Universidade Sénior do Rotary Club de S. João da Madeira
(Continuação)
Apesar de alguns alunos já terem lido este livro, tivemos agora a oportunidade de o reler de forma diferente. E foi assim que, ao longo de 35 aulas, o Prof. Celestino colocou os alunos a ler pausadamente o livro que ia interrompendo aqui e ali para podermos compreender melhor o que acabávamos de ouvir, observar a riqueza do vocabulário que Eça de Queirós utilizava, desde a variedade dos adjetivos, como a forma como construía as frases e as muitas figuras de estilo que ele usava com grande maestria.
Toda a história começa em Lisboa, na Travessa da Trabuqueta, com o gordíssimo Jacinto, também conhecido como D. Galião, a escorregar numa casca de laranja e a ser socorrido pelo Infante D. Miguel. Mais tarde com o desgosto pelo desterro a que D. Miguel foi sujeito, decide ir viver para Paris onde compra um palacete a um príncipe polaco, no 202 dos Campos Elísios. E é nesta cidade, através de Zé Fernandes, amigo de Jacinto, neto de D. Galião, entretanto já nascido em Paris, que o autor inicia toda uma narrativa à volta da sua vida , quer em Paris, na civilização, quer depois em Portugal após uma viagem muito atribulada às terras dos seus antepassados, em Tormes no Douro. Com um realismo impressionante Eça de Queirós vai-nos retratando as personagens de tal forma que o leitor vai criando a imagem dessas pessoas como se estivéssemos a vê-las ao vivo, como é o caso do Grilo, de Madame d`Oriol, Madame Colombe, Madame de Trèves, O Duque de Marizac, ou a Tia Vicência, o Pimentinha, chefe da estação, etc.
O empenhamento e envolvimento dos alunos foi total e sempre com expectativas para os episódios dos capítulos seguintes. Estou certo que ninguém deu por mal empregue o tempo dedicado à leitura desta obra, mas também é justo referir que isto só foi possível graças à forma como o Prof. Celestino conduziu a aula envolvendo todos os alunos na leitura, análise e discussão dos textos criando uma perfeita simbiose e fazendo com que, às Quintas-Feiras, aquela hora entre as 16H30 e 17H30 “passasse” muito rápida.
E como cereja no topo do bolo, um dos itinerários do passeio deste ano da Universidade Sénior de S. João da Madeira foi uma visita à Fundação Eça de Queirós em Tormes. Aqui tivemos a oportunidade de contactar com a casa, os pertences do escritor o local onde escrevia, a capela e todos os recantos da casa imortalizados na obra “A Cidade e as Serras”. Foi mais uma oportunidade de enriquecimento cultural para todos os que tiveram a oportunidade de integrarem este passeio.
E agora ficamos à espera da sugestão do Prof. Celestino sobre o autor que vamos estudar no próximo ano.
Para terminar votos de umas Boas Férias para todos e um bom regresso lá para Outubro.
Jorge Rui Oliveira