Afonso Henriques
A formação de Portugal começou no século XII, num tempo de batalhas entre cristãos e muçulmanos pela Península Ibérica. No início, a região que viria a ser Portugal era parte do Reino de Leão e Castela, mas o desejo de autonomia e a força de uma identidade própria foram decisivos para o surgimento da nação.
O protagonista dessa história foi D. Afonso Henriques, filho do conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, filha do rei de Leão. Após a morte do pai, Afonso Henriques entrou em conflito com a própria mãe, que governava o Condado Portucalense em nome do reino leonês. Em 1128, na Batalha de São Mamede, ele derrotou as forças da mãe e dos seus aliados, assumindo o controlo do território.
Mas para ser reconhecido como rei, Afonso Henriques precisava de mais do que vitórias contra a família. Ele fortaleceu o condado e, em 1139, após a vitória sobre os mouros na Batalha de Ourique, proclamou-se Rei de Portugal. Para garantir a independência, enfrentou Castela e negociou com o Papa, conseguindo, finalmente, o reconhecimento oficial em 1179, com a bula papal "Manifestis Probatum" de Alexandre III.
A partir daí, o jovem reino expandiu-se para o sul, conquistando terras dominadas pelos mouros. Em 1249, com a tomada do Algarve por D. Afonso III, Portugal estabeleceu as suas fronteiras, praticamente as mesmas que mantém até hoje, tornando-se o primeiro Estado-nação da Europa com território bem definido.
Assim nasceu Portugal: da luta pela independência, da força de um líder determinado e da vontade de um povo que, desde o início, soube afirmar a sua identidade única na Península Ibérica.
O século XV marcou o início da Era dos Descobrimentos, um dos períodos mais grandiosos da história portuguesa. Sob o comando do Infante D. Henrique, navegadores como Gil Eanes, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama desbravaram o oceano, abrindo rotas comerciais para África, Índia e Brasil. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, expandindo o império português.
No século XVI, Portugal era uma potência mundial, mas em 1580, com a morte do rei D. Sebastião e a crise dinástica, o país foi anexado à Espanha sob Filipe II. Apenas em 1640, com a Restauração da Independência, Portugal recuperou a sua soberania com a aclamação de D. João IV.
Os séculos seguintes foram desafiadores, com o declínio do império, a invasão napoleónica no início do século XIX e a Revolução Liberal de 1820, que levou à independência do Brasil em 1822.
No século XX, Portugal viveu quase meio século sob a ditadura do Estado Novo, liderado por Salazar, até que, em 1974, a Revolução dos Cravos trouxe a democracia e pôs fim ao regime autoritário.
Hoje, Portugal é uma nação moderna, que mantém as suas tradições enquanto se adapta ao mundo contemporâneo. A sua história, rica em momentos épicos e desafios superados, continua a moldar a identidade do país e do seu povo.
Portugal é um país de alma antiga e coração vibrante, onde a história se entrelaça com a modernidade, e cada rua parece contar um segredo guardado pelo tempo. Entre a brisa salgada do Atlântico e o perfume do campo, Portugal é feito de contrastes que se harmonizam — montanhas e praias, tradição e inovação, melancolia e festa.
Terra de navegadores, poetas e sonhadores, Portugal carrega nas veias o fado e a saudade, essa palavra intraduzível que resume o sentir português. Lisboa, com suas colinas e elétricos amarelos, reflete um passado glorioso e uma energia cosmopolita. O Porto, robusto e autêntico, guarda o Douro como um espelho de séculos de trabalho e paixão. O Alentejo canta a sua calma nos campos dourados, enquanto o Minho exibe o verde exuberante de vinhedos e rios.
Nos azulejos que cobrem fachadas e contam histórias, nas vielas de calçada portuguesa, nos mercados onde o cheiro do pão quente e do café se mistura ao burburinho das gentes, há um Portugal vivo, pulsante, sempre acolhedor. O tempo parece mover-se ao ritmo das marés, sem pressa, como se cada momento devesse ser saboreado.
E, acima de tudo, Portugal é feito de pessoas — de um povo que ri com os olhos, que canta mesmo na tristeza, que sabe a importância de um bom convívio à mesa e que carrega no peito um amor sincero por sua terra.