Página Cultural

         





    






  


Criada em 21 de Agosto de 2012, a Associação dos Amigos de Borba
Associação de Borbenses Defensores do Património Ambiental e Cultural



  

O Alentejano


"Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo"

Pintura de Espiga Pinto, sobre madeira, datada de 1965. 130x40cm
Col. Centro de Arte Moderna da 

 
"Se há marca que enobrece o semelhante, é essa intangibilidade que o Alentejano conserva e que deve em grande parte ao enquadramento. O meio defendeu-o duma promiscuidade que o  atingiria no cerne. Manteve-o Vertical e Sozinho, para que pudesse ver com nitidez o tamanho da sua sombra no chão. Modelou-o de forma a que nenhuma força por mais hostil, fosse capaz de lhe roubar a coragem, de lhe perverter o instinto, de lhe enfraquecer a razão... (...) É preciso ter uma grande dignidade humana, uma certeza em si muito profunda, para usar uma casaca de pele de ovelha com o garbo dum embaixador. Foi a terra Alentejana que fez o homem Alentejano, e eu quero-lhe por isso. Porque o não degradou proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão."

Miguel Torga In "Portugal" 1950


Fotografia de Adriano Bastos

O Alentejo lembra-me sempre 
 Um imenso relógio de sol
  Onde o homem faz de ponteiro do tempo 

 Miguel Torga 


 




Adira através do email ou telefone
Para comentários e colaboração utilizar:





Visitas desde 14/11/2012


web analytics





 


domingo, 15 de Julho de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode 
permanecer em silêncio."

Vitor Hugo


Foto de Asya Oblamsky.

Otto Dix


TANIA VINOKUR - TE QUIERO( I love you) 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/00umZ6WBZcQ

John Barry - The Old Woman (Somewhere In Time)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/V4L_NrsW3WU


Mantovani - Love is a many splendored thing

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/54d9isylep8





quinta-feira, 12 de julho de 2018 



Borba Inspiradora

José Russo da Silva

"José António Russo da Silva é natural de Borba onde nasceu em 1945. Bem cedo ruma para os arredores de Almada em busca de melhores condições de vida, percurso de muitos alentejanos nos princípios do século XX. Autodidacta  e com fortes raízes em Borba, a sua obra vem reflectindo o ambiente natural e social do Alentejo. 
Nas suas primeiras crónicas, numa linguagem simples e de descrição minunciosa dos ambientes 
que viveu, traz à lembrança termos vincadamente regionais, ambientes e nomes desde a Tia Joana Russo, Pedro Farelo, Zé da Pazinha, Pintassilgo, Zé Pisco, João Torto e uma imensa galeria humana
que estão ainda na memória de muitos  Borbenses e que duma forma simples e carregada de emoções José Russo procura salvar do esquecimento. Publica em 2010 "Uma infância amarga e doce", em
2013 "Fibra alentejana " e em 2014 "O costela de ferro."
As suas crónicas publicadas no nosso Blogue integrarão um novo livro a publicar proximamente."
Adriano Bastos


Barnabé Cordeiro

Memórias e Lugares com História é  nome do seu 1º  livro, o qual é um  registo importante de suas memórias, com as quais muitos alentejanos se identificam e conhecem essa realidade das últimas 
sete décadas. Igualmente através da leitura atenta das 125 páginas, adquire-se um melhor 
conhecimento do Alentejo e do meio rural de São Tiago de Rio de Moinhos, contribuindo de forma simples e decidida, para a divulgação do nosso concelho, das suas tradições, gentes e de lugares
com história, que desempenharam papel de relevo na história do nosso País. 
É na memória das suas raízes que busca o alimento para a vida, dando  exemplo de humildade, de profundo afecto aos seus progenitores e ao monte onde a família desenvolveu sua árdua actividade. 
Perpassam na sua escrita personagens como o Tio Zé Nabo, o velho Arame, o Plácido Barriga, o Olegário, o velho David sapateiro, o sr. Honorato, oTi Inácio Moral, o Béca, o Valadeiro e tantos outros  que enriquecem a sua descrição desses difíceis tempos de ditadura.
Uma referência conhecedora e profunda às  actividades de então, seja no plantio de vinhas, no
trabalho dos olivais, nas ceifas, na pecuária,  na pastorícia, nos mármores bem como na produção
de cal e no comércio das feiras.  Os latoeiros ou tendeiros, os inesquecíveis retratistas, os  rendeiros , carreiros,  pastores, ceifeiros, roçadores,  oleiros, trabalhadores do campo, abegões todos eles não 
são esquecidos, a constituírem as suas belas descrições, registos para o momento presente e para o futuro. 
No decorrer do seu livro identificamos um olhar objectivo  sobre o ensino primário de então, 
referência ao analfabetismo de grandes dimensões, ao papel do campesinato na luta por melhores condições de vida. Os grandes monumentos do Concelho ali têm o seu lugar, não esquecendo e avivando a memória de outros bens não menos  a preservar, como são os moinhos na levada 
da Ribeira, os fornos de cal e os montes ao abandono.  A referência  à guerra colonial para onde 
foi destacado,  é feita tal como ao seu papel interventivo em termos de cidadania. 
Adriano Bastos








 
José Russo
 

"O silêncio, dentro das casas era enorme. Só se ouvia a voz do homem dos jornais e o saltitar do canário, dentro da sua gaiola, na varanda…

O som do sino, no seu badalar, dando as horas, que muitos ouvem, sem ouvir, mesmo longe, muito longe! Ao falar de sinos, veio-me à memória, uma história que o meu professor Serra contava… 

Muito calmo, em pé, à frente de todos nós, dizia que um português, emigrante na Argentina, tinha tantas saudades da sua terra e dos sons do sino da igreja, que mandou fazer lá diversos sinos, mas em nenhum obtinha o som igual, morrendo já velho e com esse grande desgosto de suadade…

Os sons dos cascos das mulas, que caminhavam pelas ruas com aquele ‘toc toc’ gracioso, tilintando com esquilas e guizeiras, ao pescoço…O som da sineta da escola, chamava as crianças que corriam para as aulas, acabando o recreio…

O som do rouxinol cantava nas trepadeiras e o cuco acompanhava-o nas suas lindas melodias, que partilhavam ao ‘pôr-do-sol’. Era o melhor canto da passarada. Não há outro igual, tão belo.

O som do riso de uma criança, que viu uma nota da escola, melhor do que esperava, dá-lhe vida e segurança.

O som do som do silêncio, quando a vila dorme, num descampado alentejano…"





Barnabé Cordeiro
 

"Como estou a recordar situações da juventude, que se prendem naturalmente com questões sociais, é preciso dizer que para além das dificuldades económicas das famílias, para que os seus filhos continuassem a estudar, também existia o facto das escolas secundarias ficarem distantes dos meios rurais, dificultando ainda mais a continuação na escola da juventude da minha geração, principalmente no interior do País, onde as carências mais se faziam sentir."

Não havia transportes para as crianças, tínhamos que caminhar a pé, alguns até descalços para uma escola que ficava por vezes muito longe, sujeitos ao frio ao calor e a todas as intempéries.

 


 
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/borba-em-escrita/05-2-barnabe-cordeiro---memorias-2013



Tempo de Leitura



ARTE POÉTICA
*
Mário Dionísio
*
A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.
A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.



" O amor é fome de outra vida, desejo de transitar. Quando dois amantes se abraçam e beijam ,

entre devoram se, morrem um no outro de algum modo, e transitam para um outro ser.

A vida não pode ficar em nós, a repetir se, que repetir é estar parado, é ocupar o mesmo lugar" 

Teixeira de Pascoais



"Uma vez tendo amado nunca mais se deixa de amar. Amar e viver são verbos sem pretérito. Não perdemos nunca os que amamos. O amor está para além dessa contabilidade."

Mia Couto


"Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente."


Paulo Freire



"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. 

E ensinare aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."


Paulo Freire



Quero dizer-te uma coisa simples:
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma;
mas que não deixa, por isso,
de deixar alguns sinais -
...
um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos.
Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples
também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença entre
o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias correm mais depressa,
e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de mim -
e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice



"Creio que a vida não tem sombra de interesse, concebida e vivida em termos de mentira e de conveniência. As sociedades que já só assentam em tais fundamentos, estão por pouco. Julgo,antes, que a própria natureza aviva de quando em quando as suas arestas para que os seres e as coisas saibam claramente que a cada verdade corresponde um fruto, e a cada mentira uma desilusão."


Miguel Torga



A POESIA E OS POETAS - JOSÉ CRAVEIRINHA (Para um idílio clandestino)


Deixa-me que te beije

ao de leve o rosto na manhã nova

e meus dedos acariciem

nervosos a curva meiga do teu seio.

Meu amor:

o senso fragmenta-me a sensibilidade

e o que seu sinto-o

larva plena do que há-de vir.

Tu e eu

envolvidos nesta aventura

esperamos o comprometido instante

nalguma parte de nós.

Vai. Não te esqueças.

Nesta manhã do Infulene

ao quilômetro dez da liberdade

o sobrenatural acontece:

É assim.

Eu preso.

E tu minha mulher

depois da visita partes à vontade

mas não livre.


José Craveirinha

(Julho de 1967), em "Obra poética - José Craveirinha". Maputo: 

Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002.


A Curiosidade, - por Eça de Queirós


"A curiosidade, instinto de complexidade infinita, leva por um lado a escutar às portas e por outro a descobrir a América: — mas estes dois impulsos, tão diferentes em dignidade e resultados, brotam ambos de um fundo intrinsecamente precioso, a actividade do espírito. Um espírito indolente não se arremessa com magnificência para os mares desconhecidos: também não se arrasta mesquinhamente para as fendas das portas: imóvel, como uma árvore sobre as raízes, ondula e rumoreja, dá a sua folha ou o seu fruto, derrama a sua curta sombra sobre o seu curto chão, e na mesma imobilidade, direito sobre as raízes, murcha, caduca e perece. O espírito porém que incita o homem a deixar a quietação do banco do seu jardim, a trepar a um muro escorregadio, a espreitar o jardim vizinho, possui já uma estimável força de vivacidade indagadora: — e a tendência que o moveu é essencialmente idêntica à tendência que, noutro tempo, levara outro homem a subir às rochas de Sagres, para contemplar, com sublime ansiedade, as neblinas atlânticas. Ambos são dois espíritos muito activos, almejando por conhecer o mundo e a vida que se estendem para além do seu horizonte e do seu muro. O valor tão violentamente discordante das obras dependerá apenas do quilate dos dois espíritos, e das condições em que se exerçam, largas aqui com toda a largueza da omnipotência, mais estreitas além do que a choça de um servo. Um, nascido com aladas aspirações de conquista e de fé, trabalhando sobre as energias novas de um povo forte, revelará aos homens o segredo da Terra: — o outro, de índole peca, enlevado na importância da comadre e da couve, não cessará de esfolar os joelhos, no esforço de trepar aos muros para espiolhar as vidas e as couves alheias. Depois um, ao acompanhamento das liras épicas, penetra na imortalidade: o outro não passa do canto do muro, onde certamente o apedrejarão. Mas ambos eles, o criador de civilização e o criador de escândalo, obedeceram à mesma energia íntima de iniciativa descobridora. São dois espíritos governados pela curiosidade, a vil curiosidade, como lhe chama Byron, com romântica ignorância,... E de resto, sem essa qualidade vil, nunca o primitivo Adão teria emergido da caverna primitiva, e todos nós, mesmo o curiosíssimo Byron, permaneceríamos, através dos tempos, solitários e horrendos trogloditas."



quarta-feira, 11 de Julho de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo

Foto de Município de Borba.
Foto de Município de Borba.


Foto de Município de Borba.


domingo, 8 de Julho de 2018



Os nossos escritores

Manuel Alves Lapão

Rio de Moínhos-Borba

Lançamento do seu Livro em 8 de Julho de 2017


Foto de Jose Francisco Godinho.

"O dia 08-07-2017, marcou um dos momentos mais gratificantes da minha vida! Na citada data, consegui (apesar de um momento menos bom de saúde) concretizar mais um dos grandes desafios a que me submeti. Este desafio, teve como matéria implicante, escrever um livro e apresentá-lo publicamente, aos meus amigos e, ao publico em geral. Pelas 16 horas do citado dia, contando com a colaboração dos meus familiares, do Sr. Professor Doutor Júlio Rebelo, da editora Colibri e, da presença numerosa e acalorada de amigos, deu-se inicio ao momento mais desejado, o lançamento da minha obra literária e autobiográfica,“O Meu Livro”. 

Foto de Manuel Alves Lapão.

"No dia em que se celebra o 1º aniversário pós lançamento, quero deixar o meu agradecimento a todos quantos comigo colaboraram, a todos quantos se interessaram pela obra “O Meu Livro” e, aos que vêm diariamente demonstrando interesse na mesma. Por ser um livro diferente, por abordar temas reais, relacionados comigo, com a politica , com África etc,, os leitores têm-lhe tecido grandes elogios e aconselham a sua leitura!!"

Foto de O MEU LIVRO - Manuel Lapão.

"O Meu Livro, é em traços gerais a minha autobiografia, que relata a minha infância, a minha adolescência, os meus patrões, os meus mestres os meus colegas, os meus professores,
o meu percurso académico, a carreira profissional, o serviço militar, a passagem pela política
o matrimónio, os filhos, a família, os amigos, os clientes, os meus empregados, a minha terra
Rio de Moinhos e o seu excelente povo."




Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven


Sevilla de Isaac Albéniz. Antologia de la Danza Española

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/d1G8EKtJ2RM




Jordi Savall - Folías de España

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/5Frq7rjEGzs


Ao Encontro com a Escrita



"Foi a terra alentejana que fez o homem alentejano, e eu quero-lhe por isso. 
Porque o não degradou, proibindo-o de falar com alguém de chapéu na mão."

Miguel Torga




Resultado de imagem para ana cássia rebelo
Photo in Quetzal - Sapo
Ana Cássia Rebelo 




Madeira Perfumada 
"Acordei indisposta, com dores de cabeça. Vomitei no lavatório da casa de banho. Bati duas vezes com a cabeça na parede ao pensar nos textos que ontem aqui escrevi, também nas várias mensagens que enviei ao João Pedro. O álcool torna-me má, invejosa e miserável. Também me faz mal à pele. Vesti-me, lavei o rosto com água fria, beijei os meus filhos (dormiam ainda) e fui trabalhar. A meio da manhã, incapaz de me concentrar, fui à igreja de Nossa Senhora de Fátima. Sentei-me dentro de um dos confessionários, encostei a cabeça à madeira perfumada e adormeci. " 


Resultado de imagem para jose rentes de carvalho
Photo in https://www.noticiasaominuto.com

José Rentes de Carvalho 

Arejar
"Desde ontem caiu a temperatura para quatro abaixo de zero, o vento é quase de tempestade, há no ar um anúncio da neve que vai chegar antes da noite. Gente como eu fecha-se em casa, acende todas as luzes, põe o termostato a vinte e fantasia como será neste momento nas praias do Algarve. 
O geral dos holandeses também sonha com o Algarve, mas em dias assim, de frio sibérico, céu cinza e vento cortante, deixa-se tomar por um  estranho e muito nacional masoquismo: vão as famílias dar longos passeios na areia da praia, jurando que quanto mais afiada é a navalha da ventania, mais gozo dá, que fazem aquilo para arejar e  nada há que se lhe compare." 

 


Resultado de imagem para jose rodrigues migueis

Photo in http://caixadoslivros.wordpress.com




José Rodrigues Miguéis


O Natal do Clandestino


"Há cidades que parecem viver na intimidade dos dramas do mar; onde este está sempre presente, em convívio com os homens. E nada fala tanto ao coração errante e solitário, como este apelo eterno do mar junto dos cais.

Foi a um destes molhes meio esbarrondados que o navio atracou pela manhã de 24 de Dezembro, vindo do sol, do mar aberto e azul da África e dos trópicos: era um velho cargueiro esgalgado, de alta chaminé enfarruscada, com grandes remendos no casco a desfazer-se em ferrugem, e a linha de flutuação alguns palmos acima das ondas: uma dessas ruínas obscuras que singram vagarosamente os mares do mundo, coxeando, em busca de freguês, com roupas mal lavadas a enxugar pelos cordames e alguns marujos esquálidos acotovelados nas amuradas a olhar a terra estranha. 
Um destes navios que podiam ter inspirado um conto triste a Joseph Conrad ou Pierre Mac Orlan.

Trazia uma carga pobre e variada: óleo de palma, cocos, bananas em mau estado, amendoim, uns fardos de algodão, e um macaco mais ou menos domesticado, que adoecera em viagem e gemia numa cama de trapos, queixoso do inverno.

Vinha a bordo, também, um passageiro clandestino de que não rezavam os livros de navegação, um só, que não pagara a passagem, entregue aos cuidados cúmplices de um ou dois marinheiros: escondido nas entranhas gemebundas do calhambeque, num cubículo sem ara e sem luz junto às carvoeiras."



 



Tempo de reflexão


Resultado de imagem para bertrand russell
in https://www.timeshighereducation.com/features/culture/
the-pick-bertrand-russell-the-first-media-academic/418684.article

"A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na

rectaguarda para ver."

Bertrand Russell



Resultado de imagem para alexandre dumas

in https://es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Dumas

"O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes."

Alexandre Dumas 

         

Resultado de imagem para carl jung

in http://fabriziofalconi.blogspot.com/2012/06/

carl-gustav-jung-folgoranti-citazioni.html

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. 

Um é a sombra do outro."

Carl Jung


Resultado de imagem para thoreau

in http://www.jotdown.es/2012/12/las-situaciones-vi-

sobre-el-deber-de-la-desobediencia-civil-de-henry-david-thoreau/


"O amor não só deve ser uma chama,
mas uma luz."


Thoreau

Resultado de imagem para thoreau
in http://quotesgram.com/solitude-henry-david-thoreau-quotes/



in http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/05/

arqueologos-afirmam-ter-encontrado-tumba-do-filosofo-grego-aristoteles.html

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete."


Aristóteles



sexta-feira, 6 de Julho de 2018



Dia Mundial do Beijo

"O Love, O fire! once he drew
With one long kiss my whole soul through
My lips, as sunlight drinketh dew."
Tennyson 'Fatima' 1832


Foto de Lawrence Dooley.
Psyche Revived by Cupid's Kiss (Amore e Psiche, 
Psyché ranimée par le baiser de l'Amour) - 1787, Antonio Cánova (1757-1822)


O "Beijo" de Gustav Klimt

Klimt.jpg

Klimt.jpg

O "Beijo" de Rodin

rodin-beijo.png




Ettore Tito, 1859 –1941
Con la rosa en la boca, 1895


"Para ti meu amor, 
não é só hoje o nosso dia, ele renova-se em cada instante, em cada encontro, 
em cada ausência em que a lembrança nunca nos abandona! "

André Vide

Foto de CreARTività:il viaggio nell'arte.

Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam ...
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 

 Alexandre O'Neill

, in 'No Reino da Dinamarca'

Foto de CreARTività:il viaggio nell'arte.

Photo in CreARTività:il viaggio nell'arte

Dia do Beijo

Não há iguais!

Há os que com teus olhos me ofereces,...
Quando, ao longe, me vês de ti aproximar.

Há os que tentas conter em teus lábios,
Que te traem, soletrando o meu nome.

Há os que na boca, levemente, esquecidos,
Longos e sedosos, todo o corpo me arrepiam.

Há os que atrás do pescoço chupados, mordidos,
Húmidos, procuram meus ouvidos

Há os que pelas minhas costas, suavemente, sobem,
Deixando um rasto de ansioso desejo.

Há os que nos seios encontram a sua nascente
E descem o vale, para num mar de desejo desaguar.

Há os que me marcas nas coxas
Em busca do mais quente de mim.

Há os fogosos, que com a língua procuram a minha,
Me invadem, sem preconceitos ou inibições.

Há os de "dorme bem", ainda eufóricos,
Depois de me teres amado sem limites.

Há os que, ao acordar, me desejam "bom dia"
Quentes, preguiçosos, sorridentes, depois d'outros trocados.

Há os que dás, os que te roubo, 
os que desejo, 
os que tenho e os que sonho.
Mas sejam quando, onde ou como, 
São só, e todos eles, os que ambiciono.

Não há beijos iguais, aos teus!

Sara Junqueiro


Photo in http://musee.louvre.fr/oal/psyche/psyche_acc_fr_FR.html

Foto de CreARTività:il viaggio nell'arte.
Gustave Klimt, il bacio



terça-feira, 3 de Julho de 2018


"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos

Portalegre


"UM 'SÃO MIGUEL E AS ALMAS' DE PEDRO NUNES. Este belo quadro maneirista de início do XVII que existe na igreja de São Lourenço em Portalegre reclama restauro, com perdas de camada pictórica, feridas no suporte e alguns repintes hodiernos, esperando-se que, tal como Ruy Ventura acaba de advogar, possa ser criteriosamente intervencionado a curto prazo. Tem de ser também estudado: a meu ver, mostra características de estilo que o tornam filiável na órbita de PEDRO NUNES (1586-1637), o melhor pintor eborense da 'Contra-Maniera' italianizante. Dediquei muitos anos de vida a estudar este homem, que na sua época teve fama de excelência como pintor. Segui-lhe o rasto até Roma, onde estadeou com apoio mecenático do Arcebispo D. José de Melo, chegando a ser académico de São Lucas, em 1613, e em Barcelona, onde trabalhou em 1615, no regresso à pátria. A sua obra-prima, a grande 'Descida da Cruz' da Capela do Esporão da Sé de Évora, pintada c. 1620, larga composição neo-rafaelesca, constitui a obra máxima do último Maneirismo na pintura portuguesa. Esta tábua de Portalegre atesta idênticas qualidades de desenho, perfeccionismos de pose e uma cultura romanista só explicável por uma experiência 'de visu' na Cidade Eterna.

Cf. o meu estudo «Pedro Nunes (1586-1637): um notável pintor maneirista eborense», Boletim 'A Cidade de Évora', nºs 71-76, anos XLV-L, nº de homenagem a Túlio Espanca, 1988-1993 [Évora, 1994], pp. 1

05-138."
                                                                             Vitor Serrão


 Foto de Vitor Serrão.Pedro Nunes (?), S. Miguel e as Almas, pormenor, c. 1620-25. Igreja de São Lourenço de Portalegre.

 Foto de Vitor Serrão.Pedro Nunes (?), S. Miguel e as Almas, c. 1620-25. Igreja de São Lourenço de Portalegre.

 Foto de Vitor Serrão.

 Foto de Vitor Serrão.Pedro NUNES, Nª Sª do Carmo e Santo Alberto, pormernor (Évora, igreja do Carmo). Cª 1625.
 Foto de Vitor Serrão.Pormenor da tábua de Pedro NUNES, Nª Sª dos Remedios, c. 1618-20 (Évora, igreja de Nª Sª dos Remédios). Este quadro, pintado ao regressar de Roma, segundo um modelo de Guido Reni (1595, Reggio Emilia) nas figuras dos mendigos e do estropiado. Foto de Vitor Serrão.Pedro NUNES, Descida da Cruz, pormenor (Capela do Esporão da Sé de Évora, c. 1620)
                                                            in FB-Vitor Serrão




segunda-feira, 2 de Julho de 2018


Celeiro da Poesia

"A poetisa polaca Wisława Szymborska, Prémio Nobel da Literatura em 1996, faria hoje 95 anos.
Oiçamo-la recitar o seu poema "Miłość szczęśliwa" / "Amor feliz". Diz ela que o amor feliz "parece mesmo um acordo nas costas da humanidade". Veja em que contexto, na tradução que deixamos, feita por Júlio Sousa Gomes a partir do polaco, in "Paisagem com Grão de Areia", Relógio D'Água, 1998, p. 137-139.

Resultado de imagem para Wisława Szymborska, Prémio Nobel da Literatura em 199

AMOR FELIZ . Amor feliz. Será normal, será sério, será útil? -- que tem o mundo a ver com duas pessoas que não vêem o mundo? . Erguidos ao seu céu sem mérito nenhum, os melhores entre milhões e convencidos que assim tinha que ser -- a premiar o quê? Nada; de algum ponto cai a luz --
mo aos amigos! Ouçam bem como se
e porquê logo estes e não outros? Ofenderá isto a justiça? Sim. Perturbará os princípios estabelecidos com cuidado? Derrubará do seu púlpito a moral? Perturba e derruba. . Olhem-me bem estes felizardos: se ao menos se mascarassem um pouquinho, fingissem melancolia dando assim algum ân
iriem -- é um insulto. A linguagem que usam -- entendível, pelos vistos. E aquelas cerimónias, etiquetas, obrigações rebuscadas um para com o outro -- parece mesmo um acordo nas costas da humanidade. . É difícil até de prever no que daria se um tal exemplo pudesse ser seguido.
s nascem sem a sua ajuda. Nunca por nunca ele poderia
Com que é que poderiam contar as religiões, a poesia, de que nos recordaríamos, de que desistiríamos, quem quereria pertencer ao círculo? . Amor feliz. Assim terá que ser? Tacto e bom senso mandam omiti-lo como a um escândalo nas altas esferas da Existência. Magníficas crianç
apovoar a terra já que tão raro é acontecer. . Deixem que quem não conheceu o amor feliz afirme que nunca há amor feliz. . Com esta crença mais leve lhes será tanto viver como morrer." .
.

in A Vida Breve

Foto de Marco Marchi.
Photo in Marco Marchi

"Perguntaram-lhe:
Qual a razão para uma obra tão escassa?
Respondeu:
Escrevo os poemas à noite, mas relei-os à luz do dia, e nem todos sobrevivem."

Wislawa Szymborska (in Cais do Olhar)
Resultado de imagem para Wisława Szymborska, Prémio Nobel da Literatura em 199
Photo in Jornal Rascunho


Prefiro cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos nas margens do Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievski.
Prefiro-me gostando dos homens 
em vez de estar amando a humanidade.
Prefiro ter uma agulha preparada com a linha.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não afirmar 
que a razão é culpada de tudo.
Prefiro as excepções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro conversar com os médicos sobre outra coisa.
Prefiro as velhas ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de escrever poemas 
ao ridículo de não os escrever.
No amor, prefiro os aniversários não redondos 
para serem comemorados cada dia.
Prefiro os moralistas, 
que não me prometem nada.
Prefiro a bondade esperta à bondade ingénua demais.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países conquistados aos países conquistadores.
Prefiro ter objecções.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro os contos de fada de Grimm às manchetes de jornais.
Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro os cães com o rabo não cortado.
Prefiro os olhos claros porque os tenho escuros.
Prefiro as gavetas.
Prefiro muitas coisas que aqui não disse, 
a outras tantas não mencionadas aqui.
Prefiro os zeros à solta 
a tê-los numa fila junto ao algarismo.
Prefiro o tempo dos insectos ao tempo das estrelas.
Prefiro isolar.
Prefiro não perguntar quanto tempo ainda e quando.
Prefiro levar em consideração até a possibilidade 
do ser ter a sua razão.

Wislawa Szymborska, poetisa polaca, Prémio Nobel da Literatura em 1996.


Wisława Szymborska - Un amore felice [Miłość szczęśliwa] (SUB ITA)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/8MJIWBCVTRs



"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos


VILA VIÇOSA

O segredo dos escravos reprodutores 


"Reprodução de “Chafariz d’el Rey no séc. XVI” (pintura flamenga, 1570-80, de autor desconhecido, óleo sobre madeira, 93 x 163 cm, Coleção Berardo), onde são visíveis vários africanos a desempenhar diferentes tarefas. Na imagem mais pequena, reprodução da primeira página do documento que está na Biblioteca Nacional da Ajuda, cópia do século XVIII do original de Venturino, que relata o episódio dos escravos reprodutores de Vila Viçosa. Ao lado, imagem atual do espaço onde existiu a “ilha” no paço ducal da Casa de Bragança, então habitado por escravos. Ainda hoje os trabalhadores referem-se à zona pelo mesmo nome."

Desumanização. Documento pouco conhecido do século XVI relata criação de escravos, em Vila Viçosa, como se fossem cavalos para reprodução


"A passagem foi escrita em italiano, no século XVI, e é assim que surge no espólio da Biblioteca da Ajuda. Traduzida, revela um português estranho aos leitores contemporâneos e uma realidade difícil de acreditar. “Tem criação de escravos mouros, alguns dos quais reservados unicamente para fecundação de grande número de mulheres, como garanhões, tomando-se registo deles como das raças de cavalos em Itália. Deixam essas mulheres ser montadas por quem quiserem, pois a cria pertence sempre ao dono da escrava e diz-se que são bastantes as grávidas. Não é permitido ao mouro garanhão cobrir as grávidas, sob a pena de 50 açoites, apenas cobre as que o não estão, porque depois as respetivas crias são vendidas por 30 ou 40 escudos cada uma. Destes rebanhos de fêmeas há muitos em Portugal e nas Índias, somente para a venda de crias.”

O relato da existência de escravos reprodutores no Paço Ducal de Vila Viçosa, a mais importante casa nobre portuguesa, foi feito por João Baptista Venturino da Fabriano, secretário do cardeal Alexandrino Miguel Bonello, enviado papal à corte portuguesa em 1571 para propor Margarida de Valois como noiva de D. Sebastião. A união do rei de Portugal com a filha de Henrique II e Catarina de Médici — que acabaria por casar-se no ano seguinte com Henrique IV e tornar-se a rainha Margot de França, célebre pela morte de milhares de protestantes —, não se concretizou. E quanto aos escravos, nada mais se soube.

No século XVI viveriam 350 pessoas no paço ducal e a criação de escravos teria lugar num terreno ao lado da casa principal, uma zona ainda hoje conhecida pelos trabalhadores locais como a “ilha”. Atualmente só resta o chão, coberto de pedras, nas imediações do picadeiro e do local onde terá estado o torreão onde, em 1512, foi degolada D. Leonor, de 23 anos, pelo seu marido, o quarto duque de Bragança, D. Jaime, acusada de ter um pajem de 16 anos por amante.

O paço era então liderado pelo sexto duque de Bragança, D. João I, que três anos mais tarde acompanhou D. Sebastião na primeira incursão em África, levando com ele 600 cavaleiros e dois mil infantes. Não participou, contudo, na desastrosa expedição de 1578 devido a violentas febres, tendo enviado o primogénito D. Teodósio II, que com dez anos foi ferido em Alcácer-Quibir e viria a ser pai de D. João IV, aclamado rei de Portugal em 1640.

O “segredo”, com mais de 400 anos, continua a ser desconhecido por muitos dos investigadores da escravatura em Portugal. Os historiadores que o conhecem defendem que o episódio tem de ser estudado para que se compreenda se foi um caso único ou se representa a ponta de um novelo espesso.

O primeiro a ficar incomodado com o relato foi Alexandre Herculano, no século XIX. Nos “Opúsculos”, volume VI, refere o texto de Venturino, com pudor: “Falando dos escravos, a linguagem do autor é bastante solta, e por isso não transcreveremos esta passagem. Basta saber que estes desgraçados eram considerados e tratados como as raças de cavalos em Itália, e pelo mesmo método, que o que se buscava era ter muitas crias para as vender a trinta e quarenta escudos”.

Foram as lacunas de Herculano que levaram Jorge Fonseca, estudioso da escravatura, a procurar o documento original. Encontrou-o na Biblioteca da Ajuda, traduziu a passagem e publicou-a em 2010 no livro “Escravos e Senhores na Lisboa Quinhentista”. Um ano depois, Isabel Castro Henriques, a maior especialista portuguesa da área, cita-a em “Os Africanos em Portugal, História e Memória, séculos XV-XXI”. E é ela quem mais se insurge com a inexistência de estudos: “Impõem-se investigações rigorosas. Este é um documento de extrema violência, em que os escravos são tratados como cavalos. A investigação é difícil mas tem de ser feita”, afirmou recentemente numa conferência sobre a escravatura, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

Sinais de alerta

Antes de Venturino, Nicolau Clenardo escrevera cartas em que, embora não tão explícita, é referida uma estrutura de produção com fins comerciais: “Os mais ricos têm escravos de ambos os sexos e há indivíduos que fazem bons lucros com a venda dos filhos das escravas nascidos em casa. Chega-me a parecer que os criam como pombas para levar ao mercado. Longe de se ofenderem com as ribaldias das escravas, estimam até que tal suceda.” Testemunha do Portugal do século XVI, Clenardo chegou ao país em 1533 para ser mestre do infante D. Henrique, irmão do rei D. João III e sem meias-palavras, relatou: “Mal pus os pés em Évora, julguei-me transportado a uma cidade do inferno: por toda a parte topava negros.”

Na publicação “A herança africana em Portugal”, Isabel Castro Henriques explica que “desde o início de quinhentos, os autores sobretudo estrangeiros davam conta de uma atividade de produção, marcada por um carácter insólito e cruel: a criação de escravos, como se de animais se tratassem, destinada a abastecer o mercado nacional, mas também para exportação”. E transcreve uma passagem da Collecção da Legislação Portuguesa (1763-1790), que denunciava a existência de pessoas “em todo o Reino do Algarve, e em algumas províncias de Portugal (que tinham) escravas reprodutoras, algumas mais brancas do que os próprios donos, outras mestiças e ainda outras verdadeiramente negras, (designadas) ‘pretas’ ou ‘negras’, pela repreensível propagação delas perpetuarem os cativeiros”.

Questionada sobre as razões da falta de estudos sobre os escravos, Mafalda Soares da Cunha, professora da Universidade de Évora e considerada a mais importante estudiosa da Casa de Bragança, não tem dúvidas: “A investigação histórica mais recente, incentivada pelas novas agendas historiográficas internacionais, começa a tratar de forma mais sistemática e menos dependente ideologicamente da questão da presença dos escravos na história de Portugal. Os resultados são manifestamente insuficientes, mas o tema deixou de ser maldito e silenciado como o foi no passado mais recente. Creio mesmo que desperta interesse entre as gerações mais jovens de historiadores que, de certa forma também entendem o estudo da escravatura como uma forma de participação nas lutas pelos direitos humanos. Mas ainda estamos num estádio muito embrionário.”

Fantasmas históricos, os escravos não são personagens principais. “O estudo de populações com pouco acesso à escrita e aos recursos de poder é sempre difícil. Não sendo atores reconhecidos pelo sistema político, pouco falam por si, a menos que colidam com o sistema instituído. As referências de época são muitas vezes indiretas e distorcidas e os conhecimentos desses grupos, e em particular dos escravos, exige sempre um esforço grande de desconstrução das visões dominantes da época e dos contextos em que se produziram as referências”, explica a especialista.

Há pouca informação, por exemplo, sobre os escravos agrícolas porque a sua existência não tinha outro interesse para a época senão como parte dos equipamentos de uma qualquer exploração agrícola. Mas como sublinha Mafalda Soares da Cunha, “eles existiam e agiam”. Num artigo na revista “Callipole”, Jorge Fonseca relata que o duque D. Teodósio I, em 1564, teria 48 escravos, dos quais 20 serviam na estrebaria, quatro na cozinha e na copa e quatro eram varredeiros, entre outras funções. A contabilização parece ser o mais longe que se consegue ir.
Quanto ao episódio dos reprodutores, relatado por Venturino, Mafalda Soares da Cunha desconhecia-o antes do contacto do Expresso e alerta ser necessário perceber o contexto do relato para compreender a intencionalidade da narrativa e a sua veracidade, mas conclui: “Não excluo evidentemente a possibilidade. A documentação que conheço da Casa de Bragança é totalmente omissa quanto a isso, mas a probabilidade de acontecer parece-me evidente."

Perguntas & Respostas

Quando chegaram a Portugal os primeiros escravos africanos?
Os primeiros escravos negros entraram em Portugal ainda no século XV, através de Marrocos, havendo registo de apreensões desde 1441, embora o uso de mão de obra escrava fosse largamente difundido desde o século XIV. Em 1444 teve lugar o primeiro carregamento de 235 escravos, trazidos do Golfo de Arguim, atual Mauritânia. O próprio Infante D. Henrique terá estado presente no primeiro leilão de escravos em Lagos, o passo inaugural para um importante negócio de exportação sobretudo para Sevilha, Cádis e Valência.

Quantos escravos existiam em Portugal no século XVI?
Lisboa abrigava quase dez mil escravos, o que equivaleria a cerca de 10% da população da capital na altura. A maior parte dos escravos encontrava-se no Algarve, região seguida pelo Baixo Alentejo, Vale do Tejo e pelo distrito de Évora. No século XVII, o número diminuiu substancialmente devido ao desvio para o cultivo de açúcar no Brasil.

Qual a influência da procura de escravos no continente americano no seu preço?
A partir de 1540, o aumento da procura de escravos para as plantações de açúcar nas Antilhas, primeiro, e depois no Brasil, fez com que o preço dos escravos aumentasse exponencialmente, tendo sido registada uma valorização de mais de 500% em três décadas, segundo o historiador António de Almeida Mendes.

Quais os escravos mais cobiçados pelo tráfico negreiro?
Os escravos “minas”, originários da Costa da Mina, no Golfo da Guiné (Gana, Togo, Benim e Nigéria), eram os mais procurados nos mercados consumidores, devido à maior resistência física. Os “angolas” eram considerados mais frágeis e com uma maior tendência a cometer suicídio. Em 1644, um decreto do D. João VI autorizaria os comerciantes a comprarem diretamente a mão de obra àquela região, como explica o historiador João Pedro Marques no livro “Portugal e a Escravatura dos Africanos”.

Quantos escravos morriam nas viagens nos navios negreiros? 
Cerca de um quarto dos escravos morria durante o transporte transatlântico. Outros, cujo número é difícil de precisar, morriam nas viagens do interior até aos portos de embarque. Alguns, ainda, não resistiam à espera pelo embarque nos navios. Chegados ao destino, a vida nas colónias também os matava, o que permitiria totalizar a morte acumulada em todo o processo num patamar superior a 70%.

Qual o maior destino mundial de escravos?
O Brasil, entre meados do século XVI e até cerca de 1850, quando 42% do tráfico negreiro, o equivalente a cinco milhões de pessoas, terá partido de África em direção ao território brasileiro. Estima-se que atualmente cerca de um terço da população brasileira descenda de angolanos. Os maiores traficantes mundiais de escravos foram os portugueses radicados no Brasil.

Portugal foi o primeiro país a acabar com a escravatura?
Não. Em 1761, o marquês de Pombal, através de um alvará régio, acabou com o tráfico de escravos para a metrópole. A 10 de dezembro de 1836, uma lei proibiu o tráfico de escravos nos domínios portugueses ao sul do Equador. A escravatura continuou no Brasil até 1888, quando o país já era independente. Portugal só a aboliu totalmente em 1875. Em 1794, o Haiti foi o primeiro país a abolir a escravatura na sequência de uma revolta de escravos, seguindo-se a Dinamarca em 1804.


Texto publicado na edição do Expresso de 5 dezembro 2015

artigo de Christiana Martins



sábado, 30 de Junho de 2018



Em Borba- 13 Mezinhas da Avó

pode ler


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare
in BEMDEMAIS  QUALIDADE de VIDA


Benefícios no consumo de Beterraba
Beterraba-2

Beneficio no consumo de Favas





quarta-feira, 27 de Junho de 2018

 
Alentejo-Gastronomia

Receitas Culinárias do Alentejo

Assada de Peixe

CRATO

Resultado de imagem para  barbos

Photo in http://linhaceira.net/barbos-de-molhata/


Ingredientes:

Para 4 pessoas
1 kg de peixes do rio (achigãs ou barbos) ;
1 molho de poejos ;
2 dentes de alho ;
malagueta ;
2 dl de azeite ;
1 dl de vinagre ;
sal

Confecção:

Amanha-se o peixe e dão-se-lhe uns golpes.
Grelham-se em lume de carvão e colocam-se numa travessa.
À parte pisam-se num almofariz as folhas de poejo, os dentes de alho, sal e malagueta (a gosto). Deita-se esta papa noutro recipiente e mistura-se com o azeite, o vinagre e o molho que escorreu do peixe (e que está na travessa). Prova-se e deita-se o molho sobre o peixe.
Acompanha-se com batatas cozidas ou fritas.
     

    fonte: Editorial Verbo      

in ROTEIRO GASTRONÓMICO DE PORTUGAL


Ao encontro com os nossos Escritores

José Rodrigues Miguéis


"- Zé Gomes: os sonhos de juventude realizam-se sempre. Se não
aos trinta, aos quarenta anos… Ou aos cinquenta… Ou aos sessenta… 
Mas realizam-se sempre… 
A questão está em querê-lo bem do fundo dos ossos!"

José  Rodrigues Miguéis em conversa com José Gomes Ferreira 





"Paços Confusos

José Rodrigues Miguéis
Capa: José Luís Tinoco
Editorial Estampa, Lisboa, Setembro de 1982

Saiu dali aliviado e contente com uma descoberta que lhe vinha alargar o âmbito
da pesquisa, senão confundi-la mais. Pouco a pouco iria aprendendo que não se 
pode falar da loucura, da angústia, da embriaguez, da doença ou da morte, 
durante as crises que elas determinam; e que a criação, como acto de vontade, é
sempre uma rememoração ou transposição.
«E no entanto» - diria ele muitos anos depois, ao discutir com ela estes 
problemas - «se a idade e as circunstâncias mo permitissem, creio que
recomeçaria a vida com os mesmos erros, lutas, ilusões e tormentos.
São eles, afinal, que a tornam fecunda e nos
reconciliam com a nossa fraqueza!»

(Citação do conto O «Breakdown»)"         


"Uma Aventura Inquietante

José Rodrigues Miguéis
Capa: Infante do Carmo
Iniciativas Editoriais, Lisboa, Dezembro de 1958

Melhorou o trem de vida: voltou aos concertos, foi a Bruges ver o Memling, deu um 
passeio de autocarro às Ardenas. Mas era a gostosa monotonia de sempre:
o escritório, um café, as revistas e os livros, uma conversa anónima, uma 
volta pelos bulevares atormentados e, sobretudo, os serões pacatos, de solteirão
em pantufas, diante da mica doirada do fogão – ah, na verdade, em pouco consiste
a felicidade dum homem de escassas ambições e pouco mais dinheiro! Para se colar
relia os moralistas, memorizou e mandou copiar em pergaminho, com uma linda 
caligrafia gótica, para emoldurar e pendurar no escritório, esta frase de Frei Heitor
Pinto, quase única no florilégio do pensamento português: «Quem quiser ser rico 
não aumente na riqueza, mas diminua na cobiça; não é pobre o que tem pouco,
mas o que deseja muito.»
in Cais do Olhar.blogspot.pt




Visite o Alentejo


ALENTEJO - VIVER E MORRER CONTIGO 
Trabalho de Luís Milhano  

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/p1i6LNtJXqs

A nossa música e seus intérpretes

"Uma casual deambulação lírica pela cidade, na companhia do Manuel da Fonseca, acabou por levar-nos até à beira-rio, à hora em que os barcos da outra banda entornam sobre o Terreiro do paço a mancha negra de gente que rebressa de um dia de trabalho. Um pequeno grupo de homens do povo e de soldados adiantou-se a cantar. Alentejanos, sem dúvida alguma. E mais não foi preciso para que o Manuel saltasse para o meio dos desconhecidos e, sem hesitação, juntasse a sua voz à dolorosa voz colectiva da terra alentejana, ali orgulhosamente ostentada. Vieram-me as lágrimas aos olhos, de espanto e comoção. Mas com os alentejanos é assim. Está-lhe na massa do sangue. Todos os pretextos lhe servem para o canto em comum. Uma polifonia bárbara, de raiz ancestral e apreendida por instinto de geração em geração, quando muito reditível a arquétipos, mas insubmissa a regras."

João José Cochofel, em Opiniões Com Data
Lisboa, Novembro de 1945




Grupo de Violas Campaniças de Castro Verde 
Trabalho de João Casqueira

Grupo de Violas Campaniças de Castro Verde - Homenagem a ' Charro d'Alvito' Firminiano Carvalho Marques e José Ernesto Marques . 40ª Aniversário do Grupo de Cante Coral Alentejano de Alvito " Os Papa-Borregos, 19-06-2016

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/d0OyOOld7y4



ALENTEJO - ONDE SE É FELIZ !  
Trabalho de Luís Milhano

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/h2jfZwXJsOo




domingo, 24 de Junho de 2018



Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Foto de National Gallery of Art.
William Michael Harnett, "The Old Violin," 1886, 
oil on canvas, National Gallery of Art, Washington, 


"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven


"Onde há música não pode haver coisa má."

Miguel Cervantes


Yumeji's Theme (From "In the Mood for Love") 

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/AhbM9mKsQfM

Jorge Palma, Sérgio Godinho - Dá-me Lume (Live)

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Fj-ezvoqH1o


David Bowie - Life On Mars

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/_kPDJQBtHaY




sábado, 23 de Junho de 2018


Os Pilares do Cante Alentejano

Entrevista  ao Dr. José Rabaça Gaspar

por

Adriano Bastos

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/xvCMjKUshoo



A nossa Música...outras sonoridades

"Nao quero que vás á monda"(tradicional Alentejo)* - Ronda dos Quatro Caminhos
*Orquestra Sinfónica de Cordoba
Coros-Rancho de Cantares de Aldeia Nova de S.Bento
solo-Duarte Macias
alto-Joao Carrilho

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/zYHrUtiG7yU



sexta-feira, 22 de Junho de 2018



Recordar 



João Rita

Recordamos este nosso Amigo, cujo contributo para a Cultura Borbense ficará para
sempre marcado pela autenticidade do seu canto, seu longo amor ao fado e à  sua divulgação, bem 
como pelo partilhar a felicidade cantando o que lhe provinha da alma, do seu profundo sentir. 

João Rita fado, Filho e Neto

Vídeo do YouTube

   
https://youtu.be/wt3ruGjxcxo

Fado

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/lVglzC38sbo



Tempos de necessária reflexão e acção


FOGOS V
UMA FLORESTA HUMANIZADA


A floresta não é uma mera carta geográfica onde se desenham e onde podem estar, ou não, estas ou aquelas espécies, faixas de contenção, ou outas conforme se entender nos gabinetes, nas cidades ou onde quer que seja.
A nossa floresta é humanizada, tem casas, aldeias, pessoas! 
A desertificação humana afectou de facto muito do nosso interior, mas ninguém pense que tudo se resolve evacuando as pessoas ou apoderando-se dos seus terrenos porque supostamente estão abandonados… ou estarão com “matos”… vegetação que também cumpre o seu papel ecológico?
Quando alguns falam em “ordenamento do território” fico sem saber o que exactamente querem e muitas vezes parece mais um chavão do que outra coisa. Porque à partida todos estarão de acordo… mas de acordo, com quê? 
O cadastro é outra justificação em voga. Não nego a importância do cadastro, mas alguma vez a sua ausência impediu que se fizessem barragens, estradas, Rede Eléctrica Nacional (REN) ou outras? E todas elas implicaram negociações com os pequenos proprietários e inclusive indemnizações… e não os encontraram? E por baixo da REN é proibida a existência de árvores que atinjam determinada altura e cumpre-se ou não? Pena é que por vezes não paguem o devido aos proprietários… E as Zonas de Caça Associativas também foram feitas sem existência de cadastro…
Quando atacam e acusam o minifúndio o que desejam é de facto apoderar-se das terras, proceder à concentração da terra… nas mãos de quem? 
Quando não têm soluções, saber, capacidade técnica, debitam os dois chavões: ordenamento do território e eliminação do minifúndio. Mas o latifúndio também arde…
Mas o minifúndio foi sempre o principal fornecedor de madeira para as diversas indústrias. O minifúndio também promove a biodiversidade, quanto mais não seja porque não gera uniformidade, mesmo em termos de idade dos povoamentos. O mais importante é uma boa gestão dos espaços florestais.
O pequeno proprietário aprendeu a escolher as melhores plantas, a fertilizar o solo, a cuidar.
Também nas zonas do minifúndio é possível fazer “limpezas de mato”. Não é preciso “limpar” tudo, basta fazer em faixas, criar descontinuidade. O sub-bosque também é essencial para a fauna. Volto a afirmar: é necessário saber, técnica, Engenharia Florestal. E existem engenheiros florestais e boas Universidades e Escolas Superiores/Politécnicos que podem formar novos licenciados ou bacharéis.
Quando se retira o “mato” está também a exportar-se nutrientes que são essenciais para o solo, é preferível integrá-los na terra, com grade de discos, ou corta-matos ou proceder à sua eliminação com fogo controlado.
A utilização de fogo controlado exige saber, mas felizmente hoje já temos técnicos competentes com domínio dessa arte.
E o pastoreio… as cabras são as melhoras máquinas roçadoras, não têm gasto de combustível, limpam, comem os “matos”, cagam i.e. estrumam e no final os cabritos ainda são rendimento.
Tudo isto pode ser feito, organizado, pelas Associações de Proprietários Florestais. Também é para isso que elas existem.
O apoio económico que for dado para esses tipos de intervenção é um investimento que se multiplicará n vezes na poupança de recursos e meios que se desperdiçam no combate aos fogos. Vale mais prevenir do que remediar, não é?

Vasco Paiva





domingo, 17 de Junho de 2018



17de Junho de 1665-2018




O maior Padrão Nacional à Paz

  


Borba

D.Rodrigo da Cunha Ferreira-Montes Claros-Padrão à Paz -Nossa Senhora da Vitória

foto de www.radionova.fm

Através do Link abaixo, veja importante documentário sobre nossa terra, seu passado glorioso e de sofrimento com o Professor Doutor José Hermano Saraiva


http://ensina.rtp.pt/artigo/a-batalha-de-montes-claros/



FIBRA ALENTEJANA


 
A COMEMORAR O 1º DE DEZEMBRO DE 2013 recordamos aqui o LIVRO do nosso conterrâneo que se passa entre 1 de DEZ de 1640 e a Batalha das Linhas de Elvas e a de Montes Claros (BORBA) que garantiram a nossa INDEPENDÊNCIA 28 anos depois...

FIBRA ALENTEJANA
Romance Histórico

2013 MARÇO 26

O novo romance de José Russo da Silva

Texto da introdução em o autor nos leva até Borba no Século XVII...
«Sonhei com a terra onde nasci, como seria há quatrocentos anos atrás.
Escrevo em imaginário gerações do passado que coloco no papel porque gosto de escrever.» 

VER A NOVA PÁGINA dedicada a este autor:
LIVROS de JOSÉ RUSSO da SILVA

PODE VER AQUI -  MAIS SOBRE ESTE AUTOR DE BORBA
http://www.joraga.net/ZeRusso/pags/pag01.htm



Borba-Montes Claros-Convento da Luz-Ermida de N.Senhora da Vitória

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/GDTGcnCDJN4

Foto de Município de Borba.



sexta-feira, 15 de Junho de 2018



VISITE BORBA

 Fotografias de Paula Matos




 




 



 
 



 
 



 
 








 





 
 


quinta-feira, 14 de Junho de 2018





Borba Inspiradora


                                          Memórias de Francisco Pardal

"Deste nosso pregoeiro, contava-se que só bebia copos de três tostões. No seu aspecto de pobre de Job, veio a falecer de repente num inverno de frio rigoroso, mas com nove tostões no bolso, ao que se dizia, com ar de graça que, ainda chegava para três copos de três. Todas as povoações têm as suas figuras públicas que, ficam referenciadas na história dos povos.


São assim estas personagens que, dão vida e servem de exemplo às sociedades, compostas pelos mais diversos critérios, mas que devem ser aceites e acolhidas como figuras que existem para servir e merecem, que ao serem recordadas, nos fazem sentir o que representam para os nossos dias, a saudade das pessoas daqueles tempos.
Merecem a nossa estima..." 
(Fotografia de José Galhanas)




quarta-feira, 13 de Junho de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo



Foto de Município de Borba.



Tempo de Reflexão


 
 MARGUERITE YOURCENAR - 8 DE JUNHO, 1903
"A PALAVRA ESCRITA ENSINOU-ME A ESCUTAR A VOZ HUMANA" Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros. Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira. MARGUERITE YOURCENAR, in 'MEMÓRIAS DE ADRIANO' (tradução de Maria Lamas)





"......Penso que o futuro vai depender do desenvolvimento cultural das populações. E em Portugal pensa-se muito pouco nisso. Há formas de cultura que estão a desaparecer ou já desapareceram. Culturas da ruralidade, tradicionais, que desapareceram – e no seu lugar ficou zero, uma simples informação baralhada e mínima. Isto é grave." 

                                     Sophia de Mello Breyner Andresen







segunda-feira, 11 de Junho de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo


Borba

Exposição de Fotografia


Está a decorrer em Borba no Celeiro da Cultura uma Exposição de Fotografia de Paula Matos, iniciativa Cultural de Parceria entre a Câmara Municipal de Borba e a Associação dos Amigos de Borba-Associação para a Cultura. A Exposição foi inaugurada no dia 9 de Junho e decorrerá até 30 de Junho.
 
De segunda a sexta-feira das 9h às 13h/14h às 17H
- aos Sábados e Domingos das 10h às 17h.



 


 
 

 
 

 
 

 
 

 
 

 










domingo, 10 de Junho de 2018 


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven

"Ruhe sanft, mein holdes Leben" from Mozart's "Zaide" - Mojca Erdmann

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/zptXYtud_GY


Boccherini - Fandango - Castanets

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/QrdeD8LLoCM

 


Ao Encontro com os nossos Escritores


Fernando Namora

Resultado de imagem para Fernando Namora

photo in http://fernando-namora.blogspot.pt/2011/05/do-romance-as-narrativas-das-sete.html


Poema da Utopia
A noite caiu sem manchas e sem culpa.
Os homens tiraram as máscaras de bons actores.
Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde. 
No alto, a utópica lua, vela comigo
e sonha inutilmente com a verdade das coisas. 
- Noite! Deixa-nos também dormir... 

Fernando Namora, in 'Relevos'



José Rentes de Carvalho

Resultado de imagem para rentes de carvalho

photo in torredemoncorvoinblog.blogspot.pt


Respeitar as opiniões alheias é um dever fácil de cumprir, compreendê-las é que por vezes requer esforço, delicadeza, paciência, boa vontade. O problema dá-se quando nelas é evidente a ganância, a mesquinhice, o pequenino interesse, a falsidade, a cobardia.

Daí que pouco a pouco nos vamos (me vou) dando conta da inutilidade de discutir, quando a discussão espelha convicções e estados
de alma que é melhor e mais saudável ignorar.


Alexandre O’Neill

Resultado de imagem para alexandre o´neil

photo in macroscopio.blogspot.com



FIM DE SEMANA


Estirado na areia, a olhar o azul, 

ainda me treme o parvalhão do corpo,

do que houve que fazer para ganhar o nosso,

do que houve que esburgar para limpar o osso, 

do que houve que descer para alcançar o céu, 

já não digo esse de Vossa Reverência,

mas este onde estou, de azul e areia,

para onde, aos milhares, nos abalançamos, 

como quem, às pressas, o corpo semeia.

Alexandre O’Neill [in "Poesias Completas", Assírio & Alvim]



Vergílio Ferreira


Resultado de imagem para vergilio ferreiraphoto in lagash.blogs.sapo.pt



Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'


Al Berto

Resultado de imagem para al berto

photo in http://revistamododeusar.blogspot.com/2008/07/al-berto-1948-1997.html


escrevo-te a sentir tudo isto
e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata da
fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto ao
fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco morde a
sua imobilidade

habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de romã
repara
como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

Al Berto, in "Trabalhos do Olhar"


Sophia de Mello Breyner Andresen

Resultado de imagem para Sophia de Mello Breyner Andresen

"Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
...
Como se a maré nunca as levasse
... Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma."

Sophia de Mello Breyner Andresen






quarta-feira, 6 de Junho de 2018



Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo


Borba

Exposição de Fotografia


No próximo Sábado, dia 9 pelas 15horas

irá decorrer a abertura de uma Exposição de Fotografia no Celeiro da Cultura em Borba de Paula Matos, iniciativa Cultural de Parceria entre a Câmara Municipal de Borba e a Associação dos Amigos de Borba-Associação para a Cultura. 




 


Foto de Município de Borba.
 

Foto de Paula Matos.

"A Fotografia existe para ser partilhada e nos tempos actuais, com os meios disponÌveis ultrapassa fronteiras , não conhecendo distâncias. Esta  exposição, de Paula Matos é um encontro com a Fotografia com alma, recheada de imagens singulares e mágicas , num registo de ìmpares momentos com  mensagem. Nos trabalhos expostos, temos o seu olhar sobre os silêncios num registo a preto e branco que evidencia a beleza dos mesmos .
O desafio que aceitou de expor os seus belos trabalhos é a resultante dum trabalho sério, persistente e de estudo, que lhe permitiu atingir um nÌvel apreciado por todos que se dedicam a esta nobre Arte e, aos que a admiram como registo de momentos irrepetÌveis e imutáveis.
Vários temas percorrem a sua obra, mas o tema natureza está presente em grande número dos trabalhos produzidos até agora.
Há sim, uma grande diversidade com um olhar próprio. Diria mesmo que existe uma escrita própria do seu olhar.
Pára  para  apreciar os animais, o velho casario, as ruelas e seus belos candeeiros, as pontes, as flores, as pessoas no seu labor e solidão onde a água está presente.
Trabalha com mestria a luz e o seu controle, com uma técnica perfeita de seleção, o das zonas de maior nitidez e indispensável enquadramento. Fotógrafa com olhar profundo e atento o meio envolvente, seja urbano ou  rural, vai registando no dia a dia a memória dos lugares, tempos e do viver do elemento humano.
O resultado são trabalhos de elevado valor técnico e estético devido à sua visão, aos pontos de observação que escolhe, e ao seu conhecimento técnico da fotografia.
O fotógrafo está sempre atento aos instantâneos que a natureza nos proporciona. Ao registá-los considera ser um acto de prazer e, divulgar é partilhar essa felicidade.
A sede de quem gosta de fotografar não se acaba perante as fontes em constante mutação, antes aumenta . Partilhar a felicidade de fotografar, enriquece a vida e Paula Matos contribui com o seu labor discreto e envolvente, para que essa felicidade seja contagiante, e dá desta forma o seu melhor contributo para um melhor conhecimento da Fotografia como Arte."

Adriano Bastos


 
Foto de Paula Matos.




 Foto de Paula Matos.



terça-feira, 5 de Junho de 2018



Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!

 Foto de Yo también trabajo en un museo.
Armando Barrios 
 


Abel Korzeniowski-Come, Gentle Night

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/utRfdyBEzYc

abel korzeniowski - And Just Like That

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/r7mTcZjehJk


Alentejo-Cante Alentejano 


 


“QUANDO O CANTE ERA PROIBIDO

(Exercício de escrita e decalque sobre peças do processo de querela que correu termos na Comarca de Almodôvar contra José Caetano da Ponte e outros pelo crime de sedição (revolta) cometido na mesma vila em 26 de Janeiro de 1901)

Naquele ano de 1901, a invernia tinha-se instalado penosamente dentro das vidas das gentes do sul.
Nos finais de Janeiro, com a mudança da lua, o céu abriu, a borrasca abrandou e houve anúncios de trabalho, uma boa nova que se repetiu de boca a boca: - “Amanhã, se o dia aclarear bom, os lavradores querem mulheres para a monda”.
Rua fora foram-se juntando mulheres e alguns moços de olhos ainda pregados e corpos entenguidos que iam tentar a sorte de um dia de trabalho.
Só lá adiante, já fora da vila, começaram o cante.
Tinha de ser assim, porque o Administrador do concelho, António Furtado, andava a ameaçar as experimentações vocais dos mais atrevidos e tinha reforçado o efectivo de guardas da polícia civil, para rigorosa observância do Novo Regulamento do Governo Civil do Distrito de Beja que lhe havia chegado às mãos na véspera de Natal.
Este Novo Regulamento era ainda mais proibitivo que o anterior, datado de 3 de Fevereiro de 1866 e que já tanta contestação tinha merecido e tanta tareia tinha motivado, porque para além de proibir os adjuntos, obrigava ao silêncio os cantares que o povo de um modo natural gostava de fazer despontar nas ruas e nos largos por onde circulava.
Na caminhada, já nos descampados, vingaram a vontade sustida de cantar e soltaram as gargantas, entoando do rijo a moda “Olha a laranja da China”.
Mas nessa manhã, o cantorio era, de hora em vez, entrecortado pelo falatório, pela novidade, pela notícia contada, dita e redita sempre em tom crispado, num misto de desânimo e revolta, numa mescla de contenção e ímpeto.
Ao sol postinho, largaram o trabalho e fizeram-se ao caminho direito à vila, intercalando o cante com o tal falatório, alternando as vaias com a insatisfação desmedida que sentiam e tentavam sublimar com as carcachadas que se seguiam às pragas rogadas aos guardas que tinham feito do Caetanita um frangalho.
Já se avistava o casario da vila recortado no entardecer, quando a Mariana Capacheira se susteve no andar, pararam as outras e a moçada estacou de boca aberta como que a adivinhar que vinha aí polvarinho.
- Esperem aí? Se fossem todas da minha opinião, agora íamos direito à praça cantando a moda, disse em tom de desafio a Mariana Capacheira. E se bem dito, melhor feito.
Mas, à sua espera, rondando o hotel, andavam três patrulhas dos guardas de polícia que de imediato, alçando os cavalos marinhos e aos empurrões, desfizeram a moda. Acto contínuo, surgiram na praça o Presidente da Câmara Municipal António Alves da Costa e o filho deste, Bernardo António Alves, escriturário da Repartição da Fazenda. Por alí já circulava também há tempo o comerciante abastado José Caetano da Ponte que no flagrante começou, em altas vozes, a vociferar contra o procedimento do Administrador quanto à proibição dos descantes e a insinuar culpas para o Delegado do Procurador Régio, dizendo: - “estamos em estado de sítio; isto assim não pode ser; isto não pode continuar; isto é obra do Delegado; isto tem de acabar; o Povo há-de levantar-se; o cante é costume antigo em todo o Baixo e Alto Alentejo”.
O Guarda Francisco António Gato, por ser mais espevitado ou por ter aprendido melhor a lição, respondeu-lhe que se cumpria com a determinação do novo Edital do Governo Civil e que o Administrador procedia em obediência a essa determinação.
Mesmo assim, cumprindo quase um ritual, o Delegado, o Administrador e o Escrivão saíram de tarde a dar o seu passeio. Quando voltaram, recolhendo ao hotel, já encontraram a Praça D. Luiz I apinhada de populares que mal os viram irromperam batendo as palmas, fazendo-se ouvir em cantos, gritos e assobios quadrados.
Silenciosos, fitando o vazio, os visados passaram por entre os apupos e ao entrarem no hotel, uma saraivada de pedras caíu-lhes em cima.
Estavam reunidos todos os requisitos para que a noite fosse de tensão e os desmandos acontecessem: muita gente na rua, muita vinhaça e uma vontade incontida de protestar contra o amordaçamento do cante.
Como resposta, de Beja veio a tropa em socorro do Novo Regulamento e a vila de Almodôvar esteve militarmente ocupada durante três dias.
De então para cá, ainda durante muitas décadas, o cante continuou proibido nas ruas e nas praças e em virtude disso, as mulheres quase que o esqueceram, entristecidas, receosas ou desalentadas. 
A tradição do cante em feminino quase sucumbiu nesta terra (Almodôvar), como no tempo se deixam perder as memórias, como na vida se diluem os encantos.”

José Francisco Colaço Guerreiro

In: “Memória Alentejana”. Edição de CEDA (Centro de Estudos Documentais do Alentejo – Memória Colectiva e Cidadania). Nºs. 31/32. 20/2/2013. Caderno Temático “Cante”. Págs. 36/38.(in tratadodocante.blogspot.pt





 


Clube de leitura

Fotografia de Adriano Bastos



O Anjo Ancorado
Resultado de imagem para anjo ancorado
in wook.pt


José Cardoso Pires
Estudo sobre o autor: Alexandre Pinheiro Torres
Editora Arcádia, Lisboa, Setembro de 1964

"Daquele ponto era impossível ver-se o descampado porque a rua era torta, cheia de cotovelos. Mas via-se a taberna ou, pelo menos, parte da taberna donde se alargava uma vista que era o fim do mundo sobre o descampado, as falésias e o mar. No dia em que a Câmara se lembrasse de trazer electricidade para ali, uma boa esplanada havia de chamar muitos banhistas a São Romão. Se isso se desse, o taberneiro podia preparar-se para puxar os cordões à bolsa e comprar um rádio a prestações para que toda a gente pudesse seguir os relatos de futebol aos domingos. E comprava-o, qual era a dúvida? Seria até muito provável que a Companhia montasse um telefone na loja, um posto público às ordens de que m precisasse. Fazia falta e podia dar bom dinheiro num sítio tão isolado. Os banhistas de Lisboa ou das Caldas têm sempre muitos assuntos a tratar pelo telefone." (in Cais do Olhar)

Resultado de imagem para jose cardoso piresin publico.pt
i


«Creio que nenhum outro escritor português soube contar, como Cardoso Pires, a infelicidade e a solidão: a infelicidade e a solidão do indivíduo mas também de toda uma sociedade, de um país inteiro. E ninguém, como ele, soube radiografar um sistema político como o salazarismo, apanhado na sua fase senescente. Um sistema esclerosado, sulcado por profundas fissuras, que causou na alma das pessoas desgastes já irremediáveis, abrindo galerias obscuras onde habitam justamente a infelicidade e a solidão.» Antonio Tabucchi





Alentejo-GASTRONOMIA 

Receitas Culinárias Alentejo


Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar 

Migas de Batata
photo in  https://mercadoalimentar.com/2014/02/10/1186/


Ingredientes:
Para 4 pessoas

1 kg de batatas ;
250 g de toucinho entremeado ;
300 g de chouriço de carne ;
1 dente de alho ;
sal

Confecção:

Num tacho de barro fritam-se, em lume brando, o toucinho ás fatias e o chouriço ás rodelas de modo a derreter o máximo de gordura. Retiram-se e, na mesma gordura, frita-se um dente de alho. Adiciona-se um pouco de água.
Entretanto, têm-se já as batatas cozidas e passadas por um passador.
Junta-se o puré ao pingo que está no tacho e mexe-se com a colher de pau dando-lhe a forma de uma bola. Sacodem-se as migas, deitam-se na travessa e servem-se com o toucinho e o chouriço fritos.

Variante: Se se juntar calda de tomate, estas migas ficam melhores e mais bonitas. O tomate junta-se ao pingo (Évora)

  fonte: Editorial Verbo      

in ROTEIRO GASTRONÓMICO DE PORTUGAL





 

 


sexta-feira, 1 de Junho de 2018

Dia Mundial da Criança


  "Se as crianças aprendessem poemas de cor em pequenas, se fosse uma parte integrante do ensino e até, se elas tivessem de dizer um poema de cor para serem admitidas a qualquer universidade, as pessoas passavam a falar melhor. Porque falar é próprio de todas as pessoas, não é só do médico, do engenheiro e onde se aprende a falar realmente é na poesia."

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

The picador - Pablo Picasso

Obra de Pablo Picasso (Nasceu em 1881)
do período-Early Years (1890-com 9 anos de idade)


  "As crianças são os únicos seres divinos que a nossa pobre humanidade conhece. Os outros anjos, os das asas, nunca aparecem. Os santos, depois de santos ficam na Bem-Aventurança a preguiçar, ninguém mais os enxerga. E, para concebermos uma ideia das coisas do Céu, só temos realmente as criancinhas."
 Eça de Queirós
 


Pintura a Óleo sobre a madeira, dos projectos "Eu Gostaria de Saber pintar"
 de Álvaro Cunhal - Pintura 4


  

Ode à Criança

"A criança é criativa porque é crescimento e se cria a si própria. É como um rei, porque impõe ao mundo as suas ideias, os seus sentimentos e as suas fantasias. Ignora o mundo do acaso, pré-elaborado, e constrói o seu próprio mundo de ideais. Tem uma sexualidade própria. Os adultos cometem um pecado bárbaro ao destruir a criatividade da criança pelo roubo do seu mundo, sufocando-a com um saber artificial e morto, e orientando-a no sentido de finalidades que lhe são estranhas. A criança é sem finalidade, cria brincando e crescendo suavemente; se não for perturbada pela violência, não aceita nada que não possa verdadeiramente assimilar; todo o objecto em que toca vive, a criança é cosmos, mundo, vê as últimas coisas, o absoluto, ainda que não saiba dar-lhes expressão: mas mata-se a criança ensinando-a a ater-se a finalidades e agrilhoando-a a uma rotina vulgar a que, hipocritamente, se chama realidade."

ROBERT DE MUSIL
 

Declaração Universal dos Direitos da Criança

 Princípio I - À igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.A criança desfrutará de todos os direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão outorgados a todas as crianças, sem qualquer excepção, distinção ou discriminação por motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição económica, nascimento ou outra condição, seja inerente à própria criança ou à sua família.

Princípio II - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.A criança gozará de protecção especial e disporá de oportunidade e serviços a serem estabelecidos em lei e por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade

Princípio III - Direito a um nome e a uma nacionalidade.A criança tem direito, desde o seu nascimento, a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio IV - Direito a alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.A criança deve gozar dos benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e desenvolver-se em boa saúde; para essa finalidade deverão ser proporcionados, tanto a ela, quanto à sua mãe, cuidados especiais, incluindo-se a alimentação pré e pós-natal. A criança terá direito a desfrutar de alimentação, moradia, lazer e serviços médicos adequados.

Princípio V - Direito a educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.A criança física ou mentalmente deficiente ou aquela que sofre de algum impedimento social deve receber o tratamento, a educação e os cuidados especiais que requeira o seu caso particular.

Princípio VI - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.A criança necessita de amor e compreensão, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que possível, deverá crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo circunstâncias excepcionais, não se deverá separar a criança de tenra idade de sua mãe.

Princípio VII - Direito a educação gratuita e ao lazer infantil.O interesse superior da criança deverá ser o interesse director daqueles que têm a responsabilidade por sua educação e orientação; tal responsabilidade incumbe, em primeira instância, a seus pais.A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.A criança tem direito a receber educação escolar, a qual será gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares. Dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita - em condições de igualdade de oportunidades - desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral. Chegando a ser um membro útil à sociedade.

Princípio VIII - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.A criança deve - em todas as circunstâncias - figurar entre os primeiros a receber protecção e auxílio.

Princípio IX - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono, crueldade e exploração. Não será objecto de nenhum tipo de tráfico.Não se deverá permitir que a criança trabalhe antes de uma idade mínima adequada; em caso algum será permitido que a criança dedique-se, ou a ela se imponha, qualquer ocupação ou emprego que possa prejudicar sua saúde ou sua educação, ou impedir seu desenvolvimento físico, mental ou moral.

Princípio X - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa, ou de qualquer outra índole. Deve ser educada dentro de um espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universais e com plena consciência de que deve consagrar suas energias e aptidões ao serviço de seus semelhantes.

 

Foto de Tribuna Alentejo.
in Tribuna  Alentejo

  Brinca enquanto souberes! Tudo o que é bom e belo Se desaprende… A vida compra e vende A perdição, Alheado e feliz, Brinca no mundo da imaginação, Que nenhum outro mundo contradiz! Brinca instintivamente Como um bicho! Fura os olhos do tempo, E à volta do seu pasmo alvar De cabra-cega tonta, A saltar e a correr, Desafronta O adulto que hás de ser! Miguel Torga

 


quarta-feira, 30 de Maio de 2018


Alentejo - Património Cultural

Dr. José Rabaça Gaspar

EU e as DÉCIMAS 

(Mas, mais do que as minhas teorias de mero curioso, em breve vou inserir textos 

de outros autores mais abalizados...)


COMUNICAÇÃO (a) apresenta(da)r nas II JORNADAS DA REVISTA ARQUIVO DE BEJA, subordinadas ao tema: O ALENTEJO E OS OUTROS MUNDOS passado, presente e futuro a realizar em Beja, NERBE, 2.3.4 e 5 de Abril de 1998. 

TEMA: AS DÉCIMAS populares? A MAGIA da POESIA POPULAR? Uma ligação mediática com Outros Mundos?

Uma ARTE MAIOR praticada por POETAS populares (sobretudo ao Sul de Portugal) a pedir um estudo sério e profundo a nível superior. É praticamente ignorada e/ou tida em menos conta em todos os níveis do ensino em Portugal, o que é de lamentar.

Entretanto, podemos considerar a DÉCIMA um pequeno prodígio de ARQUITECTURA FORMAL (da Métrica, ao Ritmo, à Rima, desde a Quadra Mote, à Glosa em quatro décimas espelhadas e de retorno a cada um dos quatro versos), como base e fundamento de uma ARTE SIMBÓLICA plurissignificativa.

A mera exigência FORMAL (a que raros eruditos se atrevem) é PRATICADA COMO EXERCÍCIO LÚDICO POR POETAS DO SUL, a maioria considerados analfabetos, por vezes em despiques ou descantes fortuitos em tabernas ou convívios sociais, pondo-a ao serviço de temas que vão desde a pura diversão, aos temas do quotidiano, à história, à crítica social ou política, até aos temas filosóficos da mais profunda sabedoria. (Beja, Abril,1996.
Dizer uma Décima (os poetas que as dizem são conhecidos como "dezedores", entoá-la ou cantá-la, é uma arte, tanto para aquele que a diz, como para aquele que a ouve ou lê. Como arte, é algo que requer, muito de intuição e inspiração, aprendizagem e exercício.

Finalmente arriscamos afirmar que é uma Arte Superior, ou pode ser em princípio, só acessível aos que têm o dom de contactar ou ter acesso a formas de comunicação pouco comuns..., talvez uma certa magia..., algo só acessível aos deuses ou aos que podem comungar com a divindade!!! Será uma afirmação exagerada? Pouco ortodoxa? Que sai fora dos instrumentos de estudo e análise usuais? Mas quem sabe definir o que é a inspiração? O que são as "Tágides" ou as "Ninfas do Mondego" de Camões, as "musas" e os "dons" de que falam os poetas? Onde estão os donos e os mestres da Língua? E os da Poesia? É proibido inovar, ou não se deve falar daquilo que se não conhece? Arriscamos, enfim, a considerar as DÉCIMAS POPULARES como um PRODÍGIO DE ARQUITECTURA POÉTICA a exigir um prodigioso exercício de ginástica mental, praticado muitas vezes por poetas considerados analfabetos!

AUTOR(es) (Função e Instituição):

José Rabaça Gaspar, professor de Língua e Literatura Portuguesa, colocado na Escola Secundária D. Manuel I Beja; e a exercer funções, por destacamento, na Escola Secundária João de Barros Corroios, com o encargo de dar apoio ao Conselho Directivo para a Dinamização de Actividades Culturais. 

(Com a colaboração, se possível de 

1- Joaquim Ruaz (S. Matias), 
2- D. Antónia Carvalho (S. Matias), 
3- Mário da Conceição (Santa Clara do Louredo - Boavista), 
4- Joaquim António Tareco Curva (o Rei dos Queijinhos da Vidigueira), 
5- José Mendes Camacho (o Tio Zé Moleiro de Ribeira da Azenha, Aivados, Vila Nova de Mil Fontes); 

e para intervir nas outras ARTES DA FALA: 

5- António Ruaz (S. Matias), 
6- Luís Alves (S. Matias), 
7- D. Rosa Helena (Beringel), 
8- Eng.º Santa Maria (Moura a residir em Beja), 
9- Manuel e Arisberta Aleixo (S. Matias), 
10- Fátima Borges de S. Matias e do Grupo Amador de Teatro - "QUINTA DA ÁGUA" da Esc. Sec. João de Barros de Corroios, que, se possível, tentariam aprender com os fazedores e dezedores de DÉCIMAS e poderiam arriscar jogos diversos desta difícil ARTE DE DIZER, numa tentativa para os tornar, por assim dizer, mais visíveis, dinâmicos, sugestivos e, por conseguinte, mais compreensíveis, abrindo caminhos para novas leituras...) 

Para debater a MUSICALIDADE da DÉCIMAS, tanto as ditas pelos "dezedores" como para "descobrir" uma "moda" para ser cantadas (vide Adriano Correia de Oliveira) já contactei os especialistas de Música: Padre António Cartageno e Francisco Fanhais

O autor da Comunicação

José Rabaça Gaspar





Festas 2010 - Décimas - "Barriga Verde" (Portel)

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/Wi5wO-eLXow


Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 

Resultado de imagem para poetas populares do concelho de beja


INTRODUÇÃO de José Rabaça Gaspar

A POESIA INSPIRADA 
TEM ATRAENTE BELEZA;
INSPIRAÇÕES CATIVANTES
ENCERAS TU, NATUREZA
(Francisco da Encarnação, Santa Vitória)

EM TUDO SINTO POESIA 
DESDE O INSECTO À PLANTA...
TUDO ME DIZ SINFONIA 
E TUDO ME PRENDE E ENCANTA

(Manuel de Castro, Cuba)

 


"Alguns POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA procuram uma forma de se fazer OUVIR. Este LIVRO, portanto é para OUVIR, caro leitor. Não, não procure o disco no final, nem a cassete inccluída, porque não tem. É isso mesmo. Isto é um LIVRO que você vai OUVIR se você é do Alemejo ou está no Alentejo e/ou é capaz de se deixar penetrar pelo "halo mágico" que envolve o Alentejo e produziu e produz: estes CANTADORES do CANTE alentejano que cantam com o ventre como que sugando 
a vida do seio da terra, como o trigo e as flores; estes CONTADORES de HISTÓRIAS 
que captam da Terra e da Vida e do Espaço a sua arte de encantar; e os DEZEDORES
 de quadras, de décimas, de poesia, que como os outros cantarn e encantam porque
 as criam, encarnam e/ou DlZEM como artistas e, com os outros, são expressão da CULTURA POPULAR do ALENTEJO. Os poetas populares, como, aliás, a cultura oral e tradicional, são como a terra, ou a água, ou o sol... Ou se ignoram e desprezam, embora toda a gente saiba que existem e se conte com eles como indispensáveis 
à vida da comunidade; ou são objecto de investigação e análise, até de estudiosos ou investigadores sérios, mas que depois usam a sua arte, depois de convenientememe "expurgada"-"seleccionada", para promoção, exibição ou proveito pessoal. Há tentativas no sentido de fazer mudar as coisas. Os artistas populares tomam consciência do seu valor e querem ser reconhecidos e respeitados, ouvidos e vistos como tal; O Património cultural duma determinada Região não é tesouro perdido à disposição de qualquer explorador com espírito patemalista ou intenções mais ao menos colonizadoras que dão bolinhas de vidro e panos coloridos em troca do ouro e das fabulosas riquezas indígenas. Estes parecem-me ser os pontos base, para 
alicerçar a introdução·que me pediram. Tratase pois de uma introdução/prefácio
 para uma recolha de POETAS POPULARES do CONCELHO DE BEJA que foi e está a ser realizada por um grupo de professores encarregados-eempenhados na ALFABETlZAÇÃO, neste concelho, desde 1979. São analfabetos esles poetas? Pode ser analfabeto quem sabe, assim, ler a realidade e quem sabe usar com esta arte a linguagem que têm à sua disposição? O que é ser analfabeto? Mais grave. O que é então alfabetizar? Se for para matar essa cultura e essa arte, então, podemos chamar-lhe - urn crime. Com esta inlrodução, a mim, compete-me abrir pistas ou sugerir linhas de leitura que possam ajudar os interessados a tomar parte nesta festa de poesia. Não aceitei propriameme o papel de juiz. Não tinha que ser rigoroso e exigente na selecção, armado de erudição e de saber dogmático. É um mundo especial esle o da poesia popular para nos atrevermos a ser juízes implacáveis que decidem com segurança o que é bom e o que não presta. Como diz a poeta Carlota Caixinha, de Beja: "Eu não quero ser poeta / Não tenho tal pretensão. / Apenas quero exprimir / A minha imaginação". E, como diz Francisco da Encamação, de Santa Vitória, que anda agora pelos 65 anos, em poema desta antologia e o poeta Manuel de Castro da Cuba que morreu por volta de 1973 com uns 81 ou 82 anos, estes poetas populares, como, aliás, os poetas, sentem, bebem, vêem a poesia nas "inspirações cativantes" que "encerras tu, Natureza", ou para melhor dizer: em tudo, "Desde o insecto à planta / Tudo me diz sinfonia / E tudo me prende e encanta"."


 




domingo, 27 de Maio de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven


Alentejo-Estremoz

  
"João de Sousa Carvalho (Estremoz22 de fevereiro de 1745 - Alentejo, c.1798) foi um compositor e músico português

João de Sousa Carvalho, filho de Paulo de Carvalho e de Ana Maria Angélica, entrou com 8 anos, a 23 de Outubro de 1743, para o Colégio dos Santos Reis Magos em Vila Viçosa. Mandado a Nápoles pela Coroa, ingressou com Jerónimo Francisco de Lima (1741-1822) no Conservatório di Sant'Onofrio a Capuana, em Nápoles, a 15 de Janeiro de 1761. A sua primeira ópera, La Nitteti, sobre libreto de Pietro Metastasio, representou-se em Roma no Teatro Delle Dame no Carnaval de 1766. Também a oratória Isacco figura del Redentore, que data da mesma época, deve ter sido cantada em Itália. Regressou a Portugal presumivelmente em 1767, dado que assinou o Livro das Entradas da Irmandade de Santa Cecília a 22 de Novembro do mesmo ano. Foi nomeado professor de contraponto pelo menos em 1769 e, mais tarde, talvez em 1773, Primeiro Mestre de Capela do Seminário da Patriarcal. Em 1778, João de Sousa Carvalho sucedeu a David Perez (1711-1778) como professor dos Infantes e compositor da Real Câmara, com vencimento mensal de 40$000 réis e direito a usar carruagem, passando a controlar todo o aparelho de produção músicoteatral da Corte. Desde esse ano até 1789, com exceção de 1786 e 1788, cantaram-se novas obras suas (com inúmeras repetições) no Palácio da AjudaPalácio de Queluz e Palácio da Ribeira, sendo 10 serenatas - género afim de ópera, mas sem componente cénica - e duas óperas (Testoride argonauta, dramma in 2 atti, 1780, e Nettuno ed Egle, favola pastorale, 1785). Morreu no Alentejo em 1798."
in Wikipédia




  "João de Sousa Carvalho foi um dos compositores mais importantes durante o período barroco em Portugal. Seu Te Deum e Vésperas de Nossa Senhora, ambos disponíveis em CD, são verdadeiras jóias.Depois de seus estudos em Portugal, estudou em Nápoles e depois voltou para Portugal. Em 1778 ele se tornou o professor de música da família real portuguesa.Além da música sacra, compôs várias óperas. Um deles - Testoride Argonauta - também está disponível em CD. Outros trechos de algumas de suas obras podem ser encontrados aqui no Youtube.
A peça aqui é o motete 'Stellae in caelis obscurantur', gravado em 1999 por Ricardo Bernardes e seu coral e orquestra ensemble Américantiga, com sede no Brasil." 

Texto de Gus Ovatsug


João de Sousa Carvalho (1745-1798): Stellae in caelis obscurantur

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/DmGmIolzaKI


Sousa Carvalho Perseo (1779) - Ouverture

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/JyMMeVmvRdE


João de Sousa Carvalho - Toccata in G minor

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/HhNSGbC2EbQ

Tempo de Leitura

Foto de Bernadette Lambotte.
Gabriele Münter (peintre allemande) 1877-1962
Dame en pyjama dans le fauteuil, écrivant 1929
Huile sur toile
61.5 x 46 cm


 "Perguntas de um Operário Letrado"

"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas"

Bertold Brecht


 


"(...) Nas recordações de qualquer homem há certas coisas que ele não revela a toda a gente, apenas aos amigos. Há outras que nem aos amigos ele revelará, apenas a si mesmo e só secretamente. E, finalmente, há outras que o homem até a si mesmo tem medo de revelar, e qualquer homem até a si mesmo tem medo de revelar, e qualquer homem decente acumula bastantes recordações dessas. Ou seja, quanto mais decente for, tantas mais recordações dessas tem. Pelo menos, eu, pessoalmente, só há pouco ousei recordar certas aventuras do meu passado, a que até então me esquivara com uma espécie de inquietação. Ora, neste momento, quando não só estou a recordá-las mas ainda por cima me atrevo a anotá-las, queria experimentar: é possível, ou não, ser-se absolutamente sincero pelo menos consigo mesmo e não ter medo de toda a verdade? (...)"
Fiódor Dostoiévski, Cadernos do Subterrâneo



"(...) Andavam ali homens dos mais variados misteres. Vagabundos de todos os caminhos; trabalhadores de acaso; camponeses de terras sem horizontes. Moços e velhos; unidos pela mesma fome e pelos mesmos farrapos. Vieram a pé, ou de borla nos camiões de motoristas generosos, ou na 3ª classe de ronceiros comboios. De longe e de perto, como se a fábrica fosse encruzilhada de todos os caminhos.(...)"

Excerto de "Engrenagem" de Soeiro Pereira Gomes

 
Resultado de imagem para Excerto de "Na berma de nenhuma estrada" de Mia Couto
"(...) Acabei a minha sessão de canto, estou triste, flor depois das pétalas. Reponho sobre meu corpo suado o vestido de que me tinha libertado. Canto sempre por causa disso: sempre me dispo quando canto. Estranha-se? Eu pergunto: a gente não se despe para amar? Porquê não ficar nua para outros amores? A canção é só isso: um amor que se consome em chama entre o instante da voz e a eternidade do silêncio.
Outros cantadores, quando actuam em público, se trajam de enfeites e reluzências. Mas, em meu caso, cantar é coisa tão maior que me entrego assim, pequenitinha, destamanhada. Dessa maneira, menos que mínima, me torno sombra, desenhável segundo tonalidades da música.
Cantar, dizem, é um afastamento da morte. A voz suspende o passo da morte e, em volta, tudo se torna pegada da vida. dizem mas, para mim, a voz serve-me para outras finalidades: cantando eu convoco um certo homem. Era um apanhador de pérolas, vasculhador de maresias. Esse homem acendeu a minha vida e ainda hoje eu sigo por iluminação desse sentimento. O amor, agora sei, é a terra e o mar se inundando mutuamente.(...)"
 

Excerto de "Na berma de nenhuma estrada" de Mia Couto 




sábado, 26 de Maio de 2017


Alentejo-Cante Alentejano





Fotografia de Adriano Bastos



"Cante Alentejano" - Defesa, Preservação e sua Divulgação

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wAUAdy7ARss






 Fotografia de Adriano Bastos

"De repente, vi-me naquela Praça do Município cheia de gente. Um grupo de quatro ou cinco entoou dalém uma moda... logo outro aqui mais ao pé... depois outros... outros... outros... Quando dei por mim, estava com a pele toda arrepiada e sentia a música subir das entranhas da Terra e inundar-me por completo. Eu pensava que tinha ouvido já cantar à Alentejana. Nunca tinha ouvido. Aquela Praça transformou-se por magia numa Catedral imensa da Natureza que só tinha como tecto o céu cheio de estrelas... Tinham-me dito que os Alentejanos não eram religiosos! Eu acreditava. Ali eles eram a Voz da Terra, cultores de uma Religião mais autêntica e verdadeira daquelas que eu conhecia. Quando todo o chão tremeu e eu com ele, percebi, ou pareceu-me perceber, porque é que o Cante, não era o Canto Alentejano que se ouvia na rádio, na tevê, ou num palco... Pareceu-me ver, sentir, que o CANTE, quando dois ou mais se juntam para entoar uma moda, os seus grupos, os seus coros, era algo de muito profundo e sério. Era algo que vinha de muito fundo. Das entranhas da Terra. Com os pés calcando o chão, ombro a ombro, mãos a abraçar o companheiro da frente, o canto lançado pelas gargantas através do ar armazenado na barriga, aquilo não era um canto humano. Era a Voz da Terra. Era o grito do Ventre da Terra!"

José Rabaça Gaspar

 





Cante Alentejano


Homenagem aos Mestres Cantores do Alentejo,
têmpera sobre madeira, (1,30 x 40 cm), 1965.
Autor: José Manuel Espiga Pinto - CAM, Fundação Calouste Gulbenkian

 


"São sete ou oito grupos de perto e longe. Cantam os trabalhos e os dias, os amores e as 
paisagens. Estão duas mil pessoas a ouvi-los pela noite fora, em silêncio, só...aplaudindo no fim 
de cada canção, à entrada de cada grupo, mas neste caso quase nada, porque é sabido que mal se 
podem bater palmas quando os homens começam a mover-se, lentamente, naquele movimento 
pendular dos pés, que parecem ir pousar onde antes haviam estado, e no entanto avançam.
O tenor lança os primeiros versos, o contratenor levanta o tom, e logo o coro, maciço como o 
bloco dos corpos que se aproximam, enche o espaço da noite e do coração. O viajante tem um 
nó na garganta, a ele é que ninguém poderia pedir-lhe que cantasse. Mais facilmente fecharia 
os punhos sobre os olhos para não o verem chorar."(José Saramago, "Viagem a Portugal")  




sexta-feira, 25 de Maio de 2018

Alentejanos do Mar

José Francisco Pereira

Foto de José Francisco Pereira.

Fotografia de José F.Pereira

"Histórias do Cante" - José Francisco Pereira

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/iiJvX1ayld8



Play - Conversas Açorianas

Conversas Açorianas com José Francisco Pereira natural de Montoito-Alentejo 
e a viver no Faial

Carregue no Link abaixo, e assista à maravilhosa entrevista da RTP Açores

https://www.rtp.pt/play/p2121/e230736/Conversasacorianas





terça-feira, 22 de Maio de 2018


Júlio Artur da Silva Pomar

 (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 - Lisboa, 22 de Maio de 2018)

Ver a imagem de origem
Photo in https://fr.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Pomar


 


"Como toda a gente, sou um bicho carregado de memória. Mas não tenho memória prática – não sei um único número de telefone, perco-me nas ruas, esqueço os detalhes das conversas ou das casas. Mesmo nos retratos que faço de cor: as coisas entram, são caldeadas e o que fica é mais um sentido, uma alusão a, do que uma soma de pormenores. W quando faço passar o modelo, o trabalho mais excitante começa no momento em que sinto a necessidade de apagar, ir desfazer a imagem registada no papel, para deixar agir um poder-elaborante, não directamente consciente."
Júlio Pomar em Conversa com Helena Vaz Silva



 

Ver a imagem de origemhttps://br.pinterPhoto in st.com/explore/julio-pomar-942728248097/












 

Júlio Artur da Silva Pomar[1] (Lisboa, 10 de janeiro de 1926 - Lisboa, 22 de Maio de 2018) foi um artista plástico/pintor português. Pertenceu à 3ª geração de pintores modernistas portugueses[2], sendo autor de uma obra multifacetada, centrada na pintura, desenho, cerâmica e gravura, com importantes desenvolvimentos nos domínios da tridimensão (escultura; assemblage) ou da escrita.

Os primeiros anos da sua carreira estão ligados à resistência contra o regime do Estado Novo e à afirmação do movimento neorrealista em Portugal, marcando a especificidade deste no contexto europeu. Teve uma ação artística e cívica intensa ao longo das décadas de 1940 e 1950 e é consensualmente considerado o mais destacado dos cultores do neorrealismo nacional.[2][3]

Começa a distanciar-se do ativismo político e do idioma figurativo inicial na segunda metade da década de 1950 e, em 1963, radica-se em Paris. Sem nunca abandonar o pendor figurativo, liberta-se do compromisso neorrealista, enveredando pela "exploração de práticas pictóricas diversas que o centrarão na pintura enquanto tal, interrogando as suas formas, composições e processos, pintando das mais variadas maneiras na exploração ou na recusa das possibilidades que o seu tempo lhe abriu".[4]

Ao longo das últimas quatro décadas tem abordado uma grande variedade de universos temáticos, da reflexão autorreferencial ao erotismo, do retrato às alusões literárias e matéria mitológica. E do ponto de vista formal encontramos idêntica riqueza de meios e soluções. "A obra de Júlio Pomar constrói sucessivas cadeias de relações formais e semânticas entre os diferentes materiais, processos e técnicas".[4]

Grandes exposições realizadas nas últimas décadas (Fundação Calouste Gulbenkian; Museu de Arte Contemporânea de Serralves; Sintra Museu de Arte Moderna – Coleção Berardo; museus de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília; etc.) consagraram a sua obra, que se destaca como uma das mais significativas expressões da criação artística portuguesa contemporânea.[5]

Faleceu no dia 22 de Maio de 2018, no Hospital da Luz, em Lisboa.

[1]in Wikipédia

 




O almoço do trolha, 1946-50, óleo sobre tela, 120 cm x 150 cm






Ao Encontro com os nossos Escritores


Lídia Jorge
 
 
"É plural, o amor. Só uma visão antiga, antes de se saber que somos construídos por camadas sucessivas, podia imaginar o amor como um instrumento monolítico. Essa concepção priva as pessoas da alegria e amarra o amor à idade. De facto, não existe essa amarra se formos cultos do ponto de vista psicológico. O amor é um estado de alma que evolui até à morte."


Al Berto
 
 "Há séculos que te esperava para fugirmos. E não sabia que a fuga era possível, pelas estradas de giestas em direcção ao mar.
Dorme, e consente que o meu coração escute o teu. Quero arder contigo, nesta eternidade feita de pontes atravessadas, kms nocturnos e segundos de asfalto."





Alentejo-Gastronomia

Receitas Culinárias do Alentejo

Assada de Peixe

CRATO

Resultado de imagem para  barbos

Photo in http://linhaceira.net/barbos-de-molhata/

 
Ingredientes:

 Para 4 pessoas
1 kg de peixes do rio (achigãs ou barbos) ;
1 molho de poejos ;
2 dentes de alho ;
malagueta ;
2 dl de azeite ;
1 dl de vinagre ;
sal


Confecção:
 
 Amanha-se o peixe e dão-se-lhe uns golpes.
Grelham-se em lume de carvão e colocam-se numa travessa.
À parte pisam-se num almofariz as folhas de poejo, os dentes de alho, sal e malagueta (a gosto).

Deita-se esta papa noutro recipiente e mistura-se com o azeite, o vinagre e o molho que

 escorreu 

do peixe (e que está na travessa). Prova-se e deita-se o molho sobre o peixe.
Acompanha-se com batatas cozidas ou fritas.     

   fonte: Editorial Verbo      

in ROTEIRO GASTRONÓMICO DE PORTUGAL


segunda-feira, 21 de Maio de 2018




Borba 

Outros Horizontes...outras viagens... sugestões de 

leitura e ...



Resultado de imagem para Antoine de Saint-Exupéry
photo in http://www.natemaas.com/2012/10/antoine-de-saint-exupery_14.html


"Não se vê, sente-se. Não se mede, não se pesa, não se toca, não se cheira. Sente-se! Aquilo
 que é realmente importante acontece num plano não palpável. Não visível. É de dentro. 
É o que transborda sem se ver. É o que nos move. Ou deveria mover."


 
 


Antoine de Saint-Exupéry 

Resultado de imagem para máximo gorki
photo in   http://www.datuopinion.com/maximo-gorki

 
Máximo Gorki


 
“Procura amar enquanto viveres; o mundo ainda não encontrou nada melhor.”


 



photo in www.publico.pt





"Olha, escuta. Nas passagens de nível, havia um aviso
 de -pare, escute, olhe- com vista aos atropelos dos

comboios.

É o aviso que devia haver nestes dias magníficos de sol. 
Olha a luz. Escuta a alegria dos pássaros.

Não penses, que é sacrilégio
"

Vergílio Ferreira

Resultado de imagem para Johann Wolfgang von Goethe

photo in  http://www.aldeavillana.com/ladran-luego-cabalgamos/







 
"A alma que vê beleza às vezes caminha sozinha". 


Johann Wolfgang von Goethe

 

photo in www.livroscotovia.pt










 "O louvor vale pela pessoa que o dá."

 
Cervantes







domingo, 20 de Maio de 2018


Alentejo-Património Cultural

 José Rabaça Gaspar

Fotografia de Adriano Bastos

Entrevista a José Rabaça Gaspar, autor da Bubok

Calendario 29 / Maio / 2012  Cantidad de comentario
Entrevista a José Rabaça Gaspar, autor da Bubok




1. Quem é o autor José Rabaça Gaspar?

Sou EU. Provavelmente com mais de 1001 deNÓMIOS. Como digo na obra, p. 384, é um neologismo inventado, um NOME (outro nome da mesma pessoa), anjo ou demónio, musa inspiradora, que escreve através do autor, cada livro ou cada um dos poemas do autor.
É uma pergunta difícil. A resposta daria para um tratado. O «conhece-te a ti mesmo» de Sócrates, que não deixou nada escrito – é um desafio quase inatíngível…

2.Desde quando é que se dedica à escrita?

Creio que desde sempre. Desde que me lembro de ter aprendido a escrever. A quantidade de arcas, ficheiros e malas cheias de cadernos e notas para “um dia as reescrever”… não sei quantas são.

“[sobre o livro] talvez não se trate simplesmente “de uma investigação (sua) sobre a identidade cultural das gentes de Beja”, mas de algo mais abrangente a precisar de um estudo mais apurado”

3. O livro “Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras LENDAS” é fruto de uma investigação sua sobre a identidade cultural das gentes de Beja. O que o levou a escrevê-lo?

Esta Lenda talvez não tenha sido fruto de uma investigação programada e procurada. Nasceu da proposta que fazia aos alunos, quando me diziam que não gostavam dos textos que vinham nos manuais… – Então, tragam-me as vossas “estórias”, contadas pelos vossos pais e avós… um dia, uma aluna esboçou o fio de uma lenda que toda a gente sabia, mas ninguém contava, ou lhe dava qualquer importância! Assim, talvez não se trate simplesmente “de uma investigação (sua) sobre a identidade cultural das gentes de Beja”, mas de algo mais abrangente a precisar de um estudo mais apurado a envolver especialistas de várias áreas do saber, coisa que não é muito levada a sério em Portugal, apesar dos apelos de muitos Mestres, como José Leite de Vasconcellos, que considera este estudo como base para um enraizado desenvolvimento…

“às vezes fico comovido e desconfiado… Fui eu mesmo que escrevi isto?”

4. Porque é que os leitores devem ler este livro?

Confesso siceramente que não sei se há leitores interessados! Fica aí a aposta, o desafio, meu e dos muitos ‘narradores’ deste livro aos possíveis leitores, para uma “Reflexão Crítica”, ou seja, para uma ‘leitura’ atenta dos Volares Culturais Tradicionais que definem a Identidade de um Povo, a fim de conseguirmos uma tomada de Consciência, que nos possa permitir uma intervenção cívica, válida, na sociedade em que vivemos.

“fica o desafio, (…) aos possíveis leitores, para uma “Reflexão Crítica”, ou seja, para uma ‘leitura’ atenta dos Volares Culturais Tradicionais que definem a Identidade de um Povo”

5. Tem algum ritual para escrever?

Não tenho. Por vezes tenho que me levantar de noite e rabiscar qualquer coisa em qualquer lado para que as ideias não se percam e esfumem com o despertar… outras vezes no meio da rua ou no café, tenho de escrever em qualquer papel,… até nas embalagens dos maços dos cigarros que são as minhas fichas mais numerosas…. Servem sim, para depois, em silêncio, na minha “Gruta de Alfátima ou Canto do Sol”, quase sempre em intermináveis serões, ir apanhando grão a grão e deixar que aconteça a criação… a poesia.

“por vezes tenho que me levantar de noite e rabiscar qualquer coisa em qualquer lado para que as ideias não se percam e esfumem com o despertar”

6. O que tem feito para promover o livro?

Creio que tenho feito um pouco como o autor de “O Principezinho”, Antoine de Saint-Exupéry. Tentou desenhar uma imagem que muito o impressionara “uma jibóia a engolir uma fera (…). Mostrei a minha obra-prima às pessoas crescidas e perguntei-lhes se o meu desenho lhes metia medo. E elas responderam-me: ‘Porque é que um chapéu havia de meter medo?’ ”Mas aquilo, o meu desenho, ‘obra-prima’ era uma jibóia a hibernar digerindo um enorme elefante!!!”
Para promover o livro, tenho mostrado timidamente a algumas pessoas, até alguma divulgação na internet, mas sempre com o medo que tenha de aprender a “pilotar aviões” ou “me mandem cavar batatas…”!

7. Tem algum conselho para quem está a escrever o seu primeiro livro?

Creio que não consigo dar conselhos, porque também, normalmente, não sigo aqueles que me dão… Há que evitar o desperdício e a poluição! Conversar, sim. Sempre que posso tento ouvir o que os outros me dizem e tento VER se também estão atentos para ouvir! Ou OUVER!

“Sempre que posso tento ouvir o que os outros me dizem e tento VER se também estão atentos para ouvir”

8. Como é que conheceu a Bubok? Porque é que decidiu publicar connosco?

Creio que, desde há anos, andava à procura da BUBOK. Uma editora acessível e, sobretudo, que evitasse o desperdício das ‘obras-primas’ que todos temos e em que se arriscam centenas ou milhares de exemplares como ouvimos dos grandes “escritores” e ficam em armazém. Em 2003 descobri uma na Argentina, com quem trabalhei uns três anos e publiquei uma dezena de títulos.

Para uma segunda edição do livro “Gritos na Solidão – Décimas de Inocêncio de Brito”, um amigo telefonou-me a dizer que não era preciso virem de tão longe e deu-me o contacto da Bubok.

Como prefiro o meu retiro, há uma outra sedução que me fascina. É ir comunicando escondido atrás da escrita e dos vários deNÓMIOS e então, passo eu, com outro deNÓMIO, a ser o leitor do que eu próprio escrevo sem necessidade de incomodar as pessoas que têm as suas vidas e as suas pesadas e importantes ocupações. Às vezes fico comovido e desconfiado… Fui eu mesmo que escrevi isto? A edição das Lendas, está disponível em eBook e em papel aqui!

in  https://www.bubok.pt/blog/entrevista-a-jose-rabaca-gaspar-autor-da-bubok/






Algumas Obras

de

José Rabaça Gaspar




 
















Resultado de imagem para http://pt.scribd.com/doc/216627208/Manteigas-Jose-Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04




sábado, 19de Maio de 2018


Assassinada a 19 de Maio de 1954

Catarina Efigénia Sabino Eufémia (Baleizão, Beja, 13 de Fevereiro de 1928 — Monte do Olival, 

Baleizão, Beja, 19 de Maio de 1954) foi uma ceifeira portuguesa que, 

na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada a tiros, 

pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana. (Wikipédia)




"19 de Maio de 1954: Catarina Eufémia é morta a tiro em Baleizão, numa manifestação de trabalhadores agrícolas por aumento do salário. 

Ceifeira alentejana, Catarina Eufémia, filha de José Diogo e de Maria Eufémia, nasceu em 1928, na aldeia deBaleizão, concelho e distrito de Beja. Era uma assalariada rural pobre e analfabeta, como tantas outras mulheresdo seu Alentejo natal. Casou ainda nova, em 1946, tendo depois três filhos. A sua vida teria sido anónima eesquecida como a de tantos outros alentejanos da sua condição se não tivesse acabado em circunstânciastenebrosas, guindando-a a símbolo da resistência e contestação ao regime salazarista.
O Alentejo, naqueles tempos difíceis, era uma região de latifúndios e de emprego sazonal, onde as condições devida dos camponeses sem terras e assalariados eram extremamente difíceis. Esta situação sócio-económica elaboral penosa e dura agitou as massas camponesas da região a partir de meados dos anos 40, vindo-se aagudizar nas duas décadas seguintes, gerando-se um permanente clima de agitação social no campesinato. Eraminúmeros tumultos e mais frequentes ainda as greves rurais, que acabavam sempre com a intervenção da GNR eeram devidamente vigiadas pela PIDE, em busca então de infiltrados e agitadores comunistas.Numa dessasgreves de trabalhadores agrícolas, ocorrida a 19 de maio de 1954 na aldeia de Baleizão, um grupo de camponesesdirigiu-se à residência do patrão. Entre esses trabalhadores rurais, contava-se Catarina Eufémia, grávida e com umfilho de oito meses ao colo. Entre outras pretensões, reivindicava-se para as mulheres um aumento da jorna(salário de um dia de trabalho) de 16 para 23 escudos (o que representa na moeda atual - o Euro - um aumento de8 para 11 ou 12 cêntimos), na campanha da ceifa. No entanto, a GNR apareceu, como tantas outras vezes,acabando por intervir duramente. Para além dos tiros para o ar, de intimidação e para dispersar a concentração decamponeses, outros houve que tiveram um destino mais cruel e sangrento. De facto, o tenente Carrajola, da GNR,no caminho do grupo de assalariados para a casa do patrão, matara Catarina Eufémia com vários tiros, que caírapara o chão com o filho ao colo. Este assassinato a sangue-frio foi uma das mais brutais ações do regime deSalazar, causando uma revolta surda e contida entre as massas rurais alentejanas. Catarina tornou-se, depois dasua morte trágica, como um símbolo, principalmente entre o Partido Comunista Português, como um modelo demulher, mãe e militante. Muitas vezes se lhe jurou vingança, tal foi a raiva de dor que pulsou durante décadas noAlentejo por aquel morte estúpida e cruel, aparecendo também flores na campa de Catarina, no cemitério deQuintos, depositadas por desconhecidos. Os cantores de intervenção e os poetas opositores ao regime nãodeixaram também de cantar a pobre camponesa assassinada: José Afonso, Sophia de Mello Breyner ou JoséCarlos Ary dos Santos, entre outros. No imaginário popular e oposicionista, o assassinato de Catarina Eufémia eraa demonstração clara da crueldade e brutalidade dos métodos e formas de resposta por parte do regime àsdesigualdades e injustiças que apoiava e mantinha. 

in Catarina Eufémia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
 



Catarina Eufémia 
  
dedicado a Catarina Eufémia, com música de José Afonso

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/KpK2szckVrI

Monumento em Baleizão a Catarina Eufémia

Photo in Net


"Cantar Alentejano"-Homenagem a Catarina Eufémia

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/NBUKpZZ-e6g



CATARINA EUFÉMIA

Sophia de Mello Breyner Anderson 
 
O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente 
Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método obíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos
Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua



sexta-feira, 18 de Maio de 2018


Ao Encontro com os nossos Escritores


José Rentes de Carvalho


Violência doméstica 


"Na solidão da noite, cigarro após cigarro,  Mónica salta na internet dum para outro site, imaginando
 como por detrás do ecrã são milhões os mundos, milhares de milhões as ansiedades, as esperanças,
 as vontades de amar, os medos de perder, sofrer, destruir, tantos os desejos como as impotências, 
talvez mais as desigualdades do que as harmonias. 
Olha com desprendimento, nada que a anime ou interesse, retendo uma palavra, um rosto, 
compassos de música, demorando três segundos numa paisagem, na miséria colorida e espectacular 
de bombas que explodem, gritos, sangue, gente a correr.  Festejos. Ciclones. Inundações na Alemanha.   
Ouve-o tossir no quarto. Dá-se conta de que passa das três. Vai à janela e olha a rua, na expectativa 
que algo aconteça. Param carros no semáforo. Já não chove. Há janelas iluminadas no prédio
 fronteiro. Sete. Conta de novo. Sete. Olha como se estranhasse estar ali e desliga o computador, 
apaga a luz.
Decidiu que irá deixá-lo. Acende outro cigarro, hesitando se o acorda e lho diz  agora, ou ao pequeno-almoço."
.........
Publicado no CM.
 José Rentes de Carvalho


quinta-feira, 17 de Maio de 2018



Alentejo - Património Cultural

 José Rabaça Gaspar

«Nos livros um refúgio
Nas palavras aceitação
Nas frases sonhos
E nas letras emoção...»

in Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago


LENDAS

Lendas de Beja - O Touro e a Cobra e outras LENDAS...A obra: Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras Lendas…, de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja. Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a  ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia “fugir à regra”.Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está viva, e com pormenores que se vão recombinando consoante as versões, e expressa a ideia de um mito de origem que organiza e mrca a sua concepção do mundo envolvente.Num tempo em que o conhecimento científico impera, todos os ensinamentos baseados na oralidade, os contos, os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados de boca em boca, de geração em geração, parecem estar ameaçados de esquecimento e à deturpação dos seus significados.Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante um conhecimento dos antigos, dos ditos “analfabetos”, que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias e segredos.Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a preservar um património vivo, rico, que merece ser conhecido por todos. Daí que trabalhos como o de José Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados, na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.

Ana Machado

Antropóloga





GRITOS NA SOLIDÃO - Décimas de Inocêncio de Brito

Autor: José Rabaça Gaspar (coord.), Cremilde Brito, José Fialho e
 Manuel de Sousa Aleixo

Estado: Público
Nº de páginas: 172 Tamanho: 210x297 
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Colado
Acabamento da capa: BrilloISBN Acabamento em capa mole: 
978-84-9916-782-4

Inocêncio de Brito -1854 -1938- foi um notável Mestre na
Arte de versar em Décimas (António Aleixo e
Manuel de Castro consideravam-no “Mestre” nos
despiques da Feira de Castro Verde) "construindo"
com maestria, importantes temas com um profundo
fundamento como a Terra, a Família, a Morte, a
Guerra, a Mulher… Tem sido bastante ignorado e

plagiado, muito considerado pelas pessoas da sua terra
 natal, S. Matias, Beja.




As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar,
Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04 





Alentejo-Gastronomia

Receitas Culinárias do Alentejo


Calducho


Prato tradicional de Redondo
Foto in portugaldelesales.pt


 "Ingredientes: 
2 postas de bacalhau demolhado
3 dentes de alho
2 cebolas
1,5 dl de azeite
2 folhas de louro
1 raminho de poejos
500 gr de batatas
sal
2 ovos
4 fatias de pão duro

Confecção
Leve 1,2 lt de água ao lume. Depois de ferver, introduza o bacalhau e coza durante 5 minutos. Escorra, retire a pele e as espinhas e desfaça em lascas. Reserve o caldo. Pique os alhos e as cebolas muito finamente e frite no azeite quente. Junte as folhas de louro partidas e o raminho de poejos. Regue com o caldo do bacalhau e deixe levantar fervura. Entretanto, descasque as batatas e corte aos pedaços pequenos. Junte à sopa, tempere com sal e coza durante 15 minutos. Envolva o bacalhau, os ovos batidos e coza por mais 5 minutos. Corte o pão aos pedaços e coloque numa tigela. Regue com a sopa, decore com um raminho fresco de poejos e sirva de imediato." in seralentejano.blogspot.pt
 


Receita completa de Calducho com poejos, ovo e bacalhau, prato típico de Reondo confecionado por Maria Margarida Valverde, do restaurante "O Marujo"


 
Receita completa de Calducho de Redondo

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/7Uxxx086WT8https://youtu.be/7Uxxx086WT8
  


Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar


culinaria-do-alentejo-1



terça-feira, 15 de Maio de 2018


Alentejo - Património Cultural


José Rabaça Gaspar

(1938-2018)

A MAR - José d´A Mar - Ediciones El Universal - 950-502-602-5

  

A MAR

ISBN 950-502-602-5 / 6 para edição virtual e em papel a pedido...

A MAR é um pequeno livro - uma jóia preciosa – dedicado:
À Fátima - companheira sofrida do percurso mais tumultuoso (atormentado) desta longa e tormentosa VIAGEM - como um RIO - que é a vida do autor…
À Diana - a filha que foi parida pelo Pai (Homem) e por isso ganhou o prémio como único Homem a dar à luz (a parir) - prémio que não recebeu…
Ao David - o Filho que veio na última etapa, não para ser filho mas para ser o Guia que leva pela mão o Pai, neste derradeiro percurso desta Viagem… a mais recente de muitas outras já vividas…
Assim, a sinopse vai aparecer aqui feita pela Fátima a tentar resumir o turbilhão de ideias que me ocorrem e seria importante transmitir como resumo e apresentação do significado que pode ter esta mensagem… A MAR até conseguir realizar a VISÃO que o autor teve em sonho: ver uma multidão de gente de todas as línguas e lugares deste Planeta MAR a realizarem uma ONDA imensa (LA OLA) com a palavra MAR… A MAR… AMAR…




Apresentação

"Como a água das fontes e dos rios, a VIDA, todas as VIDAS, correm sempre para O MAR… A MAR… AMAR… Nestes poemas com a influência de Camões, Torga e Borges, é proclamada a subversão: O MAR é A MAR!

José d’A MAR poeta na alma traz consigo o ciclo de renascer da força das águas.

O José é um mar de emoções vividas num mundo demasiado interiorizado, manifestado aqui em turbilhões de sentimentos e inconformismo dando vida às palavras e dando voz a quantos nele se revêem. Escritos em diferentes fases do seu percurso revelam todos eles o grito calado, de um inconformismo com o Mundo dos Homens.
Vale a pena percorrer estes versos como rios de um mar em contínua transformação.
Fátima Borges”.

Pode OUVIR - 'MARIA NOME de MAR' e VER no YOUTUBE por Manuel e Arisberta ALEIXO

Publicado em 02/02/2013


Faça Duplo Click e ouça!!



Maria Nome de Mar

Maria Nome de Mar- Musica e Letra de José Rabaça Gaspar.

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/hc3KtqFGjCA


sábado, 12 de maio de 2018



"O Cante Alentejano é a Voz do Ventre da 

Terra"

José Rabaça Gaspar

(1938-2018)

Wolfgang Amadeus Mozart-Lacrimosa

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/k1-TrAvp_xs
 


Alentejo - Património Cultural

 José Rabaça Gaspar

Fotografia de Adriano Bastos

Faleceu hoje 12 de Maio pelas 17 horas

 o Amigo Dr. José Rabaça Gaspar



"José RABAÇA GASPAR - usando 1001 deNÓMIOS diversos...
Professor de Língua e Literatura Portuguesa, já dispensado do Ensino Oficial.
Nasceu na Serra da Estrela, Manteigas (1938), tirou o Curso Superior de Filosofia e Teologia, na Guarda, e exerceu a sua actividade, desde 1961 em várias localidades da Serra - Loriga, Gouveia, Covilhã e Ferro, passando depois pela Academia Militar, em Lisboa, antes de cumprir o Serviço Militar em Moçambique - Metanguala, Maúa e Nampula, (4 anos) tendo passado algum tempo em Angola - Luanda e Benguela. 
Frequentou depois, em Paris, um Curso intensivo de Animação Cultural, para os Povos em Desenvolvimento e Alfabetização, com Paulo Freire, e esteve, 4 anos, nos Serviços de Apoio aos Emigrantes Portugueses na Alemanha onde frequentou Cursos de Alemão e leccionou Português.
De regresso a Portugal, em 1975, esteve primeiro a trabalhar nas Cooperativas Agrícolas como trabalhador agrícola, na Alfabetização e Animação Cultural tendo ingressado no ensino Oficial em 1976.
Leccionou em Rio Maior, Setúbal, Caldas da Rainha e cerca de 20 anos em Beja, Alentejo, procurando levar os alunos a aprender o melhor da Língua e da Literatura Portuguesa, a partir das suas raízes culturais. A Poesia Popular, as Canções, o Contos, as Lendas, os Provérbios e os usos e costumes, bem como amaneira característica de FALAR (saudações, nomes, alcunhas, expressões regionais...) serviam, normalmente, de base para aprender toda a gramática e "riqueza" da Língua e da Literatura.
Com mais de 20.000 páginas de Recolhas e Textos dispersos por mais de 200 obras alguma das quais podem ser consultadas em http://www.joraga.net - um ESPAÇO na NET - aminhaTEIAnaREDE... desde 09.2002."



Para mim, o CANTE - o CANTO ALENTEJANO -

o CAnto da TErra

é a VOZ DO VENTRE DA TERRA MÃE." J.R.Gaspar



"A obra de José Rabaça Gaspar constitui um valioso contributo para o estudo, conservação, defesa e divulgação do Cante Alentejano, no tocante à autenticidade das suas raízes e conhecimento de todos os que através dos seus trabalhos possibilitaram a sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade, resultando de trabalho incessante de pesquisa e aprofundado estudo ao longo de décadas . 

O Blogue "Amigos de Borba" presta sua justa homenagem ao Dr. José Rabaça Gaspar pelo trabalho discreto, objectivo e valioso para o estudo do Cante Alentejano. Desde a primeira hora na criação da Associação dos "Amigos de Borba"
e do Blogue "Amigos de Borba"

Foi um paladino esforçado, de inexcedível bondade, partilha de saberes e entrega na recolha e estudo das tradições poéticas, musicais, linguisticas,  de usos e costumes e características do Alentejo. À Família e Amigos endereçamos as nossas sentidas condolências."


"Cante Alentejano-Defesa, Preservação e sua Divulgação"

Ùltima Entrevista com Dr. José Rabaça Gaspar

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wAUAdy7ARss


sexta-feira, 11 de maio de 2018


Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo

Orada-Borba

Fotografia da Casa da Cultura da Orada

Foto de Casa da Cultura da Orada.

Foto de Casa da Cultura da Orada.




"Respigando...Alentejo"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)


Pelourinho de Fronteira - Portalegre 


Foto de Rui Breda.

"Fronteira é uma vila no Distrito de Portalegre, região Alentejo com cerca de 2 000 habitantes.

É sede de um município subdividido em 3 freguesias, e é limitado pelos Municípios de Alter do Chão, Monforte, Estremoz, Sousel e Avis.
O foral do concelho foi concedido por Manuel I de Portugal a 1 de Junho de 1512, na sequência do qual foi construído o Pelourinho tendo sido posteriormente reconstruido já no Século XX.

"O Pelourinho de Fronteira, está situado no Largo do Município, junto aos Paços do Concelho e à Torre do Relógio. A base arquitectónica é constituído por três degraus quadrangulares, em alvenaria, lajeados com placas de mármore da região.  
A base da coluna, prismática e de planta octogonal, é decorada com moldurações horizontais, e rematada por escócia e bocel; o fuste é composto por dois troços de altura idêntica, o inferior oitavado e de faces lisas, o superior torso espiralado para a esquerda, ligados por anel central duplo, este último de factura moderna. O capitel é ainda poligonal, e duplo, com boleados nas faces, e dois pequenos escudos, um portando as armas régias e outro as da ordem de São Bento de Avis. O remate é novamente resultado da intervenção do século passado, sendo constituído por uma pinha com pequeno fogacho."


Rui Breda



Tempo de Leitura










quinta-feira, 10 de Maio de 2018




Entrevista com Francisco Ferrão

Foto de Cervejaria Arado "O Chico".



Cervejaria “ARADO DO CHICO”
Petiscos:
- Toucinho da Calda
- Fígado de Porco
- Bucho de Porco com Arroz
- Torresmos

Pratos Tradicionais:
- Sopas de Feijão com Alabaças, 
- Sopas de Cação, 
- Sopas de Beldroegas, 
- Ensopado de Borrego 
- Frango Assado na brasa


Foto de Cervejaria Arado "O Chico".

Foto de Cervejaria Arado "O Chico".

 
Cervejaria “ARADO DO CHICO”
RESTAURAÇÃO

Considerando que a gastronomia Alentejana é uma das maiores riquezas do nosso Alentejo, começámos por falar com um proprietário de um Restaurante em Borba e que é de seu nome Francisco António Duro Ferrão.

Foto de Cervejaria Arado "O Chico".

Informou-nos então que abraçou esta actividade da restauração em 23 de Abril de 1977, com empregado  deste estabelecimento, conhecido por Cervejaria “ARADO DO CHICO”, sito na Avenida 25 de Abril, 34, em Borba.

Sempre acalentou este objectivo de se dedicar a este ramo e cedo começou como empregado até 1992, ano em que negociou o trespasse com seu patrão Sr. Silva.

Em Borba e há muitos anos que ali se celebra a tradicional ” Festa da Vinha e do Vinho”, que começa com a também tradicional “visita a todas as Tascas” da terra.

Sempre o visitaram e sempre lhe foi reconhecido o bom acolhimento, a melhor apresentação e degustação dos seus petiscos, dos quais se destaca o Toucinho da Calda e o Fígado de Porco assado na brasa, Bucho de Porco com arroz e os Torresmos a que não conseguimos também resistir.

Confecciona as tradicionais “Sopas de Feijão com Alabaças, Sopas de Cação, Sopas de Beldroegas, Ensopado de Borrego e Frango Assado na brasa, entre outros que lhe pedem.

A maior parte dos seus clientes são os naturais da terra, embora muitas pessoas que ali passam e que já lá tenham entrado, especialmente quando das festas tradicionais da cidade, em feiras ou outros eventos, voltam lá sempre para provarem estes irresistíveis petiscos.

Também o visitam estrangeiros mais das terras perto da fronteira, mas  já lá têm entrado pessoas doutros países, por mero acaso.

Em relação à tão propalada crise, Borba é um caso especial. Como é sabido e especialmente quando começou a guerra no Iraque e por arrasto nos países árabes com a diminuição da exportação dos mármores,  "Ouro Branco” de Borba, Estremoz e Vila Viçosa, fomos todos muito afectados, tanto no comércio como na indústria . Perderam-se vários milhares de postos de trabalho, nesta terra onde se vivia bastante bem e onde havia um nível de vida bastante razoável.


Foto de Cervejaria Arado "O Chico".


Momento Musical


Omar Bashir ~ My Favourite Dance               

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/JS27Mrb4a1E

quarta-feira, 9 de Maio de 2018




Sugestão de Passeio 

Portel

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/pSYIHFxOjCU

Portel é uma vila portuguesa, no Distrito de Évora, região Alentejo. Portel parece ter sido habitada por Romanos e porventura Fenícios, exploradores de minas de metais, e os seus vestígios ainda são visíveis no sítio dos Algares. Foi habitado por árabes e mouros que deixaram como vestígios da sua presença as muralhas de taipa que já se encontram em ruínas. Durante os períodos de guerra contra Mouros e Castelhanos os habitantes procuravam proteção dentro das muralhas do castelo vindo mesmo aí a fixar residência. Com D. João I o medo bélico terminou e a vila precipitou-se a construir as suas habitações no sentido sul- norte em direção ao castelo. Das habitações que se encontravam dentro do castelo pouco ou nada há a não ser ruínas e o relato da existência de três igrejas : de S. João, de S. Vicente e de S. Maria. Portel é ainda um marco na passagem de quem quer visitar a Albufeira do Alqueva. Em redor desde grande lago podemos visitar 7 Castelos/fortificaçóes antigas: Castelo de Portel, Castelo de Moura, Castelo de Mourão, Castelo de Monsaraz, Castelo do Alandroal, Castelo de Terena e Fortificaçáo da Juromenha.

Luis Correia


terça-feira, 8 de Maio de 2018





Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespear
e


 

Benefícios no consumo de FIGOS  





Propriedades do Tomilho
Tomilho

 

 
Benefícios no consumo do  Agrião



Benefícios no consumo do Manjericão
Manjericão





segunda-feira, 7 de Maio de 2018


Momento Musical

Foto de Conservatório de Tatuí.
Toda hora é hora de música! 


Diu vi salviRegina - Barbara Fortuna & Constantinople

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/L0y721NTfBg




sábado, 5 de Maio de 2018



Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro



Foto de Cooperativa Cultural Popular Barreirense.


Alentejo-Cante Alentejano 


TRATADO DO CANTE - Figuras do Cante:
Padre José Alcobia (Pias-Ferreira do Zêzere 28/11/1914/ Beja 2/2/2003)

 "Seria injusto não falar neste Congresso de um homem... que, apesar de não ser alentejano, pois ele é natural de Ferreira do Zêzere, abraçou com alma e coração o cante alentejano, enriquecendo e elevando ao mais alto ponto, conseguindo levá-lo além fronteira num tempo muito difícil. Estou a falar do senhor padre José Alcobia. Pároco no concelho de Ferreira desde 1944, função que tem exercido ininterruptamente, estendendo a sua acção por todas as freguesias do concelho. Criou o Colégio Nuno Álvares, o Sport Clube Ferreirense, um bairro para trabalhadores rurais com mais de quatro filhos denominado Nossa Senhora da Conceição. Como músico descobre a riqueza grandiosa do cante alentejano cujas melodias fazem vibrar o nosso povo e cria o Grupo Coral “Os Trabalhadores de Ferreira do Alentejo”. Produziu programas para a antiga Emissora Nacional, Rádio Renascença, Televisão, gravou discos e cassetes e conseguiu em 1972 levar este Grupo a Zagreb, Jugoslávia onde obteve um êxito extraordinário. Em 1976 foi criado em Figueira de Cavaleiros o Grupo Coral “Os Rurais” fundado por um grupo de amigos onde me incluo e exerço o cargo de responsável. Convidámos o Padre José Alcobia para nos ajudar que, de braços abertos e com todo o seu saber e entusiasmo, contribuiu decisivamente para elevar o Grupo ao nível que hoje tem. Com ele conseguimos muitas actuações de norte a sul do País, gravámos dois LP’s, duas cassetes áudio e tivemos o ponto mais alto em 1976 em Zagreb na Jugoslávia, no Festival Internacional daquele país. Aí estavam presentes 77 grupos representativos de vários países e o Grupo Coral “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros” foi considerado um dos melhores grupos de vozes que por ali passou, tendo a honra de ter sido convidado para fazer do encerramento do Festival com mais três grupos de outros países. Foi com grande emoção que sentimos milhares de pessoas em silêncio apreciarem o cante alentejano e ver a bandeira portuguesa a subir pelo mastro ao canto do nosso hino. O Padre Alcobia criou ainda o Grupo “Cantares Alentejanos do Batalhão nº. 3 da GNR”, conseguindo ainda a renovação do Grupo Coral “Alma Alentejana de Peroguarda”, por quem Giacometti se apaixonou levando-o a pedir que ali fosse sepultado ao som do cântico ao Menino de Peroguarda. Ele ainda hoje dirige estes grupos, apesar da sua idade. Obrigado Padre Alcobia por tudo o que fez pela Terra alentejana. Era bom que muitos padres Alcobias aparecessem para bem do nosso cante alentejano e da nossa cultura. Bem haja!"
Comunicação de Luís Franganito – Grupo Coral e Etnográfico “Os Rurais de Figueira de Cavaleiros, no Congresso do Cante Alentejano, realizado em Beja, em 1997.
in: "Que modas? que modos?". Ed. FaiAlentejo. 2005
in José Francisco Pereira

"Dr. Henriques Pinhero

Trata-se de um ilustre médico, chegado a Beja já há 54 anos. Foi médico no Hospital da Misericórdia, antigo Hospital de Beja. Foi Director Distrital do Serviço de tuberculose e doenças respiratórias. Foi também Director do Diário do Alentejo. Dinamizou com a sua esposa a delegação da Proarte de Beja durante 18 anos. Fundou com a sua esposa, também, o Centro Cultural de Beja e dentro dele a Academia de Música do Centro Cultural. Dinamizou, ainda o processo de constituição do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, do qual é Presidente do seu Concelho de Administração. Actualmente não exerce clinica. Mas de facto muitos alentejanos o conhecem porque foi extremamente importante na luta contra a grande epidemia de tuberculose no Baixo-Alentejo. " Palestra de Artur Mendonça 8/11/1997


De

Henriques Pinheiro

"Desde que aqui cheguei, o canto revelou-se-me a expressão de uma arte musical que, para além de não ter qualquer semelhança, com o canto popular de outras regiões, logo se me afigurou ser de bem melhor qualidade que de outras cantigas populares do nosso País. A verticalidade do Povo revelou-se-me sem hipócritas e interesseiras mesuras face à tradicional postura de outras gentes perante certos poderes da hierarquia social. A Planície que se me revelou, a compleição geográfica mais favorável, a afirmação da verticalidade do ser que o Alentejano é, pois lhe basta erguer-se para sobre si próprio dominar léguas a perder de vista, esta Planície seduziu-me pela serenidade dos dilatados horizontes tão propícios à serena meditação, à interiorização da sensação de paz que dela parece brotar. Originário do Norte do País, duma região bem diferente deste Alentejo, bastante impressionado fiquei por ocasião das minhas primeiras férias que por aqui passei, estávamos numa época do Natal, num dos últimos dias da década de trinta, quando um canto de bela e estranha harmonia me acordou, de madrugada e depois se foi afastando, lentamente, rua além para voltar a aproximar-se, rua aquém num canto de solene sonoridade, compassado, majestoso. Era um canto de grande beleza, que muito surpreendeu a minha sensibilidade. E, a madrugada, as estrelas e a aldeia adormecida (Baleizão) onde os meus pais estavam, - eram professores do ensino primário, - ajudavam a enriquecer a tão extraordinária harmonia àquelas horas e daquele modo cantada. Não consegui na altura entender a poesia que o grupo cantava. Só mais tarde me aperceberia da beleza poética que ilustra as canções populares deste Alentejo e que tanto merecimento lhes acrescenta tornando-as ímpares, sem discussão."

Henriques Pinheiro:8/11/1997


Em Borba- 08-Fotografias

 02-Monumentos

pode ver


Fotografias de Adriano Bastos

 





"Respigando...Alentejo"

(Respigando; apanhar aqui e além; recolher; compilarcoligir)

Fotografia de Adriano Bastos


 
Foto de Artur Pastor.
Série “Feiras, Mercados e Romarias”. Alentejo, década de 40 Artur Pastor
 Foto de Artur Pastor.Série “Feiras, Mercados e Romarias”. Alentejo, décadas de 40/ 50 Artur Pastor





Foto de Artur Pastor.Série “Feiras, Mercados e Romarias”. Alentejo, décadas de 40/ 50 Artur Pastor

 

Foto de Artur Pastor.Série “Feiras, Mercados e Romarias”. Évora, Alentejo, décadas de 40/ 50 Artur Pastor






quinta-feira, 3 Maio de 2018




de Maio de 1808 em Madrid

           in www.ibiblio.org

Francisco Goya
"Outra obra romântica muito conhecida é o quadro de Francisco de Goya, Três de Maio de 1808, que retrata um acontecimento histórico real: após Napoleão e suas tropas invadirem a Espanha, parte do povo de Madrid revoltada é executada pelo pelotão de fuzilamento francês.
Nota-se nessa obra a liberdade de expressão e de criação de Goya, que projeta um fundo escuro, em contraste a luminosidade da cena principal, obtendo assim uma cena de horror dramática e expressiva. À direita, o pelotão sincronizado preparando para atirar, enquanto que na esquerda, as vítimas, ou seja, os espanhóis.
Pode-se destacar desse quadro de Goya, o homem de braços abertos vestido de branco e amarelo no meio da pintura. Percebe-se que Francisco de Goya faz uma comparação desse homem, que tem papel de mártir, com Jesus Cristo (os braços abertos formando uma cruz). Outro aspecto desse mesmo homem é a sua estatura elevada, cujas proporções são claramente percebidas (ele, de joelhos, é de tamanho aproximado dos atiradores e dos outros componentes na pintura)."
in liberdaderomantica.blogspot.pt

Mário Viegas diz Jorge de Sena "*Carta a meus filhos..."
o titulo completo lê,"Carta aos meus filhos sobre os fusilamentos de Goya" 
tem musica original de Luis Cilia

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/ggoc8v0dgD0




Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo e Além Tejo

Barreiro


Orada-Borba

Foto de Casa da Cultura da Orada.


Ao encontro com a nossa gastronomia

Orada

Borba- Alcaraviça


A dois passos de Borba, no cruzamento para a Orada (na A6)  o viajante percorre 3 kms por entre vinhedos e campos cuidados, com pequenas casas dispersas até ao desvio para Alcaraviça. 
Os campos estão enfeitados, sinal de uma primavera que tardou a chegar. 

 
 



"O viajante percorre a estreita estrada sob um sol primaveril e duma abóbada imensa azul rasgada pelos voos das recém chegadas andorinhas.Uma vez chegados deparamos com uma casa simples, com esplanada contígua a um balcão interior e sala. Em ambiente tipicamente alentejano, simples e acolhedor o viajante não se sente um estranho, entabulando em breve conversa com os presentes. Terra secular de bons vinhos, fomos presenteados nas entradas com paio delicioso de porco preto, azeitonas retalhadas e o bom pão de Orada. Não faltou o queijo seco de imediato acompanhado com vinho do concelho. Ainda o viajante degustava as azeitonas, Dona Aurinda serve a saborosa sopa de tomate. Ainda pensou em sopa de beldroegas ou de cação mas fixou-se na de tomate. 
Com o afluir de novos clientes, seu marido comenta nas mesas contíguas o apreço dos visitantes pelo coelho assado no forno. No espaço exterior estão já estacionados de forma dispersa inúmeros carros que ali demandam em busca de sabores genuínos do Alentejo. Seja o acolhimento, os cheiros que se espalham vindos da cozinha e o conversar descontraído dos clientes, conferem a este local uma qualidade inigualável de bem estar.

Não foi desta que o viajante se deliciou com o Gaspacho Alentejana à moda da casa ou Perdiz com Lombarda.



O coelho assado no barro é servido, sendo o prato de referência e de procura permanente. Com saborosos temperos com ervas aromáticas e azeite local ,chega à mesa diretamente do forno ainda saltitando os temperos.
O viajante delicia-se com tão opíparo manjar o qual finaliza com farófias a recordar-lhe os tempos de infância em vespertinas natalícias. Ainda se dividiu entre o bolo de bolacha de café e com creme de manteiga e o famoso pudim de ovos. Acompanha o bom café um pequeno cálice de aguardante para acalmar e saborear pausadamente. 
No exterior o sol ainda vai alto e o viajante leva a ideia de sempre aqui voltar."

Adriano Bastos





Borba-Orada freguesia do Concelho de Borba-Alentejo

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/1vVbvg9rIto








Alentejo-Património Cultural

José Rabaça Gaspar


SERPA enCANTADA em LENDAS

1 DÉCIMA dedicada a SERPA
de
JOSÉ PENEDO de SERPA
ou José Penedo da SERRA
 lendo
LENDAS DE SERPA EM REDONDILHAS

SERPA

Altinho
ou
Ermida da Senhora de Guadalupe

(Foto Inge Wilkens, 1983)

(Postal Rui Cunha, 1985)

1 DÉCIMA dedicada a SERPA
por José Penedo de Serpa
sobre a possível origem de um NOME estranho

MOTE

DE SERPE, SERPENTE ALADA
OU DE SERPÍNEA A PRINCESA
TALVEZ DE ANA, A ENCANTADA
TEM SERPA O NOME, A BELEZA

A lenda conta, que, há anos,
Já esquecidos dos antigos,
Por cá só havia perigos,
Só havia desenganos,
Guerras, solidão e danos...
Foi então, que uma fada
Deu ao rio uma aliada,
Que a região defendia. 
Do ANA era a Rainha 
A Serpe- Serpente alada.
 
Mais tarde, fugindo à guerra 
Que Rolarte lhe movera... 
Orosiano morrera... 
E Cófilas se desterra 
Construindo nesta terra, 
Que achou de rara beleza, 
Para a filha a fortaleza 
Onde seu noivo chorou 
E novo amor encontrou 
Serpínia, a bela princesa.
 
Mas ainda há outra lenda,
Deste rio que era o Ana,
Para os mouros Odiana...
Uma fidalga era prenda
Duma magia tremenda...
Numa cobra transformada,
Numa figueira acoitada
Gritava p’lo desencanto
E o seu pranto era o canto
Talvez de Ana, a encantada. 
 
Não se sabe bem à certa
Qual a profunda razão
Da Serpe que é no Brasão
Da nobre vila de Serpa!?
Nas lendas a descoberta:
- Da Serpe do Ana, a ardileza;
- De Serpínia tem a alteza;
- Ou da fidalga encantada
que em Cobra foi transformada
Tem Serpa o nome, a beleza. 
 
(Desenho de Mirita - in Cancioneiro de Serpa, de Maria Rita Ortigão Pinto Cortez, 1994)

Por se tratar de um DOCUMENTO bastante extenso - e por já ter sido publicado in "SERPA INFORMAÇÃO" 4ª SÉRIE Dezembro de 1996 / Janeiro de 1997 - como SEPARATA - SERPA ANTIGA - em breve será apresentado como eBook ou noutra PÁGINA PRÓPRIA (lendas_de_serpa) nesta TEIA interminável desta REDE inesgotável - em joraga.net/a_minha_teia_na_rede ... ou, enviada a pedido...

Desde Fevereiro de 2004, Serpa enCantada em Lendas, está publicado pela e-libro

com o título A SERPE, de José Penedo de Serpa, e pode ser pedido sob a forma de edição virtual para ser transferido, ou pode ser pedido em formato de papel...

http://www.e-libro.net/libros/libro.aspx?idlibro=1942 




quarta-feira, 2 de maio de 2018





Sugestão de Passeio 


Monsaraz 

de

Luismundo Correia

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/qNY6BkVOFCg

"Monsaraz é uma freguesia portuguesa do concelho de Reguengos de Monsaraz, na região do Alentejo. Antiga sede de concelho, transferida pela primeira vez em 1838 e definitivamente em 1851 para a então vila de Reguengos de Monsaraz, hoje cidade. É importante não confundir Reguengos de Monsaraz com Monsaraz. São duas localidades distintas separadas por cerca de 15 quilómetros. A vila de Monsaraz foi conquistada aos mouros, em 1167, pelos homens de Geraldo Sem Pavor. O primeiro foral veio a ser concedido por D. Afonso III, em 15 de Janeiro de 1276. O castelo de Monsaraz desempenhou ao longo dos séculos o papel de sentinela do Guadiana, vigiando a fronteira com Castela. A airosa vila medieval de Monsaraz, mantêm a sua magia de outrora como poucos lugares no mundo. Feita de cal e xisto, este lugar sussurra-nos, por entre o eco dos nossos passos nas suas ruas, magníficas histórias de reis audazes, cavaleiros templários, gentes bravas e damas de beleza singela. Suspensa no tempo, a histórica povoação alentejana, uma das mais antigas de Portugal, é um destino obrigatório na sua lista de lugares a visitar no Alentejo. Especialmente depois de, em 2017, ter vencido na categoria “Aldeias Monumento” do concurso 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias. As muralhas que circundam a vila guardam uma povoação acolhedora, onde a luz acaricia os pitorescos e tradicionais lares das hospitaleiras gentes desta terra. Descobrir Monsaraz é viajar no tempo e desfrutar da História no presente. E há tanto para ver e sentir nesta encantadora máquina do tempo, bem no coração do Alentejo. O castelo de Monsaraz é um ponto turístico único e excepcional em Portugal, pois é um dos mais esplêndidos mirantes sobre o maravilhoso espelho-de-água da Barragem de Alqueva, o maior lago artificial da Europa e uma das maiores obras portuguesas do nosso século."

Luis Correia


Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!

 Foto de Yo también trabajo en un museo.
Armando Barrios 
 


Abel Korzeniowski-Come, Gentle Night

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/utRfdyBEzYc



segunda-feira, 30 de Abril de 2018


Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare



Beneficios no consumo de FAVAS



"Favas, como edamame, são de cor verde legumes que vêm em sua própria pod. Você pode comprá-los em conserva, frescos ou secos. A leguminosa rica em nutrientes, favas são ricos em fibras e proteína na dieta, muito baixa em gordura, livre de gordura saturada e excelente fonte alimentar de muitos nutrientes essenciais para a saúde humana, tais como vitaminas e minerais. Favas, quando consumidos como parte de uma dieta saudável, podem oferecer benefícios cardiovasculares e ajuda no controle do peso.

Rico em nutrientes

De acordo com Frutas e Vegetais da Matéria, favas são um alimento denso em nutrientes, ou seja, eles fornecem muitos nutrientes essenciais para o bom funcionamento corporal sem ser rico em calorias. Estes grãos são uma boa fonte de alimento da vitamina B1 ou tiamina, ferro, cobre, fósforo, potássio e magnésio, reunidos 10-19 por cento do valor diário recomendado, ou DV, para cada copo de 1/4 por. Vitamina B1 é importante para uma função do sistema nervoso e do metabolismo energético; ferro é um componente essencial de uma proteína responsável pelo transporte de oxigénio no sangue, e o cobre, em conjunto com ferro, ajuda a formar as células vermelhas do sangue. Cobre também desempenha um papel em manter os seus vasos sanguíneos, sistema imunológico e ossos saudáveis. De fósforo e de magnésio são importantes para manter os ossos fortes, e magnésio, juntamente com o potássio, ajuda a regular a pressão sanguínea. 

Favas também são uma fonte excelente comida de folato, e manganês, fornecendo mais de 20 por cento do DV para estes nutrientes por 1/4 xícara. Folato suporta sistema imunológico função de saúde, cardiovascular e ajuda a formar os glóbulos vermelhos. O manganês é necessária para o metabolismo dos hidratos de carbono, proteínas e de colesterol.

Promover a saúde do coração

Para além de ser uma fonte excelente de nutrientes que sustentam a saúde cardiovascular, favas são ricos em fibras dietéticas, proporcionando 9 g por 1/4 de copo. Leguminosas, tais como feijões são uma fonte de ambos os tipos de fibra alimentar, solúvel e insolúvel, mas são particularmente ricos em fibra solúvel. De acordo com MayoClinic.com, consumindo solúveis, alimentos ricos em fibras pode ajudar a melhorar o seu nível de açúcar no sangue e os níveis de colesterol. A fibra solúvel é particularmente eficaz na redução dos níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL), comumente referido como mau colesterol.

Controle de Peso ajuda

Favas também são ricos em proteína, oferecendo 10 g por porção 1/4-cup. De acordo com um estudo publicado em 2010 no European Journal of Clinical Nutrition, indivíduos com sobrepeso ou obesos que seguiram uma dieta controlada, de alta proteína, dieta rica em fibras perderam mais peso do que aqueles em um padrão de calorias controladas, rica em carboidratos, baixo teor de gordura da dieta. Entre os participantes, 89 mulheres com sobrepeso ou obesas com idade entre 18 e 65 anos, que seguiram a dieta durante 10 semanas. Os participantes do-alta proteína, dieta rica em fibras não só perdeu mais peso corporal e gordura total, mas também gostava de baixar o colesterol total e os níveis de colesterol LDL. Com sua proteína combinada e teor de fibras, feijão fava pode ajudar na perda de peso."

Fonte:http://textozon.com/beneficios/artigo-3474.html



Sugestão de Passeio 



Belver-Gavião

de

Luismundo Correia

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/DZ5gC5z7TMU

"Única aldeia a Norte do Rio Tejo que pertence ao Alentejo, município de Gavião. Aldeia muito bela encimada por um Castelo antigo que remonta aos primórdios da Nação: "À época da Reconquista cristã da Península Ibérica, uma onda de assaltos das forças do Califado Almóada, sob o comando do califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur, determinou o recuo das fronteiras cristãs para a linha do rio Tejo (1190-1191). Nesse contexto, em 1194, D. Sancho I (1185-1211) doou a região entre o rio Zêzere e o rio Tejo, denominada Guidintesta, Guidi in testa ou ainda Costa, ao prior da Ordem dos Hospitalários, D. Afonso Pais, para ali se construir um castelo, denominado de Belver pelo monarca. Em 1210, quando D. Sancho I ditou o seu testamento, os Hospitalários, já ali instalados, receberam parte expressiva de sua herança, acreditando-se, por fontes coevas, que o castelo estivesse concluído entre esse ano e o de 1212.". A seus pés corre o rio Tejo, aqui numa Albufeira, cheia pela Barragem de Belver. Toda a zona é de uma enorme beleza onde raramente se ouve qualquer ruído que não seja o da própria natureza. Foi construído um passadiço na margem Sul do rio, passadiço do Alamal, que ladeia o rio desembocando numa bela praia fluvial, praia fluvial do Alamal. Existem vários percursos pedesrtes um dos quais, o mais completo, sai de Belver pela margem norte em direção à Barragem de Belver, atravessa a Barragem e depois contorna o rio pelo passadiço até à ponte de Belver que nos leva de novo ao centro de Belver. São cerca de 15 Km´s. Vale a pena é um excelente local para um bom fim de semana."

Luís Correia


domingo, 29 de Abril de 2018



Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven


Sevilla de Isaac Albéniz. Antologia de la Danza Española

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/d1G8EKtJ2RM


Jordi Savall - Folías de España

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/5Frq7rjEGzs


Ao Encontro com os nossos Poetas

Foto de ChingYang Tung.
Photo Ching Yang Tung

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares
à porta dos edifícios públicos
nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado
por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro
que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo

É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique Antes
que a invenção do amor se processe em cadeia
Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade

É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas
Fechem as escolas Sobretudo
protejam as crianças da contaminação

uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste
inexplicavelmente dado aos longos silêncios
e aos choros sem razão
Aplicado no entanto Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo Vai ser internado
e submetido a um tratamento especial de recuperação

Mas é possível que haja outros É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade

Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas…

É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam felizl
he lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta…

Procurem a mulher o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência

Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua

Daniel Filipe

Foto de ChingYang Tung.

Photo Ching Yang Tung


Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.

Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,

um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.

O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.

Fernando Namora, in “Mar de Sargaços”


Foto de ChingYang Tung.

Photo Ching Yang Tung


O verão passa e o estio se anuncia

que o outono se há-de ser e logo inverno

de que virá nascida a primavera.

Mais breve ou longo se renova o dia

sempre da noite em repetir-se, eterno.

Só o homem morre de não ser quem era.

Jorge de Sena, Exorcismos, 1972. 


Foto de ChingYang Tung.
Photo Ching Yang Tung

Ao encontro com a nossa gastronomia

Borba



Quando os caminhos são longos e tardam a percorrer, o viajante sente segundo a sabedoria popular "o estômago a dar horas". Chegado a Borba demora o seu olhar sobre o Paço de São Bartolomeu, obra que o deslumbra e  avança pela Rua Terreiro das Servas, estacionando a dois passos da Rua António de Melo e Castro.



Se o Paço já o tinha impressionado , é defronte ao Convento das Servas e da Capela do Nosso Senhor dos Aflitos que se interroga sobre a presença de tantos monumentos, sobretudo de arquitectura religiosa, que mostram o bom gosto, a riqueza e o nível cultural de então nesta vila, agora cidade.
Estamos finalmente no Restaurante Canhoto, esperando por uma boa refeição de cozinha tradicional alentejana, tal como foi aconselhado por amigos que já demandaram estas paragens. Sentado na sala de mesas espaçosas,  onde animadamente se conversa,  o seu olhar dirige-se para o tecto alto de traves de madeira sobre paredes brancas e onde a luminosidade cria um ambiente muito acolhedor.
Chegam à mesa gulosas azeitonas, queijo fresco de Rio de Moínhos, o saboroso pão alentejano e onde não falta o famoso vinho tinto da Adega Cooperativa de Borba.
Da cozinha desprendem-se aromas que abrem o apetite. O serviço é de qualidade primando o atendimento pela atenção e acompanhamento do cliente.
No cardápio surge a oferta de oito pratos, qual deles o mais aliciante, o que torna difícil a escolha.
O estomago, esse reclama mas concerteza vai deliciar-se com um opíparo almoço de (pèzinhos de coentrada). Os demais pratos repartem-se pela cachola servida em tacho de barro, pelas costeletas de borrego panadas e gansinho assado no forno. 
Com batatas fritas chega à mesa os pèzinhos de centrada envoltos em alhos e coentros que fazem a delícia do viajante. 
Para o estomago o almoço foi excelente. O convívio e a conversa amena constituíram alimento para o espirito.  Não fora o imenso trabalho da cozinheira com a entrada de mais clientes, o viajante passaria pela cozinha para dois dedos de conversa sobre a arte e a sabedoria ancestral de combinar as plantas aromáticas com os pèzinhos de porco, que não dispensam um bom azeite,  abundante nesta terra produtiva e rica deste ouro dos olivais. 
Parte o viajante com a ideia de aqui regressar. 
Lá fora no imenso largo sentem-se já os primeiros sinais da primavera.

 





 


 

 
 



 

 






 











 











 

 
 

https://drive.google.com/file/d/0B3WU03VH1HxTVU0zZ2dlZE0zR3c/view?usp=sharing


Miguel de Cervantes

Resultado de imagem para miguel cervantes
Photo in Esquina Musical

29 de Setembro de 1547-22 de Abril de 1616
"Miguel de Cervantes Saavedra foi um romancista, dramaturgo e poeta castelhano. A sua obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno, é um clássico da literatura ocidental" in Wikipédia
Resultado de imagem

"Três coisas em demasia e três coisas em falta são perniciosas aos
 homens: falar muito e saber pouco; gastar muito muito e possuir pouco; 
estimar-se muito e valer pouco."

Miguel Cervantes

o-coloquio-dos-caes

“O sonho é o alívio das misérias dos que as têm acordados.”

 Miguel de Cervantes

novelas-exemplares


dom-quixote-picasso
Pintura de Dom Quixote por Pablo Picasso


 

Biografia de Miguel de Cervantes

"Miguel de Cervantes (1547-1616) foi um escritor e dramaturgo espanhol. "Dom Quixote" é um dos personagens mais famosos da literatura ocidental. Miguel de Cervantes é o principal nome da literatura espanhola. Com "Dom Quixote de la Mancha", uma sátira aos romances de cavalaria, torna-se o precursor do realismo na Espanha.

Miguel de Cervantes (1547-1616) tem disputada por sete cidades a sua naturalidade. A maioria dos historiadores concorda que o poeta nasceu em Alcalá de Henares, cidade universitária de Castela. Filho do cirurgião Rodrigo e Leonor de Cortinas. Tinha seis irmãos. Em 1563, a família muda-se para Sevilha, onde estuda gramática e latim, com padres jesuítas.

Como pajem a serviço de Felipe II, foi para Roma. A viagem serviu para fortalecer seu talento, diante das grandes obras do renascimento. Em 1571, em Messina, como soldado, junto com seu irmão Rodrigo, sob o comando de João da Áustria, participou da Armada dos Cristãos, preparada para barrar o avanço dos turcos nas águas do Lepanto. Serviu ainda na companhia do capitão Manuel Ponce de Leon, e depois sob o comando de Dom Lope de Figueroa, em viagens que o levou a conhecer toda a Itália.

Miguel de Cervantes, em 1575, no regresso para a Espanha, é preso por piratas argelinos e passa cinco anos em Argel. Em 1580 é resgatado por sua família e por padres trinitários. Passa mais quatro anos como soldado, conhece Portugal e em 1584 volta para a Espanha. Em Madrid edita em 1585, sua primeira novela "La Galatea". Mantem contato com Luís de Gongora e com Lope de Vega, importantes literatos da época. Escreve os poemas dramáticos "Los Tratos de Argel" e "La Mumancia".

Miguel de Cervantes casa-se com Catalina de Palácios Salazar. É encarregado, pelo rei, como coletor de impostos devidos à Coroa. Viaja para Andaluzia e La Mancha. Por causa dos atrasos na prestação de contas com a Coroa, é preso três vezes. Contam os historiadores que a primeira parte do livro "Dom Quixote" foi escrito enquanto estava preso.

Em 1605, foi publicada a primeira parte do livro "Dom Quixote", que foi sucesso imediato e teve seis edições no mesmo ano do lançamento. Escrevendo e tratando de negócios, Cervantes leva uma vida próspera em sua casa em Valladolid, junto com sua família. Em 1606 muda-se par Madrid. Em 1613 publica "Novelas Exemplares" e "El Viaje del Parnaso". Em 1614 surge uma falsa segunda parte de Dom Quixote assinada por Avellaneda. Mas em 1615 Cervantes publica a segunda parte de Dom Quixote "Delingenioso Cavallero Dom Quixote de La Mancha".

Miguel de Cervantes Saavedra morre em Madri, Espanha, no dia 23 de abril de 1616." in e-biografia

 

"Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito."

Miguel Cervantes

A novela do curioso impertinente



William Shakespeare

"Sabemos quem somos mas não quem podemos ser."

Retrato de Chandos; pintura atribuída a John Taylor e com autenticidade desconhecida.
 National Portrait Gallery, London.in Wikipédia


23 de Abril de 1564-23 de Abril de 1616


 
"Ainda aqui estás, Laertes? para bordo, para bordo, Não te envergonhas? Teu navio só te espera para velejar. Recebe a minha bênção, e grava na tua memória os seguintes preceitos: Guarda par ti o pensamento, e não dês execução apressadamente aos teus projectos; medita-os maduramente. Sê llano sem te esqueceres de quem és. Quando tomares um amigo cuja afeição tenhas experimentado, liga-o a ti por vínculos de aço; mas não dês confiança irreflectidamente. Faz por evitar questões; mas se o não puderes conseguir, conduz-te de maneira que fiques sempre superior ao teu adversário. Ouve a todos, mas sê avaro de palavras; escuta o conselho que te derem, forma depois o teu juízo. No teu trajar sê tão sumptuosos, quanto to permitam os teus meios, mas nunca afectado; rico, mas não ofuscante; o porte dá a conhecer o homem, e nesse ponto, as pessoas de qualidade em França revelam um gosto primoroso, e o mais fino tacto. Não emprestes, nem peças emprestado; quem empresta perde o dinheiro e o amigo, e o pedir emprestado é o primeiro passo para a ruína. Mas sobretudo sê verdadeiro para a tua consciência, e assim como a noite se segue ao dia, seguir-se-á também, que o teu coração jamais abrigará falsidade. Adeus, que a minha bênção sele em teu coração os meus conselhos.."
 


"Valem mais três horas adiantadas do que um minuto de atraso."

William Shakespeare



sábado, 21 de Abril de 2018




Alentejo - Património Cultural

 José Rabaça Gaspar

Fotografia de Adriano Bastos


«Nos livros um refúgio
Nas palavras aceitação
Nas frases sonhos
E nas letras emoção...»

in Biblioteca Municipal de Beja-José Saramago


GRITOS NA SOLIDÃO - Décimas de Inocêncio de Brito



 

Autor: José Rabaça Gaspar (coord.), Cremilde Brito, José Fialho e
 Manuel de Sousa Aleixo
Estado: Público
Nº de páginas: 172 Tamanho: 210x297 
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Colado
Acabamento da capa: BrilloISBN Acabamento em capa mole: 978-84-9916-782-4

Inocêncio de Brito -1854 -1938- foi um notável Mestre na
Arte de versar em Décimas (António Aleixo e
 Manuel de Castro consideravam-no “Mestre” nos
despiques da Feira de Castro Verde) "construindo"
com maestria, importantes temas com um profundo
 fundamento como a Terra, a Família, a Morte, a
Guerra, a Mulher… Tem sido bastante ignorado e
plagiado, muito considerado pelas pessoas da sua terra
 natal, S. Matias, Beja.

 


Lendas de Beja - O Touro e a Cobra e outras LENDAS...

 

LENDAS

A obra: Lendas de Beja – O Touro e a Cobra e outras Lendas…, de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se num trabalho de investigação minucioso e preciso sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que marcam a identidade cultural das gentes de Beja. Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s) existe quase sempre um predomínio do touro sobre a cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força e astúcia do touro sobre a  ruindade e ambição da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está carregado de evocações à cobra como animal quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo que esta lenda não poderia “fugir à regra”.Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está viva, e com pormenores que se vão recombinando consoante as versões, e expressa a ideia de um mito de origem que organiza e mrca a sua concepção do mundo envolvente.Num tempo em que o conhecimento científico impera, todos os ensinamentos baseados na oralidade, os contos, os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados de boca em boca, de geração em geração, parecem estar ameaçados de esquecimento e à deturpação dos seus significados.Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante um conhecimento dos antigos, dos ditos “analfabetos”, que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias e segredos.Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a preservar um património vivo, rico, que merece ser conhecido por

todos. Daí que trabalhos como o de José Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados, na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.

Ana Machado

Antropóloga


As pessoas que quiserem ter um apanhado das obras de José Rabaça Gaspar,
podem ver em
Rabaca-Gaspar-Bibliografia-Ilustrada-2014-04 






quinta-feira, 19 de Abril  de 2018




BORBA INSPIRADORA

BORBA É PROIBIDO DESTRUIR OS NINHOS. MULTA 100§00


Fotografias de Adriano Bastos


DO ESCRITOR JOSÉ SARAMAGO,PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 
EM 1998, TRANSCREVEMOS UM PEQUENO EXTRACTO DO SEU
LIVRO"VIAGEM A PORTUGAL".
NESTE BREVE TEXTO, DO CONSAGRADO ESCRITOR PORTUGUÊS, 
HÁ UMA REFERÊNCIA À VILA DE BORBA.  


"O viajante, decididamente, está a gostar de Borba. Será do sol,desta luz ainda matinal, será da 
brancura das casas (quem foi que disse que o branco não é cor, mas sim a ausência dela?), será de
tudo isto e do mais que é o traçado das ruas, a gente que nelas anda, já não seria preciso mais 
para um sincero afecto, quando de súbito, vê o viajante, sob um beiral, a mais extraordinária 
declaração de amor, um letreiro que assim rezava: É PROIBIDO DESTRUIR OS NINHOS. MULTA
100§00.
Convenha-se que merece todos os louvores uma vila onde publicamente se declara que o rigor da
lei cairá sobre as más cabeças que deitem abaixo as moradas dos pássaros. Das andorinhas, para
ser mais rigoroso. Posto o letreiro por baixo de um beiral, onde precisamente usam as andorinhas 
construir os ninhos, entende-se que a protecção só a eles cobre. A outra passarada, ribaldeira e
menos dada a confianças humanas, faz os seus ninhos nas árvores, por fora da vila, e sujeita-se
aos azares da guerra. Mas é excelente que uma tribo do povo alado tenha a lei por si. Indo assim
aos poucos, acabarão as leis por defender as aves todas e os homens todos, excepto, claro está,
ou então não mereceriam o nome de leis, os nocivos de um lado e de outro. Provavelmente por
efeito do calor, o viajante não está nos seus dias de maior clareza, mas espera que o entendam."


Visite Borba!




 

 
 







 





 
 

 


Fotografias de Adriano Bastos 
 
 




terça-feira,17 de Abril de 2018


17 de Abril

Gabriel José Garcia Márquez

8 de Março de 1927 - 17 de Abril de 2014

"A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la." 

Gabriel Garcia Marquez

Resultado de imagem para gabriel garcia marquez



 


"
Gabriel José García Márquez[1] (Aracataca, 6 de março de 1927  Cidade do México, 17 de abril de 2014)[2] foi um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.[3]

Foi laureado com o Prémio Internacional Neustadt de Literatura em 1972, e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra que, entre outros livros, inclui o aclamado Cem Anos de Solidão. Foi o maior representante do que ficou conhecido como realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e viveu até à morte no México. Era pai do cineasta Rodrigo García."

in Wikipédia 



"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas, brancas e  enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las era preciso apontar com o dedo."


"Chegou à janela, mas o seu rosto não revelou nenhuma emoção-
- Gostaria de plantar rosas – disse ela, de volta ao fogão.
O coronel pendurou um espelho na estaca, para se barbear.
- Se quer plantar rosas, porque não planta?
Procurou identificar os seus movimentos com os da imagem no espelho-
- Os porcos comem-nas todas – disse ela.
- Óptimo – disse o coronel – Porco engordado com rosa deve ser muito bom."

 

 




Celeiro da Poesia

Foto de Adriano Bastos.
Fotografia de Adriano Bastos

 
 SÓ O AMOR ME INTERESSA

Nesta fase em que só o amor me interessa 

o amor de quem quer que seja 
do que quer que seja 

o amor de um pequeno objecto 
o amor dos teus olhos 
o amor da liberdade 
.
o estar à janela amando o trajecto voado 
das pombas na tarde calma 
.
nesta fase em que o amor é a música de rádio 
que atravessa os quintais 
e a criança que corre para casa 
com um pão debaixo do braço 
.
nesta fase em que o amor é não ler os jornais 
.
podes vir podes vir em qualquer caravela 
ou numa nuvem ou a pé pelas ruas 
- aqui está uma janela acolá voam as pombas - 
.
podes vir e sentar-te a falar com as pálpebras 
pôr a mão sob o rosto e encher-te de luz 
.
porque o amor meu amor é este equilíbrio 
esta serenidade de coração e árvores 
.
in 'Antologia Poética' de Egito Gonçalves

..



 


 Foto de Amantes d'Artes.
Alfred-Pierre Joseph Agache



 " Eu só queria ver de que material era feito 

o teu amor por mim .
Precisava de escangalhar o teu coração 
para o fazer encaixar no meu .
E agora tenho que o desencaixar 
outra vez para sair deste limbo .
Mas não sei como .
Sem o teu coração não consigo amar -
não me abandones outra vez .
Logo eu, que amava o mundo inteiro,
não é ?
Amar em abstrato é muito mais
ágil do que amar em concreto ."

Inês Pedrosa in, " Fazes-me falta "


 











Foto de A Vida Breve.
Na foto: Maiakovski & Lília Brik


LÍLITCHKA!, de Vladimir Maiakovski (1893–1930)
Em Lugar de Uma Carta
(Petrogrado, 1916)
.
De qualquer forma
o meu amor
– duro fardo por certo –
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos – rodopiante carnaval –
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?
.
Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.
.
- tradução de Augusto de Campos







Alentejo profundis...


Fotografia de Adriano Bastos



LÁ VAI SERPA, LÁ VAI MOURA

Lá Vai Serpa, Lá Vai Moura interpretado pelo Grupo Coral e Etnográfico Os Camponeses de Pias, 
direcção Musical e Arranjos do Maestro Carlos Amarelinho, com músicos da Sociedade
Filarmónica de Serpa e da Sociedade Filarmónica Silvense e ainda os músicos convidados:
Bruno Victor, Samuel Santos, Bárbara Santos, Válter Marrafa, Salomé Pais Matos, Jean, 
Nelson Filipe C Vaz, Rúben M C Carmo, Diogo Costa, Jorge Barradas, Rui, Rui Rúbio, Ana
Espirito Santo, Marisa Cavaco, Joaquim Moita, Nuno Lopes, Rui Gonçalves, Elsa Marques, 
João Nunes, Miguel Carvalho, João Pedro Pais.
Concerto "Sinfonia EnCante" inserido XII Encontro de Culturas de Serpa.

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/HUEjTaF6kjk 

Serpa-Alentejo-Nossa Senhora de Guadalupe

Texto de José Saramago do livro "Viagem a Portugal"

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/0EPDHK64ZoU




"Respigando...Borba"


(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

Photo of Ching Yang Tung



A FONTE DAS BICAS
José Miguel Simões
Edições Colibri e CEDA
Outubro 202

 
 

A Fonte das Bicas é, com todo o merecimento, o ex-Iibris de Borba.

Monumento Nacional desde 1910, foi edificada em 1781, pela Câmara Municipal, que assumiu a sua função de protectora e zeladora dos interesses do povo no abastecimento da água à vila, face aos interesses privados. Na sua forma podemos adivinhar a influência dos desenhos das fontes de Carlos Mardel, projectadas para Lisboa, décadas antes. Contudo, a Fonte das Bicas pretendeu ser um monumento a Borba, não só pelo uso dos mármores, elogiados na inscrição do espaldar, mas também pela reconstituição do lago onde, segundo a lenda, se achou o barbo que deu o nome à vila. Pela novidade que trouxe ao Alentejo, a Fonte das Bicas foi modelo para outras fontes monumentais que depois dela surgiram na região.


 João Miguel Simões nasceu em Lisboa, em I976. Licenciou-se em História, variante de História da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo concluído uma tese de mestrado com o título Arte e Sociedade na Lisboa de D. Pedro II.

Tem vindo a especializar-se na área da História da Arte do Barroco e da lconologia, tendo publicado algumas obras em livro: O Monumento do Senhor Roubado - Odivelas (2000), O Convento das Trinas do Mocambo (2001 - no prelo). 
Desempenhou entre 2000 e 2002 as funções de historiador no Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Borba, onde, em co-autoria, escreveu o livro O Vinho e o Património, reflexos de uma cultura secular e a componente histórica e urbanística do Plano de Pormenor de Salvaguarda da Zona Antiga de Borba.


 
Retrato de José Leandro Carvalho

INSCRIÇÃO GRAVADA NA FONTE, por baixo do medalhão da RAINHA D. MARIA I

IMPERATIBUS FIDELIS SIMA REGINA NOSTRA MARIA NOMINE I: CUM ETDELISSIMO REGE NOSTRO PETRO III: OBTENTA REGIA FACULTATE: SUB AUSPICIO  ET PATROCINIO ILLIMI AC EX MI VICE COMITIS DE LOU RINHAA HUJUS PROVTICI AE GUBERNATORIS VTGILA TISSIMI: SENATUS HUNC COPIOSUM FONTEM ET MA GNIFICUM OPUS CONS TRUERE FECERUNT: IN IL LO (ICTU OCULI) FUL GENT ET NITENT: REGUM MAGNITUDO ET BENEFI CENTIA: PROTECTORIS PO TESTAS ET AMOR: DECURI ONUM ACTIVITAS ET ZE LUS POPULIQUE UTTLITAS ET DECOR: ET IDEO ISTE IN GRATITUDINIS SUAE PER PETUUM MONUMENTUM 
HANC MEMORIAM EXA 
RARE EECIT. ANNO DOMI 
NI                    MDCCLXXXI
 
 

Moeda em ouro
D. Maria I 1789
(já posterior a este evento)
 
Reinando a nossa Fidelíssima rainha Maria, primeira do nome com o nosso Fidelíssimo rei Pedro III, obtida auctorização régia e sob os auspícios e protecção do III.m° e Ex.m° Visconde da Lourinhã zelosíssimo governador d'esta província: a Câmara mandou construir esta copiosa fonte e magnífica obra, na qual brilha e refulgem (à primeira vista) a grandeza e beneficência real, o poder e o affecto do protector, a actividade e o zelo dos vereadores, e a utilidade e honra do povo.

Por isso este, em signal de perpétua gratidão, mandou exarar esta memória no anno do Senhor de 1781. 

Seguindo a tradução que o padre António Joaquim Anselmo fez deste texto, na obra seguinte:

(P.e António Joaquim Anselmo - O Concelho de Borba, Elvas, Typographia e Stereoypia Progresso, 1907).

 



Domingo, 15 de Abril de 2018




Visite Borba!



Fotografias de Adriano Bastos




Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

"Quem entenda a minha música nunca mais será infeliz."

Ludwig Van Beethoven

Loreena McKennitt -Tango to Evora

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/U24P_ic0oj8

Leonard Cohen - Bird on the Wire 1979

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/BmPUu-rMpWA

Loreena McKennitt - Spanish Guitars and Night Plazas

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Src2gfEMmoA



"Respigando...Borba"

(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

Fotografia de Adriano Bastos



Os nossos melhores AGRADECIMENTOS ao contributo de Filipe Rosado 
e à perspectiva de um imenso espólio de documentos a estudar e divulgar... 

Borba, 1758, Junho, 15

Memória Paroquial da freguesia de Borba, comarca de Vila Viçosa
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 7, nº 38, pp. 989 a 1000]

 

 

/p. 989/ N 38

Notticia historica, geografica, e politica da Villa de Borba.

Fotografia de Adriano Bastos
 


Fotografia de Adriano Bastos
 
Borba, Villa situada em os Estados da augustissima Casa de Braganca, na Provincia do Alentejo, Comarca de Villa-Vicosa, Arcebispado d´Evora. Esta ao septentriao em hum valle, junto de huma pequena serra, que lhe fica a Occidente distante d´Evora oito legoas, e de Lixboa vinte, e seis. Tem assento em Cortes no XV banco. Descobrem-se della a distancia de trez legoas para o nascente hũa pequena aldeya de Sancto Antonio da Terruge e Villa – boim, Villa.
Seus primeiros fundadores lhe derao o nome de Barbo, em razao de haveremachado dois desta especie em hum lago, aonde hoje esta o castello, os quaes tomarao por armas da mesma Villa, mandando-os esculpir em alguns lugares, porem ao presente so se vem retratados nos espaldares das cadeiras da camara. Pello decurso do tempo se
veio a corromper o nome = barbo = em = Borba =.
Os seus ares sao purissimoz, nao obstante o serem d´Inverno demasiadamente frios, pella impressao, que lhe fazem os do Norte.


  


/p. 990/ Norte; o que nao deixa de contribuir para a fazer mais saudavel. Todas as suas cazas

tem quintaes com pocos de excellente agoa de que uzao os moradores para beberem e
regarem suas hortalicas. He cabeca de conselho com juiz de fora, e camara. O seu termo he muito celebre, e notavel pella memoravel Batalha de Montes Claros, tao famigerada nas
historias, nelle succedida em 17. de Junho de 1665: em que o Marquez de Marialva derrotou inteiramente e venceu o exercito castelhano, commandado pello Marquez de Carracena, em cujo lugar mandou levantar o Rey D. Afonso VI. hum soberbo padrao, que nas suas quatro faces da a ler toda aquella historia.
He patria do grande heroe Diniz de Mello de Castro, primeiro Conde das Galveas. Do insigne Estevao Mendes da Sylveira, comissario geral, que foi da cavallaria, cujo valor, e accoens mereciao melhor atencao aos que escreverao as ultimas guerras de Portugal. Dos padres Bento Pereira, e Bento de Macedo, bem conhecidos pellos seus escriptos, e de outro Padre Bento com o cognome de Martir, por ser hum dos do Japao.

/p. 991/ Japao, todos trez da Companhia de Jezus, em louvor dos quaes corre impresso hum
ellogio, de que, por ser extenso, se transcrevem so os dois primeiros, e dois ultimos
versos =
“Inclita tres celebres Benedictos, Borba, tulisti,
“sanguine conjumtos, religione pares.
“Ergo same e novum nomen, Benedicta vocari:
“Sic tribus his natis ser bene dicta manes.

Tem correio, que chega a Quinta feira de tarde, e parte ao Sabado de manham.
Divide-se em duas freguezias, a da Matris e a de Sam Bartholomeu, cujas
igrejas sao da Ordem d´Aviz: a da Matriz tem 400. vezinhos dentro da Villa, e 100.
dispersos pello campo. O numero das pessoas chega a 2000$(1). Tem a sua Igreja afastada
da Villa em lugar separado, sustentada em duas naves com dois altares collateraes por
banda: a saber, da parte do Evangelho o altar collateral do Patriarcha S. Bento, a capella
do Bom-Successo, a dasAlmas, e a do Anjo Custodio. Da parte

/p. 992/ da parte da Epistola o altar collateral da Cruz, a Capella do Rosario, a da Misericordia, por aqui ser antigamente fundada antes de ser transferida para o castello, e a de Sao Pedro. Foi fundada esta Igreja por Dom Fernam Rodrigues de Sequeira XXII. Mestre da Ordem d´Aviz em tempo do Rey Dom Joao I. Em 1458, como consta de huma pedra quadrada, imbutida na parede do corpo della, da parte de dentro, ao lado direito, com a seguinte
inscripcao em letra gotica =
≫ Esta: Egreia: he: da: Ordem: daviz: e:
≫ mandoua: fazer: o: nobre: Senhor:
≫ Do: Ferna: Roiz: de: Sequeira: me :
≫ da: Cavalaria: da: dita: Ordem: e: foi:
≫ feita: ho: anno: da: Era: de: mil: IIIIc:
≫ e: L:VIII: Aviz: Aviz: Sequeira:
≫ Sequeira: =(2)
O seu patrono he Nossa Senhora do titulo das Neves, mas vulgarmente se diz de Nossa
Senhora do Sobral, por haver tradicao muito antiga, de que naquelle sitio, que
antigamente, e antes da sua ereccao, era povoado de arvores sylvestres, aparecera a
imagem da mesma Senhora, que agora se venera. Ha nella quatro irmandades, a do
Sacramento, a do Rosario, a da Cruz, e a das

/p. 993/ Almas. O seu prior he da Ordem d´Aviz, apresentado pella Meza da Consciencia, com 200.000(3) de renda. Tem tres
beneficiados da mesma Ordem com perto de 100.000(4).
O castello , obra do Rey D. Diniz, he hum quadrilongo, em cujos
angulos se levantao quatro cubos, e dois nas faces lateraes. Teve duas partes na sua
primeira fortificacao, huma, que olha para o Norte, e outra para o Nordeste, ambas
defendidas por dois cubos. Depois lhe abrirao terceira na face do Norte, e lhe
accrescentarao duas torres para a parte do poente; huma das quaes, por mais capaz,
serve de cadeya, e outra, mais pequena, tem o relogio da Villa. Sobre a principal porta,
que esta ao Norte, se ve huma cabeca de pedra de forma humana, a que o vulgo chama
Maria de Borba, tam gasta, que se lhe nao percebem as feicoens, e debaixo da mesma
esta hũa tosca lamina de pedra, cuja escriptura, pella mesma causa, se nao le. As
muralhas por partes com sua ruina em os alicerces, porque o tempo pella banda de fora
lhe vai gastando algumas pedras. Na parte superior se vem ja muito informes, principal-






Fotografia de Adriano Bastos



 

/p. 994/ principalmente as torres, cujas cimalhas estao totalmente arruinadas; e estas
com o terremoto de 1755 se aballarao muito mais. Tem huma fonte o mesmo castello,
cujas copiosas agoas sao hum dos mananciaes, que formao a Ribeira de Borba. Tem
mais trez ruas, e nellas perto de 40 vezinhos,a caza, e Hospital da Misericordia, hũa das
mais ricas da Provincia com 6.000 cruzados de renda, capellao mor, quinze menores, e
hum thesoureiro. Tudo he admenistrado por hum provedor, e irmandade nella erecta.
Foi fundada pella Rainha Dona Leonor, mas as suas rendas forao-lhe dadas por pessoas
particulares. A sua primeira existencia foi na Igreja Matriz. Em 1663 foi tomado este
castello pellos castelhanos.

Ha as ermidas de Santo Antonio, e S. Sebastiao, dentro da Villa, e fora della as
de S. Miguel, S. Pedro, e S. Claudio, todas sugeitas a Igreja Matris.
Afastado da Villa menos de meio quarto de legoa, no sitio, que antigamente era
caza de campo dos serenissimos Duques de Braganca, esta o Convento de S. Francisco
da Provincia da Piedade, fundado pello Duque D. Jaime IV. no anno de 1505.

/p. 996/ 1505. Vulgarmente se chama o Convento do Bosque, por ser o da sua cerca tanto, ou
mais celebre, que o do Bussaco, e pella espessura de arvores de toda a qualidade, aonde
se encontrao algũas de tanta corpolencia, que igualao na grandesa as dos sertoens da
America. Grande numero de ruas de murtas, buxos, e louros, devotas ermidas,
deliciosas fontes, e outras recreacoes muito dignas de admiracao. Em hũa destas
ermidas, intitulada da Piedade, assistio seis anos de vida penitente aquelle principe, seu
primeiro fundador, acompanhando de seus religiosos e todos os votos: e sahindo de
Portugal occultamente com desejo de fazer profissao nas maos do Papa, o Rey D.
Manoel, por justas causas, lhe encontrou este sancto designio;
Entre os muitos religiosos de grande virtude, que este sancto retiro ha produzido,
e produz, se destingue o veneravel Fr. Francisco da Gata, religioso leygo, que floreceu
em os anos de 1505, cuja vida, e morte preciosa, cheya de milagres, se venera, e guarda
authenticada como o mais rico, e sagrado monumento deste claustro. Todo elle
experimentou grande estrago em o Terremoto fatal, principalmente a abobeda da igreja,
que cahio inteiramente. Nenhuma

/p. 996/ Nenhuma das povoacoens circunvesinhas
padeceu tanta ruina.


 

Fotografia de Adriano Bastos


 

Abunda o terreno em azeite, legumes, e pouco trigo, por cauza dos muitos arvoredos, e estreiteza delle. O seu principal, e mais importante fructo sao os generosos vinhos, os mais deliciosos, e de melhor reputacao da Provincia, de que ordinariamente recolhem os moradores mais de 110, e 120.000 almudes em todos os annos. He, porem, tal a opiniao em que tem este seu genero, que sempre nesta Villa se vende mais caro, do que nas outras, aonde o ha.

De todos os lados a cercao continuadas hortas, e pomares, cujos arvoredos, principalmente em a Primavera, formao, a mais bella, e agradavel floresta. Produzem todo o genero de fructas, e com especialidade jinjas, as melhores, e mais fromosas do Reino. Estas particularidades fasem tao ameno o paiz, que nao tem inveja as celebradas frescuras, e amenidades d´Entre- Douro(5) e-Minho.
Contem em si, e no ambito de seus arrebaldes infinitas

/p. 997/ infinitas fontes
de admiraveis agoas, que ham muitas dellas de per si moem asenhas em todo o anno.
Entre todas se distinguem, por singulares, a que chamao dos Finados, proxima a igreja
matriz, digna do melhor ornato, e estimacao; porque, conforme a observacao dos
medicos, alem de serem as suas agoas muito puras; e saborosas sao as mais salutiferas
do Continente.

De todas ellas se forma a pequena ribeira, chamada a Ribeira de Borba, que depois
de dar agoa a algumas asenhas, e fertilizar com suas correntes as mais das hortas, que
estao no Oriente, vai desembocar em distancia de duas legoas para a mesma parte em a
da Asseca.

A serra immediata a Villa que principia pouco distante de Estremos, e vai accabar
em a Villa do Alandroal, tera de comprimento do Norte ao Sul quasi duas legoas, e do
nascente ao poente, meia de largura

/p. 998/ largura: dos seus diversos nomes,
correspondentes aos seus bracos so tem notticia os naturaes; porque hum, que se estende
para o Sul se chama Serra da Vigaria, em cuja emminencia esta um padrao para
memoria, de que para aquelle lugar se retirou o Marques de Carracena, perdidas as
esperancas do vencimento da referida Batalha de Montes-Claros. E outro braco pouco
distante, que se continua tambem para o meyo dia se nomeya vulgarmente Serra do
Moiro.

 

Fotografia de Adriano Bastos

Por partes he cultivada de vinhas, e olivaes, mas o mais predominante em toda a
sua extensao he matto e quantidade prodigiosa d´alechrim, de que se provem para
medicinas, e para as suas fogueiras de Sam Joao as povoacoes vesinhas.
Produz todo o genero de caca, principalmente, perdises. Toda ella he hum
thesouro de canteiras de finissimas pedras de extremada grandeza e de variedade de
cores; e he certo,

/p. 999/ certo, que sao as mais preciosas que se descobrem em todo o
Reino. Daqui sao conduzidas a custa de grande dispendio para Evora, para Lisboa, e
para outras muitas partes.

Feita em Borba aos 15. de Junho de 1758.

O Prior da Matriz Joao de Matos de Lucena Coutinho.
[assinatura autografa]

/p. 1000/ Freguesia da Matriz de Borba


(1) Sabendo que o cifrão tem valor de mil, é provável que o autor se tenha enganado, pois não
podem ser 2000.000. Para converter vizinhos em habitantes, o cálculo pode ser o seguinte 500
(vizinhos) x 4.5 = 2.250 (habitantes) ou 500x4= 2000. Por esta razão manteve-se o cifrão na
transcrição.
(2) Transcrição da inscrição em letra gótica: “Esta egreja he da Ordem d´Avíz e mandoua fazer o
nobre Senhor Dom Fernam Rodriguez de Sequeira Mestre da Cavalaria da dita Ordem e foi
feita ho anno da Era de mil IIIIcentos e LVIII. Aviz: Aviz: Sequeira: Sequeira”.
(3) Não indica a unidade de conto monetário.
(4) Não indica a unidade de conto monetário.
(5) Aqui o Autor não colocou o traço.


Transcricao: Ana Esmeralda Carvalho e Fernanda Olival





sábado, 14 de Abril de 2018


"Alentejo Terra de Artistas"


A pintura é neta da natureza...
Rembrandt





Dórdio Gomes  (1890-1976)

Arraiolos


Já publicados os seguintes Artistas Plásticos



1- Manuel Ribeiro de Pavia- Pavia

 


2-Henrique Ruivo-Borba


 

 


4-José António da Silva Palolo-Évora

 

5-José Manuel Espiga Pinto-Vila Viçosa
alentejo-1/12-pintura-1/05-jose-manuel-espiga-pinto

 

6-António Dias Charrua-Lisboa-Évora

-alentejo-1/12-pintura-1/06-antonio-charrua

  


7-Armando Alves-Estremoz


-alentejo-1/12-pintura-1/07-armando-a

  


8-Costa Pinheiro-Moura
Resultado de imagem para costa pinheiro



9-Rogério Ribeiro



Família (1951). 
Óleo sobre cartão.
Centro de Arte Moderna da Fundação
-alentejo-1/12-pintura-1/9--rogerio-ribeiro

11-Francisco Pedro Relógio

Resultado de imagem para francisco pedro relogio

https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-alentejo-

1/12-pintura-1/11-francisco-pedro-relogio




 


https://sites.google.com/site/amigosterrasborba

/1-alentejo-1/12-pintura-1 



quarta-feira, 11 de Abril de 2018


"Respigando...Borba"



(Respigando; apanhar aqui e além; recolher;  compilar;  coligir)

Fotografia de Adriano Bastos

"Chamava-se João José Falcato e nasceu em 17 de Agosto de 1915. Tinha 90 anos.

Era natural de Borba. Mercê de circunstâncias várias seus pais, gente abastada, arruinaram-se.

Fez exame de instrução primária aos 18 anos e partiu para Lisboa onde foi Perfeito num colégio e teve o apoio do professor Agostinho da Silva que seduzido pela sua luminosa inteligência lhe ministrava durante as horas do almoço a preparação necessária para aceder à Faculdade.

Embarcou no paquete “Melo” (como oficial?) para ganhar dinheiro.Nessa viagem o paquete naufragou. Viu morrer muitos dos seus companheiros a arder nas chamas que devastaram o navio. Viu outros serem engolidos por tubarões. Conseguiu, com alguns outros mais, sobreviver dias no mar numa pequena baleeira. Foram salvos por um navio que os desembarcou no Brasil.

Aí permaneceu meses num hospital.

Sobre essa dolorosa experiência, escreveu, já em Coimbra, em cuja Universidade se matriculara e se formou em história e filosofia, um romance, que fez imenso sucesso – Fogo no mar – (sobre ele, Matilde Araújo, sua colega de curso, apresentou a sua tese de licenciatura). Sobre o mesmo tema escreveu também “A Baleeira”

Foi fundador e director de revistas e jornais (Brados do Alentejo, revista Volante etc...) e colaborador em muitos outros. Deu precioso apoio ao Linhas de Elvas, na sua fase de lançamento, e, onde intermitentemente foi colaborando ao longo da sua vida.

Escreveu vários livros, num deles “Elucidário do Alentejo? – faz numa belíssima prosa/poesia a apologia da “loira açorda”. Em “Roteiro de Amor”, espraia-se louvando Elvas.

Foi redactor do Diário de Notícias – de onde viria a sair, como muitos outros, pela mão de Saramago – após o 25 de Abril.

Foi chefe de gabinete de Veiga Simão enquanto Ministro da Educação. Nessa qualidade, bem como na de Redactor do D.N. viajou pelo mundo, especialmente por Angola. Sobre essas viagens deixou-nos obra valiosa em livros e crónicas - Saudades de Portugal – Angola do Meu Coração - Foi um dos fundadores do jornal “ o Dia” com João Coito seu amigo particular, que em 2001ao falar sobre o Panteão Nacional, assim se lhe referia: - ”Já foi seu conservador durante algum tempo, por amável e justa decisão do Dr. Almeida Santos, o meu velho amigo João Falcato, ilustre escritor e jornalista que a idade e o gosto transformaram no mais afamado e amoroso cultivador dessas perfumadas vinhas de Borba”. Foi contemporâneo e amigo de figuras gradas das nossas letras de quem guardava livros com honrosas dedicatórias. Almeida Santos (que foi seu caloiro de republica, em Coimbra), Mário Soares (a quem apresentou Maria Barroso, com quem se casaria, circunstância que os três relembravam, com humor até em entrevistas), Virgílio Ferreira, Torga, Namora, Alçada Baptista, Eugénio de Andrade etc. de artistas, Bual, Gil Teixeira Lopes e outros. Foi devotado amigo de Sebastião da Gama, de quem falava com lágrimas de saudade e, que, por misericórdia de afecto, amortalhou por suas mãos.

 Um nunca acabar de histórias ligadas à história das letras portuguesas que faziam de João Falcato, um brilhante conversador, conhecedor do mundo e das pessoas que esbanjava cultura e saber com um espírito, uma graça e uma vivacidade inigualáveis."


 in Jornal Linhas de Elvas Conversas Soltas Nº 2.839 – 10 – Novembro - 2005-Publicado por Maria José Rijo



Alentejo-Gastronomia


Receitas de Culinária do Alentejo



COZINHA ALENTEJANA

ARROZ DE BORREGO
Foto de Mário Mendes.
2 kg de borreguinho
100g de banha
3 cebolas médias
6 dentes de alho
1 colher de colorau
1 raminho de salva
4 dentes de cravinho
azeite
vinagre
arroz
sal

"A carne a utilizar neste prato deverá ser a das costeletas, o espinhaço e a espádua. Num tacho com a banha e o azeite colocam-se os temperos e um pouco de vinagre, deitando a carne partida aos bocados. Tapa-se o tacho e deixa-se cozer a carne só nos temperos, em lume muito brando. Quando a carne estiver cozida, retira-se do tacho e coloca-se no tabuleiro de ir ao forno, com banha, para corar. Junta-se a água aos temperos que estão no tacho, em quantidade suficiente para cozer o arroz. Passa-se pelo passador e rectifica-se de sal e vinagre. Quando abrir fervura, deita-se o arroz. Coloca-se o arroz numa travessa e decora-se com a carne já corada." Artigo de Mário Mendes





domingo, 8 de Abril de 2018




Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode 
permanecer em silêncio."

Vitor Hugo

Schindler's list - John Williams - NL orchestra

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/YqVRcFQagtI

Schubert, Trio op. 100 - Andante con moto

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/e52IMaE-3As

sábado, 7 de Abril de 2018


Nasceu em 7 de Abril de 1893 

Almada Negreiros

Foto de José de Almada Negreiros.
Auto-Retrato, grafite sobre papel, 68,3x46cm, 1948

"José Sobral de Almada Negreiros GOSE (TrindadeSão Tomé e Príncipe7 de Abril de 1893 — Lisboa15 de Junho de 1970) foi um artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas (desenhopintura, etc.) e à escrita (romancepoesiaensaiodramaturgia), ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses[1].Almada Negreiros é uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX."in Wikipédia


 Foto de José de Almada Negreiros.Almada Negreiros, Autorretrato,1921
 Civilização e Cultura 
Uma mesa cheia de feijões. O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo. Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas. O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO. O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA. É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização. A civilização é um fenómeno colectivo. A cultura é um fenómeno individual. Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.
José de Almada Negreiros, in "Ensaios"
 

“HOMERO É NOS ANTIGOS / A NASCENTE D’ONDE TUDO SAIU.” DELACROIX. “A ARTE / É FEITA PARA PERTURBAR, A CIÊNCIA ASSEGURA.” BRAQUE / NÃO PROCURO, ENCONTRO.” PICASSO / “AQUELE QUE SABE / TEM QUE TER APRENDIDO DE / OUTRO OU ACHADO ELE SÓ / O QUE SABE; A CIÊNCIA QUE / SE APRENDE DE OUTRO É, POR / ASSIM DIZÊ-LO, EXTERIOR: O / QUE NÓS MESMOS
 ENCON- / TRAMOS, A NÓS / PERTENCE E EM PROPRIEDADE. ENCONTRAR / SEM BUSCAR É COISA DIFÍCIL / E RARA; ACHAR AQUILO QUE / SE BUSCA É CÓMODO E FÁCIL; / IGNORAR E BUSCAR (AQUILO QUE SE IGNORA) É IMPOSSÍ- / VEL.” ARQUITAS DE TARENTO. / “PARECE QUE A DÉCADA É O / NÚMERO PERFEITO.” ARISTÓTELES, “METAFÍSICA” “REDUÇÃO A / NÚMERO PERFEITO, THELEON,” /PLATÃO CITADO POR VITRU- / VIO E ESTE POR LUCA PACI- / OLI DI BORGO, “DE DIVINA PRO- / PORTIONE”, E POR FRANCISCO DA / HOLLANDA, “DA PINTURA ANTIGUA”.

José de Almada Negreiros








Foto de José de Almada Negreiros.




"Par nu". Pintura a pastel de óleo sobre tela, 1964. José de Almada Negreiros



 







Foto de José de Almada Negreiros.
"Figuras de circo", lápis de cera sobre cartão, 502x482 mm, 1933. José de Almada Negreiros


 
“O único verdadeiro amigo que tenho tido é a arte. Ela sim é minha verdadeira amiga. Brincamos juntos todo o santo dia, desde a manhã até à noite. Ela diz-me coisas novas todos os dias e ensina-me coisas lindíssimas. Estou mais bebé do que nunca. Tenho muitos papéis de cores e faço comboios e vapores com muito fumo e que vão viajar muito longe, ao sol. Já conheço quase todas as linhas e todas as cores. Estou verdadeiramente contente. Gosto imenso de estar sozinho com os meus lápis (…) Agora sou todo para a Arte. Estive no inferno durante uns meses; vim de lá muito constipado e aborrecido. Mas já estou salvo. Trabalho com toda a alegria, todo o dia: faço 5 a 6 desenhos por dia e escrevo coisas e também faço negócios para ganhar dinheiro para comprar muito papel branco e muitos lápis e muitos pincéis e muitas cores: Uma riqueza! Faço muitos cavalos de circo com amazonas e bailarinas e palhaços e público e bombeiros. Ontem fiz o retrato de uma menina em cabelo com a perna traçada. Faço coisas muito claras. Estou contente. Fiz uma garrafa tão parecida que o quadro caiu no chão e só a garrafa é que se partiu. Foi uma pena (…). Gosto muito de Portugal mas tenho uma triste ideia dos meus compatriotas. Que longe de mil novecentos e vinte que estão os portugueses! A minha viagem a Portugal é incógnita. Bem quero pensar bem dos meus compatriotas mas eu vejo-os por aqui, coitadinhos, muito bem vestidinhos, muito chiczinhos! Fazem-me um dó! (…) Eu estou cada vez mais eu; tão eu que já me encontrei: gosto de tudo o que está assinado Almada.”

Carta a Maria Adelaide Burnay Soares Cardoso (Lalá), Fevereiro de 1920. (in Identificar Almada)




Foto de José de Almada Negreiros.

Primeiro estudo para a decoração do proscénio do Teatro Muñoz Seca de Madrid 1929. Guache sobre papel 68 x 100 cm. Museu do Chiado Lisboa


terça-feira, 3 de Abril de 2018



Sugestão de Passeio 


Mora, Açude do Gameiro 

de Luís Correia


Vídeo do YouTube

https://youtu.be/b3r8Q5MdSjM


 Foi no Açude do Gameiro, no Rio Raia, que se criou o Parque Ecológico do Gameiro. É um parque que funciona como ponto de interesse do Concelho, uma vez que tem uma oferta diversificada de atrações e infraestruturas disponíveis. São exemplo o Parque de Campismo, Parque de Merendas, Praia Fluvial, Fluviário de Mora e o Parque Arborismo na sua zona envolvente destinado à práctica de actividades radicais, o Passadiço em Madeira ao longo de 1,5km da Ribeira Raia e o Centro de Interpretação Ambiental. O Parque Ecológico do Gameiro situa-se na freguesia de Cabeção, Concelho de Mora. Quem visita o Parque Ecológico do Gameiro, terá a oportunidade de ficar a conhecer os seguintes locais: Barragem do Gameiro Jardim Público de Mora Miradouro de Brotas Praia Fluvial do Gameiro Barragem do Furadouro Parque Ecológico do Gameiro Igreja de S. Salvador do Mundo Torrinha do Castelo Antigos Paços do Concelho (Pavia) Torre das Águias Ermida de Santo António Moinhos de Água Casa Museu Manuel Ribeiro de Paiva Museu José Agostinho Calado e Sousa Igreja Matriz de Paiva Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas Anta de Paiva, transformada em Capela de S. Dinis Brotas Igreja de Nossa Senhora das Brotas




Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."
William Shakespeare



Benefício no consumo de Castanhas






Video da Semana

Vidigueira Alentejo Portugal (HD)
de Carlos Pais

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/B3jfiLjPJRg

 VIDIGUEIRA, localizada no distrito de Beja, é uma vila calma e pacata inserida na típica planície alentejana, numa zona de pomares, hortas e vinhos reconhecidos. As descobertas arqueológicas feitas no século passado referem registos de ocupação humana desde a pré-história, apesar desta povoação só se encontrar documentada a partir do Sec. XIII. O nome de Vidigueira está ligado à figura histórica de Vasco da Gama, a quem foi concedido o título de Conde de Vidigueira. Também foi aqui que estiveram sepultados os seus restos mortais durante vários séculos, até à sua trasladação para Lisboa. Do património arquitectónico destacam-se a Igreja da Misericórdia, no centro da vila, a Torre do Relógio com um sino com a Cruz de Cristo e onde se encontram gravadas as armas dos Gama, datado de 1520, e ainda a Torre de Menagem que é o que resta hoje em dia do Castelo. O desenvolvimento desta vila deve-se sobretudo à qualidade do vinho ali produzido, já famoso desde o Sec. XV.*carl0spais*2012 




 

 


domingo, 1 de Abril de 2018



Tempo de leitura

Foto de Yo también trabajo en un museo.
Balthus
Katia reading, 1974


Como é que eu,
ouvindo tão mal, distingo
o teu andar desde o princípio do corredor?

Como é que eu,
vendo tão pouco, sei
que és tu que chegas, conforme a luz?

Como é que eu,
de mãos tão ásperas, desenho
a tua cara mesmo tão longe dela?

Onde está
tudo o que sei de ti
sem nunca ter aprendido nada?

Serei ainda capaz
de descobrir a palavra 
que larga o teu rasto na janela?

(Que seria de nós
se nos roubassem os pontos de interrogação?)

Mário Castrim, in "Os Dias do Amor"


Foto de ARTE.Roger Keiflin

 

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.
Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.
Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.
Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.
Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exatidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.


Natália Correia




 
Fotografia de Adriano Bastos


 
Fotografia de Adriano Bastos


 



É doloroso por vezes chegar a casa, encostar o corpo, 
fechar as pálpebras e sentir que a cabeça é um quarto vazio, um desamor só e ferido, queimadura que chega ao coração


Joaquim Pessoa




 

Lisboa é o rio. O resto são os olhos das casas voltados para ele. Ou para a memória de quem sabe que está lá. Não vejo o rio donde moro, eu. Não vivo portanto em Lisboa mas no que sobeja dela em bairro ou campo adjacente. Deve ter sido também por isso que a não aprendi a amar. Fantasio-me assim a morar donde visse o rio ao abrir as janelas pela manhã e houvesse barcos, cais de atracamento, talvez gritos de gaivotas e eu pudesse assim inserir-me nas grandes navegações e recuperar a minha memória marítima de português que perdi. E ser de novo eu com mais quinhentos anos a esclarecerem-me a identificação.


VERGÍLIO FERREIRA



 
Fotografia de Adriano Bastos

Juventude

Sim, eu conheço, eu amo ainda
esse rumor abrindo, luz molhada,
rosa branca! Não, não é solidão,
nem frio, nem boca aprisionada.
Não é pedra nem espessura.
É juventude. Juventude ou claridade.
É um azul puríssimo, propagado,
isento de peso e crueldade.

Eugénio de Andrade, poemas





Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...

Foto de ARTE.
Rimma N.Vjugovey

Luciana Mancini L'Arpeggiata Polo margariteno

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/TjoFmpYJvmc



Páscoa

Foto de Adriano Bastos.
Fotografia de Adriano Bastos

"Entristece-se o homem pela rudeza da vida e injustiça do seu semelhante. No caminho encontra Jesus que lhe diz: 
-bom homem continua no teu trilho, a bondade, o fazer bem cria raizes e são sementes para os frutos que se irão colher. Não desistas e não abandones a estrada que escolheste. O homem tem vida curta e na que tiver, algo tem de fazer. Não te lastimes, ganha ânimo e coragem lutando contra as injustiças.  Houve o cântico dos pássaros para te animares e teres alento na tua vida. Olha o quanto de belo existe na natureza . Aprecia o belo e criarás. Rejeita o ódio e aproxima-te do bem e nesse trilho encontras mais felicidade que partilharás. " 

André Vide

J.S.BACH- Paixão segundo São Mateus-1728-

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/D7iTe9CZLAY

Páscoa

Foto de Yo también trabajo en un museo.
Tiziano, 1570 ca

Foto de I 1000 quadri più belli di tutti i tempi.
Peter Paul Rubens "Cristo na cruz" 1612.
Cm 145 h92
Mônaco

Foto de Yo también trabajo en un museo.
Francisco Goya, 1770




quinta-feira, 29 de Março de 2018


Páscoa

Foto de Carla Carloni.
Tintoretto
Lavanda dei piedi (part.),1548

 
"Na “Páscoa” os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação, que ocorreu na “Sexta-Feira Santa” (sexta-feira antes do Domingo de Páscoa), data em que é evocado o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus, através de diversos cerimónias religiosas.
O período de quarenta dias que antecipam o Domingo de Páscoa é conhecido por “Quaresma”. Esta começa na quarta-feira de cinzas (quarta-feira a seguir à terça-feira de Carnaval) e termina na chamada “Quinta-Feira Santa”, data da celebração da última ceia de Jesus Cristo com os doze apóstolos. Após a Quaresma, inicia-se o chamado “Tríduo Pascal”, que finda no “Domingo de Páscoa”. Este é precedido por um domingo conhecido por “Ramos” e sucedido por um domingo conhecido por “Pascoela”."
Texto de Hernani  Matos
 
 




 
Foto de Yo también trabajo en un museo.Andrew Newell Wyeth
Vientos de abril, 1952




 "Que amarga esta Sexta-feira Santa. Não é da solidão; nunca me sinto só. Quando estou sozinho sou todo meu, dizia Leonardo, e entendo-me comigo."

António Lobo Antunes 



Foto de Yo también trabajo en un museo.
Jean-Baptiste-Camille Corot
Honfleur. Calvaire de la côte de Grâce

"Hoje, domingo de Páscoa, de manhã
Passou pela ilha uma tempestade de neve.
Entre as sebes verdejantes havia neve. O meu filhinho
Pra me mostrar um pequeno damasqueiro junto à casa
Veio arrancar-me a um verso em que apontava com o dedo
Para aqueles que estão a preparar uma guerra que talvez
Venha a destruir o Continente, esta ilha, o meu povo, 
A minha família e a mim. Calados
Pusemos um saco
Sobre a árvore gelada"

Bertolt Brecht





segunda-feira, 26 de Março de 2018



Rádio Campanário de Vila Viçosa 


"Borba: José Russo apresenta livro “O Costela de Ferro”

Borba: José Russo apresenta livro “O Costela de Ferro” (c/som e fotos)

O livro “O costela de Ferro”, da autoria de José Russo, foi apresentado no passado sábado (24 de Março) na Biblioteca Municipal de Borba

À RC, José Russo conta que o livro tem muito “humor, amor, desgostos e sofrimentos”, num trabalho totalmente desenrolado pelo escritor “de uma ponta à outra”, desde a digitalização à capa.

O livro “demorou mais ou menos dois anos” ser concluído e tem “muitas passagens no Alentejo dos anos 50, 60 e 70”, das quais “duas ou três passagens” da vida do autor pelo Alentejo, “outras passagens são contadas pelos pais e avós”, mas é tudo “escrito e pensado na zona de Borba e periferia”.

José Russo, que considera escrever um “hobbie”, diz ainda que, para si, o livro é “um documento histórico em que gostava que os mais novos refletissem um pouco no que era a vida antigamente, e que os mais velhos revejam um pouco a vida que tiveram”, acrescentou.

in Rádio Campanário-Vila Viçosa


Decorreu no passado dia 24 de Março, o lançamento do Livro " O Costela de Ferro" de  José António da Silva Russo na Sala da Biblioteca Municipal de Borba.







 


Estiveram presentes em representação da Câmara Municipal de Borba o Senhor Presidente   António Anselmo e Vereador da Cultura Senhor Quintino Cordeiro, Dr. José Rabaça Gaspar que apresentou o Escritor e sua Obra, José António da Silva Russo e Adriano Bastos da Associação Amigos de Borba e seu Blogue.
Esta iniciativa Cultural é fruto de um trabalho conjunto da Câmara Municipal de Borba e da Associação Amigos de Borba. Estiveram na sessão bastante participada, com outros nossos conterrâneos, dois Escritores Borbenses, Barnabé Cordeiro e Manuel Lapão.
A Associação Amigos de Borba e o seu Blogue, agradecem na pessoa do Exmo.Senhor Presidente António Anselmo, toda a abertura e imprecindível cooperação para a concretização deste Evento Cultural.
 

 


 
 
 


 




Alentejo

Artur Pastor-Fotografia


  Foto de Artur Pastor.
Série “Portugal Rural”. Alentejo, década de 40


Foto de Artur Pastor.
Série “Portugal Rural”. Alentejo, década de 40 
 Foto de Artur Pastor.   Série Profissões. Évora, década de 40



Foto de Artur Pastor.
Série “Portugal Rural”. Alentejo, décadas de 40/50. 




domingo, 25 de Março de 2018


Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode 
permanecer em silêncio."

Vitor Hugo

Mozart - Symphony No. 25 in G minor, K. 183 [complete]

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/rNeirjA65Dk


Foto de Maria Da Conceição Serra.



sábado, 24 de Março de 2018


Alentejo-Gastronomia

Receitas Culinárias do Alentejo


Calducho 


Prato tradicional de Redondo
Foto in portugaldelesales.pt



 "Ingredientes: 
2 postas de bacalhau demolhado
3 dentes de alho
2 cebolas
1,5 dl de azeite
2 folhas de louro
1 raminho de poejos
500 gr de batatas
sal
2 ovos
4 fatias de pão duro
Confecção: 
Leve 1,2 lt de água ao lume. Depois de ferver, introduza o bacalhau e coza durante 5 minutos. Escorra, retire a pele e as espinhas e desfaça em lascas. Reserve o caldo. Pique os alhos e as cebolas muito finamente e frite no azeite quente. Junte as folhas de louro partidas e o raminho de poejos. Regue com o caldo do bacalhau e deixe levantar fervura. Entretanto, descasque as batatas e corte aos pedaços pequenos. Junte à sopa, tempere com sal e coza durante 15 minutos. Envolva o bacalhau, os ovos batidos e coza por mais 5 minutos. Corte o pão aos pedaços e coloque numa tigela. Regue com a sopa, decore com um raminho fresco de poejos e sirva de imediato." in seralentejano.blogspot.pt
 

 



Receita completa de Calducho com poejos, ovo e bacalhau, prato típico de Redondo confecionado por Maria Margarida Valverde, do restaurante "O Marujo"



 Receita completa de Calducho de Redondo

Vídeo do YouTube



Conheça as Receitas Culinárias do nosso
Alentejo, as quais constituem património secular que urge preservar





quinta-feira, 22 de Março de 2018


Em Alentejo 09- Entrevistas


 Entrevista ao Sr. António Gato da Freguesia

dos Arcos,

 Concelho de Estremoz

"Adega dos Arcos - Vinho da Talha"



 


 "Foi à volta do velho balcão forrado a mármore da sua adega, ladeada de enormes talhas de barro, mantendo a sua traça antiga, que bebemos um copo, acompanhado com umas iscas que são uma das suas especialidades que fomos falando, enquanto enchia o bicado do vinho saído da talha, e servia os seus clientes. 
Um dos nossos objectivos foi falar sobre esta actividade e fabrico do vinho neste processo praticamente artesanal, recorrendo à utilização dos grandes potes de barro, técnica quase em vias de extinção."

 



 

"É verdade, nos anos 40 devia haver aqui nesta Freguesia algumas trinta ou quarenta adegas, hoje estas vão sendo cada vez mais raras. 
Estas adegas começaram a desaparecer a partir da construção da adega Cooperativa de Borba, e de muitas outras adegas particulares! 
Nos últimos anos têm-se construído na nossa região muitas adegas com tecnologias mais modernas, produzindo vinho de boa qualidade; muitas destas adegas são de produtores e engarrafadores que já exportam muito das suas produções. 
A região do Alentejo com o seu clima e bons solos sempre produziu vinho de boa qualidade."


  "Em grande parte o vinho que é feito nesta adega é consumido aqui, vendido ao copo e também vendido para fora, mas grande parte é para autoconsumo. 
Esta casa é muito conhecida aqui na região pela qualidade do vinho, pela forma como ainda é feito e armazenado. 

Também a maneira tradicional como é servido retirado directamente da talha, e também pelos nossos petiscos, seja um atractivo para muita gente que vem de outras localidades mais próximas para beber aqui o seu copito e algum convívio ao fim do dia de trabalho. 
Tenho também alguns clientes habituais vindos de longe, que anualmente aqui vêm buscar alguns garrafões para seu consumo.
 "




Por ler o resto da Entrevista em:



Gastronomia




AROMAS DO ALENTEJO

Lugar de amplas planícies de trigo e de sol, vinho e paz, ervas aromáticas e solidão, o Alentejo é também uma região única onde os seus recursos são aproveitados com admirável imaginação na arte de bem comer.

A mesa desta região tem características bem definidas e muito originais porque ela é forte, variada e perfumada. É a amais autêntica das cozinhas portuguesas e aquela que talvez melhor se coadune com o verdadeiro carácter do nosso povo, podendo mesmo dizer-se que é viril.

Vivendo numa zona interior do país, o alentejano encontrou na fauna e flora existentes um espaço de criatividade que o ajudou a sobreviver perante dificílimas condições de vida. Ao longo do tempo foi-se criando uma singular e riquíssima cozinha fortemente marcada pelas suas particularidades específicas, note-se a grande sazonalidade dos produtos, o isolamento, o clima e o modo de vida característico das suas gentes. “A mágica da cozinha alentejana encontra expressão de como, com produtos simples e pobres, elaborar pratos onde o gosto e prazer de comer constituem efectivos actos de cultura”.

Foi à volta dos cereais que se desenvolveu muito da cultura alentejana, tornando-se o princi- pal modo de vida das suas gentes, não só no trabalho diário dos campos, mas também no seu sustento. O pão é um elemento fundamental da alimentação do alentejano, não é apenas um acompanhamento da refeição, ele é um ingrediente indispensável na maior parte dos pratos, açordas, gaspachos, migas, ensopados, sopas, caldos e até mesmo na doçaria. Elaborado com os mais simples ingredientes – trigo, fermento, água e sal – chegou a ser, para as camadas menos favorecidas, a própria refeição, juntando-lhe apenas um punhado de azeitonas ou um naco de toucinho.

A este mesmo pão juntaram-se as mais diversas “coisas”, tudo o que a natureza dá e a imaginação pode conceber. É nos fortes aromas que assenta a mais importante característica desta cozinha que lhe confere especial graça. Quem não se lembra do cheiro a hortelã na “Sopa da Panela”, dos coentros na “Açorda de Bacalhau” ou ainda da carne frita nas Migas? Acontecia, também, que as ervas apanhadas pelos campos eram muitas vezes usadas para disfarçar a pobreza de uma refeição. Repare-se neste texto de Ana Isabel Nabais, 47 anos, operária agrícola, natural de Montes Juntos, Alandroal (do livro Os Comeres dos Ganhões, de Anibal Falcato Alves). “Aqui há muito quem coma ervas do campo. Éramos obrigadas a comê-las: Cardos, Alabaças, Acelgas, Beldroegas, Espargos, Saramagos, Cardinhos, Orégãos, Poejos, Coentros e outras coisas mais. As beldroegas são comidas no Verão, as alabaças e as acelgas são comidas no Inverno e na Primavera, os cardos a mesma coisa. São tudo ervas que aparecem nas alturas de crise, quando nos campos não há trabalho. Por isso as pessoas são obrigadas a deitar a mão a essas coisas, porque, nessas alturas, não há dinheiro para se comprar coisa nenhuma. Então, temos que ir apanhar ervas para comer”. 

Em lugar de destaque estão também as azeitonas, elas têm um importante papel não só no acompanhamento dos pratos, principalmente do pão, como no azeite que torna tudo muito mais saboroso. Transcrevem-se aqui dois testemunhos que vêm confirmar a importância das azeitonas na alimentação alentejana. “A gente chegava de manhã, antes de nascer o sol, ao trabalho. Comia-se ali um bocadinho de pão com azeitonas e era só às vezes, quando era. Quando não as havia, era só o bocadinho de pão. Era só pão seco”. “Nas grandes casas de lavoura, havia a cozinha da ganharia onde se faziam, por vezes, açordas individuais, sendo distribuído a cada uma um pequeno dedal de azeite. Alguns trabalhadores exigiam que, na açorda de segunda-feira, lhe deitassem o azeite a que tinham direito até sábado. O resto da semana  comiam, mesmo, só pão e água com o tempero do alho e dos coentros. Sabendo tirar o máximo proveito da riqueza dos seus recursos e ao mesmo tempo sabendo compensar com extraordinária habilidade as suas limitações, o alentejano criou, sem dúvida alguma, uma cozinha impar, nutritiva e surpreendentemente saborosa.

Texto de Elvira Torgal publicado na primeira revista da Alma Alentejana.

 
«Aqui há muito quem coma ervas do campo. Éramos obrigadas a comê-las: Cardos, Alabaças, Acelgas, Beldroegas, Espargos, Saramagos, Cardinhos, Orégãos, Poejos, Coentros e outras coisas mais.»





OS COMERES DOS GANHÕES
MEMÓRIA DE OUTROS SABORES
ANÍBAL FALCATO ALVES





ANÍBAL FALCATO ALVES






Alentejo-Cante Alentejano


Cante Alentejano


Fotografia de Adriano Bastos



"Cante Alentejano" - Defesa, Preservação e sua Divulgação

Vídeo do YouTube

https://youtu.be/wAUAdy7ARss






 Fotografia de Adriano Bastos

"De repente, vi-me naquela Praça do Município cheia de gente. Um grupo de quatro ou cinco entoou dalém uma moda... logo outro aqui mais ao pé... depois outros... outros... outros... Quando dei por mim, estava com a pele toda arrepiada e sentia a música subir das entranhas da Terra e inundar-me por completo. Eu pensava que tinha ouvido já cantar à Alentejana. Nunca tinha ouvido. Aquela Praça transformou-se por magia numa Catedral imensa da Natureza que só tinha como tecto o céu cheio de estrelas... Tinham-me dito que os Alentejanos não eram religiosos! Eu acreditava. Ali eles eram a Voz da Terra, cultores de uma Religião mais autêntica e verdadeira daquelas que eu conhecia. Quando todo o chão tremeu e eu com ele, percebi, ou pareceu-me perceber, porque é que o Cante, não era o Canto Alentejano que se ouvia na rádio, na tevê, ou num palco... Pareceu-me ver, sentir, que o CANTE, quando dois ou mais se juntam para entoar uma moda, os seus grupos, os seus coros, era algo de muito profundo e sério. Era algo que vinha de muito fundo. Das entranhas da Terra. Com os pés calcando o chão, ombro a ombro, mãos a abraçar o companheiro da frente, o canto lançado pelas gargantas através do ar armazenado na barriga, aquilo não era um canto humano. Era a Voz da Terra. Era o grito do Ventre da Terra!"

José Rabaça Gaspar

 




Concerto de Domingo à tarde

Rubrica semanal de 12 minutos de boa música...


"A música expressa o que não pode ser dito em palavras mas não pode 
permanecer em silêncio."

Vitor Hugo


JOHN BARRY - FRANCES - FULL ALBUM 1983

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/Mh-z4NQaURE


sábado, 17 de Março de 2018




Club Musical dos Bons Amigos

brisas de novas sonoridades!!!

 Foto de Yo también trabajo en un museo.
Armando Barrios 
 


Leonard Cohen - Bird on the Wire 1979

Vídeo do YouTube


https://youtu.be/BmPUu-rMpWA



quinta-feira, 15 de Março de 2015



Em Borba-Mezinhas da Avó


"A alegria evita mil males e prolonga a vida."

William Shakespeare

Resultado de imagem para espargos

Saiba como o consumo regular de espargos

 pode trazer benefícios à sua saúde

Vegetal é rico em ácido fólico, aliado na prevenção e cura do câncer


Saiba como o consumo regular de aspargos pode trazer benefícios à sua saúde Stock Photos, Divulgação/
Foto: Stock Photos, Divulgação


Pouco calórico e rico em fibras, ele é um ótimo acompanhamento nas refeições de quem quer controlar o peso Foto: Stock Photos, Divulgação

O espargo é uma planta muito utilizada na culinária mundial e é considerada uma flor da família dos lírios. Segundo o nutrólogo Maximo Asinelli, ele é rico em vitamina A, B, C, cálcio, ferro, sais minerais e potássio. 

 O espargo é considerado uma das melhores fontes de ácido fólico, conhecido por ajudar a prevenir câncer, doenças do coração, do fígado e até da espinha — explica. 

O Instituto Nacional do Câncer aponta que o ácido fólico presente nesse vegetal age diretamente no DNA e na síntese de substâncias essenciais ao organismo e a sua deficiência tem sido relacionada ao aparecimento de câncer.

— Esta vitamina é importante desde a prevenção até o tratamento da doença, já que inibe o desenvolvimento do tumor. O ácido fólico é sintetizado por bactérias do intestino e ficam estocadas no corpo humano — esclarece.

Além disso, o espargo é um ótimo acompanhamento para pratos principais e é indicado para quem está de dieta e quer controlar a ingestão de gorduras.

— O espargo também possui baixa quantidade de calorias e não tem colesterol, nem gorduras — revela, salientando que a planta é uma fonte abundante de fibras, com cerca de 3,6 gramas do nutriente por xícara do vegetal.

De acordo com Alexander Bonetti, da San Marco Alimentos, apesar de ter melhores resultados ao ser plantado em terrenos arenosos, o aspargo é cultivado em diferentes vários países e possui diferentes variedades. 

— O espargo inglês não possui o talo muito grosso, já o italiano possui a cor violeta e os cultivados na Holanda, Alemanha e Bélgica são brancos, pois se desenvolvem em locais escuros e não possuem clorofila — explica, ressaltando que, independente da variedade que se opta por consumir, tem-se acesso aos mesmo nutrientes.

Bonetti diz ainda que, além de trazer benefícios para o organismo, o espargo dá um sabor especial às refeições. A planta pode ser consumida como ingrediente de pratos incrementados, ser servido frio com vinagrete, cozido com manteiga e ainda consumido em forma de conserva.

in https://www.google.pt/?gws_rd=ssl#q=beneficios+no+consumo+de+espargos





Ao Encontro com os escritores de Borba

José Silva Russo


 





O Ti ANTÒNIO DIOGO E O TI ALEXANDRE 

BORBA 

     PERSONAGENS DA NOSSA TERRA 

            Vendedores de castanhas

 Resultado de imagem para vendedores de castanhas

in Educação de infância
Esta simpática personagem era o encanto dos mais pequeninos. No inverno vendia castanhas assadas, chupa-chupas, caramelos, tremoços e outras guloseimas, estava localizado no alto da praça perto do passo da vila na esquina junto ao café da velhinha senhora Joana da Cristina. 

Durante algumas horas durante a noite a sua barraquinha era iluminada com um gasómetro que funcionava a carboneto, com uma luzinha fraca mas suficiente. 

  O Ti Diogo não podia trabalhar por não ter uma perna, daí esse modo de vida para poder sobreviver, deslocava-se em muletas com dificuldade, e também por ser muito gordo, era muito nervoso e falador, sabia da vida de todos os Borbenses, dava fé de tudo, era um verdadeiro cuscas. 

No verão mudava de local de venda, passava para o parque e jardim da vila junto ao coreto, ali ficava a viver e a vender de todos os doces que a criançada gostava. Resultado de imagem para vendedores de tremoçosFotografia in Mercado Livre

Os tremoços por ele vendidos eram dos melhores da vila, porque eram adoçados na vieira do lago ali bem perto com boa água corrente… mas de vez enquanto o saco dos tremoços aparecia com pequenos buracos, de onde alguns gaiatos mais atrevidos sem dinheiro para os comprar roubavam alguns tremoços, e ele ficava danado, até espumava pela boca. 

Era ele que alugava no verão calções, para a miudagem tomar banho no lago, situado por detrás da fonte das bicas, onde havia uma barraquinha em pano junto ao lago, era ali que vestíamos os calções.  

Foto de Adriano Bastos.

Fotografia de Adriano Bastos

Nesse tempo quase toda a criançada sabia nadar, era o nosso local de brincadeira, havia ali bons nadadores, que até chegavam a atravessar o lago de costas com um cigarro aceso na boca. Entre todos eles destaco, o saudoso Manuel Baptista já desaparecido. 

Havia alguns que se divertiam a atirar moedas para dentro de água, para nós mergulharmos a apanha-las, mas só podia acontecer quando a água do lago estava limpa e transparente. 

As nossas toalhas para nos enxugar, eram a pedra quente das paredes do lago, naquele sol quente do Alentejo. 

Nesse tempo longínquo ainda não havia piscinas, e muito menos moedas para o aluguer dos calções, os tanques onde banhávamos eram diversos, como a quinta da prata, onde hoje é o lar da Santa Casa da Misericórdia, mosteiro, horta do Mateus Canelhas, e outros tanques de rega das hortas, mas a nossa preferida era a albufeira embora longe.  

Também havia uma outra barraquinha de um outro senhor, também já velhinho, numa esquina junto à taberna do senhor João Caxatra, era o Ti Alexandre que vendia doces e castanhas assadas para a criançada, e também para alguns outros apreciadores de castanhas, que iam beber uns copitos de vinho, acompanhados de castanhas assadas. 

Este Ti Alexandre era mais sociável com a miudagem, brincava, e até contava anedotas, onde grupos de miúdos se entretinham a ouvi-lo. Era muito bem-humorado, gostava da uma boa piada, aproveitava a vida de forma alegre e com um sorriso nos lábios. 

Tinha uma maneira de ser e um à-vontade incomum, embora tivesse muita dificuldade na locomoção por se deslocar em muletas para poder andar, para ele ser deficiente não era problema. 

Um bem haja para ambos, foram muito interessantes para a criação dos miúdos desse tempo.  

                                                   

in José Russo
https://sites.google.com/site/amigosterrasborba/1-borba/borba-em-escrita/borba-vista-por-ze-russo

 





Agenda Cultural

de Borba e

 Outros Concelhos do Alentejo






Foto de Município de Borba.


 



Sugestão de Passeio


Mora, Açude do Gameiro

de Luís Correia


Vídeo do YouTube

https://youtu.be/b3r8Q5MdSjM


 Foi no Açude do Gameiro, no Rio Raia, que se criou o Parque Ecológico do Gameiro. É um parque que funciona como ponto de interesse do Concelho, uma vez que tem uma oferta diversificada de atrações e infraestruturas disponíveis. São exemplo o Parque de Campismo, Parque de Merendas, Praia Fluvial, Fluviário de Mora e o Parque Arborismo na sua zona envolvente destinado à práctica de actividades radicais, o Passadiço em Madeira ao longo de 1,5km da Ribeira Raia e o Centro de Interpretação Ambiental. O Parque Ecológico do Gameiro situa-se na freguesia de Cabeção, Concelho de Mora. Quem visita o Parque Ecológico do Gameiro, terá a oportunidade de ficar a conhecer os seguintes locais: Barragem do Gameiro Jardim Público de Mora Miradouro de Brotas Praia Fluvial do Gameiro Barragem do Furadouro Parque Ecológico do Gameiro Igreja de S. Salvador do Mundo Torrinha do Castelo Antigos Paços do Concelho (Pavia) Torre das Águias Ermida de Santo António Moinhos de Água Casa Museu Manuel Ribeiro de Paiva Museu José Agostinho Calado e Sousa Igreja Matriz de Paiva Cromeleque do Monte das Fontainhas Velhas Anta de Paiva, transformada em Capela de S. Dinis Brotas Igreja de Nossa Senhora das Brotas