Relatório Focus: expectativas para a inflação mostraram poucos ajustes nesta semana (27/09/2010)

postado em 27 de set de 2010 05:45 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado


As projeções de mercado para as principais variáveis macroeconômicas apresentaram discretos ajustes em relação à semana anterior, na direção de uma inflação levemente mais pressionada no curto prazo, segundo o Relatório Focus, divulgado há pouco pelo Banco Central, referente à semana até 24 de setembro. Em linha com a aceleração dos índices de inflação verificada nas últimas semanas, a expectativa para o IPCA de 2010 passou de 5,01% para 5,05%, enquanto que, para 2011, registrou ajuste para baixo de 4,95% para 4,94%. Já a expectativa para o PIB de 2010 mostrou pequena elevação, ao passar de 7,47% para 7,53%, enquanto que, para 2011, permaneceu em 4,5%. Para a taxa de câmbio de final de período, verificamos manutenção das expectativas para 2010 e 2011, em R$/US$ 1,75 e R$/US$ 1,80, nesta ordem. Por fim, novamente, as expectativas para a meta da taxa Selic ao final de 2010 e 2011 ficaram inalteradas em 10,75% e 11,75%, respectivamente.

Destaques semanais: divulgações do IGP-M de setembro, do Relatório Trimestral de Inflação do BC e da Pesquisa Industrial Mensal de agosto recebem destaque na agenda doméstica; ISM do setor manufatureiro nos EUA e índice PMI de manufaturas serão foco da agenda internacional

As atenções desta semana deverão se voltar para a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, que deverá trazer a leitura da instituição para o comportamento da inflação e da atividade, norteando suas decisões futuras para a taxa de juros; além disso, os resultados do IGP-M de setembro – para o qual nossa expectativa e de alta de 1,15% – e da produção industrial de agosto reforçarão a avaliação da situação corrente da economia brasileira. Ao mesmo tempo, no cenário externo, os indicadores de atividade, já referentes a setembro, darão o tom do mercado, sustentando ou não o ensaio de melhora observado na semana passada, ressaltando o ISM de manufaturas nos EUA e os índices PMIs do setor manufatureiro, com destaque para o referente à economia chinesa. Somado a esses, destacamos na agenda nacional, na terça-feira, o resultado primário do Governo Central de agosto, divulgado pelo Tesouro. Na quarta-feira, teremos: (i) o IGP-M de setembro da FGV; (ii) a Pesquisa de Emprego e Desemprego de agosto da Seade/Dieese; (iii) a nota à imprensa de Política Fiscal de agosto, bem como o fluxo cambial semanal, ambos divulgados pelo Banco Central; e (iv) os Indicadores industriais de agosto da Fiesp. Na quinta-feira, conheceremos o resultado da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação de setembro da FGV. Por fim, na sexta-feira, teremos o IPC-S de setembro da FGV, os dados da Pesquisa Industrial Mensal de agosto do IBGE e o resultado da Balança Comercial de setembro da Secex. Além disso, ainda sem data definida, teremos a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do terceiro trimestre do Banco Central, além dos dados antecedentes da indústria de setembro (carga de energia elétrica verificada da ONS e emplacamento de veículos da Fenabrave). Na agenda internacional, na terça-feira, teremos nos EUA (i) o índice de preços de casas S&P/CaseShiller de julho; (ii) a confiança do consumidor de setembro; (iii) o índice de atividade manufatureira do Fed de Richmond; na Alemanha, conheceremos o índice GFK de confiança do consumidor de outubro e o índice de preços ao consumidor de setembro; no Reino Unido, teremos a divulgação do PIB e o saldo em contacorrente do 2° trimestre deste ano. Na quarta-feira, conheceremos na Zona do Euro o índice de confiança do consumidor de setembro e, no Reino Unido, o índice GFK de confiança do consumidor; no Japão, teremos o índice PMI do setor manufatureiro de setembro e a produção industrial e as vendas no varejo, ambos referentes a setembro. Já na quinta-feira, nos EUA, será divulgado o resultado final do PIB do 2° trimestre e o índice dos gerentes de compras de Chicago de setembro; na Zona do Euro, conheceremos o índice de preços ao consumidor de setembro e, na Alemanha, a taxa de desemprego de setembro; no Japão conheceremos a taxa de desemprego de agosto e o índice de preços ao consumidor; na China teremos o índice PMI de manufaturas de setembro. Por fim, na sexta-feira, para os EUA, destacamos os dados referentes a agosto, de rendimento pessoal, gastos pessoais, o núcleo do índice de preços e o índice de confiança da Universidade de Michigan; serão divulgados ainda, o ISM do setor manufatureiro de setembro, os gastos com construção de agosto e a venda total de veículos de setembro; já na Zona do Euro teremos o índice PMI de manufaturas de setembro e a taxa de desemprego de agosto; na Alemanha teremos vendas no varejo de agosto e, assim como no Reino Unido, o índice PMI do setor manufatureiro de setembro.

Nível de Atividade
CNI: acúmulo de estoques se repete pelo segundo mês consecutivo indicando acomodação na produção para os próximos meses

O índice da produção industrial atingiu 55,1 pontos, de acordo com a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada na última sexta-feira, lembrando que dados acima de 50 pontos indicam expansão, enquanto que abaixo de 50 pontos, contração. No mês passado, o indicador estava em 53,4 pontos. Esse aumento na produção, contudo, levou a um acúmulo de estoques, que avançaram pelo segundo mês consecutivo para 51,4 pontos, ficando acima da linha divisória de 50 pontos, sugerindo nível acima do planejado, principalmente nas empresas grandes. A utilização da capacidade instalada fechou o mês com 51 pontos, acima da linha neutra de 50 pontos, mesmo com o acúmulo de estoques. A mensagem geral é que as expectativas continuam otimistas – ainda que em menor intensidade do que há alguns meses – e o nível de utilização da capacidade instalada não parece ser um problema como era no começo do ano, mas o acúmulo de estoques pode gerar algumas restrições de curto prazo para a produção industrial.

Internacional
Japão: superávit comercial se reduziu por conta de exportações mais fracas em agosto

A balança comercial japonesa apresentou uma leve redução em seu saldo positivo em agosto, ao passar de ¥595 bilhões em julho para ¥590 bilhões em agosto, em termos dessazonalizados, embora tenha ficado acima do esperado pelo mercado (¥ 522 bilhões). Em relação ao mês anterior, as exportações registraram queda de 3,9%, na série com ajuste sazonal e em termos reais, enquanto as importações arrefeceram 1,6% na mesma base de comparação. Em relação a agosto de 2009, as exportações também sinalizaram enfraquecimento, ao se elevarem 15,8%, após alta de 23,5% em julho; ao passo que as importações cresceram 17,9%, ante 15,7% no mês anterior. Vale mencionar que as exportações para os EUA apresentaram a maior desaceleração em relação há um ano, ao crescerem 8,8%, frente a 25,9% em julho, embora também tenhamos observado um ritmo menor de alta das vendas externas para a Ásia (18,6% em agosto, ante 23,8% no mês anterior). De forma geral, esse resultado mais fraco da demanda externa em agosto sugere uma contribuição menor desse componente para o crescimento da atividade econômica no Japão no terceiro trimestre e já reflete um momento de apreciação do iene, o que tem afetado a demanda por bens produzidos no país.

Tendências de mercado
O preço futuro da bolsa norte-americana (S&P) e das bolsas europeias operam em alta neste momento enquanto o dólar perde valor frente às demais moedas. Tendo em vista nossa expectativa positiva para a divulgação dos dados hoje (índices de atividade industrial dos Estados Unidos de agosto do Fed de Dallas e de Chicago), esperamos que a tendência da abertura dos mercados internacionais seja mantida. Com isso, acreditamos que a Bovespa fechará em alta e o real irá se apreciar em relação ao dólar, seguindo a tendência externa. Com relação ao mercado doméstico de juros futuros, esperamos pequena elevação das taxas ao longo de todos os vencimentos em função dos pequenos ajustes para cima das expectativas de inflação para 2010, lembrando, contudo, que ao longo da semana outras divulgações darão o tom do comportamento dos juros no Brasil, com destaque para o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, o IGP-M de setembro e a produção industrial de agosto.

Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO

Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

Comments