A oração é a coisa mais importante que existe! Sem ela, não há como comunicarmos com Deus e não alimentamos nossa espiritualidade,
nossa vida eterna, não adquirimos a força, o ânimo e a alegria de viver, não nos tornamos santos, não ajudamos as pessoas que precisam de nossa intercessão. Sem ela, nosso alimento espiritual, a vida perde o sentido e torna-se mais difícil de ser vivida. Ela renova as nossas forças para enfrentarmos as dificuldades não só de nossa vida normal, mas também de nossa vida cristã. Sem a graça de Deus, nada conseguiremos fazer e não poderemos nos salvar.
É por meio da oração que pedimos a intervenção de Deus em nossa vida e lhe dizemos “sim” à obra da Salvação. É pela oração que lhe pedimos perdão e lhe dizemos que perdoamos aos que nos ofenderam, a nos humilharmos diante dele, e abrimos as portas do coração, como pede o Apocalipse 3.20:
“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”.
Abrir a porta a Deus é, antes de tudo, abri-la aos pobres e necessitados, aos doentes e oprimidos. Por outro lado, sem ela, nunca teremos ânimo nem desejo de fazer o bem a quem quer que seja. Abrir a porta a Jesus pela oração é, como na hemodiálise, “arejar”, filtrar”, “purificar” nossa vida, nossos desejos e propósitos, é tirar-nos de nós mesmos, do egoísmo, e nos colocarmos à disposição dos outros e do que quer Jesus nos fazer.
Rezar é como ligar a TV na tomada, ou ligar o ferro de passar roupa, ou como colocar gasolina no carro, ou como instalar a bateria para dar-lhe a partida. “Sem a oração viramos bichos!” - diz com humor o bispo D. Angélico S. Bernardino. Também como dizia sempre o pároco de minha infância: “ Quem não reza para dormir, dorme burro e levanta cavalo!”.
A oração está para nós e Deus como a conversa para dois amigos. A oração é a “conversa” entre nós e Deus.
“ Para Deus tudo é possível” (Mt 19,26); “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,37); “ Se tiverdes fé (...) nada vos será impossível” (Mt 17,20). Tomamos “posse” do Reino de Deus e dessa graça maravilhosa que ele está sempre disposto a nos dar, pela oração.
No silêncio interior nós ficamos sabendo quem realmente somos. Deserto do Saara, Assekren, onde São Carlos de Foucauld morava por vários meses, quando queria fazer retiro.
TRÊS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO
O catecismo católico, nos números 2700 até 2719, ou no resumo, de 2720 a 2724, diz que há três modos de expressarmos nossa oração:
- a oração vocal
-a meditação
-a oração mental
A ORAÇÃO VOCAL
Associa o corpo à oração interior do coração, como o Pai-Nosso ensinado por Jesus.
A MEDITAÇÃO
-É uma busca orante, que se utiliza do pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Procura confrontar o assunto meditado com a nossa vida.
A ORAÇÃO MENTAL
É, como dizia o Santo Cura D'Ars, olhar para Jesus sabendo que ele também está olhando para nós. Ou como dizia o Beato Carlos de Foucauld, é olhar para Jesus amando-o.
A diferença principal da oração mental com a meditação é que na oração mental não se fala nada, não se pensa em nada. "É um olhar fito em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um silencioso amor" (CAC 2724).
É preciso muito humildemente conhecermos os próprios desvios, fraquezas, problemas, limites, vícios, manias, fraquezas, preguiça, vaidade, prepotência, mentiras, orgulho etc., e aceitar tudo isso para em seguida vencer-se.
As pessoas que tentam enganar-se a si mesmas, fazendo de conta que não têm este ou aquele problema, entrarão em “parafuso” e num sistema de recalque que as levarão cada vez mais ao abismo e aos erros. Nós somos o que somos diante de Deus, e nada mais.
Diz João 8,32: “A verdade vos libertará!” Dt 32,4:(...) (Deus é) Deus de lealdade e não de falsidade!” Apocalipse 15,3: “(...) Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações!” Isaías 11,5 : “ A justiça será o cinto de seus quadris e a fidelidade (=a verdade) o cinto de seus rins.” Zacarias 8,16: “Estas são as coisas que deveis fazer: falai a verdade uns com os outros” Efésios 4,25: “Por isso renunciai à mentira. Cada um diga a verdade ao próximo”. João 14,6: “ Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!”.
Nosso passado já não existe, mas permanece em nossa memória. Mesmo que tenhamos nos arrependido de nossos pecados, de nosso passado, não há como ignorá-lo! Desse modo, aceitá-lo e recomeçar uma vida nova a partir de agora, é a atitude mais inteligente e produtiva que podemos tomar. Mas cuidado! Aceitar-se não é permanecer no erro e forçar os demais a nos aceitarem como somos! É preciso vencer-se!
Na oração, coloque o seu passado nas mãos de Deus, peça perdão de tudo o que O desagradou e peça-lhe força, coragem e condições de retomar sua vida de um modo diferente, sem pecados. Deus nos ajuda, mas não nos substitui!
Se algum pecado já perdoado lhe vier à mente, diga a você mesmo que já foi perdoado(a) disso, que não quer mais praticar nada que ofenda a Deus ou que não seja permitido. Se for algum pecado de que até então você não tomara consciência, diga-lhe isso, peça-lhe perdão, proponha confessar-se logo que puder.
Aproveite e agradeça a Deus pelo perdão recebido, pelas graças recebidas e peça-lhe que o (a) ajude a vencer as tentações e provações. Diz Romanos 11,29: “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento!”
Nós somos o resumo de tudo o que fizermos na vida. Ignorar o que somos, ou mentir para ganharmos a simpatia dos outros, só nos vai trazer aborrecimentos. Nunca minta dizendo aos outros o que você não é. Tudo o que você não puder dizer, simplesmente diga que não pode falar sobre o assunto, ou coisa parecida, mas não minta. Exemplo: se você só viu o mar pela TV, e alguém lhe perguntar se você já foi ao mar, diga a verdade! Não há nada de vergonhoso admitir que nunca foi à praia.
Da mesma forma, se você for pobre, nunca minta dizendo que é rico (a). Seja sincero (a), e muitos gostarão de você como você é, e você estará sempre preparado (a) para a oração. Aceite-se!
PRIMEIRA ETAPA: ESCOLHER UMA BOA POSIÇÃO
Escolha uma posição confortável para a oração. Quando sozinhos, podemos ficar em qualquer posição, desde que seja digna e com postura adequada. Quando em comunidade, devemos seguir as rubricas orientadoras (sentados, em pé, de joelhos).
Não se obrigue a ficar de joelhos em todo o tempo da oração, para não prejudicá-la. Quando conversamos com um amigo, de que modo ficamos? Pois a oração é a conversa com o único que é realmente nosso amigo, Jesus Cristo-Deus. O importante é sentir-se bem e confortável nesse encontro com Ele. As orações individuais podem ser mentais ou vocais, a seu gosto, e também a contemplação.
SEGUNDA ETAPA: FAZER SILÊNCIO
Se o silêncio não for possível exteriormente, ao menos o silêncio interior, como fez Jesus várias vezes, sendo uma dessas vezes contada por Lucas 9,18: Ele se isolou dos discípulos e da multidão apenas mentalmente, pois continuara no meio do barulho que eles faziam: “E aconteceu que, estado ele só, orando, estavam com ele os seus discípulos”.
Deus nos fala no silêncio e na calma. Veja a esse respeito o artigo do Dom Edson Damian, clicando no assunto “Deserto”, no índice. Dizia São Francisco de Salles, no século 16, que os homens se entopem de barulho para não ouvirem a voz de seus corações.. Em Oséias 2,16: “Vou levá-la ao deserto e aí lhe falarei ao coração.”
Ficar sempre procurando o barulho é uma forma de nunca se ouvir nem ouvir a Deus; é uma fuga dos próprios problemas, é uma forma de não aceitá-los para enfrentá-los. Não tema o silêncio! Com a simplicidade e a pobreza de uma vida humilde e sincera, você não precisará temê-lo. Enfrente-se!
TERCEIRA ETAPA: A ORAÇÃO PROPRIAMENTE DITA
Aqui você reza como achar melhor. Há a oração contemplativa, a oração vocal, a oração mental, a meditação. Acho que todas elas se resumem nos passos da LEITURA ORANTE DA BÍBLIA, que explicaremos a seguir, de maneira bem simples:
1º PASSO: LER UM TRECHO BÍBLICO :-escolha algum ou pegue um da liturgia do dia. Leia-o várias vezes para mentalizar. Se você não sabe qual é, procure no site da CNBB:
http://www.cnbb.org.br/liturgia/app/user/user/UserView.php
2º PASSO: MEDITAR ESSE TRECHO BÍBLICO.
3º PASSO: ORAR SOBRE O QUE SE MEDITOU;
4º PASSO: CONTEMPLAR JESUS, TENDO O TEXTO E A ORAÇÃO COMO BASES.
5º PASSO: LIGAR A PALAVRA COM A PRÁTICA DA VIDA.
Abaixo você pode ver uma outra forma de se fazer a Leitura Orante da Bíblia, com a ordem dos passos um pouco diferente da que eu coloquei:
Se você quiser ver a Leitura Orante da Bíblia de modo mais completo e bem explicado, clique neste site abaixo. É muito bom e bonito, da CNBB:
http://www.cnbb.org.br/site/images/arquivos/files_48d787e097cb2.pdf
OUTRAS ORAÇÕES
Você pode também rezar os salmos (veja o site da liturgia das horas, aí ao lado direito), as orações propostas no índice (basta clicar), ou mesmo fazer orações próprias, colocando diante de Deus o que lhe vai ao coração.
Uma coisa importante é ser espontâneo em nossas orações. Como diziam o Pe. Carlos de Foucauld: "Rezar é olhar para Jesus, amando-o!" E o Cura D'Ars, S. João M. Vianney: "Orar é olhar para Jesus sabendo que ele está olhando para você!"
Não há oração poderosa, como se diz por aí. Toda oração pode ser ouvida, se Deus assim o quiser, se for feita com sinceridade de coração e se você estiver precisando daquela graça, ou seja, se essa graça for realmente útil para você.
Muito cuidado, também, para não "determinarmos" a graça de Deus. Isso é muito perigoso! Diz S. Tiago, 4,15:
"Devemos falar: Se Deus quiser, viveremos ou faremos isto ou aquilo".
Reze com confiança e deixe tudo nas mãos de Deus. Limite-se a pedir e fazer tudo o que estiver ao seu alcance. O conceder ou não a graça depende a vontade dele.
Em Lucas 18,9-14 Jesus atende ao publicano por ter sido humilde em sua oração, mas não atende ao fariseu, por seu orgulho. Em Mateus 6,7,Jesus criticou a oração dos pagãos, que achavam ser atendidos pelo muito pedir. Como explicar, então, o Rosário, que parece ser uma repetição?
Na verdade, essa repetição é como um “mantra”, uma música de fundo, que forma como que o cenário para a oração principal, que é a meditação dos mistérios do rosário. Enquanto você reza as Ave-marias, seu espírito se une a Deus pela contemplação dos mistérios abordados.
Não se trata, portanto, de uma “vã repetição”, como poderíamos pensar. Aliás, o rosário desacompanhado das meditações dos mistérios não tem muito sentido, diz o falecido papa João Paulo II.
Outra coisa é o modo de dar “receitas” de como rezar para obrigar Deus a nos atender. Isso é uma loucura! Já dizia o livro da Sabedoria 1,1-2: “ Pensai no Senhor com retidão, procurai-o com simplicidade de coração, porque Ele se deixa encontrar pelos que não o tentam”.
Ora, uma faz formas de “tentar” a Deus é exigir que ele nos atenda, e do nosso modo. Coloquemo-nos nas mãos de Deus, e ele saberá do que realmente precisamos para viver e como viver, a fim de irmos para o céu após nossa morte. Diz Jesus em Mateus 7,9-11:
“Quem de vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir um pão? Ou lhe dará uma cobra, se ele lhe pedir um peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!”
Pode ser, porém, que estamos na verdade pedindo a pedra, a cobra, em vez do pão ou do peixe. Só Deus sabe o que é melhor para nós! Devemos pensar não tanto nas coisas materiais, desta vida, mas na vida eterna!
Sobre a insistência na oração, Santo Agostinho diz que Deus sabe muito bem do que precisamos, mas quer que lhe peçamos muitas vezes para assumirmos aquilo que pedimos e nos conscientizemos da importância daquilo em nossas vidas.
Se o pai der a bike ao filho logo que ele lhe pedir, este não lhe dará o devido valor. Entretanto, se lhe prometer que lha dará no final do ano, caso ele tire notas boas, por exemplo, na certa o filho vai ansiar receber o presente, vai estudar bastante e animar seu coração para utilizar bem a bike, quando recebê-la.
Assim é nossa oração: a demora provocará uma atenção maior ao pedido que fizemos e daremos mais valor à graça de Deus quando a recebermos. Muitas vezes eu agradeço a Deus por não ter atendido alguns de meus pedidos no passado! Decerto, agora eu estaria arrependido. Ainda bem que Deus não me atendeu!
Quanto à oração comunitária, quando não der tempo ou certo de ir à missa, como por exemplo, quando tiramos férias num ambiente onde não haja possibilidade, não fique sem a celebração! Consiga pelo menos mais uma pessoa e façam uma leitura bíblica, comentem o que leram, façam uma oração em comum, e você estará não só agradando a Deus, mas também cumprindo o mandamento da Igreja que pede que participemos das missas aos domingos. Diz Mateus 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí eu estarei”.
A oração nos prepara para a provação, como diz Eclesiástico 2,1: “Filho, se aspiras a servir ao Senhor, prepara a tua alma para a provação!”
Orar é como lançar nossas raízes na corrente de água fresca (Salmo 1 e Jeremias 17,8), água fresca essa do amor de Deus. Nunca sentiremos o rigor da solidão, pois sempre sentiremos a presença de Deus. Sem a oração, nossa casa ficará deserta, pois não atenderemos Jesus, que quis reunir-nos “ Como a galinha reúne os pintinhos debaixo de suas asas” ( Mateus 23,37-38).
“Vossa casa ficará deserta!” Que palavras terríveis! Imaginemo-nos sozinhos num deserto! Assim será a nossa vida sem a oração! A oração é como a água fresca, as frutas geladinhas, o alimento saudável que matam nossa sede e nossa fome do amor de deus!
Sempre imaginei o inferno como um terrível, árido quente e dolorido deserto, em que não veremos ninguém e nada! Assim será a nossa vida sem a oração.
“Ó Deus (...) a ti procuro, de ti tem sede minha alma! Minha carne por ti anseia como a terra ressequida, sedenta, sem água!” (do Salmo 62/63).
O que fala Santo Agostinho sobre a oração constante? Por que rezar constantemente? Deus precisa disso? Veja a seguir o que ele diz. Tiramos o trecho do site da Liturgia das Horas, que você encontra na nossa lista de blogs, à direita da página.
Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo
(Ep.130,8.15.17-9,18: CSEL 44,56-57.59-60)
(Séc.V)
Na oração exercita-se a nossa vontade
Por que nos dispersamos entre muitas coisas e, temendo rezar de modo pouco conveniente,
indagamos o que pedir, em vez de dizer com o salmo: Uma só coisa pedi ao Senhor, a ela busco: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para contemplar as delícias do Senhor e visitar seu templo? (Sl 26,4). Pois ali os dias não vêm e vão, o fim de um não é o princípio de outro. Todos ao mesmo tempo não têm fim, ali onde nem a própria vida, a que pertencem estes dias, tem fim.
Para alcançarmos esta vida feliz, a verdadeira Vida nos ensinou a orar. Não com multiplicidade de palavras, como se quanto mais loquazes fôssemos, mais nos atenderia. Mas rogamos àquele que conhece, conforme suas mesmas palavras, aquilo que nos é necessário, antes mesmo de lhe pedirmos (cf. Mt 6,7-8).
Pode alguém estranhar por que motivo assim dispôs quem já de antemão conhece nossa necessidade. Temos de entender que o intuito de nosso Senhor e Deus não é ser informado sobre nossa vontade, que não pode ignorar. Mas despertar pelas orações nosso desejo, o que nos tornará capazes de conter aquilo que se prepara para nos dar. Isso é imensamente grande, mas nós somos pequenos e estreitos demais para recebê-lo. Por isto, nos é dito:
Dilatai-vos; não aceiteis levar o jugo com os infiéis (2Cor 6,13-14).
Isso é tão imensamente grande que os olhos não o viram, porque não é cor; nem os ouvidos ouviram, porque não é som; nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9), já que o coração do homem deve subir para lá. Isso nós o recebemos com tanto maior capacidade quanto mais fielmente cremos, com mais firmeza esperamos, mais ardentemente desejamos.
Por conseguinte, nesta fé, esperança e caridade, sempre oramos pelo desejo incessante.
Contudo, em certas horas e tempos também rezamos a Deus com palavras, para nos exortar a nós mesmos, mediante seus símbolos, e avaliar nosso progresso neste desejo e a nos estimular com maior veemência a aumentá-lo. Pois tanto mais digno resultará o efeito, quanto mais fervoroso preceder o afeto.
É também por isso que diz o Apóstolo: Orai sem cessar! (1Ts 5,17). O que isso pode significar a não ser: desejai sem cessar a vida feliz, a eterna, e nenhuma outra, recebida daquele que é o único que a pode dar?
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
São João Crisóstomo (Anais 4,5) diz? Nada se compara em valor à oração; ela torna possível o que é impossível e fácil o que é difícil. É impossível que caia em pecado a pessoa que reza”.
Orígenes diz: “Ora sem cessar aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Somente dessa forma podemos considerar como realizável o princípio de orar sem cessar (de S. Paulo Apóstolo).”
Aqui você tem citações bíblicas das muitas vezes que Jesus orava no seu dia a dia. Eu a tirei da Bíblia de Jerusalém, na nota G, de Mateus 14,23. Se você possui essa bíblia, pode ver nela as citações.
JESUS OROU: (Mateus=Mt; Marcos=Mc; Lucas Lc; João = Jo)
NA SOLIDÃO OU À NOITE: Mateus 14,23; Marcos 1,35; Lucas 5,16
ÀS REFEIÇÕES: Mt 14,19; 15,36; 26,26-27
EM OCASIÕES IMPORTANTES:
no batismo: Lc 3,21;
antes da escolha dos doze: Mt 6,5
antes da confissão de Cesaréia: Lc 9,18
na transfiguração: Lc 9,28-29
no Getsêmani: Mt 26,36-44
na cruz: Mt 27,46; Lc 23,46
pelos seus carrascos:Lc 23,34;
por Pedro: Lc 22,32
pelos discípulos da época dele e os do futuro (=nós): Jo 17,9-24
por si mesmo: Mt 26,39; Jo 17,1-5; Hb 5,7
ESSAS ORAÇÕES MOSTRAM E MANIFESTAM:
a intimidade constante com o Pai: Mt 11,25-27
o Pai nunca o deixa só: Jo 8,29
o Pai o atende sempre: Jo 11,22.42; confira Mt 11,25-27
por seu exemplo, bem como pelo seu ensinamento, jesus inculcou aos discípulos a necessidade e a maneira de orar: Mt 6,5 ss
agora, na glória, continua a interceder por nós: Romanos 8,34;Hebreus 7,25; 1ª Jo 2,1, como prometera em Jo 14,16;
Romanos (Rm); Efésios (Ef); Filipenses (Fil); Colossenses (Col); Primeira e segunda cartas aos Tessalonicenses (1Ts e 2Ts); Primeira e segunda cartas a Timóteo (1Tm e 2Tm); Primeira e segunda carta aos Coríntios (1Cor e 2Cor); Filemon (Fm); Gálatas (Gal); Hebreus (Hb)
Ver em Romanos 8,27, nota C, da Bíblia de Jerusalém.
Orar sem cessar; Rm 12,12; Ef 6,18; Fil 4,6; Col 4,2; 1Ts 5,17; 1Tm 2,8; 5,5; 1Cor 7,5
Paulo reza sem descanso pelos seus fiéis: Ef 1,16; Fil 1,4; Col 1, 3.9; 1Ts1,2; 3,10; 2Ts 1,11; Fm 4;
Pede que rezem por ele: Rm 15,30; 2Cor1,11; Ef 6,19; Fil 1,19; Col 4,3; 1Ts 5,25; 2Ts 3,1; Fm 22; Hb 13,18;
Pede que rezem uns pelos outros: 2Cor 9,14; Ef 6,18;
A respeito da oração pelos irmãos pecadores e doentes: Confira 1Jo 5,16; Tg 13-16
Pelo progresso espiritual e afastamento dos obstáculos exteriores: 1Ts 2,18; 3,10; Rm 1,10 e interiores; 2cOR 12,8-9
Pelo bem da ordem social: 1Tm 2,1-2
Oração de Ação de Graças: 2Cor 1,11; Ef 5,4; Fil 4,6; Col 2,7; Col 4,2; 1Ts 5,18; 1Tm 2,1
Essa oração de A.G. deve acompanhar toda ação: Ef 5,20; Col 3,17
Às refeições: Rm 14,6; 1Cor 10,31; 1Tm 4,3-5;
Inicia por ela todas as cartas: Rm1,8; 1Cor 14,17; 2Cor 1,11; 4,15; 2Cor 9,11-12
Com cânticos inspirados que edifiquem: Ef 5,19; Col 3,16
Na oração Eucarística e de louvor que são as almas das Assembleias Litúrgicas; 1Cor 11,14
Eficácia da oração pela presença do Espírito de Cristo no Cristão, que o faz orar como filho: Rm 8,15.26-27; Gal 4,6; Ef 6,18; Judas 20
Cristo, à direita do Pai, intercede por nós: Rm 8,34; Hb 7,15; 1Jo 2,1;
O Pai atende com superabundância: Ef 3,20
Os cristão são os que invocam o nome de Jesus Cristo: 1Cor 1,2; confira: Rm 10,9-13; 2Tm 2,22; Tg 2,7; Atos 2,21+; cap.9,14.21; cap.22,16
Com relação à atitude exterior da oração: 1Cor11,4-16; 1Tm 2,8
Autor: Bíblia Católica | Postado em: Espiritualidade
Se você já se sentiu frustrado na oração, não se preocupe: é muito simples
Você conhece a importância da oração, mas talvez ache que Deus não quer ouvi-lo porque você se afastou durante algum tempo. Você provavelmente sabia que a oração madura é algo além de simples petições a Deus, mas talvez não esteja seguro de como proceder.
Talvez você esteja realmente ocupado, e tema que buscar a “prática da oração” exija um compromisso que você não pode assumir. Ou pode ser que você tenha medo de “fracassar” em sua tentativa de orar em profundidade.
Seja como for, fique tranquilo. A única maneira de fracassar na oração é deixar de orar. Não há nada que Deus não queria ouvir de você. Ele o ama, não se esqueça disso!
Anote aí as 5 dicas para voltar a orar intensamente:
1. Faça o sinal da cruz
Esta é uma maneira rápida e eficaz de se conectar com Deus e recordar, num só gesto, toda a entrega de Jesus por nós. Esta é uma oração rápida e um bom ponto de partida. Para saber mais sobre o sentido do sinal da cruz, clique aqui e depois aqui.
2. Inclua gotinhas de oração ao longo do seu dia
As jaculatórias ajudam a manter-nos na presença de Deus. São orações breves, em forma de frases simples, que dirigimos a Deus em meio às atividades cotidianas, colocando nelas toda a força da nossa fé e todo o carinho do nosso coração ao pronunciá-las. Alguns exemplos: “Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo”, “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”, “Estou em tuas mãos, faça-se a tua vontade”, “Maria, sou todo teu”, “Espírito Santo, ilumina-me”, “Sagrado Coração de Jesus, confio em ti” etc.
3. Observe algo belo
A beleza das coisas ao nosso redor nos remete a Deus. Você pode observar uma flor, uma folha caída no chão, a alegria de uma criança, um amanhecer… O ser humano é o único animal capaz de admirar a beleza, Deus nos deu este dom – talvez precisamente para que nos encontremos com Ele.
4. Escute
Você não precisa estar com o fone de ouvido o tempo todo, pode desligar o celular e a televisão de vez em quando. Programe-se para desligar os estímulos externos em alguns momentos da semana e curta o silêncio. Nesses momentos, pode dizer para Deus: “Tu me chamaste, Senhor, aqui estou”. E permanecer em paz e silêncio, para ir aprendendo a identificar a voz de Deus em seu interior.
5. Cante
Santo Agostinho dizia que quem canta ora duas vezes. Você certamente conhece algumas canções espirituais ou pode explorar mais este universo. Monte sua seleção e curta momentos de intimidade com Deus por meio da música. Cante a Maria também, porque isso conforta nosso coração de filhos e a deixa alegre como Mãe. Você também pode cantar partes da missa, se isso o ajudar a se conectar com Deus.
Está disposto a recomeçar? Deus com certeza já recomeçou, já está esperando você. Apenas dê o primeiro passo, e o resto será mais fácil. Confie.
(Adaptação do texto original de Elizabeth Scalia)
Do site do PADRE PAULO RICARDO e, logo após, do site ALETEIA
É lícito fazer correntes de oração?
Algumas "correntes de oração" são inspiradas por uma mentalidade pagã, na qual a vontade humana detém prioridade absoluta. Jesus, ao contrário, ensina-nos que a verdadeira oração é feita para mudar não a vontade de Deus, mas a nossa.
As conhecidas “correntes de oração" – em que as pessoas pedem que se propague a devoção a um santo, sob a pena de maldição e desgraças – saíram dos bancos das igrejas e estão nos meios eletrônicos. Ainda que se admita, benevolamente, que essa iniciativa possa ter nascido com boa intenção – a de fazer crescer o amor a determinado santo –, o que se encontra em boa parte dessas correntes é uma realidade chamada superstição.
Superstição vem do latim superstitio, que quer dizer: remanescente, algo que sobrou. O mundo antigo foi evangelizado pelo Cristianismo, mas, infelizmente, em muitos lugares, ficaram resquícios da antiga religião, do paganismo. A superstição é isto: restos de mentalidade pagã na vida de pessoas já convertidas.
O Catecismo da Igreja Católica diz que esse pecado contra a virtude da religião acontece quando se atribui “eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que elas exigem" [1]. Quando, por exemplo, um fiel, ao invés de converter-se e abandonar o pecado, acredita que vai se salvar porque usa o escapulário do Carmo, está pondo sua esperança na “materialidade" desta devoção, ao invés de assumir as “disposições interiores" que ela exige.
Do mesmo modo, quando se encontra, no banco de uma igreja, papéis lançando maldições caso cópias daquela oração não forem feitas e distribuídas em várias igrejas, não se deve temer. Esses tipos de ameaça certamente não têm lugar na verdadeira religião cristã. Os santos não precisam desse tipo de propaganda negativa para terem sua fama espalhada entre as pessoas.
É claro que é importante propagar a devoção e o amor aos santos: desse modo, eles podem ser conhecidos e invocados pelas pessoas, além de atuar como suas benfeitoras, do Céu, onde se encontram. Entretanto, essa propaganda não deve ser feita de modo supersticioso. As orações que fazemos devem comportar uma disposição em fazer a vontade de Deus. Quando Jesus nos ensinou a rezar, Ele disse: “seja feita a Vossa vontade", isto é, a divina, não a nossa.
No frontispício de uma dessas correntes de oração dedicadas a São Judas Tadeu, encontrava-se a seguinte absurdidade: “Eu quero, eu posso, eu faço, eu consigo". O verdadeiro Cristianismo não é assim: para que nossas orações sejam atendidas, é preciso que as conformemos à vontade de Deus; que o nosso coração deseje tão somente aquilo que Ele, desde toda a eternidade, quer nos conceder.
Referências
Catecismo da Igreja Católica, 2111
Veja o mesmo assunto tratado por outro site:
No blog Aleteia há uma postagem do, Pe. Henry Vargas Holguín / Aleteia Brasil | Jun 14, 2016 sobre as tais correntes de orações. Fiquei receoso de copiar aqui por causa dos tais direitos autorais. Mas deixo o link para quem quiser ler o artigo completo.
Em resumo, ele alerta para que ninguém alimente essas correntes de orações, principalmente as que ameaçam os que não a seguirem com penas e castigos.
Eis o início do artigo:
Correntes de oração com ameaças embutidas: muita calma nessa hora!
Pe. Henry Vargas Holguín / Aleteia Brasil | Jun 14, 2016
As ameaças e fórmulas mágicas para conseguir resultados são contrárias à verdadeira fé
“Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 19).
Jesus, nesta passagem do Evangelho, nos declara a importância de nos unirmos em oração para pedir a graça do Pai – mas não estabelece condições estritas e muito menos ameaças quanto ao modo de fazermos isto. Quem quiser unir-se a uma intenção de oração pode fazer a prece que preferir, na hora e no lugar que desejar, sozinho ou acompanhado.
Mas é importante distinguir o seguinte: uma coisa é unir-se em oração por uma intenção concreta e real, mesmo quando as pessoas participantes da oração não se conhecem; outra coisa bem diferente é aderir às chamadas “correntes de oração”, que hoje, graças à internet, não apenas se difundem profusamente como ainda “ameaçam” com certos castigos àqueles não as seguirem à risca.
A Igreja não admite que a oração seja instrumentalizada e reduzida a essa espécie de “chantagem psicológica”. É por isso que essas “correntes de oração” merecem clara censura. LEIA MAIS CLICANDO AQUI