Atividade econômica no terceiro trimestre mostrou desaceleração, mas demanda doméstica continuou aquecida

postado em 9 de dez de 2010 09:50 por Luiz Henrique Mourão Machado Machado

Atividade econômica no terceiro trimestre mostrou desaceleração, mas demanda doméstica continuou aquecida

- O PIB brasileiro mostrou expansão de 0,5% no terceiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, com ajuste sazonal, e cresceu 6,7% na comparação interanual, conforme divulgado hoje pelo IBGE. O resultado veio acima de nossas expectativas de altas de 0,2% na margem e de 6,5% na comparação interanual, enquanto o mercado esperava crescimento de 0,4% e 6,8%, respectivamente. Vale lembrar que a série passou por revisões metodológicas, o que implicou nas alterações nas variações dos trimestres anteriores; no segundo trimestre, o crescimento do PIB foi de 1,8% na margem (número revisado de 1,2% anteriormente).

 
- Pelo lado da oferta, o destaque ficou para o setor de serviços, o único a apresentar contribuição positiva na margem, com alta de 1,0% em relação ao segundo trimestre (1,2%). Por outro lado, o PIB da indústria mostrou queda de 1,3% nesta base de comparação, enquanto o setor agropecuário se retraiu 1,5%. 

 
- Na ótica da demanda, destacamos o consumo das famílias e a Formação Bruta de Capital Fixo (Investimentos), cujas contribuições foram de 0,97 p.p. e 0,66 p.p., respectivamente para o resultado total. Considerando as variações na margem, o consumo das famílias avançou 1,6%, acelerando em relação ao trimestre anterior (0,9%). A formação bruta de capital fixo, por sua vez, cresceu 3,9%, ante alta de 4,3% no segundo trimestre. Sobre este ponto, a continuidade do ritmo de crescimento dos investimentos foi uma surpresa nesse resultado, já que as medidas de consumo aparente de máquinas e equipamentos mostravam um resultado mais fraco. O consumo do governo apresentou estabilidade no terceiro trimestre, enquanto o setor externo apresentou contribuição negativa de 0,6 p.p. Isso resultou de exportações que avançaram 2,4% e importações que cresceram 7,4%.

 
- De modo geral, analisando a abertura dos dados, avaliamos que a demanda doméstica manteve ritmo forte de crescimento, especialmente os investimentos. Sendo assim, a absorção doméstica continuou expandindo em ritmo mais forte do que o PIB, tendo registrado crescimento de 9% no acumulado dos últimos quatro trimestres, enquanto o PIB cresceu 7,5% nessa mesma base de comparação. O resultado disso, naturalmente, é uma contribuição negativa do setor externo, resultado de um forte crescimento das importações. Para o próximo trimestre, devemos observar uma aceleração da expansão do PIB na margem, encerrando o ano com crescimento em torno de 7,8% em relação a 2009.

Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO

Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos

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