Suso, um discípulo do Mestre Eckart, foi outro dos célebres místicos de Colônia. Diz-se que embora ele abraçasse o princípio de união com Deus pela auto-aniquilação, nunca ocupou inteiramente o nível de panteísmo com o qual especulara seu mestre. Suso foi um monge da Ordem Dominicana; famoso como pregador e distinto por sua piedade e benevolência; um amante ardente da vida monástica e um grande inimigo das corrupções da igreja. Sua definição de Deus é puramente dionísica – ser é igual a não-ser. “Ele não é qualquer ser particular ou feito de partes. Ele não é um ser que tenha sido ou capaz de qualquer possibilidade de receber adendos; mas puro, simples, universal indivisível ser. Esse ser puro e simples é a suprema causa do atual ser, e inclui todas as existências temporais bem como seus começos e fins. Ele é todas as coisas e está fora de todas as coisas, de modo que podemos dizer: ‘Deus é um círculo cujo centro está em todo lugar, sua circunferência não está em nenhum lugar.’” Quanto à união do homem com Deus ele fala com as mesmas expressões usadas por Ruysbroek, mantendo a unidade, e assegurando que a criatura é ainda uma criatura. O homem se desfaz em Deus. Todas as coisas se tornam Deus, ainda que, de um certo modo, a criatura ainda seja criatura. “Um homem manso”, ele diz, “deve ser deformado pela criatura, conformado a Cristo e transformado em divindade; ainda que o pensamento divino e o humano continuem a existir.” “A alma”, ele diz de novo, “passa acima do tempo e do espaço, e com uma intuição interna amorosa é dissolvido em Deus. Essa entrada da alma bane todas as formas, imagens e multiplicidades. Ela é ignorante de si mesma e de todas as coisas. Reduzida à sua essência, ela toca a extremidade da Trindade. Nessa elevação não há esforço, nenhuma luta; o começo e o fim são um só. Aqui a natureza divina dota e abraça com um grande beijo entre e através da alma o que deve ser para sempre. Ele que é recebido no eterno nada, é o agora sempre e não rejeita nem antes nem depois. Certamente Dionísio dizia que Deus é o não-ser; o que é, acima de tudo, além de nossas noções do ser. Nós temos que empregar imagens e similitudes, bem como eu devo fazê-lo, para dizer tais verdades, mas sabendo que tais figuras de linguagem estão muito abaixo da realidade como um eclipse está abaixo do sol. Nessa absorção do que é dito, o sol é ainda uma criatura; mas, ao mesmo tempo, rejeita, sem dúvida, o pensamento de que ele possa ser uma criatura ou não.”
Livre tradução do livro Pantheism and Christianity de John Hunt . 1884 . Capítulo X . Místicos . Heinrich Suso