[InfoMoney] Apetite global por ações atinge maior nível em três anos e meio, diz BofA

postado em 18 de jan de 2011 19:05 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

Apetite global por ações atinge maior nível em três anos e meio, diz BofA

Ter, 18 Jan, 08h57

SÃO PAULO - O maior otimismo em relação à economia ajudou a guiar o apetite do investidor aos mercados de ações globais para seu maior nível em três anos e meio, revelou o Bank of America Merrill Lynch nesta terça-feira (18), em sua pesquisa com gestores de fundos de janeiro.

Segundo os dados fornecidos pelo banco, foram consultados 199 gestores de fundos entre os dias 7 e 13 de janeiro, os quais administram um total de US$ 562 bilhões. Destes, 55% disseram apostar em uma performance acima da média para as ações globais, a maior taxa desde julho de 2007. "Isso representa um aumento significativo em relação a dezembro, quando 40% dos gestores consultados estava overweight com os ativos", destacou o BofA.

Por outro lado, as perspectivas em relação aos títulos públicos sofreram contração na passagem entre dezembro e janeiro. Uma parcela de 54% dos gestores ouvidos pelo BofA neste mês se mostrou underweight - com expectativa de desempenho abaixo da média - em relação aos bonds, revelando um avanço na comparação com a taxa de 47% vista um mês antes.

"Por trás deste avanço está a crescente confiança na economia global e nos lucros corporativos", avaliou o BofA. "Um total de 55% dos investidores espera que a economia mundial ficará mais forte em 2011, com 39% deles prevendo que haverá crescimento 'acima da média' nos próximos 12 meses", completou. Segundo o banco, esta foi a maior leitura desde que esta indagação foi inserida na pesquisa, em fevereiro de 2008.

Além disso, o estudo do BofA apontou ainda para um crescimento expressivo na confiança dos gestores de fundos em relação aos ganhos das empresas. Ao todo, 57% dos consultados vê alta de pelo menos 10% nos lucros corporativos ao final deste ano, enquanto que em dezembro do ano passado esta taxa fora de 45%.

Inflação maior?
Em 2011, a tendência dos preços deverá ser de alta nos mercados internacionais. Esta é a percepção de 72% dos gestores ouvidos pelo BofA em janeiro, demonstrando um forte aumento frente ao percentual de 48% visto um mês antes. Apesar disso, a maior inflação não parece ser uma ameaça, uma vez que 42% dos gestores acreditam que a política monetária é "muito estimulante".

"A combinação entre crescimento do otimismo e uma visão benigna em relação à maior inflação proporciona um case potente para o investimento em ações", disse Gary Baker, líder do BofA para mercados acionários na Europa. "Os investidores acreditam que o alívio monetário está funcionando; na ausência tanto de um aperto monetário quanto de indicadores mais fracos, o entusiasmo com as ações parece ser contagioso", avaliou, por sua vez, o estrategista-chefe do BofA Michael Hartnett.

Estados Unidos, Emergentes e Europa
Na cena norte-americana, o maior otimismo com o mercado de ações "se firmou significativamente neste mês", segundo o BofA. Foram ouvidos 169 gestores de fundos para a pesquisa regional, os quais administram um total de US$ 412 bilhões. Destes, 27% se disseram overweight em relação às ações de companhias dos EUA, maior nível desde novembro de 2008, ultrapassando assim a taxa de 16% vista em dezembro. Além disso, 43% dos gestores consultados disseram que esperam por uma apreciação do dólar norte-americano frente às divisas japonesa e europeia.

Em contrapartida, apesar de permanecer em um patamar elevado, as boas perspectivas em relação aos mercados emergentes voltaram a registrar queda na passagem entre dezembro e janeiro. Ao todo, 43% dos gestores ouvidos pelo BofA disseram estar overweight com os emergentes, enquanto que um mês antes esta taxa era de 56%.

"Esta leitura menor vem ao passo que as projeções para a economia da China declinaram. Uma parcela de 19% dos gestores que responderam à pesquisa regional disse que a economia da China vai enfraquecer neste ano", avaliou o BofA.

Enquanto isso, o otimismo não faltou em relação à economia europeia. A despeito da crise fiscal instaurada em grande parte das economias da região, 44% dos gestores acreditam no fortalecimento da economia do Velho Continente neste ano. A taxa representa uma forte variação positiva frente aos 26% vistos em dezembro.

"Um crescente número de gestores acredita que as companhias da Europa deverão entregar resultados melhores em 2011. Este otimismo se dá em linha com a baixa vista nas preocupações com os débitos soberanos da Zona do Euro em relação ao elevado patamar observado um mês antes", completou o BofA.

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