BRICs continuarão crescendo acima da média mundial

postado em 4 de out de 2010 04:10 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

BRICs continuarão crescendo acima da média mundial, sustentando expectativa favorável para a atratividade dos investimentos nos próximosanos

A emergência dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – alcançada nos últimos anos levou o grupo para um novo status, principalmente quando se pensa no potencial consumidor deles para a próxima década, que ainda será marcada pelo crescimento mais moderado das economias mais avançadas. Nos últimos dez anos, as quatro economias contribuíram com mais de um terço para o crescimento do PIB mundial e respondem hoje por quase um quarto do PIB do mundo, em termos PPP. Para este ano, acreditamos que os BRICs crescerão 8,8% ante uma taxa esperada de 4,4% para o mundo. Da mesma forma, para 2011, acreditamos que o grupo continuará se expandindo acima da média mundial, com altas respectivas de 7,5% e 3,9%.

Este forte crescimento do grupo acumulado no passado recente se apoiou em diversos fatores, com destaque para a ampliação do mercado doméstico, a inserção no mercado internacional com crescimento da participação do comércio com outros países, o desenvolvimento de infraestrutura e o aprimoramento do arcabouço macroeconômico e institucional. Contudo, por mais que tentemos agrupar as economias, identificamos muitas diferenças, especialmente em relação às instituições e à estrutura da economia. Ainda assim, os quatro países têm em comum uma dimensão territorial expressiva e um potencial imenso de expansão e amadurecimento do mercado consumidor de bens manufaturados, serviços, commodities, o que explica o tamanho interesse pelo grupo quando se pensa em atratividade e oportunidades de investimentos.

Apesar das desigualdades de renda e da baixa qualidade da educação, avanços sociais retratados pela PNAD indicam perspectivas de crescimento sustentado nos próximos anos

O forte crescimento da economia brasileira verificado nos últimos anos foi acompanhado por avanços sociais significativos, com ampliação notável da mobilidade social. Essas condições, por sua vez, foram acompanhadas por ganhos expressivos de renda no período, ampliando e diversificando o consumo doméstico, principalmente de bens duráveis. A despeito dessas melhoras, algumas fragilidades permanecem atingindo as famílias brasileiras, com destaque para o acesso a alguns serviços básicos de infraestrutura, bem como para a desigualdade de renda entre as regiões – que tem se reduzido, mas com a persistência da renda nas regiões Norte e Nordeste em níveis muito inferiores ao restante do País. Diante disso, reforçamos nossa leitura muito positiva para a expansão da demanda das famílias nos próximos anos e, levando em conta as deficiências no campo de infraestrutura, a ampliação dos investimentos deverá se manter como imperativa.

Não menos importante, a melhora na oferta e na qualidade dos serviços educacionais deve ser encarada como um desafio para os próximos anos no Brasil, ainda mais quando confrontamos a evolução da qualidade da mão-de-obra com a expansão muito forte dos salários, que têm sustentado preocupações do empresariado relevantes com os custos produtivos e que deverão se reverter em ganhos de produtividade mais expressivos daqui para frente.

Notamos a expressiva evolução da renda média mensal real proveniente de todas as fontes, das pessoas maiores de 10 anos entre 2004 e 2009, conforme retratado pela PNAD. A despeito da expansão disseminada pelo País, a desigualdade regional de renda persiste significativa, com o Nordeste apresentando renda mensal média inferior às demais regiões, (R$ 477, ante R$ 901 do Sul). Entretanto, esta desigualdade foi reduzida entre 2003 e 2009, já que a maior variação da renda entre as grandes regiões foi observada no Nordeste (35,1%), relacionada aos programas de transferência de renda e ao aumento real do salário mínimo (e das remunerações a ele relacionadas). A renda média real do Brasil passou de R$ 599 a R$ 749 entre 2003 e 2009 (variação de 24,4%), um aumento relacionado à redução da desigualdade interpessoal da renda.

Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO

Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

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