[Folha] Captação em redes sociais banca empreendedorismo

postado em 20 de dez de 2010 03:31 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

Projetos são custeados com recursos de milhares de pessoas pela internet. Site norte-americano Kickstarter já captou US$ 25 milhões de300 mil pessoas para financiar 4 mil projetos

Uma pessoa tem um projeto criativo ou empreendedor, mas não tem recursos para bancá-lo. Então, usa o poder das redes sociais para convencer outras pessoas a financiarem sua ideia. Esse é o "crowdfunding", nova forma de captar recursos em tempos de Facebook.

"Eu acho que tanto em aspectos sociais quanto econômicos, o "crowdfunding" vai ser uma das maiores tendências da nossa sociedade", afirma Kevin Lawton, empresário e coautor do livro "The Crowdfunding Revolution" (Revolução do Crowdfunding, sem versão brasileira).
De acordo com Lawton, já existem mais de 175 plataformas no mundo em que é possível doar recursos ou hospedar projetos.
A mais conhecida é o Kickstarter, criado em 2009. De acordo com informações do site, cerca de US$ 25 milhões (R$ 42,7 milhões), financiados por mais de 300 mil pessoas, já custearam 4.000 projetos. Outro destaque é o IndieGoGo, fundado em 2008. Mais de 13 mil projetos de 135 países já levantaram milhões de dólares na plataforma, segundo Erica Labovitz, diretora de marketing.
No Brasil, existem sites no estilo "vaquinha", que são usados principalmente por amigos que querem juntar dinheiro para um presente.
Porém, está prevista a estreia de uma plataforma baseada no Kickstarter ainda neste ano, chamada Catarse.
Segundo Diego Reeberg, um dos idealizadores, a ideia é criar uma versão nacional, já que o Kickstarter dificulta a entrada de projetos brasileiros por exigir conta em um banco norte-americano.

ENVOLVIMENTO
Para Lawton, esse modelo de financiamento é revolucionário porque agora, além de usar as redes para relacionamento, "navegaremos em busca de projetos aos quais nos sintamos emocionalmente vinculados".
Foi apostando nisso que um grupo de cinco amigos brasileiros tentou algo inédito no Brasil até então.
Frustrados com o fato de que várias bandas internacionais "pulavam" o Rio de Janeiro na hora de se apresentar, eles conseguiram trazer em setembro, usando pequenos patrocínios, o grupo sueco de rock Miike Snow para tocar na cidade. Precisavam de cerca de R$ 20 mil para bancar o cachê da banda e as despesas. Segundo Bruno Natal, um dos envolvidos, o grupo criou um site na internet e conseguiu 60 pessoas que doaram R$ 200 cada uma. Com o apoio adicional de algumas empresas e 850 ingressos vendidos, conseguiram não só viabilizar o evento como devolver o dinheiro a quem o tinha financiado. Depois disso, o grupo ainda organizou, em novembro, o show da banda Belle and Sebastian, ao custo de R$ 56 mil. Para janeiro, custearam, pelo mesmo valor, o show dos irlandeses do Two Door Cinema Club.

GRAZIELLE SCHNEIDER COLABORAÇÃO PARA A FOLHA (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2012201002.htm)

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