Jesus Cristo é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, cem por cento Deus e cem por cento homem, Nasceu de Maria sempre Virgem. Viveu trinta anos de sua vida em Nazaré, lugarejo pequeno, tão pequeno que fora da bíblia não é conhecido.
Viveu trabalhando na carpintaria. Isso indica que “o mais importante, o decisivo mesmo de uma vida humana é saber viver esta vida de cada dia, vida aparentemente sem valor, sem nada de extraordinário, a vida comum da grande maioria da humanidade” (Frei Carlos Mesters, “Com Jesus na Contramão”, pág. 14).
Foi lá que Jesus aprendeu o que precisava para viver nesta vida. Jesus padeceu e morreu condenado por Pôncio Pilatos, foi sepultado mas ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e retomou plenamente a majestade divina, ao lado direito do Pai Todo-poderoso. No céu Jesus é tão todo-poderoso quanto o Pai. Jesus é Deus, mas não usou em proveito próprio a sua divindade: só em benefício dos outros.
Jesus nasceu em Belém da Judeia (Sul). Foi criado no interior, como o povo da roça, em Nazaré da Galileia, ao Norte. Sua língua era o aramaico (sotaque galileu). Não pertencia ao clero do templo, não era doutor da lei,nem fariseu, nem essênio. Era leigo, pobre, não estudou como S. Paulo Apóstolo (Atos 22,3).Trabalhava como agricultor e carpinteiro (Mc 6,3; Mt 13,55). A escola de Jesus foi, principalmente, a vida em família e na comunidade. Todos rezavam muito naquele tempo, de manhã, à tarde e à noite, com três leituras básicas entremeadas de salmos, bênçãos, benditos (confira em Deuteronômio 6,4-9; 11, 13-21; Números 15,37-41).
Ao obedecer ao Pai plenamente, Jesus, que tinha a vontade divina e a vontade humana plenamente unidas, nos abriu o caminho do céu, fechado desde o pecado de Adão e Eva. É o que nos diz 1Cor 15,21, quando Paulo fala que por um só homem (Adão) veio o mal ao mundo, por um só homem (Jesus) veio o bem, a salvação ao mundo. O motivo principal é a obediência: ao contrário de Adão e Eva, Jesus obedeceu totalmente ao Pai. Essa obediência foi total, até a morte, e morte de cruz! (Filipenses 2,6ss). Ou seja: mesmo podendo evitar o seu sofrimento e sua morte, Jesus escolheu sofrer tudo como um ser humano, obediente ao Pai como todos deveríamos ser.
Se obedecermos a Deus, Ele nos orientará, nos dará tudo o que for preciso para sermos felizes e, caso nos permita algum sofrimento, nos dará a força necessária para vencê-lo ou suportá-lo até que fiquemos livres.
Temos muito desejo de felicidade, mas às vezes nos esquecemos de que a felicidade verdadeira só a conseguiremos no céu, na vida eterna, onde “Nenhuma impureza, nenhuma abominação entrará” (Apocalipse 21,27).
Gosto muito de fazer uma comparação para entendermos a eternidade: Se uma só destas letras deste blog for os 90 anos que uma pessoa vai viver aqui na terra, todas as demais, do blog todo, de todos os bilhões de blogs e sites que existe, serão, cada uma dessas letras todas, 90 anos que a gente vai viver lá no céu. Multiplique 90 pelos quintilhões de letras que estão na internet, e assim mesmo não vai dar nem mesmo um porcento da eternidade que vamos viver no céu.
Para obtermos isso, Jesus pede que lhe sejamos fiéis nestes 90 anos, nesta “letrinha” que temos que viver agora. Vale a pena, portanto, aceitarmos os sofrimentos, problemas, empenho e lutas para sermos santos, para agradarmos a Deus, seguirmos os seus ensinamentos, pois isso vai se reverter em benefício para nós mesmos! A recompensa compensa!
É muito melhor sofrer agora para sermos santos e irmos para o céu, do que sermos felizes nestes anos terrestres, numa felicidade tão passageira e tão cheia de altos e baixos, se não seguirmos a palavra de Deus. Podemos, sim, ser felizes agora, mas sem o pecado, sem as quedas para o mal. O problema é que nem toda a felicidade que escolhemos é a que agrada a Deus e nos faz bem: o pecado, o vício, a ganância, não nos dá paz e nos levam para o sofrimento eterno.
É por isso que Deus nos permite o sofrimento agora, mesmo quando fazemos o bem. Diz Sabedoria 12,2: “É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes ses pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”. Hebreus, 12,5-13, principalmente v. 10: “Deus nos purifica com os sofrimentos para poder nos infundir sua santidade”.
Jesus nos ensinou muitas coisas para podermos viver santamente e irmos para o paraíso. O único mandamento que ele nos deixou foi o de amar ao próximo como Ele nos ama.
Deixar-se amar, seja por Ele como pelos demais, é muito difícil, é muito doloroso para nós, porque não temos o “controle” das atitudes de Deus ou dos outros para conosco: Devemos estar livres a qualquer momento para ouvirmos a voz de Deus ou a dos irmãos, pedindo ajuda ou apoio, ou pedindo nosso trabalho e até a nossa própria vida.
Outro problema que temos é confundir “amar” com “gostar”. Jesus não pediu que “gostássemos”, mas que “amássemos”. Amar até os inimigos, ou seja, não deixar faltar-lhes nada de que necessitem, não desejar-lhes ou fazer-lhes nenhum mal.
Diz S. Paulo em Romanos 12,20: “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.”. Essas “brasas” são sentimentos de remorso. Se tratarmos bem os nossos inimigos, eles podem, talvez, converter-se, mudar de opinião e aí os “ganharemos” para Jesus.
O ódio, a violência, não leva a nada. Com a paciência, tudo conseguimos.; com a violência, perdemos nossa razão e até o bem que queríamos fazer acamamos transformando em mal com a nossa ira.
Jesus disse: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontraremos repouso para as vossas almas, tomai sobre vós o meu jugo, porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mateus 11,29-30).
Apocalipse 3,16: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir minha voz e abrir-me a porta, cearemos juntos”. Abrir a porta do coração para Jesus é acolher sua palavra, a ele próprio e ao próximo, como Ele sempre nos acolhe. Acolhê-lo significa, por outro lado, estarmos disponíveis para a conversão, para a Cruz, para o sofrimento da separação que temos que fazer de nós mesmos, dos pecados, do nosso egoismo, comodismo, individualismo.
“Quem quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si sua cruz e siga-me” (Mt 16,24); “Quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10,38).
Apesar de ser dono de tudo o que existe, Jesus quis nascer pobre, viveu com os pobres, se alimentava na companhia deles, apesar disso ser proibido pela religião oficial da época. Ele diz em Lucas 9,58: “ O Filho do Homem (ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.
Em Lucas 14,33, Ele nos convida a renunciarmos a tudo o que possuímos para sermos seus discípulos: “Qualquer um de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”. Ele nunca nos convidaria a viver na miséria, mas nos convida a viver uma vida simples, sem tantas falsas necessidades. Algumas pessoas são chamadas a uma pobreza radical; outras, nem tanto.
Em Lucas 6,24-25, Ele diz: “Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”. Ao jovem rico, Jesus exigiu tudo: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”.
Entretanto, em Lucas 19,8-9 ele falou a Zaqueu que a salvação tinha entrado naquela casa quando o homem prometeu que ia dar metade do que tinha aos pobres e devolver quatro vezes mais o que tinha roubado; ou seja, não ia dar tudo o que possuía.
Quem tem muito dinheiro, confia só nele; quem é pobre, está livre para confiar plenamente em Deus, seu único apoio. No sermão da montanha, Jesus falou, logo no início do capítulo 5, que são felizes os pobres em espírito. Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos capacidade e oportunidade de sermos ricos, devemos viver de modo modesto.
Em Mateus 6,19-20 Jesus nos diz: “Não acumuleis tesouros para vós aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu”. Em Mateus 6, 24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”.
S. Paulo nos fala em Timóteo 6,7-10: “A raiz de todos os males é o dinheiro”. É preciso aprendermos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna, partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus sustenta até os passarinhos, como vemos em Mateus 6,26. Ele nos ajudará, e nada nos faltará, se confiarmos nele. (Ver Mateus 6,30-34).
Todos sabemos, pelos jornais e pela televisão o quanto as pessoas ricas têm problemas, cometem suicídio, morrem de overdose e coisas desse tipo. Se o dinheiro trouxesse felicidade, eles seriam felizes; a vida que levam, entretanto, mostram que são muito infelizes. Só Deus pode nos fazer felizes. Só o bem pode nos dar a paz.
Jesus foi muito humilde. Diz Mateus 11,29-30: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve”.
Ser humilde, entretanto, não é ser tímido! Jesus morreu porque enfrentou as autoridades religiosas do tempo, que escravizavam o povo. Ser humilde é reconhecer os próprios limites e aceitá-los, reconhecendo os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando a ninguém. Isso pode ser refletido em Tiago 2,1-7; Marcos 2,15-17; Marcos 6, 37-44.
Ser humilde é não querer fazer tudo sozinho, mas sempre procurar buscar a ajuda de Deus e das pessoas capacitadas para aquela ação. Diz o Apóstolo São Paulo em 2ª Coríntios 12,10: “Quando eu sou fraco, então é que sou forte”, porque terei a ajuda divina.
O salmo 40, 17 nos diz: ”Sou pobre e indigente, mas Deus cuida de mim!” Entretanto, o orgulhoso, o autossuficiente, é abandonado às suas próprias forças e, como diz Sabedoria 1, 1-5, Deus não se revelará a ele.
Santa Teresa de Jesus diz uma coisa belíssima quanto à humildade e à confiança em Deus: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”.
Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus, como nos conta Lucas 1,46-54. O humilde está sempre com Deus e é fortalecido por Ele.
O Bar-Mitzvá é uma cerimônia judaica que, de certa forma, corresponde ao nosso Crisma: o adolescente é recebido oficialmente no templo e passa a ser responsável pelo que faz, assumindo a sua participação no Povo de Deus, que fora feita com a circuncisão.
No nosso caso, essa participação é concretizada pelo batismo e confirmada pela Crisma, aos 14 anos. O Bar-Mitzvá é feito atualmente aos 13 anos. Desse dia em diante, o adolescente podia ler os textos bíblicos no templo e ser ouvido pelos doutores. Antes disso era considerado criança e não tinha valor algum na sociedade judaica.
Não era ouvido e não podia conversar com as autoridades religiosas: só tinha a oportunidade de aprender em casa e na sinagoga, mas sem dar opinião alguma.
Após uma preparação, são recebidos solenemente no templo e leem um trecho da Torá. Jesus deve também ter cantado um salmo. Deve ter sido maravilhoso o canto que Jesus fez do salmo. Qual salmo terá ele lido? Se fosse o salmo 118(119), teria cantado, com sua voz maravilhosa, pura, cristalina: “Felizes os puros em seu caminho, que caminham na lei do Senhor”. Os anjos, decerto, o acompanharam, emocionados, com o coral celeste.
Em http://colecao.judaismo.tryte.com.br/livro1/l1cap22.php , nós vemos como era o Bar-Mitzvá:
“Um menino que completa o seu décimo-terceiro aniversário é um Bar Mitzvá - literalmente, um homem do dever. Desse dia em diante, conforme a tradição judaica, é ele responsável por seus próprios atos e por todos os deveres religiosos de um homem. No sábado posterior ao décimo-terceiro aniversário de um menino judeu, ele é chamado ao altar da sinagoga para ler a Torá . O jovem repete a bênção, depois que um trecho da Torá é lido, e recita a lição dos Profetas, denominada Haftará”.
“A palavra Torá tem dois sentidos na tradição judaica. No sentido lato, é a Torá o nosso modo de viver, ou, conforme disse Milton Steinberg, “Toda a vastidão e variedade da tradição judaica”. É sinônimo de ciência, sabedoria, amor a Deus. Sem ela, a vida não tem sentido nem valor.”
“Em senso mais estrito, a Torá é o mais reverenciado e sagrado objeto do ritual judaico, o belo rolo manuscrito dos Cinco Livros de Moisés (a Bíblia, do Gênesis até o Deuteronômio) que se conserva na Arca da Sinagoga. Uma parte da Torá, iniciando-se com o livro do Gênesis, é lida em voz alta todo sábado durante o culto, logo a partir dos Grandes Dias Santos, prosseguindo até o fim do ano judaico, até que tenha sido lida.
O fiel mantém-se de pé quando a Torá é retirada da Arca. Um judeu piedoso beija a Torá colocando seu xale de orações sobre o pergaminho (assim os dedos não tocam o rolo) e erguendo então aos lábios as franjas do xale.”
Na ala das mulheres, Maria chorava de emoção. José, na ala dos homens, não chorava, para não escandalizar os demais, mas também estava emocionado. A emoção que se irradiou pelo templo não era deste mundo. Suplantava a tudo o que tinham visto até então. Aquele canto, aquele instante, nunca mais iriam se repetir naquele templo. Dificilmente alguém conseguiria superá-lo.
A cerimônia havia sido realizada em Jerusalém. Quando terminou, houve uma festa, após a qual todos voltaram para casa. A caravana de Nazaré não era muito grande, mas os pais de Jesus estavam acostumados que ele ficasse com outras famílias, e não deram falta dele. Os homens caminhavam separadamente das mulheres. Maria pensava talvez que ele estivesse com José, e vice-versa. Em sua idade, Jesus ainda podia escolher ficar com o pai ou com a mãe.
Jesus ficara em Jerusalém, conversando com os doutores do templo, já durante a festa, de modo que ninguém dera falta dele. Era a sua primeira oportunidade de fazer isso e não ia deixar passar em branco. Antes do Bar-Mitzvá isso não lhe era permitido, como já disse acima.
As crianças são contadas como nada entre os judeus. Aliás, isso foi uma das coisas que escandalizaram os judeus na pessoa de Jesus, quando ele abraçava as crianças e lhes ouvia. Isso era impensável para um mestre, como Jesus era considerado.
Todos os que estavam na Sinagoga se haviam impressionado com o canto que Jesus fizera dos primeiros versículos do salmo e ficaram felizes de tê-lo ali com eles. Ele e os demais que ficaram, os que frequentavam a escola do templo, dormiram num local reservado para os alunos e logo de manhã já estavam com os doutores da lei. Jesus ouvia tudo com atenção, mas suas perguntas mais pareciam respostas dando soluções a todo aquele emaranhado de 613 leis que eram obrigados a seguir.
O tempo passou rápido e no terceiro dia a aula foi interrompida pelos pais de Jesus, que pediram para falar com ele. Sua mãe o abraçou, chorando, e disse:
“Filho, por que procedeste assim conosco? Teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição!”
A resposta dada por Jesus não foi entendida nem pelos pais nem por ninguém:
“Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai?”
“Nas coisas de meu Pai”. Que pai? - perguntavam-se os que ali estavam. José estava ali mesmo! Era marceneiro e carpinteiro! Mas não perceberam que Jesus cuidava, sim, das coisas de seu Pai querido do Céu, Pai esse que com todo o poder que tem, não o livrou da morte de Cruz. Fazer isso seria truncar e negar a nossa salvação... Por isso, não interferia. E Jesus voltou com os pais para Nazaré e, nas orações que fez durante a caminhada, percebeu que deveria por enquanto submeter-se plenamente a José e Maria. Foi o que fez. Quanto a José e Maria, conservavam e meditavam tudo isso em seus corações.
Deus não interfere em nossas vidas se não lhe dermos abertura. Diz o missal comentando isso, que deve haver pelo menos um pequeno “orifício” em nosso coração para que Deus possa agir. Ele respeita a nossa liberdade como ninguém mais. Quando lhe damos abertura, recebemos inúmeras graças para levar nossa vida de modo menos sufocante, até que possamos ser atendidos de modo mais pleno e gratificante.
Jesus é 100% homem e 100% Deus, mas como homem precisou aprender tudo como nós. Ele não “ensinava” aos doutores, como muitos dizem, mas os ouvia e perguntava coisas a eles, querendo assim aprender tudo o que pudesse.
(26/06/14)
Senhor Jesus, vós nos destes uma prova de amor concreta, consistente, sem possibilidade de refutação, que é ter se deixado trucidar por nosso amor!
Quando eu sofro, não tenho escolha de livremente escapar do sofrimento, como que por um passe de mágica! A única opção que tenho é aceitar ou rejeitá-lo com imprecações, palavrões ou choradeira covarde!
Entretanto, Senhor Jesus, vós fostes, sois e sempre sereis Deus e poderíeis ter saído e escapado de todos os sofrimentos que vos impuseram! Mas porque nos amais, deixastes que fizessem convosco o que bem entendessem. É a isso, Senhor, que eu chamo de “Amor”!
Eu sempre estou dizendo que vos amo, mas com que tibieza, covardia, falta de empenho e falsidade eu o faço! É como que se eu realmente não vos amasse!
É-me tão fácil falar, Senhor: “Eu vos amo!” Mas é tão difícil concretizar essas palavras com a ação, com uma aceitação amorosa do sofrimento, da presença e necessidades das pessoas e dos problemas que me arrasam!
É, Senhor, “me arrasam” mesmo! Isso acontece porque eu não abraço isso tudo com um verdadeiro amor!
Minhas atitudes vos dizem, na verdade, que eu quero vos amar desde que eu não sofra, não fique doente, não fique pobre, não me aconteça nada de mau!
Isso não é amar como vós amais!
Senhor Jesus, eu vos peço a graça de vos amar seja qual for minha condição de saúde, social, psicológica, material, esteja eu onde estiver, seja qual for a minha vida!
Quero vos amar, como diz Santa Teresinha, e me alegrar, quer esteja eu “no mais luxuoso palácio ou na mais triste prisão”!
- 20/03/16
Hoje é domingo de ramos. Na leitura após a procissão, lemos Lucas 22 e 23, a Paixão de Jesus. É impressionante o capítulo 22, vers. 61-62: “E virando-se, Jesus olhou para Pedro. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.
Quando o pai ou a mãe dão aquele olhar de censura aos filhos, eles sentem medo e até choram por saber se virá ou não um castigo.
Imaginem o olhar que Jesus deu a Pedro, talvez um tanto distante um do outro (seria mais grave se estivessem perto!). O olhar divino-humano de Jesus tem a pureza infinita do paraíso, marca como um raio, tem o efeito do raio “X” em nossa alma.
Há algumas passagens sobre esse olhar penetrante de Jesus: “E passando o olhar em cada um dos que ali estavam...” (Lc 6,10 e 9,47). Jesus lia os pensamentos dos que o circundavam, e seu olhar os deixavam inseguros e sem ação.
Diz Flávio Josefo, historiador pagão do início do cristianismo, que ninguém jamais viu a cor dos olhos de Jesus, pois ninguém conseguiu fita-lo frente a frente. Seu olhar era mais penetrante que um espinho na pele!
Assim ocorreu com Pedro. O olhar que Jesus lhe deu projetou à sua frente não apenas a tripla negação que acabara de fazer, mas também os pecados passados. Que pena Judas não ter tido a mesma reação de Pedro! E talvez Jesus também tivesse olhado para ele, quando disse, em João: “É aquele que pôr comigo a mão no prato”. Será que Judas estava tão faminto que não olhara para Jesus, mas só para o prato? Talvez... e isso lhe custou uma morte indigna, o suicídio.
Em nossa vida também fazemos muito isso. Ficamos tão interessados nos “pratos” que o mundo nos oferece, que não percebemos o olhar que Jesus nos está lançando, não tanto de censura, mas oferecendo-nos o seu amor, o seu perdão e a sua força para vencermos.
A humildade é a base de tudo, sobretudo da possibilidade de fitarmos com amor os olhos de Jesus, sentir sua misericordiosa luz penetrar a escuridão de nossa alma e, como Pedro, chorarmos amargamente os nossos pecados.
É nos encontrando com Jesus, é deixando que ele nos olhe até o fundo de nossa alma, que veja nossos pecados e maldades, nossos limites, nossos mais íntimos desejos, que poderemos nos purificar.
Jesus, ao encontrar alguém humilde, que reconhece os próprios pecados, que vê a necessidade de purificar-se com toda a humildade, entra plenamente em sua vida, em seu dia a dia, e reconstrói a “casa” dessa pessoa por dentro, e aqui está um detalhe: não reconstrói uma “outra” casa, mas a mesma de antes, com todas as características com que a pessoa nasceu, porém livre de todo lixo, repintada, limpa, com tudo funcionando. Não é preciso, e nem Deus nos pede isso, que mudemos nossas características. Cada um pode ser santo dentro de sua vocação, caráter, personalidade, dentro de seu “jeitão”.
O que temos de fazer é sanarmos o que está errado, extirparmos os vícios e maldades, e só deixar o que agradar a Deus. Aí, Jesus poderá olhar para nós e ver que também estamos olhando para ele, arrependidos, dispostos a recomeçar uma nova vida. Isso é difícil, mas não é impossível.
O olhar de Jesus nos faz ver que é possível viver santamente, e vamos nos sentir impelidos a isso. Mas... será que não é justamente da conversão, dessa vida nova, que temos medo? Não foi essa a atitude de Pedro quando disse a Jesus para afastar-se dele por ser um pobre pecador, no primeiro milagre da pesca?
Vejo Pedro dizendo a Jesus como nós também às vezes dizemos: “Senhor, afasta-te de mim porque sou pecador e, se continuar a olhar-te, vou sentir a profundidade do teu olhar, chamando-me a uma vida mais santa” O problema é que eu não me sinto disposto a mudar de vida! Estou acostumado demais às minhas coisas e modo de viver”!
Vejo que está aí o motivo pelo qual muitos abandonam o apostolado, a própria vocação, a Missa, o Culto (quando evangélico). Será que não é para fugir de Deus, abafar a voz da própria consciência? Sei que há casos e casos. Alguns realmente não veem outra alternativa se não deixar aquele tipo de serviço, são obrigados a mudar de rumo, mas é preciso confiar sempre na Providência Divina, nesse Deus tão rico em misericórdia, como diz S. Paulo.
Em Romanos 11,29, São Paulo nos garante que Deus não se arrepende dos dons e da vocação que nos deu. Vamos, pois, nos encher de coragem e permitir que Jesus nos olhe profundamente e, como diz o Apocalipse 3,20, entre em nossa casa e faça a refeição conosco!
25/11/2012 –
É a festa que celebramos no último (34º) domingo do tempo comum, imediatamente antes do Advento. Diz o Missal Dominical: “Jesus Cristo é rei porque é o único mediador da salvação de toda a criação.
Nele todas as coisas encontram seu acabamento, sua verdadeira subsistência, segundo o desígnio criador de Deus”.
Houve um entendimento “atravessado” nesse fato da realeza de Cristo na História da Igreja do passado, por causa destas premissas:
1-Cristo é Rei todo-poderoso;
2- O Papa e seus sucessores, assim como os bispos, são os representantes dele aqui na terra;
3- Portanto, o papa e os bispos devem ser também tão poderosos como Jesus, aqui na terra, serem reverenciados, servidos e venerados.
Isso causou grandes males na terra. O papa tornou-se um senhor poderoso, que mandava até nos reis e rainhas, tinha grande poder econômico. Graças a Deus que hoje em dia as coisas aos poucos voltam ao normal, ou seja, a Igreja é servidora, e não egrégia senhora.
Hoje em dia há uma certa tendência por parte de alguns membros do clero, em portar-se, como dizia um pregador de retiros, “de tal modo que nada deixam a desejar à rainha de Sabá”.
Precisamos sanar essa falha em nossa Igreja, com o mesmo afã com que combatemos a pedofilia e coisas desse tipo.
Jesus foi bem claro ao afirmar que não veio para ser servido, mas para servir (Jo13,14-15; Mt 20,28). Já dizia um de nossos bispos eméritos (não sei se o D. Pedro Casaldáliga ou D. Valfredo Tepe) que “Ou a Igreja de Cristo é pobre ou não é a Igreja de Cristo!”.
É preciso tomarmos cuidado com o modo como entendemos o reinado de Cristo, para não cairmos no mesmo erro que nossos antepassados, ao tentar fazer com que a Igreja dominasse em todos os sentidos, mesmo materialmente, sobre tudo e todos.
A atitude de quem pensa que tem ou está no poder é olhar os outros de cima para baixo. Ao atender alguém, sente-se como o rei atendendo o súdito.
Vejo como é comum em todos os lugares: quem toma conta da chave, manda do “pedaço” e todos devem reverenciá-lo ou pelo menos submeter-se aos seus caprichos.
Vejam isso na comunidade ou em qualquer grupo de pessoas: basta um pouco de poder e a pessoa, que até então parecia humilde e simples, se torna uma pessoa altiva, achando que “tem o rei na barriga”. A única pessoa que teve o rei na barriga foi, de fato, Maria, quando concebeu Jesus, e é a mais humilde criatura que até então apareceu aqui na terra!
Uma das consequências de quem pensa que “está com tudo” é o modo de atendimento. Uma pessoa humilde, que sabe que está a serviço e não para ser servida, é sempre humilde, serviçal, sempre está pronta a atender qualquer que seja. Veja como Jesus atendia a todos, embora sempre estivesse rodeado por tantas pessoas que o pressionavam por todos os lados, em todos os sentidos. Até tinha um tempinho para as crianças, coisa que ninguém tinha naquele tempo: as crianças eram consideradas um zero à esquerda. Aliás, até as mulheres eram assim consideradas. Jesus atendia tanto uma como outra. Sempre estava pronto para ouvir, embora tivesse tanto para dizer.
Aliás, ele dizia mais com esses gestos de atenção e atendimento do que com suas palavras, pois estas eram confusas e incompreensíveis para as pessoas da época. Seu bom exemplo era sua melhor e maior pregação. Isso levou o Beato Ir. Carlos de Foucauld a dizer que devemos “Gritar (e não apenas proclamar) o evangelho (não só com as palavras, mas também...)com a vida!”.
Um padre que atenda as pessoas bem atendidas, tenha tempo para todos, mesmo tendo que agendar esse atendimento quando difícil no momento, será sempre um padre benquisto, um padre reverenciado e amado pelos seus paroquianos e tantos quanto o procuraram.
Uma coisa de que peço muito perdão a Deus é de tantas vezes que atendi mal algumas pessoas. Tantas vezes eu as atendi como se eu estivesse prestes a carregar uma cruz pesadíssima, ou que elas fossem atrapalhar todos os meus compromissos. Aliás, algumas vezes esses compromissos não eram assim tão urgentes e podiam esperar.
Uma vez, quando um meu amigo era ainda jovem, atendeu um colega muito alegre, extrovertido, quando voltavam de um baile, após terem levado suas namoradas, que eram vizinhas, ao ponto de ônibus (elas moravam num outro bairro).
Nessa caminhada de volta para casa (eles também eram vizinhos), o amigo desse meu amigo lhe confidenciou que estava para cometer suicídio (inclusive já estava com um pequeno revólver no bolso), por causa de vários problemas, que lhe enumerou.
O meu amigo deixou tudo o que tinha que fazer (era professor) e conversou longamente com o rapaz. Este acabou desistindo do suicídio, viu, pela conversa, que havia um modo de recomeçar sua vida e superar as dificuldades. O rapaz morreu vinte anos após essa conversa, daquela doença conhecida popularmente como “bicho de porco na cabeça”.
Há um filme antigo em que um rapaz de uns 16 anos leva nas costas seu irmãozinho aleijado, de uns 9 anos, de uma cidade da Itália para outra, após um bombardeio em que perderam a família. Iam com outras pessoas a um tipo de orfanato ou casa de atendimento aos menores desabrigados.
Depois das peripécias enormes que encontraram, que duraram o filme todo, ao chegarem na cidade e na casa onde iam morar, o padre, vendo o rapaz estafado sob o peso do irmão (que trazia nos ombros por todo o trajeto), lhe disse: “Meu filho, ele não lhe está pesando nos ombros?” O rapaz, sorrindo, respondeu ao padre: “De jeito algum, senhor padre! Ele é meu irmão!”
Muitos católicos abandonam a nossa Igreja e se aliam aos evangélicos simplesmente por causa do atendimento, que acham ser melhor do lado de lá. Eu pergunto: Será que não têm certa razão? Graças a Deus apareceram grupos de atendimento nas paróquias, como os da RCC (embora muitos não gostem muito desse movimento) e a pastoral da acolhida, que procuram atender as pessoas com paciência e sem olhar para o relógio.
Por falar nisso, já percebeu que muitas pessoas sempre estão com pressa quando alguém quer falar com elas? O pior de tudo é quando ficam olhando ao relógio!
Jesus é Rei, sim, mas um Rei que veio para servir e nos ensinar que só entra no Reino de Deus quem está disposto a servir, a ser o último de todos. É como o caso da galinha que cacarejava ao pôr um ovo. Um peixe fêmea ouviu, pôs a cabeça para fora do rio e perguntou a ela o que estava acontecendo. A galinha respondeu: “Ora, eu pus um ovo!”. A “peixa” mergulhou novamente e pensou: “Nossa, já pensou se eu fizesse isso a cada um dos milhares de ovos que ponho?(Infelizmente eu me esqueci onde eu li isto. O autor que me perdoe).
Estar a serviço gratuitamente, sem exigir nada em troca, nem mesmo o agradecimento: eis o caminho dos que querem participar plenamente do Reino de Deus.
Que a festa de Cristo Rei, que comemoramos no último domingo do tempo comum (34º), nos faça lembrar de que Jesus nos deu o exemplo de pobreza, serviço, humildade e santidade. Se tivermos alguma dignidade eclesiástica, ou seja, quem for diácono, padre, bispo ou algum tipo de chefe de comunidade, sejamos imitadores de Jesus-Rei, e simplifiquemos a nossa vida, lembremo-nos sempre que, ao invés de “egrégios senhores”, sejamos “ternos pastores”, como diz um dos pais da Igreja primitiva.
05/04/2020
Diz Santo Agostinho, baseado em sua teologia, que sentiu como se Jesus lhe dissesse: “Não me mudarás em ti ao me receberdes em comunhão, mas tu te mudarás em mim” (cf. Ofício das Leituras, 28 de agosto).
Num dia destes, eu estava meditando nessa frase e veio-me à mente que essa afirmação do santo equivale a dizer que, na comunhão que fazemos, ao comungar Jesus Cristo, na verdade é ele quem está nos comungando.
Isso pode ser confirmado em várias partes da bíblia, mas eu tenho à minha frente Apocalipse 3,20: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”!
Na bíblia se entende a refeição em comum muito mais do que em nossos dias: aceitar alguém para comer na mesma mesa que você, significa que você comunga com suas ideias, que você concorda com o seu tipo de vida. Veja por exemplo José e seus irmãos antes que José se revelasse a eles: na refeição, José sentou-se diante de uma mesa, os irmãos numa segunda e os egípcios que acompanhavam o encontro, numa terceira. Não havia comunhão entre eles. Vejam que é por isso que os fariseus criticavam Jesus quando comia com os pecadores!
Portanto, quando Jesus diz que vai entrar em nossa casa e comer conosco, significa muito mais do que uma refeição: significa uma comunhão muito íntima, significa que ele quer ser nosso amigo, além de já ser nosso Senhor, nosso Deus e, na Santíssima Trindade, nosso Criador.
Mais ainda, Jesus quer nos salvar, quer que estejamos juntos a ele na vida eterna. Ele deu a vida por nós. Ele se humilhou deixando de lado a vida de mordomia que tinha no céu para viver como um ser humano aqui na terra.
Em Mateus 26,53 Jesus fala, ao que havia decepado a orelha do servo do sumo sacerdote, que poderia naquele mesmo instante pedir ao Pai 12 legiões de anjos para vencer os soldados. Ou seja, ele aceitou morrer por nós. Ele poderia muito bem ter escapado das mãos dos judeus e das autoridades, pois 12 legiões são 72.000 (setenta e dois mil) anjos! E lembrem-se de que os anjos são imortais e não morreriam na luta contra os soldados.
Quando comungamos Jesus, na verdade estamos permitindo que ele nos receba, estamos dando plena permissão para que ele entre em nossas vidas e faça o que quiser conosco. Isso equivale a dizer que, quando o comungamos, na verdade é ele que nos comunga. Quando ele entra em nosso corpo, na verdade somos nós que entramos em seu corpo.
Aliás, o próprio São Paulo Apóstolo diz que somos parte do Corpo de Cristo, e Cristo é a cabeça desse corpo. Está tudo na Bíblia!
Amigos, amigas, na próxima comunhão de vocês sintam-se não só com Jesus no coração, mas também sintam-se dentro do seu Sagrado Coração!
Jesus Cristo é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, cem por cento Deus e cem por cento homem, Nasceu de Maria sempre Virgem. Viveu trinta anos de sua vida em Nazaré, lugarejo pequeno, tão pequeno que fora da bíblia não é conhecido. Viveu trabalhando na carpintaria. Foi lá que Jesus aprendeu o que precisaria saber para viver aqui na Terra.
Jesus nasceu em Belém da Judéia (Sul). Foi criado no interior, como o povo da roça, em Nazaré da Galileia, ao Norte. Sua língua era o aramaico (sotaque galileu). Não pertencia ao clero do templo, não era doutor da lei, nem fariseu, nem essênio. Era leigo, pobre, não estudou como S. Paulo Apóstolo (Atos 22,3). Trabalhava como agricultor e carpinteiro (Mc 6,3; Mt 13,55). A escola de Jesus foi, principalmente, a vida em família e na comunidade. Todos rezavam muito naquele tempo, de manhã, à tarde e à noite, com três leituras básicas entremeadas de salmos, bênçãos, benditos (confira em Deuteronômio 6,4-9; 11, 13-21; Números 15,37-41).
Ao obedecer ao Pai plenamente, Jesus, que tinha a vontade divina e a vontade humana plenamente unidas, nos abriu o caminho do céu, fechado desde o pecado de Adão e Eva. É o que nos diz 1Cor 15,21, quando Paulo fala que por um só homem (Adão) veio o mal ao mundo, por um só homem (Jesus) veio o bem, a salvação ao mundo. O motivo principal é a obediência: ao contrário de Adão e Eva, Jesus obedeceu totalmente ao Pai. Essa obediência foi total, até a morte, e morte de cruz! (Filipenses 2,6ss). Ou seja: mesmo podendo evitar o seu sofrimento e sua morte, Jesus escolheu sofrer tudo como um ser humano, obediente ao Pai como todos deveríamos ser.
Se obedecermos a Deus, Ele nos orientará, nos dará tudo o que for preciso para sermos felizes e, caso nos permita algum sofrimento, nos dará a força necessária para vencê-lo ou suportá-lo até que fiquemos livres.
Temos muito desejo de felicidade, mas às vezes nos esquecemos de que a felicidade verdadeira só a conseguiremos no céu, na vida eterna, onde “Nenhuma impureza, nenhuma abominação entrará” (Apocalipse 21,27).
Gosto muito de fazer uma comparação para entendermos a eternidade: Se uma só destas letras deste blog for os 90 anos que uma pessoa vai viver aqui na terra, todas as demais, do site (blog) todo, de todos os bilhões de blogs e sites que existe, serão, cada uma dessas letras todas, 90 anos que a gente vai viver lá no céu. Multiplique 90 pelos quinquilhões de letras que estão na internet, e assim mesmo não vai dar nem mesmo um por cento da eternidade que vamos viver no céu.
Para obtermos isso, Jesus pede que lhe sejamos fiéis nestes 90 anos, nesta “letrinha” que temos que viver agora. Vale a pena, portanto, aceitarmos os sofrimentos, problemas, empenho e lutas para sermos santos, para agradarmos a Deus, seguirmos os seus ensinamentos, pois isso vai se reverter em benefício para nós mesmos! A recompensa compensa!
É muito melhor sofrer agora para sermos santos e irmos para o céu, do que sermos felizes nestes anos terrestres, numa felicidade tão passageira e tão cheia de altos e baixos, se não seguirmos a palavra de Deus. Podemos, sim, ser felizes agora, mas sem o pecado, sem as quedas para o mal. O problema é que nem toda a felicidade que escolhemos é a que agrada a Deus e nos faz bem: o pecado, o vício, a ganância, não nos dá paz e nos levam para o sofrimento eterno.
É por isso que Deus nos permite o sofrimento agora, mesmo quando fazemos o bem. Diz Sabedoria 12,2: “É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”. Hebreus, 12,5-13, principalmente v. 10: “Deus nos purifica com os sofrimentos para poder nos infundir sua santidade”.
Jesus nos ensinou muitas coisas para podermos viver santamente e irmos para o paraíso. O mandamento que ele nos deixou foi o de amar a Deus e ao próximo como Ele nos ama. Disse que amamos a Deus quando amamos o próximo.
Para amarmos devemos também nos deixar amar, que é mais difícil do que amar, pois ao nos deixarmos amar, não temos o controle da ação e deixamos esse controle nas mãos de Deus, que deixamos que nos ame, e do próximo, quando deixamos que as pessoas nos amem.
Outro problema que temos é confundir “amar” com “gostar”. Jesus não pediu que “gostássemos”, mas que “amássemos”. Amar até os inimigos, ou seja, não deixar faltar-lhes nada de que necessitem, não lhes desejar ou fazer-lhes nenhum mal.
O ódio, a violência, não leva a nada. Com a paciência, tudo conseguimos; com a violência, perdemos nossa razão e até o bem que queríamos fazer acabamos transformando em mal com a nossa ira.
Apesar de ser dono de tudo o que existe, Jesus quis nascer pobre, viveu com os pobres, se alimentava na companhia deles. Ele diz em Lucas 9,58: “O Filho do Homem (ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.
Em Lucas 14,33, Ele nos convida a renunciarmos a tudo o que possuímos para sermos seus discípulos. Ele nunca nos convidaria a viver na miséria, mas nos convida a viver uma vida simples, sem tantas falsas necessidades. Algumas pessoas são chamadas a uma pobreza radical; outras, nem tanto. A Zaqueu, por exemplo, ele não pediu que desse tudo o que possuía, mas o elogiou quando Zaqueu lhe disse que ia dar metade do que tinha aos pobres e devolver quatro vezes mais o que tinha roubado; ou seja, não ia dar tudo o que possuía.
Quem tem muito dinheiro, confia só nele; quem é pobre, está livre para confiar plenamente em Deus, seu único apoio. No sermão da montanha, Jesus falou, logo no início do capítulo 5, que são felizes os pobres em espírito. Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos capacidade e oportunidade de sermos ricos, devemos viver de modo modesto.
Todos sabemos, pelos jornais e pela televisão o quanto as pessoas ricas têm problemas, cometem suicídio, morrem de overdose e coisas desse tipo. Se o dinheiro trouxesse felicidade, eles seriam felizes; a vida que levam, entretanto, mostra que são muito infelizes. Só Deus pode nos fazer felizes. Só o bem pode nos dar a paz.
Ser humilde, entretanto, não é ser tímido! Jesus morreu porque enfrentou as autoridades religiosas do tempo, que escravizavam o povo. Ser humilde é reconhecer os próprios limites e aceitá-los, reconhecendo os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando a ninguém. Isso pode ser refletido em Tiago 2,1-7; Marcos 2,15-17; Marcos 6, 37-44.
Ser humilde é não querer fazer tudo sozinho, mas sempre procurar buscar a ajuda de Deus e das pessoas capacitadas para aquela ação.
Santa Teresa de Jesus diz uma coisa belíssima quanto à humildade e à confiança em Deus: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”.
Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus, como nos conta Lucas 1,46-54. O humilde está sempre com Deus e é fortalecido por Ele.
Há vários textos da bíblia que nos levam a saber que Jesus não tinha irmãos. Chamar primos de irmãos era comum, sobretudo porque em hebraico não havia a palavra “primo”. Em grego havia, mas só foi usada uma vez, por São Paulo Apóstolo.
Eu falei muito disso no artigo sobre Maria. Se você estiver interessado(a), por favor, procure no site (no blog) esse artigo sobre a Virgem Maria.
Aqui apenas vou dar um dos melhores exemplos: Se Maria tivesse mais filhos, não se compreenderia como é que Jesus, ao morrer, deu ao Apóstolo João, como filho, a Maria, para que cuidasse d’Ela (cf João 19,26-27). E o Apóstolo João era da família de Zebedeu (cf. Mateus 4,21; 10,3; 27,56; etc). Nem sequer era parente de Jesus. Por certo, Jesus não entregaria a sua Mãe a um estranho, se Ela tivesse outros filhos.
Diz Efésios 2, 4: “Deus é rico em misericórdia!”, e quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca as desprezar e sempre perdoá-las. Tiago 2,1-26 nos diz que a fé, sem as obras, é morta: precisamos ajudar os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém. Agindo assim, no julgamento final Deus será misericordioso também para conosco.
É o que diz Mateus 25, 31-46, quando Jesus dá uma amostra simbólica de como será esse julgamento: o critério de sermos acolhidos ou não no paraíso será o que fizemos ou deixamos de fazer para com os outros. Diz também Tiago 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. Quer dizer: se exercermos a misericórdia, não iremos ser julgados. É bom lembrar que a misericórdia implica, também, a não julgarmos a ninguém. Veja Mateus 7,1-4 e 1ª Pedro 4, 8 “A misericórdia cobrirá a multidão dos pecados!
Deus criou o mundo de tal forma que nele pudéssemos viver, pois somos a obra mais importante de sua criação. Deus nos criou para que pudéssemos morar com ele no céu e gozarmos sua presença, admirarmos sua beleza, fazer-nos felizes. Para deixarmos fora nosso egoísmo e aprendermos a partilhar, ele planejou tudo de tal forma que nos tornamos seus “sócios” na criação: cada vez que uma criança é concebida, Deus cria, naquele momento, uma alma imortal e ele se torna um ser humano, com direito a viver feliz no paraíso pelo resto da eternidade.
Deus não quer obrigar-nos a estar com ele. Por isso, deu-nos o livre arbítrio, pelo qual temos a vida toda para escolhermos essa vida feliz (o paraíso) ou estarmos longe dele (o inferno). Quem morre sem ter escolhido Deus de modo pleno, mas buscou-o durante sua vida, vai para o Purgatório, até purificar-se, pois como diz o Apocalipse 21,27: “Na cidade celeste não entrará nada de imundo, nada que contamine, nada que cometa abominação e mentira”.
Muitas vezes parece-nos que Deus é incapaz de impedir o mal, o sofrimento. Parece-nos que ele não está “nem aí” conosco. Não é verdade! Mesmo quando ele não interfere, ele está “torcendo” por nós, para que superemos com heroísmo e amor aquela fase triste de nossa vida.
Ele nos deixou livres em nossa ação. Quando não impede o mal, na verdade está preservando nossa liberdade. Ele não quer ser servido por “fantoches”, mas por pessoas conscientes, de livre e espontânea vontade. Se não nos tira daquela situação, dá-nos a força e as condições para vencermos.
Em Hebreus 12,5-13, vemos todo um tratado de como Deus nos permite os sofrimentos como um meio de corrigir-nos e nos educarmos para a santidade. Ele nos permite os sofrimentos “para que possa nos infundir a sua santidade” (Hebreus 12,10).
Muitos não acreditam que Jesus é Deus, tão Deus quanto o Pai e o Espírito Santo. Há várias passagens na bíblia que falam que Jesus Cristo é Deus. Por exemplo, no 1º capítulo de João, em que revela que o Verbo (a Palavra, o Filho de Deus, Jesus) de Deus é Deus. As testemunhas de Jeová adulteraram esse trecho, acrescentando “um” e escrevem Deus com letra minúscula. A frase é falseada, ficando deste modo: “E a Palavra era [um] deus”.
Também nas cartas paulinas, quando menciona Jesus, Paulo o chama Kyrios, Senhor, que, em grego, significa o Senhor que ressuscitou, está no céu, e representa em grego as palavras Javé (ou Jeová) e Adonai, que é como no Antigo Testamento chamavam a Deus. Veja Romanos 10,9: “Se confessares (...) que Jesus é o Senhor”.
Romanos 9,5:- “Descende o Cristo (...) que é, acima de tudo, Deus bendito pelos séculos”.
Tito 2,13: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e debaixo da erra” (dobrar os joelhos significa adorar).
Colos 2,9_ (Em Cristo)”habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.
2Cor 13,13: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”.
Jesus é 100% homem e 100% Deus, mas como homem precisou aprender tudo como nós. Ele não “ensinava” aos doutores, como muitos dizem, mas os ouvia e perguntava coisas a eles, querendo assim aprender tudo o que pudesse.
Esta é a frase dita por Jesus em João 10,18: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho o poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai”.
Jesus sempre foi 100% Deus e 100% homem. Ele sempre teve tudo sobre controle. Ele deu a vida porque quis! Tinha poder de não se deixar prender, se quisesse. Um homem que caminhou sobre um mar revolto, que ressuscitou várias pessoas, como Lázaro, o filho da viúva de Nain, a menina, que curou cegos, paralíticos, surdos-mudos, que perdoou a tantos pecadores, não teria ele o poder de livrar-se dos que o queriam matar?
Aliás, várias vezes ele escapou de mãos que já o haviam agarrado para matá-lo, como naquela vez em que o levaram ao mais alto do templo para atirá-lo de lá para baixo.
Jesus tinha todos “em suas mãos”, sob seu poder. Não era um fantoche, ou um boneco, ou um homem que parecesse estar perdido, sem saber o que fazer: ele sabia perfeitamente o que estava fazendo. Seu objetivo principal era obedecer ao Pai, vivendo sua vida humana na mais perfeita obediência, o que significava viver o mais perfeitamente possível a vida humana, com todas as suas limitações, abdicando, como diz Filipenses 6, ao seu poder divino enquanto vivesse aqui na terra.
Ele usou seu poder nos outros, mas não em si mesmo.
É isso que torna valiosa sua morte: ele a enfrentou livremente, para nos ensinar a obediência, para nos salvar. Ele fez o contrário dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, que desobedeceram frontalmente a Deus.
Nossa ignorância é tanta a seu respeito, que acho que Ele ri de nós ao ver o quanto desconhecemos de sua atuação em sua vida terrena! Ele nunca deixou de ser Deus. Ele só podia morrer por nós se deixasse que o matassem. E após sua morte, ressuscitou, e está gloriosamente reinante à direita do Pai.
“Eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,14). Qual é a intensidade desse conhecimento que Jesus exige de nós? Um conhecimento superficial? Um conhecimento como a gente se conhece um ao outro? Não! Jesus pede que suas ovelhas O conheçam “Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”.
Pergunto: será que nós conhecemos Jesus, o Bom Pastor, com tanta plenitude quanto o Pai o conhece e Ele conhece o Pai? Sei que para nós isso é impossível, mas não para Jesus. Para Ele, tudo é possível. Só estou dizendo isto porque muitos dizem que O conhece plenamente. É importante que saibamos que ainda não O conhecemos como o Pai O conhece, e é com essa plenitude de conhecimento que Jesus quer que o conheçamos: “Conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.”
Pedido semelhante ele faz em relação à união e ao amor: “Pai Santo(...) que eles sejam um, assim como nós somos um” (Jo 17,11). Quando chegaremos a ser unidos entre nós da mesma forma, com a mesma união que as pessoas da Santíssima Trindade são unidas? Quanto ainda nos fala para isso? Mas é justamente esse nível de amor e união que Jesus pede de nós!
“É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente” (Jo 10,17). Ou seja: Deus ama Jesus porque Ele faz sua plena vontade. Quanto mais fizermos a vontade de Deus, mais seremos capazes de perceber o Seu amor por nós. E receberemos nossa vida novamente já aqui na terra, ao vivermos na paz celeste depois de termos “dado a vida” espiritualmente, aos irmãos, para cumprirmos a vontade do Pai, e no céu, após a nossa morte material.
Em João 14 vemos várias vezes como o Pai nos ama se fizermos sua vontade, pois como Jesus disse, “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15,10)
Jesus é nosso Pastor e nos conhece plenamente, como Ele conhece o Pai. Se Ele tinha seu poder divino, mesmo ainda estando aqui na terra, quanto mais agora, que ressuscitou!
Em 1ª Samuel 16,7, quando Samuel se indignou por ter Deus escolhido como rei um fracote, Davi, ele recebeu esta resposta: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.
Amigos (as)! Se nós, pobres mortais, muitas vezes, ao ver pessoas não-amadas ou que nunca receberam um carinho materno ou/e paterno fazerem certas maldades, nos condoermos, em vez de odiá-las, quanto mais Deus, que olha os corações e não o exterior!
Fiquemos em paz! Confiemos nele! Ele sabe e conhece o nosso passado! Deus nos conhece muito mais do que nós nos conhecemos. Ele sabe que algumas coisas que fazemos são decorrentes de uma infância perturbada, massacrada, abandonada. E isso vai entrar em sua defesa no julgamento!
Jesus nos compreende, nos ama e nos acolhe com muito amor, sejamos nós quem sejamos. Ele quer, é certo, que nós o conheçamos como Ele nos conhece. Mas, enquanto isso não acontece, despojemo-nos de nós próprios e nos coloquemos junto a Ele! Desvistamo-nos de nossa arrogância, de nossa autossuficiência, de nossa vaidade, e coloquemo-nos confiantes em seus braços, como ovelhas sem defesa, porque, como diz Pedro 5,7, “Lançai sobre o Senhor todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós!”.
São histórias que Jesus usava para ensinar o caminho da salvação ao povo. Há dois tipos: a parábola, propriamente dita, que tem um sentido geral, ou seja, não perguntamos o que significa parte por parte, mas procuramos perceber o sentido geral do texto e a alegoria, em que cada elemento tem sua significação.
Por exemplo: a parábola do administrador infiel (Lucas 16,1-10). Nela não podemos fazer comparações. O sentido é geral. Quanto à alegoria da vinha abandonada (Lucas 20,9-19), cada parte significa uma coisa: a vinha é o povo de Deus. Os lavradores seriam os dirigentes do povo, como sacerdotes e escribas. Os servos enviados pelo dono da vinha são os profetas. O filho do dono da vinha é o próprio Jesus.
A chamada parábola do semeador, como está na bíblia é uma alegoria (Mateus 13,1-23): cada local em que a semente cai significa uma coisa.
É muito proveitoso lermos e meditarmos as parábolas. Elas nos ensinam muitas coisas boas: o perdão, a confiança em Deus, a humildade, a escolha da pobreza e a simplicidade diante da riqueza da graça de Deus, a insistência na oração, a misericórdia, a caridade, a alegria pelo encontro do Reino de Deus...
Parábolas eram histórias que Jesus usava para ensinar o caminho da salvação ao povo. Os judeus não eram filósofos como os gregos e, em vez de definições (de que os gregos tanto gostavam), usavam as parábolas, as histórias. Por exemplo: os gregos diriam “ A persistência é coroada com a vitória”. Para dizer a mesma coisa, os judeus contariam talvez a história de uma queda d'água que faria um furo na rocha se caísse no mesmo lugar por muitos anos. É o que a gente conhece com “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Nós já falamos a definição pronta; eles contariam uma história para chegarmos à mesma conclusão.
Há dois tipos: a parábola, propriamente dita, que tem um sentido geral, ou seja, não perguntamos o que significa parte por parte, mas procuramos perceber o sentido geral do texto e a alegoria, em que cada elemento tem sua significação. Por exemplo: a parábola do administrador infiel (Lucas 16,1-10). Nela não podemos fazer comparações. O sentido é geral. Quanto à alegoria da vinha abandonada (Lucas 20,9-19), cada parte significa uma coisa: a vinha é o povo de Deus. Os lavradores seriam os dirigentes do povo, como sacerdotes e escribas. Os servos enviados pelo dono da vinha são os profetas. O filho do dono da vinha é o próprio Jesus.
A chamada parábola do semeador, como está na bíblia, é uma alegoria (Mateus 13,1-23): cada local em que a semente cai significa uma coisa.
É muito proveitoso lermos e meditarmos as parábolas. Elas nos ensinam muitas coisas boas: o perdão, a confiança em Deus, a humildade, a escolha da pobreza e a simplicidade diante da riqueza da graça de Deus, a insistência na oração, a misericórdia, a caridade, a alegria pelo encontro do Reino de Deus...
No site e no blog há uma explicação de cada parábola e por isso não vou repetir aqui. Procure no índice: As parábolas de Jesus. Apenas vou elencar as principais:
1 – O ADMINISTRADOR INFIEL – Lc 16,1-9 :
2 – AGRICULTORES REBELDES Mt 21,33-46; Marcos 12,1-12; Lucas 20, 9-19. BANQUETE NUPCIAL: Mt 22,1-14, OS DOIS FILHOS: Mt 21,28-32.; A GRANDE CEIA:- Lucas 14,16-24; PAI DE FAMÍLIA- Mt 13,52: A ROUPA VELHA :- Mateus 9,16; Marcos 2,21; Lucas 5,36; O VINHO NOVO: Mt 9,17; Mc 2,22; Lc 5,37-39:
3 – ALIMENTO Mt 15,11:-
4 – AMIGO IMPORTUNO: Lucas 11,5-8 –JUIZ INÍQUO:- Lucas 18,1-8: A constância e a perseverança na oração.
5- AVARENTO ESTULTO :- Lucas 12, 16-21:- a CASA SOBRE A ROCHA :-Mt 7,24-27; Lucas 6.47-49;
6 – O BOM PASTOR: João 10, 1-16
7- O BOM SAMARITANO:- Lucas10,25-37:-
8 – O CISCO E A TRAVE:- Lucas 6,41-42; Mt 7,3-5:-
9- AS DEZ MINAS :- Lucas 19,11-27: a FIGUEIRA ESTÉRIL:- Lc 13,6-9, os TALENTOS – Mateus 25,14-30;
10 – AS DEZ VIRGENS: Mt 25,1-13:-
11- OS DOIS DEVEDORES: Lucas 7,41-42
12 – EMPREGADO CRUEL ( OS 10 MIL TALENTOS): Mt 18,23-35
13- EMPREGADOS INÚTEIS – Lc 17,7-10:-
14- EMPREGADOS VIGILANTES:- Mt 24, 42-51; Lucas 12,35-48:-
15- O FARISEU E O PUBLICANO: - Lucas 18,9-14:-
16- FERMENTO:- Mt 13,33- Também assim deve ser entendido O GRÃO DE MOSTARDA: - Mt 13,31-32; Mc 4,30; Lucas 13,18.; SEMENTEIRA:- Mc 4,26-29;
17- FILHO PRÓDIGO: Lucas 15, 11-32:-
18 – O GRÃO DE TRIGO:- João 12,24:-
19- O JOIO E O TRIGO- Mt 12,24-43:- Assim também deve ser entendida a REDE:- Mt 13,47-50
20- LÂMPADA:- Mt 5,15; Marcos 4,21; Lucas 8,116: 11,33-36:- Assim também deve ser entendida a parábola do SAL:- Mateus 5,13; Marcos 9,49-50.
21- MEDIDA- Mc 4,24; Lc 6,38
22 – MOEDA PERDIDA: Lc 15,8-10. Assim também deve ser entendida a PEDRA PRECIOSA Mt 13,45-46: O TESOURO ESCONDIDO:- Mateus 13,44\;
23- OVELHA PERDIDA: Mt 18,12-13. Lucas 15,1-7.
24- O REI QUE VAI À GUERRA:- Lucas 114,31-33 e A TORRE:- Lucas 14,28-30:-
25- O RICO AVARENTO E LÁZARO – Lucas 16,19-31:-
26 – O SEMEADOR :– Mateus 13, 1-23; Marcos 4, 3-14; Lucas 8,4-15
27 – TRABALHADORES DA VINHA:- Mateus 20,1-16:-
28 – A VIDEIRA E OS RAMOS :- João 15,1-8
Jesus fez e ainda faz muitos milagres, que, segundo o Frei Carlos Mesters, são “amostras grátis do Reino de Deus”.
Muitos buscam os milagres só pensando em suas vidas materiais, sem se preocuparem com uma verdadeira conversão. Na bíblia vemos a importância da conversão anexada ao milagre feito por Jesus.
Se pedirmos a proteção de Deus, estamos permitindo que Ele nos ajude e interfira na nossa vida. É o que diz o Apocalipse 3,20: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, eu entrarei e cearei com ele”. Ou seja: Jesus está à nossa porta, à porta de nossa vida, esperando que lhe abramos o coração para que ele possa agir e nos ajudar. O maior milagre de Jesus foi sua ressurreição (veja Mateus 12,29-40).
As graças que devemos pedir a Deus devem ser baseadas na nossa conversão, numa vida mais autêntica de cristãos. Peçamos a Deus que nos livre do pecado, que nos fortaleça para não pecarmos, para não O abandonarmos, para fazermos sua santa vontade, se ela não for a de nossa cura. Jesus ficava triste quando via que a população o seguia apenas pelos milagres, principalmente depois da multiplicação dos pães. Veja por exemplo João 6, 26; “Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes e ficastes saciados. Esforçai-vos por obter não o alimento que desaparece com o uso, mas sim o alimento imperecível, que proporciona a vida eterna, e que vos será dado pelo Filho do homem, pois foi nele que Deus Pai imprimiu seu selo”. Eis palavras que deveríamos meditar profundamente!
Na verdade, qualquer pessoa pode ser o canal da graça de Deus, apesar dele poder fazer o que bem Ele quiser, e não precisar de intermediários. O perigo que vejo, atualmente, é a busca obsessiva de milagres. Vejam esses programas de televisão de várias Igrejas, mesmo da nossa, católica. Exigir de Deus o milagre é tentá-lo, como fez o demônio no deserto. Eu acho que o correto é fazer a nossa parte, procurando a medicina atual e, ao mesmo tempo, a vontade de Deus. Ele nos curará ou nos dará coragem e força para suportarmos a tal doença ou a tal contrariedade. Digamos como Tiago 4,25: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.
Outra coisa: o milagre na bíblia tem também um valor simbólico. Assim, ao curar o surdo-mudo, Jesus queria dizer que devemos ter os ouvidos abertos para ouvir sua Palavra e a boca, para proclamar o seu evangelho. Ao curar um cego, Jesus queria dizer para estarmos sempre prontos para ver sua bondade e sua misericórdia, e para vê-lo nos outros.
Quero lembrar, enfim, que as doenças não eram entendidas como tais naquele tempo, mas como possessão diabólica. Desse modo, qualquer doença que a pessoa tivesse logo achavam que ela estava com o demônio no corpo. Um exemplo disso é quando Jesus cura a sogra de Pedro. Diz lá que “a febre a deixou”, ou seja, saiu dela.
Isso significa que nem todos os que estão descritos na bíblia como endemoniados o eram de fato. A maioria era, na verdade, apenas doente, sem diabo nenhum no corpo.
Aliás, mesmo hoje em dia precisamos ter muito cuidado com as pretensas possessões diabólicas inúmeras que certas religiões mostram na televisão ou em suas igrejas. Não são, de fato, possessões diabólicas. São apenas pessoas doentes. Quem tiver a infelicidade de ver uma possessão diabólica, vai ficar traumatizado e horrorizado pelo resto da vida. Não é brincadeira. O demônio “não brinca em serviço”.
Vejam alguns dos milagres de Jesus:
Água transformada em vinho: Jo 2,1-12
Caminha sobre as águas: Mt 14,22-23;Mc 6,45-52; 6,16-21
Cego de Betsaida: Mc 8,22-26
Cego de Jericó: Mt 20,29-34; Mc 10,46-52; Lc 18,36-43
Cego de nascimento: JO 9,1-41
Cego (Os dois): Jo 9,27-31
Diversas curas: Mt 14,33-36; 15,29-32; 21,14; Mc 6,53-56
Figueira amaldiçoada: Mt 29,19;Mc 11,13
Filha da Cananeia: Mt 15,21-28; Mc7,24-30
Filha de um oficial: Jo 4,43-54
Hemorroíssa: Mt 9,20-22; Mc 5,25-34; Lc 8,43-48
Hidrópico: Lc 14,1-6
Homem da mão seca: Mt 12,9-14; Mc 3,1-5; Lc 6,6-11
Leproso: Mt 8, 1-4; Mc 1,40-45; Lc 5,12-16
Os dez leprosos: Lc 17,11-19
A moeda na boca do peixe: Mt 17,27
Mulher encurvada: Lc 13,10-17
Multiplicação dos pães: Primeira multiplicação:- Mt 14,13-21; Mc 6,33-44; Lc 9,12-17; Jo 6,1-15. Segunda multiplicação: Mt 15,32-39; Mc 8,1-10
Orelha de Malco:- Lc 22,50
Paralítico de Cafarnaum: Mt 9,1-8; Mc 2,1-12; Lc 5,17-26
Paralítico junto à piscina: Jo 5,1-16
Pesca milagrosa: Mt 4,18-22; Mc 1,16-20; Lc 5,1-11
Possesso de Cafarnaum: Mc 1,21-28; Lc 4,31-37
Possesso epilético: Mt 17,14-21; Mc 9,14-29; Lc 9,37-44
Possesso mudo: Mt 9,32-34
Possessos de Gádara: Mt 8,28-34; Mc 5,1-20; Lc 8.26-39
Ressurreição: Mt 28,2; Mc 16,1; Lc 24,1; Jo 20,1
Ressurreição da filha de Jairo: Mt 9,25; Mc 5,41; LC 8,54
Ressurreição de Lázaro: Jo 11,1-46
Ressurreição do jovem de Naim: Lc 7,11-17
Servo do Centurião: Mt 8,5-13; Lc 7,1-10
Sogra de Pedro e outros enfermos: Mt 8,14-17; Mc 1,29-34; Lc 4,38-41
Surdo-tartamudo: Mc 7,31-37
Tempestade: Mt 8,23-27; Mc 4,34-41; Lc 8,22-25
Transfiguração: Mt 17,1-13; Mc 9,1-12. Lc 9,28-36
Trevas na morte de Jesus: Mt 27,45; Mc 15,22; Lc 23,44
Muitos dos ensinamentos de Jesus estão reunidos no que chamamos “Sermão da Montanha”(Mt cap. 5,6 e 7; Lucas 6,20-49); outros, nas parábolas. A seguir coloco um resumo dos ensinamentos do Sermão da Montanha para lermos e meditarmos.
a)- FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO
Ser pobre em espírito é não se apegar aos bens materiais, por saber que Deus nunca nos abandonará. Deixar os gastos supérfluos para ajudar os pobres e necessitados. A raiz de todos os males é o dinheiro, diz S. Paulo em Timóteo 6,7-10. Quem é pobre em espírito é feliz porque é livre: não é escravo do dinheiro. Jesus foi pobre e humilde e foi o homem mais feliz que existiu.
b)- FELIZES OS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO
Jesus é manso e humilde de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,29) e quer que todos nós também sejamos assim. Ser humilde não é ser tímido, mas conhecer nossos limites e fraquezas e aceitá-los. É reconhecer os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando ninguém (Tiago 2,1-7; Mc 2,15-17 e 6,37-44). Jesus morreu justamente porque enfrentou as autoridades de seu tempo, que escravizavam o povo.
Sabemos que não somos humildes quando nos irritamos diante de alguma crítica à nossa pessoa. O humilde nunca se importará, porque se conhece e sabe se aquelas críticas são verdadeiras ou falsas e não precisa provar nada a ninguém. Perceba como ser manso e humilde nos deixa livres! A humildade nos traz o perdão de nossos pecados (Lc 18,9-14; 1Pd 5,5-7). Sendo mansos e humildes, seremos também puros de coração, que é não mentir, não ter duas caras, não usar máscaras e ser sempre sincero. Somos apenas o que somos diante de Deus, e nada mais!
c)- SEMPRE DARMOS BOM EXEMPLO
Jesus Cristo insistiu muito sobre o bom exemplo. O anúncio do Evangelho vem antes pelo testemunho que por outros meios, como diz Mc 6,7-13. Devemos não apenas proclamar, mas “gritar” o Evangelho com nossa vida, com nosso bom exemplo (Carlos de Foucauld). Desse modo, seremos o fermento da massa (Mt 13,33), o sal da terra, a luz do mundo. Isso inclui nunca julgarmos, que é o que fazemos quando julgamos que o outro fez o que fez por maldade, e nunca caluniarmos ninguém. Quantas vidas bonitas se perderam por causa da calúnia! Quando alguém é caluniado por coisas que não fez, passa a não dar mais bom exemplo, por causa do escândalo, e isso não é culpa dele (dela). Imaginem com que severidade vão ser julgados os que caluniaram!
Como acontece sempre, a vida de alguém caluniado é marcada para sempre e, faça o que faça, nunca vai ser acolhido como era antes das calúnias.
O bom exemplo de quem foi caluniado é, embora seja uma ação limitada, perdoar aos que o (a) caluniaram e recomeçar a vida como alguém que caminha num caminho de santidade. Muitos vão ver isso e sua vida passará a ser novamente um bom exemplo, embora com alcance mais limitado que anteriormente.
d)- PERDOAR SEMPRE E SEM LIMITES
Jesus diz que devemos perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava para eles, perdoar sempre (veja em Mt 18,22). Em Lc 17,4,: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás!”
Em Mt 6, 14-15 Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam. Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade. Jesus pede também para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Diz Romanos 12,19:”A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”.
e)- DEUS SEMPRE NOS PERDOA !
Se ele nos pede isso, é porque também pratica! A condição que ele põe é que peçamos perdão. Os pecados graves devem ser confessados a um sacerdote (veja Mt 16,18-19; Jo 20,22-23; Tiago 5,16). Os outros pecados, que não são graves, são perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e de caridade: “A caridade cobre a multidão de pecados (1 Pd 4,8).
O que nos proporciona também o perdão de Deus são os atos de reparação, as orações, jejuns (mesmo pequenos e abrangendo a renúncia de alimento, tevê, bebidas, pelo menos de vez em quando). Diz 1 João 1,9; “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a culpa”.
O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso acabamos não pedindo perdão. Veja 1 Jo 5,16-17; Mt 12,31-32; Hb 6,6.
f)- A MISERICÓRDIA NOSSA E A DE DEUS.
Jesus é misericordioso. Diz Ef 2,4: “Deus é rico em misericórdia”. Ele quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tg 2,15-26 diz que a fé, sem as obras, é morta: ou seja, precisamos demonstrar a nossa fé ajudando os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.(Tg 2,1-10).
Agindo assim, Deus também será misericordioso para conosco, não nos deixará faltar nada, como Jesus prometeu em Mt 6,25-25-33. No Juízo Final seremos julgados segundo a misericórdia que tivemos ou não dos que precisam dela, como diz Mt 25,31-46. Diz também Tg 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. A misericórdia implica, também, em não julgarmos a ninguém. Veja Mt 7,1-4 e 1 Pd 4,3.
g)- OS DOIS CAMINHOS
Deuteronômio 30,15-20 pede que há dois caminhos à nossa frente, para escolhermos um deles: o bem e o mal, a vida e a morte. Deus pede que escolhamos o caminho do bem, a vida.
Em Provérbios 23,26, Deus nos diz: “Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Jesus diz em Mt 7, 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque é larga a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida! E quão poucos são os que acertam com ele!”.
Santo Tomás de Aquino diz que é preferível andar devagar e mancar no caminho do bem a correr no caminho do mal.
Jesus pede em Mt 5,48 que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, e 1 Pd 1,16, que sejamos santos (ou seja, que escolhamos o caminho apertado do bem) como Deus é Santo.
Quem escolhe o caminho do bem, escolhe Jesus, estará construindo sua casa sobre a rocha (Jesus), como diz Mt 7,24-27; Lc 6,47-49, e não sobre a areia (o pecado, o egoísmo). Vento algum poderá derrubá-la.
h)- A CASTIDADE
Jesus foi contra o adultério. João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes (Mc 6,17-29). Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como pode ser lido em Mt 5,27-32; Tg 4,4; Mc 6,17-29. Em João 8,11 Jesus perdoou a mulher adúltera, mas foi bem claro quando exigiu dela que mudasse sua vida: “Vai e não peques mais”.
Este é um assunto muito difícil, principalmente num mundo tão hedonista (=que ama o prazer pelo prazer) como o de nossa época, em que o sexo é idolatrado.
É necessário não só muita vigilância e oração, mas também muita humildade para reconhecermos nossas fraquezas e limites nesse campo.
Levar uma vida casta hoje em dia é muito difícil, mas é algo muito compensador: o nosso relacionamento com Deus e com os (as) irmãos (ãs) se estrutura numa amizade sólida e forte, a paz inunda nosso ser de tal forma que nos enleva ao paraíso mesmo em vida. Passamos a ver as pessoas com outros olhos, sem aquela malícia de quem pratica esses atos indiscriminadamente.
As tentações são fortes em certas ocasiões, em certos dias, mas depois se enfraquecem e nos deixam um pouco em paz. Esses dias de paz compensam todos os dias de tentações, se as vencermos.
15-RESUMO-LEITURA COMPLEMENTAR.
No sermão da montanha de Mateus (cap. 5,6 e 7) ou no da planície de Lucas (cap. 6,20-49), Jesus aprofundou e ampliou o alcance desses 10 mandamentos. Não basta cumpri-los externamente, como se fossem um ritual, mas temos que mudar por dentro nossas atitudes. Jesus sempre criticava os escribas e fariseus justamente por causa do fato dele cumprirem uma santidade externa, apenas nos ritos, mas que não correspondia à prática da caridade. Nós, cristãos, para sermos autênticos, temos que praticar a caridade, a partilha, a oração e, sobretudo, mostrar com uma vida honesta, simples e pacífica, que realmente cremos em Deus e queremos ser discípulos de Jesus.
Eis a seguir, um resumo dos ensinamentos de Jesus no sermão da montanha de Mateus e no da planície de Lucas:
1- É mais feliz quem escolhe viver uma vida mais simples, mais pobre do que os que escolhem viver na riqueza e numa vida separada do serviço ao próximo. Dos pobres será exigido muito menos, no juízo final, que dos ricos.
2- É mais feliz quem procura resolver os problemas sociais, pessoais, familiares, comunitários, de modo pacífico, sem violência, do que os que buscam resolvê-los na ira, na guerra, na violência, na prepotência, na opressão. Os que sofrem injustiças serão julgados com menos rigor no juízo final.
3- É mais feliz quem age com misericórdia do que os que agem na base da cobrança, da crítica, os que julgam os outros. Com a medida que julgarmos, nós também seremos julgados. Julgar é pôr má intenção nos atos de alguém. Se apenas mostrarmos o erro para ser corrigido, não pecamos; pelo contrário, fazemos um ato de caridade. Por exemplo, se o meu filho quebrar um copo, vou dizer a ele simplesmente para ter mais cuidado, etc. Julgar seria dizer que ele quebrou o copo só para me irritar. Dizer isso a ele seria pecado.
4- É mais feliz o puro de coração, ou seja, quem age sem malícia, sem segundas intenções, do que os que procuram sempre usar máscaras, são “duas caras”, mentirosos, falsos. A sinceridade, ou seja, uma vida sem falsidade, atrai a misericórdia divina.
5- Desagrada a Deus quem tem o suficiente para viver bem e não ajuda os outros, ou seja, quem vive uma vida egoísta, e só pensa em si mesmo ou só na própria família.
6- Amar os inimigos é o que há de mais próprio no cristão. É o que o diferencia de todos os demais. Amar, entretanto, não significa gostar. Temos que amar (= querer o bem de) mesmo dos de que não gostamos. E como disse o papa João Paulo II, na carta do dia 01/01/2002, “o perdão não anula a justiça” ou seja, amar não é deixar impune, mas cuidar para que a pessoa tenha condições psicológicas, espirituais e físicas de mudar de vida e deixar o erro. O nosso testemunho de amor e misericórdia acaba transformando a vida do outro.
7- Tudo nesta vida passa, é passageiro. Só Deus nunca muda. (“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta – Sta. Teresa de Ávila). E Ele nos dá tudo o que for necessário para nossa vida. Não tem sentido, pois, nos apegarmos às coisas e mesmo às pessoas. O apego às coisas materiais nos traz muitas decepções, desilusões e tristeza. Viver desapegado das coisas é viver livre, sem amarras, em plena liberdade. Empreste a quem lhe pedir algo emprestado. Nunca dê esmolas ou coisa semelhante para aparecer e com segundas intenções.
8- Com as boas obras e uma vida santa, conseguiremos atingir as outras pessoas mais até do que com as palavras, como diz o Irmão Carlos de Foucauld: “Gritar o evangelho com a vida” Um bom exemplo vale mais do que mil sermões. Nós, cristãos, somos o sal da terra e a luz do mundo (= a luz refletida de Jesus).
9- Quem cumpre a vontade de Deus é recebido por Ele
10- Sem a caridade e a misericórdia não entraremos no céu. Deixemos de lado a vingança e o ódio!
11- É preciso reconciliarmo-nos com todas as pessoas, perdoar, para sermos perdoados e recebidos pelo Pai.
12- O sexo foi feito para a procriação. A força sexual, tanto masculina como feminina foi feita para sermos sempre ternos, dóceis e amigos. Não é justo a usarmos como área de lazer. Diz 1ª Coríntios 6,13b-20 que devemos fugir da fornicação, que é qualquer contato carnal fora do matrimônio ou contra a natureza. O missal comenta isso (2ºdom. Comum B, 2ª leitura), dizendo que a fornicação é má em si mesma por três razões:
Primeira – É injustiça contra Deus, a quem pertence unicamente o nosso corpo (ou seja, nós mesmos), destinado à ressurreição.
Segunda – É um sacrilégio, porque pertencemos ao Corpo Místico de Cristo, e prostituímos, com a fornicação, um membro de Cristo.
Terceira – É uma profanação, pois somos templos do Espírito Santo que habita em nós.
Desse modo, a única relação sexual permitida é a feita entre marido e mulher, e tem mais: não pode ser feita nada contra a natureza. Jesus condena o adultério (Mt 5,27-32, Tiago 4,4). João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes e foi elogiado por Jesus (Mc 6,17-29). Em João 8,11, Jesus perdoou a mulher adúltera, mas lhe disse para não mais pecar!
13- Se dissermos sempre a verdade, nunca precisaremos jurar por nada.
14- Seja nossa oração constante e confiante. Dedique mais tempo para rezar, no mínimo duas horas diárias. Reze sempre o terço.
15- Jejum só tem valor para Deus quando acompanhado da partilha e da misericórdia. Podemos fazer jejum de outras coisas que não seja alimento, como da tv, das palavras, etc.
16-Não basta a oração para não cairmos em tentação. Precisamos também VIGIAR, e sempre. Por mais que um alcoólatra reze, por exemplo, só vai deixar a bebida alcoólica se não entrar em bares e nunca tê-las em casa. “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, e o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado” (Mt 6,22).
17- Muitas vezes teremos de escolher entre fazer o bem ou o mal. Há certas companhias, certos lugares, certas festas, que, se quisermos servir a Deus, vamos ter que renunciar.
18- Quem dá do que tem, ou seja, quem partilha, pratica a caridade, ajuda, trabalha pelos outros, nunca será desamparado por Deus, nunca sentirá falta de nada. É o que chamamos “Providência Divina”
19- Deus sempre ouve nossas orações. Muitas vezes Ele não nos atende porque, em sua sabedoria divina, sabe que aquela graça iria atrapalhar nossa vida eterna em seu Reino.
20- Para não sermos iludidos pelos falsos profetas, procuremos sempre conhecer e seguir as orientações da Igreja.
21- Seguindo Jesus, ouvindo e praticando o que nos diz a Igreja, estaremos construindo a nossa casa sobre a Rocha, que é Jesus Cristo (Lc 6,47-49; Mt 7,24-27). Tempestade alguma poderá derrubá-la. Seguir os falsos profetas, as propagandas que nos fazem pecar e nos desviar do bom caminho, que põe mais fogo em nossas paixões, permanecer no nosso egoísmo, no nosso individualismo e comodismo, é como construir a casa sobre a areia, e qualquer chuvinha derruba. Quem “esculpir” a sua vida com a ferramenta divina, vai se dar bem, e sua vida nunca será destruída.
22- A gratidão foi muito percebida por Jesus. Ele criticou a gratidão de muitas pessoas e do povo. Em Lc 17,17-18, criticou a ingratidão dos leprosos que não voltaram para agradecê-lo da cura. Em Lc 19,41, chorou sobre a cidade de Jerusalém, motivado pela ingratidão de seus moradores. Em Mt 23,37-38, não só chorou sobre a cidade ingrata, mas se comparou a uma galinha choca, que puxa seus pintinhos para debaixo de suas asas. Em Mc 14,37, sente a ingratidão de Pedro por estar dormindo enquanto ele suava sangue de angústia no Getsêmani. Cuidemos para nunca sermos ingratos nem para com Deus nem para com ninguém! Nas orações diárias, agradeça sempre. Há pessoas que só pedem, pedem, e nunca agradecem!