Maniqueísmo
Depois do gnosticismo, a outra grande heresia filosófica foi a igreja de Maniqueu. Mani, o fundador dessa seita, que antes abraçava a cristandade, tinha vivido muito tempo entre os magos persas e tinha adquirido uma grande reputação em todos os tipos de estudo. ‘A ideia’ Matter diz, ‘que governa todo o seu sistema, é o panteísmo, que, mais ou menos, permeia todas as escolas da gnosis, que, embora, derivada de outros grupos; sem dúvida, derivava sua busca original nas regiões da Índia e da China, que ele tinha visitado, para satisfazer seu ardor de especulação teológica.’ De acordo com Mani, a causa de tudo o que existe está em Deus; mas em última análise, Deus é tudo. Todas as almas são iguais. Deus está em tudo. A sua vida divina não é limitada ao homem e aos animais; é a mesma nas plantas. Mas o panteísmo de Mani foi modificado pelo dualismo de Zoroastro. Os reinos de luz e trevas, espírito e matéria, tem contido isso sempre. Cada um possui seus Aeons ou demônios, sob a liderança do seu chefe, como nos reinos de Ormuzd e Ahriman. Por um tempo, o reino das trevas parecia que ia prevalecer; mas o chefe do reino da luz, vendo o perigo, criou um poder que ele colocou na frente dos céus, para proteger os Aeons, e para destruir o reino das trevas ou o mal. Esse poder foi a mãe da vida – a alma do mundo – o princípio divino, que indiretamente entra em relação com o mundo material, para corrigir sua natureza má. Como uma emanação direta do supremo, ela é muito pura para entrar em contato com a matéria. Ela permanece nas bordas da região superior. Mas a mãe da vida se importa com um filho, que é a sua imagem, esse filho é o primeiro homem ou homem celestial. Ele luta com os poderes das trevas, está em perigo de ser conquistado e de cair no império das trevas; mas o regulador do império da luz envia o espírito vivo para salvá-lo. Ele é salvo; mas parte da sua armadura da luz, que, na alegoria oriental é chamada seu filho, tinha sido devorada pela princesa do reino das trevas.
A sucessão, então, dos primeiros seres do império da luz é essa: - o bom Deus, a mãe da vida, o primeiro homem, o filho do homem ou Jesus Cristo e o espírito vivo. A mãe da vida, que é o princípio geral da vida divina e o primeiro homem são muito elevados para serem aliados do império das trevas. O filho do homem é o germe da vida divina, que, de acordo com a linguagem da gnosis, entra no império e finda por temperá-lo ou purifica-lo da sua natureza selvagem. A salvação do raio celestial que está no império da matéria e que tem o seu retorno nos seio da perfeição, constitue o fim e o destino de toda existência visível. Quando esse fim for alcançado, o mundo deixará de ser.
O Adão visível foi criado à imagem do primeiro homem. Sua alma era luz e seu corpo, matéria e ele pertencia a ambos os reinos. Tivesse ele obedecido ao comando de não comer a fruta proibida, ele estaria livre para sempre do reino das trevas, mas um anjo da luz tentou-o para que ele desobedecesse. Os demônios produziram Eva, cujo charme pessoal seduziu-o do espiritual e o colocou no sensual. O que aconteceu com a criação do mundo é repetido de geração em geração de todos os seres humanos. As forças cegas da matéria e das trevas são amaldiçoadas e subjugam a alma, que busca a salvação. O homem é dominado pela estupidez por esse ato que deu a ele existência e que sempre fornece a ele a fraqueza frente aos poderes dos sentidos e o charme do mundo terrestre.
Livre tradução do livro Pantheism and Christianity de John Hunt, 1884 . Capítulo VII . Heresia . Maniqueísmo