Renda Fixa Semanal - Setembro / 2010

postado em 14 de set de 2010 09:48 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

BRADESCO BBI Fixed Income Research

 

Renda Fixa Semanal

 

Renda Fixa Macro-Overview

 

A ameaça de deflação continua dominando o debate econômico mundo afora. Alguns mercados ainda parecem discordar dessa ideia: as bolsas de valores, principalmente nos países desenvolvidos, não precificam índices de inflação em queda no futuro e os preços das commodities recuperaram-se das quedas registradas entre maio e junho. No entanto, os mercados de juros norte-americanos (treasuries) são mais contundentes: apesar de terem parado de cair nas últimas semanas, as taxas dos títulos públicos continuam em níveis extremamente baixos (títulos de 10 anos com yield de 2,8%). Aqui no Brasil, o Copom alinhou-se aos mercados de treasuries e finalmente incorporou a ideia de que a economia mundial trará contribuição desinflacionaria para o Brasil. Essa foi, aliás, uma das mais marcantes passagens da ata da última reunião da autoridade monetária. Após meses e meses atestando serem ambíguos os impactos de uma eventual desaceleração econômica global, dessa vez o documento trouxe explícita a avaliação de que a recuperação menos intensa dos países mais afetados pela crise contribuirá para um menor índice de inflação no Brasil. Nós concordamos com esse julgamento. E, ademais, esperamos o uso menos intenso dos bancos oficiais no fomento ao crescimento econômico de curto prazo. E, por isso, não achamos que a Selic será elevada até o final do ano que vem. O aumento dos gastos públicos ainda não parece inviabilizar esse cenário. Apesar de a transparência do arcabouço fiscal ter sido reduzida, devemos lembrar que a queda dos juros abriu espaço para mais gastos primários. A responsabilidade fiscal não está comprometida.

 

Denis Blumdenis@bradescobbi.com.br

 

Análise Setorial e Corporativa

 

DASA: Recente incorporação da MD1 acelera o processo de crescimento da Companhia e de consolidação do setor de laboratórios. Esse foi um importante movimento estratégico tendo em vista o ambiente econômico brasileiro favorável com aumento da população empregada. Apesar da perspectiva de aumento da alavancagem financeira com essa incorporação, acreditamos que a capacidade de pagamento da Companhia não será prejudicada considerando a baixa alavancagem financeira atual. Apesar do atípico 2T10 em razão do evento “Copa do Mundo”, a DASA apresentou aumento da receita líquida e do Ebitda no período, reduzindo concomitantemente a alavancagem financeira que já era favorável. No entanto, o grande movimento estratégico mais recente foi a incorporação da companhia MD1, elevando o número de unidades de atendimento e acelerando o processo de crescimento.

 

Com a incorporação da MD1, a DASA retoma o processo de crescimento por meio de aquisições. Essa operação permitirá à DASA aumentar substancialmente a participação no estado do Rio de Janeiro com sinergias estimadas em R$ 120,0 milhões, e a Companhia deverá elevar a alavancagem financeira, porém sem impactar a percepção de risco de crédito.

 

O crescimento gradativo do número de atendimentos da DASA desde a crise de liquidez global (após o período de intensas aquisições), com evolução satisfatória dos resultados a cada trimestre e alavancagem controlada, reforça o nosso entendimento de que não há riscos consideráveis de crédito associados à Companhia. A margem EBITDA nos últimos trimestres vem mostrando melhora significativa e pode ser atribuída ao foco que a DASA está dando para a gestão do portfólio de unidades e também para as negociações com os fornecedores.

 

Em relação ao endividamento oneroso, conforme comentado no relatório, não vemos preocupações mesmo após a recente transação realizada. A dívida líquida da DASA era de R$ 437,5 milhões, o que se refletia em um indicador dívida líquida/EBITDA de 1,2x. A posição de caixa era de R$224,4 milhões. Se considerarmos a incorporação, o indicador atingirá 1,5x, com uma alavancagem financeira ainda confortável.

 

A execução acertada da estratégia de aquisição, a captação das sinergias nos investimentos realizados nos últimos anos, o aumento da rentabilidade e a mitigação dos riscos com a baixa alavancagem da DASA vêm se refletindo na queda do yield dos Bonds da Companhia .

 

Entendemos também que embora a DASA eleve o nível de alavancagem com a transação recém anunciada, ou com outras aquisições potenciais, acreditamos que a Companhia manterá os bons fundamentos dadas as perspectivas favoráveis para o seu mercado de atuação e sua estratégia de crescimento. .

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