História da Matemática no Egito
Os Papiros
História da Matemática no Egito
Os Papiros
As Fontes da Matemática Egípcia: Os Papiros
Os conhecimentos que temos da matemática egípcia provêm, essencialmente, de dois textos escritos em papiro: o Papiro de Rhind (c. 1600 a.C.) e o Papiro de Moscovo (c. 1800 a.C.). No entanto, pensa-se que os conhecimentos matemáticos neles contidos datam de uma época anterior, provavelmente do início da própria civilização egípcia. Certo é que o Papiro de Rhind foi copiado de outro documento da mesma época do Papiro de Moscovo.
Manuais para Futuros Escribas
Uma vez que estes papiros são compostos por problemas e pelas respetivas resoluções, alguns dos quais elementares, supõe-se que tinham intenções puramente pedagógicas e que se destinavam basicamente ao ensino dos funcionários do Estado, os escribas.
A partir destes textos temos acesso apenas a uma matemática elementar. Não se sabe se os egípcios tinham conhecimentos matemáticos mais avançados; contudo, os monumentos por eles construídos levam a pensar que os arquitetos seriam possuidores de conhecimentos não revelados nos papiros.
Outros Documentos Importantes
Outros papiros da mesma época são:
O Papiro de Berlim: Que contém dois problemas envolvendo equações do 2.º grau.
O Papiro de Kahun: Focado em cálculos práticos e organização.
O Contexto do Império Médio e Proveniência
Os papiros referidos provêm todos do Império Médio, uma época de estabilidade em que imperava o comércio e a agricultura conheceu um grande desenvolvimento. Contudo, apenas se conhece a proveniência exata do Papiro de Kahun (achado em El-Lahun), uma vez que os outros três foram comprados em mercados de antiguidades.
Do Império Médio ao Período Persa
Desde o Império Médio até ao período Persa, não são conhecidos papiros com conteúdos específicos da matemática. Isto não significa que não tenha havido qualquer tipo de estudo ou aplicação da matemática no Egito; não nos podemos esquecer que o papiro é muito frágil e que a sua conservação não é fácil. Poderão, portanto, ter desaparecido muitos documentos ou poderá realmente parecer que não houve desenvolvimento matemático nesse período de cerca de 1000 anos.
No entanto, tal estagnação é difícil de acreditar, uma vez que o Egito passou durante este período por fases de grande estabilidade, prosperidade e atividade construtiva monumental. A prova de que o conhecimento matemático continuou ativo e central na formação dos escribas encontra-se na literatura da época, com destaque para o célebre Papiro de Anastasi I (XIX Dinastia). Trata-se de uma carta satírica onde um escriba desafia o seu rival com complexos problemas de logística militar e engenharia — como o cálculo do número de tijolos para erguer uma rampa de assédio, o cálculo do volume de uma pirâmide truncada para transportar um obelisco colossal, ou a divisão proporcional de rações escassas para um exército de 5000 homens (Imhausen, 2016). Este texto demonstra que, embora os papiros excluivamente referentes à matemática tenham desaparecido, os escribas do Novo Império mantiveram viva a tradição matemática, aplicando-a de forma prática no terreno.
Ainda assim, além desta evidência literária, conhecem-se deste período vários ostracas provenientes de Deir el-Medina (localidade onde habitavam os artesãos e construtores dos túmulos do Vale dos Reis), alguns dos quais envolviam cálculos de volumes e tabelas de computação, confirmando a constante necessidade de aplicar a numeracia na administração e na arquitetura quotidiana (Imhausen, 2016).
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