Com recuperação lenta, PIB norte-americano deve mostrar expansão de 1,6%

postado em 30 de set de 2010 10:30 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

Com recuperação lenta, PIB norte-americano deve mostrar expansão de 1,6%

29/09/2010 - Yahoo! Notícias

Apesar de terem mostrado leve melhora nas últimas semanas de setembro, os indicadores norte-americanos, em especial no setor imobiliário, ainda não trouxeram entusiasmo ao mercado. O sentimento deve se refletir no resultado final do PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre que será divulgado nesta quinta-feira (30), para o qual a perspectiva é estável.


O lento desempenho do mercado de trabalho, com baixo nível de novos empregos no setor privado e a renda estagnada dos trabalhadores, deve manter a confiança do consumidor pequena. Assim, o poder de compra das famílias, componente que responde por 70% do PIB, tende a continuar limitado.

Enquanto isso, o setor imobiliário também vacila. Mesmo com a redução dos custos de empréstimos, os baixos preços dos imóveis e as altas taxas de desemprego impedem uma retomada da demanda imobiliária. Desta forma, para o Santander, o PIB deve refletir um "crescimento aquém do potencial" na economia norte-americana, já amplamente comprovado por indicadores.

Revisão do PIB
A revisão do PIB da maior economia global deve trazer poucas surpresas em relação às prévias anteriores. A recuperação da economia do país parece seguir em menor escala do que anteriormente previsto. A segunda prévia do PIB ficou em 1,6% na taxa anualizada, abaixo da estimativa inicial, de 2,4%.

Segundo o consenso de mercado divulgado pelo site Briefing.com, o resultado final deve permanecer em 1,6%. Já o banco JP Morgan projeta um avanço de 0,1 ponto percentual em relação à última prévia, levando o PIB norte-americano para 1,7% no segundo trimestre. Os analistas Michael Feroli e Daniel Silver explicam, por meio de relatório, que o número tende a seguir a leve revisão para cima da balança comercial de junho, enquanto o aumento dos estoques para o varejo e atacado devem contribuir com somente 0,2%.

A equipe do JP Morgan ressalta que espera revisões para baixo em investimentos na construção civil, o que poderia ofuscar parcialmente os bons números da balança comercial e do varejo.

Um segundo trimestre de pessimismo
Durante o segundo trimestre, estatísticas abaixo do esperado sobre a atividade industrial e a inflação inspiraram cautela. Somando-se a este cenário, em sua última reunião, o Fomc manteve a visão de que a recuperação econômica desacelerou nos últimos meses, o que o levou a prolongar as compras de títulos no mercado.

O Comitê se disse preparado para prover estímulos adicionais para sustentar a recuperação econômica, embora tenha mostrado preocupação com os preços ao consumidor abaixo do esperado. Em relatório, o banco Schahin avalia que as declarações deixam claro “o desconforto da autoridade monetária com a debilidade da economia e, principalmente, com o risco de uma deflação, que poderia causar estragos ainda maiores à frágil recuperação do país”.

Recessão já passou, mas recuperação é fraca
Para a LCA Consultoria, as declarações do Federal Reserve despertaram temores de que os Estados Unidos repitam a trajetória de estagnação da economia japonesa na década de 1980. A consultoria, porém, acredita que o risco de um processo de estagnação deflacionária é pequeno. O risco de uma recuperação em W (ou double dip) parece guardar probabilidade maior.

No entanto, não é nem mesmo este cenário que a LCA caracteriza como mais provável, apesar do ritmo de expansão econômica inferior ao potencial. Assim, a consultoria mantém “probabilidade largamente preponderante (80%) a um cenário de consolidação da recuperação dos Estados Unidos”.

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