Natália de Oliveira Correia GOSE • GOL nasceu a 13 de setembro de 1923, na freguesia de Fajã de Baixo, Ponta Delgada, Açores, e faleceu a 16 de março de 1993, em Lisboa. Foi uma das mais importantes escritoras, poetisas e figuras culturais de Portugal, notável pelo seu lirismo, coragem intelectual e intervenção social.
Filha de Manuel de Medeiros Correia, comerciante, e Maria José de Oliveira Correia, professora, Natália mudou-se para Lisboa em 1934, com a mãe e a irmã, após o pai emigrar para o Brasil. Frequentou o Liceu D. Filipa de Lencastre, iniciando-se na literatura com obras destinadas ao público infanto-juvenil, mas rapidamente se afirmou como poeta.
Nos anos 1940, destacou-se também como locutora na rádio e como cantora, e integrou tertúlias literárias que se tornaram pontos de encontro de intelectuais em Lisboa. Conhecida pela sua personalidade vigorosa e polémica, Natália foi poeta, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista e editora, além de apresentadora de televisão com o programa Mátria, onde defendeu uma visão própria de feminismo, o “matricismo”.
Natália Correia teve papel ativo na oposição ao Estado Novo, participando em movimentos de resistência como o MUD (Movimento de Unidade Democrática) e apoiando candidaturas presidenciais de Norton de Matos e Humberto Delgado. Foi presa em 1966 e alvo de processos judiciais relacionados com a publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica e das Novas Cartas Portuguesas.
Após o 25 de abril de 1974, foi deputada à Assembleia da República (1980–1991), inicialmente pelo PSD e depois como independente, defendendo a cultura, os direitos humanos e a emancipação das mulheres. Participou ainda na fundação da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC) em 1992.
Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1981)
Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (1991)
Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos (1991)
A sua obra e legado cultural continuam presentes em instituições como a Biblioteca Pública de Ponta Delgada, que conserva parte do seu espólio, e na Biblioteca Natália Correia, em Lisboa.
A sua obra é vasta e diversificada, abrangendo poesia, romance, teatro, ensaio, literatura infantil e literatura de viagens, e está traduzida em várias línguas. Entre os seus livros mais conhecidos destacam-se:
Poesia: Mátria, O Vinho e a Lira, Sonetos Românticos
Romance: A Madona, A Ilha de Circe, As Núpcias
Teatro: O Homúnculo, O Encoberto, A Pécora
Ensaio e Antologias: Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, A Mulher
Durante décadas, a sua casa e depois o bar Botequim foram centros de reunião de escritores, artistas e intelectuais portugueses e estrangeiros, incluindo José Saramago, Almada Negreiros, Amália Rodrigues, Henry Miller e Graham Greene.