Ueberweg, falando sobre o Septuagint, diz: “Nós achamos que, como uma regra, a noção da sensível manifestação de Deus é suprimida; ideias antropológicas como a ideia de Deus arrependendo-se são colocadas a baixo em suas expressões, a distância entre Deus, em sua essência e o mundo é maior, e a ideia de mediar conexões entre os dois, aparece mais plenamente desenvolvida do que no texto original. Nessas peculiaridades, germes de filosofias de religiões recentes podem, indubitavelmente, ser vistas, mas não como essa filosofia, ela mesma. Philo diz: “É um sinal de grande simplicidade para um homem supor que o mundo foi criado em seis dias, ou, ainda, criado, ele todo num tempo, mas a verdade nua, só pode ser recebida por homens sábios. Ela deve ser colocada em forma de mentiras antes que a multitude possa ser melhorada. A criação de Eva é, manifestamente, uma fábula. Deus pôs Adão ou a razão humana em ecstacy (palavra grega) e o espiritual veio entrar em contato com o sensual.” Em Gênese, Deus diz à serpente: “Ela deve pisar sua cabeça.” Quem? Evidentemente a mulher, diz Philo; enquanto que a palavra grega é Ele. Não pode se referir, gramaticalmente, à mulher, que é feminino; nem à semente, que é neutra, deve se referir à mente do homem que irá pisar a cabeça da serpente, sendo ela a causa da união entre a mente e o espírito. Eva revela Caim – possessão – o pior estado da alma é o amor próprio, o amor da individualidade. Abel, ou vaidade, é o próximo, no qual a alma se acha em vaidade de possessão. Caim mata Abel num campo, cujo homem contem os dois opostos princípios. De Caim, nasceu uma raça perversa, às más consequências vindas da vitória de Caim, quando todo desejo depois de Deus foi destruído. Outra interpretação de Caim matando Abel é a de que Caim matou a si mesmo, mostrando que o doador do mal, naturalmente, ceifa a recompensa das suas más ações. Abraão saindo da Caldéia foi ele saindo do sensual. O Talmud babilônico coloca que o Seventy tem traduzido Gênese: “Homem e mulher criou ele.” Philo reinvidica essa tradução, porque o homem ideal é masculino-feminino. “De toda árvore do jardim você pode, livremente, comer; mas da árvore da sabedoria do bem e do mal você não deve comer e, no dia em que comê-la, você, certamente, morrerá.” O Seventy faz o pronome no primeiro verso, singular, mas nos outros dois, o pronome é plural, porque diz, Philo, o espírito racional é, sozinho, requerido para a prática da virtude, mas para apreciar a fruta proibida, é necessário não apenas a alma, mas o corpo e o senso. “Sacrifício e oferenda você não deve fazer, mas um corpo preparar.” O corpo é dado ao homem para o sacrifício. Isso é renúncia. Quando o maior dos príncipes entrar no sagrado dos sagrados, ele se torna Deus. Onde lemos: “Não deve haver nenhum homem no tabernáculo.” Philo interpreta “Quando o maior dos príncipes entrar no sagrado dos sagrados, ele deve ser não mais do que um homem, até que ele vá até o fim de novo.”
Há muitos livros de Philo por escritores alemães, como Dähne, Gfrörer, Grossman e Planck. Seus trabalhos são editados na Inglaterra por Thomas Mangey em 1742. Traduções de alguns deles estão na livraria Bohn. O relato da Cabala foi retirado da Denudata Cabbala.