[Infomoney] IPO: conheça os riscos e dicas para participar de uma oferta inicial

postado em 10 de fev de 2011 08:01 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado
IPO: conheça os riscos e dicas para participar de uma oferta inicial

Por: Equipe InfoMoney
02/02/11 - 18h39
InfoMoney

SÃO PAULO – Possibilidade de obter bons lucros em pouco tempo (às vezes, em poucas horas), oportunidade de investir em uma empresa nova, que está captando recursos e deve reinvesti-los em breve. Esses são apenas alguns dos motivos que levam o pequeno investidor a participar de um IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês).

Entretanto, especialistas do mercado ressaltam que antes de comprar papéis que estão estreando na BM&FBovespa , o investidor deve fazer uma boa análise da empresa e ter, principalmente, muita cautela.

Para o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, um dos principais riscos que envolvem o IPO é o fato do investidor não conhecer o histórico daquela companhia no mercado, já que ainda não há relatórios e balanços disponíveis para análise.

Empolgação
O assessor de investimento da corretora Souza Barros, Luis Roberto Monteiro, concorda. “Como não tem nenhum dado para fazer uma análise fundamentada, o pequeno investidor geralmente vai no 'oba oba' e na empolgação, o que é um risco”, aponta.

Segundo Zeno, é muito difícil saber qual será a trajetória do preço da ação nos primeiros dias de negociação, mas a forte procura pelos papéis no momento da reserva pode indicar uma alta inicial. “Quanto maior a demanda, maior a chance de valorização da ação, porque muitos investidores que não conseguiram reservar o valor pretendido vão tentar comprar no primeiro dia, causando valorização do papel”, afirma.

Mesmo assim, ele ressalta que não há nenhuma garantia de que aquele papel irá subir e o mais importante é que o investidor conheça bem a empresa e suas características. “É fundamental ler bem o prospecto [divulgado pela companhia no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)] e ficar atento a alguns detalhes, como o preço fixado do papel para início das negociações, a demanda e o valor máximo disponível para reserva”, diz Zeno.

O especialista do Moneyfit, André Massaro, tem a mesma opinião. Segundo ele, a ação estreante na bolsa tem as mesmas chances de subir ou cair do que os outros papéis que já estão no mercado. Por isso, o mais importante é que o investidor conheça a empresa antes de optar por reservar ações e leia atentamente o prospecto.

Ganho certo?
Segundo Massaro, o primeiro mito que deve ser desfeito é de que o IPO é uma forma de ganho certo para o investidor que participa da reserva. “Os pequenos investidores, principalmente os mais inexperientes, costumam achar que vão embolsar um enorme lucro, o que é muito errado”, diz.

Outra dica do profissional é que o investidor não trate o IPO de forma diferente de seus outros investimentos, para evitar um erro de estratégia e um possível tropeço. “Você tem que ser fiel a sua forma de investir. Não importa qual seja a sua política de exposição ao risco, você deve segui-la também quando for participar de uma oferta inicial”, afirma.

Assim, segundo Massaro, o investidor evita se deixar levar pela empolgação do mercado e pelos comentários de amigos e conhecidos que não são especialistas no assunto.

Sucesso
O publicitário e músico Teteu Savioli se deu bem na primeira vez que entrou em uma oferta inicial, em 2009. “Fiquei sabendo 10 dias antes que a Visanet ia abrir capital. Resolvi reservar e vendi no dia seguinte, com um lucro de cerca de 15%”, diz.

Entretanto, apesar da boa performance inicial, ele não participou mais de nenhuma oferta. “Não tinha tantos recursos para entrar nos IPOs”, afirma.

Já o analista de sistemas Vicente Tavares de Souza participou, no ano passado, de uma oferta de ações do Banco do Brasil. Apesar da empresa já ter ações no mercado, ela também pode ofertar mais papéis na Bolsa de Valores, o que é chamado de “follow-on”.

“Neste caso foi diferente, pois eu já conhecia o histórico das ações e sabia da solidez da empresa”, diz Souza, que também é funcionário do banco.

Já das ofertas iniciais, o analista ainda prefere não participar. “Ainda não me sinto preparado para entrar em um IPO, pois seria necessário ter mais tempo para analisar a empresa. Por enquanto, prefiro investir em companhias que já conheço”, afirma.

Como já dito anteriormente, nem só de ganhos vivem os investidores que se arriscam neste tipo de oferta. No ano passado, por exemplo, das onze empresas que estrearam na BM&FBovespa, apenas três viram suas ações valorizarem no primeiro dia, enquanto cinco tiveram queda e outras três ficaram estáveis.

Veja tabela:

Empresas que estrearam em 2010
Empresa Data Oscilação no 1º dia

Droga Raia

20/12      8,75%
Brasil Insurance 01/11      27,41%

HRT Petróleo

25/10     -2,75%
Renova Energia 13/07      estável

Julio Simões

22/04      estável

Mills

16/04      1,22%

Ecorodovias

01/04      estável

OSX

22/03     -12,5%

BR Proprierties

08/03     -2,31%

Multiplus

05/02     -0,94%

Aliansce

29/01     -2,56%
Fonte: BM&FBovespa

Especulação
Aqueles que reservam ações com o objetivo de especular no primeiro dia e ganhar com a valorização do papel são conhecidos como “flippers”. Entretanto, os especialistas afirmam que essa é uma prática muito arriscada, que requer conhecimento e consciência de que o prejuízo pode ser grande.

 “Não aconselho o pequeno investidor a 'flipar'. A não ser que ele tenha alguma assessoria especializada auxiliando”, afirma Zeno.

 Além disso, a própria CVM impõe restrições àqueles que fazem transações com os papéis no mesmo dia do início das negociações e os impede de participar de outras aberturas de capital.

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