José de Alencar nasceu em maio de 1829, em Messejana, na província do Ceará. Cresceu em um ambiente marcado pela política e pelo pensamento liberal. Seu pai, José Martiniano Pereira de Alencar, foi sacerdote, revolucionário e senador do Império; sua avó, Bárbara de Alencar, destacou-se como heroína da Revolução de 1817.
Descendente de uma família de forte tradição política, ligada aos movimentos revolucionários pernambucanos do início do século XIX, Alencar formou-se num meio em que a participação pública, o debate de ideias e a ação política eram centrais. Essa herança seria determinante tanto na sua atuação como jurista e parlamentar quanto na construção de uma obra literária profundamente comprometida com a reflexão sobre o Brasil e a sua identidade.
Ainda criança, realizou uma longa e penosa viagem do Ceará ao Rio de Janeiro, experiência que marcaria profundamente sua imaginação literária e serviria de inspiração para O Guarani. No Rio, concluiu o ensino primário e, aos treze anos, mudou-se para São Paulo, onde ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Mais tarde, transferiu-se para Olinda, formando-se em Direito em 1850.
Além de escritor, José de Alencar teve intensa atuação política. Foi eleito deputado pelo Partido Conservador e exerceu o cargo de Ministro da Justiça entre 1868 e 1869.
Em relação à escravidão, defendeu a emancipação gradual dos escravizados, posição que conciliava críticas morais à instituição com a defesa de uma transição progressiva, baseada na transformação dos costumes, na imigração e na preparação social para o trabalho livre. Essas ideias aparecem em seus discursos parlamentares e nas Cartas de Erasmo, dirigidas ao imperador Dom Pedro II.
José de Alencar iniciou sua carreira como jornalista e cronista, colaborando com importantes periódicos do Rio de Janeiro. Sua estreia na ficção ocorreu em 1856, com Cinco Minutos. No ano seguinte, publicou O Guarani, romance que lhe trouxe grande notoriedade.
Sua obra abrange romances indianistas, urbanos, regionais e históricos, além de peças teatrais, crônicas e ensaios políticos. Entre seus livros mais importantes estão Iracema, Lucíola, Diva, Senhora, Ubirajara e O Sertanejo, fundamentais para a consolidação do romantismo brasileiro.
Na década de 1870, José de Alencar envolveu-se em uma das mais célebres polêmicas da literatura brasileira, travada com Joaquim Nabuco. O jovem crítico acusava Alencar de sustentar posições conservadoras e ambíguas em relação à escravidão.
Alencar respondeu defendendo sua obra literária e sua atuação política, afirmando jamais ter apoiado a escravidão como instituição moral. Anos depois, Joaquim Nabuco reconheceria, em suas memórias, o excesso de suas críticas e a grandeza literária de Alencar.
José de Alencar é patrono da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras. Em sua homenagem foram erguidos o Theatro José de Alencar, em Fortaleza, além de praças, monumentos e instituições culturais em diversas cidades brasileiras.
Sua obra permanece como um dos pilares da literatura nacional, contribuindo decisivamente para a construção de uma identidade literária brasileira.
José de Alencar
1877-1878-2
Romances
O Guarani (1857)
Iracema (1865)
Lucíola (1862)
Diva (1864)
Senhora (1875)
Ubirajara (1874)
O Sertanejo (1875)
Teatro
O Demônio Familiar (1857)
Mãe (1862)
O Jesuíta (1875)
Crônica e ensaio
Ao Correr da Pena
Cartas de Erasmo
Como e por que sou romancista
1829 – Nasce em Messejana, Ceará
1840 – Transfere-se para o Rio de Janeiro
1846 – Ingressa na Faculdade de Direito em São Paulo
1850 – Forma-se em Direito
1856 – Publica Cinco Minutos
1857 – Publica O Guarani
1861 – Inicia mandato como deputado
1868–1869 – Ministro da Justiça
1877 – Morre no Rio de Janeiro