Barroco
O homem deste período está entre o céu e a Terra. Mesmo se valorizando, ele vivia atormentado pela idéia do pecado,então vivia buscando a salvação
O homem deste período está entre o céu e a Terra. Mesmo se valorizando, ele vivia atormentado pela idéia do pecado,então vivia buscando a salvação
O termo Barroco vem do francês barroc que quer dizer, literalmente, "pérola irregular", "monte irregular".
Apesar do termo ter origem na França, o movimento Barroco teve início na Itália e se difundiu por todo o continente europeu vindo mais tarde a alcançar ainda os novos continentes. As primeiras manifestações italianas de arte barroca foram observadas no final do século XVI e começo do século XVII até ao fim do século XVIII.
O momento final do Barroco, o Rococó é considerado um barroco exagerado e exuberante, e para alguns, a decadência do movimento.
Em sua estética, o barroco revela a busca da novidade e da surpresa; o gosto pela dificuldade, pregando a ideia de que se nada é estável tudo deve ser decifrado; a tendência ao artifício e ao engenho; a noção de que no inacabado reside o ideal supremo de uma obra artística.
A literatura barroca se caracteriza pelo uso da linguagem dramática expressa no exagero de figuras de linguagem, de hipérboles, metafóricos, anacolutos e antíteses.
No Barroco encontramos um movimento de regresso à Idade Média, isto é, vemos um retorno ao Teocentrismo (Deus no centro do universo). Tratou-se de um período histórico marcado pela ascensão dos valores religiosos que se estabeleceram como norteadores da sociedade.
As obras artísticas fruto desse momento ficaram caracterizadas especialmente pela extravagância, por um excesso de formas e pela busca da grandiosidade.
A Literatura Barroca surgiu principalmente devido a uma crise do Renascimento, provocada sobretudo por profundas divergências religiosas e imposições da Igreja Católica da época. Outro fator que contribuiu para o declínio do Renascimento na Europa foram os problemas econômicos que surgiram pela diminuição drástica do comércio com o Oriente.
O período literário do Barroco é marcado por fortes oposições, contrastes e dilemas, já que o homem do Barroco ao mesmo tempo em que procurava pela salvação mencionada pela religião também desejava aproveitar os prazeres mundanos. Por isso, podemos dizer que na Literatura Barroca pode ser observado o antropocentrismo (homem) fazendo oposição ao teocentrismo (Deus).
O momento final do Barroco, o Rococó é considerado um barroco exagerado e exuberante, e para alguns, a decadência do movimento.
Dualismo: O Barroco é a arte do conflito, do contraste. Reflete a intensificação do bifrontismo (o homem dividido entre a herança religiosa e mística medieval e o espírito humanista, racionalista do Renascimento). É a expressão do contraste entre as grandes forças reguladoras da existência humana: fé x razão; corpo x alma; Deus x Diabo; vida x morte, etc. Esse contraste será visível em toda a produção barroca, é frequente o jogo, o contraste de imagens, de palavras e de conceitos. Mas o artista barroco não deseja apenas expor os contrários, ele quer conciliá-los, integrá-los. Daí ser frequente o uso de figuras de linguagem que buscam essa unidade, essa fusão.
Fugacidade: De acordo com a concepção barroca, no mundo tudo é passageiro e instável, as pessoas, as coisas mudam, o mundo muda. O autor barroco tem a consciência do caráter efêmero da existência.
Pessimismo: Essa consciência da transitoriedade da vida conduz frequentemente à ideia de morte, tida como a expressão máxima da fugacidade da vida. A incerteza da vida e o medo da morte fazem da arte barroca uma arte pessimista, marcada por um desencantamento com o próprio homem e com o mundo.
Feísmo: No Barroco encontramos uma atração por cenas trágicas, por aspectos cruéis, dolorosos e grotescos. As imagens frequentemente são deformadas pelo exagero de detalhes. Há nesse momento uma ruptura com a harmonia, com o equilíbrio e a sobriedade clássica.
Cultismo: jogo de palavras, o uso culto da língua, predominando inversões sintáticas.
Conceptismo: jogo de raciocínio e de retórica que visa melhor explicar o conflito dos opostos.
Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos estilísticos, figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e paradoxos.
Literatura moralista, já que era usada pelos padres jesuítas para pregar a fé e a religião.
Antropocentrismo x Teocentrismo (homem X Deus, carne X espírito)
O início do Barroco em Portugal (1580) coincidiu com a morte do escritor português Luís de Camões, e fim em 1756, com a fundação da Arcádia Lusitânia.
Esse estilo literário, também é chamado de Seiscentismo (por ter iniciado no final do século XVI), é posterior ao Classicismo e anterior ao Arcadismo (Setecentismo).
Manifestações artísticas como literatura, arquitetura e pintura se desenvolveram em Portugal durante um período de crise política, econômica e social, causada pelos conflitos com a Monarquia Espanhola e a Guerra de Restauração.
Parte da literatura barroca em Portugal é marcada pelo Cultismo ou Gongorismo – em alusão aos poemas do espanhol Luís de Góngora. Esse conceito é caracterizado pelo jogo de palavras que visa o rebuscamento e ornamentação do texto.
Os textos possuem uma linguagem culta e carregados de figuras de linguagem como metáforas, paradoxos e antíteses, hipérboles, anáforas. Também eram utilizadas figuras de sintaxe como trocadilhos, hipérbatos e dubiedades.
A outra face da literatura é o Conceptismo, também conhecido como Quevedismo – em referência aos textos do poeta espanhol Francisco de Quevedo. O conceptismo se refere ao jogo de ideias ou conceitos baseados em argumentos lógicos.
O principal objetivo dos autores conceptistas era o de convencer e instruir o leitor com base em diversos argumentos. Por isso, era comum o uso dos elementos de silogismo (baseado na dedução de que duas premissas geram uma terceira proposição lógica) e sofisma (o objetivo é desestimular a verdade por meio de regras lógicas).
“Para um homem se ver a si mesmo são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelhos e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos”.
(Padre Antônio Vieira)