esforço em vencer vícios e imperfeições posiciona-nos em uma dimensão evolutiva mais elevada.
4.2. PROBLEMA
Dessas necessidades não compreendidas ou mal conduzidas nascem os nossos desafios. Todos nós, quando encarnados, temos problemas para resolver. Para isso, reencarnamos em determinada família com o objetivo de aparar arestas oriundas de outras vidas e corrigir defeitos de relacionamento. Cabe-nos enfrentá-los, pois, quando adiamos a solução, o problema — antes pequeno — vai se agigantando. É um processo semelhante ao de quem se envereda por um vício: a pessoa passa a precisar de doses cada vez maiores da substância para se manter.
4.3. DOR
A dor, por sua vez, é teleológica: carrega em si uma finalidade e um destino. É ela que nos alerta sobre o surgimento de alguma anomalia no corpo físico ou na alma. Além do aspecto orgânico, convém salientar a dor espiritual — referente ao nosso estado mental —, pois o Espiritismo esclarece que muitos dos nossos sofrimentos têm suas causas em encarnações passadas. Enquanto alguns indivíduos se sublimam por meio do sofrimento — a exemplo de Jesus, Sócrates e os primeiros cristãos —, outros, porém, revoltam-se contra Deus.
5. LINGUAGEM
5.1. EXPRESSÃO
A expressão manifesta-se por meio de tudo o que transmitimos aos outros. No caso de um expositor do Evangelho, a mensagem deve ser proferida de modo a afastar o medo de quem o ouve. Cabe-lhe empregar palavras de ânimo e coragem, evitando abordagens que desanimem o ouvinte a ponto de afastá-lo do convívio fraterno. A verdadeira expressão da palavra evangélica exige a união perfeita entre o cérebro e o coração — a razão e o sentimento.
5.2. MANEIRA
O modo como falamos conta muito. Uma palavra áspera e dita fora de hora pode machucar profundamente o nosso próximo. Sempre que possível, devemos usar termos acessíveis a fim de que o outro nos compreenda, ainda que o nosso conhecimento seja o de um especialista no assunto. O importante não é o orador, mas a mensagem transmitida — e que esta atinja plenamente a mente e o coração do ouvinte.
5.3. VOZ
Nossa voz conta muito na linguagem. Para ser compreensível, a palavra sã não pode vir acompanhada de um tom violento, rude e cheio de idiossincrasias. Por qual razão um mesmo pensamento, dito por pessoas diferentes, toca fundo o coração em um caso e passa despercebido no outro? O importante é educarmos sempre a nossa voz para que ela se coloque, cada vez mais, a serviço dos Bons Espíritos.
6. CONCLUSÃO
Que a nossa linguagem não seja nem branda ou doce em excesso, nem tampouco rude demais. Saber dosar o tom, o timbre e manter o equilíbrio — elementos que conduzem à verdadeira moderação — é o que realmente importa no final.
Fonte de Consulta
Fonte Viva, lição 43 — "Linguagem", pelo Espírito Emmanuel e psicografia de Chico Xavier.