Página Cultural





         





    
Fotografia de Adriano Bastos

O Alentejano


"Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo"

Pintura de Espiga Pinto, sobre madeira, datada de 1965. 130x40cm
Col. Centro de Arte Moderna da 








O Alentejo lembra-me sempre 
 Um imenso relógio de sol
  Onde o homem faz de ponteiro do tempo 

 Miguel Torga 


 




Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018


Manuel António Pina 

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(Sabugal, 18 de Novembro de 1943 — Porto, 19 de Outubro de 2012), 
jornalista e escritor

TEORIA DAS CORDAS


Não era isso que eu queria dizer,
queria dizer que na alma
(tu é que falaste da alma),
no fundo da alma e no fundo
da ideia de alma, há talvez
alguma vibrante música física
que só a Matemática ouve,
a mesma música simétrica que dançam
o quarto, o silêncio
a memória, a minha voz acordada,
a tua mão que deixou tombar o livro
sobre a cama, o teu sonho, a coisa sonhada;
e que o sentido que tudo isto possa ter
é ser assim e não diferentemente,
um vazio no vazio, vagamente ciente
de si, não haver resposta
nem segredo.

Manuel António Pina


NA BIBLIOTECA
.
O que não pode ser dito
guarda um silêncio 
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
.
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
.
em cada página sobre si 
recolhida, às horas mortas em que 
a casa se recolheu também 
virada para o lado de dentro,
.
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
"E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta."


Manuel António Pina


Marcus Vinicius de Moraes 

(Rio de Janeiro, 19.10.1913 — 9.7.1980)

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 VINICIUS DE MORAES, foi poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor
 e compositor brasileiro.

 


 O MERGULHADOR
.
 "E il naufragar m'è dolce in questo mare"
 Leopardi 
.
Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos 
No líquido luar tateiam a coisa a vir 
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos 
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti. 
.
És a princípio doce plasma submarino 
Flutuando ao sabor de súbitas correntes 
Frias e quentes, substância estranha e íntima 
De teor irreal e tato transparente. 
.
Depois teu seio é a infância, duna mansa 
Cheia de alísios, marco espectral do istmo 
Onde, a nudez vestida só de lua branca 
Eu ia mergulhar minha face já triste. 
.
Nele soterro a mão como a cravei criança 
Noutro seio de que me lembro, também pleno... 
Mas não sei... o ímpeto deste é doído e espanta 
O outro me dava vida, este me mete medo. 
.
Toco uma a uma as doces glândulas em feixes 
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos 
Na massa cintilante e convulsa de peixes 
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas. 
.
E ponho-me a cismar… - mulher, como te expandes! 
Que imensa és tu! maior que o mar, maior que a infância! 
De coordenadas tais e horizontes tão grandes 
Que assim imersa em amor és uma Atlântida! 
.
Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia 
Tenho-te em garra; olhas-me apenas; e ouço 
No tato acelerar-se-me o sangue, na arritmia 
Que faz meu corpo vil querer teu corpo moço. 
.
E te amo, e te amo, e te amo, e te amo 
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea 
Como o mar ao penhasco onde se atira insano 
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre. 
.
Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel 
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva 
O imo do teu ser, o vórtice absoluto 
Onde possa colher a grande flor da treva. 
.
Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos 
Na tua criação; amo-te as hastes tenras 
Que sobem em suaves espirais adolescentes 
E infinitas, de toque exato e frêmito. 
.
Amo-te os braços juvenis que abraçam 
Confiantes meu criminoso desvario 
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes 
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio. 
.
Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar 
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar 
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue 
E me afogar de amor e chorar e chorar. 
.
Amo-te os grandes olhos sobre-humanos 
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem 
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos 
Sob o oceano, oceanos; e além, a minha imagem. 
.
Por isso - isso e ainda mais que a poesia não ousa 
Quando depois de muito mar, de muito amor 
Emergindo de ti, ah, que silêncio pousa 
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador!

Rio de Janeiro , 1959




De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao meu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


 





Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

18.10.1955

JOSÉ ORTEGA Y GASSET

JOSÉ ORTEGA Y GASSET (Madrid, 9.5.1883 — 18.10.1955), filósofo, ensaísta, 
jornalista e activista político espanhol. 
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Fotografia in jose-ortega-y-gasset-l.jpg-Pensador
 
"É imoral pretender que uma coisa desejada se realize magicamente, simplesmente porque a desejamos. Só é moral o desejo acompanhado
 da severa vontade de prover os meios da sua execução.
.
Se ensinares, ensina ao mesmo tempo a duvidar daquilo que estás
 a ensinar.
.
Em épocas de grande agitação o dever do intelectual é manter-se
calado, pois nessas ocasiões é preciso mentir e o intelectual não tem esse direito.
.
É na medida em que dedicamos a vida a algo que a faremos plenamente.

Muitos homens, como as crianças, querem uma coisa, mas não as suas consequências.
Liderar não é tanto uma questão de mão pesada mas mais de assento firme.
.
Pouco se pode esperar de alguém que só se esforça quando tem a
certeza de vir a ser recompensado."
.

Fonte:
http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/jose-ortega-y-gasset




Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018



17 de Outubro de 1924

ANTÓNIO RAMOS ROSA completaria hoje 95 anos...

(Faro, 17 de Outubro de 1924 - Lisboa, 23 de Stembro de 2013)

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Victoria Picini
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NÃO POSSO ADIAR O AMOR PARA OUTRO SÉCULO Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço que é uma arma de dois gumes amor e ódio Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração.

 




Tempo de Leitura

Texto alt automático indisponível.
Christian Krohg

  


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Joseph Todorovitch is an American painter

"O amor é o início. O amor é o meio. O amor é o fim. O amor faz-te pensar, faz-te sofrer, faz-te agarrar o tempo, faz-te esquecer o tempo. O amor obriga-te a escolher, a separar, a rejeitar. O amor castiga-te. O amor compensa-te. O amor é um prémio e um castigo. O amor fere-te, o amor salva-te, o amor é um farol e um naufrágio. O amor é alegria. O amor é tristeza. É ciúme, orgasmo, êxtase. O nós, o outro, a ciência da vida.O amor é um pássaro. Uma armadilha. Uma fraqueza e uma força. O amor é uma inquietação, uma esperança, uma certeza, uma dúvida. O amor dá-te asas, o amor derruba-te, o amor assusta-te, o amor promete-te, o amor vinga-te, o amor faz-te feliz. O amor é um caos, o amor é uma ordem. O amor é um mágico. E um palhaço. E uma criança. O amor é um prisioneiro. E um guarda. Uma sentença. O amor é um guerrilheiro. O amor comanda-te. O amor ordena-te. O amor rouba-te. O amor mata-te. O amor lembra-te. O amor esquece-te. O amor respira-te. O amor sufoca-te. O amor é um sucesso. E um fracasso. Uma obsessão. Uma doença. O rasto de um cometa. Um buraco negro. Uma estrela. Um dia azul. Um dia de paz. O amor é um pobre. Um pedinte. O amor é um rico. Um hipócrita, um santo. Um herói e um débil. O amor é um nome. É um corpo. Uma luz. Uma cruz. Uma dor. Uma cor. É a pele de um sorriso." Joaquim Pessoa, in "Ano Comum"

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Georges Artemoff

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?

Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relampagos
e dois corpos por um só mel derrotados.

Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia

corre pelos ténues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão a sombra um raio.

Pablo Neruda, in Cem Poemas de amor - XII



 



Terça-feira, 16 de Outubro de 2018


16 de Outubro de 1982

Adriano Correia de Oliveira

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Fotografia in / Sapo.Mag

"Adriano Correia de Oliveira nasceu no dia 9 de Abril de 1942 no Porto e faleceu a 16 de Outubro
 de 1982 em Avintes. Tirou o curso do liceu no Porto. Em Avintes iniciou-se no teatro amador e 
foi co-fundador da União Académica de Avintes. Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou 
Direito, tendo sido repúblico na Real Repúbica Ras-Teparta. Fez parte do Grupo Universitário 
de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra 
no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica.
Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que 
passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência 
da sua resistência ao regime Salazarista. Tornou-se militante do PCP no início da década de 60.
 Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica,
 através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - 
Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, 
revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, 
o Prémio Pozal Domingues.Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971,
 este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José
 Niza. Em 1973 funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, 
em 1974. Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de 
Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 
1980. No ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava deteriorada rompeu
 com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta 
anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, vitimado por uma hemorragia
 esofágica." in Estórias da História



Adriano Correia de Oliveira - Canção Com Lágrimas

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/UjwQ7yiggeo


Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018


15 de Outubro de 1922

Augustina Bessa Luís

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  O Que é Escrever? Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida. Agustina Bessa-Luís, in "Contemplação Carinhosa da Angústia" ( Nascida a 15 de Outubro de 1922 )


 





Domingo, 14 de Outubro de 2018


Concerto de Domingo à tarde


Rubrica semanal de 12 minutos de boa música…

"Ama e defende a paz, olhando  a natureza em teu redor e a música te envolve,  vinda 
das frescas corgas, do chilrear e trinados dos pássaros nas frondosa figueiras, do sussurro
 dos pinheiros, que se erguem em direcção ao alto donde vem o sol, do ressoar do sino 
da secular igreja e da alegria contagiante e risos das crianças que se divertem no largo adro. "

Vitor Lis

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Caravaggio "o tocador de alaúde" 1596

Matthäus-Passion BWV 244 39 47 Aria Erbarme Dich - Damien Guillon

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/4hidDoZDdos

Casta Diva (Maria Callas)

Vídeo do YouTube



https://youtu.be/TYl8GRJGnBY


Sábado, 13 de Outubro de 2018

Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro

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Será inaugurada no próximo dia 16 de Outubro no Barreiro pelas 17H30m,
 
na Cooperativa Cultural Barreirense, uma Exposição de Fotografia  de Rui 

AleixoEste Evento Cultural é da  iniciativa dos "Amigos de Borba" em parceria cultural 

com o Grupo Coral "Os Amigos do Barreiro" e a Cooperativa Popular Barreirense.  

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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2018



Ao encontro com a nossa gastronomia

Orada

Borba- Alcaraviça


A dois passos de Borba, no cruzamento para a Orada (na A6)  o viajante percorre 3 kms por entre vinhedos e campos cuidados, com pequenas casas dispersas até ao desvio para Alcaraviça. 
Os campos estão enfeitados, sinal de uma primavera que tardou a chegar. 

 
 



"O viajante percorre a estreita estrada sob um sol primaveril e duma abóbada imensa azul rasgada pelos voos das recém chegadas andorinhas.Uma vez chegados deparamos com uma casa simples, com esplanada contígua a um balcão interior e sala. Em ambiente tipicamente alentejano, simples e acolhedor o viajante não se sente um estranho, entabulando em breve conversa com os presentes. Terra secular de bons vinhos, fomos presenteados nas entradas com paio delicioso de porco preto, azeitonas retalhadas e o bom pão de Orada. Não faltou o queijo seco de imediato acompanhado com vinho do concelho. Ainda o viajante degustava as azeitonas, Dona Aurinda serve a saborosa sopa de tomate. Ainda pensou em sopa de beldroegas ou de cação mas fixou-se na de tomate. 
Com o afluir de novos clientes, seu marido comenta nas mesas contíguas o apreço dos visitantes pelo coelho assado no forno. No espaço exterior estão já estacionados de forma dispersa inúmeros carros que ali demandam em busca de sabores genuínos do Alentejo. Seja o acolhimento, os cheiros que se espalham vindos da cozinha e o conversar descontraído dos clientes, conferem a este local uma qualidade inigualável de bem estar.

Não foi desta que o viajante se deliciou com o Gaspacho Alentejana à moda da casa ou Perdiz com Lombarda.



O coelho assado no barro é servido, sendo o prato de referência e de procura permanente. Com saborosos temperos com ervas aromáticas e azeite local ,chega à mesa diretamente do forno ainda saltitando os temperos.
O viajante delicia-se com tão opíparo manjar o qual finaliza com farófias a recordar-lhe os tempos de infância em vespertinas natalícias. Ainda se dividiu entre o bolo de bolacha de café e com creme de manteiga e o famoso pudim de ovos. Acompanha o bom café um pequeno cálice de aguardante para acalmar e saborear pausadamente. 
No exterior o sol ainda vai alto e o viajante leva a ideia de sempre aqui voltar."

Adriano Bastos



Borba

ARTESANATO

Mestre Catarino

"...Desde miúdo e para me entreter sempre fiz peças em artesanato em madeira, cortiça e papel, principalmente depois de reformado..."
 

"...Fiz e ainda faço tarros, cochos, cornas para azeitonas, cadeiras, mochos em tamanho
 normal e em miniaturas bem como de alfaias agrícolas. Fiz ainda uma réplica da Igreja da
Senhora da Orada que vai ser oferecida à junta de freguesia da Orada..."



Tendo como objectivo principal contribuir para a preservação, promoção e divulgação da nossa identidade cultural, este grupo de Borbenses e amigos de Borba, na sequência de diversas entrevistas que vimos publicando no nosso Blogue, decidimos desta vez falar com um Borbense que sempre continuou ligado às suas raízes que nos vai contar a história da sua vida que,como verão se reveste de forte empenho e persistência na luta por uma vida melhor, tanto para si como para quem o rodeia.
Falamos então com: 
João Vitorino Bispo Catarino

J.A. Conte-nos então o inicio da sua juventude
J.C. Como filho de gente pobre comecei a guardar gado aos 7 anos, o que fiz até aos 15 anos

J.A. Como se depreende seria um pouco monótona esta actividade como preenchia o tempo?
J.C. Neste período também aprendi a ordenhar ovelhas, fazer queijos e ser pastor, como ajuda, até aos meus 15 anos.

J.A. A que mais se dedicou após esta idade?
J.C. Quando completei os 15 anos passei de ajuda a moral, responsável pelo rebanho, como ganadeiro,até aos 18 anos

J.A. Quando atingiu essa idade, nessa altura a maioridade, que mais fez?
J.C. Deixei a vida de ganadeiro fui trabalhar para o campo, lavrar com bois, parelhas de mulas, aprendi a ceifar e gadanhar até aos 20 anos.

J.A. Os ordenados certamente seriam baixos!!
J.C. Sim éramos muito mal pagos e então decidi deixar o trabalho do campo e fui trabalhar para as pedreiras, até aos 26 anos, quando me casei

J.A. Já casado e certamente com mais responsabilidades procurou melhores condições de trabalho?
J.C. Voltei a ser ganadeiro por mais 6 anos que tive de deixar pois o meu filho mais velho teve que ir para a escola e eu para lhe dar apoio fui dar serventia nas obras de construção civil. Acontece que o meu mestre que viu que tinha vocação para esta actividade mandou-me fazer uma parede e que por ter gostado do meu trabalho ao fim de 17 meses considerou-me mestre e passados 3 anos construí a casa onde ainda hoje habito, claro que muito mais melhorada

J.A. Passou portanto a dedicar-se à construção civil?
J.C. Até ao "25 de Abril" além desta função dediquei-me também ao trabalho do campo, queijaria, ceifa, gadanha, colheita de grão e até mesmo como servente

J.A. Que mudanças trouxe o "25 de Abril" à sua vida?
J.C. Fui eleito delegado sindical pelo sindicato agrícola junto das cooperativas e de trabalhadores por conta de outrem, especialmente das cooperativas onde me mantive até 1986. 

J.A. Que mais fez após este ano?
J.C. Neste ano fui admitido na Câmara Municipal de Borba como operador de fogo, não nos quadros da Câmara, apenas a contrato. Com a minha experiência dediquei-me à rede de esgotos, ao alcatroamento e orientar grupos de homens até ao ano de 2002

J.A. Despertou-nos a atenção sempre que o víamos com stands em feiras e festas com peças de artesanato. Como surgiu essa paixão? 
J.C. Desde miúdo e para me entreter sempre fiz peças em artesanato em madeira, cortiça e papel, principalmente depois de reformado.

J.A. Como homem dos 7 ofícios a que mais se dedicou?
J.C. Como atrás refiro com a experiência adquirida fui muito solicitado para tratar de árvores, hortas, limpar oliveiras, poda de vinhas e com o que sabia ensinar também aos mais novos. 
Ainda e a pedido da Câmara Municipal de Borba foi pioneiro da primeira "Feira de Ervas" que se fez na freguesia da Orada, iniciativa que trouxe muita gente a Borba e que se tornou quase como uma referência.

J.A. Quais as peças que mais gosta de fazer como artesão?
J.C. Fiz e ainda faço tarros, cochos, cornas para azeitonas, cadeiras, mochos em tamanho normal e em miniaturas bem como de alfaias agrícolas. Fiz ainda uma réplica da Igreja da Senhora da Orada que vai ser oferecida à junta de freguesia da Orada.

J.A. De âmbito social a que mais se dedicou?
J.C. Fiz parte da Assembleia Municipal de Borba como membro da junta de freguesia, fiz parte dos órgãos sociais da cooperativa de consumo, sócio dos bombeiro voluntários, sócio da liga de amigos de Estremoz, sócio da casa de cultura da Orada, formou o Rancho Folclórico "Cravos e Rosas da Orada" que deixou por motivos profissionais e que deixou ao José Martins que lhe deu continuidade.
Apesar da vida não me ter sorrido sempre mantive um espírito alegre, rodeado de muitos amigos sempre cheio de esperança que tudo isto havia de mudar para melhor. 
 
  

 
 



 


Alentejo- Artesanato de Borba-Uma viagem de Adriano Bastos

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/WLDM8PXpBuI

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro

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   Será inaugurada no próximo dia 16 de Outubro no Barreiro pelas 17H30m,
 
na Cooperativa Cultural Barreirense, uma Exposição de Fotografia  de Rui 

AleixoEste Evento Cultural é da  iniciativa dos "Amigos de Borba" em parceria cultural 

com o Grupo Coral "Os Amigos do Barreiro" e a Cooperativa Popular Barreirense.  


Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018




"Alentejo Terra de Artistas"


A pintura é neta da natureza...
Rembrandt



5-José Manuel Espiga Pinto-Vila Viçosa






"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)


Alandroal
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Photo in CMA


 



 
 






 







Lápide em igreja desvenda mistério sobre o cronista Fernão Lopes
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" Acaso levou o investigador João Torcato a reparar na inscrição existente à entrada da igreja matriz. Dois anos depois publica, com o historiador José d"Encarnação, os fundamentos da tese que parece resolver enigma histórico

Um mistério com mais de 500 anos na História de Portugal, sobre quem foi o cronista Fernão Lopes, pode ter chegado ao fim com a descoberta desse nome numa lápide à entrada da Igreja Matriz do Alandroal, vila do distrito de Évora.

"Acho que é uma contribuição definitiva para estudar um homem sobre cuja vida não se sabe nada", defende ao DN João Torcato, um investigador que trocou a vida na capital pelo regresso ao Alandroal - "terra pequena e perdida no meio da planície alentejana" onde esta descoberta "é uma mais valia em termos culturais e turísticos".

A descoberta é publicada amanhã na edição online da revista especializada Al-Madan, num artigo coassinado por João Torcato e pelo historiador José d"Encarnação, contactado pelo primeiro enquanto especialista em epigrafia para analisar as inscrições naquela pedra mármore.

"Nunca se tinha pensado nem se sabia onde Fernão Lopes estava sepultado", assinala José d"Encarnação ao DN. Agora, embora com as reservas naturais dos investigadores, este catedrático justifica a conclusão de os restos mortais do quarto Guarda-Mor da Torre do Tombo estarem na Igreja de Nossa Senhora da Graça com o conjunto de factos que até aqui não tinham explicação.

"Apontamos para ser o cronista porque temos uma explicação para o privilégio, para a importância dada a essa zona" por Fernão Lopes nos textos que escreveu, observa José d"Encarnação, enquanto João Torcato evoca os nove capítulos da Crónica de D.João I que o autor dedica ao Alandroal numa época - a crise de 1383-1385 - em que aí "praticamente não houve nada de relevante" e quando "o país estava num estado de guerra absoluto". Exemplos? As batalhas dos Atoleiros, Trancoso, Aljubarrota e Valverde.

Fernão Lopes é considerado o fundador da historiografia portuguesa e até agora apontava-se para Lisboa como local de nascimento (entre 1380 e 1390) e morte (cerca de 1460). Além de responsável pelos arquivos da Torre do Tombo, foi o autor das crónicas sobre os reis D.João I, D.Fernando e D.Pedro, bem como de outros monarcas cujos textos desapareceram. A sua escrita era marcada pela objetividade e fundamentada, que rompia com as tradições da época e onde, lembra João Torcato, os membros do povo passaram a ser protagonistas.

"Ele era um escritor cuidadoso e meticuloso", que procurava "escrever só a verdade", pelo que "é estranho" falar tanto do Alandroal naquele período crítico da independência face a Castela, insiste o artista plástico.

Porta fechada

Foi por acaso que João Torcato, presidente da cooperativa sociocultural Mouro M"Fez, reparou há cerca de dois anos na inscrição ainda legível naquela pedra tumular "quando ia a sair da igreja, que estava fechada para limpezas. "Já tinha estudado várias coisas sobre o Fernão Lopes. Quando percebi que havia um vazio tão grande sobre a vida dele, o que é estranho, comecei a estudar a questão com mais profundidade".

"Tem sido um processo de reflexão" de dois anos e feito com algum secretismo, prossegue João Torcato, em que "começou a fazer sentido" o que ia lendo à luz daquela hipótese. "O facto de ainda ninguém ter identificado a tumba" com a inscrição "Fernão Lopez" é, explica o investigador, "porque a porta tapa o nome" quando se "abre para a direita" - e é esse facto que também terá garantido a legibilidade daquela primeira linha de texto na pedra tumular, quando a generalidade das outras inscrições quase desapareceu devido ao repisar dos crentes desde os meados do século XV.

José d"Encarnação subscreve essa hipótese sobre o "porque é que nunca se tinha visto a inscrição" que, revelam os autores no texto publicado na Al-Madan, "corresponde ao formulário habitual do século XV" e em que o apelido Lopes se escrevia "com Z, como era normal na época". Certo é que até agora, confirma o historiador, "não havia nada escrito sobre a existência da lápide" com o nome do cronista na Igreja Matriz do Alandroal.

Mas poderá aquele nome corresponder a outra personagem que não o famoso cronista? "É uma pergunta perfeitamente legítima", sublinha José d"Encarnação, mas os elementos informativos existentes levam a concluir que só pode ser o autor da Crónica de D.João I.

Além de referir exaustivamente a vila do Alandroal, a única vila do Alentejo cujo brasão de armas é semelhante ao da Casa de Avis (dominante naquela zona fronteiriça), a existência de um convento que funcionava como escola - explica a erudição que o caracterizava e permitiu a alguém de origem humilde chegar a Guarda-Mor da Torre do Tombo - e lhe permitiu ser conhecido pelos responsáveis da Ordem de Aviz, destacam os autores.

Acresce o pormenor, regista ainda João Torcato, de as pessoas nessa época "serem sepultadas na terra natal" para reforçar a tese de que Fernão Lopes é natural da vila do Alandroal.

E agora? O investigador diz estar "fora de questão" pedir o levantamento da urna para investigar se ainda ali estão algumas ossadas e a quem pertencem. "Agora não", assegura, embora admitindo essa possibilidade se a iniciativa "partir do mundo académico". O facto de a Igreja Matriz do Alandroal ter sofrido várias obras de remodelação ao longo destes séculos e de a própria pedra tumular estar partida não dá garantias de que ainda haja algo por baixo, conclui João Torcato." in DN.PT
Manuel Carlos Freire


Domingo, 7 de Outubro de 2018


Concerto de Domingo à tarde


Rubrica semanal de 12 minutos de boa música…

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Photography In El poder del arte 42600452_2008173955871616_
Artwork Michael Cheval


"A música é a vida emocional da maioria das pessoas."

Leonard Cohen



ETTORE TITO (1859 - 1941) Italian artist ✽ Chris Spheeris / Culture

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Ry5NtYhoCKk

Michel Legrand - Les Parapluies De Cherbourg 1964

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Rq0yhizu0y8

Waltz of Roses ~ Eugen Doga 

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/2wLYXhSa5Ns

Girasoli (ひまわり/Sunflower)-Henry Mancini

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/YMwGHVzBBFA



Tardes de Domingo 

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 Photography In El poder del arte427899_397123653643329_1756607876_n.jpg


NÃO, NÃO É CANSAÇO..., 
.
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
.
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
.
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
.
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
.
.
s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa

La bellezza è nei dettagli

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/997G1FKWRdc

POEMA QUE ACONTECEU
.
Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
homens ficaram calados
o mundo parou de repente o
sdomingo sem fim nem começo. .
o sabe o que está escrevendo
A mão que escreve este poema n
ã mas é possível que se soubesse
nem ligasse.
...

Carlos Drummond de Andrade


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ETTORE TITO (1859 - 1941) Italian artist


Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
" e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
especialmente quando os teus pulsos se enchem de um bri
Não sei o que dizer
,lho precioso e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
r de um tempo distante, e na terra crescida os ho
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado pelo pressent
imens entoam a vindima, – eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim, te procuram."

Herberto Helder



Sábado, 6 de Outubro de 2018



Maria Lamas

6 de Outubro de 1893/ 6 de Dezembro de 1983

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Fotografia in 601540_514064258683367_1319042434_n.jpg







"Amar a vida é não ter medo da morte.
Que venha quando entender, mas que não seja muito cedo mas também não muito tarde.
Maria Lamas numa entrevista ao Diário de Lisboa .
«Embora tenha sofrido muito, amo a vida. E tenha pena de morrer.»

(14 de Fevereiro de 1970)




  
Maria Lamas

"A ideia de escrever A MULHER NO MUNDO estava em mim, durante muitos anos, mais como uma intenção ardente do que como um projecto realizável. No entanto, ele ia definindo-se no meu cérebro e na minha consciência tão concretamente que, ao chegar o momento de estudar o seu plano, eu tinha a noção bem nítida da responsabilidade que assumia perante a importância e vastidão do assunto a tratar. Depois,... à medida que avançava no meu trabalho, o próprio valor moral de tão grande e séria tarefa erguia-se no meu espírito de forma empolgante, esmagadora. Era como se todas as mulheres que existiram, desde o aparecimento da espécie humana, estivessem presentes, em austera expectativa... E pensava igualmente nas mulheres de hoje, sobre as quais pesam ainda tantas injustiças, ignomínias e amarguras." (do Prefácio de A MULHER NO MUNDO, 1952)

 

Fotografia de Alfredo Cunha 

 


"MARIA LAMAS, UMA VIDA DE LUTA DEDICADA À LIBERTAÇÃO DA MULHER PELO JORNALISMO, À REPOSIÇÃO DA DEMOCRACIA EM PORTUGAL, À REVELAÇÃO DAS "MULHERES DO MEU PAÍS" E DAS ESCRITORAS DE TODO O MUNDO, À PAZ MUNDIAL E À ESCRITA LITERÁRIA DA SUA HISTÓRIA, ENQUADRADA NA HISTÓRIA CONTURBADA DO SÉCULO XX


HOJE, 6 de Outubro, passam 125 anos sobre o nascimento de Maria Lamas e dois meses mais tarde, a 6 de Dezembro, terão decorridos 35 anos sobre a sua morte.

A sua obra publicada permanece inacessível, impossível de encontrar nas Livrarias, e a Obra auto-biográfica que deixou para publicação póstuma, trinta anos depois da sua morte (data que passou no final de 2013), depositada na Biblioteca Nacional (três a quatro volumes de "Confissões de Sílvia" (O Despertar, O Caminho, A Luta, Tempo de Exílio), que foi escrevendo a partir dos anos 40, entre viagens e exílios, 'desapareceu' e permanece ocultada pelo BLACK-OUT da 'Família', que, maioritariamente, pretende silenciá-la mais umas décadas, censurando a sua liberdade amorosa com amores amados de muito longa duração (o escritor Ferreira de Castro e o jornalista Mário Neves), liberdades que a Família tem pretendido ocultar, durante o prazo em que a Lei das Heranças Culturais lhes confere ignaros Direitos de Omnipotência Despótica (o salazarismo tem efeitos retardados, como se vê).

Silenciamento pela parte despótica da Família, silenciamento pelos Media (com a excepção do News Museum, de Sintra, que a colocou na Sala dos Imortais do Jornalismo nacional), silenciamento pela Assembleia da República (que lhe prestou homenagem repetidamente, recentemente com uma Exposição, mas não se pronuncia sobre a proposta de transladação para o Panteão Nacional, entregue há cinco anos atrás, pelo MDM) e silenciamento pelo Estado (culturalmente anémico se não comatoso), redução ao escasso e débil esforço do feminismo nacional, alheamento da Câmara de Lisboa, capital onde trabalhou a maior parte da sua vida jornalística, literária e política não-exilada (sem que lhe tenha sido dedicado o Museu ou Centro Cultural que se impõe), fornecem um véu alzheimeriano, tão conveniente ao culto da pacatez burguesa neste jardim à beira mar plantado, para uso dos turistas Tuk-tuk.

A vergonha da maioria dos Herdeiros pela liberdade amorosa e pelo despudor literário, assertivo, de Maria Lamas, desvendando o machismo conjugal dos dois maridos e a experiência traumática da conjugalidade; a invocação da "defesa da Honra" dos Maridos Despóticos, mortos há décadas, pela filha Lamas e pela maioria dos netos; uma Lei absurda, que permite o apagamento dos Artistas mortos pelos Herdeiros incultos e despóticos, durante décadas e sem instância de recurso; a irresponsabilização de Instituições, como a Biblioteca Nacional, onde foi feito o depósito de Obras e Cartas de Amor de Maria Lamas e Ferreira de Castro (existem testemunhas, como Maria Antónia Palla), Obras que estão 'desaparecidas' sem que qualquer investigação seja feita.

A irresponsabilização da Direcção das Instituições (e da maioria da Família Herdeira),desembocando na difusão da (ir)responsabilidade, apagam a OBRA (para todos nós inacessível) de uma lutadora cultural, literária e política, uma das maiores figuras do século XX, com dimensão internacional reconhecida e premiada pela FDIM (Federação Democrática Internacional das Mulheres.


 


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A OBRA DESAPARECIDA sobrevoa literária e auto- biograficamente a história de Portugal

 do final dos anos do século XIX à implantação da República, passando pelo interior sul 

de Angola, pela primeira guerra mundial, pelo divórcio a que foi forçada e por um segundo

 casamento para que foi empurrada pela mãe (uma mulher divorciada não podia trabalhar no

 jornalismo porque as pessoas começariam a 'falar'), a promoção das mulheres com duas

 Exposições de grande vulto (1930 e 1947) e com serões culturais concorridíssimos, os

 amores clandestinos com Ferreira de Castro, a Guerra Civil de Espanha, o renascimento da

 esperança e da luta democrática depois de 1945, a assumpção da Presidência do 

Conselho 

Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), imediatamente encerrado pelo
Ditador, as eleições presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado, o MUD, 
o ter sido Madrinha do MUD Juvenil (onde militavam Soares, Cunhal, Zenha e centenas
 das suas 'meninas'), a criação do MND, quando outros desistiam; as prisões consecutivas,
 os exílios no Funchal, por (o)pressão da PIDE), e em Paris, a participação, representando
 Portugal,por todo o mundo (Rússia, Europa de Leste, Ceilão, China, Japão, etc.), em
 Congressos da Federação Mundial Democrática das Mulheres (FDIM) e do Conselho 
Mundial da Paz (CMP), a escrita da sua nova OBRA, a publicar postumamente, o regresso
em 1969, a nova esperança das eleições de 73, o novo amor por Mário Neves, aos 80
 anos, o 25 de Abril e o 1º de Maio gloriosos, toda uma história social e política de décadas 
integrada na literatura portuguesa, pela mão de uma mulher que escreveu quatro volumes
 agora confiscados pela 'família'. Onde está 'o respeito que devemos aos nossos mortos' e
 a Portugal? (jgpb)"

 Texto in Maria Lamas/FB


Alentejo

Fotografia de Adriano Bastos 


Natália Correia
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Photo in blog wordpress.com

“(...) A solidão alentejana teve o seu antídoto na comunidade coral: é vê-los, cerrados
 numa determinação comunitária, que tem muito de sagrado (...) é a sacralização da vida 
pouca na muita terra alentejana, e das agonias que ela engendra (...) cantam para não ouvir
 o silêncio. 
A voz demoníaca do silêncio. E eu imagino ... não um ou outro grupo desgarrado, cantando
como orgãos dispersos na nave da planura. Mas todos os grupos formando um único coral
magnífico, o verbo alentejano finalmente incarnado.”

Natália Correia 

Fotografia de Adriano Bastos

ALENTEJO


Agonia

dos lentos inquietos

amarelos,

a solidão do vermelho

sufocado,

por fim o negro,

fundo espesso,

como no Alentejo

o branco obstinado.

Eugénio de Andrade



Alentejo profundis...


Fotografia de Adriano Bastos



LÁ VAI SERPA, LÁ VAI MOURA

Lá Vai Serpa, Lá Vai Moura interpretado pelo Grupo Coral e Etnográfico Os Camponeses 
de Pias, direcção Musical e Arranjos do Maestro Carlos Amarelinho, com músicos da 
SociedadeFilarmónica de Serpa e da Sociedade Filarmónica Silvense e ainda os músicos
 convidados: Bruno Victor, Samuel Santos, Bárbara Santos, Válter Marrafa, Salomé Pais Matos, 
Jean, Nelson Filipe C Vaz, Rúben M C Carmo, Diogo Costa, Jorge Barradas, Rui, Rui Rúbio, 
Ana Espirito Santo, Marisa Cavaco, Joaquim Moita, Nuno Lopes, Rui Gonçalves, Elsa Marques, 
João Nunes, Miguel Carvalho, João Pedro Pais.
Concerto "Sinfonia EnCante" inserido XII Encontro de Culturas de Serpa.

Vídeo do YouTube

 
https://youtu.be/HUEjTaF6kjk

Serpa-Alentejo-Nossa Senhora de Guadalupe

Texto de José Saramago do livro "Viagem a Portugal"

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/0EPDHK64ZoU



Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018


5 de Outubro


José Saramago

Texto do Livro "Levantado do chão"

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Fotografia in Levantado-do-Chao.jpg

 
 
“Então chegou a república. Ganhavam os homens doze ou treze vinténs, e as mulheres menos de metade, como de costume. Comiam ambos o mesmo pão de bagaço, os mesmos farrapos de couve, os mesmos talos. A república veio despachada de Lisboa, andou de terra em terra pelo telégrafo, se o havia, recomendou-se pela imprensa, se a sabiam ler, pelo passar de boca em boca, que sempre foi o mais fácil. O trono caíra, o altar dizia que por ora não era este reino o seu mundo, o latifúndio percebeu tudo e deixou-se estar, e um litro de azeite custava mais de dois mil réis, dez vezes a jorna de um homem.
Viva a república, Viva. Patrão, quanto é o jornal agora, Deixa ver, o que os outros pagarem, pago eu também, fala com o feitor, Então quanto é o jornal, Mais um vintém, Não chega para a minha necessidade, Se não quiseres, mais fica, não falta quem queira, Ai minha santa mãe, que um homem vai rebentar de tanta fome, e os filhos, que dou eu aos filhos, Põe-nos a trabalhar, E se não há trabalho, Não faças tantos, Mulher, manda os filhos à lenha e as filhas ao rabisco da palha, e vem-te deitar, Sou a escrava do senhor, faça-se em mim a sua vontade, e feita está, homem, eis-me grávida, pejada, prenhe, vou ter um filho, vais ser pai, não tive sinais, Não faz mal, onde não comem sete, não comem oito.
Viva a república, Viva. Por todas as herdades corria um vento mau de insurreição, um rosnar de lobo acuado e faminto que grande dano lhe causaria se viesse a transformar-se em exercício de dentes. Havia pois que dar um exemplo, uma lição.
Já lá vai adiante o esquadrão da guarda, amorosa filha desta república, ainda os cavalos tremem e a espuma fica pelo ar em flocos repartida, e agora passa-se à segunda fase do plano da batalha, é ir por montes e montados em rusga e caça aos trabalhadores que andam incitando os outros à rebelião e à greve, deixando os trabalhadores agrícolas parados e o gado sem pastores, e assim foram presos trinta e três deles, com os principais instigadores, que deram entrada nas prisões militares. Assim os levaram, como a récua de burros albardados de açoites, pancadas e dichotes vários, filhos da puta, vê lá onde é que vais dar com os cornos, viva a guarda da república, viva a república da guarda."







Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare

Benefícios no consumo de FIGOS  



Provavelmente muitas pessoas não sabem que o figo é um alimento saudável, mas seu fruto não só é delicioso e tem várias propriedades medicinais, mas suas folhas são também muito importante para o nosso corpo. Aqui está uma lista dos principais benefícios das folhas espinhosas e de saúde.

Benefícios de folhas de figueira e de saúde

Diabetes

Folhas de figo contêm quantidades elevadas de insulina natural, e por isso o seu consumo reduz a necessidade de injectar a substância. É um excelente remédio natural para aqueles que sofrem de diabetes.

Triglicerídeos

As folhas da figueira reduzir os níveis de triglicerídeos no organismo, portanto, devem ser consumidos regularmente, prevenção de ataques cardíacos e obesidade.

Úlcera

Um bom remédio para úlcera é parra mastigar e engolir o suco resultante.

Fibra

Figos são uma fruta que tem mais fibra, para comer elas é bom para o sistema digestivo. Além disso, é aconselhável que você consome ou obesas as pessoas que querem reduzir seu peso corporal, pois acelera o ritmo digestivo do nosso corpo. Também é um laxativo natural utilizado para tratar a obstipação.

Bronquite

Com folhas de figueira é um chá que é uma casa grande remédio para tratar a asma, bronquite e outras doenças respiratórias.

Pressão arterial

O figo é uma importante fonte de potássio, um mineral eficaz na redução e controle da pressão arterial, por isso é recomendado para comer essa fruta regularmente para pessoas que sofrem de hipertensão.

Propriedades antioxidantes

Os estudos mostraram que os figos têm propriedades antioxidantes. Deve consomem diariamente duas figos meio para produzir um aumento significativo destes compostos no corpo.

Densidade Óssea

Figos são também uma importante fonte de cálcio para o corpo, para que a densidade óssea razão favor. Também prevenir a perda de cálcio pela urina, o que evita a ocorrência de um enfraquecimento dos ossos, para esta propriedade ser um alimento ideal para as mulheres que estão na idade da menopausa, os quais podem afectar grandemente etapa para o osso.

Então é hora de começar a incorporar esta saborosa fruta à nossa dieta. Participe e você pode desfrutar dos benefícios de figos e as suas folhas para a saúde do seu corpo.

De:Elsa Silva

 




Outono

"Outono é outra primavera, cada folha uma flor."
Alberto Camus



As Quatro Estações - O Outono - Vivaldi

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/nNH1uZetbro


Segunda-feira, 1 de Outubro de 2018


"Respigando...Borba"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos


São Tiago de Rio de Moínhos

Texto alt automático indisponível.

"Pormenor da decoração a fresco do tecto da igreja com milagres de S. Tiago, pelo 
pintor Domingos Gonçalves, 1706. Cf. o meu estudo «O ciclo da vida e milagres 
de São Tiago Maior pintado na igreja matriz de Rio de Moínhos: um raro programa de 
iconografia jacobeia (1706)», Jacobvs – Revista de Estudios Jacobeos y Medievales, 
nºs 25-26, 2009, direcção de István Szászdi Léon-Borja, vol. de homenagem a 
Joaquim Veríssimo Serrão, Sahagún (Léon), pp. 337-365."

Texto alt automático indisponível.

"São Tiago Maior, alto-relevo em mármore, do fim do século XIII.
 Igreja matriz de Rio de Moinhos (Borba)."

 
"UM IGNOTO ALTO-RELEVO DO GÓTICO RURAL." 
"Na igreja de São Tiago de Rio de Moinhos (concelho de Borba) existe um muito desconhecido relevo marmóreo que representa SÃO TIAGO MAIOR e se impõe pela extraordinária ingenuidade e arcaísmo da figuração. Data ainda do fim do século XIII, o que lhe confere valia excepcional. O santo, que segura o bordão de romeiro, pode ser admirado na parede esquerda, à entrada do templo, junto à placa fundacional de D. Gonçalo, em caracteres góticos latinos, que atesta ter a construção da igreja ocorrido na era de 1328 (Era de César, que corresponde ao ano 1290 da era cristã). O relevo não vem referido pelo grande historiador de arte Túlio Espanca no 'Inventário Artístico de Portugal' (tomo IX, respeitante ao Distrito de Évora, 1978, p. 153), acaso por estar oculta à data; eu próprio não a vi em anteriores visitas ao templo para estudar os frescos quinto-joaninos. Espanca registou, sim, um fragmento de cruzeiro do século XIII,em «tosco estilo românico-gótico dionisino», que representa o CALVÁRIO e se encontra na parede direita junto ao arco triunfal. Esta peça, reproduzida no Inventário (1978), foi também lavrada com uma surpreendente ingenuidade que denuncia um mesmo escopro de alvenel não-erudito... Temos, em suma, um raríssimo relevo da época dionisina, coevo da fundação do templo em 1290, que nos mostra saborosa linguagem popular, arcaizante e displicente ao mesmo tempo, que mais uma vez avisa os nossos medievalistas que o seu campo de estudos não se pode confinar às obras dos «grandes centros» e que existem linguagens micro-periféricas que exigem atenção. A igreja de Rio de Moínhos (aldeia junto à Serra d'Ossa) é sobretudo conhecida pelos seus frescos com a iconografia e milagres de São Tiago Maior, da autoria do pintor calipolense Domingos Gonçalves (1706), mas verifica-se agora que tem outras surpresas a oferecer à contemplação dos visitantes. (Atenção, que o estado de conservação é pior do que julgava: a igreja reclama atenção urgente da DRCA !)."

Dr.Vitor Serrão


 
 

Texto alt automático indisponível.
"Cristo na cruz entre a Virgem e São João Evangelista (procedente do antigo cruzeiro 
medieval). Mármore, fim do século XIII. Igreja de Santiago de Rio de Moínhos (Borba). 
Já referenciado por Túlio Espanca no Inventário (1978)..."

Texto alt automático indisponível.
"Lápide fundacional da igreja de Rio de Moinhos 
por um certo D. Gonçalo na era de 1328 (ano 1290 da era cristã)."

In FB/Vitor Serrão-Fotografias e texto


Domingo, 30 de Setembro de 2018


Concerto de Domingo à tarde


Rubrica semanal de 12 minutos de boa música…

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Edgar Degas 

"A música oferece à alma uma verdadeira cultura íntima e deve 
fazer parte da educação do povo."

François Guizot


António Pinho Vargas - "O Sentimento de um Ocidental"
 album "A Luz e a Escuridão" (1996)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/GXuyFGpz69o



Bach-Vivaldi/Concerto for 4 Pianos/MultiPiano Ensemble

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/7OwQOb6bd1M



Sábado, 29 Setembro 2018



Tempo de Reflexão


"Um acto de confiança dá paz e serenidade." 

Fiodor Dostoievski

 




"As feridas da alma são curadas com carinho, atenção e paz."
 
Machado de Assis
 

Texto alt automático indisponível.
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                  Raphael Soyer





"Uma das grandes vantagens da idade é 
perder-se a vergonha : deixa-se de ter
 preocupações sobre o que os outros vão
 pensar disto ou daquilo, do que somos ou
 não somos, das nossas opções de vida. 
Tudo isso se torna secundário, inexistente." 

MÁRIO CLÁUDIO




 




"A prioridade é sermos honestos connosco. Nunca poderemos ter um impacto na 
sociedade se não nos mudarmos primeiro. Os grandes pacificadores são todos 
gente de grande integridade e honestidade mas, também, de humildade."

Nelson Mandela

 
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Diego de Velázquez
Cristo crucificado, 1632 ca.
Museo del Prado, Madrid



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William McGregor Paxton, 1930 

"Ao verdadeiro amor corresponde o silêncio: a perfeita vibração diante de uma flor ou de 
um pôr-do-sol ou de uma libélula sobre as águas de um ribeiro ou, o que mais vale, diante 
de uma mulher."
Agostinho da Silva



Quinta-feira, 27 de Setembro de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro







   Encontra-se a decorrer no Barreiro na Cooperativa Cultural Barreirense, uma Exposição de Mandalas da Artista Plástico Luisa Tomás . Teve lugar no passado sábado a abertura deste Evento Cultural de iniciativa dos "Amigos de Borba" em parceria cultural com o Grupo Coral "Os Amigos do Barreiro" e a Cooperativa Popular Barreirense.  



  

Mandala

"A palavra Mandala em sanscrito, lingua clássica da India, signica centro, circulo ou circulo mágico.

Refere-se a uma imagem simbólica baseada nas figuras geométricas do circulo e do quadrado que representam as relações entre os distintos planos da realidade.

A sua importância reflecte-se na difusão entre as diferentes religiões e culturas nas quais adquirem formas e cores adequadas aos objectivos desejados.

Na experiência religiosa Oriental , as Mandalas utilizam-se para limitar espaços sagrados ou mais frequentemente para ajudar na meditação.

Por sua vez entre os Indios Americanos, circulos e cores utilizam-se como instrumentos de aprendizagem e com fins terapêuticos.

No Ocidente o seu uso é visível em Arte Sacra, nas fachadas de Catedrais as belas Rosáceas , e com fins terapêuticos.

Carl Gustav Jung ,a partir do estudo de diversas tradições, relacionou a ideia da Mandala como apoio para a meditação tendo o próprio desenho como instrumento de interpretação, diagnóstico e cura de algumas patologias.

Assim a Mandala converte-se, com esta nova ideia no caminho que conduz ao auto-conhecimento e ao próprio eqilíbrio.

Desenhar e interpretar uma Mandala significa entrar em contacto com a sua própria intimidade.

Nos nossos dias as Mandalas são utiizadas como objectos decorativos para embelezar e criar equilibrio e harmonia em espaços privados ou terapêuticos.

Estes circulos mágicos proporcionam desenvolvimento pessoal , espiritual e emocional a quem os contempla." Luisa Tomás















 





 




 





 




 
 




 
 


 
 




 



 






Fotografias de Adriano Bastos






Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018


Borba-Outros Horizontes- Emigrantes e 

Imigrantes de Borba

 

O mesmo tempo, o tempo de sempre
De um ponto de vista social, a emigração portuguesa constitui a manifestação de uma forma de escravatura que subsiste ainda hoje. De um ponto de vista ético, a emigração portuguesa significa a negação constante do direito mais elementar da pessoa: o direito à vida no próprio país. De um ponto de vista político, a emigração portuguesa supõe a renúncia à revolta".
in Portugal, a flor e a foice - Novembro de 1975 - inédito em Português.
De José Rentes de carvalho extraído do seu Blogue Tempo Contado 28 de Janeiro de 2013

 


1967 - Luis Cilia - tema do filme "O salto" em assobio

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/7L4d5hMuhaI


L'IMMIGRATION PORTUGAISE

L'IMMIGRATION PORTUGAISE

L'IMMIGRATION PORTUGAISE

https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/textos/emigrantes-e-imigrantes-de-borba



Ao Encontro com a Prosa de

Ana Cássio Rebelo

 
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Ana Cássia Rebelo é "uma grande escritora, uma radiação nova na literatura portuguesa".
José Rentes de Carvalho

2015/10/06

Duas gemas

Passou a costureira brasileira a caminho da igreja. Parada no semáforo do cruzamento, os sapatos novos a morderem-me os pés, fiquei a vê-la passar. Sexualidade é diferente de genitalidade. Protágoras era sofista. A maiêutica é uma etapa fundamental do método socrático. Ler no tempo certo, não agora que finalmente envelheço e sou bastante tola. Tenho quarenta e três anos. Se vivesse nas margens do Limpopo, onde não se conhece o parto sem dor, seria já avó. Como bolachas de arroz tufado e, se me cruzo com um homem elegante, respiro superficialmente, como um peixe à tona de água, para disfarçar a flacidez abdominal. Às vezes, endoideço e desejo ser amada. Outras vezes, acho que o amor é um sentimento vulgar, que apenas humilha: vive-se melhor sem amor. “Abraça-me com toda a força que tiveres”, pedia ao Reinaldo e ele cumpria o meu desejo. Estrangulava-me. As minhas faces explodiam, violáceas, sentia o peito esmagado, escutava os ossos estalar. “Continua, não pares!”, ordenava. À beira do precipício, prestes a desfalecer, sossegava quando pressentia o vazio definitivo. À noite, enquanto faço o jantar, encontro tesouros extraordinários: ovos com duas gemas, um caracol na alface, gorgulho na lata do arroz, manchas de bolor nos cogumelos. Fico a olhar as gemas sem saber muito bem o que fazer, paralisada por pensamentos absurdos. Tenho uma casa, um carro para passear ao fim-de-semana, um ordenado que paga as contas. Os meus filhos são bonitos e inteligentes. O gato é meiguinho, cheira a pó e sabe escutar. Levo-o para a cama e - exactamente por esta ordem – leio-lhe um poema, uma carta e um conto. Que mais posso querer? Não é bom? Não é tão bom? Não é esta a vida que a lucidez aconselha? Tenho tudo o que sempre desejei e mais ainda. Tenho à minha frente, num aborrecimento que comove, um ovo com duas gemas. 

Raiz africana

Enquanto o escuto, enquanto o observo, a perna sempre a tremer, pergunto-me muitas vezes “Mas é este o homem que amo?”. Com desapego, fala-me das namoradas que teve depois de mim: uma que tinha uma podenga que largava pêlo, outra que vivia no Brasil, outra que gostava de fado, outra ainda que se alimentava só de rebentos e lavava os dentes com uma raiz africana. Fala-me dessas mulheres sem maldade, incapaz de perceber que, quando o faz, me faz sofrer. Entre o sofrimento e alguma desilusão, sei agora que o João me faz mal. Ao revelar-se destrói o homem que amo.

 Sopa

Tem muito cuidado a servir as sopas. Enfia a concha na panela. Fá-la subir acima do prato. Depois inclina-a, despejando a sopa sem entornar uma única gota. Usa uma farda branca, com um grande avental de plástico, chinelos ortopédicos brancos e um quico na cabeça que lhe esconde os cabelos oleosos. Nunca fala com os colegas. Ignora os piropos da D. Fátima que, no balcão do peixe, apregoa carapaus à espanhola e pataniscas. Ignora também a tristeza que a Rosa traz do Cacém e derrama sobre as sobremesas plastificadas, assépticas, que ali repousam. Gelatinas de sabores vários, bavaroises de morango e ananás, bolo de chocolate, arroz doce. Ignora, sobretudo, a tirania da D. Conceição, a chefe do refeitório, solícita e educada apenas para os senhores e as senhoras que serve. Está sempre muito concentrado no que faz. Nos dias em que não está a servir as sopas vejo-o passar, apressado, com os tabuleiros de loiça suja ou lavada. Um sorriso tonto colado ao rosto. Um sorriso que se associa a desgraça, estupidez, imbecilidade, paralisia. Porque se ri ele, que se chama João? Porque se ri o João, o rapaz do refeitório, que não fala com ninguém e com quem ninguém fala, que se limita a servir sopas e carregar tabuleiros de loiça suja? Porventura porque vive e é feliz.



 
 


 Em Borba- Mezinhas da Avó

"A alegria evita mil males e prolonga a vida."


William Shakespeare

Benefícios no consumo de Atum

 
A primeira vantagem do atum é o seu valor. Ele é um alimento mais acessível a população, tanto em relação ao preço quanto a disponibilidade no mercado. O que o torna de fácil consumo diário. 

Além desta vantagem, existem todos os benefícios nutricionais. Tais como:

Coração
Estudos encontraram uma associação inversa entre a ingestão de atum e mortalidade coronária em mulheres, 
Outro estudo demonstrou a redução do risco de morte súbita em homens que consumiam atum diariamente, quando comparados a os que não possuíam este hábito.

E qual seria a razão deste resultado?

Ômega 3:
Por ser rico em na gordura “boa”, principalmente o ômega 3, o Atum:
- Diminui os riscos de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (derrame), 
- Reduz a pressão arterial, 
- Possui ação antiinflamatória, 
- Diminui as taxas de triglicérides e colesterol total no sangue.

Cérebro:
O ômega 3 também melhora as funções cerebrais de pessoas na idade adulta e reduz o risco de doenças mentais e doenças degenerativas na terceira idade.

Proteínas:
Além dos benéficos citados acima, o atum também é rico em proteínas. Uma lata de 140 gramas de atum pode fornecer um terço da dose diária recomendada porção de proteína e 40% da dose diária recomendada de vitamina B12.

Osteoporose
Finalmente o atum é rico em vitaminas antioxidantes, como a Vitamina A, E e principalmente a D. Sendo uma boa alternativa para pessoas com desmineralização óssea. Melhorando a captação de cálcio pelos ossos.

Imunidade:
em vitamina D

Forma de consumo:
Para ter todos esses benefícios o indicado é o consumo de no mínimo 3 vezes por semana. Fique atento, o atum ralado geralmente é obtido a partir das partes desprezadas dos peixes, portanto prefira o atum fresco. Se não puder comprar, opte pelo atum em pedaços.

Fonte:





domingo, 23 de Setembro de 2018



Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Conheçamos outras sonoridades, e do nosso íntimo despertará a energia e a vontade de 
entrar nesse belo trilho de emoções, paz e mais saberes. O homem não se pode quedar 
na esquina, e ali ficar esperando por algo. Tem de ir em frente a música abre-lhe esse 
caminho de esperança, de maiores certezas e impar bem estar." 

Vitor Lis

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé
Meredith Frampton, Portrait of a Young Woman 1935,
 on free display at Tate Modern


"No seu penúltimo disco de originais (último em vinil), denominado "A Regra do Fogo", 
Luis Cília edita a sua obra para bailado "Memno". Esta composição é dedicada à sua amiga
Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), pintora que no exílio do Luis, cruzou caminho 
com o músico e que lhe ofertou um quadro dedicado a ele e à sua obra. Quatro anos mais 
Maria Helena Vieira da Silva faleceria." LeoMOV

Luís Cília - "Memno", dedicado à pintora Maria Helena Vieira da Silva

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/XhDBK15fhq8

Celeiro da Cultura

                                         Há Mulheres que trazem o Mar nos Olhos



                                                                                        Fotografia in pt.wikipedia.org

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma.
                                                Sophia de Mello Breyner Andresen


Fotografia de Adriano Bastos

O Prazer de Viver


É o prazer de viver que dispersa, suprime a concentração, paralisa todo o impulso para
 a grandeza. Mas sem prazer de viver... Não, a solução não existe... A menos que seja uma
 solução fazer de um grande amor uma raiz e nele encontrar a fonte de vida sem o castigo 
da dispersão. 

                                                    Albert Camus, in 'Cadernos'





Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018


 Borba- Património Cultural


  Filipe José Galhanas



Fotografia de Filipe José Galhanas



Adalrich Malzbender


 Divulgamos este trabalho no nosso Blogue, dando a conhecer os trabalhos de um 
dos maiores fotógrafos do nosso País- Adalrich Malzbender. O conhecimento destes 
valiosos trabalhos contribuirá para elevar mais a Fotografia como Arte Universal
 e contribuir para o gosto estético das novas gerações de fotógrafos.


Trabalhos do Autor

 




 
 Adalrich Malzbender nasceu em Berlim. É médico, casado com uma alentejana de Portalegre. Dedica-se desde 1976 à fotografia tradicional a preto e branco, considerando poder expressar melhor deste modo o fascínio que sente pelo Alentejo.

O seu olhar escolhe de preferência a planície, a sua solidão e aridez, o povo alentejano, os ciganos, assim como a Arte Românica em Portugal, possuindo desses temas principais milhares de fotografias.

No seupercurso através da fotografia tem vindo a descobrir uma nova paixão : O Cante Alentejano e a sua “áspera melancolia” ( segundo o poeta Eugénio de Andrade ), o seu rigor e alma, a riqueza e variedade poética dos seus textos, a limpidez e a força das suas vozes. Um especial agradecimento a António João Casqueira, sem ele o fotógrafo não teria conhecido de perto esta maravilhosa e inconfundível Arte.

 


 Exposições individuais:

Na Alemanha :  entre outras, na Nikon Galerie, em Duesseldorf.Em Espanha : no Museu Municipal de Cáceres, na Escola de Artes em Mérida, no Centro Universitário de Badajoz e no Teatro Lopez Ayla, em Plasência.Em Portugal : Em várias cidades do Alto e Baixo-Alentejo, como na Câmara Municipal de Évora, na Casa de Artes de Mário Elias, em Mértola, no Museu da Tapeçaria, no Instituto Politécnico e na Galeria de São Sebastião, em Portalegre, no Museu da Fotografia, em Elvas, no Mosteiro de Flor da Rosa, no Centro da Cultura de Marvão, Castelo de Vide,

 Monsaraz e Borba.Em Lisboa : na Casa do Alentejo e na Livraria “Ler Devagar”.No Porto : no Palácio de Cristal.Exposição colectiva : no Brasil,Universidade de Brasilia : “Ciganos entre amigos”.


https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-1/08-patrimonio-cultural/02-adalrich-malzbender



Outros Horizontes-Outras

Viagens....Sugestões de leitura e...

José Rentes de Carvalho







 
 
"De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland - A Ira de Deus sobre a Holanda. Em 2012 foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/Câmara Municipal de Castelo Branco 2010-2011com o livro Tempo Contado."



 




"Novo romance de Rentes de Carvalho. Uma história de violência, em que a progressiva
 definição dos contornos da memória trará novas e dolorosas verdades.
Romance inédito, nele se conta a história de António Roque, homem atormentado, possesso
 do demónio de funestas memórias. As imagens do passado que regularmente se apoderam
 dele transformam-no num monstro capaz dos piores atos. No entanto, a obscura história da
 irmã e do homem abastado que se servia dela - e que, apesar de morto, continua a instigar-lhe 
um ódio devastador - não é exatamente como ele pensa que se lembra. Depois de anos emigrado
 na Alemanha, o Meças regressa à sua aldeia de origem. Com ele vivem o filho (a quem detesta)
 e a nora (a quem deseja, mas inferniza a vida), atemorizando, de resto, todos os que com ele se cruzam.
Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória revelará 
novas e dolorosas verdades."in tempodler

segunda-feira, Dezembro 30-2013

O passado

 

Por mim evito-o, faço-o a contragosto quando mo pedem, sei por experiência que falar do antigamente resulta em conversa de surdos. 
A quem nasceu, digamos, nos anos sessenta, não há modo de explicar a vida nas três 
décadas anteriores. Foi colossal a mudança, são abissais as diferenças, parece história
 da carochinha o falar de um tempo em que a rádio e a telefonia eram privilégio de muito
 poucos, a televisão inexistente, a internet um sonho de mágicos; um tempo de biplanos 
diminutos recobertos de lona, o aviador a acenar; de cegos nas esquinas cantando histórias 
de mortes e milagres; de aguadeiros, almocreves, recoveiras, carrejões, amoladores, 
fogueiros tisnados, oficiais de pingalim e boldrié, soldados com patronas. E tanto mais.
Agora a prova dos nove: que, até de sobra, você é pessoa interessada e curiosa do passado, 
não duvido; mas além de pouco lhe dizer o que acima fica, aposto que não irá ao dicionário,
 ou ao Google, em busca do significado dos dois, talvez três, vocábulos que desconhece.

https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/textos/02textos





Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018



16 de Outubro de 1982: Morre Adriano Correia de Oliveira

Resultado de imagem para adriano correia de oliveira
photo in RTP.pt

 

"Adriano Correia de Oliveira nasceu no dia 9 de Abril de 1942 no Porto e faleceu a 16 de Outubro de 1982 em Avintes. Tirou o curso do liceu no Porto. Em Avintes iniciou-se no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes. Em 1959 rumou a Coimbra, onde estudou Direito, tendo sido repúblico na Real Repúbica Ras-Teparta. Fez parte do Grupo Universitário de Danças e Cantares e do Círculo de Iniciação Teatral da Académica de Coimbra. Tocou guitarra no Conjunto Ligeiro da Tuna Académica.
Em 1963 saiu o primeiro disco de vinil "Fados de Coimbra" que continha Trova do vento que passa, essa balada fundamental da sua carreira, com poema de Manuel Alegre, em consequência da sua resistência ao regime Salazarista. Tornou-se militante do PCP no início da década de 60. Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Em 1970 troca Coimbra por Lisboa, exercendo funções no Gabinete de Imprensa da FIL - Feira Industrial de Lisboa, até 1974. Ainda em 1969 vê editado o álbum O Canto e as Armas, revelando, de novo, vários poemas de Manuel Alegre. Pela sua obra recebe, no mesmo ano, o Prémio Pozal Domingues.Lança Cantaremos, em 1970, e Gente d' aqui e de agora, em 1971, este último com o primeiro arranjo, como maestro, de José Calvário, e composição de José Niza. Em 1973 funda a Editora Edicta, com Carlos Vargas, para se tornar produtor na Orfeu, em 1974. Em 1975 lançou "Que Nunca Mais", com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Este vinil levou a revista inglesa Music Week a elegê-lo como "Artista do Ano".
Fundou a Cooperativa Cantabril e publicou o seu último álbum, "Cantigas Portuguesas", em 1980. No ano seguinte, numa altura em que a sua saúde já se encontrava deteriorada rompeu com a direcção da Cantabril e ingressou na Cooperativa Era Nova. Em 1982, com quarenta anos, num sábado, dia 16 de Outubro, morreu em Avintes, vitimado por uma hemorragia esofágica."
 in Estórias da História


 


Trova do Vento que Passa 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/McRqaiBmIT4




Domingo, 16 de Setembro de 2018






Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé
Meredith Frampton, Portrait of a Young Woman 1935,
 on free display at Tate Modern


Aretha Franklin - A Song For You

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/vDctl_P5pqo

Hailey Tuck - Don't Think Twice (Official Video)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/rXDEdXgo1nY

Chantal Chamberland - Solitude

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/VqbSmrWI43c



Sábado, 15 de Setembro de 2018



Receitas de Culinária do Alentejo

Sopa de Beldroegas com Queijinhos e Ovos

 

Ingredientes:

Para 4 pessoas

2 molhos de beldroegas ;
2 cebolas ;
500 g de batatas ;
1,5 dl de azeite ;
1 cabeça de alhos ;
500 g de pão caseiro ou de 2ª ;
4 ovos ;
2 queijinhos frescos

Confecção:

Preparam-se as beldroegas aproveitando apenas as folhas. Os molhos devem ser grandes. Cortam-se as cebolas ás rodelas e alouram-se com o azeite. Juntam-se as folhas de beldroegas lavadas e deixam-se refogar muito bem mexendo com uma colher de pau. Regam-se com cerca de 2 litros de água e deixa-se levantar fervura.

Retiram-se as peles brancas à cabeça dos alhos, que se introduz inteira (sem retirar a pele roxa de cada dente de alho) na panela com o caldo a ferver. Juntam-se ainda as batatas cortadas ás rodelas grossas. Tempera-se a sopa de sal e deixa-se cozer.

Na altura de servir, introduzem-se no caldo os ovos um a um e deixam-se escalfar. Por fim metem-se na panela os queijinhos cortados aos quartos.

Tem-se o pão cortado ás fatias numa terrina e rega-se com o caldo.

À parte servem-se as batatas, os ovos, as beldroegas e os queijinhos.

Variante: Substituem-se os queijinhos frescos por um queijo de leite de ovelha fervido, cortado aos bocados. Na região de Évora, esta sopa não leva cebola, mas uma maior quantidade de alhos inteiros e sem serem pelados.


fonte: 
Editorial Verbo in Roteiro Gastronómico de Portugal

 


Encontro com a escrita de

José Rentes de Carvalho



 

terça-feira, dezembro 27-2011

Saber da vida

(Clique para aumentar)
Nesta época de gentileza e bondade, escreveu alguém a felicitar-me, afirmando que sei muito da vida.
Assim fosse, assim não é. A muita idade e as várias andanças, incluindo nestas um ou outro momento de euforia, os pontapés do Destino, os dos semelhantes, e os trambolhões que por descuido ou tolice se dão, nada ajudam a compreender da vida. Impedem que se repita um ou outro transtorno, mas a vida, feliz ou infelizmente, é caminho para o qual não há mapa nem bússola.
Vamos andando, paramos aqui e ali, derrapamos nas curvas, caímos na valeta, fazemos o possível por ir direitos e a direito. Depois, cansaço ou susto de ver a meta perto, abrandamos o passo, criando nos que ainda vêm longe a ilusão de que conseguimos chegar até ali por sabedoria e esperteza.
Na verdade, porém, não escolhemos a rota, nem sequer caminhamos pelo próprio pé. Somos empurrados. A uns leva-nos a aragem, a outros o suão, muitos  aproveitam o vento içando velas, os desatinados enfrentam o ciclone.
Saber da vida? Nem sequer sabemos donde vem o vento ou quem o sopra. 

terça-feira, dezembro 29 

Que sabem os outros?

Que sabem os outros de nós, mesmo quando a nossa biografia é pública? Que sabem de nós, mesmo se confidenciamos ou confessamos? Que sabemos de nós próprios? Que queremos saber? A cada instante o semblante muda, o sorriso é diferente, o modo fingido, as palavras ditas com o significado e a intenção que os outros esperam e espelham as que eles nos dizem. Movemo-nos num teatro de sombras, em palco de aparências, tão habituados à representação que a levamos a sério e nela nos sentimos bem. Vivemos a nossa fantasia no emprego das nove às cinco, vivemo-la com a família, entre os amigos, na rua, imitando a solidariedade, o carinho, o entusiasmo, a atenção, os cuidados. O eu, o verdadeiro, aquele que tudo sabe – sim, tudo - e nos atormenta, a esse há muito condenámos à prisão perpétua. Infelizmente, o cárcere não é à prova de som, deixa passar os sussurros, quando menos esperamos ouvimo-lo desfiar o que queremos esquecer da nossa biografia e de nós próprios.


https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/textos/02textos




O gosto pela música...


Connie Evingson & The Hot Club of Sweden - Comes Love  

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/olstmoDs3U8

             

"Gypsy Song" by Adam Hurst, Live Version~ Cello, Gypsy Guitar, Cajon 

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Cr23VNq0w8s
  

Connie Evingson & The Hot Club of Sweden - Windmills Of Your Mind       

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/i0aEkOq933s
        



Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018


"Respigando...Borba"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos


 
 

"Chamava-se João José Falcato e nasceu em 17 de Agosto de 1915. Tinha 90 anos.

Era natural de Borba. Mercê de circunstâncias várias seus pais, gente abastada, arruinaram-se.

Fez exame de instrução primária aos 18 anos e partiu para Lisboa onde foi Perfeito num colégio e teve o apoio do professor Agostinho da Silva que seduzido pela sua luminosa inteligência lhe ministrava durante as horas do almoço a preparação necessária para aceder à Faculdade.

Embarcou no paquete “Melo” (como oficial?) para ganhar dinheiro.Nessa viagem o paquete naufragou. Viu morrer muitos dos seus companheiros a arder nas chamas que devastaram o navio. Viu outros serem engolidos por tubarões. Conseguiu, com alguns outros mais, sobreviver dias no mar numa pequena baleeira. Foram salvos por um navio que os desembarcou no Brasil.

Aí permaneceu meses num hospital.

Sobre essa dolorosa experiência, escreveu, já em Coimbra, em cuja Universidade se matriculara e se formou em história e filosofia, um romance, que fez imenso sucesso – Fogo no mar – (sobre ele, Matilde Araújo, sua colega de curso, apresentou a sua tese de licenciatura). Sobre o mesmo tema escreveu também “A Baleeira”

Foi fundador e director de revistas e jornais (Brados do Alentejo, revista Volante etc...) e colaborador em muitos outros. Deu precioso apoio ao Linhas de Elvas, na sua fase de lançamento, e, onde intermitentemente foi colaborando ao longo da sua vida.

Escreveu vários livros, num deles “Elucidário do Alentejo? – faz numa belíssima prosa/poesia a apologia da “loira açorda”. Em “Roteiro de Amor”, espraia-se louvando Elvas.

Foi redactor do Diário de Notícias – de onde viria a sair, como muitos outros, pela mão de Saramago – após o 25 de Abril.

Foi chefe de gabinete de Veiga Simão enquanto Ministro da Educação. Nessa qualidade, bem como na de Redactor do D.N. viajou pelo mundo, especialmente por Angola. Sobre essas viagens deixou-nos obra valiosa em livros e crónicas - Saudades de Portugal – Angola do Meu Coração - Foi um dos fundadores do jornal “ o Dia” com João Coito seu amigo particular, que em 2001ao falar sobre o Panteão Nacional, assim se lhe referia: - ”Já foi seu conservador durante algum tempo, por amável e justa decisão do Dr. Almeida Santos, o meu velho amigo João Falcato, ilustre escritor e jornalista que a idade e o gosto transformaram no mais afamado e amoroso cultivador dessas perfumadas vinhas de Borba”. Foi contemporâneo e amigo de figuras gradas das nossas letras de quem guardava livros com honrosas dedicatórias. Almeida Santos (que foi seu caloiro de republica, em Coimbra), Mário Soares (a quem apresentou Maria Barroso, com quem se casaria, circunstância que os três relembravam, com humor até em entrevistas), Virgílio Ferreira, Torga, Namora, Alçada Baptista, Eugénio de Andrade etc. de artistas, Bual, Gil Teixeira Lopes e outros. Foi devotado amigo de Sebastião da Gama, de quem falava com lágrimas de saudade e, que, por misericórdia de afecto, amortalhou por suas mãos.

 Um nunca acabar de histórias ligadas à história das letras portuguesas que faziam de João Falcato, um brilhante conversador, conhecedor do mundo e das pessoas que esbanjava cultura e saber com um espírito, uma graça e uma vivacidade inigualáveis."


 in Jornal Linhas de Elvas Conversas Soltas Nº 2.839 – 10 – Novembro - 2005-Publicado por Maria José Rijo






Terça-feira, 11 de Setembro de 2018



Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro










Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018


Tempo de Leitura


Fotografia de Adriano Bastos


"Um livro aberto é um cérebro que fala; Fechado, um amigo que espera; Esquecido,
 uma alma que perdoa; Destruído, um coração que chora." 

Voltaire


"Então o amor e a amizade são isso: Não prendem, não escravizam, não apertam, 
não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço. "
 
Mário Quintana


Visita-me Enquanto não Envelheço

visita-me enquanto não envelheço 
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me 
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas 
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces 
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo 
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
antes que desperte em mim o grito 
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão 
derrama-se quando tua ausência se prende às veias 
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens 
estas feridas de barro e quartzo 
os olhos escancarados para a infindável água
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite 
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te

Al Berto



 

Quando vieres,
encontrarás tudo como quando partiste.
A mãe bordará a um canto da sala,
apenas os cabelos mais brancos,
e o olhar mais cansado.
O pai fumará o cigarro depois do jantar e lerá o jornal.
Quando vieres,
só não encontrarás aquela menina de saias curtas
e cabelos entrançados que deixaste um dia.
Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
como se te tivessem sempre conhecido.
Nenhum de nós dirá nada,
mas a mãe largará o bordado,
o pai largará o jornal,
as crianças os brinquedos
e abriremos para ti os nossos corações.
Pois quando vieres,
não és só tu que vens.
É todo um mundo novo que despontará lá fora.
Quando vieres. 

de Maria Eugénia Cunhal, in "Silêncio de Vidro"

CONFIDENCIAL 
Não me perguntes,
Porque nada sei...
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitando.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender.

Diário VXI
Miguel Torga


 "Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos. "

Miguel de Unamuno

"É fazendo que se aprende a fazer 
aquilo quese deve aprender a fazer." 

 Aristóteles


"A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A 
ponto de não caber nas palavras." 
Jorge Amado



 Borba

Monumentos

 


 

 


 



Domingo, 9 de Setembro de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Texto alt automático indisponível.
Jean Baptiste Oudry 
Naturaleza muerta con violín, 1730 ca.

Tango sensual

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/KyBtc0k3rFE

Kled Mone - Hit the road Jack • (Feeling Good)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/-DBGgpfVutU

Chantal Chamberland - Crazy

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Zx06hIQtPY


Quinta-feira, 6 de Setembro de 2018


Ao Encontro com a Escrita

"Foi a terra alentejana que fez o homem alentejano, e eu quero-lhe por isso. 
Porque o não degradou, proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão."

Miguel Torga




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Photo in Quetzal - Sapo
Ana Cássia Rebelo 




Madeira Perfumada 

"Acordei indisposta, com dores de cabeça. Vomitei
 no lavatório da casa de banho. Bati duas vezes 
com a cabeça na parede ao pensar nos textos que 
ontem aqui escrevi, também nas várias mensagens
 que enviei ao João Pedro. O álcool torna-me má, 
invejosa e miserável. Também me faz mal à pele. 
Vesti-me, lavei o rosto com água fria, beijei 
os meus filhos (dormiam ainda) e fui trabalhar. 
A meio da manhã, incapaz de me concentrar, 
fui à igreja de Nossa Senhora de Fátima. Sentei-me 
dentro de um dos confessionários, encostei a 
cabeça à madeira perfumada e adormeci. " 


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Photo in https://www.noticiasaominuto.com

José Rentes de Carvalho 

Arejar

"Desde ontem caiu a temperatura para quatro abaixo
 de zero, o vento é quase de tempestade, há no ar um anúncio da neve que vai chegar antes da noite. Gente como eu fecha-se em casa, acende todas as luzes, 
põe o termostato a vinte e fantasia como será neste momento nas praias do Algarve. 
O geral dos holandeses também sonha com o Algarve, mas em dias assim, de frio sibérico, céu cinza e vento cortante, deixa-se tomar por um  estranho e muito nacional masoquismo: vão as famílias dar longos passeios na areia da praia, jurando que quanto mais afiada é a navalha da ventania, mais gozo dá, que 
fazem aquilo para arejar e  nada há que se lhe 
compare." 

 


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Photo in http://caixadoslivros.wordpress.com




José Rodrigues Miguéis


O Natal do Clandestino


"Há cidades que parecem viver na intimidade dos
 dramas do mar; onde este está sempre presente,
 em convívio com os homens. E nada fala tanto ao coração errante e solitário, como este apelo eterno 
do mar junto dos cais.

Foi a um destes molhes meio esbarrondados que
 o navio atracou pela manhã de 24 de Dezembro, 
vindo do sol, do mar aberto e azul da África e dos trópicos: era um velho cargueiro esgalgado, de 
alta chaminé enfarruscada, com grandes remendos
 no casco a desfazer-se em ferrugem, e a linha de flutuação alguns palmos acima das ondas: uma 
dessas ruínas obscuras que singram vagarosamente 
os mares do mundo, coxeando, em busca de freguês, com roupas mal lavadas a enxugar pelos cordames e alguns marujos esquálidos acotovelados nas amuradas
 a olhar a terra estranha. 
Um destes navios que podiam ter inspirado um conto triste a Joseph Conrad ou Pierre Mac Orlan.

Trazia uma carga pobre e variada: óleo de palma,
 cocos, bananas em mau estado, amendoim, uns 
fardos de algodão, e um macaco mais ou menos domesticado, que adoecera em viagem e gemia 
numa cama de trapos, queixoso do inverno.

Vinha a bordo, também, um passageiro clandestino 
de que não rezavam os livros de navegação, um só,
 que não pagara a passagem, entregue aos cuidados cúmplices de um ou dois marinheiros: escondido nas entranhas gemebundas do calhambeque, num 
cubículo sem ara e sem luz junto às carvoeiras."



 



Visite o Alentejo


 


 
 
 
 
 
 

 

Fotografias de Adriano Bastos


Viagem pela nossa Gastronomia



Receitas de Culinária do Alentejo



Empadas de Galinha

de

VILA VIÇOSA



 photo in viverascidades.blogspot.pt

Ingredientes:

•Para o recheio:
•1 galinha ;
•250 g de toucinho ;
•1 chouriço de carne médio (linguiça) ;
•1 colher de sopa de banha ;
•2 colheres de sopa de azeite ;
•1 cebola ;
•2 dentes de alho ;
•1 ramo de salsa ;
•1 ramo de manjerona ;
•3 cravinhos ;
•10 grãos de pimenta preta ;
•1 dl de vinagre ;
•1 dl de vinho branco ;
•4 dl de água ;
•sal
•Para a massa:
•500 g de farinha ;











 
photo in sconesdomonte.pt

Confecção:

Metem-se numa panela todos os ingredientes citados para o recheio e leva-se ao lume até que
a galinha esteja bem cozida e se separe dos ossos. A quantidade de líquido - vinagre, vinho
branco e água - depende do tamanho da galinha e do recipiente em que for cozida. A galinha
deverá ficar bem coberta pela mistura referida e, sendo necessário aumentar as quantidades
indicadas, as proporções deverão ser respeitadas, isto é: para 4 partes de água, 1 de vinagre e
1 de vinho branco.
 Estando a galinha e as restantes carnes bem cozidas, escorrem-se e cortam-se em bocadinhos.
Côa-se o caldo e deixa-se arrefecer.
 Peneira-se a farinha para uma tigela grande e trabalha-se à mão com a gordura sobrenadante e um pouco de caldo. Amassa-se até se obter uma pasta macia e de boa consistência para se tender.
 Estende-se a massa a massa à mão em bocados com que se forram as características formas de empadas. Dentro de cada forma deitam-se bocadinhos de farinha, um bocadinho de toucinho e
um ou dois pedaços de chouriço. Rega-se com uma colher de sopa do caldo de cozer as carnes
e tapa-se com uma rodela da mesma massa. Faz-se a massa aderir nos bordos dando-lhe uma
espécie de beliscões. Pincelam-se com ovo batido e levam-se a cozer em forno moderadamente
quente.

Antigamente estas empadas eram moldadas e cozidas em formas feitas em casa com papel
manteigueiro. Hoje, para as cozer, usam-se as características formas em folha para empadas.


 fonte: Editorial Verbo
 


Salada de orelha de porco


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INGREDIENTES

600 g de orelha de porco
2 Cebolas
1/2 pimento verde
1 raminho de coentros
100 g de picles
azeitonas pretas para decorar
manjericão para decorar
sal q.b.
pimenta q.b.
Azeite q.b.
vinagre q.b. 

PREPARAÇÃO

Arranje a orelha e leve-a a cozer numa panela de pressão com água e sal, durante 20 minutos.
Escorra, deixe arrefecer e corte em pedacinhos.
Descasque as cebolas e pique-as finamente. Corte o pimento verde em pedacinhos e pique os
coentros e os picles.
Envolva estes ingredientes com a orelha e tempere com sal, pimenta, azeite e vinagre.
Decore com azeitonas pretas e folhinhas de manjericão. in http://cozinharsemestress.pt




Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018

Tempo de Reflexao

 
Com Wolfgang Amadeus Mozart iniciamos este necessário tempo de reflexão. Nos meandros 
da vida constatamos essa necessidade, e por vezes a sua urgência para melhor se encarar o dia. 
Hoje é sobre uma questão que a todos diz respeito, e nada melhor do que ler o artigo 
de Rui Gaudêncio sobre a apresentação do livro do neurocientista António Damásio. 
A música de Mozart será a melhor companhia para essa leitura e reflexão.  

 
 


Mozart Clarinet Concerto in A - 2nd mvt

Vídeo do YouTube


"Sem educação, os homens “vão matar-se uns aos outros”, diz António Damásio

                                Neurocientista lança novo livro em Portugal.


O neurocientista António Damásio Artigo de RUI GAUDÊNCIO
  

O neurocientista António Damásio advertiu que “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros”. O neurocientista português falava no lançamento do seu novo livro A Estranha Ordem das Coisas, que decorreu esta terça-feira em Lisboa, na Escola Secundária António Damásio, e defendeu perante um auditório cheio que é preciso educarmo-nos para contrariar os nossos instintos mais básicos, que nos impelem a pensar primeiro na nossa sobrevivência.

“O que eu quero é proteger-me a mim, aos meus e à minha família. E os outros que se tramem. [...] É preciso suplantar uma biologia muito forte”, disse o neurocientista, associando este comportamento a situações como as que têm levado a um discurso anti-imigração e à ascensão de partidos neonazis de nacionalismo xenófobo, como os casos recentes da Alemanha e da Áustria. Para António Damásio, a forma de combater estes fenómenos “é educar maciçamente as pessoas para que aceitem os outros”.


 


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A Escola Secundária António Damásio foi o sítio escolhido pelo neurocientista português para lançar em Portugal a sua nova obra, que volta a falar da importância dos sentimentos, como a dor, o sofrimento ou o prazer antecipado.

“Este livro é uma continuação de O Erro de Descartes, 22 anos mais tarde. Em ‘O Erro de Descartes’ havia uma série de direcções que apontavam para este novo
 livro, mas não tinha dados para o suportar”, explicou António Damásio, referindo-se ao famoso livro que, nos finais da década de 90, veio demonstrar como a ausência de emoções pode prejudicar a racionalidade.

O autor referiu que aquilo que fomos sentindo ao longo de séculos fez de nós o que somos hoje, ou seja, os sentimentos definiram a nossa cultura. António Damásio disse que o que distingue os seres humanos dos restantes animais é a cultura: 
“Depois da linguagem verbal, há qualquer coisa muito maior que é a grande epopeia cultural que estamos a construir há cem mil anos.”

O neurocientista acredita que o sentimento – que trata como “o elefante que está no meio da sala e de quem ninguém fala” – tem um papel único no aparecimento
 das culturas. “Os grande motivadores das culturas actuais foram as condições que levaram à dor e ao sofrimento, que levaram as pessoas a ter que fazer alguma coisa que cancelasse a dor e o sofrimento”, acrescentou António Damásio.

“Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se 
ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. 
Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura.”

No novo livro o autor desce ao nível da célula para explicar que até os microrganismos mais básicos se organizam para sobreviverem. Perante uma plateia com centenas de alunos, o investigador lembrou que as bactérias não têm sistema nervoso nem mente mas “sabem que uma outra bactéria é prima, irmã ou que não faz parte da família”.

Perante uma ameaça, como um antibiótico, “as bactérias têm de trabalhar solidariamente”, explicou, acrescentando que, se a maioria das bactérias trabalha
 em prol do mesmo fim, também há bactérias que não trabalham. “Quando as bactérias (trabalhadoras) se apercebem que há bactérias vira-casaca, viram-lhes as costas”, concluiu o neurocientista, sublinhando que estas reacções são ao nível de algo que possui “uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção”, ou seja, “nada disto tem a ver com consciência”.

E é perante esta evidência que o investigador conclui que “há uma colecção de comportamentos – de conflito ou de cooperação – que é a base fundamental e 
estrutural de vida”.

Durante o lançamento do livro, o investigador usou o exemplo da Catalunha para criticar quem defende que o problema é uma abordagem emocional e não racional:
 “O problema é ter mais emoções negativas do que positivas, não é ter emoções.” 

in www.publico.pt


 
       

Momentos de Poesia


 




                             

                        Manuel da Fonseca 

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem!
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao sol-posto,
Mas o jeito
das mãos torcendo o xaile nos dedos
é de mágoa e abandono...
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que quero ver nascer o sol!

 
 












Alentejo
Manuel Alegre (1936 )



Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra. E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de solfejo
Além de ti
Além do Tejo
Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul
Outro é o tempo
Outra a medida
Tão grande a página
Tão curta a escrita
Entre o achigã e a perdiz
Entre chaparro e choupo
Tanto país
E tão pouco
Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum
À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um
Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia
Todas as aves partem para o sul
Todas as aves: como a poesia

Manuel Alegre 

 

                                                              

Terça-feira, 4 de Setembro de 2018



Entrevista com Francisco Ferrão

Foto de Cervejaria Arado "O Chico".


Cervejaria “ARADO DO CHICO”

 
Petiscos:
- Toucinho da Calda
- Fígado de Porco
- Bucho de Porco com Arroz
- Torresmos

Pratos Tradicionais:
- Sopas de Feijão com Alabaças, 
- Sopas de Cação, 
- Sopas de Beldroegas, 
- Ensopado de Borrego 
- Frango Assado na brasa

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Foto de Cervejaria Arado "O Chico".
 


Cervejaria “ARADO DO CHICO”
RESTAURAÇÃO

Considerando que a gastronomia Alentejana é uma das maiores riquezas do nosso Alentejo, começámos por falar com um proprietário de um Restaurante em Borba e que é de seu nome Francisco António Duro Ferrão.


Foto de Cervejaria Arado "O Chico".


Informou-nos então que abraçou esta actividade da restauração em 23 de Abril de 1977, com empregado  deste estabelecimento, conhecido por Cervejaria “ARADO DO CHICO”, sito na Avenida 25 de Abril, 34, em Borba.

Sempre acalentou este objectivo de se dedicar a este ramo e cedo começou como empregado até 1992, ano em que negociou o trespasse com seu patrão Sr. Silva.

Em Borba e há muitos anos que ali se celebra a tradicional ” Festa da Vinha e do Vinho”, que começa com a também tradicional “visita a todas as Tascas” da terra.

Sempre o visitaram e sempre lhe foi reconhecido o bom acolhimento, a melhor apresentação e degustação dos seus petiscos, dos quais se destaca o Toucinho da Calda e o Fígado de Porco assado na brasa, Bucho de Porco com arroz e os Torresmos a que não conseguimos também resistir.

Confecciona as tradicionais “Sopas de Feijão com Alabaças, Sopas de Cação, Sopas de Beldroegas, Ensopado de Borrego e Frango Assado na brasa, entre outros que lhe pedem.

A maior parte dos seus clientes são os naturais da terra, embora muitas pessoas que ali passam e que já lá tenham entrado, especialmente quando das festas tradicionais da cidade, em feiras ou outros eventos, voltam lá sempre para provarem estes irresistíveis petiscos.

Também o visitam estrangeiros mais das terras perto da fronteira, mas  já lá têm entrado pessoas doutros países, por mero acaso.

Em relação à tão propalada crise, Borba é um caso especial. Como é sabido e especialmente quando começou a guerra no Iraque e por arrasto nos países árabes com a diminuição da exportação dos mármores,  "Ouro Branco” de Borba, Estremoz e Vila Viçosa, fomos todos muito afectados, tanto no comércio como na indústria . Perderam-se vários milhares de postos de trabalho, nesta terra onde se vivia bastante bem e onde havia um nível de vida bastante razoável.


Foto de Cervejaria Arado "O Chico".


Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare


Benefícios do chá de Oliveira



Benefícios do chá de Alecrim

Benefícios do chá de Alecrim




Benefícios no consumo de chá de Erva Cidreira
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https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/13-mezinhas-da-avo





As nossas escolhas musicais...


Madeleine Peyroux

Dance me to the end of love 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Ch6h278GEpA
         

Madeleine Peyroux
              
La Vie en rose

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/3cQF0uo9uUM


Sábado, 1 de Setembro de 2018




Setembro

Em Alentejo-Natureza

A imagem pode conter: árvore, céu, ar livre, natureza e água
Fotografia de Adriano Bastos

"As cinco zonas do mundo onde se vive mais tempo"


 


 "O explorador da "National Geographic" Dan Buettner identificou cinco zonas do mundo onde as pessoas chegam aos 100 anos. Conheça a receita da longevidade.

O ponto de partida do projeto foi a ilha de Sardenha, em Itália. Na localidade reuniram-se médicos, antropólogos, demógrafos e especialistas em epidemiologia, que estudaram o modo de vida dos habitantes. E assim foi aberto caminho para uma investigação mundial.

Ao longo de vários anos, a pesquisa foi expandida e foram identificados cinco locais com comportamentos específicos que têm influência direta na saúde.

Ao programa foi dado o nome de "Blue Zones" ("Zonas Azuis"). Nesta categoria estão integradas as ilhasde Okinawa, no Japão; a cidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA); a península de Nicoya, na Costa Rica; a ilha Icária, na Grécia; a ilha de Sardenha, em Itália.

Nas cinco regiões, a taxa de incidência de cancro e de doenças cardíacas são mais baixas, em comparação com o resto do mundo.

Apesar de o código genético ser um elemento essencial, os investigadores reuniram nove comportamentos  que influenciam a longevidade e que são comuns a todas as zonas.

1. Contacto com a natureza


A imagem pode conter: árvore, céu, planta, relva, ar livre e natureza
Photography in https://www.facebook.com/sting.tung


Os habitantes das cinco zonas estão em constante contacto com o meio ambiente. Usam as montanhas para fazer grandes caminhadas. Não vão a ginásios, nem fazem maratonas. Exploram e desfrutam da natureza. 

Também têm por hábito plantar jardins e quintais, de onde colhem os alimentos para as refeições.

2. Objetivo de vida


A imagem pode conter: árvore, planta, relva, céu, ar livre e natureza
Photography in https://www.facebook.com/sting.tung


Em Okinawa chamam-lhe "ikigai" e em Nicoya falam em "plano de vida". Encontrar um propósito para acordar todos os dias. Em Loma Linda há um grande incentivo ao voluntariado, por exemplo. Os habitantes concentram-se em ajudar os outros e ganham uma ocupação. Isto ajuda a combater depressões e outras perturbações.

3. Pausar

Photography in https://www.facebook.com/sting.tungA imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Photography in https://www.facebook.com/sting.tung

Fazer uma pausa no dia. Em Okynawa tiram alguns minutos para lembrar os antepassados, em Loma Linda rezam, em Icária aproveitam para fazer uma sesta depois do almoço e na Sardenha existe uma "happy hour" para o convívio.


4. A regra dos 80%

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Não comer em quantidades exageradas, manter um peso equilibrado. Em Loma Linda há uma grande preocupação em manter um índice de massa corporal saudável. Por norma, param de comer quando o estômago está cerca de 80% cheio. A refeição mais pesada é feita de manhã e à noite come-se pouco.

5. Vegetais

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Photography in https://www.facebook.com/sting.tung

Feijões, soja, lentilhas e favas são a base das dietas praticadas nestes cinco locais. Por exemplo, em Icária existe a dieta mediterrânica, rica em massas, arroz, frutas, vegetais e grãos integrais. Muitos habitantesdestas zonas são vegetarianos.

6. Vinho

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Beber álcool de forma moderada e regular. Durante a refeição ou no convívio com os amigos costumam beber um ou dois copos de vinho.

7. Espiritualidade

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Photography in https://www.facebook.com/sting.tung

Os habitantes das zonas estão integrados em comunidades religiosas. A devoção é um ponto forte das"Zonas Azuis" e tem influência direta nos hábitos e comportamentos.

8. Família sempre por perto

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Os mais velhos ficam sempre perto da família. As pessoas são acompanhadas e têm sempre alguém perto para ajudar e cuidar. A tendência é comprometer-se com alguém através do casamento e ter filhos. Investem muito tempo na nova geração com a esperança que esses cuidados um dia lhes sejam retribuídos.

9. Redes de amigos

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Photography in https://www.facebook.com/sting.tung

Estar inserido num círculo de pessoas da comunidade. A noção de companheirismo está muito presente.

Os habitantes de Okinawa criam "moais", grupos de cinco amigos que se comprometem para a vida." 

in Jornal de Notícias



Quinta-feira, 30 de Agostode 2018






Visite Borba













Fotografias de Adriano Bastos


Fotografias de David de Freitas




Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018



Ao Encontro com os nossos escritores


Outono


António Botto

Um dos maiores poetas da língua portuguesa


Retrato de António Botto da autoria de Almada Negreiros


PRIMEIRO DIA DE OUTONO 
.
Primeiro dia de Outono.
Primeira névoa de mágoa
Nos meus olhos rasos, mudos
De tristeza e de abandono
Onde o sonho é nostalgia...
.
O sol enfraqueceu - está doente;
E a paisagem parece adormecida
Na sua diluída rebeldia.

Um desalento vago, uma incerteza
Cinge o teu gesto sóbrio de quem busca
Uma nova ilusão para vencer...
A natureza mostra o derradeiro
Sorriso nos jardins... Tudo esmorece
Na graça deste lindo anoitecer!
.
Não ponhas essa dúvida na fronte,
Não entristeças, ri - foge ao compasso
Das longas atitudes lentas;
Reforça mais o teu riso
E pensa que na vida quem é forte
Retarda as intenções mortais da própria morte.
.
Outono! A sombra é a luz
Em prece de saudade!
Abre a janela e vê
se o mundo não disfarça
Os seus motins de sangue
neste silêncio d'oiro
Que vem do infinito...
.
Não falas? E porquê?
Tudo isto que eu te digo
E o mais que no meu peito me fica por dizer,
Amor, pode ser triste,
Mas olha que é verdade
E tem razão de ser!

.
ANTÓNIO BOTTO 



Por uma Noite de Outono

Por uma noite de outono 
Lá n'essa nave sombría, 
Hei-de contigo deitar-me, 
Mulher branca e muda e fria! 

Hei-de possuir na morte 
O teu corpo de marfim, 
Mulher que nunca me olhaste, 
Que nunca pensaste em mim... 

E quando, no fim do mundo, 
A trombêta, além, se ouvir, 
Apertar-te-hei mais ainda, 
- Não te deixarei partir! 

A tua boca formosa 
Será sempre dos meus beijos; 
E o teu corpo a minha patria, 
A patria dos meus desejos. 

António Botto, in 'Canções'
  

Vem surgindo a madrugada.
Entro agora num dancing.

Numa guitarra que tange
Oiço a mágoa do meu sonho.

Há vestígios de batalha:
Nódoas de vinho,
E alguns pratos
Com restos de carne, -- e o cheiro
A tabaco e a febre e a flores
Paira
Na sala como um cansaço...

Triste,
Vou lembrando os meus amores.

Além,
Naquela mesa do fundo,
Naquela mesa redonda,
Um homem
Descasca uma tangerina
E vai beijando e mordendo
A mulher franzina e feia
Que ao pé dele fuma e sorri...

Vou lembrando os meus amores!

E até me lembro
Daqueles
Que partiram para sempre...

--Mas, não me lembro de ti.


António Botto em Canções





Terça-feira, 28 de Agosto de 2018


Borba-os nossos pintores



José Cachatra (1933-1974) -- O pintor alentejano, natural de Borba 




"O pintor alentejano, natural de Borba, residiu grande parte da sua vida em Évora e deixou uma obra significativa no modo como representa este território, as suas figuras e as suas paisagens, ecoando ao mesmo tempo a herança modernista portuguesa e europeia na composição e nos estilos, no traço largo e impressivo, na sensorialidade do espaço, da luz e da cor. A obra de Cachatra encontra-se sobretudo na mão de particulares, razão pela qual se expõe raramente e pode, por isso, considerar-se maioritariamente desconhecida. 

Nota biográfica 

José Carlos Cachatra (16 de agosto de 1933 - 18 de Abril de 1974) nasceu em Borba, filho de Carlos José Cachatra e Vicência da Silva Bento. Após a escolaridade primária, estudou no Colégio Bartolomeu Dias, em Algés, entre 1944 e 1948, ano em que a família veio para Évora. José Carlos Cachatra frequenta aqui o Colégio Nun’Álvares, onde termina, em 1950, o 5º ano dos Liceus. Até 1955 continua a estudar, conclui o 7º ano e faz o exame de admissão às Belas Artes, em Lisboa. Nesse ano é chamado para a tropa, que faz como oficial miliciano aviador. Sai em Agosto de 1958, tem 25 anos.
Decide então regressar às Belas Artes, fazendo os 1º e 2º anos num só. No ano lectivo de 1959-1960 matricula-se nos 3º e 4º anos, começando a leccionar na Escola de Artes Decorativas António Arroio (em Lisboa), onde trabalhará até à conclusão do seu curso. Em 1963 vem leccionar no Liceu de Évora, recusando uma proposta de reintegração na carreira militar como Tenente.
Permanece no Liceu até 1965, ano em que um eventual desentendimento com o Reitor Adelino Marques de Almeida terá causado a sua saída do Liceu. A mãe morre nesse mesmo ano (a 31 de Dezembro), o pai pouco depois (1967). Desde o seu regresso a Évora, em 1963, Cachatra pinta abundantemente, muitas vezes por encomenda. (...)

Cachatra frequentou nesta época a Trave, tendo exposto na Galeria do SNI, em Lisboa, em 1968, integrado naquele colectivo (juntamente com Cândido Teles, Paulino Ramos, José Belém, Ilídio, Gabriel Silva (escultu-ra) e Francisco Lagarto em cerâmica). 
Nos anos seguintes, pinta e vende quadros no Café Arcada, em Évora, café que frequentava assiduamente, enquanto o seu estado de saúde se agrava. Morre em 1974 no Hospital do Rego (Curry Cabral), em Lisboa, vítima de tu-berculose.
A obra de Cachatra encontra-se dispersa por colecções particulares, tendo sido parcialmente exposta em 1991, pelo Grupo Pró-Évora. (nota de imprensa)" Publicado por: A Cinco Tons


Alentejo-Gastronomia


Receitas de Culinária do Alentejo

Alcácer do Sal








Feijão Verde à Alentejana

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Fotografia in receitas-do-mundo.umforum.net


)


 
Ingredientes:

Para 4 pessoas

750 g de feijão verde ;
1 cebola média ;
2 colheres de sopa de azeite ;
1 colher de sopa de banha ou de margarina ;
1 kg de tomate maduro ;
1 dente de alho ;
1 folha de louro ;
1 molho de salsa ;
4 batatas médias ;
1 cenoura ;
sal e pimenta ;
200 g de pão caseiro duro

Confecção:

Pica-se a cebola e o alho e estala-se com o azeite e a banha. Junta-se o louro e a salsa atada. Deixa-se refogar sem alourar e adiciona-se o tomate sem pele e sem grainhas e esmagado com as mãos. Rega-se com uma pinga de água e, depois de cozer um pouco, junta-se a cenoura ás rodelas. Deixa-se cozer e apurar.
Entretanto, corta-se o feijão em diagonal e as batatas em cubos. Juntam-se ao preparado anterior e adiciona-se um pouco mais de água. A água vai-se juntando sempre que for necessária. O cozinhado deve ficar com bastante molho. Tempera-se com sal e pimenta.
Corta-se o pão em fatias finas para uma terrina ou tigela de meia cozinha e deita-se por cima o guisado.
Podem servir-se ao mesmo tempo rodelas de chouriço de carne, cru.
Serve-se como entrada em vez de sopa.

No tempo da segurelha, junta-se um pezinho ao mesmo tempo que o feijão.
in Roteiro Gastronómico de Portugal (Fonte Editorial Verbo



Alentejo-Gastronomia


Receitas Culinárias do Alentejo

Crato


 
Fotografia de Adriano Bastos
 


Assada de Peixe

CRATO




 
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Photo in http://linhaceira.net/barbos-de-molhata/



 

Ingredientes:


Para 4 pessoas
1 kg de peixes do rio (achigãs ou barbos) ;
1 molho de poejos ;
2 dentes de alho ;
malagueta ;
2 dl de azeite ;
1 dl de vinagre ;
sal

Confecção:

Amanha-se o peixe e dão-se-lhe uns golpes.
Grelham-se em lume de carvão e colocam-se numa travessa.
À parte pisam-se num almofariz as folhas de poejo, os dentes de alho, sal e malagueta (a gosto). Deita-se esta papa noutro recipiente e mistura-se com o azeite, o vinagre e o molho que escorreu do peixe (e que está na travessa). Prova-se e deita-se o molho sobre o peixe.
Acompanha-se com batatas cozidas ou fritas.     

    fonte: Editorial Verbo     

in ROTEIRO GASTRONÓMICO DE PORTUGAL


Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018



Borba outros horizontes, outras viagens, 

sugestões de leitura e ...


Ettore Tito, 1859 –1941
Con la rosa en la boca, 1895



"A gratidão é um fruto de grande cultura; não se encontra entre gente vulgar."

Samuel Johnson


Acaso

Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.

Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.

Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.

Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.

Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso.

Antoine de Saint-Exupéry



 Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht


Fotografia de Adriano Bastos
 





 
Fotografia de Adriano Bastos

O sono das águas

Há uma hora certa,
no meio de noite, uma hora morta,
em que a água dorme. Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos.

E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas de folhagem.
E adormece
até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todos dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…

João Guimarães Rosa 


É impróprio ser famoso

É impróprio ser famoso
Pois não é isso que eleva.
E não vale a pena ter arquivos
Nem perder tempo com manuscritos velhos. O caminho da criação é a entrega total
E não fazer barulho ou ter sucesso.
Infelizmente, nada significa
Como uma alegoria andar de boca em boca. Mas é preciso viver sem pretensões,
Viver de tal modo que no fim de contas
Venha até nós um amor ideal
E ouçamos o apelo dos anos que hão-de vir.

O que é preciso rever
É o destino, não antigos papéis;
Lugares e capítulos de uma vida inteira
Anotar ou emendar.

E mergulhar no anonimato,
E ocultar nele os nossos passos,
Como foge a paisagem na neblina
Em plena escuridão.

Que outros nesse rasto vivo
Seguirão o teu caminho passo a passo,
Mas tu próprio não deves distinguir
A derrota da vitória.

E não deves por um só instante
Recuar ou trair o que tu és,
Mas estar vivo, e sói vivo,
E só vivo – até ao fim.

Boris Pasternak

(Tradução de Manuel de Seabra)



Alentejo-Natureza


 

CALENDÁRIO DE PLANTAÇÕES PARA SETEMBRO E OUTUBRO


Setembro

"Com o regresso às aulas e ao trabalho, o seu jardim passa a exigir novos cuidados. No que respeita a sementeiras e plantações, semeie bolbos de outono de floração primaveril, nomeadamente túlipas, narcisos, muscaris e crocos, além de amores-perfeitos, asteres, centaureas, goivos, linho de jardim, margaridas, prímulas, sálvias e verbenas. Na horta, a lista não se altera muito.

Agriões, alfaces, beldroegas, cebolas, cenouras, coentros, couve-bróculo e couve-de-bruxelas,
couve-flor, couve galega, couve lombarda, couve nabiça, couve de repolho, couve tronchuda, espinafres, nabiças, nabos, nabo greleiro, rabanetes, rábano e salsa são as sementeiras que deve fazer.

Outubro

As folhas que começam a cobrir os solos tendem a provocar mais danos do que benefícios. Além de ter de as limpar para proteger outras espécies, não pode também descurar as sementeiras e plantações típicas desta época, como é o caso de crocus, muscari, arbustos perenes, coníferas, sebes, amores-perfeitos, asteres, centaureas, goivos, linho de jardim, margaridas, prímulas, sálvias e verbenas.

Na horta, pode semear agriões, alfaces, alho francês, couve-flor, couve galega, couve lombarda, couve nabiça, couve de repolho, couve tronchuda, espinafres, flor de mostarda, nabiças, nabos, nabo greleiro, rabanetes, rábano e salsa."

in Novos Rurais






Domingo, 26 de Agosto de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Texto alt automático indisponível.
Jean Baptiste Oudry 
Naturaleza muerta con violín, 1730 ca.


Aretha Franklin - I Dreamed A Dream

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/S4F4SbGtqL4


Aretha Franklin - A Song For You

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/vDctl_P5pqo





Quarta-feira, 22 de Agosto de 2018


Em Borba-Mezinhas da Avó

"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare











Benefícios no consumo de

 Orégãos

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Os orégãos são uma das ervas aromáticas mais populares da nossa cozinha pelo aroma e sabor que dão aos pratos, e que combinam bem com quase todos os alimentos. Mas, e tal como acontece com muitos dos temperos, o seu consumo também tem muitos benefícios para a saúde. 

  • Têm propriedades digestivas, pelo que ajudam nos casos de dispepsia, indigestã ou espasmos intestinais. Estas propriedades ajudam também a proteger o fígado, graças à sua capacidade para eliminar as toxinas acumuladas, pelo que o seu consumo é aconselhável a pessoas com problemas hepáticos. Se tem problemas de gases, também ajudarão a facilitar a sua eliminação. 
  • Também ajudam a melhorar os sintomas da síndrome pré-menstrual, como dores de cabeça, de estômago, irritabilidade e retenção de líquidos. 
  • As suas propriedades anti-inflamatórias ajudam a aliviar os problemas nas costas e pescoço, como contracturas musculares, artrite, reumatismo, entorses ou distensões. Para isso, o melhor é utilizar azeite com orégãos e massajar a zona afectada. 
  • Se estiver constipado, tiver tosse ou bronquite, irão ajudar a limpar os brônquios, por terem uma acção expectorante e anti-inflamatória das vias respiratórias. A isto junta-se o seu uso como anti-séptico, que o converte num potente antibacteriano. Esta acção antibacteriana permite a sua utilização na forma tópica para desinfectar e ajudar a cicatrização de feridas e hematomas. 
  • Também contribuem para melhorar a circulação sanguínea, o que ajuda a prevenir problemas cardíacos e a formação de trombos. 
  • Contêm grande quantidade de antioxidantes, pelo que ajudam a prevenir o envelhecimento do organismo e aumentam a resistência para com as doenças degenerativas.
In Alimentação Saúdável - Paulo Rosa 





Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Texto alt automático indisponível.
Jean Baptiste Oudry 
Naturaleza muerta con violín, 1730 ca.

Eleni Karaindrou - The Weeping Meadow & Eternity And a Day

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/ibkU8ZaL3OE

To Vals Tou Gamou - Eleni Karaindrou

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/_rcs1OC2Sus


John Barry-slow day

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/2pkDwaDJgsc

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018



Ao encontro com a nossa gastronomia

Borba



Quando os caminhos são longos e tardam a percorrer, o viajante sente segundo a sabedoria popular "o estômago a dar horas". Chegado a Borba demora o seu olhar sobre o Paço de São Bartolomeu, obra que o deslumbra e  avança pela Rua Terreiro das Servas, estacionando a dois passos da Rua António de Melo e Castro.



Se o Paço já o tinha impressionado , é defronte ao Convento das Servas e da Capela do Nosso Senhor dos Aflitos que se interroga sobre a presença de tantos monumentos, sobretudo de arquitectura religiosa, que mostram o bom gosto, a riqueza e o nível cultural de então nesta vila, agora cidade.
Estamos finalmente no Restaurante Canhoto, esperando por uma boa refeição de cozinha tradicional alentejana, tal como foi aconselhado por amigos que já demandaram estas paragens. Sentado na sala de mesas espaçosas,  onde animadamente se conversa,  o seu olhar dirige-se para o tecto alto de traves de madeira sobre paredes brancas e onde a luminosidade cria um ambiente muito acolhedor.
Chegam à mesa gulosas azeitonas, queijo fresco de Rio de Moínhos, o saboroso pão alentejano e onde não falta o famoso vinho tinto da Adega Cooperativa de Borba.
Da cozinha desprendem-se aromas que abrem o apetite. O serviço é de qualidade primando o atendimento pela atenção e acompanhamento do cliente.
No cardápio surge a oferta de oito pratos, qual deles o mais aliciante, o que torna difícil a escolha.
O estomago, esse reclama mas concerteza vai deliciar-se com um opíparo almoço de (pèzinhos de coentrada). Os demais pratos repartem-se pela cachola servida em tacho de barro, pelas costeletas de borrego panadas e gansinho assado no forno. 
Com batatas fritas chega à mesa os pèzinhos de centrada envoltos em alhos e coentros que fazem a delícia do viajante. 
Para o estomago o almoço foi excelente. O convívio e a conversa amena constituíram alimento para o espirito.  Não fora o imenso trabalho da cozinheira com a entrada de mais clientes, o viajante passaria pela cozinha para dois dedos de conversa sobre a arte e a sabedoria ancestral de combinar as plantas aromáticas com os pèzinhos de porco, que não dispensam um bom azeite,  abundante nesta terra produtiva e rica deste ouro dos olivais. 
Parte o viajante com a ideia de aqui regressar. 
Lá fora no imenso largo sentem-se já os primeiros sinais da primavera.

 





 


 

 
 



 

 






 











 











Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018



Alentejo

“…Desde os finais dos anos 40 o Alentejo entrara em mim de modo definitivo…”

Júlio Resende


"Júlio Resende diplomou-se em Pintura em 1945 pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto , 
onde foi discípulo de Dórdio Gomes.

Fez a sua primeira aparição pública em 1944 na I Exposição dos Independentes. Em 1948 partiu para Paris , recebendo formação de Duco de la Haix e de Otto Friez.

O trabalho produzido em França é exposto em Portugal em 1949, definindo a sua vocação de expressionista. Assimilou algum cubismo, vai construir na sua fase alentejana, e mais tarde no 

Porto. A sua pintura caracterizada pela plasticidade e dinâmica, de malhas triangulares ou quadrangulares, aproximando-se de forma progressiva da não figuração.

Pintor de transição entre o figurativo e o abstracto, Resende distingue-se também como professor, trazendo à escola do Porto um novo espírito aos alunos que a frequentaram na década de 1960.

A obra pictórica de Júlio Resende revela que ele compreendeu a pintura europeia, porque a 

observou, experimentou e soube transmitir aos pintores e aos alunos que ele formou na Escola 

Superior de Belas-Artes do Porto.

referiu-se a ele como “grande Mestre da Arte Portuguesa do último século” .

Morreu no dia 21 de Setembro de 2011 aos 93 anos" in CNAP.PT





"Respigando...Borba"


Photo of Ching Yang Tung

(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)


"Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes."

Marcus Garvey


BORBA – foral de D. Diniz – 1302 da era de J. Christo – 1340 de

 Cesar

 

Eis o teôr completo d’este documento, fielmente transcripto do original da Torre do

Tombo, unicamente com a differença da orthographia que modernisâmos o

indispensável para facilitar a leitura: 

 

«Carta de fôro dos moradores de Borva, em como lhes é outorgado que hajam sina,

e hão o fôro de Extremoz.

 





Dom Diniz
1302









Dom Diniz
1302







Dom Di




 

«Em nome de Deus, amen. Conheçuda cousa seja a quantos esta carta virem que eu Dom Diniz, pela graça de Deus rei de Portugal e do Algarve, ensembra com minha mulher rainha Dona Isabel e com meu filho infante Dom Affonso, primeiro herdeiro, faço carta de foro pera todo sempre aos moradores e pobradores de Borva, assi aos presentes como aos que hão de vir, per tal preito e condiçom que essa villa de Borva haja por termo como parte Borva com Villa Viçosa pelo caminho que vae do Alandroal pera Extremoz áta fonte de Rio de Moinhos hu está a pedreira deque tirarom as mós, e d'essa fonte indo direitamente ao rosto da serra do Barró contra Borva hu sêem uns penedos nadivos, e está hy uma cruz em esse penedo e a par d'elles estão dous penedos juntos e antre elles está um azambujeiro. E des ali indo direitamente ao caminho que vae de Extremoz pera Borva, hu sêe um marco chantado a pé de um sovereiro e na carreira, e des ali indo direitamente a outro marco hu se juntam tres herdamentos, os dous de Estremoz e um de Borva, e des ali a outro marco que está hy a preto antre Dom Bertolameu e o caminho, e des este marco adeante indo atalhando direitamente a um paredeiro pequeno que está no herdamento de Estevam Surdo, e des ali indo direitamente a um penedo nadivo que está na ladeira do cume de sobre las casas da Foupana, e está uma cruz em esse penedo, e des ali direitamente o ribeiro da agua dos Arcos, e indo a sopé pela agua dos Arcos áta hu entra em na agua de Alcaraviça a sopé áta o caminho que vae de Estremoz pera Elvas, e indo por esse caminho áta o termo de Elvas. E dou a esses moradores e pobradores de Borva sina e sello. E que sejam concelho per si. E elles devem a fazer a mim e a todos meus successores tal fôro e tal direito e tal uso qual mi faz o concelho d'Estremoz, e de direito e de costume deve fazer des aqui adeante. E elles hão de fazer á sa custa uma cerca tamanha e tão alta como lhes eu mandar, e que elles fazer possam, em que se defendam.

Em testemunho d'esto dei ende a esses de Borva esta minha carta sellada do meu sello de chumbo. Dante em Santarem. XV dias de Junho. El-rei o mandou, Francisque Annes a fez. Era M.ª CCCª e XR annos.› (1) (1340 de Cesar ou 1302 de J. Christo).

1. Chancellaria de D. Diniz – Doações – Livro 3.º fl 20 – col. 1ª



FORAL DE DOM MANUEL I, DE 1 DE JUNHO DE 1512
uma tentativa da sua transcrição
 





Terça-feira, 14 de Agosto de 2018


BORBA Poetas Populares



 


António Júlio Prates (Xota)

João Ficalho,

Manuel João Geadas (O Coimbra)

Manuel Joaquim Serrachino (Nelo do Fado)

 
 POETAS POPULARES DE BORBA

Borba: Apresentado livro “Poetas da Nossa Terra”

2012 02 28

Ver em:
 http://www.cm-borba.pt/pt/conteudos/noticias/Livro+Poetas+da+nossa+Terra+apresentado+em+Borba.htm

O Centro de Cultura e Desporto da Freguesia Matriz e a Junta de Freguesia Matriz 
apresentaram, este Domingo, no Palacete dos Melos em Borba, o livro “Poetas da 
Nossa Terra”, que contou com a participação de doze poetas e foi apoiado pelo
Município de Borba.

A edição conta com o prefácio de João Tavares, e os poemas de:

01 António Júlio Prates (Xota),

Sobre este POETA ver 
http://altodapraca.blogspot.pt/2006/02/antnio-prates-apresenta-sesta-grande.html


02 António Passinhas,


03 Clemente Serol (O Sousa),


04 Eurico Faia,


05 Francisco Rijo,


06 João Ficalho,

[Sobre este POETA pode ver: 
em Vítor Marceneiro - o Fadista Alentejano de Borba 
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/227376.html


07 José Miranda (Zé Ninguém),


08 José Francisco Paulino,


09 Manuel João Geadas (O Coimbra),

sobre este POETA ver:
http://www.joraga.net/cantodasdecimas/pags/page_001.htm  


10 Manuel Joaquim Serrachino (Nelo do Fado),


11 Maria da Conceição Compõete 


12 Sebastião José Perdigão,

 e breves biografias de cada um dos poetas.

O Centro de Cultura e Desporto da Freguesia Matriz foi criado em 1998 e tem desenvolvido a sua actividade na divulgação e preservação dos 

jogos tradicionais e a poesia popular alentejana, editando e apoiando diversos poetas do concelho a lançar as suas obras em livro. Esta é 

mais uma edição que o Centro lança, ainda que de forma artesanal,

mas cuidada e carinhosa, perpetuando os trabalhos dos participantes.





segunda-feira, 13 de Agosto de 2018


Tempo de Leitura

"Um bom livro será qualquer um que nos revele a verdadeira dimensão da nossa ignorância."

Bruno Vieira Amaral

Foto de Yo también trabajo en un museo.
Jacek Malczewski
Modelka, 1907


"(...) Nas recordações de qualquer homem há certas coisas que ele não revela a toda a gente, apenas aos amigos. Há outras que nem aos amigos ele revelará, apenas a si mesmo e só secretamente. E, finalmente, há outras que o homem até a si mesmo tem medo de revelar, e qualquer homem até a si mesmo tem medo de revelar, e qualquer homem decente acumula bastantes recordações dessas. Ou seja, quanto mais decente for, tantas mais recordações dessas tem. Pelo menos, eu, pessoalmente, só há pouco ousei recordar certas aventuras do meu passado, a que até então me esquivara com uma espécie de inquietação. Ora, neste momento, quando não só estou a recordá-las mas ainda por cima me atrevo a anotá-las, queria experimentar: é possível, ou não, ser-se absolutamente sincero pelo menos consigo mesmo e não ter medo de toda a verdade? (...)"

Fiódor Dostoiévski, Cadernos do Subterrâneo 


"(...) Acabei a minha sessão de canto, estou triste, flor depois das pétalas. Reponho sobre meu corpo suado o vestido de que me tinha libertado. Canto sempre por causa disso: sempre me dispo quando canto. Estranha-se? Eu pergunto: a gente não se despe para amar? Porquê não ficar nua para outros amores? A canção é só isso: um amor que se consome em chama entre o instante da voz e a eternidade do silêncio.
Outros cantadores, quando actuam em público, se trajam de enfeites e reluzências. Mas, em meu caso, cantar é coisa tão maior que me entrego assim, pequenitinha, destamanhada. Dessa maneira, menos que mínima, me torno sombra, desenhável segundo tonalidades da música.
Cantar, dizem, é um afastamento da morte. A voz suspende o passo da morte e, em volta, tudo se torna pegada da vida. dizem mas, para mim, a voz serve-me para outras finalidades: cantando eu convoco um certo homem. Era um apanhador de pérolas, vasculhador de maresias. Esse homem acendeu a minha vida e ainda hoje eu sigo por iluminação desse sentimento. O amor, agora sei, é a terra e o mar se inundando mutuamente.(...)"

Excerto de "Na berma de nenhuma estrada" de Mia Couto 

"(...) Andavam ali homens dos mais variados misteres. Vagabundos de todos os caminhos; trabalhadores de acaso; camponeses de terras sem horizontes. Moços e velhos; unidos pela mesma fome e pelos mesmos farrapos. Vieram a pé, ou de borla nos camiões de motoristas generosos, ou na 3ª classe de ronceiros comboios. De longe e de perto, como se a fábrica fosse encruzilhada de todos os caminhos.(...)"


Excerto de "Engrenagem" de Soeiro Pereira Gomes


"Já reparaste que ninguém ouve os pobres? Estão à porta do metropolitano, a estender o chapéu, a vender inutilidades, ou sentados no passeio, junto a grandes lojas, e só balbuciam qualquer coisa quando por eles passamos, coisas que não nos chegam aos ouvidos, palavras, frases que só eles sabem o querem dizer. E cada vez haverá mais pobres, até serem uma multidão, sentados nas praças, debaixo de tectos de paragens de autocarro, e as suas vozes continuarão inaudíveis. É o dinheiro que dá voz aos homens, por isso, se lhes tirarem o dinheiro, ficarão sem voz. É isto que pensam os que governam, é isto que estão a fazer, devagarinho, como quem não quer a coisa, como se nos estivessem a fazer um favor, e tivéssemos de lhes ficar agradecidos por nos cortarem a língua. E qualquer dia virão dizer, como o Ditador dizia, que a mendicidade é um cicio, e são muito capazes de cobrar imposto sobre as esmolas, basta criar um programa informático para a s calcular em função da área em que o mendigo actua." 

Nuno Júdice
in "Cais do Olhar"



"A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la." 

Gabriel Garcia Marquez



"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas, brancas e  enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las era preciso apontar com o dedo."


"Chegou à janela, mas o seu rosto não revelou nenhuma emoção-
- Gostaria de plantar rosas – disse ela, de volta ao fogão.
O coronel pendurou um espelho na estaca, para se barbear.
- Se quer plantar rosas, porque não planta?
Procurou identificar os seus movimentos com os da imagem no espelho-
- Os porcos comem-nas todas – disse ela.
- Óptimo – disse o coronel – Porco engordado com rosa deve ser muito bom."

Foto de Yo también trabajo en un museo.
Frederick Serger


"Lê-se para ter prazer. Lê-se para ter inquietação."

José Cardoso Pires



 Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare
in BEMDEMAIS  QUALIDADE de VIDA


Benefícios no consumo de Beterraba
Beterraba-2



Benefícios no consumo de Groselha
groselha






domingo, 12 de Agosto de 2018




Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"A Música é uma revelação mais profunda que qualquer Filosofia."

Ludwig van Beethoven

Foto de Carolina Pedroso.
Agnieszka Markocińska


Fausto - "Foi por ela" do disco "Para além das cordilheiras" (LP 1987)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/DuLIw2Iv8Io

FAUSTO - Navegar, Navegar

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/x2D7XujdElA


Fausto - O Barco vai de saída

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/8rTq_AEdCo8



sexta-feira, 10 de Agosto de 2018 






Em Alentejo-Natureza



Fotografia de Adriano Bastos-Jardim de Serpa



Foto de GreenFest.



 

"FLAGELOS EM FOGO.

 A tragédia dos incêndios que o país volta a viver nestes dias de canícula -- em Monchique, Alcanede, Samora, Estremoz, Marvão...-- mostra quão frágeis somos face à fúria dos elementos. Os fogos que, em revolta insana, destróem serras, campos, casas e pessoas, têm causas e nem todas naturais: são filhos, antes de tudo, da exploração desenfreada dos recursos, da inconsciência dos homens ao pensarem que o seu mundo é imperecível, e da cobiça sem freios que alterou os equilíbrios climáticos. Ainda é possível pôr cobro a estes cancros, criando medidas sustentadas de preservação: ver-se o planeta como um corpo vivo, como uma obra de arte que exige tratamento, com medidas preventivas. Mas sabemos bem como esse imperativo (que devia ser consensual) colide com os altos interesses dos grandes do mundo, para quem a ecologia foi sempre um entrave ao lucro... Na já célebre encíclica «Laudato si» (2015), o Papa Francisco pôs o dedo na chaga, apelando a uma «conversão ecológica» e a uma «mudança radical de rumo», sem o que a vida humana se tornará impossível no planeta Terra. É preciso, cito-o, criar um «compromisso global para o cuidado da casa comum». O fogo é uma terrível epidemia, sempre como tal considerado: sinónimo do caos apocalíptico e do final dos tempos. No meio do século XVII, o pintor Diogo Pereira sabia explorar o tema, como nenhum outro artista português o tinha feito ou voltaria a fazer, associando-o a Tróias abrasadas, a Sodomas em chamas e a Infernos demoníacos. São terrivelmente belas essas suas telas, ardentes de desencanto (mesmo que invoquem, todas elas, a nova esperança que advinha para os portugueses com a Restauração anti-castelhana...). Volto aos fogos destes dias e recordo o 'Cântico das Criaturas' de São Francisco de Assis, para quem a Terra se pode comparar ora a uma irmã com quem partilhamos a existência, ora a uma mãe que nos acolhe nos braços. O que se espera mais para ajudar a construír uma nova ordem ecológica com sentido democrático e rosto humanizado ? Esta devia ser a primícia das agendas da Política.

Foto de Vitor Serrão.

IMAGEM: Diogo Pereira, 'Eneias fugindo de Tróia abrasada pelas chamas, levando seu pai Anquises às costas' (Elogio à Libertação do Reino de Portugal por D. João IV, o novo Eneias) (pormenor), por Diogo Pereira, c. 1640-50. Colecção particular."



Professor Vitor Serrão
da Faculdade de Letras de Lisboa
 



Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!


Foto de Yo también trabajo en un museo.
Fernand Léger, 1930


Creedence Clearwater Revival

Have You Ever Seen The Rain?

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Gu2pVPWGYMQ


quinta-feira, 9 de Agosto de 2018


Borba e os seus Fotógrafos

Trabalhos de Filipe José Galhanas


 

 

 

 

 

 




segunda-feira, 6 de Agosto de 2018


A Ronda da noite...

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Photo in http://paulooliveira.wordpress.com/tag/responsabilidade/


Jesse Cook - Double Dutch

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/hOjctd1mNME


Imany - Don't Be So Shy 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/BgI0oExkl20       


domingo, 5 de Agosto de 2018


Sugestões de leitura



Sugestões de leitura para um verão agradável 
quatro livros de António Murteira, autor eborense,

CANTO MATINAL
DE ÉVORA AO CAIRO
 
COMERES COM POEMAS
PARA VIVER UM GRANDE AMOR  
80 RECEITAS DE PAIXÃO | ALENTEJO
 
CULTURA A SUL 
ALENTEJO
 
ATÉ AMANHÃ
em Laetoli  no Alentejo  numa Lua



 

 
 



 



sábado, 4 de Agosto de 2018



Visite o Alentejo

Serpa

Fotografia de Adriano Bastos



"Você pode ser tão fiel a um lugar ou a uma coisa como a uma pessoa. Um lugar pode realmente 
fazer seu coração dar um salto."

Andy Warhol



Se fores um dia a Serpa

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/i2XZi2dw8Ec


"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos

Évora


Foto de Vitor Serrão.

"Alegoria ao Mês de Agosto, fresco de José dee Escovar, pintado a fresco, em 1605, no refeitório do mosteiro de S. Bento de Cástris, Évora. O labor do trigo na eira, o amanho da terra, os bois, as aves soltas, o magro vento nas árvores, e a grande cidade erguendo-se ao fundo... Tudo singelo, em tons e linhas ingénuas, mas eficazes de comunicação plástica."    

Professor Vitor Serrão


Borba e os seus escritores


ASPECTOS E CANÇÕES DA APANHA DA AZEITONA EM BORBA

de Fernando Castelo Branco
 
Publicações Lisboa 1958

 
Separata da Revista (Ocidente) - Vol.55LV - Liosboa 1958
 
Museu de Etnografia e História
JUNTA DISTRITAL DO PORTO 

D. Fernando Luis de Sousa Coutinho Castelo-Branco e Menezes, 3º Marquês de Borba
Nascido: 10 de Jul de 1835 
Falecido: 9 de Fev de 1928 (com a idade de 92) 

D. Fernando Castelo Branco (Pombeiro)

Segundo todas as fontes, eram donatários de Belas nessa altura, os condes de Pombeiro, mais tarde marqueses de Borba. Foi da, sugestão de Fernando Castelo Branco (Pombeiro) e Eduardo Quintela de Mendonça (Farrobo) que o Sporting em 1906 adoptou do seu escudo para o emblema do clube o leão rompante de prata armado em preto sobre campo verde.
  






sexta-feira, 3 de Agosto de 2018


Borba e os seus Fotógrafos

Vídeos de Homenagem ao Sr.Filipe José Galhanas

pelos seus trabalhos fotográficos

Borba - "Dedicação"

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/yuknsUFNXlM


Entrevista a Filipe José Galhanas

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/hUalee-8Irc

quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

 José Afonso


"A 2 de Agosto de 1929 nasce na Freguesia de Glória, em Aveiro, José Manuel
Cerqueira Afonso dos Santos, conhecido por Zeca Afonso (1929-1987), compositor
e cantor português cuja canção “Grândola, Vila Morena", utilizada como senha
pelo MFA se transformou em  símbolo da revolução de Abril." in Hernâni Matos

Foto de Hernâni Matos.

José Afonso - "Só ouve o brado da terra" 

do disco "Coro dos Tribunais" (LP 1975)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/1AOOxpWnB6s


 




Fotografia de Adriano Bastos

Só ouve o brado da terra
Quem dentro dela
Veio a nascer
Agora é que pinta o bago
Agora é qu'isto
vai aquecer

Cala-te ó clarim da morte
Que a tua sorte
Não hei-de eu querer
Mal haja a noite assassina
E quem domina
Sem nos vencer

Cobrem-se os campos de gelo
Já não se ouve
O galo cantor
Andam os lobos à solta
Pega no teu
Cajado, pastor

Homem de costas vergadas
De unhas cravadas
Na pele a arder
É minha a tua canseira
Mas há quem queira
Ver-te sofrer

Anda ver o Deus banqueiro
Que engana à hora e
que rouba ao mês
Há milhões no mundo inteiro
O galinheiro é de
dois ou três

José Afonso

Do álbum O Coro dos Tribunais, Dezembro de 1974

 Foto de Teresa Carrapato.


"O Zeca, numa roda de amigos, na ilha de Faro. Década de 60, vivendo por cá e professor na escola comercial, afastado do Liceu."

in Teresa Carrapato/FB

 



terça-feira, 31 de Julho de 2018



Momento Musical


Olafur Arnalds - Happiness Does Not Wait 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/0BdfH0CAKK4



Receitas de Culinária do Alentejo

Gaspacho

foto in amoresabores.blog.sapo.pt

Ingredientes:

2 Tomates
1 Pimento verde
1 Pimento vermelho
2 Dentes de alho
4 Colheres (de sopa) de azeite
½ Pepino
1 Colher (de sopa) de vinagre
Pão duro alentejano
Água fria, orégãos e sal q.b.
 
Preparação:

Numa tigela coloca-se água bem fria e, dentes de alho com sal esmagados no gral.
De seguida deita-se o tomate, o pepino e os pimentos cortados aos bocados. 
Cortam-se bocados pequenos de pão e junta-se à tigela do preparado. Por fim
tempera-se com azeite, vinagre e sal a gosto.
Acompanha-se com carapaus fritos e azeitonas.




sábado, 28 de Julho de 2018


Sugestão de Passeio


Évora- Catedral de Évora-Portugal 

A Sé de Évora é a maior catedral medieval de Portugal. 

  A Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora,
ou simplesmente Sé de Évora. 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/ktDHQZ-mxVw



Visite o Alentejo


Fotografias de Luis Lobato de Faria

Foto de Luis Lobato de Faria.


 Foto de Luis Lobato de Faria. Foto de Luis Lobato de Faria.
 
Foto de Luis Lobato de Faria.


 Foto de Luis Lobato de Faria.
Foto de Luis Lobato de Faria.
 
 Foto de Luis Lobato de Faria.


Foto de Luis Lobato de Faria.

 Foto de Luis Lobato de Faria. Foto de Luis Lobato de Faria.
 Foto de Luis Lobato de Faria.

 Foto de Luis Lobato de Faria.

 Foto de Luis Lobato de Faria.







Foto de Luis Lobato de Faria.



Em Alentejo-Natureza

Se



Fotografia de Adriano Bastos-Jardim de Serpa




Floresta Autóctone Plantar e Valorizar 

 Entre folhas verdes, saber mais sobre a floresta autóctone. Um documentário com particular referência
às espécies folhosas e ao carvalho. Mergulhamos numa explosão de sons e cores onde pessoas valorizam
a sua importância e valor. 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/lraLbxcNMwY




Como (bem) plantar uma árvore em 5 passos simples

Cinco passos importantes para que a árvore/ arbusto fique bem instalada.

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/cHcvj1OaK7k



Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!


John Barry, Out of Africa Theme (original), 
Chamber Orchestra of New York - Salvatore Di Vittorio

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/gUQyaCPCLQM




sábado, 23 de Junho de 2018


Os Pilares do Cante Alentejano

Entrevista  ao Dr. José Rabaça Gaspar

por

Adriano Bastos

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/xvCMjKUshoo



A nossa Música...outras sonoridades

"Nao quero que vás á monda"(tradicional Alentejo)* - Ronda dos Quatro Caminhos
*Orquestra Sinfónica de Cordoba
Coros-Rancho de Cantares de Aldeia Nova de S.Bento
solo-Duarte Macias
alto-Joao Carrilho

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/zYHrUtiG7yU



sexta-feira, 22 de Junho de 2018



Recordar 



João Rita

Recordamos este nosso Amigo, cujo contributo para a Cultura Borbense ficará para
sempre marcado pela autenticidade do seu canto, seu longo amor ao fado e à  sua divulgação, bem 
como pelo partilhar a felicidade cantando o que lhe provinha da alma, do seu profundo sentir. 

João Rita fado, Filho e Neto

Vídeo do YouTube

   
https://youtu.be/wt3ruGjxcxo

Fado

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/lVglzC38sbo




 
 


quinta-feira, 14 de Junho de 2018





Borba Inspiradora


                                          Memórias de Francisco Pardal

"Deste nosso pregoeiro, contava-se que só bebia copos de três tostões. No seu aspecto de pobre de Job, veio a falecer de repente num inverno de frio rigoroso, mas com nove tostões no bolso, ao que se dizia, com ar de graça que, ainda chegava para três copos de três. Todas as povoações têm as suas figuras públicas que, ficam referenciadas na história dos povos.


São assim estas personagens que, dão vida e servem de exemplo às sociedades, compostas pelos mais diversos critérios, mas que devem ser aceites e acolhidas como figuras que existem para servir e merecem, que ao serem recordadas, nos fazem sentir o que representam para os nossos dias, a saudade das pessoas daqueles tempos.Merecem a nossa estima..." 
(Fotografia de José Galhanas)





 

 


domingo, 27 de Maio de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven


Alentejo-Estremoz

 
 
"João de Sousa Carvalho (Estremoz22 de fevereiro de 1745 - Alentejo, c.1798) foi um compositor e músico português

João de Sousa Carvalho, filho de Paulo de Carvalho e de Ana Maria Angélica, entrou com 8 anos, a 23 de Outubro de 1743, para o Colégio dos Santos Reis Magos em Vila Viçosa. Mandado a Nápoles pela Coroa, ingressou com Jerónimo Francisco de Lima (1741-1822) no Conservatório di Sant'Onofrio a Capuana, em Nápoles, a 15 de Janeiro de 1761. A sua primeira ópera, La Nitteti, sobre libreto de Pietro Metastasio, representou-se em Roma no Teatro Delle Dame no Carnaval de 1766. Também a oratória Isacco figura del Redentore, que data da mesma época, deve ter sido cantada em Itália. Regressou a Portugal presumivelmente em 1767, dado que assinou o Livro das Entradas da Irmandade de Santa Cecília a 22 de Novembro do mesmo ano. Foi nomeado professor de contraponto pelo menos em 1769 e, mais tarde, talvez em 1773, Primeiro Mestre de Capela do Seminário da Patriarcal. Em 1778, João de Sousa Carvalho sucedeu a David Perez (1711-1778) como professor dos Infantes e compositor da Real Câmara, com vencimento mensal de 40$000 réis e direito a usar carruagem, passando a controlar todo o aparelho de produção músicoteatral da Corte. Desde esse ano até 1789, com exceção de 1786 e 1788, cantaram-se novas obras suas (com inúmeras repetições) no Palácio da AjudaPalácio de Queluz e Palácio da Ribeira, sendo 10 serenatas - género afim de ópera, mas sem componente cénica - e duas óperas (Testoride argonauta, dramma in 2 atti, 1780, e Nettuno ed Egle, favola pastorale, 1785). Morreu no Alentejo em 1798."
in Wikipédia




  "João de Sousa Carvalho foi um dos compositores mais importantes durante o período barroco em Portugal. Seu Te Deum e Vésperas de Nossa Senhora, ambos disponíveis em CD, são verdadeiras jóias.Depois de seus estudos em Portugal, estudou em Nápoles e depois voltou para Portugal. Em 1778 ele se tornou o professor de música da família real portuguesa.Além da música sacra, compôs várias óperas. Um deles - Testoride Argonauta - também está disponível em CD. Outros trechos de algumas de suas obras podem ser encontrados aqui no Youtube.
A peça aqui é o motete 'Stellae in caelis obscurantur', gravado em 1999 por Ricardo Bernardes e seu coral e orquestra ensemble Américantiga, com sede no Brasil." 

Texto de Gus Ovatsug


João de Sousa Carvalho (1745-1798): Stellae in caelis obscurantur

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/DmGmIolzaKI


Sousa Carvalho Perseo (1779) - Ouverture

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/JyMMeVmvRdE


João de Sousa Carvalho - Toccata in G minor

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/HhNSGbC2EbQ




sábado, 26 de Maio de 2017


Alentejo-Cante Alentejano





Fotografia de Adriano Bastos



"Cante Alentejano" - Defesa, Preservação e sua Divulgação

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wAUAdy7ARss






 Fotografia de Adriano Bastos

"De repente, vi-me naquela Praça do Município cheia de gente. Um grupo de quatro ou cinco entoou dalém uma moda... logo outro aqui mais ao pé... depois outros... outros... outros... Quando dei por mim, estava com a pele toda arrepiada e sentia a música subir das entranhas da Terra e inundar-me por completo. Eu pensava que tinha ouvido já cantar à Alentejana. Nunca tinha ouvido. Aquela Praça transformou-se por magia numa Catedral imensa da Natureza que só tinha como tecto o céu cheio de estrelas... Tinham-me dito que os Alentejanos não eram religiosos! Eu acreditava. Ali eles eram a Voz da Terra, cultores de uma Religião mais autêntica e verdadeira daquelas que eu conhecia. Quando todo o chão tremeu e eu com ele, percebi, ou pareceu-me perceber, porque é que o Cante, não era o Canto Alentejano que se ouvia na rádio, na tevê, ou num palco... Pareceu-me ver, sentir, que o CANTE, quando dois ou mais se juntam para entoar uma moda, os seus grupos, os seus coros, era algo de muito profundo e sério. Era algo que vinha de muito fundo. Das entranhas da Terra. Com os pés calcando o chão, ombro a ombro, mãos a abraçar o companheiro da frente, o canto lançado pelas gargantas através do ar armazenado na barriga, aquilo não era um canto humano. Era a Voz da Terra. Era o grito do Ventre da Terra!"

José Rabaça Gaspar

 





Cante Alentejano


Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo,
têmpera sobre madeira, (1,30 x 40 cm), 1965.
Autor: José Manuel Espiga Pinto - CAM, Fundação Calouste Gulbenkian

 


"São sete ou oito grupos de perto e longe. Cantam os trabalhos e os dias, os amores e as 
paisagens. Estão duas mil pessoas a ouvi-los pela noite fora, em silêncio, só...aplaudindo no fim 
de cada canção, à entrada de cada grupo, mas neste caso quase nada, porque é sabido que mal se 
podem bater palmas quando os homens começam a mover-se, lentamente, naquele movimento 
pendular dos pés, que parecem ir pousar onde antes haviam estado, e no entanto avançam.
O tenor lança os primeiros versos, o contratenor levanta o tom, e logo o coro, maciço como o 
bloco dos corpos que se aproximam, enche o espaço da noite e do coração. O viajante tem um 
nó na garganta, a ele é que ninguém poderia pedir-lhe que cantasse. Mais facilmente fecharia 
os punhos sobre os olhos para não o verem chorar."(José Saramago, "Viagem a Portugal")  




sexta-feira, 25 de Maio de 2018

Alentejanos do Mar

José Francisco Pereira

Foto de José Francisco Pereira.

Fotografia de José F.Pereira

"Histórias do Cante" - José Francisco Pereira

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/iiJvX1ayld8



Play - Conversas Açorianas

Conversas Açorianas com José Francisco Pereira natural de Montoito-Alentejo 
e a viver no Faial

Carregue no Link abaixo, e assista à maravilhosa entrevista da RTP Açores

https://www.rtp.pt/play/p2121/e230736/Conversasacorianas







Alentejo-Gastronomia

Receitas Culinárias do Alentejo


Calducho


Prato tradicional de Redondo
Foto in portugaldelesales.pt


 "Ingredientes: 
2 postas de bacalhau demolhado
3 dentes de alho
2 cebolas
1,5 dl de azeite
2 folhas de louro
1 raminho de poejos
500 gr de batatas
sal
2 ovos
4 fatias de pão duro

Confecção
Leve 1,2 lt de água ao lume. Depois de ferver, introduza o bacalhau e coza durante 5 minutos. Escorra, retire a pele e as espinhas e desfaça em lascas. Reserve o caldo. Pique os alhos e as cebolas muito finamente e frite no azeite quente. Junte as folhas de louro partidas e o raminho de poejos. Regue com o caldo do bacalhau e deixe levantar fervura. Entretanto, descasque as batatas e corte aos pedaços pequenos. Junte à sopa, tempere com sal e coza durante 15 minutos. Envolva o bacalhau, os ovos batidos e coza por mais 5 minutos. Corte o pão aos pedaços e coloque numa tigela. Regue com a sopa, decore com um raminho fresco de poejos e sirva de imediato." in seralentejano.blogspot.pt
 


Receita completa de Calducho com poejos, ovo e bacalhau, prato típico de Reondo confecionado por Maria Margarida Valverde, do restaurante "O Marujo"


 
Receita completa de Calducho de Redondo

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/7Uxxx086WT8https://youtu.be/7Uxxx086WT8
  


Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar


culinaria-do-alentejo-1



"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)


Pelourinho de Fronteira - Portalegre 


Foto de Rui Breda.

"Fronteira é uma vila no Distrito de Portalegre, região Alentejo com cerca de 2 000 habitantes.

É sede de um município subdividido em 3 freguesias, e é limitado pelos Municípios de Alter do Chão, Monforte, Estremoz, Sousel e Avis.
O foral do concelho foi concedido por Manuel I de Portugal a 1 de Junho de 1512, na sequência do qual foi construído o Pelourinho tendo sido posteriormente reconstruido já no Século XX.

"O Pelourinho de Fronteira, está situado no Largo do Município, junto aos Paços do Concelho e à Torre do Relógio. A base arquitectónica é constituído por três degraus quadrangulares, em alvenaria, lajeados com placas de mármore da região.  
A base da coluna, prismática e de planta octogonal, é decorada com moldurações horizontais, e rematada por escócia e bocel; o fuste é composto por dois troços de altura idêntica, o inferior oitavado e de faces lisas, o superior torso espiralado para a esquerda, ligados por anel central duplo, este último de factura moderna. O capitel é ainda poligonal, e duplo, com boleados nas faces, e dois pequenos escudos, um portando as armas régias e outro as da ordem de São Bento de Avis. O remate é novamente resultado da intervenção do século passado, sendo constituído por uma pinha com pequeno fogacho."


Rui Breda



sábado, 5 de Maio de 2018



Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro



Foto de Cooperativa Cultural Popular Barreirense.


Alentejo-Cante Alentejano 


TRATADO DO CANTE - Figuras do Cante:
Padre José Alcobia (Pias-Ferreira do Zêzere 28/11/1914/ Beja 2/2/2003)

 "Seria injusto não falar neste Congresso de um homem... que, apesar de não ser alentejano, pois ele é natural de Ferreira do Zêzere, abraçou com alma e coração o cante alentejano, enriquecendo e elevando ao mais alto ponto, conseguindo levá-lo além fronteira num tempo muito difícil. Estou a falar do senhor padre José Alcobia. Pároco no concelho de Ferreira desde 1944, função que tem exercido ininterruptamente, estendendo a sua acção por todas as freguesias do concelho. Criou o Colégio Nuno Álvares, o Sport Clube Ferreirense, um bairro para trabalhadores rurais com mais de quatro filhos denominado Nossa Senhora da Conceição. Como músico descobre a riqueza grandiosa do cante alentejano cujas melodias fazem vibrar o nosso povo e cria o Grupo Coral “Os Trabalhadores de Ferreira do Alentejo”. Produziu programas para a antiga Emissora Nacional, Rádio Renascença, Televisão, gravou discos e cassetes e conseguiu em 1972 levar este Grupo a Zagreb, Jugoslávia onde obteve um êxito extraordinário. Em 1976 foi criado em Figueira de Cavaleiros o Grupo Coral “Os Rurais” fundado por um grupo de amigos onde me incluo e exerço o cargo de responsável. Convidámos o Padre José Alcobia para nos ajudar que, de braços abertos e com todo o seu saber e entusiasmo, contribuiu decisivamente para elevar o Grupo ao nível que hoje tem. Com ele conseguimos muitas actuações de norte a sul do País, gravámos dois LP’s, duas cassetes áudio e tivemos o ponto mais alto em 1976 em Zagreb na Jugoslávia, no Festival Internacional daquele país. Aí estavam presentes 77 grupos representativos de vários países e o Grupo Coral “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros” foi considerado um dos melhores grupos de vozes que por ali passou, tendo a honra de ter sido convidado para fazer do encerramento do Festival com mais três grupos de outros países. Foi com grande emoção que sentimos milhares de pessoas em silêncio apreciarem o cante alentejano e ver a bandeira portuguesa a subir pelo mastro ao canto do nosso hino. O Padre Alcobia criou ainda o Grupo “Cantares Alentejanos do Batalhão nº. 3 da GNR”, conseguindo ainda a renovação do Grupo Coral “Alma Alentejana de Peroguarda”, por quem Giacometti se apaixonou levando-o a pedir que ali fosse sepultado ao som do cântico ao Menino de Peroguarda. Ele ainda hoje dirige estes grupos, apesar da sua idade. Obrigado Padre Alcobia por tudo o que fez pela Terra alentejana. Era bom que muitos padres Alcobias aparecessem para bem do nosso cante alentejano e da nossa cultura. Bem haja!"
Comunicação de Luís Franganito – Grupo Coral e Etnográfico “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros, no Congresso do Cante Alentejano, realizado em Beja, em 1997.
in: "Que modas? que modos?". Ed. FaiAlentejo. 2005
in José Francisco Pereira

"Dr. Henriques Pinhero

Trata-se de um ilustre médico, chegado a Beja já há 54 anos. Foi médico no Hospital da Misericórdia, antigo Hospital de Beja. Foi Director Distrital do Serviço de tuberculose e doenças respiratórias. Foi também Director do Diário do Alentejo. Dinamizou com a sua esposa a delegação da Proarte de Beja durante 18 anos. Fundou com a sua esposa, também, o Centro Cultural de Beja e dentro dele a Academia de Música do Centro Cultural. Dinamizou, ainda o processo de constituição do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, do qual é Presidente do seu Concelho de Administração. Actualmente não exerce clinica. Mas de facto muitos alentejanos o conhecem porque foi extremamente importante na luta contra a grande epidemia de tuberculose no Baixo-Alentejo. " Palestra de Artur Mendonça 8/11/1997


De

Henriques Pinheiro

"Desde que aqui cheguei, o canto revelou-se-me a expressão de uma arte musical que, para além de não ter qualquer semelhança, com o canto popular de outras regiões, logo se me afigurou ser de bem melhor qualidade que de outras cantigas populares do nosso País. A verticalidade do Povo revelou-se-me sem hipócritas e interesseiras mesuras face à tradicional postura de outras gentes perante certos poderes da hierarquia social. A Planície que se me revelou, a compleição geográfica mais favorável, a afirmação da verticalidade do ser que o Alentejano é, pois lhe basta erguer-se para sobre si próprio dominar léguas a perder de vista, esta Planície seduziu-me pela serenidade dos dilatados horizontes tão propícios à serena meditação, à interiorização da sensação de paz que dela parece brotar. Originário do Norte do País, duma região bem diferente deste Alentejo, bastante impressionado fiquei por ocasião das minhas primeiras férias que por aqui passei, estávamos numa época do Natal, num dos últimos dias da década de trinta, quando um canto de bela e estranha harmonia me acordou, de madrugada e depois se foi afastando, lentamente, rua além para voltar a aproximar-se, rua aquém num canto de solene sonoridade, compassado, majestoso. Era um canto de grande beleza, que muito surpreendeu a minha sensibilidade. E, a madrugada, as estrelas e a aldeia adormecida (Baleizão) onde os meus pais estavam, - eram professores do ensino primário, - ajudavam a enriquecer a tão extraordinária harmonia àquelas horas e daquele modo cantada. Não consegui na altura entender a poesia que o grupo cantava. Só mais tarde me aperceberia da beleza poética que ilustra as canções populares deste Alentejo e que tanto merecimento lhes acrescenta tornando-as ímpares, sem discussão."

Henriques Pinheiro:8/11/1997



Ao encontro com a nossa gastronomia

Orada

Borba- Alcaraviça


A dois passos de Borba, no cruzamento para a Orada (na A6)  o viajante percorre 3 kms por entre vinhedos e campos cuidados, com pequenas casas dispersas até ao desvio para Alcaraviça. 
Os campos estão enfeitados, sinal de uma primavera que tardou a chegar. 

 
 



"O viajante percorre a estreita estrada sob um sol primaveril e duma abóbada imensa azul rasgada pelos voos das recém chegadas andorinhas.Uma vez chegados deparamos com uma casa simples, com esplanada contígua a um balcão interior e sala. Em ambiente tipicamente alentejano, simples e acolhedor o viajante não se sente um estranho, entabulando em breve conversa com os presentes. Terra secular de bons vinhos, fomos presenteados nas entradas com paio delicioso de porco preto, azeitonas retalhadas e o bom pão de Orada. Não faltou o queijo seco de imediato acompanhado com vinho do concelho. Ainda o viajante degustava as azeitonas, Dona Aurinda serve a saborosa sopa de tomate. Ainda pensou em sopa de beldroegas ou de cação mas fixou-se na de tomate. 
Com o afluir de novos clientes, seu marido comenta nas mesas contíguas o apreço dos visitantes pelo coelho assado no forno. No espaço exterior estão já estacionados de forma dispersa inúmeros carros que ali demandam em busca de sabores genuínos do Alentejo. Seja o acolhimento, os cheiros que se espalham vindos da cozinha e o conversar descontraído dos clientes, conferem a este local uma qualidade inigualável de bem estar.

Não foi desta que o viajante se deliciou com o Gaspacho Alentejana à moda da casa ou Perdiz com Lombarda.



O coelho assado no barro é servido, sendo o prato de referência e de procura permanente. Com saborosos temperos com ervas aromáticas e azeite local ,chega à mesa diretamente do forno ainda saltitando os temperos.
O viajante delicia-se com tão opíparo manjar o qual finaliza com farófias a recordar-lhe os tempos de infância em vespertinas natalícias. Ainda se dividiu entre o bolo de bolacha de café e com creme de manteiga e o famoso pudim de ovos. Acompanha o bom café um pequeno cálice de aguardante para acalmar e saborear pausadamente. 
No exterior o sol ainda vai alto e o viajante leva a ideia de sempre aqui voltar."

Adriano Bastos





Borba-Orada freguesia do Concelho de Borba-Alentejo

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/1vVbvg9rIto




 



Criada em 21 de Agosto de 2012, a Associação dos Amigos de Borba

Associação de Borbenses Defensores do Património Ambiental e Cultural


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O Alentejano


"Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo"

Pintura de Espiga Pinto, sobre madeira, datada de 1965. 130x40cm
Col. Centro de Arte Moderna da 

 
"Se há marca que enobrece o semelhante, é essa intangibilidade que o Alentejano conserva e que deve em grande parte ao enquadramento. O meio defendeu-o duma promiscuidade que o  atingiria no cerne. Manteve-o Vertical e Sozinho, para que pudesse ver com nitidez o tamanho da sua sombra no chão. Modelou-o de forma a que nenhuma força por mais hostil, fosse capaz de lhe roubar a coragem, de lhe perverter o instinto, de lhe enfraquecer a razão... (...) É preciso ter uma grande dignidade humana, uma certeza em si muito profunda, para usar uma casaca de pele de ovelha com o garbo dum embaixador. Foi a terra Alentejana que fez o homem Alentejano, e eu quero-lhe por isso. Porque o não degradou proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão."

Miguel Torga In "Portugal" 1950

Fotografia de Adriano Bastos

O Alentejo lembra-me sempre 
 Um imenso relógio de sol
  Onde o homem faz de ponteiro do tempo 

 Miguel Torga 


 































































































 


















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