Universidade Sénior do Rotary Club de S. João da Madeira
Na manhã do dia 28 de junho, pelas 9 horas, partiu um autocarro com mais de 3 dezenas de elementos, entre professores, alunos e familiares para o passeio que este ano apostou em dois objetivos culturais: 1-Ferreira de Castro/Ossela e 2-A Batalha de Aljubarrota.1-Ferreira de Castro/Ossela
A aproximação a Ossela fez-se pela estrada que liga Oliveira de Azeméis a esta sua freguesia. Assim, após deixarmos o Parque de La Salette para trás, fomos descendo até ao Solar do Côvo que, pouco visível da estrada, nos apareceu num morro sobranceiro à nossa esquerda e que foi onde nasceu a primeira fábrica de vidro de Portugal. A Quinta do Côvo, assim chamada, “com a sua mata de quilómetros, desce as declividades da encosta e refresca as raízes no Rio Antuã, que passa lá ao fundo”. Após as Fuseiras - onde outrora laboravam 2 moinhos e, hoje, “ouve-se” o silêncio do abandono – vamos subindo até atingir o dorso da mata, onde acaba a Quinta do Côvo e começa a freguesia de Ossela. Deixando para trás os lugares de Vermoim e Sobradelo, chegámos ao lugar dos Salgueiros, onde se encontra a Casa-Museu, a funcionar na antiga residência de Ferreira de Castro, que visitámos. Guiados pelo responsável do Museu, entrámos na adega da casa que mantém o lagar, a prensa e alguns pipos da época. Depois, subimos ao primeiro andar onde se mantém a cozinha, dois quartos e uma pequena sala, com alguns objetos pessoais do escritor. Terminada a visita ao museu, atravessámos a estrada para visitar a Biblioteca, a funcionar num edifício construído de raiz, segundo a vontade de Ferreira de Castro. Aqui, encontrámos a Exposição Permanente, composta dos mais variados quadros, de diversos autores e montras com as traduções das suas obras nos mais diversos idiomas. De referir, que Ferreira de Castro terá sido o escritor português mais traduzido antes de José Saramago.
Ver Ossela com os olhos de Manuel da Bouça (Emigrantes)
Acabada a visita ao Museu e Biblioteca, o grupo partiu para o lugar de Santo António para, assim, seguir os passos de Manuel da Bouça. Começou por visitar o cemitério: “Em frente do cemitério, duas austrálias projetavam sombra. Não se recordava delas, não as deixara ali. Lá dentro havia também ciprestes que não estavam identificados na sua memória e alguns mausoléus novos”. Não encontrámos a campa da Amélia, mulher do Manuel da Bouça – não era esse o objetivo – mas sim o Mausoléu de Diana de Lis, primeira mulher de Ferreira de Castro, e o jazigo da pintora Elena Muriel, sua segunda mulher. De seguida, passámos pela Igreja e a Escola Primária, onde o escritor fez a sua instrução básica antes de embarcar para o Brasil, com 12 anos. Descemos até à Capela de Santo António, contígua à atual Junta de Freguesia e Centro de Saúde e donde se desfruta da melhor vista sobre o vale de Caima: “Manuel da Bouça demorou-se na contemplação do vale. À esquerda, a Frágua, mal divisada entre os pinheiros; depois, os campos, verdes uns, amarelecidos outros, abrindo-se suavemente nas duas margens do Caima; ao fundo, agachada aos pés da Felgueira, o casario do Mosteiro…”.
Terminada a visita a Ossela os passeantes voltaram ao autocarro para prosseguir o programa estabelecido: almoçar na Bairrada – leitão para alguns, filetes (sacrilégio) para outros e, ainda, houve quem levasse farnel! Terminado o repasto, seguiu-se para a última etapa:
2-A Batalha de Aljubarrota
Chegados à Povoação de São Jorge (Porto de Mós) demos entrada no auditório do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, onde começámos por assistir à exibição de um filme com cerca de 30 minutos, recriando a célebre batalha. Após algumas explicações do guia, seguimos para o exterior do edifício, onde tudo o que vimos terá acontecido: o campo de batalha de São Jorge. Lá estavam alguns estandartes, os nomes das principais figuras que se destacaram na peleja e a Capela de São Jorge, mandada construir por Nuno Álvares Pereira. Regressados ao interior, no auditório, assistimos à “construção” pedra-a-pedra, do Mosteiro da Batalha, mandado erigir por D. João I, como promessa do sucesso no confronto…
Agradados com o que viram e ouviram, os passeantes voltaram ao autocarro para fazer o regresso a São João da Madeira, encantados com a jornada e esperando pela do próximo ano.
António Luís Costa