A Santíssima Trindade como representada em imagens, não tem nada a ver com o que Deus realmente é.
Falar de Deus é muito difícil, pois o que temos é fruto da revelação das escrituras, principalmente de Jesus Cristo, e dos estudos sobre tudo o que existe.
Deus é um Espírito Eterno, ou seja, nunca teve princípio nem terá fim. Ele tem todas as virtudes, capacidade, ciência, amor, misericórdia, domínio, discernimento no grau infinito, e até muitas virtudes e conhecimentos que nós nem imaginamos que existam.
Deus está fora do tempo e do espaço: para Ele não existe tempo, e não ocupa lugar nenhum, pois tanto um como outro foram criados por Ele.
Alguns salmos (89, 6-14; 90; 93,4; 104;108) falam sobre a magnitude de Deus. Se fossem escritos hoje, seriam mais ou menos assim:
“Deus põe sua toalha para secar no pico do Everest, usa a floresta Amazônica como o capacho de seus pés, usa o vulcão para fritar o seu bife, guarda sua taça de sorvete na Antártida, usa a vértebra da maior baleia que existe para palitar os dentes, usa as cataratas do Iguaçu para lavar o seu rosto, joga xadrez com as estátuas da Ilha de Páscoa” etc. O salmo 108 fala exatamente sobre isso (claro que com comparações do tempo em foi escrito).
Vemos no documento de Puebla nº 582, e o de Aparecida nº 434, que “Deus não é solidão, mas uma família”. Essa família em que Deus vive é a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. São três pessoas, mas um só Deus. É como se encostássemos três velas para obtermos uma só chama, ou um trevo, que é uma só planta, mas com três folhas iguais. As três pessoas de Deus são reais (realmente existem), são um só Deus, mas ao mesmo tempo são distintas (cada pessoa é uma).
DEUS, a origem primeira de tudo, é PAI e MÃE, como diz o Frei Carlos Mesters. Deus tem as virtudes, em perfeição, dos pais e das mães. Como ele é a origem primeira de tudo, Ele também é Mãe!
Seu Filho único, Jesus Cristo, tão eterno como Verbo quanto o Pai e o Espírito Santo, nasceu dentro do tempo terrestre, de Maria sempre Virgem, e é cem por cento Deus e cem por cento homem. Após sua morte na cruz, que aceitou com amor, e a ressurreição, subiu ao céu e nos enviou seu Espírito Santo para nos fortalecer, nos santificar e nos iluminar.
O Espírito Santo desceu sobre os apóstolos reunidos no cenáculo com a Virgem Maria e vem também sobre todos os que são batizados. Ele vem também a quem Ele bem entender, não dependendo de nós, do Batismo ou de qualquer outra coisa. Deus é livre para agir como quiser. Qualquer pessoa de qualquer religião, ou mesmo sem religião alguma, pode receber o Espírito Santo.
O Espírito Santo é o Amor do Pai e do Filho, é o Amor de Deus por nós, nos santifica, nos faz sábios para nos decidirmos por Cristo, e nos fortalece. Muitos sentem o Espírito Santo como uma espécie de luz, de força, de unção. Quero deixar bem claro que o Espírito Santo é uma Pessoa de Deus, tão Deus quanto o Pai e o Filho, uma Pessoa divina completa, a quem podemos nos dirigir, como nos dirigimos às outras duas pessoas. Ele é chamado também de Paráclito, Advogado nosso, o Consolador. (Veja a definição do dicionário: paráclito: grego parákletos, -os, -ou, chamado para ajudar, invocado, intercessor).
Para Deus, nada é impossível. Ele faz tudo o que quer (Sl 115; Marcos 10,27; Lucas 1,37). Se alguma coisa não agradasse a Deus, Ele não a teria criado! (Sabedoria 11,24). Então, penso eu, este pernilongo que insiste em querer chupar o meu sangue, e que chupou tantas vezes o do próprio Jesus, naquelas noites que ele passava no Jardim das Oliveiras, ou pescando, esse pernilongo é do agrado de Deus e tem alguma função na natureza; caso contrário, Deus não o teria criado.
Tudo o que ele quer provém de sua vontade justa e de sua sábia inteligência. Deus, em sua onipotência divina, de modo algum é arbitrário: Ele não “tira a sorte” ao nos permitir alguma coisa; Ele faz exatamente o que deve e precisa ser feito!
Diz Isaías 66,12-13: “Assim fala o Senhor (...) sereis amamentados, carregados nos braços, acariciados nos joelhos. Como uma mãe consola um menino, assim eu vos consolarei”. Isaías 49,15: “Mesmo que alguma mãe se esquecesse do filho que gerou, eu não te esquecerei”! Isaías 44,21c: “Eu nunca te esquecerei!”; Jeremias 31,3: “Eu te amei com um amor eterno, por isso conservei meu amor por ti”; v. 16: “Deus amou tanto o mundo...”; Provérbios 23,26: “Dá-me, filho, teu coração, e faze que teus olhos gostem de meus caminhos!”
Outros textos que falam do amor de Deus por nós: Romanos 8,32; 1ª João 4,10; Jeremias 31,34; Jeremias 1,4-5; Isaías 49,1; Romanos 11,29; Sabedoria 11,24; Eclesiástico 39,17; Mateus 10,33; Timóteo 2,11-12.
Diz Isaías 54,8-10: “Agora, com amor eterno, volto a me compadecer de ti, diz Javé, Meu amor nunca vai se afastar de ti”. Isaías 44,21: “Nunca vou esquecer-te!”; Isaías 49,15-16: “Ainda que a mãe se esqueça do filho que gerou, eu não me esquecerei de ti, diz o Senhor. Veja: eu te tatuei na palma de minha mão”!
A intensidade de nossa alegria e de nosso amor a Deus, no paraíso, não depende só de Deus, mas principalmente de nós, da intensidade com a qual amarmos agora. Vamos “brotar” no céu com a força do amor que tivermos agora! Mesmo ao lado de Santa Teresinha, por exemplo, eu vou estar bem mais longe de Deus que ela, se não vivi aqui e agora a mesma intensidade de amor a Deus que ela viveu.
Esse amor que Deus foi-nos revelado pelo próprio Jesus Cristo em João 17,21-22: “Para que todos sejam um, ó Pai, como tu o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.
Nós honramos e pedimos a proteção da Santíssima Trindade com o Sinal da Cruz, que é feito em duas partes: o persignar-se e o benzer-se.
Para bem fazer o sinal da cruz, comece com o “persignar-se”: faça com o dedo polegar da mão direita uma cruz na testa, dizendo: “Pelo sinal da santa Cruz”; depois faça uma cruz na boca, dizendo: “livre-nos Deus, nosso Senhor”. Depois faça um sinal no peito, dizendo: “dos nossos inimigos”. A cruz na testa é para que Deus nos livre dos maus pensamentos; a cruz na boca, para que nos livre das más conversações, de fazermos mau juízo dos outros, para não caluniarmos ninguém etc.; a cruz no peito é para sempre amarmos a Deus e ao próximo sem exceção, e nunca consentirmos nos maus sentimentos.
Em seguida, você faz o “Sinal da cruz”, chamado de “benzer-se”, dizendo: “Em nome do Pai” - e coloca a mão espalmada sobre a testa; “do Filho” - e põe a mão espalmada sobre o peito; “e do Espírito” - e põe a mão espalmada sobre o ombro esquerdo; “Santo” - e põe a mão espalmada sobre o ombro direito. A cruz nos lembra a morte voluntária de Jesus na Cruz, que nos salvou. Ele aceitou morrer por todos nós, para nos salvar. Devemos fazer o sinal da cruz completo no início do dia, das orações, nas tentações, ao passarmos por uma igreja em que haja o Santíssimo Sacramento, para dormir, em todas as ocasiões. Quando fazemos o sinal da Cruz, estamos dizendo a Deus que nos entregamos a Ele e aceitamos Sua santíssima vontade.
Sem as nuvens, o entardecer não tem graça. Sem os problemas, nossa vida não tem sentido.
É a pergunta que sempre fazemos. Vejo pregadores do YouTube dizendo, com todas as letras, que Deus castiga.
Eu penso desta maneira: Se Deus castigasse, ele teria que fazer o mal para nós. Deus é todo misericordioso e bondade. Dele não pode vir o mal. Mas aí perguntamos: e os inúmeros males que existem no mundo?
Disse Leibnitz que este mundo foi o único possível para ser criado. Sendo assim, as suas deficiências seriam corrigidas pelo próprio Senhor. Entretanto, o homem, pelo pecado original, prescindiu de Deus, isolou-se de Deus em seu trabalho diário, em seus projetos. A partir daí, Deus só pode nos ajudar se nós quisermos, se nós permitirmos.
A consequência disso está aí: pragas, doenças, mudanças no clima, mortes, miséria, secas, inundações, terremotos e sabe lá quantas outras coisas que nos acontecem. Se estivéssemos caminhando com Deus tudo isso seria superado. Se vivêssemos uma vida santa, teríamos sempre a ajuda divina.
Deus, portanto, não castiga. Ele apenas permite que as coisas aconteçam sem sua interferência. Podemos dizer, então, que a punição que Deus nos faz é retirar-se de nossa vida, deixar-nos viver como bem entendermos. E aí vivemos o caos. Deus nunca nos castiga, no sentido de nos enviar o mal. O mal acontece porque o mundo é deficiente e precisa da ajuda divina para funcionar corretamente.
Nossa Senhora disse, em Medjugorje, que Deus não manda ninguém para o inferno: as pessoas que para lá vão, vão por livre e espontânea vontade. São pessoas que recusaram sua misericórdia. Deus é amor e bondade. E na sua justiça, respeita nossas escolhas. Se não escolhermos a Ele, teremos que arcar com essa decisão, e nos perderemos.
Quanto à ideia de castigo que vemos na bíblia, sobretudo no Antigo Testamento, é uma ideia concebida de modo errôneo pelos que a escreveram e mesmo pelas pessoas que viveram nesse tempo.
A humanidade precisa fazer o caminho de volta para Deus. Se todos o acolhermos, nos convertermos, aprendermos a precisar dele, Ele vai impedir que as coisas más aconteçam, e este mundo já será uma antecâmara do paraíso.
Mateus 6,25-34:- Não vos preocupemos por nossa vida, pois Deus, que dá tudo aos animais e às aves, não deixará que nos falte o necessário. Isso implica, é claro, que estejamos livres. Jesus quer dizer nesse trecho que precisamos aprender a trabalhar e a lutar confiando em Deus. Façamos a nossa parte que ele nos abençoará e tudo será resolvido a seu tempo. Deus não deixa faltar nada aos pássaros, mas se estiverem livres. Se nós o prendermos, nós é que devemos tratar deles. Assim também referindo-se ao ser humano. Se estiver livre, Deus poderá ajudar. Deus não passa por cima da vontade humana. Ou seja: se uma pessoa estiver sendo prejudicada por outra, Deus não vai impedir a má ação dessa outra pessoa. Mas diz 1ª Pedro 5,7: “Lançai nele (em Deus) toda a vossa preocupação, porque é ele que cuida de vós!” Aliás, é a mesma frase que o Salmo 55(54), 23, portanto, já conhecida desde o Antigo Testamento. Nunca devemos confiar em nossas próprias forças, mas, humildemente, confiarmos plenamente em Deus.
Quando abrimos nosso coração para Deus, acabamos encontrando tempo para todas as outras coisas e, principalmente, para o irmão. Precisamos aprender a confiar na presença de Deus em nossa vida! Somos apenas instrumentos (e tão frágeis!) em suas mãos misericordiosas. Nada mais do que isso! Trabalhemos o quanto pudermos, mas nos lembremos de que o resultado é Deus quem provê! Lembremo-nos sempre do salmo 126(127),2: “É inútil que madrugueis e que atraseis o vosso sono, para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado, Deus o dá enquanto dorme!”. Quem põe sua confiança em Deus, vive na paz.
Não devemos zombar de Deus, como diz Gálatas 6,7: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. Com muitas pessoas isso não ocorre: tentam enganar a Deus com mentiras. Dizem-lhe que estão arrependidos, que ele os perdoe, que vão começar vida nova, mas no fundo do coração estão zombando de Deus, como se Deus não soubesse o que pensam. Na verdade, nem estão pensando realmente numa conversão sincera.
Deus não se deixa enganar por palavras vazias e mentirosas. Ele espera, pacientemente, que entendamos isso. Colheremos o que semearmos. Não adianta falar a ele coisas que ele sabe que são mentiras, que não correspondem à verdade. Deus nunca nos enganou. Jesus foi bem claro quando disse que precisaríamos pegar nossa cruz de cada dia para segui-lo. Ele carregou a cruz em nossa frente, e uma cruz muito maior do que a nossa, acrescentando-se o fato de que ele não tinha pecado algum para “pagar”, mas nós temos!
Quando morrermos não poderemos mais mentir. Enfrentaremos a verdade nua e crua. Deus ainda quer nos perdoar, mas nós é que vamos ou não vamos aceitá-lo. Só agora, vivos, é que temos a possibilidade de pedir perdão a Deus de nossos pecados.
Jesus nos dá o exemplo de que devemos perdoar sempre e, consequentemente, nós também seremos perdoados se pedirmos perdão: “Se teu irmão pecar contra ti sete vezes por dia e sete vezes retornar arrependido dizendo ’estou arrependido’, tu lhe perdoarás”.
Se Jesus mandou que fizéssemos isso, é porque Ele também nos perdoa. Ele praticava tudo o que pedia que os demais praticassem. Se nos pede para perdoar sempre, é porque sempre nos perdoará, contanto que estejamos arrependidos.
Por que temos tanta desconfiança do perdão, do amor de Deus? Talvez porque não perdoamos ou temos dificuldade em perdoar, como dizia São Carlos de Foucauld: “As faltas passadas não me assustam. Os homens não perdoam porque não podem retornar à pureza perdida, mas Deus perdoa porque ele apaga até as manchas e torna à sua plenitude a beleza primeira”.
Temos a tendência de projetar em Deus nossos limitados pensamentos e tendência. Se aprendermos a perdoar tantas vezes quantas o irmão vier nos pedir perdão, acabaremos acreditando que Deus, fonte do amor, do perdão e da paz, também nos perdoará.
ROMANOS 12,20-21
“Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo dessa forma estarás acumulando brasas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.
Eis outro texto que nos faz lembrar que, se Deus inspirou Paulo para nos dar esse conselho, é porque Ele faz isso também. Quando Deus continua a dar suas graças mesmo aos que não o amam, está colocando “brasas” de remorso sobre suas cabeças. E se formos nós que os perdoarmos e não lhes negarmos um prato de comida se ele estiver com fome, o nosso inimigo vai começar a pensar nessa atitude e sua “surpresa” pode se transformar uma conversão de vida!
Se nós precisamos “vencer o mal com o bem”, é sinal de que Deus também não se vinga de nós, mas está sempre pronto a nos perdoar.
A uma ação corresponde uma reação igual. Se tratarmos os outros com raiva e ódio, a resposta será de raiva e ódio. Se a ação for feita com amor, no primeiro instante talvez a reação será de revolta, mas num segundo instante será também de amor.
Outra coisa muito importante e nunca agirmos sozinhos, mas sempre buscarmos a ajuda de Deus na oração e na caridade para com o próximo. Quem sempre reza e pratica a caridade, sempre consegue cumprir suas obrigações e terá sempre as graças necessárias para viver uma vida bonita.
Por exemplo, sempre me lembro de um amigo que atendia as pessoas adiantando outros trabalhos, “para dar tempo”, mas sempre vivia atolado de coisas atrasadas para fazer. Se ele atendesse bem as pessoas e se empenhasse na oração, Deus o ajudaria, talvez por meio de seu Anjo da Guarda, a cumprir suas obrigações rotineiras.
O Papa Bento XVI (estou fazendo esta atualização nos dias de seu sepultamento, início de 2023), diz que, embora pareça que a Igreja está à mercê de adversários difíceis, Deus sempre tem em suas mãos o governo do mundo e o coração dos homens.
“Se alguma vez se pode pensar que a barca de Pedro está realmente à mercê de adversários difíceis, também é verdade que vemos que o Senhor está presente, vivo, que ressuscitou realmente, e tem em suas mãos o governo do mundo e o coração dos homens”, afirmou.
Jesus Cristo é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, cem por cento Deus e cem por cento homem, Nasceu de Maria sempre Virgem. Viveu trinta anos de sua vida em Nazaré, lugarejo pequeno, tão pequeno que fora da bíblia não é conhecido. Viveu trabalhando na carpintaria. Foi lá que Jesus aprendeu o que precisaria saber para viver aqui na Terra.
Jesus nasceu em Belém da Judéia (Sul). Foi criado no interior, como o povo da roça, em Nazaré da Galileia, ao Norte. Sua língua era o aramaico (sotaque galileu). Não pertencia ao clero do templo, não era doutor da lei, nem fariseu, nem essênio. Era leigo, pobre, não estudou como S. Paulo Apóstolo (Atos 22,3). Trabalhava como agricultor e carpinteiro (Mc 6,3; Mt 13,55). A escola de Jesus foi, principalmente, a vida em família e na comunidade. Todos rezavam muito naquele tempo, de manhã, à tarde e à noite, com três leituras básicas entremeadas de salmos, bênçãos, benditos (confira em Deuteronômio 6,4-9; 11, 13-21; Números 15,37-41).
Ao obedecer ao Pai plenamente, Jesus, que tinha a vontade divina e a vontade humana plenamente unidas, nos abriu o caminho do céu, fechado desde o pecado de Adão e Eva. É o que nos diz 1Cor 15,21, quando Paulo fala que por um só homem (Adão) veio o mal ao mundo, por um só homem (Jesus) veio o bem, a salvação ao mundo. O motivo principal é a obediência: ao contrário de Adão e Eva, Jesus obedeceu totalmente ao Pai. Essa obediência foi total, até a morte, e morte de cruz! (Filipenses 2,6ss). Ou seja: mesmo podendo evitar o seu sofrimento e sua morte, Jesus escolheu sofrer tudo como um ser humano, obediente ao Pai como todos deveríamos ser.
Se obedecermos a Deus, Ele nos orientará, nos dará tudo o que for preciso para sermos felizes e, caso nos permita algum sofrimento, nos dará a força necessária para vencê-lo ou suportá-lo até que fiquemos livres.
Temos muito desejo de felicidade, mas às vezes nos esquecemos de que a felicidade verdadeira só a conseguiremos no céu, na vida eterna, onde “Nenhuma impureza, nenhuma abominação entrará” (Apocalipse 21,27).
Gosto muito de fazer uma comparação para entendermos a eternidade: Se uma só destas letras deste blog for os 90 anos que uma pessoa vai viver aqui na terra, todas as demais, do site (blog) todo, de todos os bilhões de blogs e sites que existe, serão, cada uma dessas letras todas, 90 anos que a gente vai viver lá no céu. Multiplique 90 pelos quinquilhões de letras que estão na internet, e assim mesmo não vai dar nem mesmo um por cento da eternidade que vamos viver no céu.
Para obtermos isso, Jesus pede que lhe sejamos fiéis nestes 90 anos, nesta “letrinha” que temos que viver agora. Vale a pena, portanto, aceitarmos os sofrimentos, problemas, empenho e lutas para sermos santos, para agradarmos a Deus, seguirmos os seus ensinamentos, pois isso vai se reverter em benefício para nós mesmos! A recompensa compensa!
É muito melhor sofrer agora para sermos santos e irmos para o céu, do que sermos felizes nestes anos terrestres, numa felicidade tão passageira e tão cheia de altos e baixos, se não seguirmos a palavra de Deus. Podemos, sim, ser felizes agora, mas sem o pecado, sem as quedas para o mal. O problema é que nem toda a felicidade que escolhemos é a que agrada a Deus e nos faz bem: o pecado, o vício, a ganância, não nos dá paz e nos levam para o sofrimento eterno.
É por isso que Deus nos permite o sofrimento agora, mesmo quando fazemos o bem. Diz Sabedoria 12,2: “É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”. Hebreus, 12,5-13, principalmente v. 10: “Deus nos purifica com os sofrimentos para poder nos infundir sua santidade”.
Jesus nos ensinou muitas coisas para podermos viver santamente e irmos para o paraíso. O mandamento que ele nos deixou foi o de amar a Deus e ao próximo como Ele nos ama. Disse que amamos a Deus quando amamos o próximo.
Para amarmos devemos também nos deixar amar, que é mais difícil do que amar, pois ao nos deixarmos amar, não temos o controle da ação e deixamos esse controle nas mãos de Deus, que deixamos que nos ame, e do próximo, quando deixamos que as pessoas nos amem.
Outro problema que temos é confundir “amar” com “gostar”. Jesus não pediu que “gostássemos”, mas que “amássemos”. Amar até os inimigos, ou seja, não deixar faltar-lhes nada de que necessitem, não lhes desejar ou fazer-lhes nenhum mal.
O ódio, a violência, não leva a nada. Com a paciência, tudo conseguimos; com a violência, perdemos nossa razão e até o bem que queríamos fazer acabamos transformando em mal com a nossa ira.
Apesar de ser dono de tudo o que existe, Jesus quis nascer pobre, viveu com os pobres, se alimentava na companhia deles. Ele diz em Lucas 9,58: “O Filho do Homem (ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.
Em Lucas 14,33, Ele nos convida a renunciarmos a tudo o que possuímos para sermos seus discípulos. Ele nunca nos convidaria a viver na miséria, mas nos convida a viver uma vida simples, sem tantas falsas necessidades. Algumas pessoas são chamadas a uma pobreza radical; outras, nem tanto. A Zaqueu, por exemplo, ele não pediu que desse tudo o que possuía, mas o elogiou quando Zaqueu lhe disse que ia dar metade do que tinha aos pobres e devolver quatro vezes mais o que tinha roubado; ou seja, não ia dar tudo o que possuía.
Quem tem muito dinheiro, confia só nele; quem é pobre, está livre para confiar plenamente em Deus, seu único apoio. No sermão da montanha, Jesus falou, logo no início do capítulo 5, que são felizes os pobres em espírito. Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos capacidade e oportunidade de sermos ricos, devemos viver de modo modesto.
Todos sabemos, pelos jornais e pela televisão o quanto as pessoas ricas têm problemas, cometem suicídio, morrem de overdose e coisas desse tipo. Se o dinheiro trouxesse felicidade, eles seriam felizes; a vida que levam, entretanto, mostra que são muito infelizes. Só Deus pode nos fazer felizes. Só o bem pode nos dar a paz.
Ser humilde, entretanto, não é ser tímido! Jesus morreu porque enfrentou as autoridades religiosas do tempo, que escravizavam o povo. Ser humilde é reconhecer os próprios limites e aceitá-los, reconhecendo os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando a ninguém. Isso pode ser refletido em Tiago 2,1-7; Marcos 2,15-17; Marcos 6, 37-44.
Ser humilde é não querer fazer tudo sozinho, mas sempre procurar buscar a ajuda de Deus e das pessoas capacitadas para aquela ação.
Santa Teresa de Jesus diz uma coisa belíssima quanto à humildade e à confiança em Deus: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”.
Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus, como nos conta Lucas 1,46-54. O humilde está sempre com Deus e é fortalecido por Ele.
Há vários textos da bíblia que nos levam a saber que Jesus não tinha irmãos. Chamar primos de irmãos era comum, sobretudo porque em hebraico não havia a palavra “primo”. Em grego havia, mas só foi usada uma vez, por São Paulo Apóstolo.
Eu falei muito disso no artigo sobre Maria. Se você estiver interessado(a), por favor, procure no site (no blog) esse artigo sobre a Virgem Maria.
Aqui apenas vou dar um dos melhores exemplos: Se Maria tivesse mais filhos, não se compreenderia como é que Jesus, ao morrer, deu ao Apóstolo João, como filho, a Maria, para que cuidasse d’Ela (cf João 19,26-27). E o Apóstolo João era da família de Zebedeu (cf. Mateus 4,21; 10,3; 27,56; etc). Nem sequer era parente de Jesus. Por certo, Jesus não entregaria a sua Mãe a um estranho, se Ela tivesse outros filhos.
Diz Efésios 2, 4: “Deus é rico em misericórdia!”, e quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca as desprezar e sempre perdoá-las. Tiago 2,1-26 nos diz que a fé, sem as obras, é morta: precisamos ajudar os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém. Agindo assim, no julgamento final Deus será misericordioso também para conosco.
É o que diz Mateus 25, 31-46, quando Jesus dá uma amostra simbólica de como será esse julgamento: o critério de sermos acolhidos ou não no paraíso será o que fizemos ou deixamos de fazer para com os outros. Diz também Tiago 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. Quer dizer: se exercermos a misericórdia, não iremos ser julgados. É bom lembrar que a misericórdia implica, também, a não julgarmos a ninguém. Veja Mateus 7,1-4 e 1ª Pedro 4, 8 “A misericórdia cobrirá a multidão dos pecados!
Deus criou o mundo de tal forma que nele pudéssemos viver, pois somos a obra mais importante de sua criação. Deus nos criou para que pudéssemos morar com ele no céu e gozarmos sua presença, admirarmos sua beleza, fazer-nos felizes. Para deixarmos fora nosso egoísmo e aprendermos a partilhar, ele planejou tudo de tal forma que nos tornamos seus “sócios” na criação: cada vez que uma criança é concebida, Deus cria, naquele momento, uma alma imortal e ele se torna um ser humano, com direito a viver feliz no paraíso pelo resto da eternidade.
Deus não quer obrigar-nos a estar com ele. Por isso, deu-nos o livre arbítrio, pelo qual temos a vida toda para escolhermos essa vida feliz (o paraíso) ou estarmos longe dele (o inferno). Quem morre sem ter escolhido Deus de modo pleno, mas buscou-o durante sua vida, vai para o Purgatório, até purificar-se, pois como diz o Apocalipse 21,27: “Na cidade celeste não entrará nada de imundo, nada que contamine, nada que cometa abominação e mentira”.
Muitas vezes parece-nos que Deus é incapaz de impedir o mal, o sofrimento. Parece-nos que ele não está “nem aí” conosco. Não é verdade! Mesmo quando ele não interfere, ele está “torcendo” por nós, para que superemos com heroísmo e amor aquela fase triste de nossa vida.
Ele nos deixou livres em nossa ação. Quando não impede o mal, na verdade está preservando nossa liberdade. Ele não quer ser servido por “fantoches”, mas por pessoas conscientes, de livre e espontânea vontade. Se não nos tira daquela situação, dá-nos a força e as condições para vencermos.
Em Hebreus 12,5-13, vemos todo um tratado de como Deus nos permite os sofrimentos como um meio de corrigir-nos e nos educarmos para a santidade. Ele nos permite os sofrimentos “para que possa nos infundir a sua santidade” (Hebreus 12,10).
Muitos não acreditam que Jesus é Deus, tão Deus quanto o Pai e o Espírito Santo. Há várias passagens na bíblia que falam que Jesus Cristo é Deus. Por exemplo, no 1º capítulo de João, em que revela que o Verbo (a Palavra, o Filho de Deus, Jesus) de Deus é Deus. As testemunhas de Jeová adulteraram esse trecho, acrescentando “um” e escrevem Deus com letra minúscula. A frase é falseada, ficando deste modo: “E a Palavra era [um] deus”.
Também nas cartas paulinas, quando menciona Jesus, Paulo o chama Kyrios, Senhor, que, em grego, significa o Senhor que ressuscitou, está no céu, e representa em grego as palavras Javé (ou Jeová) e Adonai, que é como no Antigo Testamento chamavam a Deus. Veja Romanos 10,9: “Se confessares (...) que Jesus é o Senhor”.
Romanos 9,5:- “Descende o Cristo (...) que é, acima de tudo, Deus bendito pelos séculos”.
Tito 2,13: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e debaixo da erra” (dobrar os joelhos significa adorar).
Colos 2,9_ (Em Cristo)”habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.
2Cor 13,13: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”.
Jesus é 100% homem e 100% Deus, mas como homem precisou aprender tudo como nós. Ele não “ensinava” aos doutores, como muitos dizem, mas os ouvia e perguntava coisas a eles, querendo assim aprender tudo o que pudesse.
Esta é a frase dita por Jesus em João 10,18: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho o poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai”.
Jesus sempre foi 100% Deus e 100% homem. Ele sempre teve tudo sobre controle. Ele deu a vida porque quis! Tinha poder de não se deixar prender, se quisesse. Um homem que caminhou sobre um mar revolto, que ressuscitou várias pessoas, como Lázaro, o filho da viúva de Nain, a menina, que curou cegos, paralíticos, surdos-mudos, que perdoou a tantos pecadores, não teria ele o poder de livrar-se dos que o queriam matar?
Aliás, várias vezes ele escapou de mãos que já o haviam agarrado para matá-lo, como naquela vez em que o levaram ao mais alto do templo para atirá-lo de lá para baixo.
Jesus tinha todos “em suas mãos”, sob seu poder. Não era um fantoche, ou um boneco, ou um homem que parecesse estar perdido, sem saber o que fazer: ele sabia perfeitamente o que estava fazendo. Seu objetivo principal era obedecer ao Pai, vivendo sua vida humana na mais perfeita obediência, o que significava viver o mais perfeitamente possível a vida humana, com todas as suas limitações, abdicando, como diz Filipenses 6, ao seu poder divino enquanto vivesse aqui na terra.
Ele usou seu poder nos outros, mas não em si mesmo.
É isso que torna valiosa sua morte: ele a enfrentou livremente, para nos ensinar a obediência, para nos salvar. Ele fez o contrário dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, que desobedeceram frontalmente a Deus.
Nossa ignorância é tanta a seu respeito, que acho que Ele ri de nós ao ver o quanto desconhecemos de sua atuação em sua vida terrena! Ele nunca deixou de ser Deus. Ele só podia morrer por nós se deixasse que o matassem. E após sua morte, ressuscitou, e está gloriosamente reinante à direita do Pai.
“Eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,14). Qual é a intensidade desse conhecimento que Jesus exige de nós? Um conhecimento superficial? Um conhecimento como a gente se conhece um ao outro? Não! Jesus pede que suas ovelhas O conheçam “Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”.
Pergunto: será que nós conhecemos Jesus, o Bom Pastor, com tanta plenitude quanto o Pai o conhece e Ele conhece o Pai? Sei que para nós isso é impossível, mas não para Jesus. Para Ele, tudo é possível. Só estou dizendo isto porque muitos dizem que O conhece plenamente. É importante que saibamos que ainda não O conhecemos como o Pai O conhece, e é com essa plenitude de conhecimento que Jesus quer que o conheçamos: “Conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.”
Pedido semelhante ele faz em relação à união e ao amor: “Pai Santo(...) que eles sejam um, assim como nós somos um” (Jo 17,11). Quando chegaremos a ser unidos entre nós da mesma forma, com a mesma união que as pessoas da Santíssima Trindade são unidas? Quanto ainda nos fala para isso? Mas é justamente esse nível de amor e união que Jesus pede de nós!
“É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente” (Jo 10,17). Ou seja: Deus ama Jesus porque Ele faz sua plena vontade. Quanto mais fizermos a vontade de Deus, mais seremos capazes de perceber o Seu amor por nós. E receberemos nossa vida novamente já aqui na terra, ao vivermos na paz celeste depois de termos “dado a vida” espiritualmente, aos irmãos, para cumprirmos a vontade do Pai, e no céu, após a nossa morte material.
Em João 14 vemos várias vezes como o Pai nos ama se fizermos sua vontade, pois como Jesus disse, “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15,10)
Jesus é nosso Pastor e nos conhece plenamente, como Ele conhece o Pai. Se Ele tinha seu poder divino, mesmo ainda estando aqui na terra, quanto mais agora, que ressuscitou!
Em 1ª Samuel 16,7, quando Samuel se indignou por ter Deus escolhido como rei um fracote, Davi, ele recebeu esta resposta: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.
Amigos (as)! Se nós, pobres mortais, muitas vezes, ao ver pessoas não-amadas ou que nunca receberam um carinho materno ou/e paterno fazerem certas maldades, nos condoermos, em vez de odiá-las, quanto mais Deus, que olha os corações e não o exterior!
Fiquemos em paz! Confiemos nele! Ele sabe e conhece o nosso passado! Deus nos conhece muito mais do que nós nos conhecemos. Ele sabe que algumas coisas que fazemos são decorrentes de uma infância perturbada, massacrada, abandonada. E isso vai entrar em sua defesa no julgamento!
Jesus nos compreende, nos ama e nos acolhe com muito amor, sejamos nós quem sejamos. Ele quer, é certo, que nós o conheçamos como Ele nos conhece. Mas, enquanto isso não acontece, despojemo-nos de nós próprios e nos coloquemos junto a Ele! Desvistamo-nos de nossa arrogância, de nossa autossuficiência, de nossa vaidade, e coloquemo-nos confiantes em seus braços, como ovelhas sem defesa, porque, como diz Pedro 5,7, “Lançai sobre o Senhor todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós!”.
São histórias que Jesus usava para ensinar o caminho da salvação ao povo. Há dois tipos: a parábola, propriamente dita, que tem um sentido geral, ou seja, não perguntamos o que significa parte por parte, mas procuramos perceber o sentido geral do texto e a alegoria, em que cada elemento tem sua significação.
Por exemplo: a parábola do administrador infiel (Lucas 16,1-10). Nela não podemos fazer comparações. O sentido é geral. Quanto à alegoria da vinha abandonada (Lucas 20,9-19), cada parte significa uma coisa: a vinha é o povo de Deus. Os lavradores seriam os dirigentes do povo, como sacerdotes e escribas. Os servos enviados pelo dono da vinha são os profetas. O filho do dono da vinha é o próprio Jesus.
A chamada parábola do semeador, como está na bíblia é uma alegoria (Mateus 13,1-23): cada local em que a semente cai significa uma coisa.
É muito proveitoso lermos e meditarmos as parábolas. Elas nos ensinam muitas coisas boas: o perdão, a confiança em Deus, a humildade, a escolha da pobreza e a simplicidade diante da riqueza da graça de Deus, a insistência na oração, a misericórdia, a caridade, a alegria pelo encontro do Reino de Deus...
Parábolas eram histórias que Jesus usava para ensinar o caminho da salvação ao povo. Os judeus não eram filósofos como os gregos e, em vez de definições (de que os gregos tanto gostavam), usavam as parábolas, as histórias. Por exemplo: os gregos diriam “ A persistência é coroada com a vitória”. Para dizer a mesma coisa, os judeus contariam talvez a história de uma queda d'água que faria um furo na rocha se caísse no mesmo lugar por muitos anos. É o que a gente conhece com “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Nós já falamos a definição pronta; eles contariam uma história para chegarmos à mesma conclusão.
Há dois tipos: a parábola, propriamente dita, que tem um sentido geral, ou seja, não perguntamos o que significa parte por parte, mas procuramos perceber o sentido geral do texto e a alegoria, em que cada elemento tem sua significação. Por exemplo: a parábola do administrador infiel (Lucas 16,1-10). Nela não podemos fazer comparações. O sentido é geral. Quanto à alegoria da vinha abandonada (Lucas 20,9-19), cada parte significa uma coisa: a vinha é o povo de Deus. Os lavradores seriam os dirigentes do povo, como sacerdotes e escribas. Os servos enviados pelo dono da vinha são os profetas. O filho do dono da vinha é o próprio Jesus.
A chamada parábola do semeador, como está na bíblia, é uma alegoria (Mateus 13,1-23): cada local em que a semente cai significa uma coisa.
É muito proveitoso lermos e meditarmos as parábolas. Elas nos ensinam muitas coisas boas: o perdão, a confiança em Deus, a humildade, a escolha da pobreza e a simplicidade diante da riqueza da graça de Deus, a insistência na oração, a misericórdia, a caridade, a alegria pelo encontro do Reino de Deus...
No site e no blog há uma explicação de cada parábola e por isso não vou repetir aqui. Procure no índice: As parábolas de Jesus. Apenas vou elencar as principais:
1 – O ADMINISTRADOR INFIEL – Lc 16,1-9 :
2 – AGRICULTORES REBELDES Mt 21,33-46; Marcos 12,1-12; Lucas 20, 9-19. BANQUETE NUPCIAL: Mt 22,1-14, OS DOIS FILHOS: Mt 21,28-32.; A GRANDE CEIA:- Lucas 14,16-24; PAI DE FAMÍLIA- Mt 13,52: A ROUPA VELHA :- Mateus 9,16; Marcos 2,21; Lucas 5,36; O VINHO NOVO: Mt 9,17; Mc 2,22; Lc 5,37-39:
3 – ALIMENTO Mt 15,11:-
4 – AMIGO IMPORTUNO: Lucas 11,5-8 –JUIZ INÍQUO:- Lucas 18,1-8: A constância e a perseverança na oração.
5- AVARENTO ESTULTO :- Lucas 12, 16-21:- a CASA SOBRE A ROCHA :-Mt 7,24-27; Lucas 6.47-49;
6 – O BOM PASTOR: João 10, 1-16
7- O BOM SAMARITANO:- Lucas10,25-37:-
8 – O CISCO E A TRAVE:- Lucas 6,41-42; Mt 7,3-5:-
9- AS DEZ MINAS :- Lucas 19,11-27: a FIGUEIRA ESTÉRIL:- Lc 13,6-9, os TALENTOS – Mateus 25,14-30;
10 – AS DEZ VIRGENS: Mt 25,1-13:-
11- OS DOIS DEVEDORES: Lucas 7,41-42
12 – EMPREGADO CRUEL ( OS 10 MIL TALENTOS): Mt 18,23-35
13- EMPREGADOS INÚTEIS – Lc 17,7-10:-
14- EMPREGADOS VIGILANTES:- Mt 24, 42-51; Lucas 12,35-48:-
15- O FARISEU E O PUBLICANO: - Lucas 18,9-14:-
16- FERMENTO:- Mt 13,33- Também assim deve ser entendido O GRÃO DE MOSTARDA: - Mt 13,31-32; Mc 4,30; Lucas 13,18.; SEMENTEIRA:- Mc 4,26-29;
17- FILHO PRÓDIGO: Lucas 15, 11-32:-
18 – O GRÃO DE TRIGO:- João 12,24:-
19- O JOIO E O TRIGO- Mt 12,24-43:- Assim também deve ser entendida a REDE:- Mt 13,47-50
20- LÂMPADA:- Mt 5,15; Marcos 4,21; Lucas 8,116: 11,33-36:- Assim também deve ser entendida a parábola do SAL:- Mateus 5,13; Marcos 9,49-50.
21- MEDIDA- Mc 4,24; Lc 6,38
22 – MOEDA PERDIDA: Lc 15,8-10. Assim também deve ser entendida a PEDRA PRECIOSA Mt 13,45-46: O TESOURO ESCONDIDO:- Mateus 13,44\;
23- OVELHA PERDIDA: Mt 18,12-13. Lucas 15,1-7.
24- O REI QUE VAI À GUERRA:- Lucas 114,31-33 e A TORRE:- Lucas 14,28-30:-
25- O RICO AVARENTO E LÁZARO – Lucas 16,19-31:-
26 – O SEMEADOR :– Mateus 13, 1-23; Marcos 4, 3-14; Lucas 8,4-15
27 – TRABALHADORES DA VINHA:- Mateus 20,1-16:-
28 – A VIDEIRA E OS RAMOS :- João 15,1-8
Jesus fez e ainda faz muitos milagres, que, segundo o Frei Carlos Mesters, são “amostras grátis do Reino de Deus”.
Muitos buscam os milagres só pensando em suas vidas materiais, sem se preocuparem com uma verdadeira conversão. Na bíblia vemos a importância da conversão anexada ao milagre feito por Jesus.
Se pedirmos a proteção de Deus, estamos permitindo que Ele nos ajude e interfira na nossa vida. É o que diz o Apocalipse 3,20: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, eu entrarei e cearei com ele”. Ou seja: Jesus está à nossa porta, à porta de nossa vida, esperando que lhe abramos o coração para que ele possa agir e nos ajudar. O maior milagre de Jesus foi sua ressurreição (veja Mateus 12,29-40).
As graças que devemos pedir a Deus devem ser baseadas na nossa conversão, numa vida mais autêntica de cristãos. Peçamos a Deus que nos livre do pecado, que nos fortaleça para não pecarmos, para não O abandonarmos, para fazermos sua santa vontade, se ela não for a de nossa cura. Jesus ficava triste quando via que a população o seguia apenas pelos milagres, principalmente depois da multiplicação dos pães. Veja por exemplo João 6, 26; “Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes e ficastes saciados. Esforçai-vos por obter não o alimento que desaparece com o uso, mas sim o alimento imperecível, que proporciona a vida eterna, e que vos será dado pelo Filho do homem, pois foi nele que Deus Pai imprimiu seu selo”. Eis palavras que deveríamos meditar profundamente!
Na verdade, qualquer pessoa pode ser o canal da graça de Deus, apesar dele poder fazer o que bem Ele quiser, e não precisar de intermediários. O perigo que vejo, atualmente, é a busca obsessiva de milagres. Vejam esses programas de televisão de várias Igrejas, mesmo da nossa, católica. Exigir de Deus o milagre é tentá-lo, como fez o demônio no deserto. Eu acho que o correto é fazer a nossa parte, procurando a medicina atual e, ao mesmo tempo, a vontade de Deus. Ele nos curará ou nos dará coragem e força para suportarmos a tal doença ou a tal contrariedade. Digamos como Tiago 4,25: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.
Outra coisa: o milagre na bíblia tem também um valor simbólico. Assim, ao curar o surdo-mudo, Jesus queria dizer que devemos ter os ouvidos abertos para ouvir sua Palavra e a boca, para proclamar o seu evangelho. Ao curar um cego, Jesus queria dizer para estarmos sempre prontos para ver sua bondade e sua misericórdia, e para vê-lo nos outros.
Quero lembrar, enfim, que as doenças não eram entendidas como tais naquele tempo, mas como possessão diabólica. Desse modo, qualquer doença que a pessoa tivesse logo achavam que ela estava com o demônio no corpo. Um exemplo disso é quando Jesus cura a sogra de Pedro. Diz lá que “a febre a deixou”, ou seja, saiu dela.
Isso significa que nem todos os que estão descritos na bíblia como endemoniados o eram de fato. A maioria era, na verdade, apenas doente, sem diabo nenhum no corpo.
Aliás, mesmo hoje em dia precisamos ter muito cuidado com as pretensas possessões diabólicas inúmeras que certas religiões mostram na televisão ou em suas igrejas. Não são, de fato, possessões diabólicas. São apenas pessoas doentes. Quem tiver a infelicidade de ver uma possessão diabólica, vai ficar traumatizado e horrorizado pelo resto da vida. Não é brincadeira. O demônio “não brinca em serviço”.
Vejam alguns dos milagres de Jesus:
Água transformada em vinho: Jo 2,1-12
Caminha sobre as águas: Mt 14,22-23;Mc 6,45-52; 6,16-21
Cego de Betsaida: Mc 8,22-26
Cego de Jericó: Mt 20,29-34; Mc 10,46-52; Lc 18,36-43
Cego de nascimento: JO 9,1-41
Cego (Os dois): Jo 9,27-31
Diversas curas: Mt 14,33-36; 15,29-32; 21,14; Mc 6,53-56
Figueira amaldiçoada: Mt 29,19;Mc 11,13
Filha da Cananeia: Mt 15,21-28; Mc7,24-30
Filha de um oficial: Jo 4,43-54
Hemorroíssa: Mt 9,20-22; Mc 5,25-34; Lc 8,43-48
Hidrópico: Lc 14,1-6
Homem da mão seca: Mt 12,9-14; Mc 3,1-5; Lc 6,6-11
Leproso: Mt 8, 1-4; Mc 1,40-45; Lc 5,12-16
Os dez leprosos: Lc 17,11-19
A moeda na boca do peixe: Mt 17,27
Mulher encurvada: Lc 13,10-17
Multiplicação dos pães: Primeira multiplicação:- Mt 14,13-21; Mc 6,33-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-15. Segunda multiplicação: Mt 15,32-39; Mc 8,1-10
Orelha de Malco:- Lc 22,50
Paralítico de Cafarnaum: Mt 9,1-8; Mc 2,1-12; Lc 5,17-26
Paralítico junto à piscina: Jo 5,1-16
Pesca milagrosa: Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11
Possesso de Cafarnaum: Mc 1,21-28; Lc 4,31-37
Possesso epilético: Mt 17,14-21; Mc 9,14-29; Lc 9,37-44
Possesso mudo: Mt 9,32-34
Possessos de Gádara: Mt 8,28-34; Mc 5,1-20; Lc 8.26-39
Ressurreição: Mt 28,2; Mc 16,1; Lc 24,1; Jo 20,1
Ressurreição da filha de Jairo: Mt 9,25; Mc 5,41; LC 8,54
Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-46
Ressurreição do jovem de Naim: Lc 7,11-17
Servo do Centurião: Mt 8,5-13; Lc 7,1-10
Sogra de Pedro e outros enfermos: Mt 8,14-17; Mc 1,29-34; Lc 4,38-41
Surdo-tartamudo: Mc 7,31-37
Tempestade: Mt 8,23-27; Mc 4,34-41; Lc 8,22-25
Transfiguração: Mt 17,1-13; Mc 9,1-12. Lc 9,28-36
Trevas na morte de Jesus: Mt 27,45; Mc 15,22; Lc 23,44
Muitos dos ensinamentos de Jesus estão reunidos no que chamamos “Sermão da Montanha”(Mt cap. 5,6 e 7; Lucas 6,20-49); outros, nas parábolas. A seguir coloco um resumo dos ensinamentos do Sermão da Montanha para lermos e meditarmos.
a)- FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO
Ser pobre em espírito é não se apegar aos bens materiais, por saber que Deus nunca nos abandonará. Deixar os gastos supérfluos para ajudar os pobres e necessitados. A raiz de todos os males é o dinheiro, diz S. Paulo em Timóteo 6,7-10. Quem é pobre em espírito é feliz porque é livre: não é escravo do dinheiro. Jesus foi pobre e humilde e foi o homem mais feliz que existiu.
b)- FELIZES OS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO
Jesus é manso e humilde de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,29) e quer que todos nós também sejamos assim. Ser humilde não é ser tímido, mas conhecer nossos limites e fraquezas e aceitá-los. É reconhecer os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando ninguém (Tiago 2,1-7; Mc 2,15-17 e 6,37-44). Jesus morreu justamente porque enfrentou as autoridades de seu tempo, que escravizavam o povo.
Sabemos que não somos humildes quando nos irritamos diante de alguma crítica à nossa pessoa. O humilde nunca se importará, porque se conhece e sabe se aquelas críticas são verdadeiras ou falsas e não precisa provar nada a ninguém. Perceba como ser manso e humilde nos deixa livres! A humildade nos traz o perdão de nossos pecados (Lc 18,9-14; 1Pd 5,5-7). Sendo mansos e humildes, seremos também puros de coração, que é não mentir, não ter duas caras, não usar máscaras e ser sempre sincero. Somos apenas o que somos diante de Deus, e nada mais!
c)- SEMPRE DARMOS BOM EXEMPLO
Jesus Cristo insistiu muito sobre o bom exemplo. O anúncio do Evangelho vem antes pelo testemunho que por outros meios, como diz Mc 6,7-13. Devemos não apenas proclamar, mas “gritar” o Evangelho com nossa vida, com nosso bom exemplo (Carlos de Foucauld). Desse modo, seremos o fermento da massa (Mt 13,33), o sal da terra, a luz do mundo. Isso inclui nunca julgarmos, que é o que fazemos quando julgamos que o outro fez o que fez por maldade, e nunca caluniarmos ninguém. Quantas vidas bonitas se perderam por causa da calúnia! Quando alguém é caluniado por coisas que não fez, passa a não dar mais bom exemplo, por causa do escândalo, e isso não é culpa dele (dela). Imaginem com que severidade vão ser julgados os que caluniaram!
Como acontece sempre, a vida de alguém caluniado é marcada para sempre e, faça o que faça, nunca vai ser acolhido como era antes das calúnias.
O bom exemplo de quem foi caluniado é, embora seja uma ação limitada, perdoar aos que o (a) caluniaram e recomeçar a vida como alguém que caminha num caminho de santidade. Muitos vão ver isso e sua vida passará a ser novamente um bom exemplo, embora com alcance mais limitado que anteriormente.
d)- PERDOAR SEMPRE E SEM LIMITES
Jesus diz que devemos perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava para eles, perdoar sempre (veja em Mt 18,22). Em Lc 17,4,: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás!”
Em Mt 6, 14-15 Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam. Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade. Jesus pede também para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Diz Romanos 12,19:”A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”.
e)- DEUS SEMPRE NOS PERDOA !
Se ele nos pede isso, é porque também pratica! A condição que ele põe é que peçamos perdão. Os pecados graves devem ser confessados a um sacerdote (veja Mt 16,18-19; Jo 20,22-23; Tiago 5,16). Os outros pecados, que não são graves, são perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e de caridade: “A caridade cobre a multidão de pecados (1 Pd 4,8).
O que nos proporciona também o perdão de Deus são os atos de reparação, as orações, jejuns (mesmo pequenos e abrangendo a renúncia de alimento, tevê, bebidas, pelo menos de vez em quando). Diz 1 João 1,9; “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a culpa”.
O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso acabamos não pedindo perdão. Veja 1 Jo 5,16-17; Mt 12,31-32; Hb 6,6.
f)- A MISERICÓRDIA NOSSA E A DE DEUS.
Jesus é misericordioso. Diz Ef 2,4: “Deus é rico em misericórdia”. Ele quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tg 2,15-26 diz que a fé, sem as obras, é morta: ou seja, precisamos demonstrar a nossa fé ajudando os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.(Tg 2,1-10).
Agindo assim, Deus também será misericordioso para conosco, não nos deixará faltar nada, como Jesus prometeu em Mt 6,25-25-33. No Juízo Final seremos julgados segundo a misericórdia que tivemos ou não dos que precisam dela, como diz Mt 25,31-46. Diz também Tg 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. A misericórdia implica, também, em não julgarmos a ninguém. Veja Mt 7,1-4 e 1 Pd 4,3.
g)- OS DOIS CAMINHOS
Deuteronômio 30,15-20 pede que há dois caminhos à nossa frente, para escolhermos um deles: o bem e o mal, a vida e a morte. Deus pede que escolhamos o caminho do bem, a vida.
Em Provérbios 23,26, Deus nos diz: “Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Jesus diz em Mt 7, 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque é larga a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida! E quão poucos são os que acertam com ele!”.
Santo Tomás de Aquino diz que é preferível andar devagar e mancar no caminho do bem a correr no caminho do mal.
Jesus pede em Mt 5,48 que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, e 1 Pd 1,16, que sejamos santos (ou seja, que escolhamos o caminho apertado do bem) como Deus é Santo.
Quem escolhe o caminho do bem, escolhe Jesus, estará construindo sua casa sobre a rocha (Jesus), como diz Mt 7,24-27; Lc 6,47-49, e não sobre a areia (o pecado, o egoísmo). Vento algum poderá derrubá-la.
h)- A CASTIDADE
Jesus foi contra o adultério. João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes (Mc 6,17-29). Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como pode ser lido em Mt 5,27-32; Tg 4,4; Mc 6,17-29. Em João 8,11 Jesus perdoou a mulher adúltera, mas foi bem claro quando exigiu dela que mudasse sua vida: “Vai e não peques mais”.
Este é um assunto muito difícil, principalmente num mundo tão hedonista (=que ama o prazer pelo prazer) como o de nossa época, em que o sexo é idolatrado.
É necessário não só muita vigilância e oração, mas também muita humildade para reconhecermos nossas fraquezas e limites nesse campo.
Levar uma vida casta hoje em dia é muito difícil, mas é algo muito compensador: o nosso relacionamento com Deus e com os (as) irmãos (ãs) se estrutura numa amizade sólida e forte, a paz inunda nosso ser de tal forma que nos enleva ao paraíso mesmo em vida. Passamos a ver as pessoas com outros olhos, sem aquela malícia de quem pratica esses atos indiscriminadamente.
As tentações são fortes em certas ocasiões, em certos dias, mas depois se enfraquecem e nos deixam um pouco em paz. Esses dias de paz compensam todos os dias de tentações, se as vencermos.
15-RESUMO-LEITURA COMPLEMENTAR.
No sermão da montanha de Mateus (cap. 5,6 e 7) ou no da planície de Lucas (cap. 6,20-49), Jesus aprofundou e ampliou o alcance desses 10 mandamentos. Não basta cumpri-los externamente, como se fossem um ritual, mas temos que mudar por dentro nossas atitudes. Jesus sempre criticava os escribas e fariseus justamente por causa do fato dele cumprirem uma santidade externa, apenas nos ritos, mas que não correspondia à prática da caridade. Nós, cristãos, para sermos autênticos, temos que praticar a caridade, a partilha, a oração e, sobretudo, mostrar com uma vida honesta, simples e pacífica, que realmente cremos em Deus e queremos ser discípulos de Jesus.
Eis a seguir, um resumo dos ensinamentos de Jesus no sermão da montanha de Mateus e no da planície de Lucas:
1- É mais feliz quem escolhe viver uma vida mais simples, mais pobre do que os que escolhem viver na riqueza e numa vida separada do serviço ao próximo. Dos pobres será exigido muito menos, no juízo final, que dos ricos.
2- É mais feliz quem procura resolver os problemas sociais, pessoais, familiares, comunitários, de modo pacífico, sem violência, do que os que buscam resolvê-los na ira, na guerra, na violência, na prepotência, na opressão. Os que sofrem injustiças serão julgados com menos rigor no juízo final.
3- É mais feliz quem age com misericórdia do que os que agem na base da cobrança, da crítica, os que julgam os outros. Com a medida que julgarmos, nós também seremos julgados. Julgar é pôr má intenção nos atos de alguém. Se apenas mostrarmos o erro para ser corrigido, não pecamos; pelo contrário, fazemos um ato de caridade. Por exemplo, se o meu filho quebrar um copo, vou dizer a ele simplesmente para ter mais cuidado, etc. Julgar seria dizer que ele quebrou o copo só para me irritar. Dizer isso a ele seria pecado.
4- É mais feliz o puro de coração, ou seja, quem age sem malícia, sem segundas intenções, do que os que procuram sempre usar máscaras, são “duas caras”, mentirosos, falsos. A sinceridade, ou seja, uma vida sem falsidade, atrai a misericórdia divina.
5- Desagrada a Deus quem tem o suficiente para viver bem e não ajuda os outros, ou seja, quem vive uma vida egoísta, e só pensa em si mesmo ou só na própria família.
6- Amar os inimigos é o que há de mais próprio no cristão. É o que o diferencia de todos os demais. Amar, entretanto, não significa gostar. Temos que amar (= querer o bem de) mesmo dos de que não gostamos. E como disse o papa João Paulo II, na carta do dia 01/01/2002, “o perdão não anula a justiça” ou seja, amar não é deixar impune, mas cuidar para que a pessoa tenha condições psicológicas, espirituais e físicas de mudar de vida e deixar o erro. O nosso testemunho de amor e misericórdia acaba transformando a vida do outro.
7- Tudo nesta vida passa, é passageiro. Só Deus nunca muda. (“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta – Sta. Teresa de Ávila). E Ele nos dá tudo o que for necessário para nossa vida. Não tem sentido, pois, nos apegarmos às coisas e mesmo às pessoas. O apego às coisas materiais nos traz muitas decepções, desilusões e tristeza. Viver desapegado das coisas é viver livre, sem amarras, em plena liberdade. Empreste a quem lhe pedir algo emprestado. Nunca dê esmolas ou coisa semelhante para aparecer e com segundas intenções.
8- Com as boas obras e uma vida santa, conseguiremos atingir as outras pessoas mais até do que com as palavras, como diz o Irmão Carlos de Foucauld: “Gritar o evangelho com a vida” Um bom exemplo vale mais do que mil sermões. Nós, cristãos, somos o sal da terra e a luz do mundo (= a luz refletida de Jesus).
9- Quem cumpre a vontade de Deus é recebido por Ele
10- Sem a caridade e a misericórdia não entraremos no céu. Deixemos de lado a vingança e o ódio!
11- É preciso reconciliarmo-nos com todas as pessoas, perdoar, para sermos perdoados e recebidos pelo Pai.
12- O sexo foi feito para a procriação. A força sexual, tanto masculina como feminina foi feita para sermos sempre ternos, dóceis e amigos. Não é justo a usarmos como área de lazer. Diz 1ª Coríntios 6,13b-20 que devemos fugir da fornicação, que é qualquer contato carnal fora do matrimônio ou contra a natureza. O missal comenta isso (2ºdom. Comum B, 2ª leitura), dizendo que a fornicação é má em si mesma por três razões:
Primeira – É injustiça contra Deus, a quem pertence unicamente o nosso corpo (ou seja, nós mesmos), destinado à ressurreição.
Segunda – É um sacrilégio, porque pertencemos ao Corpo Místico de Cristo, e prostituímos, com a fornicação, um membro de Cristo.
Terceira – É uma profanação, pois somos templos do Espírito Santo que habita em nós.
Desse modo, a única relação sexual permitida é a feita entre marido e mulher, e tem mais: não pode ser feita nada contra a natureza. Jesus condena o adultério (Mt 5,27-32, Tiago 4,4). João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes e foi elogiado por Jesus (Mc 6,17-29). Em João 8,11, Jesus perdoou a mulher adúltera, mas lhe disse para não mais pecar!
13- Se dissermos sempre a verdade, nunca precisaremos jurar por nada.
14- Seja nossa oração constante e confiante. Dedique mais tempo para rezar, no mínimo duas horas diárias. Reze sempre o terço.
15- Jejum só tem valor para Deus quando acompanhado da partilha e da misericórdia. Podemos fazer jejum de outras coisas que não seja alimento, como da tv, das palavras, etc.
16-Não basta a oração para não cairmos em tentação. Precisamos também VIGIAR, e sempre. Por mais que um alcoólatra reze, por exemplo, só vai deixar a bebida alcoólica se não entrar em bares e nunca tê-las em casa. “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, e o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado” (Mt 6,22).
17- Muitas vezes teremos de escolher entre fazer o bem ou o mal. Há certas companhias, certos lugares, certas festas, que, se quisermos servir a Deus, vamos ter que renunciar.
18- Quem dá do que tem, ou seja, quem partilha, pratica a caridade, ajuda, trabalha pelos outros, nunca será desamparado por Deus, nunca sentirá falta de nada. É o que chamamos “Providência Divina”
19- Deus sempre ouve nossas orações. Muitas vezes Ele não nos atende porque, em sua sabedoria divina, sabe que aquela graça iria atrapalhar nossa vida eterna em seu Reino.
20- Para não sermos iludidos pelos falsos profetas, procuremos sempre conhecer e seguir as orientações da Igreja.
21- Seguindo Jesus, ouvindo e praticando o que nos diz a Igreja, estaremos construindo a nossa casa sobre a Rocha, que é Jesus Cristo (Lc 6,47-49; Mt 7,24-27). Tempestade alguma poderá derrubá-la. Seguir os falsos profetas, as propagandas que nos fazem pecar e nos desviar do bom caminho, que põe mais fogo em nossas paixões, permanecer no nosso egoísmo, no nosso individualismo e comodismo, é como construir a casa sobre a areia, e qualquer chuvinha derruba. Quem “esculpir” a sua vida com a ferramenta divina, vai se dar bem, e sua vida nunca será destruída.
22- A gratidão foi muito percebida por Jesus. Ele criticou a gratidão de muitas pessoas e do povo. Em Lc 17,17-18, criticou a ingratidão dos leprosos que não voltaram para agradecê-lo da cura. Em Lc 19,41, chorou sobre a cidade de Jerusalém, motivado pela ingratidão de seus moradores. Em Mt 23,37-38, não só chorou sobre a cidade ingrata, mas se comparou a uma galinha choca, que puxa seus pintinhos para debaixo de suas asas. Em Mc 14,37, sente a ingratidão de Pedro por estar dormindo enquanto ele suava sangue de angústia no Getsêmani. Cuidemos para nunca sermos ingratos nem para com Deus nem para com ninguém! Nas orações diárias, agradeça sempre. Há pessoas que só pedem, pedem, e nunca agradecem!
- A ação do Espírito Santo, segundo o Papa
Em 22-05-2017, o Papa Francisco salientou em sua homilia que somente o Espírito Santo nos ensina a dizer: "Jesus é o Senhor".
É por isso que devemos abrir o coração para ouvir o Espírito Santo e, assim, poder testemunhar Jesus Cristo, afirmou Francisco.
Espírito Santo nos conduz à plena verdade
"Sem o Espírito, nenhum de nós é capaz de dizer, ouvir e viver Jesus. Em outras partes deste longo discurso, Jesus diz do Espírito: ‘Ele os conduzirá à plena Verdade', nos acompanhará rumo à plena Verdade. ‘Ele lhes fará lembrar de todas as coisas que eu disse; lhes ensinará tudo'. Isto é, o Espírito Santo é o companheiro de caminhada de todo cristão, é o também o companheiro de caminhada da Igreja. E este é o dom que Jesus nos dá". Francisco ainda lembrou que é o Espírito Santo que nos ensina a dizer: ‘Jesus é o Senhor".
O Espírito Santo, disse, é "um dom: o grande dom de Jesus", "aquele que não nos deixa errar". Mas onde mora o Espírito?, perguntou o Papa.
Senhor, abra-me o coração para que entre o Espírito
Recordando a Primeira Leitura do dia, extraída dos Atos dos Apóstolos, quando se menciona a figura de Lídia, "comerciante de púrpura", que "sabia fazer as coisas", e a quem "o Senhor abriu o coração para aderir à Palavra de Deus", o Papa comentou que "o Senhor abriu o seu coração para que o Espírito Santo entrasse e ela se tornasse discípula. É justamente no coração que levamos o Espírito Santo. A Igreja o chama como ‘o doce hóspede do coração': está aqui. Porém, em um coração fechado ele não pode entrar. ‘Ah, então onde se compram as chaves para abrir o coração?
Não: também este é um dom. É um dom de Deus. ‘Senhor, abra-me o coração para que entre o Espírito e me faça entender que Jesus é o Senhor'".
O Papa acentuou que esta é uma oração que devemos fazer nesses dias: "Senhor, abra-me o coração para que eu possa entender aquilo que Tu nos ensinaste. Para que eu possa recordar as Tuas palavras. Para que eu chegue à plena verdade".
Coração aberto "para que o Espírito entre, e nós ouçamos o Espírito"
Francisco disse que, das Leituras do dia podem ser extraídas duas perguntas.
A primeira delas deveria ser: "eu peço ao Senhor a graça de ter um coração aberto? ". E a segunda pergunta seria: "eu busco ouvir o Espírito Santo, as suas inspirações, as coisas que Ele diz ao meu coração para que eu prossiga na vida cristã, e possa testemunhar, também eu, que Jesus é o Senhor? ".
Por fim, ainda o Papa recomendou:
"Pensem nessas duas coisas hoje: o meu coração está aberto e eu faço o esforço de ouvir o que o Espírito me diz. E assim iremos avante na vida cristã e daremos também nós testemunho de Jesus Cristo. " (JSG) GAUDIUM PRESS
É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tão Deus quanto o Pai e o Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. É a última Pessoa de Deus revelada.
Conhecemos o Espírito Santo na Igreja e no Magistério da Igreja, nas Escrituras, na Tradição, na Liturgia Sacramental, na oração, nos carismas e nos ministérios, nos sinais de vida apostólica e missionária, no testemunho dos santos.
Espírito é uma palavra (Ruah) que significa sopro, ar, vento. Não podemos entender as palavras "espírito" e "santo" separadas, mas somente juntas, designando a Pessoa inefável do Espírito Santo, sem equívoco possível com os outros empregos dos termos "espírito" e "santo". Seria como a palavra “pé de moleque”, um doce. Não podemos separar aí nem “pé” nem “moleque”.
Paráclito significa: "aquele que é chamado para perto", "advogado", "consolador". Chamamo-lo também de Espírito da promessa, de adoção, de Cristo, do Senhor, de Deus, de glória.
Os símbolos do Espírito Santo são vários: água, unção, fogo, nuvem e luz, selo, mão, dedo, pomba. Infelizmente, as pessoas insistem em representá-lo apenas como um pombo. Veja abaixo:
O Espírito Santo, que Cristo, Cabeça, derrama nos seus membros, constrói, anima e santifica a Igreja, que é o sacramento da comunhão da Santíssima Trindade e dos homens. É pelos Sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros de seu Corpo o seu Espírito Santo e Santificador.
O Espírito Santo prepara os homens para atraí-los a Cristo; manifesta-lhes o Senhor Ressuscitado; lembra-lhes de sua Palavra; abre-lhes o espírito à compreensão da Morte e Ressurreição de Jesus; torna-lhes presente o mistério de Cristo, na Eucaristia, para reconciliá-los, colocá-los em comunhão com Deus para que produzam muitos frutos (Jo 15,5.8.16).
Essa ação do Espírito Santo pode ser melhor compreendida nos seus Sete Dons, que podemos entender bem nesta oração que um frei franciscano escreveu em 1945 e que resumimos:
A revelação plena da Santíssima Trindade foi feita no dia de Pentecostes. A partir desse dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que creem nele. Pela vinda do Reino, o Espírito Santo faz o mundo entrar nos "últimos tempos", o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado.
O pecado contra o Espírito Santo vem mencionado em São Mateus, São Marcos e São Lucas.
São Mateus: “Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no futuro”. (Mateus 12, 31 ss).
São Marcos: “Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno”. (Marcos 3,28 ss).
São Lucas: “E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado”. (Lucas 12,10).
Diz São João Paulo II, em sua encíclica mencionada acima, que essa “blasfêmia” não se trata propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras, mas sim, em recusar-se de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz.
Em palavras simples, o pecado contra o Espírito Santo consiste em não se pedir perdão a Deus. Uma das causas é o fato da pessoa não se deixar convencer quanto ao pecado, ou seja, achar que não tem pecado, não descobrir os pecados de sua vida. Achando que não tem pecado, nunca vai pedir perdão e desse modo não vai poder ser perdoado. Esse “convencer-se do pecado” é um dom que podemos pedir ao Espírito Santo.
Outro motivo é quando a pessoa se acha tão indigna e por isso acha também que Deus nunca a perdoará.
Outro motivo é também quando a pessoa acha que Deus não tem o poder de perdoar os pecados que ela tem.
Todo e qualquer pecado tem perdão, se confiarmos na misericórdia divina e se nos comprometermos a não mais pecar. Mas mesmo assim, caso pecarmos por fraqueza ou por qualquer outro motivo, nunca desanimemos em pedir perdão e a força para não mais pecarmos.
O nome "anjo", na verdade, é o nome do cargo desses espíritos, ou seja, "mensageiro".
Há 9 Coros Angélicos, pelo menos que conhecemos. Desses, apenas os Anjos da Guarda (nono coro) e alguns Arcanjos entraram em contato com os seres humanos. Dos Arcanjos, apenas São Gabriel, São Rafael e São Miguel falaram com seres humanos, segundo a Bíblia. Sabemos os nomes de apenas três deles, revelados na bíblia: MIGUEL, GABRIEL, RAFAEL. Os demais, provenientes de várias fontes, como visões particulares e livros apócrifos, não devem ser invocados pelos nomes. (Seus nomes: URIEL, JEGUDIEL, JEREMIEL, SEALTIEL, SALATIEL E BARAQUIEL. Ninguém sabe de onde esses nomes foram realmente tirados).
Foram criados em número incomensurável, muito antes que o ser humano. São divididos em 9 coros angélicos: 1° coro, Serafins; 2° coro, Querubins; 3° coro, Tronos; 4° coro, Dominações; 5° coro, Potestades; 6° coro, Virtudes; 7° coro, Principados; 8° coro, Arcanjos; 9° coro, Anjos.
Você pode encontrar os coros angélicos nestas citações bíblicas:
Serafins: Is 6,2;
Querubins Gn 3,24; Ex 25,18; 1Reis 6,23; Sl 18,11; Ezeq 10,3; Dn 3,55
Tronos: Col 1,16
Dominações: Ef 1,21
Virtudes: Ef 1,21
Potestades: Ef 1,21 e 1 Pedro3,22
Principados: Col 1,16
Arcanjos Tobias 3,16-17; Daniel 8,16; 9,21; 10, 13-21; 12,1
Anjos: em vários lugares
Além de Maria e dos santos, os anjos também intercedem por nós, como podemos ver em Mateus 18,10; Jó 5,1; cap. 33,23-24; Salmo 91,11-13; Apocalipse 8,3; Zacarias 1,12 (o anjo intercede por Jerusalém). Não há como negar esses textos todos! A Igreja é unida, reza unida, seja a parte dela que ainda está aqui (a Igreja padecente), seja a parte dela que já está no paraíso (a Igreja triunfante).
Devemos rezar diariamente para o nosso Anjo da Guarda e ter intimidade com ele, falando-lhe de nossos problemas, projetos, desejos, reconhecendo os fracassos etc.
Nosso Anjo oferece tudo o que fazemos de bom para Deus, continuamente. Na Missa e nas orações, nos acompanha sempre, a não ser que não queiramos ou o tivermos descartado.
A oração ao Anjo, todos a conhecem: “Santo Anjo do Senhor (nome), meu zeloso guardador, se a você me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe e me ilumine, amém”.
Eles intercedem por nós e nos protegem em nossa caminhada nesta terra, se pedirmos isso a eles. Não podem interferir em nossa vida sem o nosso consentimento e são muito sábios e inteligentes.
Eles estão sempre ao nosso serviço, embora não sejam obrigados a nos obedecer. Eles são submissos apenas a Deus. São dotados de inteligência e vontade. São criaturas imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Eles intercedem por nós e nos ajudam em nossa caminhada na terra, nos inspiram coisas boas e o caminho certo, mas temos que pedir isso a eles.
Veja os textos sobre os Anjos da Guarda: Mateus 18, 10: “Seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus”. Jesus não mente!
Atos 12,15: “Então é o seu anjo!” Pedro batia à porta, mas todos pensavam que ele ainda estava preso.
Gênesis 24,40: “O Senhor, em cujo caminho sempre andei, mandará o seu anjo contigo e fará bem-sucedida a sua viagem”.
Gênesis 48,16: “O anjo que me guardou de todo mal, abençoe estes meninos!”
Êxodo 23, 20-21: “Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei. Esteja de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque o meu nome está nele”
Há entre algumas pessoas o costume de se colocar um nome ao próprio Anjo da Guarda. O Diretório Sobre a Piedade Popular e Liturgia (no parágrafo 217) diz que não se deve pôr o nome ao Anjo da Guarda. Cabe a você escolher o que fazer. No Catecismo Católico não há nada sobre isso, nos capítulos que fala dos Anjos (336). Naquela santa Cidade, onde há plenitude da ciência pela visão do Deus onipotente, não precisam de nomes próprios para se distinguirem uns dos outros. Ou seja, não ponha nome no seu Anjo.
Os Anjos só nos guardam se nós lhe pedirmos isso. Deus respeita nosso livre arbítrio e não se intromete em nossa vida se nós não lhe pedirmos. Os Anjos fazem a vontade dele e, portanto, também não agem sem que lhe peçamos.
Mesmo que sejamos bons e santos, nem sempre o Anjo nos livra dos perigos. Jesus é Deus e morreu crucificado e com inúmeras chagas. Os santos mártires não foram poupados de uma morte bárbara.
Há alguns santos que foram impedidos por Deus de morrerem pelos leões, pelo fogo, mas não escaparam da espada (tiveram suas cabeças decepadas), porque Deus nunca interfere em nossas ações, e não interferiu no ato do carrasco que decepou a cabeça do referido santo. Um exemplo disso é São Januário (19/09), que passou ileso pelo fogo e pelos leões, mas não se livrou de ter sua cabeça decepada.
Se no acidente a pessoa vai morrer, Deus pode, se quiser, impedir a sua morte. Mas, será que se a pessoa continuar viva irá para o céu quando morrer mais velha?
Ou também Deus pode permitir a morte de uma pessoa para livrá-la de males piores no futuro, como essas doenças que judiam muito da pessoa. Na verdade, só Deus sabe por que muitas vezes o nosso Anjo da Guarda não nos livra de alguns acidentes ou problemas.
Muitos problemas que temos, sabemos disso, provêm de pecados que cometemos. Se fizemos a coisa errada, o nosso Anjo, que não impediu nosso pecado, não vai também impedir as consequências do pecado, a não ser que façamos penitência, oremos, e mudemos de vida. Mesmo assim, nem sempre ele “conserta” as coisas para nós. Exemplo disso é Davi, que mandou matar Urias depois de ter pecado com a esposa dele. Davi teve que sofrer as consequências de seu pecado, mesmo depois de ter sido perdoado por Deus.
Os anjos foram criados na Graça de Deus, mas tiveram oportunidade de escolher se ficariam ou não com Deus. Alguns deles rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino. São chamados diabos, satanás, demônios.
Segundo o Apocalipse cap.12,7-9, o demônio era um anjo de luz (esse é o significado da palavra “Lúcifer”: o portador da luz), mas revoltou-se contra Deus com muitos outros anjos, que o seguiram, como aconteceu depois com Adão e Eva, e quiseram ser tão ou mais poderosos do que Ele. Não quiseram mais viver com Deus, e este criou um estado de vida para eles, a que chamamos inferno.
Os demônios têm um poder limitado. Ele não passa de uma simples criatura, poderosa, é verdade, pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas precisamos ter certeza de que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam (Rm 8,29); ou seja, não devemos ter medo.
Diz Lucas 10,18: “Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago”. Apocalipse 12,7-9, num texto maior. Ele não pode nos obrigar a pecar. É vencido pela oração. O poder de Deus é maior que o do mal, como vemos em Marcos 3,23-30.
Em 1ª Pedro 5, 8, vemos que devemos ser “sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, anda em derredor como um leão que ruge, procurando a quem devorar”.
O Papa Francisco disse, em 08/05/2028, que não devemos nos aproximar do diabo nem dialogar com ele. Ele é um derrotado, sem dúvida, porém é perigoso porque é sedutor. Ele é como um cão raivoso preso na coleira, morde se é acariciado. O demônio é um "derrotado", diz o Papa, porém, não é fácil nos convencer disso, porque "o diabo é um sedutor", "sabe quais palavras usar", e "nós gostamos de ser seduzidos", detalhou Francisco. Ele tem esta capacidade de seduzir.
Ele nos seduz com o embrulho de algo que diz ser bom, sem nos mostrar o que tem dentro. Sabe apresentar as suas propostas para a nossa vaidade, a nossa curiosidade. Nós somos tolos quando acreditamos nas mentiras do demônio
O diabo "é um grande mentiroso, o pai da mentira". "Sabe falar bem", "é capaz de cantar para enganar": "é um derrotado, mas se move como um vencedor". A "luz" do diabo é radiante, "como fogos de artifício", dura pouco, desaparece. A luz de Deus, pelo contrário é "tênue, mas permanente".
O diabo "nos seduz, ele sabe tocar a nossa vaidade, a curiosidade e nós compramos tudo", isto é, "caímos na tentação". Portanto, é "um derrotado perigoso", repetiu Francisco.
Para vencermos o diabo devemos imitar Jesus: vigiar, rezar e jejuar.
Recurso eficiente: recorrer à Mãe, como as crianças fazem. Procurar Nossa Senhora; ela nos protege.
Uma das mais graves tentações do demônio é nos convencer que não temos perdão dos pecados que fizemos. Esse é o pecado contra o Espírito Santo. Só podemos ser perdoados se pedirmos perdão. E o demônio tenta-nos fazer desistir de Deus, de buscar a sua misericórdia. Também costuma colocar em nosso pensamento a vergonha de nos confessar, achando que o padre vai pensar mal de nós.
Vocês percebem como o demônio age. Ele é o pai da mentira, e vive nos enganando. Coloca pensamentos inúteis e perversos em nosso coração, a fim de nos afastar da confissão e da comunhão, a fim de nos afastar da Igreja e da misericórdia divina.
Tenhamos esta certeza: quando nos arrependemos e nos confessamos, nossos pecados estão perdoados! Se o arrependimento foi grande e sincero, com decisão firme de não mais pecarmos, o pecado também fica reparado, não sobrando nada para pagar no Purgatório.
Na Bíblia vemos muitos e muitos versículos que nos garantem o perdão divino. Ademais, confiemos na Santa Igreja, mãe e mestra, e que o que ela nos diz é a pura verdade. Temos que ter confiança nos ensinamentos da Igreja. São de Jesus Cristo, analisados e estudados por séculos e séculos por homens de grande ciência teológica e de santidade. Não estamos sozinhos, nem abandonados. Jesus está sempre pronto a nos receber. Quando somos sinceros em desejar recomeçar a nossa vida, ele nos recebe e nos dá todas as graças necessárias.
Agora talvez você me pergunte: “E os pecados que não conseguimos deles nos arrepender, embora não o queiramos mais praticar”?
Por exemplo, um exemplo bem bobo, mas que dá para fazer entender: Um menino roubava frutas de um quintal próximo. Certo dia a mãe soube e lhe ensinou que não se deve fazer isso. O menino prometeu à mãe que não mais roubaria. Entretanto, não estava arrependido das demais frutas que comera.
No caso de um pecado, se você perceber que está errado(a) e não quer mais praticá-lo, vá se confessar, prometa que não vai mais pecar, mesmo que não sinta um arrependimento lá no fundo do coração. E peça a Deus que lhe dê a graça do arrependimento. Se você pedir, fique certo (a) de que você vai receber a graça e, muito logo, vai conseguir se arrepender, vai conseguir sentir no coração a dor por ter pecado.
Os pecados confessados e perdoados não nos levam ao inferno. Se não foram acompanhados de um arrependimento sincero, mas se não mais os praticarmos, vamos ter que repará-los no Purgatório, a não ser que façamos penitência para repará-los. Um dia de penitência aqui na terra equivale a dezenas de anos de sofrimento no Purgatório.
Um aviso lhe dou e me dou também: vamos prestar atenção às insídias diabólicas. Elas estão presentes em todos os nossos dias.
Deus criou o mundo de tal forma que nele pudéssemos viver, pois somos a obra mais importante de sua criação. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, ou seja, com a capacidade de pensar e agir livremente e viver para sempre. Deus nos criou para que pudéssemos morar com ele no céu e gozarmos sua presença, admirar sua beleza, fazer-nos felizes. Para deixarmos fora nosso egoísmo e aprendermos a partilhar, ele planejou tudo de tal forma que nos tornamos seus “sócios” na criação: cada vez que uma criança é concebida, Deus cria, naquele momento, uma alma imortal e ele se torna um ser humano, com direito a viver feliz no paraíso pelo resto da eternidade.
Deus não quer obrigar-nos a estar com ele. Por isso, deu-nos o livre arbítrio, pelo qual temos a vida toda para escolhermos essa vida feliz (o paraíso) ou estarmos longe dele (o inferno). Temos um tempo para estarmos aqui na terra a fim de decidirmos se vamos ou não ficar com Ele, criarmos nossos filhos, que vão continuar a cuidar do mundo, a fim de que outros possam existir e aqui viver, e amarmos a Ele e a todos os demais. Essa, pelo menos era a intenção de Deus. Só haveria a felicidade, pois Ele estaria sempre agindo em favor do ser humano que criara.
Quem morre sem ter escolhido Deus de modo pleno, mas buscou-o durante sua vida, vai para o Purgatório, até purificar-se, pois como diz o Apocalipse 21,27: “Na cidade celeste não entrará nada de imundo, nada que contamine, nada que cometa abominação e mentira”.
Aí houve a decisão dos primeiros seres humanos em agir por conta própria, em quererem ser donos da própria vida, iguais a Deus, até mesmo desejando superar Deus e não depender dele. Foi o chamado pecado original, simbolizado na bíblia (Gênesis capítulo 3) pelo fruto proibido. O fruto proibido é símbolo da nossa ação de decidir o que é bom ou o que é mau. Só Deus pode nos dizer o que é bom ou mau. Isso que significa "conhecer o bem e o mal", faculdade que dava aquele simbólico fruto.
A partir de então, Deus abandonou o homem a seus próprios desejos e limitações, e só o ajuda se ele lhe pedir por isso. O ser humano passou a poder escolher se quer ir para junto de Deus, após a morte, ou ficar longe de Deus, apenas consigo mesmo. Ir para junto de Deus se chama ir para o céu; ficar longe de Deus se chama ir para o inferno.
Pelo Batismo, Jesus nos deu a possibilidade de entrarmos novamente debaixo da proteção divina, a fim de que possamos um dia ir para o céu, após terminarmos nossa missão aqui na terra. Isso é feito de muitos altos e baixos, pois às vezes o escolhemos, às vezes o desprezamos.
Quando o desprezamos, ainda assim Ele nos dá, pelo arrependimento e pedido de perdão, a possibilidade de voltarmos a Ele. Sempre que pedirmos, o Pai nos perdoa, pelo sangue derramado voluntariamente por seu divino Filho Jesus Cristo, que viveu plenamente a vida que todos deveríamos viver: a dependência total e absoluta ao Pai.
Há infelizmente, um problema sério no modo de entendermos a criação do ser humano. A bíblia ensina de modo diferente da ciência. O problema que se coloca é: o homem foi criado diretamente por Deus, ou é um produto da evolução, como dizia Darwin?
Seja qual for o modo que acreditamos, basta que aceitemos que a criação é obra de Deus, mesmo que não saibamos exatamente como é que Ele a criou.
Diz o Frei Carlos Mesters, no livro “Paraíso Terrestre, Saudade ou Esperança?”, que o paraíso narrado no Gênesis é um objetivo de vida, e não algo que perdemos. É um “plano” de vida para nós todos, que Deus gostaria que existisse, como Isaías 11 nos narra: O lobo vivendo com o cordeiro, a criança brincando com a serpente...
Para que haja isso é preciso muito empenho de nossa parte, e da parte dos milionários e tantos poderosos deste mundo, a fim de que a partilha torne a todos felizes. Sobretudo, é preciso que tenhamos mais fé em Deus, mais confiança na Providência Divina, e deixemos de adorar os falsos ídolos do dinheiro, vícios, fama, vaidade exagerada etc.
Uma das coisas que se diz por aí e que é preciso deixar bem claro: o pecado de Adão e Eva não foi sexual, pois quando Deus os criou, os criou marido e mulher, e mandou que procriassem. O pecado deles foi, mesmo, de desobediência e o desejo de se igualarem a Deus. Jesus nos salvou fazendo o contrário disso: ele, mesmo sendo Deus, humilhou-se fazendo-se homem, e morrendo numa morte horrível, morte de cruz, e obedeceu plenamente ao Pai (Filipenses 2,6-11).
Podemos não acreditar em muitas coisas que nos dizem, que vemos, de que ouvimos falar, mas não podemos deixar de acreditar numa coisa: nós existimos! Nós vivemos!
A maioria das pessoas vive numa família, recebe o apoio dela para crescer e viver uma vida decente, honesta, de trabalho.
Outros, porém, não conhecem o valor de uma família: desde crianças, por um motivo ou por outro, vivem afastados dos pais e parentes, em orfanatos, casas de outras famílias, nas ruas, debaixo de viadutos ou ainda em famílias desestruturadas, em que há vícios como o alcoolismo, drogas, prostituição.
Desde crianças vemos uma diferença muito grande entre as pessoas: ricas ou pobres, sempre doentes ou sempre sadias, instruídas ou analfabetas, altas ou baixas, magras ou gordas, feias ou bonitas, importantes ou desconhecidas, briguentas ou pacíficas... e assim por diante.
Vemos a natureza sendo deteriorada, massacrada, assassinada. O ar, a terra, o mar, as águas, tudo isso está sendo irremediavelmente poluído. Será que nada podemos fazer?
Acabamos nos acostumando com um mundo tão variado e injusto como esse. Acabamos concordando com muitas dessas coisas, mesmo com as injustiças gritantes. Muitos acham que o mundo é esse mesmo e terá que ficar assim para sempre!
Deus nos deu a liberdade plena para decidirmos nossas vidas, mas quer que decidamos pela vida verdadeira, por uma vida unida à dele, unindo nossa força com sua força. Somos “sócios” de Deus neste mundo, e precisamos cuidar dele com cainho, não só preservando e mantendo viva e limpa a natureza, como tratando os demais como irmãos, nossos bem-amados.
Nossos primeiros pais, chamados na bíblia de Adão e Eva, não souberam agir desse modo, mas pecaram contra Deus gravemente, não desejando mais a ajuda dele; ou seja, quiseram viver sozinhos, sem a ajuda divina. Não é isso que está acontecendo também entre nós? Quantos sentem realmente a necessidade de Deus para viver?
Quando Deus criou o mundo, imaginou-o como o trecho de Isaías, visto na postagem anterior, ou seja, um mundo em que todos se deem bem e tenham vida e vida em abundância, como diz João 10,10b, em que todos se amem e partilhem com os outros seus bens e suas vidas.
No projeto de Deus, viveríamos aqui por um certo tempo, nos O conheceríamos, criaríamos nossos filhos, conservaríamos o mundo para os que viriam depois de nós, construiríamos um mundo cada vez melhor e mais novo e, na velhice, iríamos para o céu. Nesse tempo, teríamos a oportunidade de decidirmos por estar com Deus ou sem Deus. Disse Spinoza que o único projeto possível de um mundo é esse que Deus criou. As imperfeições seriam sanadas por sua Graça! Mas o homem não a quis...
Isso ainda acontece, mas não com a pureza e a inocência que seria, se os nossos primeiros pais não tivessem pecado. Teríamos toda a assistência de Deus e não teríamos tantos problemas que temos atualmente.
Então, o mundo que Deus quer é um mundo em que ninguém sofra, nem passe fome, nem seja assassinado, nem morra de acidente, nem morra de doenças etc. É um mundo em que não haja tanta diferença entre ricos e pobres, nutridos e desnutridos, instruídos e não instruídos etc. Um mundo em que Deus “Seja tudo em todos”. Num mundo assim, não haverá mais desejos, pois Deus é tudo o que alguém pode desejar, segundo disse Santo Agostinho.
E você? Como vê essa história? O que é que você está fazendo em sua vida para que o mundo melhore, para que acabem as injustiças, as mortes prematuras (antes do tempo), as diferenças gritantes entre ricos e pobres, pessoas educadas e pessoas que nunca puderam ter uma educação?
A Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo, com os apóstolos e os primeiros discípulos. Ele deixou como seu representante aqui na terra o Apóstolo São Pedro, nosso primeiro papa. No dia de Pentecostes a Igreja foi santificada pelo Espírito Santo e se manifestou publicamente, dando início à difusão do Evangelho e do Batismo para que todos se tornem discípulos de Cristo. Essa difusão do evangelho pode ser lida em Atos capítulos 1 e 2.
Há três trechos principais que nos dão essa certeza: Mateus 16,18-19: “Tu és Cefas (Rocha, traduzido em português como Pedro, de Pedra), e sobre essa rocha (Pedro, ou na língua deles kefas, rocha), edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”
Outro trecho é João 21,15-17, em que Jesus pede que Pedro apascente suas ovelhas e seus cordeiros, pois ele iria ser chefe da Igreja. O trecho mais importante, porém, é de Lucas 22,32: “Pedro, eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, fortalece (confirma) os teus irmãos!” Essas palavras mostram a primazia de Pedro sobre os outros apóstolos. O papa é o sucessor de São Pedro.
O papa mora no Vaticano, que é um pequeno país dentro da Itália, de 0,44 km², e possui embaixadores, chamados de Núncios Apostólicos nos países que têm entendimento com ele.
O Vaticano tem dívida externa, como os outros países, e muitos gastos. Sua riqueza principal está nas obras de arte, que não podem ser vendidas, de modo que não está certo falar que a Igreja é tão rica quanto se diz.
O papa dispõe de uma quantia em dinheiro para ajudar nas catástrofes no mundo (furacões, terremotos, enchentes), que lhe é enviada pelos católicos do mundo inteiro no dia de São Pedro (29 de julho), numa oferta chamada “Óbolo de São Pedro”.
Os bispos são sucessores dos Apóstolos nas dioceses, e receberam o terceiro grau do sacramento da Ordem. Os presbíteros, também conhecidos como padres, são auxiliares dos bispos e receberam o segundo grau.
Os párocos são os padres que cuidam das paróquias, formadas pelas comunidades, que por sua vez, são formadas pelas famílias.
Padre diocesano ou secular é o padre que pode continuar a viver na família, se quiser, e não faz os votos, a não ser o do celibato (=não se casar).
Os religiosos são homens e mulheres que fazem votos de castidade, pobreza e obediência e vivem em pequenas comunidades. Não podem viver em suas famílias. Há religiosos que são padres, e outros que não são.
Cardeal é um título de honra que se dá a alguns arcebispos e bispos, a critério do papa, e podem votar no novo papa, quando o atual morre. Monsenhor também é um título de honra, geralmente dado ao pároco da catedral.
Os diáconos recebem o primeiro grau no sacramento da Ordem e ajudam os sacerdotes, mas são ligados diretamente aos bispos. Podem ser casados (nesse caso não podem ser ordenados sacerdotes) ou solteiros (nesse caso, se quiserem podem ser padres).
Várias dioceses formam uma Província Eclesiástica, em que a diocese principal é chamada de Arquidiocese, e o seu bispo, de Arcebispo. As Províncias Eclesiásticas são coordenadas, aqui no Brasil, pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
Cristãos Leigos são os demais cristãos que não receberam as Ordens Sacras nem fizeram os votos religiosos.
Núncio Apostólico é o embaixador do Vaticano num outro país, neste caso, no Brasil.
Pertencemos a uma comunidade, ou seja, a um conjunto de casas e famílias. A comunidade tem muitas coisas em comum: escola, farmácia, padaria, bazar, açougue, quitanda, praça, e outras coisas próprias de cada lar.
Geralmente nas comunidades há um lugar em que as pessoas se reúnem para as missas, reuniões, encontros, orações, quermesses etc. Esse local se chama capela, igreja, salão comunitário ou outro nome que as pessoas do local lhe deram. É lá que nos encontramos para louvarmos a Deus, para trocarmos ideias sobre muitas coisas, para nos apoiarmos nas lutas diárias pela sobrevivência e melhoria de vida.
Em muitos lugares do Brasil esses salões são muito importantes por serem a sede das Comunidades Eclesiais de Base, em que se conversa de tudo o que possa melhorar a vida material, espiritual, social e política das pessoas.
Desde crianças devemos frequentar o salão comunitário ou a igreja de nossa comunidade, para aprendermos a bíblia, a catequese, as coisas bonitas que as pessoas sabem e querem nos comunicar.
Os católicos devem participar das missas e dos encontros comunitários sempre que puderem, mas pelo menos uma vez por semana, como manda os mandamentos da Igreja. Aliás, os mandamentos de Deus também pedem isso quando mandam observar e guardar o “dia do Senhor”, que para nós é o domingo. Se você trabalha, deve também contribuir financeiramente para o sustento da comunidade. Se já fez a primeira comunhão, deve comungar sempre que puder, lembrando-se que ela é permitida uma vez ao dia. A confissão com o padre deve ser feita pelo menos uma vez por ano.
Nossa comunidade pertence a uma paróquia, cuja sede é a igreja matriz. Veja bem: a paróquia não é a igreja matriz, como muitos dizem! A paróquia é toda a extensão geográfica que ela abrange, com suas variadas comunidades. Há paróquias que possuem 50 ou até mais comunidades com capela. Muitas são comunidades rurais. Quando há padres em número suficiente, o bispo divide essas paróquias enormes em outra(s) paróquia(s). Por outro lado, há paróquias bem pequenas, com uma só comunidade.
Quem não é ordenado nem segue a vida religiosa, é cristão leigo. Pertence à Igreja tanto quanto os que seguem o sacerdócio e a vida religiosa. Aliás, na teoria, os padres e os religiosos são servidores, são servos dos cristãos leigos. Na prática isso não é bem assim: os padres
Nossa comunidade pertence a uma paróquia, cuja sede é a igreja matriz. Veja bem: a paróquia não é a igreja matriz, como muitos dizem! A paróquia é toda a extensão geográfica que ela abrange, com suas variadas comunidades. Há paróquias que possuem 50 ou até mais comunidades com capela. Muitas são comunidades rurais. Quando há padres em número suficiente, o bispo divide essas paróquias enormes em outra(s) paróquia(s). Por outro lado, há paróquias bem pequenas, com uma só comunidade.
Quem não é ordenado nem segue a vida religiosa, é cristão leigo. Pertence à Igreja tanto quanto os que seguem o sacerdócio e a vida religiosa. Aliás, na teoria, os padres e os religiosos são servidores, são servos dos cristãos leigos. Na prática isso não é bem assim: os padres, por exemplo, são muito paparicados.
Os leigos geralmente se unem em associações religiosas ou mesmo comunitárias, como as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), em que lutam pelos seus direitos civis e políticos, além de se educarem para a vida espiritual e comunitária. Há também os movimentos de Igreja, como o MFC (Movimento Familiar Cristão), as Equipes de N. Senhora, o Apostolado da Oração, a RCC (Renovação Carismática Católica), os que seguem a Teologia da Libertação (atualmente muito criticada), os Cursilhos de Cristandade, os Congregados Marianos, as Ordens Terceiras Franciscanas, os Vicentinos, os Arautos do Evangelho, os grupos de jovens, os grupos de donas de casa, os focolares, os da Toca de Assis, os da Aliança da Misericórdia, a Legião de Maria, os recentemente constituídos “Terço dos Homens”, etc.
O cristão leigo é chamado a se santificar trabalhando e morando no mundo, combatendo o pecado, as injustiças, participando da política, da ciência, da cultura, da sociedade em geral, para um mundo melhor. Muitos são catequistas, ministros dos enfermos, da eucaristia, da palavra, visitadores, da pastoral da acolhida, enfim o trabalho dos leigos é imenso e global. Não podem ser “católicos de sacristia”, mas partirem para a missão que mencionei acima. É graças aos leigos que a paróquia se mantém, pois pagam o seu dízimo e colaboram muito com a obra de evangelização. Os sacerdotes e os religiosos devem estar a serviço deles, principalmente na assistência espiritual, material e para uma educação religiosa de acordo com o apostolado que fazem.
Várias paróquias formam a diocese, que geralmente abrange várias cidades. São poucas as dioceses que abrangem apenas uma cidade. Quem dirige a diocese é o bispo, com seu conselho presbiteral.
Várias dioceses juntas formam a Província Eclesiástica. A diocese mais antiga se torna, entre elas, a de referência e passa a se chamar Arquidiocese e seu bispo, de Arcebispo. Nas reuniões e assembleias entre elas, a arquidiocese sempre tem a coordenação.
Cada diocese possui uma linha de trabalho que a caracteriza. Algumas são palcos de disputas territoriais, cujos bispos são perseguidos e até ameaçados de morte pelos interesses dos poderosos, como as do Norte e Nordeste do país. Outras são mais calmas, e às vezes por manterem um estilo apostólico mais conservador, em que se evita qualquer crítica contra as autoridades corruptas e os magnatas (idem) da região.
A diocese possui uma sede, chamada Cúria Metropolitana ou Diocesana, em que se acham os arquivos dos sacramentos (Batismo, Crisma e Matrimônio) nas paróquias. Nessa sede funciona também a Mitra Diocesana, que coordena mais a parte financeira e administrativa da diocese.
Há muitos cursos que funcionam na sede diocesana, como os de teologia e instruções dos que trabalham nas paróquias. Em algumas há o curso para formação de catequistas e ministros leigos.
A diocese se mantém geralmente com as contribuições mensais das paróquias (uma determinada porcentagem acertada entre os párocos e o conselho administrativo), mas também há muitas que alugam imóveis doados ou do seu patrimônio, entre eles, alguns velhos seminários que foram substituídos por casas mais modernas e funcionais.
As dioceses do Brasil precisam, a meu ver, insistir mais na sobrevivência financeira paroquial baseada no dízimo, e abandonar de uma vez por todas a cobrança na administração dos sacramentos. Ou confiamos na Providência Divina, ou não. Se confiarmos, nunca faltará o necessário para o crescimento das paróquias e, consequentemente, da diocese. Se agirmos feitos pagãos num trabalho desesperado para angariarmos dinheiro, Deus nos abandonará às nossas próprias forças. O segredo da paz espiritual e material está em confiarmos plenamente em Deus (confira a parábola em que um homem quer construir uma casa, ou uma torre, e não tem dinheiro para terminá-la).
Para ler: Mateus 16,19; João 8,31 - 32 e 1João 2,20.27
Ensinamento ou doutrina proposta com autoridade e explicitamente pela Igreja como revelada por Deus, exigindo-se a crença do Povo de Deus. Um dogma pode ser proposto pela Igreja numa proclamação solene (por exemplo, o dogma da Imaculada Conceição) ou através do magistério ordinário (por exemplo, a verdade de que a vida do ser humano inocente é inviolável).
"Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé, que o iluminam e o tornam seguro."
Há algumas verdades doutrinárias na Igreja Católica que são estabelecidas como "dogmas da fé", ou seja, nenhum católico que queira continuar católico pode negar ou mudar aquilo.
Isso é muito bom, por dois motivos: dão uma segurança incrível à nossa fé e impede que a Igreja Católica fique esfacelada como muitas outras religiões em que a interpretação das escrituras é plenamente livre e arbitrária.
Creia no que a Igreja ensina e tente saber a opinião correta que ela dá sobre este ou aquele assunto.
Eis alguns exemplos de dogmas: a Santíssima Trindade, a divindade de Jesus Cristo, a Imaculada Conceição de Maria, o Paraíso, o sacerdócio Ministerial, a Eucaristia.
O povo de Deus teve início com Abraão, cerca de 1850 AC. Abraão foi o primeiro homem a confiar plenamente em Deus, pelo menos de que nós temos conhecimento. Deus fez com ele uma aliança, da qual surgiu a circuncisão, como marca indelével dessa aliança. Abraão confiou em Deus e deixou sua cidade natal, UR, na Caldéia, e emigrou , para a região conhecida hoje como Palestina (Gênesis 12)
Todos os habitantes da cidade de Ur tinha um deus próprio, deus de pedra, material, feito por eles mesmo. Cada família tinha um deus de sua preferência. Abraão era o único que acreditava num Deus invisível, Criador e não criado, independente de tudo o que existe, que não podia ser representado nem substituído por nada nesta terra. Como diz a carta aos Hebreus, Abraão agia “Como se visse o invisível”.
A circuncisão consiste na retirada do prepúcio. Equivale hoje a uma operação de fimose. Só era considerado do povo de Deus quem fosse circuncidado. As mulheres participavam do povo quando se casavam com um judeu. Jesus Cristo a substituiu pelo Batismo que, como diz S. Paulo, é a circuncisão do coração.
José (1650 AC), filho de Jacó (Israel), fora vendido pelos irmãos invejosos para o Egito. Lá ele conquistou a simpatia do Faraó e tornou-se o primeiro depois dele. Numa grande fome que se alastrou pela terra, ele chamou o pai e os irmãos para viverem no Egito e assim o povo de Deus se desenvolveu nesse país (Gênesis 37;39;42;46;47).
Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel, lembrando que os filhos de Levi não herdaram nada, porque se dedicaram ao sacerdócio, e os dois filhos de José tomaram o lugar dele e de Levi. É por isso que Jesus escolheu doze apóstolos: para mostrar bem mostrado que a Igreja Cristã estava substituindo o povo de Israel, estava entrando no lugar das doze tribos de Israel.
Logo no início do livro do Êxodo você pode constatar que o povo israelita começou a ser maltratado e explorado no Egito, pelo faraó e seus mandatários. Deus suscitou então Moisés (1250 AC) para libertá-los. Moisés fora salvo das águas pela filha do faraó, numa perseguição feita por ele a todos os meninos israelitas que nascessem: tinham que ser mortos.
Depois de muitas peripécias e de muitas pragas, Moisés conseguiu tirar o povo do país. Atravessaram o Mar Vermelho a pé enxuto. (Esse mistério até hoje é estudado e nunca foi desvendado. Eu prefiro acreditar que eles passaram pela parte rasa do Mar Vermelho, na praia, aproveitando a maré baixa, auxiliados, é claro, por Deus).
Por causa da falta de fé dos israelitas, que não quiseram tomar posse da terra prometida por medo de seus habitantes, por castigo ficaram 40 anos no deserto, quando no dia a dia se leva apenas 11 dias para atravessar.
No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés os dez mandamentos, que foi escrito em duas tábuas, guardadas na Arca da Aliança, que era venerada por eles mais do que a imagem de N. Sra. Aparecida é venerada por nós. Atribuíam à Arca grandes poderes, só podendo ser tocada por pessoas autorizadas.
Os mandamentos foram um guia seguro para o povo, que era muito inconstante e muitas vezes se voltavam à idolatria, adorando bezerros de ouro e coisas desse tipo. Isso acarretou ao povo muitos problemas e castigos.
Já na Palestina, após 40 anos, Deus suscitou os juízes para governarem o povo, substituídos depois pelos profetas e pelos reis.
O primeiro rei de Israel foi Saul, depois Davi, depois seu filho Salomão, reinado em que o povo dividiu-se entre Israel (Norte) e Judá (Sul). A dinastia de Davi foi ameaçada várias vezes, mas Jesus nasceu dentro dela, como descendente de Davi, nos únicos 14 anos em que o mundo teve paz, no reinado de César Augusto, imperador de Roma, que havia conquistado quase todo o mundo civilizado da época, inclusive Israel e Judá.
Jesus nasceu em Belém da Judéia, mas viveu em Nazaré, na Galileia, uma região que se havia separado de Israel, bem ao norte.
Jesus chamou então os doze apóstolos que substituíram, como já dissemos, as doze tribos de Israel e deram origem ao cristianismo, sendo Pedro o primeiro chefe da Igreja, mudando a sede de Jerusalém para Roma. Ele está enterrado sob a Basílica de S. Pedro, no Vaticano. S. Paulo Apóstolo está enterrado na Igreja de S. Paulo- fora- dos- muros, também em Roma.
O nosso Batismo e Crisma substituíram a circuncisão; o sacramento da confissão substituiu o batismo de S. João Batista. Poucos judeus acreditaram na divindade de Jesus. Os pagãos, entretanto, se converteram em massa ao cristianismo, que logo acabou se separando do judaísmo.
Para um melhor estudo, leia, por favor, logo que você puder, Gênesis 12 em diante. Êxodo todo, Atos 2,14-36 (discurso de Pedro)e o discurso de Estêvão, Atos 7. Há também um ótimo resumo em Eclesiástico 42,15 até 49,19 .
É muita pretensão de nossa parte dizermos que o povo de Deus hoje é a Igreja Católica. Se olharmos o que Jesus disse e praticou, nunca chegaremos a essa conclusão. Quando Jesus se ofereceu na cruz por nós, esse “nós” foi o mundo todo, crentes e descrentes. Todos fomos salvos. Sem exceção. O problema que se coloca é que NEM TODOS ouvem e praticam o que Jesus ensinou. Ou seja, muitos recusam essa salvação que ele nos trouxe, ao seguirem caminhos que nunca levarão ao convívio com Deus no Paraíso.
Em Marcos 9,38-40, João disse a Jesus que eles proibiram alguém que não os seguia, expulsar demônios em seu nome. Jesus proibiu-os de proibir, dizendo que se alguém faz prodígios em seu nome, não vai falar mal dele. Em outras palavras, Jesus não está só com um tipo de pessoas, mas com todos os que praticam suas palavras, seja desta ou daquela religião.
Por outro lado, em Mateus 7, 21-23 vemos como Jesus lembra que não basta pregar ou mesmo expulsar demônios em nome dele para ser salvo. É preciso praticar sua palavra com sinceridade. A esses que “fizeram e aconteceram”, mas não praticaram o evangelho, Jesus vai dizer: “ Na verdade, não vos conheço! Apartai-vos de mim!” E acredito que muitos desses se orgulhavam de pertencer ao Povo de Deus!
Podemos dizer com certeza que, para ser povo, temos que estar reunidos. Esse é o primeiro passo. Não há como ser povo se vivermos sozinhos, isolados. É o que Jesus diz em Mateus 18,20: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei eu no meio deles”. Mesmo que estejamos as mais das vezes sozinhos, se estivermos unidos de coração e de mente às pessoas, se lhes dedicarmos uma parte do nosso tempo, se as lembrarmos em nossas orações, estaremos, na verdade, unidos como um povo.
Em segundo lugar, para ser um povo amado por Deus, precisamos ser um povo DE DEUS, afastando de nossa vida tudo o que não for de Deus, antes de tudo, afastando-nos do pecado e das omissões. Quem é de Deus não o ofende, nem busca coisa alguma que o separe dele.
É preciso, entretanto, sermos realistas quando vemos que muitas das religiões que existem são muito falhas em muitas coisas. Interpretam a bíblia de modo parcial e sem um critério justo. Temos que tomar cuidado para não cairmos nesses mesmos erros. Não podemos deixar a nossa fé de lado por qualquer coisa que ouvirmos de outras pessoas, por melhores que elas sejam, mas que não seguem a nossa fé.
Se quisermos seguir os bons exemplos dessas pessoas, tudo bem; entretanto, nunca devemos seguir a doutrina delas, se estiver em desacordo com a nossa. Quando muito, podemos discutir, conversar sobre esses pontos difíceis com pessoas autorizadas pela Igreja, pessoas que saibam bem definir qual é o pensamento de nossa Igreja.
Vou dar aqui alguns exemplos de elementos que encontramos na Igreja Católica e que não se encontram em outras denominações:
1º exemplo: Um tal de José é sagrado bispo de determinada religião pelo Paulo, que também é bispo. Mas o Paulo não foi sagrado bispo por ninguém: ele se denominou bispo. Que direito ele teve de fazer isso? Mesmo que outro bispo o tivesse sagrado, quem sagrou esse outro? Vamos chegar a um ponto em que alguém se autodenominou bispo e começou a consagrar outros, assim sem base alguma.
Na Igreja Católica, tanto a Romana como a Oriental, e na Ortodoxa Grega, não é assim! A ordenação dos bispos teve início com Jesus, que consagrou os Apóstolos, que consagraram os seus discípulos, que consagraram os outros discípulos, e assim sucessivamente, até chegar aos atuais bispos. A isso chamamos “sucessão apostólica”. Quando o bispo ordena sacerdote um homem, ele está transmitindo um sacerdócio que lhe chegou por meio de tantos outros bispos do passado, que foram recebendo essa sagração episcopal de outros, até o início, com Jesus e os apóstolos. Se esse sacerdote se tornar bispo, ele pode transmitir a sagração recebida a outros, e assim continuar essa sucessão.
Portanto, os bispos dessas religiões que surgiram do nada, não são realmente bispos, nem sacerdotes. São simples leigos.
2º exemplo: Jesus celebrou a Eucaristia com pão ázimo (sem fermento) e com vinho. Os evangélicos e os protestantes celebram a “Ceia” com pão fermentado e suco de uvas. Não estão sendo fiéis ao que Jesus instituiu. Ademais, não acreditam na presença real de Jesus na Eucaristia. Isso é um erro muito grave. Há várias provas de que a hóstia consagrada é, realmente, Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Os ensinamentos de Jesus estão embutidos nos mandamentos de Deus e os da Igreja:
Os mandamentos de Deus:
1 – Amar a Deus sobre todas as coisas;
2 – Não tomar o seu santo nome em vão;
3 – Guardar os domingos e dias santos;
4 – Honrar pai e mãe;
5 – Não matar (e não odiar);
6 – Não pecar contra a castidade;
7 – Não furtar;
8 – Não levantar falso testemunho;
9 – Não desejar a mulher (ou o marido) de outra pessoa;
10 – Não cobiçar o que não nos pertence.
Esses dez mandamentos se resumem em dois, que na verdade são três: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, como está em Marcos 12,28-34; João 13,34-35. Repare que Jesus manda amar a Deus, ao próximo e a si mesmo.Quem cai nos vícios, por exemplo, não está amando a si mesmo e a todos os que convivem com ele, que precisam aturá-lo.
COMENTÁRIO SOBRE OS DEZ MANDAMENTOS
Os três primeiros se referem a Deus. Os outros sete se referem a nós e ao nosso relacionamento com as pessoas:
I- EM RELAÇÃO A DEUS
1-Amar a Deus sobre todas as coisas;
Ou seja, nada do que existe pode tomar o lugar de Deus em nossa vida. As idolatrias atuais, como o apego ao poder, dinheiro, prazeres, são pecados graves
2- Não tomar seu santo nome em vão;
Nunca falar o nome de Deus em piadas, em brincadeiras ou qualquer coisa que não seja séria. Nunca jurar pelo nome de Deus nem por nada. Seja o nosso sim sim, o nosso não, não.
3- Guardar os domingos e dias santos;
Isto implica em prestar culto a Deus aos domingos, dias santos e sempre que for possível. Quando não pudermos fazer isso no domingo, façamos num outro dia livre.
II- EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO
4- Honrar pai e mãe;
Honrar significa, principalmente, nunca deixar faltar nada aos pais, tanto material como espiritualmente; se os pais ficarem esclerosados, não abandoná-los. Se for necessário a internação numa casa de repouso, que seja digna, limpa e honesta.
O quanto for possível, os pais idosos devem conviver com os filhos, ou seja, nunca serem abandonados. Lembro que não se trata apenas de obedecê-los. Depois dos 21 anos, ninguém mais precisa obedecer aos pais, a não ser em coisas proibidas por Deus ou pela Igreja.
5- Não matar;
Não só não matar, mas também não odiar, não prejudicar a ninguém, não enganar ninguém, não fazer ninguém de bobo etc. Devemos amar até os inimigos, sempre nos lembrando que amar não é gostar. Precisamos amar até as pessoas de quem não gostamos.
6- Não pecar contra a castidade;
Qualquer ato sexual consentido fora do casamento é pecado. Mesmo no casamento, nem tudo é permitido.
7- Não furtar;
Nunca prejudicar ninguém nesse assunto. Ser sempre honesto com todos. Quem rouba não tem a proteção de Deus: vai ter que se virar sozinho e isso implica em nunca ter o suficiente para viver: estará sempre procurando a quem roubar ou furtar. Os que furtam ou roubam nunca estarão satisfeitos com o que conseguiram.
8- Não levantar falso testemunho;
Isso é muito importante. No tempo de Moisés, duas testemunhas que estivessem concordando com alguma acusação poderiam condenar uma pessoa à morte! Acusar os outros é algo muito grave, principalmente as calúnias. Uma senhora foi a S. Francisco de Sales falar que havia espalhado uma calúnia contra uma pessoa.
O santo pediu que como penitência ela espalhasse as penas de uma galinha pela cidade. No dia seguinte ela voltou para a absolvição e ele lhe pediu que recolhesse todas as penas espalhadas. Coisa tão impossível quanto reparar o dano cometido após uma calúnia.
9- Não desejar o cônjuge (homem ou mulher) do próximo;
Jesus disse que nem em pensamento devemos desejar a mulher ou o marido de outra pessoa. Qualquer pensamento nesse sentido deve ser logo combatido para não se instalar em nossa mente.
10- Não cobiçar nada que não seja seu.
Não cobiçar não significa que não podemos achar bonito ou admirar o que é de outra pessoa. O que é proibido é a inveja, o desejo exagerado de ter o que é de outros.
Jesus resumiu esses dez mandamentos, no início de seu ministério, em dois, que na verdade são três:
1-Amar a Deus sobre todas as coisas,
2- Amar ao próximo
3- Como a si mesmo.
No final de sua vida, ele resumiu os dez mandamentos em apenas um: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS TENHO AMADO” (Mc 12,28-34; Jo13,34-35)
Os católicos devem também seguir os cinco mandamentos da Igreja, que são:
1 – Participar das missas inteiras nos domingos e dias santos;
2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano;
3 – Comungar ao menos uma vez por ano, no tempo pascal;
4 – Jejuar e não comer carne na quarta-feia de cinzas e na Sexta – Feira Santa.
5 – Pagar o dízimo segundo o costume da igreja à qual pertence.
O Batismo nos perdoa todos os pecados e o pecado original. É recebido uma só vez na vida, nos torna filhos adotivos de Deus, membros da Igreja Corpo Místico de Cristo, nos permite a Salvação Eterna e nos infunde o Espírito Santo e nos tornamos seu templo, tornando-nos, como Jesus Cristo, sacerdote, profeta e rei.
A circuncisão do Antigo Testamento se reflete, no batismo, com o fato de que ela deve ser feita no coração, ou seja, devemos erradicar o pecado de nossa vida, e esse é o maior efeito do Batismo em nós: arrancar de nós o pecado.
Textos bíblicos sobre o batismo e sobre como o Batismo é a circuncisão do coração: Mateus 28,18-20; Marcos 16,16 e cap. 1,9-11; Atos 2,38; Colossenses 2,11-12; Deuteronômio 10,16 e Jeremias 4,4.
Quanto ao Batismo de crianças, é permitido, pois a circuncisão, depois substituída pelo batismo, como diz Romanos 2,29 e a citação acima de Colossenses, era feita no 8º dia de nascimento e inseria o menino no povo de Deus, como ocorre com o Batismo, que nos insere no novo povo de Deus, a Igreja.
No Novo Testamento estão subtendidos vários casos de Batismo de crianças, como os filhos de Cornélio (Atos 10,1.14. 44-48); os filhos de Lídia (Atos 16,14-25), os do carcereiro (Atos 16,31-33); de Crispo (Atos 18,8); de Estéfanas (1ª Coríntios 1,16).
O Sacramento da Crisma é um complemento ao do Batismo e nos infunde o Espírito Santo como força divina. É dado depois dos 12 anos de idade e fortalece o(a) católico(a) para escolher e trilhar o caminho estreito do bem, para poder ser atuante na comunidade e fora dela, como os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel, Elias etc, tornando-o o sal da terra, a luz do mundo e o fermento da massa, como podemos ver em Mateus 5,13-16; cap. 13,33; Atos 2,1-13; João 20,22-23; cap. 16,13-14; cap. 3, 5-8; Atos 19,2-7.
O Espírito Santo de Deus está conosco desde o Batismo, e sua força é completada com a Crisma. Durante a vida precisamos deixar que o Espírito Santo atue em nós, nos fortaleça com o fogo do seu Amor, e recebemos, desse modo, seus 7 dons: Sabedoria, inteligência, conselho, ciência, fortaleza, piedade e temor de Deus.
Se não permitirmos que Ele atue em nós, Ele não vai nos abandonar, mas, respeitando a nossa decisão, não nos obriga a ouvi-lo, a seguir suas inspirações. Muitos movimentos da Igreja, atualmente, chamam isso de “Batismo no Espírito Santo”. Não é que somos batizados outra vez, mas sim, que nós aceitamos o Espírito Santo em nossa vida e permitimos que Ele nos inspire, nos ajude, nos leve à santidade.
É ao mesmo tempo a Missa, a hóstia e o vinho consagrados como Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Ela torna presente, aqui e agora, a Santa Ceia, o Sacrifício da Cruz e a Ressurreição do Senhor. É a Eterna e Nova Aliança de Deus com seu povo, que somos nós. A palavra Eucaristia significa “Ação de Graças”.
Na Eucaristia, ou seja, na Santa Missa, o celebrante, no momento da Consagração, se torna o próprio Cristo, por mais pecados que tenha, e repete as palavras que Ele pronunciou na Santa Ceia: “Isto é o meu Corpo... Isto é o meu Sangue...” e o pão e o vinho se tornam o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade de Jesus Cristo. Com a comunhão, unimo-nos a Cristo e formamos, com Ele, um só corpo. Jesus está inteiro tanto no vinho como no pão consagrados.
Recebendo Jesus dentro de si, o cristão também se torna o perfume de Cristo, para os que se salvam ( veja isto em 2ª Coríntios 2,15). Para isso, deve lutar contra o pecado, que tira o perfume e deixa no lugar o mau cheiro do maligno.
Hebreus 12,4 diz que essa luta contra o pecado deve ser até ao derramamento de sangue! Diz também 1ª Coríntios 11,23-30: “Aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor”.
Em João 6,53, Jesus fala que só entrará no céu quem receber o seu Corpo e o seu Sangue. A Ceia dos não católicos, salvo algumas exceções (como os ortodoxos, os anglicanos), é apenas um ato simbólico, mas quem lê a bíblia de modo sincero, também comunga Jesus. Textos para meditar sobre o assunto: João, capítulo 6 todo, 1ª Coríntios 11,21-32; cap. 10, 16; Atos 2,42, cap. 20, 11.
É muito importante sabermos nos portar dentro de uma igreja, sobretudo durante a ministração dos sacramentos:
1- Ao entrar, a primeira coisa a fazer é se voltar para onde está o Sacrário e fazer alguns instantes de oração diante de Jesus Sacramentado. Muitos nem ligam para o sacrário, infelizmente.
2- A vestimenta deve ser modesta e própria. Shorts não é roupa para igrejas. Nem numa repartição pública fazemos isso. Muitas mulheres participam da Missa com as costas de fora, com roupas decotadas, o que deve desagradar muito ao Senhor.
3- Certas comemorações ruidosas deveriam ser feitas nos salões apropriados, e não na igreja. Veja uma sinagoga, por exemplo, uma mesquita, ou mesmo nos templos protestantes: são lugares de respeito, de silêncio, de recolhimento.
Diz o padre jesuíta Teilhard de Chardin que a Eucaristia se irradia onde ela está, e purifica o ambiente: “A hóstia é semelhante a uma fornalha ardente de onde sua chama se irradia e se espalha”.
São Carlos de Foucauld tinha essa mesma ideia da irradiação da Eucaristia no ambiente em que se encontra, em forma de paz, misericórdia e salvação que Jesus nos proporciona. Ele a conservava ali no deserto para que se irradiasse na aldeia tuaregue. Infelizmente ele chegou a ficar um bom tempo sem a Eucaristia, por proibição das autoridades religiosas daquele tempo, que não permitia que ele celebrasse a missa sozinho.
A comunhão diária é, portanto, uma fonte de vida para todos nós. Quando não pudermos comungar, comunguemos espiritualmente, lendo uma leitura dos evangelhos.
Outra coisa importante é termos cuidado com as pequenas partículas que caem da partícula que pegamos na palma da mão para comungar. Elas podem até ser pisoteadas por outras pessoas. São Pio de Pietrelcina era muito cuidadoso, como se pode ver em suas missas, algumas delas filmadas.
Outro cuidado na comunhão é estar em estado de graça, ou seja, sem pecado grave. Os pecados leves são perdoados no ato penitencial, e é por isso que eu insisto em nunca chegar atrasado (a) à missa. Quem perde o ato penitencial não deveria comungar, mas há padres que dizem que há, no decorrer da Missa, outras partes em que pedimos perdão, como no “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo...”.
São Paulo fala no capítulo 11 da carta aos coríntios que os que comungam indignamente são réus do Corpo e do Sangue de Cristo. Veja por você mesmo(a)1ª Coríntios 11:26-30.
A solução é uma instrução maior por parte dos senhores párocos. Vejo aí a solução para o caso. Que ensinem os paroquianos a tomarem cuidado com a sagrada partícula e se confessarem quando estiverem em pecado mortal. Muitos dizem que Jesus não teve nenhuma preocupação com as migalhas do pão que ele consagrou, mas acho que isso não é desculpa. Afinal, acreditamos ou não que o pão consagrado é o Corpo e o Sangue de Cristo?
É para recebermos o perdão de nossos pecados graves cometidos após o Batismo. Todos os pecados são perdoados por Deus a quem pedir perdão e comprometer-se a não pecar mais.
Devemos sempre pedir perdão dos pecados, sejam eles leves ou graves. A Igreja Católica pede que confessemos os nossos pecados ao padre pelo menos uma vez por ano. Mas, pessoalmente, acho que não custa confessar-se mais vezes durante o ano. Acho que todos deveriam confessar-se pelo menos no Advento, na Quaresma, e algumas vezes no Tempo Comum e, principalmente, se fizer algum pecado grave.
Quanto aos pecados veniais, ou seja, os pecados leves, são perdoados pelo pedido de perdão acompanhado de penitência, sacrifícios, renúncias, orações, atos de caridade, como visitas aos doentes e ajuda aos pobres etc.
Na hora da confissão, como na comunhão, o padre se torna o próprio Cristo, age na pessoa de Cristo. Quando ele nos dá a absolvição (o perdão), é o próprio Cristo quem nos está perdoando. Veja bem: mesmo que o padre seja mais pecador que o penitente. Ele vai ter que prestar contas de sua vida a Deus, mas se é validamente ordenado padre, os pecados confessados pelo penitente ficam perdoados, se o penitente, é claro, está a fim de não pecar mais.
Há um trecho de Jeremias, entretanto, que mostra o que muitos católicos fazem: confessam-se sem um propósito firme de não pecar mais, e voltam logo ao pecado. Deus não é bobo, não se deixa enganar. Pode ser que ele seja paciente uma ou duas vezes, mas se insistirmos em fazer isso, talvez ele nos abandone a nós mesmos (confira em Jeremias 7, 9-10). Se isso ocorrer, estamos “fritos”!
Muitas pessoas se confessam para a primeira comunhão e depois nunca mais na vida se confessam.
São Tiago diz, no capítulo 5, versículo 16 de sua carta: “Confessai, pois, uns aos outros os vossos pecados”.
O sacerdote, seja ele santo ou pecador, tem a autoridade para perdoar os pecados. No momento da absolvição, Jesus fica no lugar do sacerdote e é Jesus quem perdoa os pecados daquele penitente.
A absolvição dos pecados não depende do estado moral do confessor. Depende, isto sim, da sinceridade do penitente.
Havendo arrependimento dos pecados, a confissão é plenamente satisfatória e deixa novamente pura e “limpa” a veste batismal de quem está se confessando. Se morrer nesse estado, vai direto para o céu.
Se não houver um arrependimento total, mas houver um desejo sincero e forte de não mais pecar, a confissão será igualmente válida, os pecados confessados serão perdoados, mas o penitente fica devendo a satisfação daqueles pecados perdoados. Ou seja, se morrer nesse estado, vai ter que passar pelo Purgatório.
Deus não quer a perdição de nenhum de seus filhos(as). Vemos, por exemplo, em Ezequiel 18, 23, lemos que Deus não quer a morte (eterna) do ímpio, mas que ele se converta e viva (a vida no paraíso). Entretanto, Ele respeita a nossa liberdade e não vai nos salvar sem nossa permissão. Pecar e não pedir perdão é uma forma de dizer que não queremos nos salvar. Aí, Deus respeita a nossa decisão e a pessoa que morre nesse estado de não aceitação do perdão de Deus vai para o Inferno. É o tal “pecado contra o Espírito Santo”.
Foi Jesus que deixou os sacerdotes para perdoarem os pecados em seu nome: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23).
Essa autoridade para perdoar os pecados foi transmitida pelo sacramento da Ordem aos presbíteros, pela imposição das mãos desde os Apóstolos. É o que chamamos de Sucessão Apostólica. Por meio da ordenação o sacerdote pode também celebrar a Santa Missa “Na Pessoa de Cristo”.
PARA SE FAZER UMA BOA CONFISSÃO
A Igreja propõe cinco passos:
1- EXAME DE CONSCIÊNCIA:
Pesquisar quais pecados cometemos no nosso dia a dia. Isso deve ser feito com muita sinceridade, procurando evitar desculpas por ter agido deste ou daquele jeito. Tente lembrar-se dos pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões. Peça a Deus, por Maria e pelo Anjo da Guarda, que lembre você dos pecados cometidos.
02- SENTIR PESAR POR TER PECADO
Peça a Deus que dê a você um arrependimento, uma dor sincera pelos seus pecados.
03- PROPOR NÃO PECAR MAIS
Acredito que seja o item mais importante. Sem esse propósito sincero, a confissão não vai ter valor.
04- CONFESSAR OS PECADOS AO PADRE
Confessar tudo, sem esconder nada, confiando que o padre guardará segredo de tudo o que você lhe falar. O segredo da confissão é algo real e 100% praticado. Diga ao padre quantas vezes fez tal e tal coisa e as circunstâncias. Por exemplo, tratar mal aos pais é mais grave do que tratar mal algum amigo (que, aliás, pode ser também pecado grave). Se se esquecer de alguns pecados, não se aborreça. Peça também perdão dos pecados esquecidos. Se você ocultar conscientemente algum pecado, a confissão não será válida. Não é preciso falar os pecados já perdoados, mas apenas os cometidos desde a última confissão bem feita.
05- CUMPRIR A PENITÊNCIA DADA PELO CONFESSOR
Que sempre se reduz a alguma oração rápida. Mas eu aconselho você a aprofundar essa penitência, fazendo, por exemplo, às quartas e sextas-feiras pelo menos uma penitência.
Na bíblia vemos muitos exemplos de pecadores arrependidos que obtiveram pleno perdão. Davi, por exemplo, que cometeu homicídio e adultério, mas se arrependeu e foi perdoado. A adúltera, que foi perdoada, mas recebeu o aviso de Jesus para não mais pecar. Em Miqueias cap. 7 vers. 18-20, lemos que Deus jogará nossas iniquidades no mais profundo do mar e esquecerá as nossas faltas.
Nossa Senhora, em suas aparições de Medjugorje, insiste muito na confissão para nossa santificação e garantia da vida eterna.
Deixe sua vergonha de lado (o padre, seja ele quem for também é pecador) e vá se confessar! É bom, é grátis, e nos deixa transformados. A graça de Deus pode fluir em nós.
Está baseada em Tiago 5, 14-15; “ Está alguém enfermo entre vós? Chame os presbíteros da Igreja para que rezem sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do senhor. E a oração feita com fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará. E se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” O sacerdote unge o doente para curá-lo e lhe dá absolvição. Quando o doente não se cura, fica forte espiritualmente para vencer os sofrimentos e sua tribulação.
Eis alguns textos que falam sobre os doentes: Tiago 5,14-15; Marcos 6,13; Sobre curas: Mateus 4,23; cap. 10,8; Marcos 16,18; Lucas 4,18; cap. 9,1-2; cap. 10,9; Atos 10, 38; cap. 14,9; 1ª Coríntios 12,28.30.
Pelo sacramento da Ordem o rapaz se torna diácono (primeiro grau), o diácono se torna padre (presbítero, segundo grau), e o padre se torna bispo (terceiro grau). Essas ordenações vieram desde Jesus, que ordenou (sagrou) os Apóstolos, os Apóstolos ordenaram os seus discípulos, e assim sucessivamente até hoje em dia. A essa corrente, que nunca foi quebrada, rompida, se dá o nome de Sucessão Apostólica.
É a união do homem e da mulher num só corpo, numa vida conjugal, em que os dois se comprometem a ficarem unidos até a morte de um dos dois. É a Igreja doméstica, para a santificação de todos. Simboliza a união de Cristo (o noivo) com sua Igreja ( a esposa).
Como os ministros do casamento são os próprios noivos e não o padre, qualquer pessoa, mesmo um leigo, pode presidi-lo validamente, com autorização do bispo local. Se houver a má fé ou incapacidade de um ou dos dois nubentes, o casamento pode ter sido inválido ou nulo (casar-se “na marra”, por exemplo: nesse caso, não há casamento). Esses casos são resolvidos pelo Tribunal Eclesiástico.
Quanto aos demais problemas do casamento, a matéria é muito extensa. Em resumo: Quanto à limitação dos filhos, a Igreja só aceita a limitação feita por métodos naturais, pois o casamento tem como objetivo principal a prole. Quanto ao aborto, a Igreja condena qualquer tipo de aborto, mesmo quando é fruto de estupro, assim como condena todos os métodos concepcionais abortivos. Quanto ao casamento, só aprova entre um homem e uma mulher.
Você pode ler mais sobre esse assunto na entrevista do Dom Pedro Casaldáliga e no blog do padre Rodolfo, ambos acessados no índice, bastando que você dê um clique, aí ao lado.
Textos; Mateus 19,4-6; Gênesis 1,27-28; cap 2,16-24; Efésios 5,25-32; cap. 19, 3-9; Marcos 10,2-12; ; Lucas 16,18; Romanos 7,2-3; 1ª 7,2-11; Efésios 5,21-33; Colossenses 3,18-19; 1ª Pedro 3,1-7.
A Igreja Católica nasceu no momento em que saiu sangue e água do peito de Jesus, segundo os estudiosos, mas muitos dizem ter nascido no dia de Pentecostes. Nos primeiros séculos foi perseguida, desde os anos 60, pelo Imperador Nero, até 313, quando o Imperador Constantino liberou o culto a Deus. Houve muitos mártires por conta dessa perseguição. Mártir é a pessoa que prefere ser morta a adorar outros deuses, ou a renegar sua própria religião. Em At 7,1-8,3, vemos a morte do mártir Santo Estêvão, além de um resumo da história do povo de Deus, feito pelo próprio Estêvão.
Com a liberdade concedida por Constantino, a Igreja pôde sair das catacumbas (cemitérios sob a terra, onde os católicos escondiam-se para celebrarem a Santa Missa ou fazerem suas reuniões) e os fiéis começaram a liturgia nas igrejas, publicamente, sendo as primeiras igrejas feitas com o aproveitamento dos palácios doados pelo Imperador Constantino, em Roma.
Com a liberdade e os títulos de honra dados pelo imperador aos bispos, a Igreja se aburguesou bastante e entrou desse modo na Idade Média (período da História que vai desde o ano 476, ano em que caiu o último imperador romano, até o ano 1453, a queda de Constantinopla ou 1492, a descoberta da América).
Com os feudos da Idade Média (cidades cercadas por muros), apareceram as paróquias. Em 1054 a Igreja do Oriente (Constantinopla) separou-se da do Ocidente (Roma), devido à politicagem dos responsáveis pela Igreja de então.
Algumas das Igrejas do Oriente retornaram à Igreja de Roma (os Ucranianos, por exemplo, em 1596), mas guardaram os ritos e costumes adquiridos no correr dos séculos de separação (por exemplo, a ordenação de homens casados para padres, costume que permanece até hoje. Somente os bispos precisam ser celibatários). Formam a Igreja Católica de Rito Oriental.
Nesses séculos, do ano 1000 ao ano 1500, houve um esfriamento na fé dos chefes da Igreja, ou seja, foram se esquecendo da missão de pregar o Evangelho, e se tornaram políticos, condes, barões, reis, duques. Buscavam muito dinheiro para construir grandes igrejas e palácios, manter seus exércitos e o pessoal de sua corte (bispos, papas, cónegos, abades, padres e religiosos).
No século XII surgiu um grande movimento de renovação: cristãos simples preocuparam-se em seguir o Evangelho. Muitos abandonaram a riqueza e se dedicaram aos pobres. Ex.: São Francisco de Assis, Santa Clara e São Domingos. Mais tarde: São Bernardo, Santo Tomás, Santa Catarina de Sena, Santo Antônio.
Em 1517 a Igreja dividiu-se novamente e surgiu a reforma de Lutero, que acabou fundando outra Igreja, a Luterana. Foi seguido por Zwínglio, Calvino, que fundaram as Igrejas evangélicas.
Essas divisões aconteceram muitas vezes por culpa de homens de ambas as partes, ou seja, tanto da Igreja Católica como das que se separaram.
Os que hoje em dia nascem em comunidades que surgiram de tais rupturas e estão imbuídos da fé em Cristo não podem ser tidos como culpados do pecado da separação, e a Igreja Católica os abraça com fraterna reverência e amor. Justificados pela fé recebida no Batismo, estão incorporados em Cristo, e por isso com razão são honrados com o nome de cristãos, e merecidamente reconhecidos pelos filhos da Igreja Católica como irmãos no Senhor.
O Espírito de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Entretanto, é pecado muito grave o católico mudar de religião.
A seguir, damos uma lista de religiões e o ano de sua fundação:
Igreja Católica Apostólica Romana (Dia de Pentecostes após a Ressurreição de Jesus);
Nestorianos e Monofisitas (431 e 451);
Orientais ortodoxos (1054);
Luterana (1517);
Calvinismo (1528/1555);
Metodistas (1739);
Anglicanismo (1559);
Congregacionalistas (1580/92);
Batistas (1612);
Adventistas (1843);
Assembleia de Deus (1900/1914);
Congregação Cristã do Brasil (1910);
Igreja do Evangelho Quadrangular (ou Cruzada Nacional de Evangelização): sua fundadora morreu em 1944;
Igreja Universal do Reino de Deus (1977);
Árvore da Vida (1980/90);
Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno - 1952); Mormons (1830);
Testemunhas de Jeová (1874);
Induísmo (2500 antes de Cristo já existia, não se sabe a época precisa da origem);
Budismo (400 antes de Cristo nascer);
Igreja Messiânica Johrei (1926);
Seicho-No-Iê (1930);
Perfect Lyberty (1946);
Moonismo (Associação para a Unificação do Cristianismo Mundial - AUCM - 1954);
Espiritismo (1848);
Umbanda (não há data de fundação);
Racionalismo Cristão (1910/11);
Legião da Boa Vontade (Década de 50);
Sociedades Esotéricas (em todos os tempos houve esse tipo de agremiação).
Já nos séc. II e III já se conhecia a famosa gnose ou gnosticismo.
As Fraternidades Rosa-Cruz apareceram no séc. XVII.
A Maçonaria, no séc. XVIII;
Universo em Desencanto (anos 70);
Profecias de Trigueirinho (1987);
Vale do Amanhecer (1969);
Ordem dos 49 ou Ação Mental Interplanetária (1977);
Santo Daime (1945);
Sociedade Teosófica (1875);
Rosa-Cruz (séc. XVII);
Nova Era (década de 70);
Cientologia (1954).
Foi por ocasião da revolta de Lutero, motivada pelo clima intenso e pesado resultante, que a Igreja deu uma chacoalhada em tudo, com o Concílio de Trento, de 1545 a 1563, na Itália. Toda a vida da Igreja foi reorganizada, inclusive com as Missões. Apareceram outras congregações religiosas, como os Jesuítas. Os padres passaram a ter uma formação mais séria e severa nos seminários.
Após a descoberta do Brasil, em 1500, vieram para cá os Jesuítas. Em 1618 os primeiros índios receberam a primeira comunhão.
A Igreja não sofreu muitas mudanças por todos esses séculos. Somente nesse século XX, de 1962 a 1965, com o famoso Concílio Vaticano II, é que houve outra grande mudança na Igreja: a Missa, que era celebrada somente em Latim, passou a ser celebrada na língua própria de cada país; o padre, que ficava de costas para o povo, passou a ficar de frente. A Bíblia passou a ser mais estudada, com traduções mais fiéis aos originais, possibilitando maior acesso aos leigos. Até então, a única versão conhecida era a Vulgata, de São Jerônimo, do séc. IV.
A liturgia renovou-se completamente, com novas orações eucarísticas e a possibilidade de serem usados outros instrumentos além do órgão e do harmônio.
Em 1968 houve um encontro muito importante em Medellín, na Colômbia, onde a Igreja chegou mais perto dos pobres e dos marginalizados. Houve outro encontro desse tipo em 1979, em Puebla, no México.
Quanto às Comunidades Eclesiais de Base, em 1979, reunidos em Puebla, os bispos latino-americanos firmaram o seguinte compromisso:
“Como pastores, queremos resolutamente promover, orientar e acompanhar as comunidades eclesiais de base, de acordo com o espírito de Medellín e os critérios da Evangelii Nuntiandi; favorecer o descobrimento e a formação gradual de animadores para elas. Em especial, é preciso procurar como podem as pequenas comunidades, que se multiplicam nas periferias e zonas rurais, adaptar-se também à pastoral das grandes cidades do nosso continente” (Pb 648).
Nos anos 70 apareceu a Renovação Carismática Católica (RCC), que vivencia um modo diferente de como se pode sentir a presença do Espírito Santo, principalmente na forma mais alegre das celebrações.
Os movimentos também estão aí a pleno vapor: Legião de Maria, Emaús, Cursilho, Vicentinos, ECC, Focolares, Irmandades antigas que reapareceram, como a Irmandade de São Benedito e o Apostolado da Oração etc.
Os últimos papas de nossa Igreja foram: Pio IX (1846), Leão XIII (1878), Pio X (1903), Bento XV (1914), Pio XI (1922), Pio XII (1939), João XXIII (1958), Paulo VI (1963), João Paulo I (1978), João Paulo II (1978), Bento XVI (2005), Francisco (2013). Os primeiros papas foram: São Pedro, São Lino (67), São Cleto (76), São Clemente (88), Santo Evaristo (97), Santo Alexandre (105).
Os Mórmons, as Testemunhas de Jeová, e várias outras denominações não acreditam na divindade de Jesus Cristo e por isso não são cristãs. As que falam em Jesus mas não acreditam em sua divindade são chamadas Igrejas “pseudocristãs”. Ou seja: parecem Igrejas cristãs, mas não o são.
A intercessão pode ser vista na bíblia toda, no que se refere a pessoas intercedendo por outras. Veja por exemplo Gênesis 18,17-33 (Abraão intercede por Sodoma e Gomorra); João 17 (Jesus intercede por todos os que viviam e que viveriam no futuro); Isaías 53,10 a 12, (um dos cantos do servo de Javé, em que ele intercede por todos.).
O raciocínio é o seguinte: Se eu posso rezar, interceder por você agora, em que ambos somos pecadores, por que eu não poderia continuar a rezar por você se eu morresse e fosse para o céu? Os santos evitaram o pecado e viveram santamente. Maria, Mãe de Deus, Imaculada, Sempre Virgem, por que não poderia rezar conosco, pedindo a proteção de Deus para nós? Quer dizer que eu posso rezar por e com você, mas Maria não pode? São Benedito não pode?
Eu já disse, acima, que Jesus não mente nunca. E ele nos contou a história do Lázaro, pobre, e do rico pão duro, em Lucas 16, 19-31. Ambos morreram e o rico pediu a intercessão de Abraão para que seus irmãos fossem avisados, e até pediu que Lázaro ressuscitasse e fosse lá convencer seus irmãos. Disse e repito: se não fosse desse modo, Jesus nunca teria contado essa história.
Quando pedimos a intercessão de Maria ou de alguma pessoa que viveu em santidade, na verdade estamos pedindo que ela reze conosco, a fim de que Jesus interceda por nós ao Pai e recebamos aquela graça. Nós acreditamos, como os outros cristãos, que Jesus é o nosso único intercessor junto ao Pai.
Os anjos também intercedem por nós, como podemos ver em Mateus 18,10; Jó 5,1; cap. 33,23-24; Salmo 91,11-13; Apocalipse 8,3; Zacarias 1,12 (o anjo intercede por Jerusalém). Não há como negar esses textos todos! A Igreja é unida, reza unida, seja a parte dela que ainda está aqui (a Igreja padecente), seja a parte dela que já está no paraíso (a Igreja triunfante).