Um livro de poesia diferente, que conta a história de Fátima,
a personagem principal do livro.
Expõe, através da poesia, o que raramente ousamos revelar.
Questiona o amor, a dor, as relações familiares e a própria identidade.
Entre experiências íntimas e momentos de transcendência,
busca reconhecer-se num mundo que tantas vezes a confunde.
Um voo poético entre ternura, memória e revelação.
Ada Abaé transforma o mundo comum em viagem íntima pelas palavras.
Vício
Os lábios, os olhos, os gestos, os passos
ocupados com poesia
e a alma sem querer curar este vício.
Quem vive anestesiado?
Quantos diferentes ópios existem?
Quantos homens se dizem puros e justos,
enquanto desconhecem
a verdadeira pureza e justiça?
Quantos fecham os olhos aos próprios abismos,
e quantos ousam encarar o que é invisível,
o que arde silencioso dentro de cada um?
Quem desperta, sente o peso da verdade —
e a leveza de finalmente conhecer-se.
Para o encontro do homem com o homem,
não é necessário barulho,
apenas concentração no que realmente importa.
Assim como a água, com o passar do tempo, esculpe o seu leito,
cada experiência deixa a sua marca em nós. Aprendemos que
memórias e lições se entrelaçam, formando o nosso caminho,
guardando vestígios das vidas que tocamos e das que nos tocam.
* Não ao abuso
O abuso começa em gestos quase invisíveis.
Um sorriso que oculta uma intenção,
posse disfarçada de uma aparente migalha de amor.
Entre encantos e desencantos sobre a condição humana, nada mais importa que o verdadeiro abraço.
Sem pressa e sem ultrapassar os seus limites.
Na textura da noite,
o piar melancólico de uma coruja
inspira o poeta
a tocar os sonhos
com as pontas dos dedos.
Ao longe,
ouço o piar melancólico
de uma coruja;
na mesa, o papel converte-se a pio,
e eu, a ave noturna.