Página Cultural






         





    
Fotografia de Adriano Bastos


O Alentejano


"Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo"

Pintura de Espiga Pinto, sobre madeira, datada de 1965. 130x40cm
Col. Centro de Arte Moderna da 








O Alentejo lembra-me sempre 
 Um imenso relógio de sol
  Onde o homem faz de ponteiro do tempo 

 Miguel Torga 


 



Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019


Sugestão de Passeio


"Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas

 torna os homens ponderados."

«Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito

Miguel Cervantes


Alentejo-Paisagens do Sul

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/2KNddSvdpn8



Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

 

 Emigração

Resultado de imagem para Photo of Gérald Bloncourt
Gérald Bloncourt 
Photo in bloncourt-1.png
Iremos ao longo do tempo recolhendo textos relativos a esta temática, experiência dolorosa de milhões de portugueses, obrigados pelas circunstâncias a procurarem seu sustento e dos seus, longe das suas raizes. 
Iniciamos com textos de um dos maiores vultos da nossa Literatura, José Rentes de Carvalho. Sobre Rentes de Carvalho o Prémio Nobel da Literatura José Saramago refere, "O prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza."

"De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravatura que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração portuguesa supõe a renúncia à revolta".
José Rentes de Carvalho

L'IMMIGRATION PORTUGAISE

L'IMMIGRATION PORTUGAISE

L'IMMIGRATION PORTUGAISE

L'IMMIGRATION PORTUGAISE


"Le photographe Gérald Bloncourt a été le témoin privilégié de l'immigration portugaise massive en France pendant les trente glorieuses. Ses splendides clichés en noir et blanc ont été exposés au Musée d’art contemporain de Lisbonne en 2008, et à la Cité Nationale de L’Histoire et de L’Immigration à Paris entre mai et juillet 2013 à l'occasion d'une exposition intitulée « Pour une vie meilleure ».
A imagem pode conter: 2 pessoas, textoPour mieux comprendre ce phénomène de société qui touchait des centaines de milliers de personnes, Gérald Bloncourt s’est rendu au Portugal, plus particulièrement dans le nord du pays. Là, le photographe a ramené des images qui montrent toute une région marquée par le dépeuplement et la misère. Puis il a fait le voyage avec les émigrés. Tout d’abord en train. De très belles photos ont immortalisé le flux ininterrompu de voyageurs emportant toute leur maison avec eux, des hommes et des femmes qui ont mis leurs plus beaux habits pour faire le « salto », le grand saut vers « une vie meilleure ». Cinquante ans après, on voit des familles fourbues, désemparées, endormies sur leurs valises en carton, qui attendent le grand départ pour la France à la gare d’Hendaye, et l’arrivée comme une délivrance à Paris, à la gare d’Austerlitz.A imagem pode conter: 1 pessoa, textoCe qui caractérise les grands photographes c’est aussi leur capacité à se fondre dans le décor, pour ne plus former qu’un avec lui, pour en tirer toute la beauté, toute la force et la vérité intrinsèque. C’est le sentiment que l’on a lorsqu’on voit tout d’abord le cliché pris dans les Pyrénées en mars 1965, une colonne silencieuse de clandestins qui traversent la montagne à pied, le long d’un sentier de mulets.
Arrivés en France, les Immigrés Portugais n’étaient pas au bout de leurs peines, ni de leur souffrance. A travers de nombreux et très beaux clichés, le photographe nous offre un émouvant témoignage sur les conditions de vie au quotidien dans les grands bidonvilles de la région parisienne, à Champigny, à Aubervilliers, à Saint-Denis. On voit des hommes engoncés dans de pauvres habits partant travailler à l’aube, des femmes et des enfants désœuvrés qui attendent devant des baraques de fortune en bois et en tôle, des enfants insouciants jouant au milieu des bourbiers, des attroupements aux points d’eau, la vie forcée en plein air quel que soit le temps, les hommes qui retournent du travail à la tombée de la nuit, les repas dans les baraquements autour de gamelles en fer-blanc, la vie le dimanche comme au village, le coiffeur qui s’applique, un homme qui lit le journal avec sérieux, des jeunes qui plaisantent…A imagem pode conter: montanha, ar livre e naturezaCinquante ans après, si toutes ces belles images n’ont pas pris une ride, si elles sont tellement présentes, tellement poignantes, tellement actuelles, c’est parce que ce sont des instantanés qui ont su appréhender sans détours ce qu’était la vraie vie de milliers d’hommes, de femmes et d’enfants. C’est un cadeau d’une valeur inestimable que Gérald Bloncourt nous a fait, à nous Portugais, qui avons connu ce moment douloureux de notre histoire, mais aussi pour nos enfants, curieux de connaître tout ce que nous avons enduré pour leur offrir une vie meilleure…"

Luis Coixao



 



Domingo, 16 de Fevereiro de 2019


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Vitorino - Vou-me embora vou partir

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/TlKRaxrYpys

Júlio Pereira
"Celtibera" do disco "Os Sete Instrumentos" (LP 1986) 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/oR-WBenrxHM          

Sergio Godinho
Com Um Brilhozinho Nos Olhos 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/aMKHMcS7X3g
              

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

Fotografia

Recolha fotográfica

 no Alentejo dos últimos ciganos nómadas 

Pierre Gonnord 




"(Cholet, França 1963)começou seu projeto pessoal sobre o rosto humano no final dos anos 90,construíndo
ao longo dos anos um conjunto de retratosidentificáveisPierre Gonnord (França 1963),vive e trabalha em Madrid desde 1988. Seu próprioprojeto tornou-se um estilo de vida, uma viagem pelas   estradas em busca de personagenspertencentes a grupos sociais com forte identidade cultural. Aborda, vive e trabalha com tribosclãs, mas especialmente com indivíduos marginalizados da da nossa paisagem urbanana era da globalização e, portanto, condenada a desaparecer"  O francês Pierre Gonnord(Cholet, 1963) tem se dedicado a retratar os nômadas que se deslocam para trabalhar entre Espanha e Portugal. "Com muita paciência e muita gasolina gasta", diz ele, que viajoumilhares de quilômetros para fotografar"indivíduos longe das cidades." 


 




Poeta da fotografia e expoente máximo nesta arte, Pierre Gonnord, trabalhou na recolha
fotográfica  no Alentejo dos últimos ciganos nómadas e os seus animais. Seus valiosos 
trabalhos foram expostos no ùltimo semestre de 2014 em Cáceres, e estão actualmente 
em Nova Iorque.


 



 
 




 









 


 








Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019


Efemérides

Catarina Eufémia

13 de Fevereiro de 1928 - 19 de Maio de 1954

Assassinada a 19 de Maio de 1954

Catarina Efigénia Sabino Eufémia (Baleizão, Beja, 13 de Fevereiro de 1928 — Monte do

 Olival, Baleizão, Beja, 19 de Maio de 1954) foi uma ceifeira portuguesa que, 

na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada a tiros, 

pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana. (Wikipédia)


A imagem pode conter: 1 pessoa, closeup


"Cantar Alentejano"-Homenagem a Catarina Eufémia

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/NBUKpZZ-e6g

CATARINA EUFÉMIA

Sophia de Mello Breyner Anderson 
 
O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente 
Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

  A imagem pode conter: nuvem, céu, ar livre e natureza

 


Nenhuma descrição de foto disponível.


  “Chamava-se Catarina/ O Alentejo a viu nascer/ Serranas viram-na em vida/ Baleizão a viu morrer”. 

Pela voz de Zeca Afonso, Catarina Eufémia foi eternizada na História do Alentejo e as suas terras tingidas do vermelho sangue derramado.

Continuaremos o teu testemunho, Catarina. A tua chama já mais se apagará! 

"CATARINA EUFÉMIA (1928 - 1954)

Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão (Beja) a 13 de Fevereiro de 1928 e faleceu em Monte do Olival, morta a tiro no dia 19 de Maio de 1954. 

Era ceifeira e na sequência de uma greve de assalariadas rurais foi assassinada pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana.Tinha vinte e seis anos de idade e três filhos, um dos quais de oito meses, que estava ao seu colo no momento em que foi baleada.

A trágica história de Catarina acabou por personificar a resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da luta e da repressão no Alentejo. Vicente Campinas, Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos e Maria Luísa Vilão Palma dedicaram-lhe poemas. Zeca Afonso dedicou a Catarina Eufémia uma das canções mais emblemáticas da resistência o fascismo: "Cantar Alentejano" do álbum "Cantigas de Maio".

.
1. No dia 19 de Maio de 1954, em plena época da ceifa do trigo, Catarina e treze outras ceifeiras foram reclamar (ao feitor da propriedade onde trabalhavam) um aumento de dois escudos por jorna. Os homens da ceifa terão sido contrários à constituição do grupo de mulheres, mas acabaram por não hostilizar a acção destas. As catorze mulheres foram suficientes para atemorizar o feitor que foi a Beja chamar o proprietário e a guarda. Catarina fora escolhida pelas suas colegas para apresentar as suas reivindicações. A uma pergunta do tenente da guarda, Catarina terá respondido que só queriam "trabalho e pão". Como resposta teve uma bofetada que a tombou. Ao levantar-se terá dito: "Já agora mate-me." O tenente da guarda disparou três balas. O menino de colo, que Catarina tinha nos braços ficou ferido na queda. Uma outra camponesa teria ficado ferida também (1).
Após a autópsia, temendo a reacção da população, as autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar. Quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto, e as forças policiais reprimiram violentamente a população, espancando não só os familiares da falecida, outros rurais de Baleizão, como gente simples de Beja que pretendia associar-se ao funeral. O caixão acabou por ser levado à pressa, sob escolta da polícia, não para o cemitério de Baleizão, mas para Quintos (a terra do seu marido cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona, como lhe chamavam) a cerca de dez quilómetros de Baleizão. Vinte anos depois, em 1974, os seus restos mortais foram finalmente trasladados para Baleizão.

Na sequência dos distúrbios do funeral, nove camponeses foram acusados de desrespeito à autoridade; a maioria destes foi condenada a dois anos de prisão com pena suspensa. O tenente Carrajola foi transferido para Aljustrel mas nunca veio a ser sequer julgado em tribunal. Faleceu em 1964.

2. Um testemunho

Segundo António Gervásio (dirigente do PCP na clandestinidade no Alentejo, nos anos 50):

«Foi a 19 de Maio de 1954, no começo das ceifas, numa luta por melhores jornas, nas redondezas de Baleizão, onde o famigerado Carrajola, um tenente da GNR de Beja, num acto de ódio criminoso, assassinou Catarina com uma rajada de metralhadora. Por lutar por melhores jornas!
Os trabalhadores agrícolas de Baleizão estavam em greve, reivindicavam melhores jornas nas ceifas. A GNR tinha a aldeia cercada. Próximo dali, um rancho, arregimentado pelo agrário, «furou» a greve. Catarina e mais 14 companheiras romperam o esquema da GNR e foram ao encontro do grupo que ceifava. Foram interceptadas pelo tenente Carrajola que as questionou, cheio de ódio, sobre o que queriam elas. Catarina respondeu: "Quero pão para matar a fome aos meus filhos!". Em resposta, o criminoso Carrajola disparou uma rajada de metralhadora, matando Catarina..».

3. A notícia num jornal

«Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção da G.N.R. de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metrelhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora.»

4. A autópsia de Catarina Eufémia

«De acordo com a autópsia, Catarina foi atingida por "três balas, à queima-roupa, pelas costas, actuando da esquerda para a direita, de baixo para cima e ligeiramente de trás para a frente, com o cano da arma encostada ao corpo da vítima. O agressor deveria estar atrás e à esquerda em relação à vítima". Ainda segundo o relatório da autópsia, Catarina Eufémia era "de estatura mediana (1,65 m), de cor branco-marmórea, de cabelos pretos, olhos castanhos, de sistema muscular pouco desenvolvido".

Após a autópsia, temendo a reacção da população, as autoridades resolveram realizar o funeral às escondidas, antecipando-o de uma hora em relação àquela que tinham feito constar. Quando se preparavam para iniciar a sua saída às escondidas, o povo correu para o caixão com gritos de protesto, e as forças policiais reprimiram violentamente a população, espancando não só os familiares da falecida, outros rurais de Baleizão, como gente simples de Beja que pretendia associar-se ao funeral. O caixão acabou por ser levado à pressa, sob escolta da polícia, não para o cemitério de Baleizão, mas para Quintos (a terra do seu marido cantoneiro António Joaquim do Carmo, o Carmona, como lhe chamavam) a cerca de dez quilómetros de Baleizão. Vinte anos depois, em 1974, os seus restos mortais foram finalmente trasladados para Baleizão.

Na sequência dos distúrbios do funeral, nove camponeses foram acusados de desrespeito à autoridade; a maioria destes foi condenada a dois anos de prisão com pena suspensa. O tenente Carrajola foi transferido para Aljustrel mas nunca veio a ser sequer julgado em tribunal. Faleceu em 1964.»

(...) «Afirmou-se também que Catarina Eufémia estaria grávida de alguns meses no momento em que foi assassinada. Aparentemente, essa informação teria vindo de outras ceifeiras, a quem Catarina alguns dias antes de ser assassinada teria revelado o seu estado amenorreico. Durante a autópsia, o povo de Baleizão juntou-se no largo da Sé de Beja, a poucos metros do Hospital da Misericórdia, clamando em desespero e revolta: "Não foi uma, foram duas mortes!". No entanto, o médico legista que a autopsiou, Henriques Pinheiro, afirmou repetidamente, inclusive depois da revolução de 1974, que as referências a uma gravidez eram falsas.»

Nota:

(1) Melo Garrido, que acompanhou o assunto como redactor do 'Diário do Alentejo' e correspondente de 'O Século', no seu livro "A Morte de Catarina Eufémia - A Grande Dúvida de um Grande Drama" conta assim:
«Julgavam as mulheres que o patrão estivesse lá [no monte do Olival] e pretendiam expor-lhe as suas razões, convencidas de que acabariam por ver atendido o seu pedido. Mas o patrão não estava, retido, por doença, na sua casa em Beja, onde de resto habitualmente residia. Um seu empregado de confiança, José Vedor, ao avistar de longe o cordão de 14 mulheres, assustou-se e dirigiu-se de automóvel a Beja, a informar o patrão. Este, assim mal esclarecido, comunicou o caso à Guarda Nacional Republicana. O comandante de secção desta, tenente Carrajola, partiu imediatamente para o local, acompanhado de vários soldados. Cruzou-se com o grupo de mulheres à beira de um faval. Catarina Eufémia marchava à frente do grupo e foi a ela que o tenente Carrajola interpelou, encostando-lhe ao peito uma metralhadora e perguntando-lhe desabridamente o que pretendia. A camponesa respondeu-lhe: "Trabalho e pão!". O oficial da G.N.R. atingiu-a de acto imediato com uma violenta bofetada. Catarina, que levava ao colo o filho mais novo, caiu, arrastando na queda a criança, que sofreu alguns ferimentos. O tenente desviou a metralhadora e logo soaram três tiros que atingiram Catarina Eufémia pelas costas. (...) O proprietário do 'monte', dr. Fernando Nunes Ribeiro, chegava entretanto ao local. Levantou Catarina Eufémia do chão mas ela morreu-lhe nos braços. Recomendou ao tenente que tivesse calma. Este retorquiu-lhe porém que, uma vez chamada a G.N.R., era só ele, tenente, quem mandava ali. E, em gritos encolerizados, continuava a dirigir insultos às aterrorizadas companheiras da infeliz Catarina, denominando-as especialmente de «burras»."

Artigo da página do Facebook de "Antifascistas da Resistência"
4 de setembro de 2015 · 

Biografia da autoria de Helena Pato

http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/index.htm
- “Diário do Alentejo”, 21 de Maio de 1954.
-https://pt.wikipedia.org/wiki/Catarina_Euf%C3%A9mia
- A Morte de Catarina Eufémia - A Grande Dúvida de um Grande Drama, Melo Garrido.


in Manuela Santos-FB

 



Segunda-feira,11 de Fevereiro de 2019



Em Alentejo 


"Alentejo Terra de Escritores"


Vidigueira


Fialho de Almeida
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Photo in http://wwwpoetanarquista.blogspot.com/

Vida pessoal e formação

Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades, Vidigueira, no dia 7 de Maio de 1857, filho de um mestre-escola.[1]

Realizou os estudos secundários num colégio de Lisboa, entre 1866 e 1871; empregou-se numa farmácia, e formou-se em Medicina, entre 1878 e 1885. Em 1893 voltou à sua terra natal, onde desposou uma senhora abastada, que faleceu logo no ano seguinte e da qual não teve descendência.[1]

Fialho de Almeida faleceu a 4 de Março de 1911, na localidade de Cuba[1], onde foi sepultado.[2]

Obra[editar | editar código-fonte]

Fialho de Almeida por António Carneiro.

Nunca exerceu medicina, tendo-se dedicado ao jornalismo e à literatura.[1] Tornou-se lavrador em Cuba, mas continuou a publicar artigos para jornais, e a escrever vários contos e crónicas.[1]

Entre as suas obras mais notáveis, encontram-se os cadernos periódicos Os Gatos, redigidos entre 1889 e 1894, que seguiram a mesma linha crítica d' As Farpas, de Ramalho Ortigão.[1]

A sua carreira literária foi pautada por um estilo muito irregular, baseado no naturalismo; inspirou-se, principalmente, nas sensações reais, mórbidas e grosseiras, com temas repartidos entre os cenários urbanos e campestres.[1]

O seu estilo adoptou, nos finais do Século XIX, um espírito mais decadente, em concordância com os ideais em voga nessa época.[1]

Fialho de Almeida colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nos jornais humorísticos Pontos nos ii (1885-1891)[3]A Comédia Portuguesa (fundado em 1888)[4], e também nas revistas: Renascença [5] (1878-1879?), A Mulher [6] (1879), O Pantheon (1880-1881),[7] Ribaltas e Gambiarras (1881),[8] Branco e Negro (1896-1898),[9] Brasil-Portugal (1899-1914),[10] Serões (1901-1911).[11] e, postumamente, na Revista de turismo [12]iniciada em 1916


in Wikipédia


 


Domingo, 10 de Fevereiro de 2019


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


The Mamas & the Papas - California Dreamin'

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/qhZULM69DIw

Adam Hurst ~ Lament

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/mReG8EL5yQU

Opa Tsupa - Les deux Guitares

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/AuFiBjNTB9o


Sábado 9 de Fevereiro de 2019


Efemérides

 

 9 de Fevereiro de 2014

1.ª EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA 

Sobre o tema "É tão grande o Alentejo" decorrerá em Borba, de 23 de Março a 6 de Abril promovida pelos Amigos de Borba e com apoio da Câmara Municipal de Borba uma amostra de 60 trabalhos fotográficos de Adalrich Malzbender. A abertura da Exposição será às 15h30m antecedida de Desfile às 15 horas, do Alto da Praça até à Exposição, do Grupo Coral "AS CANTADEIRAS DE ALMA ALENTEJANA". Estarão em exposição as fotografias no Celeiro da Cultura durante o supracitado período.

A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado, a dormir, closeup e interiores
Fotografia de Adalrich Malzbender
 





Adalrich Malzbender 

 ENCERRAMENTO


Borba acolheu no passado dia 23, o Grupo das Cantadeiras de Alma Alentejana que
desfilaram pela Avenida do Povo na nossa cidade, animando desta forma as centenas de pessoas que aí se dirigiram. A Exposição de Fotografia de A.Malzbender,as esculturas de João Garcia e os Vídeos de António Casqueira e o Desfile foram  pontos altos deste evento cultural, que terminou no dia 6 (Domingo). A todos que deram o seu contributo para a realização deste evento os nossos agradecimentos.
O Grupo dos Amigos de Borba
Borba,7 de Abril de 2014



João Aires Garcia 


 




António João Casqueira 


Grupo Coral As Cantadeiras de Alma Alentejana

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/KfOTv4SfjLU





Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019



Efemérides

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Photo in photo

Padre Antonio Vieira
06/02/1608 - Data de Aniversário Frases célebres: "Para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário 
entender por dentro. Em havendo olhos maus, não há obras
boas. Todos imos embarcados na mesma nau, que é a vida,
e todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo."

 
 "Padre António Vieira nos cárceres da Inquisição —


“Em 1 de outubro de 1665, o Padre António Vieira foi encarcerado pela Inquisição.

Estas são algumas das informações que constam do seu processo:

Idade: 55 anos
Crime/Acusação: proposições heréticas, temerárias, mal soantes e escandalosas
Cargos, funções, actividades: religioso professo da Companhia de Jesus
Naturalidade: Rua dos Cónegos, freguesia da Sé, Lisboa
Morada: Coimbra
Pai: Cristóvão Vieira Ravasco, fidalgo da Casa Real
Mãe: D. Maria de Azevedo
Estado civil: solteiro
Data da apresentação: 21/07/1663
Data da prisão: 01/10/1665 (cárcere da custódia)
Sentença: auto-da-fé privado de 23/12/1667. Privado para sempre de voz activa e passiva e do poder de pregar, recluso no Colégio ou Casa de sua religião, de onde não sairia sem termo assinado pelo Santo Ofício, assinar um termo onde se obrigava a não tratar mais das proposições de que foi arguido, nem por palavra nem por escrito, pagamento das custas.

A leitura da sentença, sexta-feira 23/12/1667, na Sala da Inquisição, demorou duas horas e um quarto, no dia seguinte a mesma foi lida no Colégio. O réu, por motivos de saúde, foi autorizado a abandonar a sua reclusão no Colégio de Coimbra e a ir para a Casa do Noviciado de Lisboa. Por súplica do provincial da Companhia de Jesus, dirigida ao Santo Ofício, foi solicitada a anulação e perdão das penas que lhe foram impostas. Este pedido foi aceite por despacho do Conselho Geral do Santo Ofício, de 12/06/1668. A 30/06/1668, o réu foi chamado à Casa do Despacho da Inquisição de Lisboa, onde lhe foi comunicado o respectivo perdão e assinou o seu termo.

Em Agosto de 1669, o padre António Vieira partiria para Roma com licença do Rei.”

Fonte: bit.ly/2t6aFyf

 

"Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são 
necessárias obras."


Padre António Vieira

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2019

Celeiro da Cultura


  

UM LIVRO, UM LUME, UM ANO DEPOIS. «Na flor que os dedos prendem, um perfume; no risco dos cabelos, uma luz; no ar com que sonha, um lume» (Nuno Júdice, 'A Pura Inscrição do Amor', D. Quixote, 2018). Há precisamente um ano ofereci-me este livro, para o qual não existe elogio suficiente. Poesia tomada em gotas de conforto nas horas mortas, lida então junto de frescos maneiristas que evocam os estádios amorosos segundo as 'Immagini' de Filostrato e as 'Metamorfoses' de Ovídio: o tecto da Sala Oval do palácio dos condes de Basto em Évora, pintado por Francisco de Campos em 1578. 'A Pura Inscrição do Amor' inclui, por exemplo, 'Carta de Orfeu a Eurídice' e um singular 'Novo Tratado de Pintura'. Sim, porque Poesia e Pintura, tal como o Amor, são essência unívoca desse ar com que se sonha e desse lume que brilha nas fímbrias dos dedos.

A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrirA ninfa LEUCOTE, filha de Orcamo e Eurinome, com um 'amorino' que colhe um fruto pendente da árvore, numa paisagem bucólica, é uma das oito alegorias saídas das 'Metamorfoses' de Ovídio que Francisco de Campos afrescou, em 1578, no tecto da Sala Oval do Palácio dos Condes de Basto, em Évora..


 
  
HARPA DE FLORES. A Poesia tem este dom de destrinçar enlevos e dar sentido à silenciosa verdade dos verbos. Ofereci-me ontem 136 páginas que atestam essa dimensão poderosa: o gosto de escutar o silêncio das palavras certas. Podem ser estas: «Na flor que os dedos prendem, um perfume; no risco dos cabelos, uma luz; no ar com que sonha, um lume». Oiça-se o poeta: «No meio das flores, a mulher encontra o / movimento de rotação da árvore; e à sua volta / as pétalas caem, numa rotação de corolas / de que ela é o centro». E cita-se, a propósito, Herberto: «uma jovem mulher com sua harpa de sombra». Em suma, eis uma belíssima prenda que me ofereci, e que recomendo a todos os meus amigos que buscam gotas de conforto em horas mortas. Ilustrei o poema com um fresco eborense de Francisco de Campos de 1578, porque sim... O livro de poesia de que falo tem como título «A Pura Inscrição do Amor» (D. Quixote, 2018) e o enorme poeta chama-se Nuno Júdice.
A imagem pode conter: 1 pessoa
A ninfa Alcione (SIONE), amante de Seico em grande felicidade conjugal, provocou a ira de Júpiter e Hera, tendo o amante perecido mum naufrágio que a deusa provocou, mandando Morfeu, filho de Somnus, a informar a ninfa da morte do amado, prostrando-a no sono, antes de se lançar ao mar 
(Ovídio, Metamorfoses, XI, 410-795).


 

Palácio dos Condes de Basto, em Évora

  A imagem pode conter: 1 pessoa
Erigon (GRIGON) era filha de Icarios e seduziu Baco através do estratagema da sua metamorfose em cacho de uvas.

 A imagem pode conter: interioresPormenor, com 'putti' entrelaçados em árvores e colhendo frutos nas lisonjas do tecto da Sala Oval, baseados em textos clássicos (as Metamorfoses de Ovídio e as Immagini de Filostrato). 

Artigo e Fotografias do Dr.Vitor Serrão
Professor Catedrático da Universidade de Lisboa
in FB


Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019


Tempo de leitura

Nenhuma descrição de foto disponível.
Pierre-Auguste Renoir
 Young Woman Reading an Illustrated Journal, c. 1880


 

Ilhas


"Com o passar dos anos acontece ao ritual o mesmo que ao dinheiro: perde a valia. E é pouco de recomendar a introspecção nos momentos em que, supostamente, o virar da folha do calendário prenuncia mudanças.
Nada adiantam os beijos e os brindes, pois se algo há de certo e seguro no instante em que mais logo o relógio vai bater as doze, é perguntares-te qual a razão de que o que poderia ter sido não foi, te negaram o que querias, de não receberes o que julgavas merecer.
Mas não te sintas só nem desesperes, esquece o momento. Olha em redor e verás que, teu igual, cada um dos outros também é uma ilha."
José Rentes de Carvalho
 in "Tempo Contado" 31.12.2014


Solidão

 

"Acontece, recorda-se como foi, pouco a pouco vai subindo o desejo de confidência, a vontade de alívio, de pôr fim à opressão do peito e à sarabanda de pensamentos.  E então decide-se pelo silêncio. Cala-se a dor, a desilusão, cala-se a memória do instante em que nos vemos como os outros nos quiseram ver: insignificantes, apagados, perdidos no meio da alegria alheia, desorientados pelo burburinho, esquecidos, invisíveis, postos de lado na festa que parece ser sempre deles, de todos os outros, e onde por rotina ou acidente nos convidaram, um no meio de cem, de trezentos, de mil.
De nada adianta chamar com os olhos, sorrir com os lábios, fazer os mesmos gestos, porque é  facto: a verdadeira solidão, a que dói, ninguém a vê, não tem cura."
José Rentes de Carvalho
 in "Tempo Contado" 30.06..2014


 



Domingo, 3 de Fevereiro de 2019


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Nenhuma descrição de foto disponível.
Antonina Rzhevskaya
Concierto, 1902-03

Keith Jarrett - Over the Rainbow (Tokyo 1984)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/AyLQGDIrGcI

Brad Mehldau - Waltz for J. B.

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/6AIbZLICx_w

Sábado, 2 de Fevereiro de 2019


Visite o Alentejo

Alcácer do Sal

  "Alcácer do Sal é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito de Setúbal, Alentejo e sub-região do Alentejo Litoral, com cerca de 6 700 habitantes. É sede do segundo mais extenso município português, com 1 499,87 km² de área mas apenas 13 046 habitantes (2011), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Palmela, Vendas Novas e Montemor-o-Novo, a este por Viana do Alentejo e Alvito, a sudeste por Ferreira do Alentejo, a sul e oeste por Grândola e a noroeste, através do Estuário do Sado, por Setúbal. Alcácer do Sal é uma das mais antigas cidades da Europa, fundada antes de 1000 a.C. pelos fenícios. Assim como as vizinhas e também fenícias Lisboa e Setúbal. Fornecia sal, peixe salgado, cavalos para exportação e alimentos para os barcos que comerciavam estanho com a Cornualha. Mais tarde, com a invasão visigótica, voltou a tomar importância, sendo sede episcopal. Invadida pelos árabes, tomou o nome de Qasr Abu Danis, sendo, aí, construída uma das fortalezas mais fortes da Península Ibérica. Os viquingues tentaram saqueá-la mas sem sucesso. Durante o domínio árabe foi capital da província de Al-Kassr. D. Afonso Henriques conquistou-a em 1158. Reconquistada pelos mouros, só no reinado de D. Afonso II, e com o auxílio de uma frota de cruzados, a cidade foi definitivamente conquistada, tornando-se cabeça da Ordem de Santiago. Esta localidade foi elevada a cidade a 12 de Julho de 1997."
Eng. Luis Correia



 


Alcácer do Sal

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/fEhMb49nyFM


Quinta-feira, 31de Janeiro de 2019


Cante Alentejano

"O Cante Alentejano é a Voz do Ventre da 

Terra"

José Rabaça Gaspar

                                 
Fotografia de Adriano Bastos

TRATADO DO CANTE - Figuras do Cante:
Padre José Alcobia (Pias-Ferreira do Zêzere 28/11/1914/ Beja 2/2/2003)


"Seria injusto não falar neste Congresso de um homem... que, apesar de não ser alentejano, pois ele é natural de Ferreira do Zêzere, abraçou com alma e coração o cante alentejano, enriquecendo e elevando ao mais alto ponto, conseguindo levá-lo além fronteira num tempo muito difícil. Estou a falar do senhor padre José Alcobia. Pároco no concelho de Ferreira desde 1944, função que tem exercido ininterruptamente, estendendo a sua acção por todas as freguesias do concelho. Criou o Colégio Nuno Álvares, o Sport Clube Ferreirense, um bairro para trabalhadores rurais com mais de quatro filhos denominado Nossa Senhora da Conceição. Como músico descobre a riqueza grandiosa do cante alentejano cujas melodias fazem vibrar o nosso povo e cria o Grupo Coral “Os Trabalhadores de Ferreira do Alentejo”. Produziu programas para a antiga Emissora Nacional, Rádio Renascença, Televisão, gravou discos e cassetes e conseguiu em 1972 levar este Grupo a Zagreb, Jugoslávia onde obteve um êxito extraordinário. Em 1976 foi criado em Figueira de Cavaleiros o Grupo Coral “Os Rurais” fundado por um grupo de amigos onde me incluo e exerço o cargo de responsável. Convidámos o Padre José Alcobia para nos ajudar que, de braços abertos e com todo o seu saber e entusiasmo, contribuiu decisivamente para elevar o Grupo ao nível que hoje tem. Com ele conseguimos muitas actuações de norte a sul do País, gravámos dois LP’s, duas cassetes áudio e tivemos o ponto mais alto em 1976 em Zagreb na Jugoslávia, no Festival Internacional daquele país. Aí estavam presentes 77 grupos representativos de vários países e o Grupo Coral “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros” foi considerado um dos melhores grupos de vozes que por ali passou, tendo a honra de ter sido convidado para fazer do encerramento do Festival com mais três grupos de outros países. Foi com grande emoção que sentimos milhares de pessoas em silêncio apreciarem o cante alentejano e ver a bandeira portuguesa a subir pelo mastro ao canto do nosso hino. O Padre Alcobia criou ainda o Grupo “Cantares Alentejanos do Batalhão nº. 3 da GNR”, conseguindo ainda a renovação do Grupo Coral “Alma Alentejana de Peroguarda”, por quem Giacometti se apaixonou levando-o a pedir que ali fosse sepultado ao som do cântico ao Menino de Peroguarda. Ele ainda hoje dirige estes grupos, apesar da sua idade. Obrigado Padre Alcobia por tudo o que fez pela Terra alentejana. Era bom que muitos padres Alcobias aparecessem para bem do nosso cante alentejano e da nossa cultura. Bem haja!"
Comunicação de Luís Franganito – Grupo Coral e Etnográfico “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros, no Congresso do Cante Alentejano, realizado em Beja, em 1997.
in: "Que modas? que modos?". Ed. FaiAlentejo. 2005
in José Francisco Pereira



 


Terça-feira, 29 de Janeiro de 2019


Momento musical

António Pinho Vargas 
 "Vilas morenas" do disco "As folhas novas mudam de cor" (LP 1987)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/m49z5N_Vr88


Tempo de Leitura

Manuel da Fonseca
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"Rui enchia o peito de ar, lavava-se no sol. Mas já ia correndo rua abaixo. Uma grande vontade de correr. Onde estaria o Tóino e os outros? Ah! diria a avó que não queria voltar mais àquela casa! E diria também ao Estroina. Talvez lhe dessem razão… Deixassem-no andar, assim à sua vontade. Deixassem-no correr. Correr era bom. O bibe abria-se para os lados como asas. Deitava a cabeça para trás; o chão fugia-lhe debaixo dos pés. Nem via as casas, só o céu por cima dele. Entontecia, sentia-se livre como um pássaro. Se a mãe estivesse, não sereia nada daquilo a sua vida, não. A mãe deixava-o ser livre como um pássaro. Diria tudo isso ao avô: «Avô, desde que a mãezinha partiu, sinto-me preso como um pássaro numa gaiola!» Mas o avô não compreenderia as suas palavras. Nem a avó, nem o Estróina, ninguém!... O melhor era ir correndo, correndo sempre, correndo até tombar de cansado."







Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2019


Em Alentejo 04-GASTRONOMIA 

03-Receitas Culinárias Alentejo


Sericaia


Sericaia 2

Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar e outras mais 
receitas do nosso Alentejo pode ver em:



Domingo, 27 de Janeiro de 2019


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


Patti Smith - Because The Night

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/uoGdx3I3dPE

Simon & Garfunkel
 - The Sound of Silence - Madison Square Garden, NYC - 2009/10/29&30

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/L-JQ1q-13Ek

Sábado, 26 de Janeiro de 2019


Borba Inspiradora
 
Borba vista por Zé Russo-anos 50/80


Castelo-Rua de Santa Maria

Os Fugitivos

 
"Também aos meus Pais e Avós ouvia contar muitos acontecimentos trágicos, desses anos de guerra civil em Espanha entre 1936 e 1939, passou-se quando eu ainda nem era nascido. Na Rua de Santa Maria no Castelo de Borba em frente das escadinhas do cinema, moravam três senhoras de nacionalidade Espanhola. Todas trajavam de negro, o luto era a marca do sofrimento devido à perda dos seus filhos e maridos, que nem viram sepultar por motivos óbvios. Nunca lhes conheci outra roupa até morrerem. Eu nasci num quarto por cima da casa delas, onde a janela dava para o seu quintal, onde elas por vezes me chamavam para me acordar, “é hora de escola Zé”."

 




 

"A mais nova era a Antónia, a de meia-idade, era a sua Tia chamada Tita, da mais idosa já não me recordo do seu nome, mas poucos anos viveu embora eu ainda me recorde muito bem dela, sempre muito curvada pela idade.A sua subsistência era devido a trabalhos de costura e da ajuda de minha Mãe com comida. Todas as semanas nos sábados eu lhes ia levar um panito quentinho acabado de sair do forno da vila, esse forno era do senhor Duarte que existia no cimo da rua de Estremoz. Esse pão era transportado num enorme tabuleiro à cabeça pelas bonitas filhas do senhor Duarte até à minha casa e durava uma semana até a nova amassadura. "

"Toda a família de Antónia foi morta, elas as três escaparam porque um Padre as escondeu na igreja debaixo do altar da Virgem Maria, era um local pequeno demais para elas, nem podiam sequer gemer. Escondidas assistiram ao som dentro e fora da igreja aos gritos e gemidos de agonia de morte dos seus filhos, maridos e Pais. Foram fuzilados ali mesmo, nem para a praça de touros os enviaram como faziam a milhares. O sangue corria pelas ruas da localidade. Foi horrível. Não pode haver pintor no Mundo que consiga pintar quadro tão triste e horrível. Talvez o do famoso painel pintado por Pablo Picasso- “Guernica”. 




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"Durante a viagem… Havia uma pequena e ténue esperança nos olhos dos fugitivos, que para além daquele céu e daquela vasta planície que trilhavam, sonhavam ter asas como as cotovias que lá no ar esvoaçavam em liberdade observando as filas daquela massa humana. 
Iam encontrar outras gentes, outras casas, outras estradas…Por elas corria para alguns uma vida nova, que os faria sentir como gente, e não como gado…mas poucos o conseguiam…mas mesmo assim havia bastantes que foram acolhidos no Alentejo. Sol – Chuva – Vento – Frio – Vida - Morte. Tantos lobos. Tantos cães raivosos a cercarem o povoado com as patas da opressão, cuspindo na cara do povo, que fugia dos tentáculos do polvo, “da ditadura Franquista” que derrubou a República Espanhola. "


"José António Russo da Silva é natural de Borba onde nasceu em 1945. Bem cedo ruma para os arredores de Almada em busca de melhores condições de vida, percurso de muitos alentejanos nos princípios do século XX.
Autodidacta e com fortes raízes em Borba, a sua obra vem reflectindo o ambiente natural e social do Alentejo. 
Nas suas primeiras crónicas, numa linguagem simples e de descrição minunciosa dos ambientes que viveu, traz à lembrança termos vincadamente regionais, ambientes e nomes desde a Tia Joana Russo, Pedro Farelo, Zé da Pazinha, Pintassilgo, Zé Pisco, João Torto e uma imensa galeria humana que estão ainda na memória de muitos Borbenses e que duma forma simples e carregada de emoções José Russo procura salvar do esquecimento. 
Publica em 2010 "Uma infância amarga e doce", em 2013 "Fibra alentejana " e em 2014 "O costela de ferro."
As suas crónicas publicadas no nosso Blogue integram um novo livro publicado em2018."

Adriano Bastos
 


Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019



VISITE BORBA




Fotografias de Adriano Bastos


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"La vendimia o El Otoño", Goya, 1786



Pesga da talha    

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/_MLkAsEZkZg  


         
Concelho 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/lKR6PElcyuc  




Borba Alto Alentejo Portugal  

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/LewqTd6fajs
 
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019


Tempo de Leitura

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photo in spanishtutorinfo.wordpress.com

"Luto pela Bondade" - por Pablo Neruda

 

"Quero viver num mundo sem excomungados. Não excomungarei ninguém. Não diria, amanhã, a esse sacerdote: «Você não pode baptizar ninguém porque é anticomunista.» Não diria ao outro: «Não publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque você é anticomunista.» Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra-, uma palavra rígida, um rótulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que não esperem ninguém, nunca mais, à porta do município para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da Câmara Municipal. Não quero que ninguém fuja em gôndola, que ninguém seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor senão como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ubíqua, extensa, inexaurível. De tantos encontros entre a minha poesia e a polícia, de todos esses episódios e de outros que não contarei porque repetidos, e de outros que não aconteceram comigo, mas com muitos que já não poderão contá-los, resta-me no entanto uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais consciente de que nos aproximamos de uma grande ternura. Escrevo sabendo que sobre as nossas cabeças, sobre todas as cabeças, existe o perigo da bomba, da catástrofe nuclear, que não deixaria ninguém nem nada sobre a Terra. Pois bem: nem isso altera a minha esperança. Neste momento crítico, neste sobressalto de agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Entender-nos-emos todos. Progrediremos juntos. E esta esperança é irrevogável."




 



Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019



Receitas Culinárias do Alentejo

Sopa de Tomate com ovos e bacalhau

foto in grafe-e-faca.com

Ingredientes:
4 tomates
1 cebola pequena 
2 dentes de alho
1 folha de louro
sal q.b.
4 colheres de azeite (2 por pessoa)
2 ovos
4 batatas
2 postas de bacalhau
água

Preparação:
Num tacho coloca-se a cebola e os alhos picados, depois junta-se o azeite, o sal e o louro e 
deixa-se refogar. De seguida junta-se a água, as batatas (partidas aos bocados) e o bacalhau.
 Quando a água levantar fervura colocam-se os ovos (já sem casca) e deixa-se ferver novamente.

IN
Página Municipio do Alandroal
http://www.cm-alandroal.pt/pt/conteudos/o+concelho/gastronomia+e+Produtos+regionais/
receitas.htm





Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019


BORBA Poetas Populares

 


António Júlio Prates (Xota)

João Ficalho,

Manuel João Geadas (O Coimbra)

Manuel Joaquim Serrachino (Nelo do Fado)

 
 POETAS POPULARES DE BORBA

Borba: Apresentado livro “Poetas da Nossa Terra”

2012 02 28

Ver em:
 http://www.cm-borba.pt/pt/conteudos/noticias/Livro+Poetas+da+nossa+Terra+apresentado+em+Borba.htm

O Centro de Cultura e Desporto da Freguesia Matriz e a Junta de Freguesia Matriz 
apresentaram, este Domingo, no Palacete dos Melos em Borba, o livro “Poetas da 
Nossa Terra”, que contou com a participação de doze poetas e foi apoiado pelo
Município de Borba.

A edição conta com o prefácio de João Tavares, e os poemas de:

01 António Júlio Prates (Xota),

Sobre este POETA ver 
http://altodapraca.blogspot.pt/2006/02/antnio-prates-apresenta-sesta-grande.html


02 António Passinhas,


03 Clemente Serol (O Sousa),


04 Eurico Faia,


05 Francisco Rijo,


06 João Ficalho,

[Sobre este POETA pode ver: 
em Vítor Marceneiro - o Fadista Alentejano de Borba 
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/227376.html


07 José Miranda (Zé Ninguém),


08 José Francisco Paulino,


09 Manuel João Geadas (O Coimbra),

sobre este POETA ver:
http://www.joraga.net/cantodasdecimas/pags/page_001.htm  


10 Manuel Joaquim Serrachino (Nelo do Fado),


11 Maria da Conceição Compõete 


12 Sebastião José Perdigão,

 e breves biografias de cada um dos poetas.

O Centro de Cultura e Desporto da Freguesia Matriz foi criado em 1998 e tem desenvolvido a sua actividade na divulgação e preservação dos 

jogos tradicionais e a poesia popular alentejana, editando e apoiando diversos poetas do concelho a lançar as suas obras em livro. Esta é 

mais uma edição que o Centro lança, ainda que de forma artesanal,

mas cuidada e carinhosa, perpetuando os trabalhos dos participantes.



Domingo, 20 de Janeiro de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


Dudamel ~ Danzón No. 2 (Marquez) ~ Orquesta Sinfónica Simón Bolívar

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/ZXeWiixwEz4

A Evaristo Carriego · Forever Tango

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Xy9IKEaV6uI


Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019


Alentejo-Cante Alentejano





Fotografia de Adriano Bastos



"Cante Alentejano" - Defesa, Preservação e sua Divulgação

Entrevista ao Dr. José Rabaça Gaspar por Adriano Bastos

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wAUAdy7ARss





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TRATADO DO CANTE - As Modas:
SALSA VERDE
Ponto: 
Fui dispor a salsa verde
Fui dispor a salsa verde
Lá fora nos olivais
Alto/coro:
Para/ver se te esquecia
Para ver se te esquecia
Cada vez me lembras mais

Alto/coro: 
Alecrim,/ salsa verde aos molhos
Oh! Tirana
Alecrim, salsa verde aos molhos
Oh! Tirana

Por amor de ti
Choram os meus olhos
Tricana

Ponto: 
Pus-me a chorar saudade
Pus-me a chorar saudade
Ao pé duma fonte um dia
Alto/coro: 
Mais cho/ravam os meus olhos
Mais choravam os meus olhos
Que a própria fonte corria

Alto/coro: 
Alecrim,/ salsa verde aos molhos
Oh! Tirana
Alecrim, salsa verde aos molhos
Oh! Tirana

Por amor de ti
Choram os meus olhos
Tricana

Registo: 133
Fonte: Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
Refª.: 2002 (CD) Serpa de Guadalupe - Faixa 14
ed. Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa
Fonoteca FaiAlentejo: cota: FF CA CD0030

In José Francisco Pereira


Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019


 

Miguel Torga


17 de Janeiro 1995

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Fotografia in  daliedaqui.blogspot.com


"17 de Janeiro de 1995: Morre o escritor Miguel Torga, pseudónimo do médico Adolfo Correia da Rocha 

Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha e autor de uma produção literária vasta e variada, nasceu em S. Martinho de Anta, Vila Real, a 12 de agosto de 1907, e morreu em Coimbra, a 17 de janeiro de1995. 
Depois de ter trabalhado no Brasil, entre os 13 e os 18 anos (experiência que viria ser evocada na série de romances de inspiração autobiográfica Criação do Mundo), Adolfo Correia da Rocha regressou a Portugal, vindo a licenciar-se em Medicina. Durante os estudos universitários, em Coimbra, travou conhecimento com o grupo de escritores que viriam a fundar a Presença, chegando a publicar nas edições da revista o seu segundo volume de poesia, Rampa. Em 1930, depois de assinar, com Edmundo de Bettencourt e Branquinho da Fonseca, uma carta de dissensão enviada à direção da publicação coimbrã, co-funda as efémeras revistas Sinal e Manifesto. Não obstante a passagem pelo grupo presencista, no momento da suas primícias literárias, Miguel Torga assumirá, ao longo dos cerca de cinquenta títulos que publicou - frequentemente em edições de autor e à margem de políticas editoriais - uma postura de independência relativamente a qualquer movimento literário. Os seus textos poéticos, numa primeira fase, abordaram temas bucólicos, a angústia da morte, a revolta, temas sociais como
a justiça e a liberdade, o amor, e deixaram transparecer uma aliança íntima permanente entre o homem e a terra.
Na poesia, depois de algumas coletâneas ainda imbuídas de certo dramatismo retórico editadas no início dos anos trinta, a publicação dos volumes onde ostenta já opseudónimo Miguel Torga - segundo Pilar Vásquez Cuesta (cf. Revista de Ocidente, agosto de 1968), esta invenção pseudonímica simboliza, pela analogia com a urze, a obrigação de constância, firmeza e beleza que o artista deve manter, por mais adversas que sejam as estruturas pessoais e históricas em que se move, ao mesmo tempo que "a escolha do nome Miguel responde ao propósito de acrescentar um novo elo lusitano a toda uma cadeia espanhola (Miguel de Molinos, Miguel de Cervantes, Miguel de Unamuno) de pensamento combativo e rebelde" - como Lamentação (1934), O Outro Livro de Job (1936), Libertação (1944), Odes (1946), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem
(1950), Penas do Purgatório (1954), Orfeu Rebelde (1958), Câmara Ardente (1962) ou Poemas Ibéricos (1965), firmam uma poesia que é "fundamentalmente a busca da fidelidade no Terrestre, a busca da aliança sem mácula do homem com o Terrestre; a busca da inteireza do homem no Terrestre" (ANDERSEN, Sophia de Mello Breyner, cit. in Boletim Cultural do Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian, n.º 10, dedicado a Miguel Torga, maio de 1988, p. 72). Ancorada no húmus natal, essa poesia dá também conta de uma "ambição de absoluto" que, para Torga, deve "permanecer como simples acicate, pura aspiração, porque o homem tem de realizar-se no relativo, a sua felicidade possível está no relativo, logo na contradição, na luta, numa esperança desesperada", não renegando "essa condição dramática
de homem, besta e espírito, egoísmo e entrega generosa" (COELHO, Jacinto do Prado, cit. ibi., p. 72).
Na prosa, obras como Bichos, Contos da Montanha e Novos Contos da Montanha marcaram, até aos nossos dias, sucessivas gerações de leitores que aí se deslumbraram com uma fusão entre o homem, o mundo animal e o mundo natural, vazada numa prosa "a um tempo sortílega e enxuta, despegada do efémero, agarrada ao concreto" (cf. MOURÃO-FERREIRA, David - "Miguel Torga e a Respiração do Mundo, ibi., p. 8). 
No domínio narrativo, a sua bibliografia contém ainda os seis volumes da ficção de inspiração autobiográfica Criação do Mundo e os dezasseis volumes do Diário, onde compaginam textos de vários géneros, desde os poemas e da reflexão cultural e ideológica, ao testemunho subjetivo de acontecimentos históricos, a notas tomadas nas inúmeras digressões pelo país. A sua bibliografia conta ainda com algumas páginas de intervenção cívica ou de ensaísmo como Fogo Preso ou Traço de União, bem como quatro títulos de teatro. Prevalecendo em qualquer dos géneros que cultivou "uma obsessão metafísica da liberdade" (a expressão é de Jesús Herrero, em Miguel Torga, Poeta Ibérico (cit. Ibi., p. 73), atestada biograficamente, durante a longa ditadura
salazarista, por uma rebeldia que lhe valeu a apreensão e interdição de várias obras, bem como a proibição de saída do país e o levantamento de obstáculos ao exercício da sua atividade profissional, para David Mourão-Ferreira (Saudação a Miguel Torga, cit. ibi, p. 75), "O que há [...] deabsolutamente invulgar, porventura único, no caso de Miguel Torga é a circunstância de ele ser,cumulativamente, quer como poeta, quer como prosador, um indivíduo inconfundível, um telúrico padrão e um cívico expoente da própria Pátria, um artístico paradigma da língua em que se exprime, um predestinado legatário de valores culturais em permanente abalo sísmico, um atento
recetor e um sensível transmissor dos inúmeros problemas - quantos deles talvez indissolúveis - do Homem de todos os quadrantes, ora considerado na moldura dos condicionalismos que o cerceiam, ora ainda mais frequentemente entendido sb specie aeternitatis". É nesta medida que Fernão de Magalhães Gonçalves (Ser e Ler Torga, cit. ibi., p. 76) considera o modo como a obra de Miguel Torga "é progressivamente estruturada por três discursos ou níveis de sentido que evoluem através de fenómenos de divergência e de convergência numa suscitação dialética que põe a nu o movimento das elementares componentes dramáticas da natureza humana: o apelo da transcendência (discurso teológico), o fascínio telúrico (discurso cósmico) e o imperativo da liberdade (discurso sociológico)". Naquele que ainda é um dos mais profundos estudos sobre Miguel Torga, Eduardo Lourenço refere-se, percorrendo os vários níveis da sua matéria poética (incidindo particularmente na relação com o presencismo, na problemática religiosa e no sentimento telúrico que a percorre), a um "desespero humanista" que, partindo da "espécie de indecisão e luta que nela se trava entre um conteúdo que devia fazer explodir a forma e todavia se consegue moldar nela", "É humanista por ser filho da intenção mil vezes expressa na obra de
Miguel Torga de confinar a realidade humana unicamente no Homem e na sua aventura cósmica, embora a presença mesma desse desespero testemunhe que essa intenção não encontra no  espírito total do poeta uma estrada luminosa e larga. Como a todos os lugares reais ou ideais em que o homem busca a salvação, conduz a este humanismo [...] a porta estreita de uma agonia pessoal" (LOURENÇO, Eduardo - "O Desespero Humanista em Miguel Torga", in Tempo e Poesia, Porto, editorial Inova, 1974, p. 123). Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978), a sua obra e a sua personalidade constituíram um referente cultural a nível nacional e internacional, tendo recebido, em vida, os Prémios Montaigne (1981), Camões (1989), Vida Literária (da Associação Portuguesa de Escritores, em 1992), o Prémio de Literatura Écureuil
(do Salão do Livro de Bordéus, em 1991) e o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, em 1994."
Miguel Torga. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagem)-in Estórias da História



Nascer Todas as Manhãs

Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs. 

Miguel Torga, in "Diário (1982)"  

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga




Ponho um ramo de flores
na lembrança perfeita dos teus braços;
cheiro depois as flores
e converso contigo
sobre a nuvem que pesa no teu rosto;
dizes sinceramente
que é um desgosto.

Depois,
não sei porquê nem porque não,
essa recordação
desfaz-se em fumo;
muito ao de leve foge a tua mão,
e a melodia já mudou de rumo.

Coisa esquisita é esta da lembrança!
Na maior noite,
na maior solidão,
sem a tua presença verdadeira,
e eu vejo no teu rosto o teu desgosto,
e um ramo de flores, que não existe, cheira!

Miguel Torga,  Diário I (1941)




 




Momento Musical

[1964] The Drifters ∙ Saturday Night at the Movies    

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/c_N4a4CN7TA

           

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019


Visite o Alentejo



  
A imagem pode conter: céu e ar livre

Castelo de Mourão..
Fonte: © Alma Alentejana

 A imagem pode conter: nuvem, céu, ar livre e naturezaPaisagens de Verão.. (Alentejo)
Fonte: © Alma Alentejana

 
  A imagem pode conter: céu, nuvem e ar livre

Paço Ducal de Vila Viçosa..
Fonte: © Alma Alentejana


 A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, árvore, céu, ar livre e natureza
Paisagens do Alentejo.. (Arraiolos)
Foto: © Vítor Laranjeiro 

  A imagem pode conter: pessoas em pé, planta, flor, árvore, céu e ar livre
Ermida de Nossa Senhora do Castelo.. (Aljustrel)
Foto: © Vítor Laranjeiro Photography




 A imagem pode conter: céu e ar livreFonte das Bicas.. (Borba)
Foto: © Vítor Laranjeiro Photography



Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019




"Respigando...Alentejo"

(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

"As respigadoras" de Jean-François Millet

  

"Memórias do contrabando - Manuel Inácio Cotovio



Memórias do contrabando - Manuel Inácio Cotovio
Memórias de Santiago Maior: Uma freguesia de Alandroal, 2006, páginas 55 e 56

A nossa freguesia, o concelho e toda a região em geral, viveram sempre uma situação agreste, muito desprotegida a todos os níveis. Zona com bastante população onde predominava a fome, miséria e o desemprego. Vivia-se com dificuldades económicas, muitas vezes quem suportava toda esta crise era o pequeno comércio através do "fiado". Ou se era trabalhador rural ou em alternativa, dada a situação geográfica propícia, se praticava contrabando "não profissional", sujeitando-se ao martírio e calvário das cargas e principalmente do risco da própria vida.
Era uma tarefa ingrata, praticada normalmente de noite, por caminhos e atalhos, por meio de matos, arrífes e caminhos mais pedregosos, mais ocultos e possíveis de esconderijo, com travessia do Rio Guadiana, a nado ou de barca, afim de conseguirem ludibriar a tenebrosa Guarda Civil espanhola ou a nossa Guarda Fiscal.
É certo que qualquer autoridade ou a GNR poderiam intervir, apreendendo, prendendo ou autuando, mas o maior medo e de que mais se precaviam era da passagem da fronteira. Contrabandistas houve, que em locais mais recatados se esconderam para não serem detectados, estando vários dias sem comer nem beber, aguardando que as autoridades de cá e do lado de lá da fronteira se afastassem para outra zona, só então seguindo caminhada com o fardo de contrabando às costas. Por vezes, neste jogo de gato e rato, os guardas faziam "negaças".
A maior intensidade de contrabando aconteceu desde a década de trinta e estendeu-se até à década de sessenta. A Guerra Civil de Espanha, a 2º Guerra Mundial e a miséria em que o povo do Alentejo vivia, intensificaram esta ílícita actividade, em busca de meios de sobrevivência. O contrabando integrava homens de qualquer idade, bastava terem bom fisíco, serem possantes, não medrosos, nem tímidos e capazes de enfrentar as maiores adversidades ao longo dos percursos, para não largarem a carga de qualquer maneira, só fazendo após grande perseguição.
Esta actividade assegurava um esquema de comércio informal e de economia paralela, afectuando a permuta clandestina de produtos e géneros que escasseavam, ora num ora noutro lado da fronteira. Embora de natureza diferente, havia carências de ambos lados da raia.
Para Espanha, para além do tabaco, açúcar e café, no tempo da guerra com carência de tudo, levavam pão, farinha, enchidos, e tudo o que fosse comestível. O contrabando mais apetecido foi o café e tabaco dado a sua qualidade quando comparado com o espanhol. Para Portugal calçado, alpercatas de corda, roupas, lenços da cabeça, garridos, leques, perfumes, bebidas espirituosas, sedas, navalhas de barba, isqueiros e inclusivé medicamnetos, além de outros em maior escala como era a bombazina de excelente qualidade.
Era uma actividade cheia de riscos: o abandono das cargas com o receio de serem apanhados e que por vezes se tornava realidade; a prisão, cá ou lá, forçando-os a confessar tudo o que sabiam sobre o contrabando; os ferimentos ou mesmo a morte, quando baleados pelos guardas; o afogamento, nas travessias do Guadiana, efectuadas durante noites sem luar em que as condições do rio não eram devidamente avaliadas; a tortura em Espanha quando lá encarcerados.
Quando escondidos nos cerros, por vezes eram detectados e obrigados a fugir, normalmente já tinham a carga de tal modo escondida que, apesar das autoridades revolverem matagais,covis e esconderijos, nem sempre encontravam o material. Após afastamento dos guardas, os contrabandistas voltavam ao local, para se certificarem se a sua carga tinha sido descoberta. Foi assim uma difícil forma de sobrevivência.
Só conheci um contrabandista profissional. Um bom homem, cordial, honesto, simpático com todas as crianças. Com bastantes filhos, decidiu dedicar-se áquele "ganha pão" para os sustentar. Residia em Aldeia das Pias em frente à casa dos meus falecidos pais. Outros que conheci, apenas se dedicaram a esta actividade sazonalmente por falta de outros recursos. As residências destes lutadores, algumas vezes foram vigiadas pelas autoridades. Foi assim outrora, o contrabando pobre, saco dorsal, somente para sobreviver. Actualmente tudo se faz, noutra escala, métodos e com outros objectivos...."
       publicado por Luis Lobato de Faria em 11 de Outubro de 2018

 





Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2019


Alentejo Património Cultural


VILA VIÇOSA

Joaquim Torrinha: um vulto relevante da História da Arte regional.

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"O Dr. Joaquim Francisco Soeiro Torrinha (1919-2014), cujo centenário do nascimento agora decorre, foi uma das personalidades mais marcantes, a nível regional e também nacional, nos estudos do Azulejo e da Cerâmica. Apesar da sua modéstia e do seu desapego a vãs vaidades e deslocados mediatismos, gerou nesses domínios uma obra que o afirma no campo da História da Arte portuguesa, em especial no campo da azulejaria dos séculos XVI, XVII e XVIII no Alto Alentejo.Nenhuma descrição de foto disponível.
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Na sequência dos ensinamentos bebidos na obra do grande especialista Engº João Miguel dos Santos Simões, com quem privou, e na camaradagem com mestre Túlio Espanca, com quem colaborou nas duras tarefas do Inventário Artístico de Portugal da Academia Nacional de Belas Artes (no que concerne ao Distrito de Évora, em especial aos concelhos da Região dos Mármores), Joaquim Torrinha dedicou a vida a valorizar o património azulejar português, com incidência no azulejo de majólica renascentista e no da época barroca. Ele via o Azulejo como a grande manifestação artística caracterizadora da identidade nacional, e o nosso maior testemunho de especificidade em termos de Património no Mundo. Deixou vasta obra, em artigos saídos em revistas da especialidade (como a Callipole, onde assumiu responsabilidades editoriais, e a revista Monumentos), em capítulos de livros, em conferências, colóquios e jornadas de divulgação.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Farmacêutico que era em termos de formação e actividade profissional, a sua não escondida solidez de base no campo da História, junto a uma formação especializada no estudo das artes decorativas do seu Alentejo, foi decisiva no seu percurso de vivências. Assim, nunca deixou de seguir, com traços de fina sensibilidade e apuro crítico, a magna tarefa de estudar, identificar, inventariar, catalogar e proteger a azulejaria de Estremoz, de Borba e de Vila Viçosa, colaborando amiúde com Túlio Espanca, e com a grande autoridade nesse campo, o historiador de arte José Meco. Mas o trabalho que dedicou também à cerâmica e à arte dos barristas constitui outra atenta vertente de interesses, na linha dos trabalhos de Joaquim Vermelho, contribuindo para que os «bonecos de Estremoz» fossem classificados como Património da Humanidade pela UNESCO.

Nenhuma descrição de foto disponível.
                                                                                 Photo in 50236777_1962919900443535_7592302384508829696_n.jpg
Acresce ainda, entre tantas outras referências e títulos de pesquisador, o seu estudo sobre a Santa Casa da Misericórdia de Estremoz e o convento das Maltesas, onde colaborou com o bibliotecário-arquivista João Ruas, seu grande amigo. Conheci-o bem, fui testemunha da sua simpatia, que era contagiante, e do seu espírito de tolerância, e conte com a sua ajuda quando realizei o estudo dedicado à pintura a fresco no Paço Ducal e nas igrejas, mosteiros e solares de Vila Viçosa e demais territórios sob administração da Casa de Bragança durante o Renascimento e o Maneirismo.
Cabe agora à História da Arte portuguesa dar pleno conhecimento aos muitos e diversificados trabalhos de Joaquim Torrinha, que precisam de ser reunidos em colectânea especializada (sobre Azulejo, Cerâmica, História local, e não só), dada a sua dispersão em revistas e jornais, juntando-se quiçá textos inéditos de cuja existência seu filho, senhor Engº. Rui Torrinha, nos deu conhecimento. É um preito de homenagem da maior justiça, a que se impõe dar cumprimento.
(texto de Vitor Serrão para a sessão de homenagem de 12 de Janeiro de 2019 ao Dr. Joquim Torrinha, nos Paços do Concelho de Vila Viços, lidas pelo Dr. João Ruas por ausência forçada do autor). "

                                      Vitor Serrão - 12 de Janeiro de 2019 (Artigo In FB Vitor Serrão)

 




Domingo, 13 de Janeiro de 2019




Concerto de Domingo à tarde


Rubrica semanal de12 minutos de boa música...


Fausto Bordalo Dias - Todo Este Céu 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/MHw5sDdJLOQ  


Janita Salomé - "E Alegre se Fez Triste"   

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/JLXVLq2Cv60?list=PLlWOXlpSkbrne5o0RcwSORZe8xHWIacZV


MAGASESSIONS // CARLOS BICA & JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA   

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wxTLadyRIjQ

Carlos Do Carmo, Bernardo Sassetti - Lisboa Que Amanhece

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/FEZmuCaiYWE         

Sábado, 12 de Janeiro de 2019


 

Momento de poesia


A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado

Il bagno di Psiche, Frederick Leighton


Há noites

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que são só iguais
À mais longínqua onda do teu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo...

Natália Correia


Nenhuma descrição de foto disponível.

André Lhote (1885-1962) 

Femme assise


MOMENTO NUM CAFÉ

As mãos lindas que vi deixam-me absorto:
compridos dedos, polegares de espátula,

um dedilhar de flores em jardins ociosos,
só comparável a conversa amena
de duas mulheres simples debruçadas
sobre o tampo liso de uma mesa.

A riqueza da vida reside nisto:
um leve toque no ombro do próximo…
uma cortina de chuva vedando a verdade,
olhos indiferentes, indiscretos…
e um ar de encanto, um fácil soluço ouvido longe,
como que em segredo.

Ruy Cinatti, in 56 Poemas


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LUIS RICARDO FALERO (Spanish,1851 - 1896),
A Classical Beauty (detail),1889,
oil on canvas, 73,7 x 40,6 cm,
Privale Collection

Regresso devagar ao teu

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde no café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

MANUEL ANTÓNIO PINA

Nenhuma descrição de foto disponível.

“Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora,
Qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
...
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão.”


Vinícius de Morais

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e closeupPhoto in Giulia Baragliu


Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol, 
que é feito de ternura amarrotada, 
da frescura que vem depois do sol, 
quando depois do sol não vem mais nada... 

Olho a roupa no chão: que tempestade! 
Há restos de ternura pelo meio, 
como vultos perdidos na cidade 
onde uma tempestade sobreveio... 

Começas a vestir-te, lentamente, 
e é ternura também que vou vestindo, 
para enfrentar lá fora aquela gente 
que da nossa ternura anda sorrindo... 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós 
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in "Infinito Pessoal"








Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019



  
Alentejo, os nossos Escritores

"Sob um céu que muda de semblante conforme as estações, decorre um tempo pesado, vivido em época não muito distante pelos naturais do sul do Alentejo a que se reportam as crónicas deste livro. Nelas há um propósito, não claramente explícito, de justificar atitudes e comportamentos das pessoas. A gente austera que aí se evoca, senhora de si, vertical , solidária, sobrevivendo num mar de terra que nunca lhe pertenceu, persiste no livro contrapondo ao dramatismo da existência uma ironia sem paralelo no epaço nacional. "

"Lendo este romance, o leitor não se sente só contagiado pela simpatia que a personagem principal nele provoca; ele sente-se igualmente motivado pela curiosidade despertada pela descoberta de outras épocas, de outras formas de vida, de outras realidades que percepciona como verdadeiras e que lhe alargam os horizontes existenciais. Este romance cumpre, deste modo, uma das funções maiores reservadas à boa literatura e que muitas vezes tão arredada está daquilo que se publica contemporaneamente - refiro-me, claro está, à função de "educar deleitando", máxima grande de todos os grandes. "

"Numa aldeia do interior alentejano, assolada pela crise que varreu a região em meados do século XX, desenrola-se um trágico confronto entre vizinhos relativo às "terras do povo" que formam o baldio adjacente à povoação. Assentando o romance neste tema, o autor elege uma jovem mulher da aldeia que, embora não participando directamente no conflito, paira como contraponto sobre a marcha dos acontecimentos, envolvida numa sucessão de experiências amorosas que justificam o seu desassossego sentimental. " (Sinopses das Ed.Colibri)

        João Mário Caldeira


João Mário Caldeira, natural de Santo Aleixo da Restauração
Licenciado em História, levou uma vida dedicada ao ensino onde, para além das funções docentes, desempenhou cargos de direção e de orientação pedagógica em algumas escolas de ensino público e privado. Está aposentado, mas leciona a disciplina de História nas academias seniores de Serpa e de Moura. Participa com alguma regularidade em órgãos de informação e seminários sobre assuntos relacionados com o património local, especialmente sobre o Alentejo.
Não foi por acaso que Serpa foi a cidade escolhida para a apresentação de Quase só a voz do vento, de João Mário Caldeira. “A aparição do livro nesta cidade foi quase uma imposição”, explica o autor. A maior parte do romance decorre na serra de Serpa e depois “a Câmara de Serpa acarinhou e patrocinou a iniciativa”. 
Depois do Discurso do Sol faltava Quase só a voz do vento?
Não me tinha dado conta que havia uma sucessão de elementos da natureza no título dos meus dois últimos livros, embora eles apareçam em contextos diferentes. O sol discursa no horizonte do anterior livro acompanhando a roda das estações no cenário das quais se movimentam os homens. A voz do vento, o título de agora, foi o que perdurou na serra de Serpa quando dela desapareceram os moradores que tinham concorrido para a sua mais personalizada história. Os verdadeiros “serrenhos” já lá não vivem. Ficou o vento. Entretanto posso dizer que é no tempo, condicionado pela natureza, que tudo acontece. Sem ele não havia História e muito menos histórias. Talvez daí a tendência para trazer à baila o sol e o vento sempre presentes desde que o homem existe, ora beneficiando-o, ora pregando-lhe partidas.
O que retrata este seu livro?
Fundamentalmente a vivência da gente heroica que habitou a serra de Serpa nos começos do século passado, vivência que não seria muito diferente dos que gastaram as suas vidas nas serras de todo o mundo onde as condições só excecionalmente são favoráveis. Ainda que baseado em factos concretos referentes à partilha da serra de Serpa, cuja complexidade daria um bom trabalho de história local, o clima que se vive no livro envereda em certos momentos por uma irrealidade só possível numa obra de ficção. Entretanto, como se refere na contracapa da publicação, alguma coisa se mantém de concreto: a alienação tardia de um baldio público, a migração para o local de pequenos agricultores sedentos de terra, as relações de vizinhança, de afetividade e de amor entre os residentes, a crendice de muitos, a malevolência de alguns, as perturbações de outros, a instabilidade ocorrida nos primeiros tempos da República, a dualidade entre os da serra e da planície, a crise interna do País agravada pela guerra de 1914/18.
O Alentejo, a margem esquerda do Guadiana, inevitavelmente estão entranhados na sua escrita?

Como não haviam de estar? Quem pode escapar a todo este ambiente que se bebeu com o leite e que a pouco e pouco tomou conta de nós? Só se pode escrever sobre o que se conhece, sobre o que nos impressiona, nos domina (por vezes de uma forma incómoda). A história do Alentejo, mormente a da primeira metade do século passado, tem muito de epopeico, o que é um desafio para quem escreve. Não se trata de bairrismo nem coisa parecida, mas sim de uma espécie de mandato que nos impele a falar da nossa gente, única no panorama nacional, condicionada a fatores que radicam desde há muito na discriminação social e económica procedente de uma história injusta. A margem esquerda do Guadiana não será muito diferente do Alentejo em geral mas é, sem dúvida, uma região mais pobre, subjugada por uma interioridade que sempre a marcou, motivo pelo qual clama de forma mais insistente por quem lhe descubra as diferenças, em que as dificuldades são a regra, começando pela esturreira do sol. Talvez, por isso, o cante tenha aqui uma forma mais pungente de se afirmar, talvez que aqui a memória esteja mais eivada de sofrimento, a revolta seja maior, haja mais orgulho em dizermos que somos daqui. Isso me leva a escrever sobre esta gente a que pertenço, que é a minha. Quase uma obrigação.
Bruna Soares
(in http://da.ambaal.pt/noticias/?id=6416)



"Passou sobre a casa o tempo de quatro gerações, tempo suficiente para que nela acontecessem muitas coisas, umas mais estranhas do que outras. Das mais trágicas foi a que ocorreu no dia em que um dos elementos da família matou a irmã com um tiro de caçadeira e depois se afogou no poço que havia em frente. No mesmo poço outro suicídio se deu quando no local só havia um abrigo provisório, facto de que há notícia gravada numa rocha. Exceptuando casos tão graves, tudo ali decorreu em aparente normalidade, ao contrário do que sucedeu em volta, onde acontecimentos estranhos assombraram o sossego dos moradores. "

A Margem Esquerda do Guadiana – As Gentes, a Terra, os Bichos 

"A partir de textos que ao longo do tempo João Mário Caldeira foi publicando em jornais e revistas ou apresentado em encontros e congressos, nasce o livro Margem Esquerda do Guadiana: As Gentes, a Terra, os Bichos. Os escritos coligidos sobre a Margem Esquerda do Guadiana, espaço alentejano confinado ao curso do rio e à fronteira com a Espanha, apresentavam-se, segundo o autor, como uma manta de retalhos policroma. Daí que combinar temas de modo a conferir unidade ao conjunto de textos tenha sido, para João Mário, quase como combinar cores. Três grandes temas foram estabelecidos, sendo a sua abordagem principalmente etnológica. No primeiro, as Gentes, reuniram-se textos que versavam sobre as gentes da Margem Esquerda no geral, bem como sobre as diferentes profissões tradicionais. No segundo, a Terra, agruparam-se escritos referentes à comida alentejana, às festividades, à arquitectura tradicional, ao fabrico do queijo de ovelha, às fortificações medievais de Serpa, à problemática dos centros históricos e ainda reflexões sobre a posse da terra e o desenvolvimento rural. Por último, em os Bichos, juntaram-se dados sobre o meio ambiente, chamando ao palco bichos e plantas da região. Nesse contexto, fazem-se referências às actividades venatórias e de pesca no rio. " (in CM de Serpa)

https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/13--encontro-com-os-nossos-escritores





 

Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019


Ao encontro com os nossos Escritores

  

José Rentes de Carvalho

"O prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza."

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura

in quetzal.blogs.sapo.pt

Ettore Scola

(Clique)
Há pessoas para com quem tenho dívidas impossíveis de pagar e Ettore Scola (10.05.1931 - 19.01.2016) é uma delas. Três dos seus filmes : C'eravamo tanto amati (1974); Brutti sporchi e cativi (1976); Una giornata particolare (1977) tiveram sobre mim um indescritível impacto.Vi-os não sei quantas vezes, descobrindo sempre algo novo, dando-me conta de como me influenciavam, ensinando-me a importância do justo detalhe, da sobriedade da descrição, do depuramento das emoções. Depois deles nunca o estilo da minha escrita seria o mesmo.(quarta-feira, janeiro 20)

Que sabem os outros?

Que sabem os outros de nós, mesmo quando a nossa biografia é pública? Que sabem de nós, mesmo se confidenciamos ou confessamos? Que sabemos de nós próprios? Que queremos saber?

A cada instante o semblante muda, o sorriso é diferente, o modo fingido, as palavras ditas com o significado e a intenção que os outros esperam e espelham as que eles nos dizem. Movemo-nos num teatro de sombras, em palco de aparências, tão habituados à representação que a levamos a sério e nela nos sentimos bem. Vivemos a nossa fantasia no emprego das nove às cinco, vivemo-la com a família, entre os amigos, na rua, imitando a solidariedade, o carinho, o entusiasmo, a atenção, os cuidados.

O eu, o verdadeiro, aquele que tudo sabe – sim, tudo - e nos atormenta, a esse há muito condenámos à prisão perpétua. Infelizmente, o cárcere não é à prova de som, deixa passar os sussurros, quando menos esperamos ouvimo-lo desfiar o que queremos esquecer da nossa biografia e de nós próprios."( terça-feira, dezembro 29-2009)


photo in www.wook.pt

A rua

Passamos e não vemos, que tudo é pressa, frenesim, medos e desespero. A rua é triste. Tantos olhos, outros tantos cegos. Quem atenta no senhor idoso vestido de luto, na mulher trombuda, no rapaz com livros debaixo do braço, na garota que telefona olhando a vitrina, nos dois a conversar  encostados à porta, na fila para o autocarro, nos que saem do café e hesitam para que lado ir? Quem atenta neles?
Também eu passo, olho e não vejo, esquecido dos outros, mal lembrado de quem sou, perguntando-me que faço aqui, que razão me trouxe e se é vida uma inutilidade assim, a pressa que leva a nenhures, a indiferença que nos isola.

quinta-feira, dezembro 13 de 2012




 


Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019



"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

"As respigadoras" de Jean-François Millet


  


 
  

 
 
 
 


  
 
 
 



 



Terça-feira, 8de Janeiro de 2019



Beja

As Cartas Portuguesas de Soror Mariana Alcoforado


"As Cartas Portuguesas de amor que inspiraram Rilke fazem 350 anos 

As Cartas Portuguesas de Soror Mariana Alcoforado foram publicadas há exatamente 350 anos. 

Em Beja, vai ser inaugurada esta sexta-feira a exposição "100 Passos", entre um vasto 

programa de atividades que celebram a freira.


  A primeira edição, em francês, de As Cartas Portuguesas de Soror Mariana Alcoforado, é de 4 de janeiro de 1669. O editor foi Claude Barbin e, na altura, a autora ainda não estava identificada. Mas aquelas cinco cartas de amor (e de sofrimento) enviadas pela freira portuguesa ao cavaleiro Noël Bouton de Chamilly ganharam o seu lugar na história da literatura. 350 anos, a data é assinalada em Beja, a terra de Mariana Alcoforado, com a inauguração da exposição 100 Passos.

"A exposição chama-se 100 Passos referindo-se a este espaço em que Mariana Alcoforado se movimentou: o palácio onde morou, a igreja de Santa Maria onde foi batizada, o Convento de Nossa Senhora da Conceição onde foi internada aos 11 anos e onde passou toda a sua vida, são todos locais muito próximos", explica ao DN Francisco Paixão, diretor do Museu Regional de Beja. Mariana estava confinada a um espaço pequeno mas tinha o olhar lá longe.

Litografia de Matiise para uma edição de "As Cartas Portuguesas"

© Direitos reservados

A exposição vai mostrar pela primeira vez o registo de batismo de Mariana Alcoforado e outros documentos relacionados com a sua vida, assim como obras de arte da época. "Ela era a segunda filha de uma família abastada e, como era comum, o primeiro filho herdava quase tudo e a segunda filha era internada num convento com um dote, como num casamento. O dote de Mariana Alcoforado foi bastante grande e permitiu ao convento fazer alguns melhoramentos que ainda hoje são visíveis como a azulejaria, a talha dourada, aquisição de algumas obras de arte", explica Francisco Paixão.

Auto de batismo de Mariana Alcoforado

© Pedro Rocha/ Arquivo Global Imagens

A exposição poderá ser visitada até ao último dia de 2019. Ao longo do ano, a Câmara Municipal de Beja está a planear outras atividades relacionadas com Soror Mariana Alcoforado, como uma exposição de filatelia e concertos. A segunda edição do Festival B, que acontece de 27 a 30 de junho na cidade, também será dedicado a esta figura (a programação será divulgada em março). "Esta exposição é só o ponto de partida para as comemorações", diz o diretor do museu.

Mariana Alcoforado nasceu em Beja no ano de 1640 e foi batizada na Igreja de Santa Maria, no dia 22 de abril do mesmo ano. Foi seu padrinho D. Francisco da Gama, conde da Vidigueira e bisneto de Vasco da Gama. Após o noviciado, professou aos 16 anos exercendo, posteriormente, os cargos de escrivã e vigária. A 30 de julho de 1709 foi proposta para o cargo de Abadessa do Convento, tendo sido derrotada para tão importante cargo por 48 votos a favor e 58 contra. Em março de 1723, com 83 anos de idade, assinou pela última vez um documento, relativo ao encerramento das contas do trimestre do Convento da Conceição. Morreu a 28 de julho desse ano.

Convento de Nossa Senhora da Conceição - réplica da janela por onde Mariana Alcoforado falou com o marquês de Chamilly

© Direitos reservados

Nas cartas que escreveu transparece o amor que sentia pelo marquês de Chamilly, oficial francês que lutou em Portugal durante a Guerra da Restauração. Embora os originais das cartas não tenham chegado aos nossos dias, sabemos da sua existência pela primeira edição das mesmas, datada de 4 de janeiro de 1669, em França, por Claude Barbin, com o título "Lettres Portugaises Traduites en François".

Edição de 1930 de "As Cartas Portuguesas"

© Direitos reservados

As edições sucederam-se um pouco por toda a Europa e, já em 1923, de acordo com Godofredo Ferreira, estudioso e colecionador das obras sobre as cartas, existiam 130 edições em diversas línguas: francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, dinamarquês, holandês e português. Este amor maior, "grande de mais para um só ser", como escreveu o poeta Reiner Maria Rilke, foi fonte de inspiração para poetas, filósofos, escritores, cineastas, artistas plásticos, músicos. Para além da beleza das cartas, o exemplo de Mariana Alcoforado levanta várias questões sobre a condição de género, a posição social, a sobreposição de um destino imposto à liberdade para escolher."

as-cartas-portuguesas-de-amor-que-inspiraram-rilke-fazem-350-anos--10392701.html  In DN.PT



 


Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2019


Visite o Alentejo


Cante aos Reis_Serpa

Vídeo do YouTube

                                                                                                                                      https://youtu.be/W3sfeH8Z0p8

Domingo, 6 de Janeiro de 2019


Dia de Reis

A imagem pode conter: 7 pessoas
Adorazione dei Magi di Leonardo da Vinci.

A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1504-05)
Albrecht Dürer (1471 – 1528)
Óleo em painel (100 × 114 cm) 
Galleria degli Uffizi, Florence

A imagem pode conter: 6 pessoas, ar livre
Rubens
La Adoración de los Magos, 1628 - 1629.
Museo del Prado, Madrid

A imagem pode conter: 10 pessoas, interiores
“La Natividad”, Pietro da Cortona, h. 1656.


Pedro Mestre 
 Folclore de Natal, Janeiras e Reis 
Viva a Musica Antena 1

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/DNjcliyaTjk



Noite de Reis

A noite do dia 5 de Janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como a

 "NOITE DE REIS"

Cante dos Três Reis (Borba) 


Cante dos Três Reis. Recolhido em Borba, em 1982, por José Alberto Sardinha. Editado em 
"Portugal - Raízes Musicais", em 1997 - edição do Jornal de Notícias.
Imagem ilustrativa: Bonecos de Santo Aleixo (do espectáculo do Mestre Talhinhas - Santiago
 Rio de Moinhos), com os Reis Magos.

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/W3aD3ZzfUA8


A Romã e o Dia de Reis


Fotografia in Ana Marques Pereira

 

É tradição portuguesa comer romã no Dia de Reis.

Diz a tradição que, quem o fizer, terá abundância todo o ano.

Em tempo de crise este conselho é mesmo de aproveitar. Mas como em tudo existem regras de que já falaremos.
A romã é, como é sabido, o fruto da romãzeira, o seu nome científico é Punica granatum L. e pertence á família das Punicaceae.
A árvore que dá este fruto é nativa da região que vai desde o Irão ao norte da Índia e aos Himalaias. Passou depois a ser cultivada na Índia central e do sul, no século I e mais tarde na região Asiática do Mediterrâneo, na Europa e em África.
No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa de José Pedro Machado, que eu muito estimo, diz que vem do latim «romana« (mala), «maçã romana» e que a palavra romãa já era usada antes de 1377. No meu atrevimento de ignorante, acreditaria mais que vem da palavra árabe «rumman», que é mencionada no Corão várias vezes.
É que a etimologia analisada nas outras línguas nada tem a ver com a nossa. Os ingleses chamam-se “pomegranate”. Em latim clássico o fruto era conhecido por malum punicum ou malum granatum. A palavra malum significa maçã e granatum deriva de granum “grão” com o significado de muitos grãos. Também o nome desta fruta, nas outras línguas ocidentais, deriva de adaptações de malum granatum, como por exemplo «grenade» em francês ou «m
elagrana» em italiano, sucessor directo do latim milgroym e ainda «granada» em espanhol.
A palavra «rumman» continua a ser usada nos países arábes e encontramo-la em receitas como a sopa iraquiana de romã (Shorbat Rumman) ou no sumo de romã, que se pode beber na rua, em vários países arábes, como em Marrocos, onde tem o nome de «Asseer Del Rumman».

A romã foi sempre considerada um símbolo de fertilidade que se devia à grande quantidade de sementes que existem na fruta e à forma harmoniosa como elas se dispõem na polpa do fruto. É esse sentido que é atribuído à romã nos desenhos das colchas de Castelo Branco que, como sabem, tiveram as suas origens no Oriente. São de inspiração indo-portuguesa, existem vários tipos e é no modelo popular, ou nas colchas de noivado, que se reproduz mais frequentemente a romã.

Mas o fruto ganhou outros significados relacionados com o casamento e o amor. Com o tempo passou também a atribui-se-lhe um sentido de abundância que passou a englobar a prosperidade e a riqueza. O povo, como o seu sentido prático, diz que no «Dia de Reis deitam-se três bagos de romã no lume para o ter aceso, três bagos na caixa do pão e três no bolso do dinheiro para ter dinheiro e pão (Teófilo Braga, em «O povo Português suas crenças e costumes»).


Mas o costume que eu recordo desde pequenina, na Covilhã, era o de comermos romã no dia de Reis, para termos fartura. Mas para isso era necessário guardar a coroa da romã, juntamente com uma moeda atada, numa gaveta. No ano seguinte, depois dos Reis, dava-se a moeda a um pobre e repetia-se o ciclo. Na altura era uma moeda de um ou dois tostões, já não me lembro bem. Hoje não sei a que deve corresponder.
Em Portalegre existia também esse costume e encontrei também referência ao mesmo em Castelo de Vide, onde é tradição pelo dia de Reis comer uma romã. Aí primeiro comem-se cinco grãos dizendo: "Em louvor dos Santos Reis", e pede-se um desejo que não pode ser revelado. Daqui concluo que pelo menos nos distritos de Castelo Branco e no de Portalegre se associava a romã ao Dia de Reis, mas é possível que o mesmo se passe noutros lugares.

Em minha casa comia-se a romã em salada, com açúcar, canela e um fio de vinho do Porto. Mastigavam-se as sementes e saboreava-se o suco. Algumas pessoas engoliam as sementes, outras deitavam-as fora. Mas estava cumprido o ritual.

Para quem não esteja familiarizado como fruto devo dizer que a melhor maneira de o descascar é cortar a casca finamente em gomos, como uma laranja. Depois separam-se os gomos e retira-se a pele divisória.
Para quem não goste de comer as grainhas pode fazer sumo. A maneira mais prática de extrair o sumo é cortar a romã ao meio e espremê-la no espremedor de laranjas. Pode também amassar-se bem a romã inteira no chão ou numa pedra, depois fazer um corte e espremer o suco. Se não lhes agradar qualquer destes métodos, ainda têm outra alternativa. podem pôr os bagos num passador, esmagar as sementes e extrair o sumo. Este pode beber-se ou fazer geleia.

É que para além de ser muito agradável são-lhe atribuída imensas propriedades fitoterapêuticas. Em primeiro lugar é anti-oxidante, o que leva a crer que tem um efeito benéfico como protector vascular, por reduzir o colesterol LDL (ou mau colesterol). Para além disso são lhe atribuídas outras virtudes como anti-envelhecimento e efeitos neuroprotectores na Doença de Alzheimer. Passo por cima de alguns dos seus mencionados atributos mas não posso deixar de mencionar um estudo em que foi demonstrado efeito antibacteriano, sobre estirpes de Staphylococcus aureus de origem humana, em que o seu efeito antibacteriano foi superior ao de alguns antibióticos testados. Interessante.
Mas o post de hoje era sobre o Dia de Reis. Não se esqueçam de comer romã. Depois não digam que eu não avisei. 
in garfadasonline.blogspot.
Ana Marques Pereira



 


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Jean Dufy 
La orquesta, 1929


Carole King - You've Got a Friend (Audio)

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/eAR_Ff5A8Rk

1942 • Harry James & Helen Forrest • I've heard that song before

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/eAR_Ff5A8Rk


Aretha Franklin - (You Make Me Feel Like) A Natural Woman [1967]

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/dEWuAcMWDLY


Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2019


7ª Arte

Resultado de imagem para 7 arte

"Domingo à Tarde (1966) é um filme português de António de Macedo, a sua primeira longa 
metragem de ficção e a quarta do movimento do Novo Cinema.
Macedo, em contra-corrente, recusaria no entanto certos ditames estéticos dos vanguardistas
franceses, negando o proclamado valor de Godard.
A desenvoltura narrativa deste seu filme, de inspiração vanguardista mas sobretudo 
imbuído de filosofia germânico-nórdica (Husserl, Heidegger, Kierkegaard), e as soluções
formais nele exploradas tornariam entretanto mais transparente o tema que adopta: o 
romance homónimo do escritor Fernando Namora, da escola neo-realista portuguesa,
transfigurado no filme através de uma visão metafísico-existencial dos temas da angústia,
da morte e do destino último do homem.
Macedo teve confrontos sérios com os Serviços de Censura para poder estrear o filme.
A estreia foi em Lisboa, no cinema Império, a 13 de Abril de 1966."in Carpe Diem Atràs do Tempo 
Vem?




Domingo à Tarde (António de Macedo, 1966)   

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/EAsqiLbHYOo


Quarta-feira, 2 de Janeiro 2019



Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!


Caro Emerald - Liquid Lunch (Live at Montreux Jazz Festival)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/VZY6VPVH-PA


Terça-feira, 1 de Janeiro de 2019



Ao encontro dos nossos Escritores


Em 30 de Dezembro de 1989 ... foi há 28 anos !
MIGUEL TORGA, em COIMBRA, escrevia no seu ...
« DIÁRIO »...

" Um novo ano à vista, desta vez realmente promissor. Vamos a ver se ele é capaz

 desatisfazer os compromissos do velho. O gráfico dos últimos acontecimentos é um

 harmóniode espasmos. E só podemos desejar que sejam benéficas as consequências

 do terramoto. Os sismos sociais, ao contrário dos outros, que desolam sempre, remoçam

 habitualmente a paisagem humana."

 MIGUEL TORGA 



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Photo in http://www.escritas.org/pt/


"(...)
"Eu tenho sobre a história uma ideia que está longe de ser a mais frequente. Penso que,
 quem
faz a história, não é o governo de uma nação. Sou eu, a vizinha do andar do lado e 
o merceeiro
que está estabelecido com loja na esquina da rua 4. É o par de namorados que passa de 
lambreta ou o operário que vai para a oficina com a malinha do almoço. É o poeta, é o pensador, 
é o cientista, é tudo toda a gente, a que sai e a que fica em casa, todos todos, excepto os que
 compõem o governo. Esses só têm uma atitude permanente, que é a de atónitos 
solucionarem, ou verdadeiramente ou falsamente, os problemas que lhes são impostos(...)"

António Gedeão

 
 "Os amigos nunca são para as ocasiões. São para sempre. A ideia utilitária da amizade, como entreajuda, pronto-socorro mútuo, troca de favores, depósito de confiança, sociedade de desabafos, mete nojo. A amizade é puro prazer. Não se pode contaminar com favores e ajudas, leia-se dívidas. Pede-se, dá-se, recebe-se, esquece-se e não se fala mais nisso. 
A decadência da amizade entre nós deve-se à instrumentalização que tem vindo a sofrer. Transformou-se numa espécie de maçonaria, uma central de cunhas, palavrinhas, cumplicidades e compadrios. É por isso que as amizades se fazem e desfazem como se fossem laços políticos ou comerciais. Se alguém «falta» ou «não corresponde», se não cumpre as obrigações contratuais, é logo condenado como «mau» amigo e sumariamente proscrito. Está tudo doido. Só uma miséria destas obriga a dizer o óbvio: os amigos são as pessoas de que nós gostamos e com quem estamos de vez em quando. Podemos nem sequer darmo-nos muito, ou bem, com elas. Ou gostar mais delas do que elas de nós. Não interessa. A amizade é um gosto egoísta, ou inevitabilidade, o caminho de um coração em roda-livre. 
Os amigos têm de ser inúteis. Isto é, bastarem só por existir e, maravilhosamente, sobrarem-nos na alma só por quem e como são. O porquê, o onde e o quando não interessam. A amizade não tem ponto de partida, nem percurso, nem objectivo. É impossível lembrarmo-nos de como é que nos tornámos amigos de alguém ou pensarmos no futuro que vamos ter. 
A glória da amizade é ser apenas presente. É por isso que dura para sempre; porque não contém expectativas nem planos nem ansiedade.” 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Explicações de Português



 

"Sempre amei por palavras muito mais
do que devia
são um perigo
as palavras
quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada
e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos
um perigo
as palavras
mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero"

Alice Vieira




Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2018


"Alentejo Terra de Artistas"

A pintura é neta da natureza...
Rembrandt

Manuel Ribeiro de Pavia

Um dos maiores vultos das Artes Plásticas do nosso País. Urge divulgar e conhecer melhor a sua vasta  obra por forma a se levar ao conhecimento da geração actual e das gerações futuras o trabalho de elevado valor estético, de um homem criativo, simples o qual lutou contra a adversidade dum  regime que vigorou no nosso País durante quatro décadas. 


Pavia

Manuel Ribeiro de Pavia
  

  "Todo o verdadeiro artista é um transformador de energias, e como tal a obra de arte nunca poderá ser um acto gratuito. A sua melhor, a mais espinhosa tarefa é reintegrar o homem na dignidade humana. Em arte só o real é verdadeiro-aquilo que se pode verificar pelo comportamento emotivo do homem. Daí sucede, por vezes, que numa arte distanciada do público os primeiros contactos sejam sempre dolorosos e decepcionantes. Necessàriamente que o homem comum, entregue aos azares dos seus  recursos individuais, não pode ter uma visão excepcional do mundo. Todo o artista deve (e tem)  de ser um criador activo, isto é, um colaborador actuante e interessado no conjunto das funções sociais. O que pretende expressar deverá ir além da sua vida afectiva ou intelectual e comparticipar da aventura  quotidiana, numa familiaridade constante com os restantes individuos. Uma obra de arte resulta sempre bela e universal, na medida em que foi possível ao artista comunicar ao mundo exterior qualquer parcela da sua profunda emoção das realidades humanas."
Manuel Ribeiro de Pavia

 


 

     "Manuel Ribeiro de Pavia (n.1910 - m.1957), desenhador, ilustrador, aguarelista, foi um dos maiores valores  do neo-realismo português, no campo das artes plásticas. Nasceu em Pavia, Arraiolos, em 1910, e em 1929 veio para Lisboa, onde se dedicou ao desenho e à ilustração. Ilustrou principalmente livros de escritores neo-realistas,  nomeadamente Alves Redol. "As exigências gráficas das capas levaram-no a encontrar soluções formais decorativistas". (Manuel Alves de Almeida, 1990)

Participou em quase todas as Exposições Gerais de Artes Plásticas, tendo visto várias das suas obras apreendidas na segunda destas exposições, em 1947.

 

                                                   

  A temática mais recorrente nos seus trabalhos (desenhos e aguarelas) é o Alentejo e os seus camponeses, oscilando a expressão entre o lirismo, principalmente na representação da mulher, e a agressividade da denúncia social. 

                                                       


                                                 
   "Nunca tendo podido realizar sonhos de pintor mural, dentro dos esquemas estéticos do neo-realismo, em que ideologicamente se enquadrava, Pavia deixou larga obra dispersa de guaches a desenhos". (José Augusto França, 1973). 
   


                                                       
  Em 1950 publicou um álbum de desenhos a que chamou "Líricas". Morreu em Lisboa em 1957. O conjunto da sua obra foi exposto no ano seguinte pela Sociedade Nacional de Belas Artes.Grande parte da sua obra está reunida na Casa-Museu Manuel Ribeiro de Pavia, em Mora, no Alentejo."in CITI 
 






Alentejanos, 1946, desenho








 
      "Eugénio de Andrade, que o conhecia bem, em Os Afluentes do Silêncio, falou dele: "Esta morte, 
assim sem mais nem menos, que um amigo me comunica, entala-se-me na garganta. «Morreu o
Manuel Ribeiro de Pavia. Levou-o uma pneumonia que o foi encontrar depauperado por uma vida quase de miséria. Passava fome! Tinha uma única camisa! 
 
Não pagava o quarto há imenso tempo! E nós a falarmos-lhe de poesia...» Assim é: passava realmente
 fome. Todos nós o sabíamos. E ele a falar-nos de pintura, de poesia, da dignificação da vida. É justamente nisto que residia a sua grandeza. Não falava da sua fome - de que, feitas bem as contas, veio a morrer. A fome não consta de nenhum epitáfio. ..."(in Wikipédia)

 






"Servos da Gleba"















Domingo, 30 de Dezembro de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"A Música é uma revelação mais profunda que qualquer Filosofia."

Ludwig van Beethoven

Antonín Dvořák 

- Sinfonía Nº 9 en Mi Menor, Op. 95, 

"Del Nuevo Mundo" (IV. Allegro con fuoco), 1893

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Owkb5snh_RU


Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018



                                        Borba-Património Cultural

                                                  Forno de Cal


               "Considero como perdido todo o dia em que não conheço uma nova pessoa."

                                                             Johnson, Samuel

                                                             Sr.António Festas


Sr.António Festas

"Também ainda fiz algumas ceifas, porque o negócio da cal era fraco e tínhamos que deitar
 mãos a outros trabalhos quando apareciam, mas a maior parte do tempo era no forno,
 onde sempre trabalhei por minha conta." 




"A pedra para a cal Branca utilizada nas caianças e para os estuques íamos busca-la ás pedreiras do mármore, podia ser branca ou azul, mas tinha que ser escolhida porque nem toda a pedra era boa para cal. Da Serra D' Ossa também se ia buscar muita lenha para os fornos, haviam por aqui alguns faniqueiros que transportavam a lenha com as suas carroças e demoravam quase um dia a chegar ao forno, era longe e os caminhos muitos difíceis."



"Comecei a trabalhar ainda com o meu Avô, depois com o meu Pai, e depois continuei até hoje e quase sempre aqui neste forno do Bairro Branco onde ainda estou. Quando era miúdo quando saía aqui da escola, vinha logo ajudar a trabalhar no forno com o meu Pai e os meus irmãos. Depois quando era mais velho fui aprender a tosquiar ovelhas, porque nem sempre se podia cozer cal devido ao inverno, e assim sempre se ganhava mais alguns tostões na época das tosquias das ovelhas."





"Eu acho que já não há ninguém que se queira dedicar a esta profissão, os mais antigos já cá não estão e os mais novos querem outras profissões."

"A cal também já não se gasta como antigamente, a cal que vai sendo mais procurada é cal Branca

 para caiar e também para os estuques .Os estucadores dizem que esta cal aqui da nossa zona

é a melhor para o estuque, dizem que tem mais goma. Antigamente também se gastava muita 

cal branca na caiação, no tratamento das vinhas juntamente com o sulfato. Para caiar utilizam

 mais as tintas, mas a cal é melhor que as tintas e até é mais saudável nas paredes das nossas

 casas."


Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018



Borba Inspiradora 

Borba vista por Zé Russo-anos 50/80




As lavadeiras

Borba-Anos 50 do século passado


(Pequeno trecho)

"Havia bastantes e era bonito vê-las como um bonito quadro a óleo, lavando na beira dos ribeiros, umas dobradas a lavar outras em pé, estendendo a roupa nos prados verdejantes, para corar a roupa ao sol

 

Mal o sol nascia já um burro, ou um macho levava no seu dorso, a roupa metida em trouxas, o «albardar», ou seja, era embrulhada em panos ou em sacos e marcada com tecido a cores para não haver enganos, nem misturas. 

O local mais usado era o Vale de Grou, ou os Vais, ribeiras de água corrente com alguns açudes, esses locais tinham fama, dizia-se que a água era muito boa, para que a roupa ficasse mais branca, e bem lavada. Levavam para as ribeiras pedras de cor cinzenta, pedras «olho-de-sapo», que serviam para esfregar a roupa. 

Havia também diversos tanques de água em muitas hortas, os donos não se importavam e deixavam quem quer que fosse, lavar as suas roupas. 

 O lavadouro Municipal existia para quem não pudesse pagar a lavadeiras, indo elas próprias tratar da sua roupa, toda a população ali podia lavar sem pagar qualquer importância, tinham bastantes tanques, onde podiam trabalhar bastantes mulheres. Era ali o jornal diário, o local da má e boa discência. 

Tudo ali falava da vida alheia, daí a expressão idiomática «lavar roupa suja» quando se discute em público ou na vida particular dos outros, como; fulana está grávida, não sabe quem é o Pai, o marido da…não a satisfaz porque, tem aquilo muito mol, e por ai fora, era uma má-língua tremenda e muita galhofa à mistura."

foto de cronicasdorochedo



pode ler o resto da Crónica em:

faça duplo-click



Terça-feira, 25 de Dezembro de 2018


Alentejo Património Cultural

Alentejo Terra de Artistas

Amilcar Abreu
                                                                 
"enriquecer a galeria dos criadores nacionais de banda desenhada, onde o seu nome faltava." refere António de Azevedo Coutinho a propósito do vasto e significativo espólio de Amilcar Abreu

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Amilcar Abreu artista autodidacta, pintor e ilustrador tem as sua genuínas raizes no Alentejo, concretamente em Arronches, no Alto Alentejo. Nasceu no distrito de Portalegre em 1922, tendo nos quarenta e dois anos de curta existência deixado importante legado.

https://1.bp.blogspot.com/-8t521Xnuvx4/VE0Cqx7NmrI/AAAAAAAAAkg/ZDsBrDaBI6Y/s1600/exposi%C3%A7%C3%A3o%2Bdesenhar%2Bsem%2Bapagar..%2B(2).jpg


Foi no Alentejo que viveu grande parte da sua vida e é através do Desenho, Aguarelas e Ilustrações que se tornou conhecido na década de quarenta do século passado.
 Divulga então as suas aguarelas e inconfundíveis caricaturas, deixando antever um importante artista . 


Na sua obra o Alentejo está presente e é motivo da sua inspiração, ao retratar o ambiente rural e urbano de então. Participa já em 1925 através de ilustrações no Jornal "O Século" no suplemento infantil, sendo justo referir que dá origem à Banda Desenhada Portuguesa e à literatura infantil. Ràpidamente estas publicações ganham relevo povoando o nosso imaginário e chegando igualmente a terras distantes como o Brasil, França e a vizinha Espanha.


Participa em 1947 numa Exposição Colectiva com "A menina Vitamina", "Torres da Sé, "Da Janela do meu quarto", "O menino Swing" e outros trabalhos, ganhando projecção pela sua originalidade  e pela sátira dos mesmos.

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O maior conhecimento advém da sua colaboração com o Jornal "O Século, um dos maiores jornais de tiragem nacional, com o seu 
 contributo nas décadas de cinquenta e seguinte do século passado, com  o "Pim Pam Pum" nos deixou imagens que urge rever e divulgar. É então que o público toma conhecimento da sua grande produção artística na aguarela, na ilustração e caricatura.


Visite Borba










 

 

 
 

 


 


Fotografias de Adriano Bastos



Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2018



"Respigando...Borba"

(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

"As respigadoras" de Jean-François Millet


TEATRO COM OS JOVENS ESTUDANTES DE BORBA

em Fevereiro de 1962




BORBA NA ESCRITA


                TRÊS PERSONAGENS DA NOSSA TERRA 

           O Ti ANTÒNIO DIOGO E O TI ALEXANDRE 

               Vendedores de castanhas 

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Fotografia in educacaoinfancia.com

  

Esta simpática personagem era o encanto dos mais pequeninos. No inverno vendia castanhas assadas, chupa-chupas, caramelos, tremoços e outras guloseimas, estava localizado no alto da praça perto do passo da vila na esquina junto ao café da velhinha senhora Joana da Cristina. 

Durante algumas horas durante a noite a sua barraquinha era iluminada com um gasómetro que funcionava a carboneto, com uma luzinha fraca mas suficiente. 

  O Ti Diogo não podia trabalhar por não ter uma perna, daí esse modo de vida para poder sobreviver, deslocava-se em muletas com dificuldade, e também por ser muito gordo, era muito nervoso e falador, sabia da vida de todos os Borbenses, dava fé de tudo, era um verdadeiro cuscas. 

No verão mudava de local de venda, passava para o parque e jardim da vila junto ao coreto, ali ficava a viver e a vender de todos os doces que a criançada gostava. 

Os tremoços por ele vendidos eram dos melhores da vila, porque eram adoçados na vieira do lago ali bem perto com boa água corrente… mas de vez enquanto o saco dos tremoços aparecia com pequenos buracos, de onde alguns gaiatos mais atrevidos sem dinheiro para os comprar roubavam alguns tremoços, e ele ficava danado, até espumava pela boca. 

Era ele que alugava no verão calções, para a miudagem tomar banho no lago, situado por detrás da fonte das bicas, onde havia uma barraquinha em pano junto ao lago, era ali que vestia-mos os calções.  

Nesse tempo quase toda a criançada sabia nadar, era o nosso local de brincadeira, havia ali bons nadadores, que até chegavam a atravessar o lago 

de costas com um cigarro aceso na boca. Entre todos eles destaco, o saudoso Manuel Baptista já desaparecido. 

Havia alguns que se divertiam a atirar moedas para dentro de água, para nós mergulharmos a apanha-las, mas só podia acontecer quando a água do lago estava limpa e transparente. 

As nossas toalhas para nos enxugar, eram a pedra quente das paredes do lago, naquele sol quente do Alentejo. 

Nesse tempo longínquo ainda não havia piscinas, e muito menos moedas para o aluguer dos calções, os tanques onde banhava-mos eram diversos, como a quinta da prata, onde hoje é o lar da Santa Casa da Misericórdia, mosteiro, horta do Mateus Canelhas, e outros tanques de rega das hortas, mas a nossa preferida era a albufeira embora longe.  

Também havia uma outra barraquinha de um outro senhor, também já velhinho, numa esquina junto à taberna do senhor João Caxatra, era o Ti Alexandre que vendia doces e castanhas assadas para a criançada, e também para alguns outros apreciadores de castanhas, que iam beber uns copitos de vinho, acompanhados de castanhas assadas. 

Este Ti Alexandre era mais sociável com a miudagem, brincava, e até contava anedotas, onde grupos de miúdos se entretinham a ouvi-lo. Era muito bem-humorado, gostava da uma boa piada, aproveitava a vida de forma alegre e com um sorriso nos lábios. 

Tinha uma maneira de ser e um à-vontade incomum, embora tivesse muita dificuldade na locomoção por se deslocar em muletas para poder andar, para ele ser deficiente não era problema. 

Um bem aja para ambos, foram muito interessantes para a criação dos miúdos desse tempo. " 

José Russo





 



Sugestão de Passeios nesta Quadra Natalícia

Monsaraz, Alentejo

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/2je5i0qg6B4


Tempo de Leitura

Fotografia de Adriano Bastos

"Um livro aberto é um cérebro que fala; Fechado, um amigo que espera; Esquecido, uma 
alma que perdoa; Destruído, um coração que chora." 

Voltaire


"Então o amor e a amizade são isso: Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço. "
 
Mário Quintana


Visita-me Enquanto não Envelheço

visita-me enquanto não envelheço toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me 
com teu rosto de Modigliani suicidadotenho uma varanda ampla cheia de malvas e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo 
subindo à boca sulfurosa dos espelhosantes que desperte em mim o grito dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão 
derrama-se quando tua ausência se prende às veias 
prontas a esvaziarem-se do rubro ouroperco-te no sono das marítimas paisagens estas feridas de barro e quartzo 
os olhos escancarados para a infindável águacom teu sabor de açúcar queimado em redor da noite sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto



 

Quando vieres,
encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala,
apenas os cabelos mais brancos,
e o olhar mais cansado.
O pai fumará o cigarro depois do jantar e lerá o jornal.
Quando vieres,
só não encontrarás aquela menina de saias curtas
e cabelos entrançados que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
como se te tivessem sempre conhecido.
Nenhum de nós dirá nada,
mas a mãe largará o bordado,
o pai largará o jornal,
as crianças os brinquedos
e abriremos para ti os nossos corações.
Pois quando vieres,
não és só tu que vens.
É todo um mundo novo que despontará lá fora.
Quando vieres. 

de Maria Eugénia Cunhal, in "Silêncio de Vidro"

CONFIDENCIAL 
Não me perguntes,
Porque nada sei...
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.

Diário VXI
Miguel Torga


 "Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos. "

Miguel de Unamuno

"É fazendo que se aprende a fazer aquilo que
 se deve aprender a fazer." 

 Aristóteles


"A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras." 

Jorge Amado





Domingo, 23 de Dezembro de 2018


Momento Musical


Cantata de Natal I - Confusa, perdida

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/IhQX4E3TJ7g


Imelda May & The Dubliners

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/N6WZlXBDnYk


Cappella Amsterdam
 Cantique de Jean Racine (Live @ Bimhuis - Amsterdam

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/9jliWPm6hoU


Natal 2018


Menino-Manuel da Fonseca

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.

Manuel da Fonseca, in “Poemas para Adriano




Quando um Homem Quiser-Ary dos Santos

Quando um Homem Quiser

Tu que dormes à noite na calçada do relento 
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão 

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Ary dos Santos, in ‘As Palavras das Cantigas’



Charlie Chaplin 

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photo in fiberdoodles.blogspot.com

"We think too much and feel too little. 
More than machinery, we need humanity. 
More than cleverness, we need kindness and gentleness."

"Pensamos de mais e sentimos de menos. 

Mais do que maquinaria, precisamos de humanidade. 

Mais do que esperteza, precisamos de delicadeza e gentileza."

Charlie Chaplin
actor e realizador de cinema
Inglês, nasc.1889 - falec. no dia de natal de 1977


Coimbra, 26 de Dezembro de 1977

 
Chego e leio a notícia do falecimento de Charlie Chaplin. E, quase sem eu querer, a imagem do Charlot a que deu vida e universalidade sobrepõe-se instantaneamente no meu espírito à do seu criador, numa consoladora sensação de luto aliviado. Sim o mundo está mais pobre. Um génio que o habitava desapareceu para sempre. Só que esse génio de tal maneira se transmutou na sua criatura, que de há muito ela lhe ocupa o nicho no altar dos meus santos. É, de facto, o vagabundo do bigodinho, das calças largas e rotas, das botas cambadas, do coco e da bengalinha que vive entronizado na minha admiração, desde que na juventude o vi pela primeira vez na pele de um D. Quixote cordo e travesso a desafiar os gigantes da ordem estabelecida como se eles fossem moinhos de vento. O Zé-ninguém a arteiro de A Quimera do Ouro, do Circo e dos Tempos Modernos, que nunca vence nem é vencido, que não desiste mesmo quando parece abandonar a luta, que sabe encontrar sempre o largo caminho da liberdade em todos os becos sem saída, é que é meu semelhante, é que irradia calor humano, é que infunde coragem e dá esperança, é que me espevita a imaginação. E esse, graças a Deus, não morreu nem morrerá.

Miguel Torga em Diário Vol. XIII, Publicações Dom Quixote, Lisboa Novembro de 1999.
 
 


Natal 2018


Adoração do Menino de Gerard Van Honthorst


Natividade ou Adoração dos Pastores atribuído a Marçal de Matos
Século XVI-1580

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AS JANEIRAS
Desenho de Frederico Jorge



Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2018

Visite Borba




 
  
 


 

Fotografias de Adriano Bastos 




Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018


 


Entrevista com Carlos Bacalhau


 








 


 

Um grupo de amigos da cidade de Borba sentindo a necessidade de continuar ligados às suas terras de origem, às suas raízes e consequentemente contribuir para a promoção, divulgação e preservação do seu património nos seus diferentes aspectos histórico, literário, monumental, musical, etnográfico e artístico, decidiu começar através de entrevistas, dar a conhecer personalidades que contribuíram ou continuam a contribuir de diferentes formas para o enriquecimento desta cidade a quem já chamaram de SINTRA DO ALENTEJO.

Continuamos assim por entrevistar um Borbense nascido no dia 3 de Agosto de 1961, que sempre ali viveu e a quem agradecemos a disponibilidade para falar connosco, que é de seu nome:

Carlos Manuel Silveira Bacalhau

J.A.  Nasceu e viveu sempre nesta cidade de Borba?

C.B.  Sim nasci aqui em Borba, andei na Escola Primária onde completei o 9º. Ano e vivi em casa de meus pais até aos 20 anos;

J.A.  Após terminar o 9º. ano a que se dedicou enquanto viveu em casa de seus pais?

C.B.  Desde miúdo sempre me dediquei à arte, designadamente na pintura em tela e mais tarde em cerâmica, xisto, mármore;

J.A. Chegou a frequentar alguma escola de arte?

C.B.  Não nunca tive essa possibilidade. Tudo o que fiz foi por inspiração própria, como Autodidata e até talvez influenciado pelo que fui lendo;

J.A.  Ocupou todo o seu tempo nesta área ou desenvolveu outras actividades?

C.B.  Comecei cedo a trabalhar na Câmara Municipal de Borba, onde desenvolvi diversas actividades, das quais destaco a fundação da Oficina da Criança, nos anos de 1982/83;

J.A.  É casado? Tem filhos?

C.B.  Sim sou casado e tenho duas filhas, uma com 24 anos que trabalha no campo e outra de 19 anos que estuda;

J.A.  Pensa que terá possibilidade de conseguir mantê-las em Borba?

C.B.  Não estou vendo essa possibilidade. Com a actual crise e especialmente neste Concelho cuja principal riqueza era a exploração e exportação dos mármores que agora está praticamente parada, as perspectivas são muito poucas;

J.A.  Guarda todas as suas obras que tem produzido ao longo destes anos como seu património pessoal?

C.B.  Não vou-as vendendo nas diversas Exposições( Casa do Alentejo, Évora, Estremoz, Espanha e noutros locais) e mesmo em várias Feiras de Artesanato, onde tenho estado presente, não só para fazer face às minhas despesas, mas também pela falta de espaço. Destacarei em especial um quadro onde pintei uma Ceifeira e outro a que intitulo Renascimento, que penso guardar enquanto puder; 

J.A.  Já tínhamos apreciado no Natal de 2011 as figuras que construiu alusivas àquela época festiva. Neste último Natal de 2012 tivemos o cuidado de ir novamente ver e, francamente ficamos maravilhados com esse magnífico trabalho, e leva-nos a perguntar: Qual o material utilizado e onde é adquirido?

C.B.  Regozijo-me pelo apreço e pelas mensagens que me têm sido enviadas e que são um estimulo para continuar. Os  materiais que são utilizados na construção do Presépio são variados, tais como: papel, plástico, madeira, resina, cola, jornaisenfim tudo o que possa ser reciclado;

J.A.  Todo este trabalho é feito  apenas por si ou tem alguém que o ajude?

C.B.  Grande parte deste trabalho é feito apenas por mim, embora por vezes tenha que pedir algum apoio para determinadas peças;

J.A.  Certamente   que esta tarefa o ocupa durante muitas horas, dias, meses, sei lá!! É desenvolvida como trabalho extraordinário?

C.B.  Não apenas no meu horário como trabalhador da Câmara, sem quaisquer extras;

Desejo-lhe então que continue a desenvolver a sua arte, que haja reconhecimento e apoio para promover mais iniciativas deste e doutros tipos, certamente com orgulho para si a para todos nós Borbenses e Amigos de Borba

AMIGOS DE BORBA (2013.04.30)




 


Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018

Visite Borba



Fotografias de Adriano Bastos



Tempo de poesia


Florbela Espanca

Vila Viçosa


Minha alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca


Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito…
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.
Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!
Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!
Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

Florbela Espanca


Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...

Trago na boca o coração dos cravos!
Boémios, vagabundos, e poetas:
--- Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

 Florbela Espanca





Vila Viçosa

Património Religioso


Igreja Matriz de Vila Viçosa 


Igreja da Misericórdia



Igreja de N. Sra. da Lapa 

Igreja de Nossa Senhora da Graça



Domingo, 16 de Dezembro de 2018



Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"A Música é uma revelação mais profunda que qualquer Filosofia."

Ludwig van Beethoven

Foto de Carolina Pedroso.
Agnieszka Markocińska

 16 de Dezembro de 1770 nasce em Bon Ludwig Van Beethoven 

Beethoven - Egmont Overture

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/VP7RnuCmM00


Visite o Alentejo


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(Tapada Grande)
Foto: © Clara Gamito
 


A imagem pode conter: céu, nuvem, ar livre e naturezaO céu de Monsaraz...
Alentejo | Portugal
© David Ramalho Photography
 



A imagem pode conter: céu, nuvem, lusco fusco e ar livre
Photo in https://www.facebook.com/alentejo.pt

A imagem pode conter: céu, árvore, ar livre e natureza
Recantos de Vila Viçosa.. (Distrito de Évora) 
Foto: © Raul Branco

A imagem pode conter: nuvem, céu, ar livre e natureza
Foto: © Luís Reininho Photography

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Campo de girassóis, entre Aljustrel e Montes Velhos
Foto © Luis Reininho 



Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

  



Encontros com as palavras...

A Forma Justa

Sei que seria possível construir o mundo justo 
As cidades poderiam ser claras e lavadas 
Pelo canto dos espaços e das fontes 
O céu o mar e a terra estão prontos 
A saciar a nossa fome do terrestre 
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia 
Cada dia a cada um a liberdade e o reino 
— Na concha na flor no homem e no fruto 
Se nada adoecer a própria forma é justa 
E no todo se integra como palavra em verso 
Sei que seria possível construir a forma justa 
De uma cidade humana que fosse 
Fiel à perfeição do universo 

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco 
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"  

 

O mundo só pode ser
melhor do que até aqui,
quando consigas fazer
mais p'los outros que por ti!

Embora os meus olhos sejam,
os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

Para não fazeres ofensas
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.

Eu não sei porque razão 
Certos homens, a meu ver, 
Quanto mais pequenos são 
Maiores querem parecer.

Contigo em contradição 
Pode estar um grande amigo 
Duvida mais dos que estão 
Sempre de acordo contigo

Os meus versos o que são? 
Devem ser, se os não confundo, 
Pedaços do coração
Que deixo cá, neste mundo.

Este livro que vos deixo 
E que a minha alma ditou, 
Vos dirá como o Aleixo 
Viveu, sentiu e pensou.

António Aleixo





Há certas coisas que não se podem guardar. Por exemplo, não podes guardar a luz do luar, 
ou a brisa perfumada de um pomar de macieiras. Não podes guardar as estrelas dentro de uma
caixa. No entanto podes colecionar estrelas. Escolhe uma quando a noite chegar. Será tua. Mas 
deixa-a guardada na noite. É ali o lugar dela.

José Eduardo Agualusa




Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
...
noutra pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse ao abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever em sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar em jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.


José Carlos Ary dos Santos



As palavras mais nuas

As palavras mais nuas

as mais tristes.

As palavras mais pobres

as que vejo

sangrando na sombra e nos meus olhos.

Que alegria elas sonham, que outro dia,

para que rostos brilham?

Procurei sempre um lugar

onde não respondessem,

onde as bocas falassem num murmúrio

quase feliz,

as palavras nuas que o silêncio veste.

Se reunissem

para uma alegria nova,

que o pequenino corpo

de miséria

respirasse o ar livre,

a multidão dos pássaros escondidos,

a densidade das folhas, o silêncio

e um céu azul e fresco.

António Ramos Rosa



Amor é olhar total, que nunca pode

ser cantado nos poemas ou na música,

porque é tão-só próprio é bastante,

em si mesmo absoluto táctil,

que me cega, como a chuva cai

na minha cara, de faces nuas,

oferecidas sempre à água .


FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

"Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama louca, ansiosa para se consumir no fogode uma paixão desejada. E em outras, uma corrente de paz, como um entardecer na praia".


José Saramago


Os Actos Valem mais que as Palavras

Nenhuma explicação verbal poderá alguma vez substituir a contemplação. A unidade do Ser não é transmissível pelas palavras. Se eu quisesse ensinar a homens, cuja civilização o desconhecesse, o que é o amor a uma pátria ou a uma quinta, não disporia de argumento algum para os convencer. São os campos, as pastagens e o gado que constituem uma quinta. Todos e cada um deles têm como missão produzir riqueza. No entanto, há alguma coisa na quinta que escapa à análise dos seus componentes, pois existem proprietários que, por amor à sua quinta, se arruinariam para a salvar. Pelo contrário, é essa «alguma coisa» que enriquece com uma qualidade particular os componentes. Estes tornam-se gado de uma quinta, prados de uma quinta, campos de uma quinta... 
Assim se passa a ser homem de uma pátria, de um ofício, de uma civilização, de uma religião. Mas, para que alguém se reclame de tais Seres, convém, antes de mais, fundá-los em si próprio. E, se não existir o sentimento da pátria, nenhuma linguagem o transmitirá. O Ser de que nos reivindicamos não o fundamos em nós senão por actos. Um Ser não pertence ao domínio da linguagem, mas dos actos. O nosso Humanismo desprezou os actos. Fracassou na sua tentativa.

Antoine de Saint-Exupéry 




 



quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018





Votos de Feliz Quadra Natalícia


Christmas Oratorio



J.S. Bach

Christmas Oratorio, BWV 248 / Chorus: "Jauchzet, frohlocket" (Ton Koopman) 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/B3HLVzNO5mM


quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018




Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare

Benefícios no consumo do Caju
castanha-de-caju1


Benefício no consumo de Castanhas



Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018



Hoje celebra-se o Dia Internacional do Tango 


"O Dia Internacional do Tango é celebrado anualmente no dia 11 de dezembro. Este dia foi criado em homenagem a dois dos seus maiores criadores, nascidos nesta data: Carlos Gardel, cantor, e Julio de Caro, compositor.
Acredita-se que este tipo de música e estilo de dança teve origem africana mas foi na Argentina que o tango se tornou popular e é neste país que se regista o maior número de praticantes de tango.
A dança do tango tem uma coreografia complexa, sendo considerada como uma das danças mais sensuais do mundo. A sua forma musical é binária e o seu compasso é de dois por quatro. Acordeão, contrabaixo, piano, violão e violino são alguns instrumentos típicos deste estilo musical.
Ástor Piazzolla, Carlos Gardel, Alfredo Le Pera, Hugo del Carril, Aníbal Troilo e Enrique Santos Discépolo são alguns artistas essenciais do tango." in dia-internacional-do-tango


O Tango foi considerado Património Oral e Imaterial da Humanidade em 2009!


Carlos Gardel - Adios Muchachos -Tango 1927

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/IGI_1L7iQNA


Astor Piazzolla - Invierno Porteño

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Vhv3yP7dKSY


Em Alentejo-GASTRONOMIA 

Receitas Culinárias Alentejo


Sericaia



 


in omelhoralentejodomundo.blogspot.com

 
Ingredientes:

5 Dl de leite 
1 Casca de limão
1 Pau de canela
60 G de farinha
½ Colher (de café) de sal
6 Ovos
200 G de açúcar
1 Colher (de sopa) de canela em pó
Manteiga q.b.

 
Preparação:
Ferva o leite com a casca de limão e o pau de canela e deixe arrefecer. Em seguida, dissolva a farinha com o sal nesse leite, depois de completamente frio. Bata as gemas com o açúcar até obter um creme fofo e esbranquiçado e adicione ao leite. Deve ficar tudo homogéneo e sem grumos. Ponha este preparado a cozer em lume médio, mexendo sempre até se ver o fundo do tacho. Retire do calor e deixe arrefecer. Depois, bata as claras em castelo bem firme e junte cuidadosamente ao preparado anterior (como se faz para o soufflé). Unte com manteiga um prato de barro, louça ou estanho, que suporte temperaturas elevadas. Com uma colher grande deite o doce no prato em colheradas desencontradas, isto é, fazendo escama. Polvilhe a superfície com a canela passada por um passador e leve a Sericaia a cozer em forno bem quente, cerca de 220º C, até abrir fendas. Sirva frio.


Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar e outras mais 
receitas do nosso Alentejo pode ver em:




Sábado, 8 de Dezembro de 2018

Dia da Mãe


Gustav Klimt

 A imagem pode conter: 1 pessoaWilliam H. Renehart 1825-1874



 Texto alt automático indisponível.
Sandro Botticelli - Vergine annunciata, dettaglio da "Annunciazione di Cestello" - tempera su tavola - 1489-1490 circa - Galleria degli Uffizi a Firenze



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#AntónioDacosta 1914- 1990  Arte Portuguesa
"Mãe e Filho de Perfil"


MÃE

 Mãe - que adormeceste este viver dorido,
 E me vele esta noite de tal frio,
 E com as mãos piedosas até o fio 
Do meu pobre existir,meio partido.... 

Que me leve consigo,adormecido,
 Ao passar pelo sitio mais sombrio... 
Me banhe e lave a alma lá no rio
 Da clara luz do seu olhar querido...
 
Eu dava o meu orgulho de homem - dava 
Minha estéril ciência,sem receio,
 E em débil criancinha me tornava,

 Descuidada,feliz,dócil também, 
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
 Se tu fosses querida,a minha mãe!

 Antero de Quental 
In Sonetos


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Picasso

Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
Era uma vez uma princesa 
no meio de um laranjal... 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade

 in "Os Amantes Sem Dinheiro"


Resultado de imagem para picasso Madre e hijo, 1905


Aniversário Mãe

Que visita tão pura me fizeste 
Neste dia! 
Era a tua memória que sorria 
Sobre o meu berço.
 Nu e pequeno como me 
deixaste,
 Ia chorar de medo e de
 abandono.
 Então vieste, e outra vez
 cantaste, 
Até que veio o sono. 

Miguel Torga

 In Diário IV

Texto alt automático indisponível.
Gabriel Metsu
La niña enferma, 1660


MOTHER

by

John Lennon  

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/eDVkkwl6aJo

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Edward Henry Potthast
Along the Shore

 

Feriado nacional e dia santo de guarda, a data de 8 de Dezembro constitui-se como um dia de festa religiosa, associada durante muitos anos à celebração do Dia da Mãe. 
A 25 de Março de 1646, o rei D. João IV organizou uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora a Restauração da Independência de Portugal. Foi até à igreja de Nossa Senhora da Conceição, declarando-a padroeira e rainha de Portugal. 
São do seguinte teor as palavras da provisão régia datada, precisamente, de 25 de Março do ano acima referido: "Estando ora juntos em cortes com os três estados do Reino lhes fiz propor a obrigação que tínhamos de renovar e continuar esta promessa (de D. Afonso Henriques) e venerar com muito particular afecto e solenidade a festa de Sua Imaculada Conceição. 
E nelas, com parecer de todos, assentámos de tomar por padroeira de Nossos Reinos e senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição… e lhe ofereço de novo… à Sua Santa Casa da Conceição sita em Vila Viçosa, por ser a primeira que houve em Espanha desta invocação, cinquenta escudos de oiro, em cada um ano em sinal de Tributo e Vassalagem…"Desde esse dia em diante, mais nenhum rei português colocou coroa na cabeça, privilégio que estaria disponível apenas para a Imaculada Conceição. 
Nossa Senhora da Conceição tem sido através dos séculos, a honra e a glória da Nação e do Povo Português." in Orlanda Matias




 




 

"Esta ‘Inmaculada Concepción’ realizada por El Greco y su hijo Jorge Manuel entre 1608 y 1614 reinterpreta una versión anterior pintada para la iglesia de San Román de Toledo y fechada hacia 1580-1585, 'La Inmaculada Concepción contemplada por san Juan Evangelista'. En ella, el pintor sitúa por primera vez los símbolos de la Inmaculada en la parte inferior del lienzo, junto al santo, como parte de un paisaje; una disposición similar a la que vemos aquí, aunque sin la figura de... san Juan. Ambas tienen también una composición semejante, con la figura alargada de la Virgen flotando en el centro, sobre una peana de querubines y rodeada por ángeles. La desigualdad de ejecución entre las figuras y el paisaje dio las claves para ver en este último la participación del taller y, en concreto, la colaboración del hijo del pintor.

¡Feliz día de la Inmaculada a todos y muchas felicidades a todas las Conchas, Conchitas, Concepciones, Inmas, Inmaculadas...!" in Museu Thyssen Bornemisza








 


Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2018




Borba


Borba recebe habitualmente nesta Quadra Natalícia festiva milhares de visitantes, os quais  têm a possibilidade de ver nas principais artérias da cidade, junto às muralhas, o Presépio de Rua com
figuras escultóricas de tamanho natural, da autoria do artista plástico Borbense Carlos Bacalhau.
Na Rua Fernão Penteado, poderão ver o Presépio de figuras em miniatura e em movimento da 
autoria de José Grego e Rosa Aparício sua esposa. 
 Tal  mostra cultural resulta de milhares de horas de labor, sobre os quais é justo referir o talento
dos seus criadores, sua disponibilidade, dedicação ao concelho e à cultura em obras de inegável 
valor cultural.
 O Blogue "AmigosterrasBorba" realça o valioso contributo para a cultura local de três conterrãneos nossos, que ano após ano se envolvem de forma empenhada e criativa num trabalho cultural que
vem ganhando dimensão nacional. Os nossos Parabéns pelos excelentes  trabalhos que muito contribuem para a divulgação do nosso Concelho, para a divulgação da cultura e estimulo a
novas iniciativas.



Borba-Presépio de Natal em Borba de Rosa Aparício e 

José Grego

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/0bYZ37U_z84





 



Borba-Presépio Natal de Rua- de Carlos Bacalhau

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/I-T_WUohRjw 




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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2018


"Alentejo Terra de Artistas"


A pintura é neta da natureza...

Rembrandt



José António da Silva Palolo
Évora

 Pintor e operador artístico português, João António da Silva Palolo nasceu em 1946, em Évora, e faleceu a 29 de janeiro de 2000. Autodidata, estreou-se em 1964 numa exposição individual. No final da década de 1960, revelou-se um mestre da estética pop que, posteriormente, evoluiu para a simplificação geométrica das formas. Na década de 1980, passou a trabalhar a figura humana e as relações do Homem com o universo. Está representado no Museu Nacional de Soares dos Reis e no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian.in infopedia.pt


                                                                            



Hórrido o silêncio do teu corpo-1966

Estilo-Pop Art

Género-Figurativo



Sem título-1968

Estilo-Pop Art

Género- Figurativo


Sem título

[Ant%C3%B3nio%20Palolo,%20Jardim%20das%20del%C3%ADcias,%201970,%20acr%C3%ADlico%20sobre%20tela,%20141%20x%20202%20cm.jpg]

 

We all live in a yellow submarine…

por Miguel Matos


"Será esta imagem um frame do psicadélico filme “Yellow Submarine”? Parece que é mas não é. Finalmente acontece uma exposição antológica do pintor António Palolo no Centro de Arte Manuel de Brito, a primeira em doze anos de silêncio, que reúne obras desde os inícios dos anos 60 até 84

António Palolo é um artista de quem pouco se fala, quase nada se escreve e raramente se expõe. Em portugal há um vazio de crítica e de história de arte que permite estes exemplos de grandes artistas acerca dos quais pouco ou nada se diz. António Palolo morreu cedo em 2000, com 54 anos e deixou atrás de si uma obra desigual que reflecte o seu carácter insaciável. Artista autoditacta nascido em Évora, pulou a vida toda de fase em fase. A necessidade de experimentar será talvez a característica mais marcante do seu trabalho, que acompanhou diferentes movimentos artísticos, passando do informalismo para a transvanguarda, pela arte-pop, pelo abstraccionismo geométrico até à arte conceptual. Num jogo contínuo que estabelece com o olhar, Palolo propõe um sistema integrado de formas orgânicas com estruturas geométricas. Sem nunca abandonar o seu reconhecido apelo ao sensorial do Homem, ele pretendeu conhecer a arte tanto quanto pretendeu conhecer-se como artista.

Palolo foi o destemido artista heterogéneo, pintor, autor de videos, de instalações e diaporamas. A sua insegurança (talvez pela falta de uma formação oficial), levou-o a querer abraçar sempre a corrente artística dominante.“Palolo não havia frequentado as Belas-Artes, e a sua formação autodidacta foi norteada por um forte instinto plástico, por uma necessidade interior que parecia conciliar, não sabe bem, não se sabe como, a fisionomia de uma paisagem alentejana, com a versatilidade de uma paisagem interior. Num primeiro momento foi no real que procurou marcas e signos para depois os transfigurar em surreais alegorias. Estas começaram por revelar uma sensibilidade pop. Mas seguiram depois os imprevisíveis caminhos dos ventos que sopravam nas searas e tudo agitavam à sua passagem, polindo as aparências”, diz Eduardo Paz Barroso, no único livro dedicado ao artista, editado pela Caminho e entretanto praticamente esgotado. Segundo Helena de Freitas diz numa ficha informativa do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, “O desenvolvimento desta vertente geométrica na passagem para os anos 70 conduziu-o a um abstraccionismo de sinalização pop ou psicadélico, através da cuidada articulação de bandas coloridas, num progressivo fascínio pelas possibilidades construtivas da simetria e do ritmo”.


Durante o seu caminho, António Palolo rompe com o que quer que seja, assim como nunca apresentou medos absolutos de abandonar as suas anteriores formas de expressão e redesenhar outras. Martirizava-se na incessante busca do género, técnica e momento para responder às suas questões. Após o 25 de Abril, abandonou bruscamente a figuração de raiz pop, entregando-se a delírios mais característicos do pós-modernismo, tendo participado na mítica exposição “Alternativa Zero”. Na década de 80, quando muitos dos seu colegas apelavam e afirmavam pelas artes visuais que a pintura tinha dias contados, Palolo finca-se na premissa do “não abandono” e das novas linguagens na permanência e autonomia da pintura. Entretanto, neste momento de indefinição nas artes visuais e em que não se pode traçar uma tendência principal, não deixamos de pensar: Como seriam hoje as obras de Palolo se ainda estivesse entre nós?" 



 


Sem Título-1973

Estilo- Color Field Painting

Género-Abstract


Home- 1986

Estilo-Neo-Expressionism

Género-Figurativo 



Sem Título

1972

Estilo-Color Field Painting

Género-Abstracto 



Sem Título-1986

Estilo-Neo-Expressionism

Género -Figurativo


Sem Título

Estilo-Color Field Painting

Género-Abstract






Sem Título-1983

Estilo-Neo-Expressionism

Género- Figurativo



Sem título- Estilo Pop Art- Género-Abstracto


1971-Estilo Pop Art -Género Figurativo





Sem título-1992

Estilo-Color Field Painting

Género-Abstracto






Sem Título-1967

Estilo-Art Informel, Pop Art

Género-Abstract









Figura-1983
Estilo- Neo-Expressionism

Género-Figurativo




Sem Título-1972

Estilo-Color Field Painting

Género-Abstracto  



Domingo, 2 de Dezembro de 2018



Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música…

Texto alt automático indisponível.
Armando Barrios


Otis Redding - (Sittin' On) The Dock Of The Bay 

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/rTVjnBo96Ug



Nolwenn Leroy & Renaud Capuçon - "Calling You" (from Bagdad Café)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/YIlGlw1Pr9U



Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018


Tempo de Leitura

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Rembrandt van Rijn 
Portrait of the Artist's Mother Reading (c. 1629)




 
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Photography of Igor Morski

"Feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
(…) "
Ruy Belo

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Fotografia de Adriano Bastos

"Toda a beleza do ser humano consiste em se tornar algo melhor do que já foi."

"A calma é um elemento criador. Purifica, recolhe, põe em ordem as forças internas, compensando o que o desordenado movimento dispersa."

Stefan Zweig

Texto alt automático indisponível.
Fotografia de Adriano Bastos

"O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses. "

José Saramago

A imagem pode conter: planta e interiores
Fotografia de Adriano Bastos

"A arte é uma forma da actividade humana pela qual seres privilegiados podem comunicar a outros sensações e sentimentos que eles próprios experimentaram."


Leon Tolstoi

 


Momento Musical

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Rosso Fiorentino "Angelo musicante" 1521


Joly Braga Santos
Viver ou morrer, Op. 19: Prelude 
·Royal Liverpool Philharmonic Orchestra

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/-txLRE8rQp0



Terça-feira, 20 de Novembro de 2018


Tempo de Leitura

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photo in bedia.wordpress.com

O Que é a Inspiração?, 

por José Saramago

"Eu não sei o que é a inspiração. Mas também a verdade é que às vezes nós usamos conceitos que nunca paramos a examinar. Vamos lá a ver: imaginemos que eu estou a pensar determinado tema e vou andando, no desenvolvimento do raciocínio sobre esse tema, até chegar a uma certa conclusão. Isto pode ser descrito, posso descrever os diversos passos desse trajecto, mas também pode acontecer que a razão, em certos momentos, avance por saltos...; ela pode, sem deixar de ser razão, avançar tão rapidamente que eu não me aperceba disso, ou só me aperceba quando ela tiver chegado ao ponto a que, em circunstâncias diferentes, só chegaria depois de ter passado por todas essas fases. 

Talvez, no fundo, isso seja inspiração, porque há algo que aparece subitamente; talvez isso possa chamar-se também intuição, qualquer coisa que não passa pelos pontos de apoio, que saltou de uma margem do rio para a outra, sem passar pelas pedrinhas que estão no meio e que ligam uma à outra. Que uma coisa a que nós chamamos razão funcione desta maneira ou daquela, que funcione com mais velocidade ou que funcione de forma mais lenta e que eu posso acompanhar o próprio processo, não deixa de ser um processo mental a que chamamos razão."


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Photo in citador.pt

Os amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada,
...
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria -
por mais amarga.

Eugenio de Andrade

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Poema sobre o Alentejo

Insónia Alentejana/ Miguel Torga


Pátria pequena, deixa-me dormir,
Um momento que seja,
...
No teu leito maior, térrea planura
Onde cabe o meu corpo e o meu momento.
Nesta larga brancura
De restolhos, de cal e solidão.
E ao lado do sereno sofrimento
Dum sobreiro a sangrar,
Pode, talvez, um pobre coração
Bater e ao mesmo tempo descansar...


[De Diário, VI]

Miguel Torga


Domingo, 18 de Novembro de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro



   Encontra-se a decorrer no Barreiro na Cooperativa Cultural Barreirense, uma 
Exposição de Pintura da Artista Plástico Luisa Tomás . Teve lugar no passado
 sábado a abertura deste Evento Cultural de iniciativa dos "Amigos de Borba"
 em parceria cultural com Grupo Coral "Os Amigos do Barreiro" e a 
Cooperativa Popular Barreirense. Esta iniciativa teve o apoio da Câmara 
Municipal do Barreiro.


Fotografia (Detalhe) de Adriano Bastos

 


 

 
 
Fotografias de Manuel Caeiro






 




 


Fotografias de Adriano Bastos






Criada em 21 de Agosto de 2012, a Associação dos Amigos de Borba

Associação de Borbenses Defensores do Património Ambiental e Cultural


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O Alentejano


"Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo"

Pintura de Espiga Pinto, sobre madeira, datada de 1965. 130x40cm
Col. Centro de Arte Moderna da 

 
"Se há marca que enobrece o semelhante, é essa intangibilidade que o Alentejano conserva e que deve em grande parte ao enquadramento. O meio defendeu-o duma promiscuidade que o  atingiria no cerne. Manteve-o Vertical e Sozinho, para que pudesse ver com nitidez o tamanho da sua sombra no chão. Modelou-o de forma a que nenhuma força por mais hostil, fosse capaz de lhe roubar a coragem, de lhe perverter o instinto, de lhe enfraquecer a razão... (...) É preciso ter uma grande dignidade humana, uma certeza em si muito profunda, para usar uma casaca de pele de ovelha com o garbo dum embaixador. Foi a terra Alentejana que fez o homem Alentejano, e eu quero-lhe por isso. Porque o não degradou proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão."

Miguel Torga In "Portugal" 1950

Fotografia de Adriano Bastos

O Alentejo lembra-me sempre 
 Um imenso relógio de sol
  Onde o homem faz de ponteiro do tempo 

 Miguel Torga 


 































































































 


















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