terça-feira, 15 de Maio de 2018
Alentejo - Património Cultural
José Rabaça Gaspar
(1938-2018)
A MAR
ISBN 950-502-602-5 / 6 para edição virtual e em papel a pedido...
A MAR é um pequeno livro - uma jóia preciosa – dedicado:
À Fátima - companheira sofrida do percurso mais tumultuoso (atormentado) desta longa e tormentosa VIAGEM - como um RIO - que é a vida do autor…
À Diana - a filha que foi parida pelo Pai (Homem) e por isso ganhou o prémio como único Homem a dar à luz (a parir) - prémio que não recebeu…
Ao David - o Filho que veio na última etapa, não para ser filho mas para ser o Guia que leva pela mão o Pai, neste derradeiro percurso desta Viagem… a mais recente de muitas outras já vividas…
Assim, a sinopse vai aparecer aqui feita pela Fátima a tentar resumir o turbilhão de ideias que me ocorrem e seria importante transmitir como resumo e apresentação do significado que pode ter esta mensagem… A MAR até conseguir realizar a VISÃO que o autor teve em sonho: ver uma multidão de gente de todas as línguas e lugares deste Planeta MAR a realizarem uma ONDA imensa (LA OLA) com a palavra MAR… A MAR… AMAR…
Apresentação
"Como a água das fontes e dos rios, a VIDA, todas as VIDAS, correm sempre para O MAR… A MAR… AMAR… Nestes poemas com a influência de Camões, Torga e Borges, é proclamada a subversão: O MAR é A MAR!
José d’A MAR poeta na alma traz consigo o ciclo de renascer da força das águas.
O José é um mar de emoções vividas num mundo demasiado interiorizado, manifestado aqui em turbilhões de sentimentos e inconformismo dando vida às palavras e dando voz a quantos nele se revêem. Escritos em diferentes fases do seu percurso revelam todos eles o grito calado, de um inconformismo com o Mundo dos Homens.
Vale a pena percorrer estes versos como rios de um mar em contínua transformação.
Fátima Borges”.
Pode OUVIR - 'MARIA NOME de MAR' e VER no YOUTUBE por Manuel e Arisberta ALEIXO
Publicado em 02/02/2013
Maria Nome de Mar
Maria Nome de Mar- Musica e Letra de José Rabaça Gaspar.
https://youtu.be/hc3KtqFGjCA
sábado, 12 de maio de 2018
"O Cante Alentejano é a Voz do Ventre da
Terra"
José Rabaça Gaspar
(1938-2018)
Wolfgang Amadeus Mozart-Lacrimosa
https://youtu.be/k1-TrAvp_xs
Alentejo - Património Cultural
José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
Faleceu hoje 12 de Maio pelas 17 horas
o Amigo Dr. José Rabaça Gaspar
"José RABAÇA GASPAR - usando 1001 deNÓMIOS diversos...
Professor de Língua e Literatura Portuguesa, já dispensado do Ensino Oficial.
Nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela.
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais. A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002."
Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -
o CAnto da TErra
é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar
"A obra de José Rabaça Gaspar constitui um valioso contributo para o estudo, conservação, defesa e divulgação do Cante Alentejano, no tocante à autenticidade das suas raízes e conhecimento de todos os que através dos seus trabalhos possibilitaram a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade, resultando de trabalho incessante de pesquisa e aprofundado estudo ao longo de décadas .
O Blogue "Amigos de Borba" presta sua justa homenagem ao Dr. José Rabaça Gaspar pelo trabalho discreto, objectivo e valioso para o estudo do Cante Alentejano. Desde a primeira hora na criação da Associação dos "Amigos de Borba"
e do Blogue "Amigos de Borba"
Foi um paladino esforçado, de inexcedível bondade, partilha de saberes e entrega na recolha e estudo das tradições poéticas, musicais, linguisticas, de usos e costumes e características do Alentejo. À Família e Amigos endereçamos as nossas sentidas condolências."
"Cante Alentejano-Defesa, Preservação e sua Divulgação"
Ùltima Entrevista com Dr. José Rabaça Gaspar
https://youtu.be/wAUAdy7ARss
segunda-feira, 23 de Julho de 2018
Alentejo-Património Cultural
Dr. José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
Autor: José d'A MAR
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net )
"Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)...
Apresentação
Como a água das fontes e dos rios, a VIDA, todas as VIDAS, correm sempre para O MAR… A MAR… AMAR… Nestes poemas com a influência de Camões, Torga e Borges, é proclamada a subversão: O MAR é A MAR!
edição virtual e em papel a pedido.
Sinopse
A MAR é um pequeno livro - uma jóia preciosa - dedicado:
Fotografia de Adriano Bastos
À Fátima - companheira sofrida do percurso mais tumultuoso (atormentado) desta longa e tormentosa VIAGEM - como um RIO - que é a vida do autor…
À Diana - a filha que foi parida pelo Pai (Homem) e por isso ganhou o prémio como único Homem a dar à luz (a parir) - prémio que não recebeu…
Ao David - o Filho que veio na última etapa, não para ser filho mas para ser o Guia que leva pela mão o Pai, neste derradeiro percurso desta Viagem… a mais recente de muitas outras já vividas…
Assim, a sinopse vai aparecer aqui feita pela Fátima a tentar resumir o turbilhão de ideias que me ocorrem e seria importante transmitir como resumo e apresentação do significado que pode ter esta mensagem… A MAR até conseguir realizar a VISÂO que o autor teve em sonho: ver uma multidão de gente de todas as línguas e lugares deste Planeta MAR a realizarem uma ONDA imensa (LA OLA) com a palavra MAR… A MAR… AMAR…
Fotografia de Adriano Bastos
"A MAR
José d'A MAR poeta na alma traz consigo o ciclo de renascer da força das águas.
O José é um mar de emoções vividas num mundo demasiado interiorizado, manifestado aqui em turbilhões de sentimentos e inconformismo dando vida às palavras e dando voz a quantos nele se revêem. Escritos em diferentes fases do seu percurso revelam todos eles o grito calado, de um inconformismo com o Mundo dos Homens.
Vale a pena percorrer estes versos como rios de um mar em contínua transformação.
Fátima Borges".
Fotografia de Adriano Bastos
Seria a descoberta de que os Humanos! Inteligentes! Teriam tomado consciência de que TODOS vivemos num PLANETA que não é nosso… vivemos numa casa emprestada PLANETA MAR e que temos de cuidar dele com carinho pois temos contas a prestar à sua legítima proprietária MAR… A MAR… AMAR.
Este livro é uma série de contradições, mas é um terramoto, um cataclismo, uma subversão universal…
José d'A MAR não é o nome do autor, não é pseudónimo, não é heterónimo. É deNÓMIO, uma entidade diferente, outro, anjo ou demónio, ou musa, não que inspira mas escreve ou fala… e não é UM, são muitos… Um para cada poema…
O Poeta não é poeta, pois como diz noutra obra "desisti de ser poeta …" porque não aceita as regras impostas e não admite ser "capado" por ninguém nem nenhuma autoridade, mesmo literária…
É de língua portuguesa e da Europa, mas aparece, pela primeira vez, em português, numa editora de língua espanhola, e não em Espanha mas na América Latina, y e não no Brasil mas num espaço mais amplo...
A palavra MAR em português é - o mar, masculino, mas ele diz que é - A MAR e é feminino…
A Humanidade, as Mulheres e Homens, que habitam este planeta, pensam e dizem que vivem no planeta terra; mas ele diz que vivemos TODOS - quer queiramos, quer não… quer os políticos queiram, quer não… quer os cientistas queiram, quer não… - TODOS vivemos no PLANETA MAR… A MAR… AMAR.
E isto, só isto, tão pouco e tão pequeno, é pura e simplesmente uma sublevação universal.
As Mulheres e Homens (por suposto, Inteligentes e com Consciência) ainda não deram conta que vivem num planeta que não é deles… Quando tomarem CONSCIÊNCIA disso e mudarem a linguagem, tudo MUDARÁ… as guerras e agressões ao planeta e ao universo, terminarão. "
José Rabaça Gaspar
DÉCIMA - O MAR é A MAR... AMAR!
MOTE
O PLANETA EM QUE VIVEMOS
TODOS DIZEM: É A TERRA.
NÃO É ISSO QUE NÓS “VEMOS” (CREMOS)
POIS O/A MAR (AMAR), A TERRA ENCERRA.
Vivemos aqui na terra
uma vida passageira
que passa breve e ligeirapodendo viver na serraou nas ribas que ela encerra.É assim que nós dizemosquando usamos estes termos...É imenso e grande o mundocomo um abismo profundoO planeta em que vivemos.
Mas todos sabem que a água
ela, abrange a terra toda
e a abraça a toda a roda
brotando até duma frágoa
a abrir seu ventre com mágoa...
Mas a dimensão que encerra
pela conta que não erra
diz-nos ser maior o mar
muito maior que o lugar
que todos dizem: é a TERRA.
Vivemos desta ilusão
chamando ao nosso planeta
co’o troar de uma trombeta
A TERRA é que é a mansão...
É a nossa habitação...
E por tudo o que corremos
e com nossos olhos vemos
é a terra que é maior
mesmo sendo bem menor!
Não é isso que nós “vemos” cremos.
Se O MAR é masculino
nesta língua que falamos
e é assim que o tratamos...
Vai mudar em feminino
para se tornar um hino
do início à finisterra...
Pr’acabar com toda a guerra
e também com toda a dor
o primado é do AMOR
Pois o/a MAR (AMAR) a TERRA encerra.
zeraga
www.joraga.net
José Rabaça Gaspar
sábado, 21 de Julho de 2018
Alentejo-Património Cultural
Dr. José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012
INTRODUÇÃO José Rabaça Gaspar
A POESIA INSPIRADA
TEM ATRAENTE BELEZA;
INSPIRAÇÕES CATIVANTES
ENCERAS TU, NATUREZA
(Francisco da Encarnação, Santa Vitória)
EM TUDO SINTO POESIA
DESDE O INSECTO À PLANTA...
TUDO ME DIZ SINFONIA
E TUDO ME PRENDE E ENCANTA
(Manuel de Castro, Cuba)
Fotografia de Adriano Bastos
"Alguns POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA procuram uma forma de se fazer OUVIR. Este LIVRO, portanto é para OUVIR, caro leitor. Não, não procure o disco no final, nem a cassete incluída, porque não tem. É isso mesmo. Isto é um LIVRO que você vai OUVIR se você é do Alemejo ou está no Alentejo e/ou é capaz de se deixar penetrar pelo "halo mágico" que envolve o Alentejo e produziu e produz: estes CANTADORES do CANTE alentejano que cantam com o ventre como que sugando a vida do seio da terra, como o trigo e as flores; estes CONTADORES de HISTÓRIAS
que captam da Terra e da Vida e do Espaço a sua arte de encantar; e os DEZEDORES
de quadras, de décimas, de poesia, que como os outros cantarn e encantam porque
as criam, encarnam e/ou DlZEM como artistas e, com os outros, são expressão da CULTURA POPULAR do ALENTEJO.
Os poetas populares, como, aliás, a cultura oral e tradicional, são como a terra, ou a água, ou o sol... Ou se ignoram e desprezam, embora toda a gente saiba que existem e se conte com eles como indispensáveis à vida da comunidade; ou são objecto de investigação e análise, até de estudiosos ou investigadores sérios, mas que depois usam a sua arte, depois de convenientemente "expurgada"-"seleccionada", para promoção, exibição ou proveito pessoal. Há tentativas no sentido de fazer mudar as coisas. Os artistas populares tomam consciência do seu valor e querem ser reconhecidos e respeitados, ouvidos e vistos como tal; O Património cultural duma determinada Região não é tesouro perdido à disposição de qualquer explorador com espírito patenalista ou intenções mais ao menos colonizadoras que dão bolinhas de vidro e panos coloridos em troca do ouro e das fabulosas riquezas indígenas. Estes parecem-me ser os pontos base, para alicerçar a introdução·que me pediram. Trata-se pois de uma introdução/prefácio para uma recolha de POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA que foi e está a ser realizada por um grupo de professores encarregados-e empenhados na ALFABETlZAÇÃO, neste concelho, desde 1979. São analfabetos estes poetas? Pode ser analfabeto quem sabe, assim, ler a realidade e quem sabe usar com esta arte a linguagem que têm à sua disposição? O que é ser analfabeto? Mais grave. O que é então alfabetizar? Se for para matar essa cultura e essa arte, então, podemos chamar-lhe - um crime.
Com esta introdução, a mim, compete-me abrir pistas ou sugerir linhas de leitura que possam ajudar os interessados a tomar parte nesta festa de poesia. Não aceitei pròpriamete o papel de juiz. Não tinha que ser rigoroso e exigente na selecção, armado de erudição e de saber dogmático. É um mundo especial este o da poesia popular para nos atrevermos a ser juízes implacáveis que decidem com segurança o que é bom e o que não presta. Como diz a poeta Carlota Caixinha, de Beja: "Eu não quero ser poeta / Não tenho tal pretensão. / Apenas quero exprimir / A minha imaginação". E, como diz Francisco da Encanação, de Santa Vitória, que anda agora pelos 65 anos, em poema desta antologia e o poeta Manuel de Castro da Cuba que morreu por volta de 1973 com uns 81 ou 82 anos, estes poetas populares, como, aliás, os poetas, sentem, bebem, vêem a poesia nas "inspirações cativantes" que "encerras tu, Natureza", ou para melhor dizer: em tudo, "Desde o insecto à planta / Tudo me diz sinfonia / E tudo me prende e encanta"."
"É este afinal, mais ou menos, o pensamento de todos eles. Cantam como as fontes; dão cor como as flores do campo; fazem poesia para dizer o que vivem... para dizer que vivem. A CULTURA E 0 ANALFABETISMO.
Estamos na região do país com a mais elevada taxa de analfabetismo, e num país em que o índice de analfabetismo ronda ainda números escandalosos, para um país que, na era de quinhentos, foi "cabeça da Europa" e que em finais do século XX se empenha para entrar na Comunidade Económica Europeia! (Económica?!).
Que vai ser deste país e desta região, se não souber, se não puder afirmar os seus valores e a sua cultura? Que problemas e que esta pergunta levanta? O índice de analfabetismo oficial é, de facto, indicador da falta de Cultura? Indica, de facto, falta de capacidade para saber ler a realidade e intervir decisivameme no desenvolvimento? e de o fazer de um modo correcto sem agredir o mundo-universo que nos "foi dado de empréstimo" e vamos ter de iegar aos nossos filhos? E, no meio da complexidade deste problema, quem e que afinal tem autoridade e poder para dizer o quê? O que é e o que não é Cultura? O que tem e não tem valor? Normalmeme, como e verificável pela História, é a cultura dominante, são os que detêm o poder e por conseguinte dominam a cconomia (ou vice-versa), que dominam por sua vez a Cultura.
Mesmo em regimes democráticos, em que receberam o mandato de a pôr ao serviço da comunidade, são eles que têm os instrumentos de recolha, de selecção, de estudo e de divulgação. Os instrumentos e os meios... A CULTURA POPULAR / SUAS LEIS E MECANISMOS. Ora apesar de tudo isto, a CULTURA POPULAR TRADICIONAL, existiu, sobreviveu, manteve-se e reproduziu-se pelas suas próprias leis até que o ritmo do progresso e a ruptura da cultura erudita a ameaçou, como se pudesse prescindir dela, como se a Cultura pudesse sobreviver, se dividida! Aparece então com os românticos o grande grito de alerta para "salvar o grande livro nacional que é o povo e as suas tradições" no dizer do genial Almeida Garrett, esse mesmo que dizia: "Romântico?! Deus me livre de o ser!" e nos legou o Romanceiro e aquela "ingénua menina dos rouxinóis" incrustada nas "Viagens da minha Terra" que do Vale de Santarém e do pinhal da Azambuja espera a hora de tomar "outra vez o bordão de romeiro, e vá peregrinando por esse Portugal fora, em busca de histórias para te contar.”... Não será Garrett a continuar a Viagem. Já o fizeram muitos e muitos outros estão a fazê-lo.
Citamos Teófilo Braga e José Leite de Vasconcellos para citarmos só os que nos deixaram essa milagrosa panorâmica do grande Livro Nacional que está a ser organizada pelos seus continuadores e vão desde o Dr. Orlando Ribeiro, ao Dr. M. Viegas Guerreiro, ao Dr. A. Machado Guerreiro, aos Drs. AIda e Paulo Soromenho e Drª M. A. Zaluar Nunes. Quantos, na linha destes, estão a dar conta que nos está a faltar o ar e a água, e a terra!?
Muitos já deram conta, e há muito tempo, que o Desenvolvimemo não se pode fazer sem a Cultura e que o Desenvolvimento e a Cultura não podem continuar numa corrida desenfreada sem darem conta que não se pode progredir perdendo as raízes ou destruindo as fontes!
O ALENTEJO E OS SEUS VALORES CULTURAIS Situando-nos aqui e agora, no Alentejo, em vez de palavras minhas, passo a citar Manuel Joaquim Delgado in "Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo" II vol. que na introdução p. 8 diz: "É a nossa província uma das mais ricas e características por sua fonte inesgotável de materiais folclóricos". Tão rica que podem ainda ser observáveis / audíveis no seu ambiente."
José Rabaça Gaspar
sexta-feira, 20 de Julho de 2018
20 de Julho de 1938 - 12 de Maio de 2018
Fotografia de Diana Rabaça
Hoje o Dr. José Rabaça Gaspar completaria 80 anos de idade.
"Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -o CAnto da TErra
é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar (1938-13.05.2018)
"A obra de José Rabaça Gaspar constitui um valioso contributo para o estudo, conservação, defesa e divulgação do Cante Alentejano, no tocante à autenticidade das suas raízes e conhecimento de todos os que através dos seus trabalhos possibilitaram a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade, resultando de trabalho incessante de pesquisa e aprofundado estudo ao longo de décadas .
O Blogue "Amigos de Borba" presta sua justa homenagem ao Dr. José Rabaça Gaspar pelo trabalho discreto, objectivo e valioso para o estudo do Cante Alentejano. Desde a primeira hora na criação da Associação dos "Amigos de Borba" e do Blogue "Amigos de Borba".
Foi um paladino esforçado, de inexcedível bondade, partilha de saberes e entrega na recolha e estudo das tradições poéticas, musicais, linguisticas, de usos e costumes e características do Alentejo."
Adriano Bastos
Fotografia de Adriano Bastos
José RABAÇA GASPAR - usando 1001 deNÓMIOS diversos...
"Professor de Língua e Literatura Portuguesa, já dispensado do Ensino Oficial.
Nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela.
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais. A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002."
Cante Alentejano
Fotografia de Adriano Bastos
https://youtu.be/wAUAdy7ARss
José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
quarta-feira, 30 de Maio de 2018
Alentejo - Património Cultural
Dr. José Rabaça Gaspar
EU e as DÉCIMAS
(Mas, mais do que as minhas teorias de mero curioso, em breve vou inserir textos
de outros autores mais abalizados...)
COMUNICAÇÃO (a) apresenta(da)r nas II JORNADAS DA REVISTA ARQUIVO DE BEJA, subordinadas ao tema: O ALENTEJO E OS OUTROS MUNDOS passado, presente e futuro a realizar em Beja, NERBE, 2.3.4 e 5 de Abril de 1998.
TEMA: AS DÉCIMAS populares? A MAGIA da POESIA POPULAR? Uma ligação mediática com Outros Mundos?
Uma ARTE MAIOR praticada por POETAS populares (sobretudo ao Sul de Portugal) a pedir um estudo sério e profundo a nível superior. É praticamente ignorada e/ou tida em menos conta em todos os níveis do ensino em Portugal, o que é de lamentar.
Entretanto, podemos considerar a DÉCIMA um pequeno prodígio de ARQUITECTURA FORMAL (da Métrica, ao Ritmo, à Rima, desde a Quadra Mote, à Glosa em quatro décimas espelhadas e de retorno a cada um dos quatro versos), como base e fundamento de uma ARTE SIMBÓLICA plurissignificativa.
A mera exigência FORMAL (a que raros eruditos se atrevem) é PRATICADA COMO EXERCÍCIO LÚDICO POR POETAS DO SUL, a maioria considerados analfabetos, por vezes em despiques ou descantes fortuitos em tabernas ou convívios sociais, pondo-a ao serviço de temas que vão desde a pura diversão, aos temas do quotidiano, à história, à crítica social ou política, até aos temas filosóficos da mais profunda sabedoria. (Beja, Abril,1996.
Dizer uma Décima (os poetas que as dizem são conhecidos como "dezedores", entoá-la ou cantá-la, é uma arte, tanto para aquele que a diz, como para aquele que a ouve ou lê. Como arte, é algo que requer, muito de intuição e inspiração, aprendizagem e exercício.
Finalmente arriscamos afirmar que é uma Arte Superior, ou pode ser em princípio, só acessível aos que têm o dom de contactar ou ter acesso a formas de comunicação pouco comuns..., talvez uma certa magia..., algo só acessível aos deuses ou aos que podem comungar com a divindade!!! Será uma afirmação exagerada? Pouco ortodoxa? Que sai fora dos instrumentos de estudo e análise usuais? Mas quem sabe definir o que é a inspiração? O que são as "Tágides" ou as "Ninfas do Mondego" de Camões, as "musas" e os "dons" de que falam os poetas? Onde estão os donos e os mestres da Língua? E os da Poesia? É proibido inovar, ou não se deve falar daquilo que se não conhece? Arriscamos, enfim, a considerar as DÉCIMAS POPULARES como um PRODÍGIO DE ARQUITECTURA POÉTICA a exigir um prodigioso exercício de ginástica mental, praticado muitas vezes por poetas considerados analfabetos!
AUTOR(es) (Função e Instituição):
José Rabaça Gaspar, professor de Língua e Literatura Portuguesa, colocado na Escola Secundária D. Manuel I Beja; e a exercer funções, por destacamento, na Escola Secundária João de Barros Corroios, com o encargo de dar apoio ao Conselho Directivo para a Dinamização de Actividades Culturais.
(Com a colaboração, se possível de
1- Joaquim Ruaz (S. Matias),
2- D. Antónia Carvalho (S. Matias),
3- Mário da Conceição (Santa Clara do Louredo - Boavista),
4- Joaquim António Tareco Curva (o Rei dos Queijinhos da Vidigueira),
5- José Mendes Camacho (o Tio Zé Moleiro de Ribeira da Azenha, Aivados, Vila Nova de Mil Fontes);
e para intervir nas outras ARTES DA FALA:
5- António Ruaz (S. Matias),
6- Luís Alves (S. Matias),
7- D. Rosa Helena (Beringel),
8- Eng.º Santa Maria (Moura a residir em Beja),
9- Manuel e Arisberta Aleixo (S. Matias),
10- Fátima Borges de S. Matias e do Grupo Amador de Teatro - "QUINTA DA ÁGUA" da Esc. Sec. João de Barros de Corroios, que, se possível, tentariam aprender com os fazedores e dezedores de DÉCIMAS e poderiam arriscar jogos diversos desta difícil ARTE DE DIZER, numa tentativa para os tornar, por assim dizer, mais visíveis, dinâmicos, sugestivos e, por conseguinte, mais compreensíveis, abrindo caminhos para novas leituras...)
Para debater a MUSICALIDADE da DÉCIMAS, tanto as ditas pelos "dezedores" como para "descobrir" uma "moda" para ser cantadas (vide Adriano Correia de Oliveira) já contactei os especialistas de Música: Padre António Cartageno e Francisco Fanhais
O autor da Comunicação
José Rabaça Gaspar
Festas 2010 - Décimas - "Barriga Verde" (Portel)
https://youtu.be/Wi5wO-eLXow
Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989
INTRODUÇÃO de José Rabaça Gaspar
A POESIA INSPIRADA
TEM ATRAENTE BELEZA;
INSPIRAÇÕES CATIVANTES
ENCERAS TU, NATUREZA
(Francisco da Encarnação, Santa Vitória)
EM TUDO SINTO POESIA
DESDE O INSECTO À PLANTA...
TUDO ME DIZ SINFONIA
E TUDO ME PRENDE E ENCANTA
(Manuel de Castro, Cuba)
"Alguns POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA procuram uma forma de se fazer OUVIR. Este LIVRO, portanto é para OUVIR, caro leitor. Não, não procure o disco no final, nem a cassete inccluída, porque não tem. É isso mesmo. Isto é um LIVRO que você vai OUVIR se você é do Alemejo ou está no Alentejo e/ou é capaz de se deixar penetrar pelo "halo mágico" que envolve o Alentejo e produziu e produz: estes CANTADORES do CANTE alentejano que cantam com o ventre como que sugando
a vida do seio da terra, como o trigo e as flores; estes CONTADORES de HISTÓRIAS
que captam da Terra e da Vida e do Espaço a sua arte de encantar; e os DEZEDORES
de quadras, de décimas, de poesia, que como os outros cantarn e encantam porque
as criam, encarnam e/ou DlZEM como artistas e, com os outros, são expressão da CULTURA POPULAR do ALENTEJO. Os poetas populares, como, aliás, a cultura oral e tradicional, são como a terra, ou a água, ou o sol... Ou se ignoram e desprezam, embora toda a gente saiba que existem e se conte com eles como indispensáveis
à vida da comunidade; ou são objecto de investigação e análise, até de estudiosos ou investigadores sérios, mas que depois usam a sua arte, depois de convenientememe "expurgada"-"seleccionada", para promoção, exibição ou proveito pessoal. Há tentativas no sentido de fazer mudar as coisas. Os artistas populares tomam consciência do seu valor e querem ser reconhecidos e respeitados, ouvidos e vistos como tal; O Património cultural duma determinada Região não é tesouro perdido à disposição de qualquer explorador com espírito patemalista ou intenções mais ao menos colonizadoras que dão bolinhas de vidro e panos coloridos em troca do ouro e das fabulosas riquezas indígenas. Estes parecem-me ser os pontos base, para
alicerçar a introdução·que me pediram. Tratase pois de uma introdução/prefácio
para uma recolha de POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA que foi e está a ser realizada por um grupo de professores encarregados-eempenhados na ALFABETlZAÇÃO, neste concelho, desde 1979. São analfabetos esles poetas? Pode ser analfabeto quem sabe, assim, ler a realidade e quem sabe usar com esta arte a linguagem que têm à sua disposição? O que é ser analfabeto? Mais grave. O que é então alfabetizar? Se for para matar essa cultura e essa arte, então, podemos chamar-lhe - urn crime. Com esta inlrodução, a mim, compete-me abrir pistas ou sugerir linhas de leitura que possam ajudar os interessados a tomar parte nesta festa de poesia. Não aceitei propriameme o papel de juiz. Não tinha que ser rigoroso e exigente na selecção, armado de erudição e de saber dogmático. É um mundo especial esle o da poesia popular para nos atrevermos a ser juízes implacáveis que decidem com segurança o que é bom e o que não presta. Como diz a poeta Carlota Caixinha, de Beja: "Eu não quero ser poeta / Não tenho tal pretensão. / Apenas quero exprimir / A minha imaginação". E, como diz Francisco da Encamação, de Santa Vitória, que anda agora pelos 65 anos, em poema desta antologia e o poeta Manuel de Castro da Cuba que morreu por volta de 1973 com uns 81 ou 82 anos, estes poetas populares, como, aliás, os poetas, sentem, bebem, vêem a poesia nas "inspirações cativantes" que "encerras tu, Natureza", ou para melhor dizer: em tudo, "Desde o insecto à planta / Tudo me diz sinfonia / E tudo me prende e encanta"."
domingo, 20 de Maio de 2018
Alentejo-Património Cultural
José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
29 / Maio / 2012
1. Quem é o autor José Rabaça Gaspar?
Sou EU. Provavelmente com mais de 1001 deNÓMIOS. Como digo na obra, p. 384, é um neologismo inventado, um NOME (outro nome da mesma pessoa), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, cada livro ou cada um dos poemas do autor.
É uma pergunta difícil. A resposta daria para um tratado. O «conhece-te a ti mesmo» de Sócrates, que não deixou nada escrito – é um desafio quase inatíngível…
2.Desde quando é que se dedica à escrita?
Creio que desde sempre. Desde que me lembro de ter aprendido a escrever. A quantidade de arcas, ficheiros e malas cheias de cadernos e notas para “um dia as reescrever”… não sei quantas são.
3. O livro “Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras LENDAS” é fruto de uma investigação sua sobre a identidade cultural das gentes de Beja. O que o levou a escrevê-lo?
Esta Lenda talvez não tenha sido fruto de uma investigação programada e procurada. Nasceu da proposta que fazia aos alunos, quando me diziam que não gostavam dos textos que vinham nos manuais… – Então, tragam-me as vossas “estórias”, contadas pelos vossos pais e avós… um dia, uma aluna esboçou o fio de uma lenda que toda a gente sabia, mas ninguém contava, ou lhe dava qualquer importância! Assim, talvez não se trate simplesmente “de uma investigação (sua) sobre a identidade cultural das gentes de Beja”, mas de algo mais abrangente a precisar de um estudo mais apurado a envolver especialistas de várias áreas do saber, coisa que não é muito levada a sério em Portugal, apesar dos apelos de muitos Mestres, como José Leite de Vasconcellos, que considera este estudo como base para um enraizado desenvolvimento…
4. Porque é que os leitores devem ler este livro?
Confesso siceramente que não sei se há leitores interessados! Fica aí a aposta, o desafio, meu e dos muitos ‘narradores’ deste livro aos possíveis leitores, para uma “Reflexão Crítica”, ou seja, para uma ‘leitura’ atenta dos Volares Culturais Tradicionais que definem a Identidade de um Povo, a fim de conseguirmos uma tomada de Consciência, que nos possa permitir uma intervenção cívica, válida, na sociedade em que vivemos.
5. Tem algum ritual para escrever?
Não tenho. Por vezes tenho que me levantar de noite e rabiscar qualquer coisa em qualquer lado para que as ideias não se percam e esfumem com o despertar… outras vezes no meio da rua ou no café, tenho de escrever em qualquer papel,… até nas embalagens dos maços dos cigarros que são as minhas fichas mais numerosas…. Servem sim, para depois, em silêncio, na minha “Gruta de Alfátima ou Canto do Sol”, quase sempre em intermináveis serões, ir apanhando grão a grão e deixar que aconteça a criação… a poesia.
6. O que tem feito para promover o livro?
Creio que tenho feito um pouco como o autor de “O Principezinho”, Antoine de Saint-Exupéry. Tentou desenhar uma imagem que muito o impressionara “uma jibóia a engolir uma fera (…). Mostrei a minha obra-prima às pessoas crescidas e perguntei-lhes se o meu desenho lhes metia medo. E elas responderam-me: ‘Porque é que um chapéu havia de meter medo?’ ”Mas aquilo, o meu desenho, ‘obra-prima’ era uma jibóia a hibernar digerindo um enorme elefante!!!”
Para promover o livro, tenho mostrado timidamente a algumas pessoas, até alguma divulgação na internet, mas sempre com o medo que tenha de aprender a “pilotar aviões” ou “me mandem cavar batatas…”!
7. Tem algum conselho para quem está a escrever o seu primeiro livro?
Creio que não consigo dar conselhos, porque também, normalmente, não sigo aqueles que me dão… Há que evitar o desperdício e a poluição! Conversar, sim. Sempre que posso tento ouvir o que os outros me dizem e tento VER se também estão atentos para ouvir! Ou OUVER!
8. Como é que conheceu a Bubok? Porque é que decidiu publicar connosco?
Creio que, desde há anos, andava à procura da BUBOK. Uma editora acessível e, sobretudo, que evitasse o desperdício das ‘obras-primas’ que todos temos e em que se arriscam centenas ou milhares de exemplares como ouvimos dos grandes “escritores” e ficam em armazém. Em 2003 descobri uma na Argentina, com quem trabalhei uns três anos e publiquei uma dezena de títulos.
Para uma segunda edição do livro “Gritos na Solidão – Décimas de Inocêncio de Brito”, um amigo telefonou-me a dizer que não era preciso virem de tão longe e deu-me o contacto da Bubok.
Como prefiro o meu retiro, há uma outra sedução que me fascina. É ir comunicando escondido atrás da escrita e dos vários deNÓMIOS e então, passo eu, com outro deNÓMIO, a ser o leitor do que eu próprio escrevo sem necessidade de incomodar as pessoas que têm as suas vidas e as suas pesadas e importantes ocupações. Às vezes fico comovido e desconfiado… Fui eu mesmo que escrevi isto? A edição das Lendas, está disponível em eBook e em papel aqui!
Algumas Obras
de
José Rabaça Gaspar
in https://www.bubok.pt/blog/entrevista-a-jose-rabaca-gaspar-autor-da-bubok/
quinta-feira, 17 de Maio de 2018
Alentejo - Património Cultural
José Rabaça Gaspar
«Nos livros um refúgio
Nas palavras aceitação
Nas frases sonhos
E nas letras emoção...»
in Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago
LENDAS
A obra: Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras Lendas…, de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja. Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia “fugir à regra”.Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está viva, e com pormenores que se vão recombinando consoante as versões, e expressa a ideia de um mito de origem que organiza e mrca a sua concepção do mundo envolvente.Num tempo em que o conhecimento científico impera, todos os ensinamentos baseados na oralidade, os contos, os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados de boca em boca, de geração em geração, parecem estar ameaçados de esquecimento e à deturpação dos seus significados.Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante um conhecimento dos antigos, dos ditos “analfabetos”, que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias e segredos.Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a preservar um património vivo, rico, que merece ser conhecido por todos. Daí que trabalhos como o de José Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados, na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.
Ana Machado
Antropóloga
Autor: José Rabaça Gaspar (coord.), Cremilde Brito, José Fialho e
Manuel de Sousa Aleixo
Estado: Público
Nº de páginas: 172 Tamanho: 210x297
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Colado
Acabamento da capa: BrilloISBN Acabamento em capa mole:
978-84-9916-782-4
Inocêncio de Brito -1854 -1938- foi um notável Mestre na
Arte de versar em Décimas (António Aleixo e
Manuel de Castro consideravam-no “Mestre” nos
despiques da Feira de Castro Verde) "construindo"
com maestria, importantes temas com um profundo
fundamento como a Terra, a Família, a Morte, a
Guerra, a Mulher… Tem sido bastante ignorado e
plagiado, muito considerado pelas pessoas da sua terra
natal, S. Matias, Beja.
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/01-jr
As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar,
podem ver emJosé Rabaça Gaspar - uma Bibliografia ilutrada
http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-
Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04
Alentejo-Património Cultural
José Rabaça Gaspar
SERPA enCANTADA em LENDAS
1 DÉCIMA dedicada a SERPA
de
JOSÉ PENEDO de SERPA
ou José Penedo da SERRA
lendo
LENDAS DE SERPA EM REDONDILHAS
SERPA
Altinho
ou
Ermida da Senhora de Guadalupe
(Foto Inge Wilkens, 1983)
(Postal Rui Cunha, 1985)
1 DÉCIMA dedicada a SERPA
por José Penedo de Serpa
sobre a possível origem de um NOME estranho
MOTE
DE SERPE, SERPENTE ALADA
OU DE SERPÍNEA A PRINCESA
TALVEZ DE ANA, A ENCANTADA
TEM SERPA O NOME, A BELEZA
A lenda conta, que, há anos,
Já esquecidos dos antigos,
Por cá só havia perigos,
Só havia desenganos,
Guerras, solidão e danos...
Foi então, que uma fada
Deu ao rio uma aliada,
Que a região defendia.
Do ANA era a Rainha
A Serpe- Serpente alada.
Mais tarde, fugindo à guerra
Que Rolarte lhe movera...
Orosiano morrera...
E Cófilas se desterra
Construindo nesta terra,
Que achou de rara beleza,
Para a filha a fortaleza
Onde seu noivo chorou
E novo amor encontrou
Serpínia, a bela princesa.
Mas ainda há outra lenda,
Deste rio que era o Ana,
Para os mouros Odiana...
Uma fidalga era prenda
Duma magia tremenda...
Numa cobra transformada,
Numa figueira acoitada
Gritava p’lo desencanto
E o seu pranto era o canto
Talvez de Ana, a encantada.
Não se sabe bem à certa
Qual a profunda razão
Da Serpe que é no Brasão
Da nobre vila de Serpa!?
Nas lendas a descoberta:
- Da Serpe do Ana, a ardileza;
- De Serpínia tem a alteza;
- Ou da fidalga encantada
que em Cobra foi transformada
Tem Serpa o nome, a beleza.
(Desenho de Mirita - in Cancioneiro de Serpa, de Maria Rita Ortigão Pinto Cortez, 1994)
Por se tratar de um DOCUMENTO bastante extenso - e por já ter sido publicado in "SERPA INFORMAÇÃO" 4ª SÉRIE Dezembro de 1996 / Janeiro de 1997 - como SEPARATA - SERPA ANTIGA - em breve será apresentado como eBook ou noutra PÁGINA PRÓPRIA (lendas_de_serpa) nesta TEIA interminável desta REDE inesgotável - em joraga.net/a_minha_teia_na_rede ... ou, enviada a pedido...
Desde Fevereiro de 2004, Serpa enCantada em Lendas, está publicado pela e-libro
com o título A SERPE, de José Penedo de Serpa, e pode ser pedido sob a forma de edição virtual para ser transferido, ou pode ser pedido em formato de papel...
http://www.e-libro.net/libros/libro.aspx?idlibro=1942
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/01-jr
As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar, podem ver em
José Rabaça Gaspar - uma Bibliografia ilutrada
http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04
Alentejo - Património Cultural
José Rabaça Gaspar
Fotografia de Adriano Bastos
«Nos livros um refúgio
Nas palavras aceitação
Nas frases sonhos
E nas letras emoção...»
in Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago
Autor: José Rabaça Gaspar (coord.), Cremilde Brito, José Fialho e
Manuel de Sousa Aleixo
Estado: Público
Nº de páginas: 172 Tamanho: 210x297
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Colado
Acabamento da capa: BrilloISBN Acabamento em capa mole: 978-84-9916-782-4
Inocêncio de Brito -1854 -1938- foi um notável Mestre na
Arte de versar em Décimas (António Aleixo e
Manuel de Castro consideravam-no “Mestre” nos
despiques da Feira de Castro Verde) "construindo"
com maestria, importantes temas com um profundo
fundamento como a Terra, a Família, a Morte, a
Guerra, a Mulher… Tem sido bastante ignorado e
plagiado, muito considerado pelas pessoas da sua terra
natal, S. Matias, Beja.
LENDAS
A obra: Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras Lendas…, de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja. Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia “fugir à regra”.Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está viva, e com pormenores que se vão recombinando consoante as versões, e expressa a ideia de um mito de origem que organiza e mrca a sua concepção do mundo envolvente.Num tempo em que o conhecimento científico impera, todos os ensinamentos baseados na oralidade, os contos, os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados de boca em boca, de geração em geração, parecem estar ameaçados de esquecimento e à deturpação dos seus significados.Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante um conhecimento dos antigos, dos ditos “analfabetos”, que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias e segredos.Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a preservar um património vivo, rico, que merece ser conhecido por
todos. Daí que trabalhos como o de José Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados, na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.
Ana Machado
Antropóloga
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/01-jr
As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar,
podem ver em
José Rabaça Gaspar - uma Bibliografia ilutrada
http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-
Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04
Dr. José Rabaça Gaspar
Festas 2010 - Décimas - "Barriga Verde" (Portel)
https://youtu.be/Wi5wO-eLXow
EU e as DÉCIMAS
(Mas, mais do que as minhas teorias de mero curioso, em breve vou inserir textos de outros autores mais abalizados...)
COMUNICAÇÃO (a) apresenta(da)r nas II JORNADAS DA REVISTA ARQUIVO DE BEJA, subordinadas ao tema: O ALENTEJO E OS OUTROS MUNDOS passado, presente e futuro a realizar em Beja, NERBE, 2.3.4 e 5 de Abril de 1998.
TEMA: AS DÉCIMAS populares? A MAGIA da POESIA POPULAR? Uma ligação mediática com Outros Mundos?
Uma ARTE MAIOR praticada por POETAS populares (sobretudo ao Sul de Portugal) a pedir um estudo sério e profundo a nível superior. É praticamente ignorada e/ou tida em menos conta em todos os níveis do ensino em Portugal, o que é de lamentar.
Entretanto, podemos considerar a DÉCIMA um pequeno prodígio de ARQUITECTURA FORMAL (da Métrica, ao Ritmo, à Rima, desde a Quadra Mote, à Glosa em quatro décimas espelhadas e de retorno a cada um dos quatro versos), como base e fundamento de uma ARTE SIMBÓLICA plurissignificativa.
A mera exigência FORMAL (a que raros eruditos se atrevem) é PRATICADA COMO EXERCÍCIO LÚDICO POR POETAS DO SUL, a maioria considerados analfabetos, por vezes em despiques ou descantes fortuitos em tabernas ou convívios sociais, pondo-a ao serviço de temas que vão desde a pura diversão, aos temas do quotidiano, à história, à crítica social ou política, até aos temas filosóficos da mais profunda sabedoria. (Beja, Abril,1996.
Dizer uma Décima (os poetas que as dizem são conhecidos como "dezedores", entoá-la ou cantá-la, é uma arte, tanto para aquele que a diz, como para aquele que a ouve ou lê. Como arte, é algo que requer, muito de intuição e inspiração, aprendizagem e exercício.
Finalmente arriscamos afirmar que é uma Arte Superior, ou pode ser em princípio, só acessível aos que têm o dom de contactar ou ter acesso a formas de comunicação pouco comuns..., talvez uma certa magia..., algo só acessível aos deuses ou aos que podem comungar com a divindade!!! Será uma afirmação exagerada? Pouco ortodoxa? Que sai fora dos instrumentos de estudo e análise usuais? Mas quem sabe definir o que é a inspiração? O que são as "Tágides" ou as "Ninfas do Mondego" de Camões, as "musas" e os "dons" de que falam os poetas? Onde estão os donos e os mestres da Língua? E os da Poesia? É proibido inovar, ou não se deve falar daquilo que se não conhece? Arriscamos, enfim, a considerar as DÉCIMAS POPULARES como um PRODÍGIO DE ARQUITECTURA POÉTICA a exigir um prodigioso exercício de ginástica mental, praticado muitas vezes por poetas considerados analfabetos!
AUTOR(es) (Função e Instituição):
José Rabaça Gaspar, professor de Língua e Literatura Portuguesa, colocado na Escola Secundária D. Manuel I Beja; e a exercer funções, por destacamento, na Escola Secundária João de Barros Corroios, com o encargo de dar apoio ao Conselho Directivo para a Dinamização de Actividades Culturais.
(Com a colaboração, se possível de
1- Joaquim Ruaz (S. Matias),
2- D. Antónia Carvalho (S. Matias),
3- Mário da Conceição (Santa Clara do Louredo - Boavista),
4- Joaquim António Tareco Curva (o Rei dos Queijinhos da Vidigueira),
5- José Mendes Camacho (o Tio Zé Moleiro de Ribeira da Azenha, Aivados, Vila Nova de Mil Fontes);
e para intervir nas outras ARTES DA FALA:
5- António Ruaz (S. Matias),
6- Luís Alves (S. Matias),
7- D. Rosa Helena (Beringel),
8- Eng.º Santa Maria (Moura a residir em Beja),
9- Manuel e Arisberta Aleixo (S. Matias),
10- Fátima Borges de S. Matias e do Grupo Amador de Teatro - "QUINTA DA ÁGUA" da Esc. Sec. João de Barros de Corroios, que, se possível, tentariam aprender com os fazedores e dezedores de DÉCIMAS e poderiam arriscar jogos diversos desta difícil ARTE DE DIZER, numa tentativa para os tornar, por assim dizer, mais visíveis, dinâmicos, sugestivos e, por conseguinte, mais compreensíveis, abrindo caminhos para novas leituras...)
Para debater a MUSICALIDADE da DÉCIMAS, tanto as ditas pelos "dezedores" como para "descobrir" uma "moda" para ser cantadas (vide Adriano Correia de Oliveira) já contactei os especialistas de Música: Padre António Cartageno e Francisco Fanhais
O autor da Comunicação
José Rabaça Gaspar
Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012
INTRODUÇÃO José Rabaça Gaspar
A POESIA INSPIRADA
TEM ATRAENTE BELEZA;
INSPIRAÇÕES CATIVANTES
ENCERAS TU, NATUREZA
(Francisco da Encarnação, Santa Vitória)
EM TUDO SINTO POESIA
DESDE O INSECTO À PLANTA...
TUDO ME DIZ SINFONIA
E TUDO ME PRENDE E ENCANTA
(Manuel de Castro, Cuba)
"Alguns POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA procuram uma forma de se fazer OUVIR. Este LIVRO, portanto é para OUVIR, caro leitor. Não, não procure o disco no final, nem a cassete inccluída, porque não tem. É isso mesmo. Isto é um LIVRO que você vai OUVIR se você é do Alemejo ou está no Alentejo e/ou é capaz de se deixar penetrar pelo "halo mágico" que envolve o Alentejo e produziu e produz: estes CANTADORES do CANTE alentejano que cantam com o ventre como que sugando
a vida do seio da terra, como o trigo e as flores; estes CONTADORES de HISTÓRIAS
que captam da Terra e da Vida e do Espaço a sua arte de encantar; e os DEZEDORES
de quadras, de décimas, de poesia, que como os outros cantarn e encantam porque
as criam, encarnam e/ou DlZEM como artistas e, com os outros, são expressão da CULTURA POPULAR do ALENTEJO. Os poetas populares, como, aliás, a cultura oral e tradicional, são como a terra, ou a água, ou o sol... Ou se ignoram e desprezam, embora toda a gente saiba que existem e se conte com eles como indispensáveis
à vida da comunidade; ou são objecto de investigação e análise, até de estudiosos ou investigadores sérios, mas que depois usam a sua arte, depois de convenientememe "expurgada"-"seleccionada", para promoção, exibição ou proveito pessoal. Há tentativas no sentido de fazer mudar as coisas. Os artistas populares tomam consciência do seu valor e querem ser reconhecidos e respeitados, ouvidos e vistos como tal; O Património cultural duma determinada Região não é tesouro perdido à disposição de qualquer explorador com espírito patemalista ou intenções mais ao menos colonizadoras que dão bolinhas de vidro e panos coloridos em troca do ouro e das fabulosas riquezas indígenas. Estes parecem-me ser os pontos base, para
alicerçar a introdução·que me pediram. Tratase pois de uma introdução/prefácio
para uma recolha de POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA que foi e está a ser realizada por um grupo de professores encarregados-eempenhados na ALFABETlZAÇÃO, neste concelho, desde 1979. São analfabetos esles poetas? Pode ser analfabeto quem sabe, assim, ler a realidade e quem sabe usar com esta arte a linguagem que têm à sua disposição? O que é ser analfabeto? Mais grave. O que é então alfabetizar? Se for para matar essa cultura e essa arte, então, podemos chamar-lhe - urn crime. Com esta inlrodução, a mim, compete-me abrir pistas ou sugerir linhas de leitura que possam ajudar os interessados a tomar parte nesta festa de poesia. Não aceitei propriameme o papel de juiz. Não tinha que ser rigoroso e exigente na selecção, armado de erudição e de saber dogmático. É um mundo especial esle o da poesia popular para nos atrevermos a ser juízes implacáveis que decidem com segurança o que é bom e o que não presta. Como diz a poeta Carlota Caixinha, de Beja: "Eu não quero ser poeta / Não tenho tal pretensão. / Apenas quero exprimir / A minha imaginação". E, como diz Francisco da Encamação, de Santa Vitória, que anda agora pelos 65 anos, em poema desta antologia e o poeta Manuel de Castro da Cuba que morreu por volta de 1973 com uns 81 ou 82 anos, estes poetas populares, como, aliás, os poetas, sentem, bebem, vêem a poesia nas "inspirações cativantes" que "encerras tu, Natureza", ou para melhor dizer: em tudo, "Desde o insecto à planta / Tudo me diz sinfonia / E tudo me prende e encanta"."
in 1989-joraganet-2012_5aac99711723dddfea081469.html
Alentejo-Cante Alentejano
Dr. José Rabaça Gaspar
"Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -
o CAnto da TErra
é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar
"A obra de José Rabaça Gaspar constitui um valioso contributo para o estudo, defesa e divulgação do Cante Alentejano, no tocante à autenticidade das suas raízes e conhecimento de todos os que através dos seus trabalhos possibilitaram a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade, resultando de trabalho incessante de pesquisa e aprofundado estudo ao longo de décadas .
José RABAÇA GASPAR nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela.
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais.
A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002.
Cante Alentejano- " A voz do ventre da terra"
"Os pilares do Cante Alentejano"
IV Parte Entrevista Dr. José Rabaça Gaspar
Vídeo do YouTube
https://youtu.be/C0H9cErgvEg
29 / Maio / 2012
1. Quem é o autor José Rabaça Gaspar?
Sou EU. Provavelmente com mais de 1001 deNÓMIOS. Como digo na obra, p. 384, é um neologismo inventado, um NOME (outro nome da mesma pessoa), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, cada livro ou cada um dos poemas do autor.
É uma pergunta difícil. A resposta daria para um tratado. O «conhece-te a ti mesmo» de Sócrates, que não deixou nada escrito – é um desafio quase inatíngível…
2.Desde quando é que se dedica à escrita?
Creio que desde sempre. Desde que me lembro de ter aprendido a escrever. A quantidade de arcas, ficheiros e malas cheias de cadernos e notas para “um dia as reescrever”… não sei quantas são.
3. O livro “Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras LENDAS” é fruto de uma investigação sua sobre a identidade cultural das gentes de Beja. O que o levou a escrevê-lo?
Esta Lenda talvez não tenha sido fruto de uma investigação programada e procurada. Nasceu da proposta que fazia aos alunos, quando me diziam que não gostavam dos textos que vinham nos manuais… – Então, tragam-me as vossas “estórias”, contadas pelos vossos pais e avós… um dia, uma aluna esboçou o fio de uma lenda que toda a gente sabia, mas ninguém contava, ou lhe dava qualquer importância! Assim, talvez não se trate simplesmente “de uma investigação (sua) sobre a identidade cultural das gentes de Beja”, mas de algo mais abrangente a precisar de um estudo mais apurado a envolver especialistas de várias áreas do saber, coisa que não é muito levada a sério em Portugal, apesar dos apelos de muitos Mestres, como José Leite de Vasconcellos, que considera este estudo como base para um enraizado desenvolvimento…
4. Porque é que os leitores devem ler este livro?
Confesso siceramente que não sei se há leitores interessados! Fica aí a aposta, o desafio, meu e dos muitos ‘narradores’ deste livro aos possíveis leitores, para uma “Reflexão Crítica”, ou seja, para uma ‘leitura’ atenta dos Volares Culturais Tradicionais que definem a Identidade de um Povo, a fim de conseguirmos uma tomada de Consciência, que nos possa permitir uma intervenção cívica, válida, na sociedade em que vivemos.
5. Tem algum ritual para escrever?
Não tenho. Por vezes tenho que me levantar de noite e rabiscar qualquer coisa em qualquer lado para que as ideias não se percam e esfumem com o despertar… outras vezes no meio da rua ou no café, tenho de escrever em qualquer papel,… até nas embalagens dos maços dos cigarros que são as minhas fichas mais numerosas…. Servem sim, para depois, em silêncio, na minha “Gruta de Alfátima ou Canto do Sol”, quase sempre em intermináveis serões, ir apanhando grão a grão e deixar que aconteça a criação… a poesia.
6. O que tem feito para promover o livro?
Creio que tenho feito um pouco como o autor de “O Principezinho”, Antoine de Saint-Exupéry. Tentou desenhar uma imagem que muito o impressionara “uma jibóia a engolir uma fera (…). Mostrei a minha obra-prima às pessoas crescidas e perguntei-lhes se o meu desenho lhes metia medo. E elas responderam-me: ‘Porque é que um chapéu havia de meter medo?’ ”Mas aquilo, o meu desenho, ‘obra-prima’ era uma jibóia a hibernar digerindo um enorme elefante!!!”
Para promover o livro, tenho mostrado timidamente a algumas pessoas, até alguma divulgação na internet, mas sempre com o medo que tenha de aprender a “pilotar aviões” ou “me mandem cavar batatas…”!
7. Tem algum conselho para quem está a escrever o seu primeiro livro?
Creio que não consigo dar conselhos, porque também, normalmente, não sigo aqueles que me dão… Há que evitar o desperdício e a poluição! Conversar, sim. Sempre que posso tento ouvir o que os outros me dizem e tento VER se também estão atentos para ouvir! Ou OUVER!
8. Como é que conheceu a Bubok? Porque é que decidiu publicar connosco?
Creio que, desde há anos, andava à procura da BUBOK. Uma editora acessível e, sobretudo, que evitasse o desperdício das ‘obras-primas’ que todos temos e em que se arriscam centenas ou milhares de exemplares como ouvimos dos grandes “escritores” e ficam em armazém. Em 2003 descobri uma na Argentina, com quem trabalhei uns três anos e publiquei uma dezena de títulos.
Para uma segunda edição do livro “Gritos na Solidão – Décimas de Inocêncio de Brito”, um amigo telefonou-me a dizer que não era preciso virem de tão longe e deu-me o contacto da Bubok.
Como prefiro o meu retiro, há uma outra sedução que me fascina. É ir comunicando escondido atrás da escrita e dos vários deNÓMIOS e então, passo eu, com outro deNÓMIO, a ser o leitor do que eu próprio escrevo sem necessidade de incomodar as pessoas que têm as suas vidas e as suas pesadas e importantes ocupações. Às vezes fico comovido e desconfiado… Fui eu mesmo que escrevi isto? A edição das Lendas, está disponível em eBook e em papel aqui!
in https://www.bubok.pt/blog/entrevista-a-jose-rabaca-gaspar-autor-da-bubok/
Algumas Obras
de
José Rabaça Gaspar
Fotografias de Adriano Bastos
Em
Alentejo 08- Património Cultural
01 - José Rabaça Gaspar
pode ler
"A VOZ DO VENTRE DA TERRA"
Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -
o CAnto da TErra
é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar
José RABAÇA GASPAR - usando 1001 deNÓMIOS diversos...
Professor de Língua e Literatura Portuguesa, já dispensado do Ensino Oficial.
Nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela.
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais. A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002.
Algumas Obras
de
José Rabaça Gaspar
GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS
Organização por:Distritos, Regiões, Concelhos e Freguesias
(217) registos em 2006.12
–
em revisão para ligações e imagens
–
2011 11
–
vai em +- 271)1.
dB BEJA
Distrito de Beja
–
Baixo Alentejo
–
Com os concelhos:Aljustrel: (Aljustrel, Ervidel, Rio de Moinhos, São João de Negrilhos);Almodôvar: (Almodôvar, Rosário, Santa Clara-a-Nova, Santa Cruz, Semblana);Alvito:Barrancos:Beja: Beja (BVB, Caixa CMB, Coro Câmara, Coro do Carmo, CTT, Hospital), (Albernôa,Baleizão, Beringel, Cabeça Gorda, Mombeja, Penedo Gordo, Salvada, Santa Vitória,São Matias);Castro Verde: Castro Verde (GC Feminino, Ganhões - AssCante, Carapinhas, ModasCampaniças, (Casével: Vozes de C, Vozes da Rerras Brancas, Antigas mondadeiras),Sete (Cardadores);Cuba: Cuba (Flores, Ceifeiros e Ceifeiras), Faro do Alentejo (São Luís), Vila AlvaFerreira do Alentejo: Ferreira (Alma Nova, Trabalhadores, Reformados, Rosas de Março),Alfundão (Sementes, GCoral, Raízes, Unidos) Figueira de Cavaleiros (Rurais, Infantil,Feminino) Peroguarda (Rebentos e Alma Alentejana), Santa Margarida do Sado:Mértola, Mértola (Guadiana) Mina de S. Domingos; Moura, Moura (Ateneu), Alqueva,Amareleja (CPovo e Espigas Douradas), Póvoa de São Miguel, Santo Aleixo da Restauração
(Restauradores, CPovo), Santo Amador, Sobral d‟Adiça; Odemira: Odemira, Amoreiras Gare,
Sabóia, Vila Nova de Milfontes; Ourique, Ourique, Garvão (Flores de Maio, Alma Alentejanae Infantil); Serpa: Serpa (Ceifeiros, CPovo, Brainstorm, Alentejanos, Trigo Roxo, Sementes),A do Pinto, Brinches (CPovo e Feminino), Pias (Camponeses e Canto moço), São Marcos daAtabueira (Atabuas e Algazarra), Vale de Vargo (Camponese e Arco Íris); Vila Nova de SãoBento (Cantadores e Etnográfico), Vila Verde de Ficalho (Arraianos, Chocalheiros e Serões doAlentejo),Vidigueira: Vidigueira (Os Amigos, Vindimadores e Adiafa?), Pedrógão, Vila de Frades (Voz
do Alentejo e ver Trovadores? De “VF já nã tem Abades”…)
TOTAL: 120 Grupos de 001 a 120
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/01-jr
As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar, podem ver em
José Rabaça Gaspar - uma Bibliografia ilutrada
http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04
"A VOZ DO VENTRE DA TERRA"
Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -
o CAnto da TErra
é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar
A obra de José Rabaça Gaspar constitui um valioso contributo
para o estudo, defesa e divulgação do Cante Alentejano, no tocante
à autenticidade das suas raízes e conhecimento de todos
os que através dos seus trabalhos possibilitaram a sua
candidatura a Património Imaterial da Humanidade,
resultando de trabalho incessante de pesquisa e aprofundado
estudo ao longo de décadas .
O Blogue "AmigosterrasdeBorba"presta sua justa homenagem
ao Professor
José Rabaça Gaspar pelo trabalho discreto, objectivo e valioso
para o estudo do Cante Alentejano
foto de Adriano Bastos
CANTE ALENTEJANO
Pequeno contributo / sugestão de José Rabaça Gaspar
GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS
EXTRA - A pedidos frequentes de informação, insiro como mais um serviço
Grupos Associados da MODA - Associação do Cante
embora fora de tempo as Roncas de Évora no Natal...
TEMAS em ESTUDO e EVOLUÇÃO permanente:
O CANTO DO CANTE
GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS
por um Cigano Castanho vindo da Serra da Estrela
JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça Gaspar
"... Só me lembro que, no final da procissão das velas, na Praça do Município apinhada de gente, pude ouvir duma maneira diferente, e parece que começar a perceber, porque é que o Canto Alentejano, não era CANTO, mas o CANTE - CANto da TErra. Tínhamos sido convidados por uns amigos de Setúbal, o Emanuel e a Rosa, que iam visitar uma família espantosa que tinham conhecido em Serpa, uma terra ainda mais espantosa. Eram os Fabelas. Pouco os vi depois, apesar de mais de uma dezena de anos no Alentejo, ali tão perto. Pena. Cantavam no Grupo Coral. Um Grupo que canta Alentejano como deve ser e não como ouvimos por aí cantar... Isto era o Emanuel a falar. Fomos. Eram férias da Páscoa mas não tínhamos muito tempo para ir. O trabalho era muito. Fomos recebidos e tratados que nem príncipes... E à noite, no fim da procissão, acabadas as cerimónias quando parecia que tudo tinha terminado, mal eu sabia que estava tudo a começar. Acabava a cerimónia religiosa e começava a festa. A Festa das Pessoas. Da Gente. De repente, vi-me naquela Praça do Município cheia de gente. Um grupo de quatro ou cinco entoou dalém uma moda... logo outro aqui mais ao pé... depois outros... outros... outros... Quando dei por mim, estava com a pele toda arrepiada e sentia a música subir das entranhas da Terra e inundar-me por completo. Eu pensava que tinha ouvido já cantar à Alentejana. Nunca tinha ouvido. Aquela Praça transformou-se por magia numa Catedral imensa da Natureza que só tinha como tecto o céu cheio de estrelas... Tinham-me dito que os Alentejanos não eram religiosos! Eu acreditava. Ali eles eram a Voz da Terra, cultores de uma Religião mais autêntica e verdadeira daquelas que eu conhecia. Quando todo o chão tremeu e eu com ele, percebi, ou pareceu-me perceber, porque é que o Cante, não era o Canto Alentejano que se ouvia na rádio, na tevê, ou num palco... Pareceu-me ver, sentir, que o CANTE, quando dois ou mais se juntam para entoar uma moda, os seus grupos, os seus coros, era algo de muito profundo e sério. Era algo que vinha de muito fundo. Das entranhas da Terra. Com os pés calcando o chão, ombro a ombro, mãos a abraçar o companheiro da frente, o canto lançado pelas gargantas através do ar armazenado na barriga, aquilo não era um canto humano. Era a Voz da Terra. Era o grito do Ventre da Terra! Disse-o na rádio no Dia Mundial da Música que se realizou em Beja na década de oitenta. Disse-o ao lado do Torrão que ali cantou para provar o que dizia. Estavam outros amigos. Sempre que posso, tenho pedido a eles e outros amigos: Não deixem profanar o encanto, a magia deste CANTE. Cantem com os pés na Terra. No meio das gentes. Não tentem arremedar os grupos de palco e de palanque com milhares de wats microfones e altifalantes... Não tem nada a ver com o CANTE, penso eu. No dia em que perderem esta autenticidade, e a maior parte dos bons grupos que conheço, como o de Pias, Castro, Cuba, Vila Nova de S. Bento..., para só falar de alguns, não a perderam, nessa altura, se se deixarem cair na tentação do vedetismo e de competição com os outros grupos e tipos de canto, deixará de haver o CANTE."
Organização, digitalização e montagem de José Rabaça Gaspar
Alice Galeria 2007
LENDAS
A obra: Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras Lendas…, de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja.
Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia “fugir à regra”.
Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está viva, e com pormenores que se vão recombinando consoante as versões, e expressa a ideia de um mito de origem que organiza e marca a sua concepção do mundo envolvente.
Num tempo em que o conhecimento científico impera, todos os ensinamentos baseados na oralidade, os contos, os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados de boca em boca, de geração em geração, parecem estar ameaçados de esquecimento e à deturpação dos seus significados.
Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante um conhecimento dos antigos, dos ditos “analfabetos”, que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias e segredos.
Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a preservar um património vivo, rico, que merece ser conhecido por todos. Daí que trabalhos como o de José Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados, na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.
Ana Machado
Antropóloga
Pequeno contributo / sugestão de José Rabaça Gaspar
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/01-jr
As pessoas quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar, podem ver em
José Rabaça Gaspar - uma Bibliografia ilutrada
http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04
José RABAÇA GASPAR - usando 1001 deNÓMIOS diversos...
Professor de Língua e Literatura Portuguesa, já dispensado do Ensino Oficial.
Nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela.
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais. A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002.
INOCÊNCIO de BRITO
In “Gritos na Solidão” Décimas de Inocêncio de Brito Poeta popular de S.Matias, Beja- José Rabaça Gaspar (coord.), Cremilde Brito e José Fialho, Manuel de Sousa Aleixo
Poeta Popular de S. Matias, Beja, MESTRE em DÉCIMAS e QUADRAS
Neste lugar solitário
Onde o acaso me tem
Brado ninguém me responde
Olho não vejo ninguém
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Junho 2006
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Outubro 2003
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Junho 2006
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Maio de 2004
"Prosa Poética de A.A.
No olhar dos velhos da minha aldeia
No olhar dos velhos da minha aldeia, repousam memórias de tempos em que a seara era mais dourada, o trigo era mais verde e a terra sigilata se contorcia em movimentos sensuais despertado pelas caricias do arado e recebia, qual mulher ardendo em paixão, a semente lançada à terra.
No olhar dos velhos da minha aldeia, repousam imagens claras de raparigas junto ao poço, descalças e de saias arregaçadas, matando o calor com água que lhes molhava o rosto e escorria por entre os seios, percorrendo lugares secretos dos corpos brancos que eles tentavam adivinhar.
No olhar dos velhos da minha aldeia, repousam alegrias de conversas à mesa da taberna em que um naco de pão e queijo e uma garrafa de vinho, alimentavam a esperança de um amanhã sem fome, sem dor, e o cante fortalecia as almas unindo-as num só, chegando mais alto, sentindo-se mais fortes…
No olhar dos velhos da minha aldeia, repousam ainda aqueles que já empreenderam a viagem mas que continuam vivos no ondular do trigo, nas oliveiras grávidas de luz e nos chaparros guardiães de sol.
No olhar dos velhos da minha aldeia, repousam, enfim as almas antigas dos sábios, dos simples, dos que choram de emoção ao ver a vida em cada planta recém-nascida, em cada gota de água que a alimenta, e continuam crianças desvendando o milagre de cada novo amanhecer.
Primavera de1999. Remetendo para OS OLHOS tema glosado pelo mestre Inocêncio de Brito, uma filha adoptiva de S.Matias que assina A.A. enviou-nos este poema.”
"Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)...
Apresentação
José Penedo de Castro é um cigano andarilho de FEIRAS que tenta mostrar com palavras e imagens o movimento e o colorido destes centros de Encontros e desEncontros...
Publicou também, na mesma editora, como José d'A MAR - A MAR e A ILHA."
INOCÊNCIO de BRITO
Poeta Popular de S. Matias, Beja, MESTRE em DÉCIMAS e QUADRAS
Neste lugar solitário
Onde o acaso me tem
Brado ninguém me responde
Olho não vejo ninguém
Autor: José Penedo de Moura
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net )
"Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)..."
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Março de 2006
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Dezembro de 2003
José Penedo de Castro é um cigano andarilho de FEIRAS que tenta mostrar com palavras e imagens o movimento e o colorido destes centros de Encontros e desEncontros...
Publicou também, na mesma editora, como José d'A MAR - A MAR e A ILHA.
Autor: Hermes do ZÊzere
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net
Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)
"...a evocação lendária de Viriato, o temerário e audaz chefe dos Lusitanos, que os vis Romanos, feridos no seu orgulho, apelidaram de "Dux Latronum" ou chefe de um grupo de bandoleiros e salteadores e alguns consideram não como libertador de um povo contra os Romano mas o causador de grandes perturbações e atrasos civilizacionais entre os diversos povos da Península Ibérica que não tinham a consciência de um todo como Povo!"
Primeira Edição Virtual e em"
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Agosto de 2003
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Abril de 2003
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Março de 2005
Joraga Amstrad pcw8256
1ºde Maio de 1989
Penedo Gordo,Beja
Autor: José Penedo
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net )
Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)...
Apresentação
Lendas de Beja: o Touro e a Cobra e Outras Lendas
José Rabaça Gaspar
Obra ainda não publicadaLENDAS
"A obra Lendas de Beja - O Touro e a Cobra e outras Lendas..., de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja.
Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia "fugir à regra"."
Ana Machado
Antropóloga
Autor: Herminia Herminii
Um deNómio de José Rabaça Gaspar.
NOMINALIA ou a FESTA dos NOMES é uma Sinfonia caótica da minha STerra - Serra da Estrela - Manteigas. NOMES de Terras, toponímia, apelidos e alcunhas, e a Arte do FALAR, são 3 livros num só… Herminia é a Senhora, guardiã das tradições populares…revelados nos NOMES…
"... o Povo da minha STerra conseguiu criar um país belo, quase sem agredir a Mãe Natureza,
e para o criar, deu nome próprio às coisas, aos sítios e lugares, às pedras e às rochas e fraguedos e penedos e às suas variadas formas... ali, na minha STerra, tudo tem um nome…
e deu nome aos seus vizinhos e parentes que por vezes são mais verdadeiros que os da Pia do Baptismo... mas por vezes um tanto "agressivos" de tão verdadeiros e "graníticos"…
e assim criou o Nuosso Muodo de Fualar... um Universo próprio que é Sinal e Selo da sua, da nossa Identidade... que nos torna únicos e diferentes, iguais em todo o Mundo, com o direito de sermos diferentes..."
Autor: José d'A MAR
Um deNómio de José Rabaça Gaspar
"A MAR
José d'A MAR poeta na alma traz consigo o ciclo de renascer da força das águas.
O José é um mar de emoções vividas num mundo demasiado interiorizado, manifestado aqui em turbilhões de sentimentos e inconformismo dando vida às palavras e dando voz a quantos nele se revêem. Escritos em diferentes fases do seu percurso revelam todos eles o grito calado, de um inconformismo com o Mundo dos Homens.
Vale a pena percorrer estes versos como rios de um mar em contínua transformação.
Fátima Borges".
Autor: José d'A MAR
Um deNómio de José Rabaça Gaspar
"Quando eu era pequenino
Acabado de nascer
eu mal sabia falar
e gostava de ouvir contar
contos para adormecer!
Eram mouros, eram fadas
vindas pelas madrugadas
ou em noites de luar...
Eram as lindas donzelas
encerradas em castelos
tranças louras, olhos belos,
tristes, tristes, a chorar!
Eu ficava impressionado
com tudo aquilo que ouvia...
depois, quando adormecia,
punha-me a sonhar com elas...
Agora que já sei ler
nas folhas que os livros têm
nelas aprendo também
contos lindos, coisas belas...
e tudo o que os livros ensinam
com carinho e com amor...
É milagre redentor
de suas letras singelas!"
(Poema do Tio Zé Moleiro, Ribeira dos Aivados, Porto Covo, o Poeta de cabelos brancos e olhos azuis que me contou tantas lendas, contos, patranhas e poesia... tantas histórias com tanta fantasia... e conhece com os pés e com as mãos, cada pedra e cada recanto das falésias do mar entre Porto Covo e Vila Nova de Mil Fontes, a ponto de me ensinar o esconderijo secreto onde tem a sua cana de pescar... Com ele, a minha homenagem à poesia popular e aos contadores de histórias, que seriam a continuação normal desta/s publicação/õesas letras singelas!
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Novembro de 2005
e-libro.net
Buenos Aires-Fevereiro de 2004
José Penedo de Serpa, outro deNómio de José Rabaça, canta AQUI as Lendas da SERPE e as origens de SERPA e Mértola...
Otros/Outros deNómios de José Rabaça Gaspar: José d’A MAR (A MAR, A ILHA), José Penedo de Castro (A FEIRA), José Penedo (A COBRA).
SINOPSE
"Diz José Penedo de Serpa: “A Serpe tem como introdução o relato de uma, das poucas mas significativas passagens por SERPA, a cidade Branca de nome misterioso."
Autor: Viriato dos Hermínios
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net
Não é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS... (quase um por poema)...
"«O que perturba e alarma o Homem não são as coisas, mas as suas opiniões e fantasias acerca das coisas…» (Epicteto, pC 50 – 138).
Esta obra é especialmente dedicada aos “pastores” que descobriram um Mundo de outro Reino, os montes ermos, os Hermínios e contra tudo e todos, e apesar dos mitos e das lendas, e apesar do meio agreste e rude impróprio para viver (Montes Ermos – Hermínios), decidiram, ali, estabelecer morada, criando um Mundo diferente de outros Reinos…
Resumo da mensagem que, segundo o autor, lhe foi ditada pela ESTRELA – A SERRA, não por uma qualquer Estrela distante e desconhecida:"
Primeira Edição Virtual e em
papel,e-libro.net, Buenos Aires,
Agosto de 2004
Autor: José da Serra do Vale do Zêzere
Um deNómio de José Rabaça Gaspar
"com este livro sobre a LENDA da MOURA – ALFÁTIMA – numa terra, na Serra da Estrela – Manteigas – onde possivelmente, os mouros nunca estiveram, JRG, joraga, agora com o nome de José da Serra do Vale do Zêzere, e que já se chamou, José d’A MAR, José Penedo, José Penedo de Castro, de Serpa e de Moura, decide regressar ao FUTURO (seu ou da Humanidade a crescer para a Fraternidade universal?...) e dar início a uma, talvez infindável VIAGEM, que são muitas – VIAGEM À MINHA STerra – à Serra da Estrela e Terra, onde nasceu, Manteigas, com 10 Lendas da Moura encantada numa Caverna / Palácio encantado, cheio de tesouros fabulosos, no Coruto de Alfátima, perto das Penhas Douradas, o morro que já domina Gouveia e a planície para Norte da Beira Alta, à espera de uma libertação gloriosa, quando Cristãos e Mouros se tornarem um só POVO.
Parece uma LENDA datada. O autor já a ouvia contar à sua avó, que já vinha do século XIX, (1874), tendo-o acompanhado todo o século XX, à espera do Milagre!"