NESTA PÁGINA HÁ ALGUNS ITENS REPETIDOS, MAS NÃO OS TIRAMOS PARA NÃO FICAR DESCONTINUADO O ASSUNTO. SÃO TEXTOS ELABORADOS EM DUAS OCASIÕES DIFERENTES
do Pe. Fernando Cardoso
Esse é o maior pecado que existe: achar que não tem pecado. É um dos pecados contra o Espírito Santo, pois, achando que não temos pecados, não estamos pedindo perdão a Deus e, consequentemente, não estamos sendo perdoados, muito menos recomeçando uma vida nova. Outro pecado contra o Espírito Santo é, mesmo achando que tem pecados, achar que Deus não o perdoará por serem muito pesados, graves. É dizer que Deus não tem poder nem misericórdia para isso. É claro que caímos, então, no mesmo tema que o anterior: ficamos sem pedir perdão.
Entretanto, muitas pessoas são sinceras quando dizem não ter pecado; não porque não os tem, mas porque não estão conscientes deles.
Diz São João em 1 João 8-10: “Se dissermos: Não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se dissermos: Não pecamos, fazemos dele um mentiroso e a sua palavra não está em nós”
No versículo 9, que pulei, ele lembra que “Se confessarmos nossos pecados, ele, que é fiel e justo, perdoará nossos pecados e nos purificará de toda injustiça”. O comentário sobre esses versículos, a Bíblia de Jerusalém diz:
“João se refere aqui a falhas passageiras, uma vez que a comunhão com Deus que suprimiu o pecado exige, por si mesma, uma vida santa e sem pecado” nota “e” do vers. 10).
Realmente vemos, em 1 João 3,6: “Todo aquele que permanece nele (em Deus) não peca. Todo aquele que peca não o viu nem o conheceu”.
E voltando ao capítulo 2, versículo 1:
“Meus filhinhos, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo.”
Normalmente, quando seguirmos a Igreja, ou seja, participamos da Santa Missa visitamos os doentes, praticamos a caridade tanto na ajuda material como no trato mútuo do dia a dia, temos misericórdia (não julgamos os outros, perdoamos as ofensas que nos fazem), frequentamos algum grupo de reflexão ou alguma irmandade, ou associação de Igreja, como Vicentinos, equipes de N. SRA., ECC, Cursilho, jovens, Promoção Humana, Legião de Maria, Comunidades de Base etc., quando lutamos contra a injustiça social, defendemos o pobre, a viúva, o doente que precisa de internação ou cuidados médicos, damos catequese, lemos a Bíblia todos os dias, rezamos pelo menos uma hora por dia, então dificilmente teremos esse pecado grave de que fala São João, corta a nossa comunhão com Deus.
Mas temos pequenas falhas diárias de que precisamos pedir perdão, para que não se transformem em pecados graves. Deus nos criou com amor infinito. Será que retribuímos esse simples fato a Ele? Se ainda não o fizemos, estamos cometendo um pecado de omissão! Mas... como retribuir um amor infinito como é o de Deus?
Nunca o conseguiremos! Por isso Jesus se fez homem: Ele pôde retribuir. Nós, então, sempre estamos em falta diante de Deus, pois não conseguimos retribuir Seu amor infinito. Temos, então, que nos unir o mais que possamos a Jesus, a fim de aproveitar sua morte reparadora e redentora no agradecimento nosso ao amor infinito de Deus. E fazemos isso amando com todas as forças o próximo como a nós mesmos, pois como diz S. João em 1Jo 4,20-21:
“Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia o seu irmão, é um mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar. E Este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus, ame também o seu irmão.”
Na verdade, amar a Deus é, antes de tudo, deixar-se amar por Ele, deixar-se levar por Ele, pois a recompensa é nossa mesmo: ao nos aproximarmos de Deus, teremos uma vida eterna de felicidade, e ele poderá ter nossa companhia no paraíso. Deus não precisa de nós. Nós é que precisamos dele. Em seu amor infinito, Ele respeita a nossa liberdade, mas deseja que todos nos salvemos e O busquemos, pois nele está a vida verdadeira.
Jesus criticava muito os fariseus porque diziam que não tinham pecado. Se dizemos que não temos pecado, como receberemos o perdão divino? Perdão do quê, se não estamos reconhecendo termos pecado, e portanto, necessidade do perdão?
Diz João 9,41:
“Se fôsseis cegos (dizia Jesus aos fariseus) não teríeis pecado; mas dizeis: Nós vemos! e por isso vosso pecado permanece.”
Nós seremos perdoados na medida em que nos reconhecermos pecadores e necessitados do perdão de Deus. Se acharmos que não temos pecado, Deus não nos perdoará, como eu já disse, não porque Ele não quer, mas porque nós não lhe pedimos nenhum perdão.
COMO DEIXAR ESSA MANIA
É simples: façamos melhor nosso exame diário de consciência e estudemos sempre a palavra de Deus e a doutrina da Igreja para percebermos melhor os pecados.
Muitas pessoas se acham fracas e se comparam a outras, que parecem ser sempre fortes e decididas. Não entendem o motivo dessa diferença: “Por que eu sou sempre fraco?
Eu digo sem sombra de dúvida: falta-nos a oração e a vigilância. Não há pessoas fortes neste mundo! Todos somos fracos, por culpa do pecado original. Não há ninguém forte. O que existe, a diferença que noto, é outra:
HÁ PESSOAS QUE REZAM E VIGIAM (e por isso são fortes)
HÁ PESSOAS QUE NÃO REZAM E NÃO VIGIAM (e por isso são fracas)
As que rezam e vigiam são fortes, as que não rezam e não vigiam são fracas. O motivo é simples: vejam o Apocalipse 3,20: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. E mais João 14,23: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos morada”.
“Se alguém ouvir a minha voz...” Ouvir a voz do Senhor, antes de tudo, é rezar. Na oração, Deus nos fala ao coração, para que pratiquemos sua palavra.
Veja Oséias 2,16: “Por isso, eis que vou, eu mesmo, seduzi-la, conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração”.
No silêncio de nossa oração, abrimos as portas de nossa vida, de nosso corpo e de nossa alma para Deus. Ele vai poder agir com liberdade em nossa vida e deixaremos de ser fracos, pois como diz S. Paulo 2ª Coríntios 12,9: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder”. Ou ainda Filipenses 4,13: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Ou ainda 1ª Colossenses 1,29: “Para isso eu me esforço e luto, sustentado pela sua poderosa energia que em mim opera”. Se esses trechos ainda não bastarem, posso lembrar o Salmo 126 (127), 1: “Se o Senhor não constrói a casa, em vão trabalham os seus construtores.“ “Se o Senhor não guarda a cidade, em vão vigiam os guardas”. Ou ainda Provérbios 3,5: “Confia no Senhor com todo o teu coração, não te fies em tua própria inteligência”.
A oração dará liberdade a jesus para agir plenamente em nossa vida e em nossa missão, como lemos em Ezequiel 11,19 ou 36,26-27: “Dar-vos-ei um coração novo, porei no vosso íntimo em espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Porei no vosso íntimo o meu espírito e farei com que andeis de acordo com as minhas leis e guardeis as minhas normas e as pratiqueis.”
Acho que não poderia ser mais clara a explicação, do que esses próprios textos o dizem: Jesus precisa do nosso SIM para entrar em nossa vida.
Deus é Todo-Poderoso! Ele poderia num instante fazer o deserto do Saara se transformar numa floresta amazônica, refazer a camada de Ozônio, criar inúmeros mundos como o nosso, fazer coisas que para nós é impossível fazer. Mas há uma coisa que Deus nunca fará, mesmo tendo possibilidade: ENTRAR EM NOSSO CORAÇÃO SEM O NOSSO CONSENTIMENTO.
Conta-se que São Januário, tendo sido colocado à morte, foi colocado no meio de um monte de lenhas para ser queimado: Deus não permitiu que o fogo lhe queimasse. Colocaram-no então no meio de leões famintos: Deus não permitiu que as feras lhe fizessem mal. O santo foi colocado, então, num cavalete para ser decapitado (ter a cabeça decepada): desta vez, Deus não interferiu e ele morreu pela espada, pois Deus NÃO INTERFERE NOS ATOS HUMANOS, MESMO QUANDO SÃO MAUS.
Para que Deus possa agir com todo o seu poder em nossa vida, temos que dar-lhe o nosso sim. A oração é o nosso convite para que Deus entre e faça conosco o que quiser. Se Ele nos pedir algo difícil, dar-nos-á também a sua força para conseguirmos. Não adianta querer tentar qualquer apostolado sem a oração.
Quanto ao modo de rezar, acho que está mais bem definido no artigo sobre esse assunto, que escrevi nas lições da catequese. Entretanto, resumindo, posso dizer que há dois tipos de oração: a oração individual e a comunitária. A individual contém a silenciosa e a vocal. A silenciosa consiste em fazermos a intenção de oração e ouvir o que Deus fala, por meio da Bíblia, de algum livro ou da natureza, ou do silêncio do seu quarto. A vocal, consiste em repetirmos algumas fórmulas lentamente e colocar nelas nosso coração, ou mesmo inventar fórmulas próprias, em orações espontâneas.
A oração comunitária consiste na reunião de duas ou mais pessoas para uma oração comum. São as Missas, Cultos da palavra, reza do terço, ladainhas, novenas, horas santas, noites de oração etc. Ela pode conter todos os elementos que já vimos na oração individual.
Quanto à posição, escolha a que for mais confortável para você, mas seria bom criar um clima de oração, como acender uma vela e colocar no seu altarzinho um vasinho de flores. Na oração comunitária, siga as orientações próprias para aquele tipo de oração. Jesus passava horas e horas na oração, muitas vezes a noite toda ou parte da noite. Veja neste blog o artigo sobre a “Oração de Jesus”, no índice da catequese ou no índice das orações.
Muitas comunidades se despedaçam e, quando não morrem, também não vão adiante, por causa da falta de misericórdia entre os seus membros. Jesus disse em Mateus 7,1-2: “Não julgueis (os outros) para não serdes julgados (por Deus). Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos”. Ou em Lucas 6,36-38: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai e vos será perdoado. Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também”.
O julgamento nosso e dos demais pertencem a Deus. Ele, que vê o mais profundo de nosso coração, tem a condição de nos julgar. Nós, porém, não enxergamos um palmo diante do nariz: como poderemos julgar?
Por outro lado, diz Tiago 2,13: “A misericórdia triunfa sobre o julgamento”; ou seja, se formos misericordiosos, seremos também julgados com misericórdia, e os pecados que cometemos por fraqueza serão esquecidos.
Vemos, entretanto, que em nossas comunidades há muito julgamento mútuo. Muitos de nós achamos que os outros são errados e nós, os certos. Sempre certas pessoas estão prontas para julgar, mas nunca se colocam nesse julgamento.
Muitos agem até com boa intenção: veem alguma coisa errada na comunidade e se acham no direito de santificar e conduzir a comunidade. Mas aí criticam todo mundo, estão sempre apontando os defeitos dos outros, tornam-se pessoas intragáveis, antipáticas e, o pior de tudo, acabam mais atrapalhando que ajudando. Não somos os donos da verdade. Não podemos julgar.
Julgar os outros é colocar, nos atos deles, intenções que nunca poderíamos conhecer com certeza, pelo simples fato de que não somos Deus! Por exemplo, se eu vejo uma pessoa entrar na casa vizinha e matar a família toda. O que seria julgar, nesse caso? Seria dizer que essa pessoa vai para o inferno, e que fez isso por maldade.
O que seria não julgar? Seria dizer que a pessoa fez algo errado, e que não pode continuar solta: ou deve ir para um hospício, se estiver louca ou fora de si, ou para a cadeia, se for o caso. Nunca saberemos ao certo o porquê dessa sua atitude.
Veja bem: apontar um erro, em si, não é julgar. Dizer com que intenção foi feito o erro, isso é julgar.
Outro exemplo: se vejo um pobre e logo vou dizendo que ele é um sem-vergonha, vagabundo, estarei julgando! Quem pode saber o verdadeiro motivo pelo qual ele está levando essa vida? Sua vida poderia mudar? Talvez sim, e aí eu poderia conversar com ele e tentar convencê-lo de que deve trabalhar, e ajudá-lo a vencer os problemas que o impedem de trabalhar, isto é misericórdia, e não julgamento.
Assim também se vejo um fulano alcoólatra e eu logo vou dizendo que ele faz isso por sem-vergonhice, eu o estou julgando. Não sei por que ele bebe. Como posso dizer que ele é sem-vergonha? Serei misericordioso, entretanto, se gentilmente eu lhe disse que ele faz mal em continuar bebendo, e o ajudar a sair desse vício. Muitos são tão viciados que não têm força de lutarem contra o(s) vício(s).
Outro tipo de julgamento que acontece muito é entender mal o que o padre fala no sermão. A pessoa se ofende com o que foi dito, principalmente porque achou que o padre falou para aborrecê-la, para corrigi-la, porque não gosta dela, ou porque alguém está “fazendo a cabeça” dele, ou mesmo que o fez por maldade. Ora, às vezes o padre nem percebera que o que falou poderia ofender a alguém. Pode ser mesmo que ele nem tenha notado que a pessoa estivesse ali.
Quando muito, neste caso, a pessoa ofendida deveria ir conversar pessoalmente com o padre, expor o seu problema e pedir a sua opinião a fim de que não haja mais motivo para ofensas. Não é isso o que ocorre! Geralmente a pessoa ofendida sai falando para todos os amigos e amigas que o padre a ofendeu na missa, e o “dito fica pelo não dito”.
Deixe que Deus decida se o que aquela pessoa está fazendo é por maldade ou não, com boa ou má intenção! Simplesmente devemos ser misericordiosos, ajudarmos cristãmente para que as coisas sejam resolvidas de modo cristão, e deixemos o resto por conta de Deus.
Quando é de nossa alçada fazer alguma correção, sejamos fraternos, lembremos sempre à pessoa: “Na certa você não está percebendo o mal que está causando fazendo isso dessa maneira, mas como encarregado desse assunto, tenho por obrigação lembrá-lo (a) de que seria melhor fazer da maneira combinada, etc. etc.”.
Diz São Tomás de Aquino:
“Agimos com raiva principalmente contra aqueles que julgamos estar nos prejudicando de livre vontade”. Se tirarmos de nossa mente o pré-julgamento (=preconceito), se acharmos que a pessoa não está fazendo aquilo por maldade, apenas por ignorância ou falta de capacidade, não ficaremos com raiva dela e a perdoaremos facilmente.
Será que nós ficamos com ódio, ou condenamos ao inferno os nossos próprios filhos, quando eles fazem algo de errado? É porque sempre achamos que eles fizeram isto ou aquilo por criancice e nunca por pura maldade! Nós nos propomos, então, a educá-los para que eles nunca mais façam aquilo de maneira errada.
Ora, por que não agirmos dessa mesma maneira na comunidade? Seríamos todos felizes, viveríamos todos em paz e caminharíamos para uma sociedade melhor, mais santa.
“Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” ( Mt 5,7)
Tenho visto muitas pessoas bem-intencionadas fazerem de seu apostolado um martírio infrutífero. O motivo é bem simples: agem sozinhos, com as próprias “forças”. Coloquei entre aspas porque nossas forças, sem Deus, são fraquezas! Trabalham como doidos, mas colhem poucos frutos: não comem, não descansam, não têm sossego, acabam ficando estressados ou histéricos, pedantes, críticos, antipáticos, acabam não tratando bem os outros, e quase não aproveitam o que fazem.
Conheci uma pessoa, por exemplo, que na maior boa intenção, fazia uma reunião por zelo, mas escrevia outras coisas, para “adiantar os outros compromissos”, e acabava nem aproveitando esta, nem escrevendo bem o que preparava. Essa pessoa dizia: “Não posso desperdiçar o tempo”, quando eu lhe falava sobre isso.
E uma outra pessoa que, quando eu o visitava, sempre continuava a escrever e a preparar isto ou aquilo, como quem diz: “Você está fazendo com que eu perca meu precioso tempo! Enquanto estamos conversando, deixa-me adiantar um outro serviço”.
Quando abrimos nosso coração para Deus, como vimos na parte que fala sobre a oração, acabamos encontrando tempo para todas as outras coisas e, principalmente, para o irmão. Precisamos aprender a confiar na presença de Deus em nossa vida! Somos apenas instrumentos (e tão frágeis!) em suas mãos misericordiosas. Nada mais do que isso! Trabalhemos o quanto pudermos, mas nos lembremos de que o resultado é Deus quem provê! Lembremo-nos sempre do salmo 126 (127),2: “É inútil que madrugueis e que atraseis o vosso deitar, para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado, Deus o dá enquanto dorme!”.
E outros textos:
Mateus 6,25.33: “Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir”. “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas!”;
João 15,5-6a: “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como o ramo, e seca”.
Quando confiamos em Deus e buscamos o seu auxílio por meio de uma oração constante e prolongada, sentimos maior certeza naquilo que fazemos e tudo vai caminhando em direção a seu reino de amor.
Quem põe sua confiança em Deus, vive na paz. Faz tudo com paciência, atende bem as pessoas, não se desespera nem se afoba, pois sabe que é Deus que dirige seus passos. Se é acusado de alguma coisa, não se aborrece, pois sabe que Deus está vendo sua inocência. Se precisa organizar algum trabalho, organiza-o, mas coloca sua execução nas mãos de Deus. Prioriza o contacto fraterno com os irmãos, com as pessoas em geral, pois sabe que vai ser o instrumento nas mãos de Deus. Eu tenho um lema comigo. Não sei se está correto, mas gosto dele: “Não faça de qualquer jeito hoje, o que você poderá fazer melhor amanhã”.
Trabalhar dando prioridade mais à ação de Deus que a sua própria ação, é ir cumprindo as tarefas que nos cabe com muita calma e tranquilidade, sabendo que o resultado sempre será positivo, pois a mão de Deus está guiando a nossa.
Diz S. Paulo em 1ª Coríntios 3,6-9: “Eu plantei, Apolo (nome de um atuante na comunidade) regou, mas era Deus quem fazia crescer, Assim, aquele que planta, nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus”.
Temos confiança em Deus quando deixamos que Ele oriente e participe de nossa vida, quando deixamos que Ele nos ame. Diz o missal cotidiano, comentando o capítulo 15 de S. João, que amar a Deus não é tanto amá-lo, mas deixar-se amar por Ele; deixar que Ele nos ame.
Ser generoso é ser pobre em espírito, é ser puro de coração (Mt 5,3,8). Muitas pessoas acabam se perdendo e fazendo empobrecer espiritualmente a comunidade por causa da ganância e do “pão-durismo”.
Recebemos de Deus na medida em que damos aos outros. Deus partilhou e partilha conosco seus bens, sua vida, e quer que nós façamos o mesmo com os demais.
É incrível como muitas pessoas não percebem isso! Fecham-se em si mesmas, como se fossem ilhas, não partilham nada com ninguém, e ainda querem ser felizes!
Eu aprendi isso em casa, com meus pais. Eles sempre partilharam, sempre foram abençoados por Deus.
Algumas pessoas da comunidade chegam a provocar brigas violentas por causa do dinheiro. E nem mencionemos pessoas que às vezes lesam as comunidades com roubos do dinheiro da caixa! Ou mesmo das festas! Não percebem que serão sempre infelizes. Não confiam na Providência Divina.
Nas igrejas, muitas vezes, vemos preocupação exagerada com a parte financeira. O importante, muitas vezes, não é a convivência fraterna, mas a arrecadação financeira. Muitos adultos vivem brigando com os jovens porque, com suas brincadeiras, estão “destruindo o prédio”. Preocupam-se em conservar o prédio limpo, mesmo que com isso prejudiquem a convivência com as pessoas que se reúnem nesse prédio.
Mateus 6,33: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas (alimento, vestuário)serão acrescentadas.
Quanto aos pobres, há muito o que dizer, mas acho que muitos já falaram deles! É um trabalho muito difícil e muitas vezes frustrante. Muitos pobres foram educados naquela vida e acham que Deus lhes proverá tudo, o que é uma atitude contrária à que mencionamos no capítulo anterior. Precisamos trabalhar, fazermos o que pudermos, para que Deus nos ajude. O problema desses pobres é, portanto, cultural: já vêm de famílias ajudadas pela igreja ou por outros organismos, e não se preocupam em melhorar a própria vida.
Eu conheci muitas pessoas necessitadas que pagaram com a ingratidão a ajuda recebida. Não desanimei, não desisti. Só que agora ajudo de forma diferente, exigindo também que a pessoa mude seu caminhar, mude sua trajetória e seus valores. Eu exijo mais das pessoas ajudadas que naqueles anos 90. Muitas vezes ajudar não é dar, mas tirar. Aos viciados, por exemplo, é tirar o que lhes causa o vício, ou melhor, ensiná-los a tirar aquilo de suas vidas. Aos que foram mal-educados, ajudar é tirar as manhas e tantas coisas supérfluas que infernizam suas vidas.
Perdoar é algo diferente do que muitos pensam! Perdoar não é “deixar para lá”. Perdoar é tirar as mágoas do coração, mas isso não implica em exigirmos a conversão e a reparação da pessoa aos malefícios que causou. Dou um exemplo: uma senhora tinha uma filha que foi assassinada. Ela denunciou o assassino, que foi preso, mas era a única visita que esse assassino recebia na prisão. Ela perdoou o rapaz de ter assassinado sua filha, mas o colocou na prisão, para pensar um pouco na besteira que fizera. E o rapaz se converteu, mudou de vida, levado pelo testemunho maravilhoso de perdão dado por essa senhora.
Aos casais, por exemplo, perdoar não é necessariamente continuar vivendo juntos. Muitas vezes essa convivência é praticamente impossível, e, mesmo perdoando-se mutuamente, eles podem perceber que viverem separados é a melhor atitude a tomar. Ninguém é obrigado a viver com outra pessoa, se isso só lhe trouxer aborrecimentos.
Outro ponto a refletir, nesse assunto, é a sociedade injusta e elitista em que vivemos. Os pobres têm pouca chance, ou até nenhuma. Há o ditado: “Não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Entretanto, D. Ana Flora Andersen e o Frei Gorgulho, meus professores, sempre diziam: “De que adianta ensinar a pescar se o rio está poluído?” Ou seja: não é necessário só ensinar a pescar, mas também a despoluir o rio, ou seja, pleitear mudanças sociais radicais, a fim de que os pobres e abandonados sejam acolhidos, tenham vez na sociedade, progridam em todos os sentidos.
Jesus entrou na casa de Marta, Maria e Lázaro. Enquanto Maria acolhia o mestre, Marta se preocupava com o trabalho doméstico. Jesus, então, chamou a atenção de Marta com estas palavras: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só: Maria, com efeito, acolheu a melhor parte, que não lhe será tirada". Lucas 10,38-42.
Não devemos entender o texto no sentido de que devemos passar o dia todo rezando, mas que “poucas coisas são necessárias “para uma refeição, mas “uma só” é realmente necessária, que é acolher Jesus em nossa vida. Quando acolhemos alguém em nossa casa, atendamos bem essa pessoa.! Se estivermos fazendo algo importante e que não podemos deixar para depois, expliquemos isso à pessoa, mas atendamo-la pelo tempo que pudermos, e marquemos um outro encontro para outra hora ou dia em que ela possa ser atendida de modo melhor.
Serviço sempre haverá para ser feito, mas aquela pessoa está querendo uma palavrinha nossa, ou mesmo quer se desabafar, e talvez tenha só aquele instante! Quantas pessoas desistiram do suicídio, ou de besteiras assim, depois de um bom atendimento, de uma boa conversa!
Lembro-me de dois casos: o primeiro é de uma pessoa que estava já com a arma preparada para atirar na própria cabeça. Ligou o rádio para que o tiro não fosse escutado fora da casa, e estava tocando a música cantada pelo Raul Seixas: “Tente outra vez”. As palavras lhe calaram fundo no coração e ele desistiu de cometer suicídio. Como o cantor já havia morrido, ele entrou em contato com um parente deste, e contou o ocorrido.
O segundo, aconteceu comigo: Eu estava com minha namorada num baile realizado à tarde e, junto a um aluno que também estava com sua namorada, fomos levá-las ao ponto de ônibus (eram os anos 60 e nenhum de nós tinha carro). Na volta (ele morava perto de casa), ele foi aos poucos revelando seus problemas. Nunca me havia falado sobre eles. (Lembro que eu era jovem e ainda não tinha entrado no seminário).
Eu achava que ele não tinha problema algum, pois era O MAIS ALEGRE DA CLASSE. Em resumo: já estava com uma arma no bolso, para cometer suicídio. Falou, então, sobre seus problemas, que envolviam o pai e uma de suas irmãs. Eu conversei com ele várias horas, e ele acabou desistindo. Rezei muito por ele naquele dia, e pedi que minha mãe também rezasse. Ele se casou com essa mesma garota, e morreu de “bicho de cabeça” aos 38 anos de idade, vinte anos, portanto, depois dessa crise, e teve um casal de filhos, que hoje devem ter seus 30 anos.
Na comunidade, o acolhimento é mais importante ainda. Há pessoas que se tornam crentes ou protestantes por causa da diferença de atendimento entre as nossas comunidades e as deles!
Certos tipos de pessoas, como por exemplo os amasiados, têm o direito de serem bem atendidos na igreja. Não podem participar da Eucaristia, mas Jesus Cristo quer que a Sua mensagem de salvação seja dirigida também a eles.
Não há motivo algum para se atender mal às pessoas no meio paroquial. Não há desculpas! Mesmo quando temos que dar uma resposta negativa, pelo menos devem sair dali com a satisfação de terem sido bem atendidos. E não tenhamos preguiça de dar as explicações necessárias. Eu me arrependo muito das vezes em que não tratei bem as pessoas que me perguntavam coisas que eu achava que elas deveriam saber, como, por exemplo, horários de missas.
Um deles, a quem a secretária atendeu bem, me disse: “Como é difícil encontrar secretários bem-educados na Igreja Católica! Obrigado por você ter-me atendido bem! Eu sou de outra cidade, meus parentes daqui não vão à missa e eu não queria perdê-la! É por isso que estou perguntando o horário. Eu não perco a missa lá na minha cidade! E vejo que muitos dos que atendem o povo deveriam também mudar de vida, atender bem a todos quantos os procurarem
Esse acolhimento é o ponto forte das outras religiões e seitas. Com isso, eles têm granjeado às suas fileiras um bom número de católicos. “Sede hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurar” 1ª Pedro 4,9. Tenho a certeza de que se atendermos bem às pessoas, Deus também encontrará muito tempo para nos atender.
O pior defeito de um líder, de um dirigente, ou de pessoas que coordenam algum grupo ou serviço, é ficarem “donos” daquilo, e não abrirem mão para a participação dos demais. São os “donos de igreja”, que só causam aborrecimentos ao padre e aos demais paroquianos.
Acham que só eles trabalham, mas quando alguém se oferece para fazer o tal serviço, dizem que não é preciso. Criticam o que os outros fazem: só ele é que faz direito o trabalho. Às vezes, pegam vários trabalhos, dominando a comunidade.
Eu pessoalmente tive muitas dores de cabeça com essas e esses “abnegados” católicos que querem fazer tudo, atravancam o andamento da comunidade e não permitem que os outros tomem os seus lugares. São às vezes ciumentos e possessivos.
É preciso, caros amigos leitores, que façamos tudo de modo coparticipado, ou seja, lembremo-nos sempre que somos apenas UMA pessoa em meio a outras, que como nós, estão querendo dar suas contribuições para o crescimento do Reino de Deus.
Vamos sentir necessidade dos outros no trabalho pastoral! Planejemos nossos trabalhos com eles! Esperemos quando vemos que alguns não estão acompanhando o ritmo de trabalho. É melhor demorarmos um pouco mais na caminhada do que caminhar sozinhos!
Na bíblia há vários trechos que sugerem o trabalho comunitário coparticipado. Posso lembrar, por exemplo, Atos 2,44-46:
“Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendiam suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração”.
Apocalipse 2,2: Conheço (A Igreja em Éfeso) tua conduta, tua fadiga e tua perseverança: sei que não podes suportar os malvados: pusestes à prova os que se diziam apóstolos – e não o são – e os descobriste mentirosos”
Atos 8,18-19: “Quando Simão (o mago) viu que o Espírito Santo era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: 'dai-me também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos!'”.
Quantas pessoas por aí que dominam as comunidades com seu individualismo não estariam prontas a oferecer dinheiro para obterem poderes especiais! Assim, poderiam controlar mais ainda a situação!
Infelizmente, muitos desses donos e donas de igrejas não se tocam e não se convertem. Sempre dizem que não são assim como a gente diz, que nós os perseguimos só porque trabalham muito pela Igreja, e coisas desse tipo. Seria interessante se mudassem sua conduta e se convertessem, que aprendessem a trabalhar na base da partilha, da coparticipação, do trabalho em comum, em grupo, numa fraternidade desejada por Jesus Cristo: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí estarei”.
Achei, em 1994, e ainda acho este um ponto muito difícil de abordar, porque todos nós temos algum tipo de vício, ou de mau hábito, ou de mania. Há parentes meus que são viciados em álcool, mas eu me sinto impotente para ajudá-los. O pior problema é que não querem ajuda! Como fazer? Não sei. O que eu sei, digo a seguir:
Acho que Deus gostará muito de nós quando lutarmos para vencer os vícios e manias, mesmo que nunca o consigamos. Nesse assunto, o que importa é o desejo firme de vencer e a luta. Se não conseguirmos a vitória, Deus compreenderá. O importante é nunca desanimar, e lutar para vencer. Nunca ficarmos estatelados no chão, nunca desistirmos de caminhar. NO MEU DICIONÁRIO NÃO EXISTE A PALAVRA DESANIMAR!
Os vícios estragam as pessoas que querem trabalhar pelos outros na comunidade. Muitas vezes a pessoa é boníssima, mas tem algum vício que estraga todo o bem que ela fez. Vou comentar a respeito de alguns vícios e manias. Não estão em ordem de gravidade, mas na ordem em que apareceram em minha cabeça, lá nos anos 90.
É um vício aceito pela sociedade, mas muitas vezes faz mal à pessoa, e nesse caso, é pecado fumar. Você que tem problemas por causa do fumo, tem a obrigação moral de deixar de fumar, pois pode ser que para você seja um lento suicídio. Só não é pecado grave porque quem fuma está viciado e não controla suficientemente seus impulsos.
As regras básicas para quem quiser deixar de fumar são estas (conselhos da Igreja Adventista):
1- Pegue vários tocos de cigarros e ferva numa lata. A cada manhã, em jejum, cheire o caldo obtido.
2- Tome três banhos por dia e lave todas as suas roupas, no dia em que parou de fumar.
3- Não tome café, não coma pimenta nem coisas muito temperadas, enquanto estiver deixando o vício.
4- Chupe balas de menta. Isso substitui o hábito de fumar quando não há o que fazer.
5- Não ponha cigarro algum na boca, e tome chá de erva cidreira (capim santo) até durante o dia todo, se quiser.
Eu li numa revista, acho que “Saúde”, que temos um hormônio que nos dá paz e conforto internos. Quando começamos a fumar, o corpo pára de fabricar esse hormônio, que é substituído pela nicotina. Quando deixamos de fumar, nem o corpo nem nós estamos provendo-nos desse hormônio, e é por isso que ficamos desesperados. Tão logo o corpo perceba que não está sendo mais ingerida a nicotina, o que demora no mínimo uma semana, recomeça a fabricar o tal hormônio, e tudo volta ao normal. Essa semana é muito importante e dolorida para o fumante. Se conseguir vencê-la, tudo se torna mais fácil. É por isso que não pára de fumar quem diminui aos poucos. Ou se deixa de uma vez, ou nunca se deixa. É por causa desse hormônio. Logo que o ex-fumante fuma um só cigarro, o corpo imediatamente pára de fabricar o dito cujo, e a pessoa recomeça a fumar.
Quando a pessoa não consegue controlar a bebida alcoólica, deve deixá-la de uma vez. Como no cigarro, essas pessoas que têm tendência ao alcoolismo não podem nem experimentar nada de álcool, e isso é por toda a vida. As que não têm tendência e conseguem controlar a quantidade de bebida ingerida, não precisam se preocupar, a não ser que comecem a exagerar nas doses.
A bebida estraga qualquer pessoa, e estraga mesmo! Os que sentem tendência para isso precisam rezar, lutar e até se espernear para deixá-la.
COMO DEIXAR DE BEBER
1- Deixe de beber qualquer bebida alcoólica, nem remédios que tenham álcool em sua composição, como certos fortificantes.
2- Vá a um médico e fale-lhe do problema. Ele vai lhe receitar alguns tipos de vitaminas que ajudarão a recuperar suas forças e a deixar de beber. Ele talvez receite também um remédio calmante.
3- Tome chá de erva cidreira (capim santo), que acalma bastante e não é psicotrópico
4- Não ponha nenhum produto que contenha álcool na pele, como loção após barba, desodorantes com álcool , água de colônia, perfumes baseados em álcool. Para desinfetar a pele após a barba, use salmoura ou algum creme que não contenha álcool.
5- Não coma salada com vinagre, mas só use limão. O vinagre contém álcool. Cuidado com as maioneses compradas. Muitas são feitas com vinagre.
6- Não chupe balas nem coma bolos feitos à base de rum ou licores.
7- Pratique algum esporte ou faça alguma caminhada diariamente.
8- Quando vier a vontade de beber bebidas alcoólicas, tome algum refrigerante ou coma um doce, ou beba pelo menos dois copos de água.
9- Coma pelo menos um dente de alho por dia, ou faça chá de alho pela manhã em jejum, antes do café. Se for cardíaco, consulte antes um médico.
10- Procure e frequente o AA mais próximo de você, ou procure algum outro grupo de alcoólicos abstêmios.
11- Sobretudo, peça a Deus que interfira em sua vida e o ajude a parar de beber. Você é a única pessoa neste e no outro mundo que pode fazer isso. Nem Deus faz isso sem seu consentimento. Coloque-se em suas mãos de Pai misericordioso.
O uso das drogas, seja do jeito que for, só traz aborrecimentos, prejuízos e até a morte. Para esse tipo de vício não há como se tratar em particular: procure um médico especialista ou uma casa de recuperação.
COMO DEIXAR
1- Procure um grupo de recuperação. Há sempre pelo menos um em cada cidade.
2- Aos pais dos drogados: há dois modos de lidar com isso, mas seria preciso consultar os grupos especializados em familiares dos dependentes químicos. Um desses métodos é o amor-exigente: os filhos que não querem seguir as normas da casa, devem ir morar em outro lugar. É um método drástico, e se for empregado, os que dele participam devem ter muito cuidado para a coisa não ficar pior.
O outro método é baseado na compreensão, carinho, amor. A brutalidade, violência e xingação não vão surtir efeito algum e até podem levar o que se droga a ir mais ao fundo do poço. Tente conversar com ele (ela) numa boa, não só como pai/mãe, mas também como amigo/amiga. Esse carinho, entretanto, deve ser exigente e firme. Tenha cuidado para não entrar nas mentiras do dependente químico, nem em suas chantagens afetivas. Para curar, o remédio às vezes é amargo!
3- Pratique esportes, ou pelo menos, caminhadas longas.
4- Chás naturais calmantes, como a erva-cidreira (capim santo)
5- Nunca fique sem fazer alguma coisa. Ocupe-se sempre, mesmo quando estiver de folga O descanso é mudar de atividade.
6- Não frequente amigos que se drogam. Forças negativas, quando se soma, só dão positivo em matemática: na vida real, não fazem mais do que aumentar a carga negativa. É preciso uma força positiva que neutralize a negatividade.
7- Leia bastante livros bons. Muitas pessoas, no mundo todo, se converteram a partir da leitura de bons livros.
8- Reze. A oração é a única forma de darmos liberdade para que Deus entre em nossa vida.
A Igreja Católica diz que o único modo permitido de um relacionamento sexual é o exercido dentro de um casamento verdadeiro, entre um homem e uma mulher. Tudo o que estiver fora desse parâmetro não é permitido. A bíblia, sobretudo o Novo Testamento, principalmente as cartas de São Paulo, confirmam essa atitude da Igreja.
A castidade é sempre possível e desejável por Deus, tanto fora como dentro do casamento. Fora do casamento, deve haver castidade plena. Dentro do casamento, a castidade se refere principalmente em não se manter relações sexuais contra a natureza.
A masturbação é um vício que pode ser vencido sem dano algum para a saúde. O método mais prático é diminuindo aos poucos. Sem esse vício, a pessoa fica mais livre, mais leve, tanto física como espiritualmente, e dá-se mais à oração e às coisas divinas. O corpo compensa a continência, nos homens, com a polução noturna involuntária. Se você não sabe o que é isso, procure na internet, por favor.
O adultério é bastante condenado na bíblia. São João Batista morreu por denunciar o adultério de Herodes com Herodíades.
O homossexualismo, mesmo quando não deixa a pessoa, pode ser vencido e controlado com a oração, o hobby sadio, o trabalho, os esportes sem contato físico com outros. Dificilmente uma pessoa homossexual deixa a tendência. Mas a prática homossexual, com a graça de Deus, pode, sim, ser vencida, com a oração e a vigilância.
Podemos buscar a castidade na vigilância, na oração e, principalmente, não recalcando os problemas, os traumas e coisas desse tipo. A maior causa de recaídas nesse campo são os recalques.
O que é um recalque? Explico: quando você empurra uma bola, ela tende a pular para fora com a mesma intensidade com que você a empurrou. Assim os nossos pensamentos: quanto mais os recalcamos, mais fortes ficam. Desse modo, se um diabético vê um doce, ele recalca o desejo de dizer que o doce não presta, está estragado, engorda, ou coisa desse tipo. Se fosse história em quadrinhos, no quadrinho seguinte ele estaria comendo o doce todo.
Nessa história do diabético, ele não estará recalcando se reconhecer que não pode comer doces, apesar de estar uma delícia, pois faz mal à sua saúde. Vai, então, fazer uma gelatina diet e conseguirá vencer a vontade de comer o tal doce.
Aplique isso a qualquer pensamento que você está querendo que saia de sua cabeça: em vez de enfrentá-lo, SUBSTITUA-O por outros pensamentos, por alguma conta de cabeça, como por exemplo, quanto é 230 mais 163. Naturalmente o pensamento indesejável vai deixando você em paz.
O maior problema nesse assunto é que é difícil não querer ter o pensamento. Eles deleitam a mente e nos torna fracos para querer que eles nos deixem.
Se você está querendo deixar um relacionamento sexual com alguém, a única forma de vencer isso é não mais encontrar esse alguém, até que a atração diminua de força. Se isso não for possível, não fique sozinho (a) com ele (ela) nem por um só momento. Ninguém é forte nesse assunto. Todos somos fracos, dependendo da pessoa com quem estivermos.
A oração, a vigilância e o jejum (de alimentos e de outras coisas, como a televisão) são armas poderosas para vencermos essas tentações.
Este é um outro vício que requer orientação médica. Geralmente as pessoas culpam sua gordura à gula. Entretanto, a própria gula já é efeito de uma causa, como a ansiedade, o nervosismo, a frustração...
Para acabar com a gula, além da orientação médica, a pessoa precisa também de uma orientação psicológica para vencer o estado de ansiedade e angústia. Muitas vezes a prática em si da religião, de modo sadio, já nos permite dominar isso.
Sinta-se filho(a) de Deus, amado sobremaneira por Ele. Ele nos perdoa, e não há por que se preocupar, sentir-se culpado (a), desprezado (a), na fossa, ou coisas assim, Deus nos ama como somos, e não como desejaríamos ser. Ele nos acolhe, seja o que quer que sintamos, qualquer problema que tivermos. Veja o que nos diz Jesus em Mateus 11,28-30: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
É bobeira nossa ficar preocupados com isto ou aquilo. Trabalhando com paciência, as coisas acabam se ajeitando, se colocarmos nossa confiança em Deus.
COMO DEIXAR
1- Procure um médico endocrinologista e um diretor espiritual. Coloque ao diretor espiritual seus problemas, seus complexos de culpa. Faça uma boa confissão.
2- Faça caminhadas diárias, contato com a natureza.
3- Tome chás naturais calmantes
4- Não fique sem fazer nada, pois isso favorece a gula. Esteja sempre ocupado(a).
5- Quando tiver vontade de comer fora de hora, tome um chá calmante natural, adoçado com adoçante dietético ou sem adoçar, ou mesmo alguns copos de água. Ajudam bastante.
6- Coma pouco, mas mais vezes ao dia, e não fuja de alguns horários que você estabelecerá para você mesmo (a). Quando quiser comer fora de horário, pense que dali a tantos minutos ou horas você irá se alimentar, e esse pensamento o (a) ajudará a esperar a hora marcada.
7- Sobretudo, procure um trabalho apostólico dentro da Igreja.
É um mau hábito muito grave, um vício medonho. A pessoa que mente acaba não acreditando em ninguém e nem em si mesmo.
Jesus Cristo gosta muito da sinceridade. Veja o que ele disse a Natanael em João 1,47 “Jesus viu Natanael vindo até ele e disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo (=fraude, má intenção).
E o mesmo Jesus criticava muito os fariseus por serem hipócritas: “Ai de vós (fariseus), porque sois como esses túmulos disfarçados, sobre os quais se pode pisar sem o saber! “(Lucas 11,44). Também Mateus 23,13-32, especialmente os vers. 27-28: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos mortos e de toda podridão: assim também vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade”.
A mentira se vence com a virtude que lhe é contrária, ou seja, a verdade.
COMO DEIXAR
1- O mais importante é a gente ser a gente mesmo, e não querer ser o que ainda não somos, o “ser ideal” que está em nossos sonhos. Assim, se somos:
-Magros, não queiramos parecer gordos
-Feios, não queiramos parecer bonitos
-Loiros, não queiramos parecer morenos
-Brancos, não queiramos parecer negros
-Negros, não queiramos parecer brancos
-Sem instrução, não queiramos parecer instruídos
-Ruim para a música, não queiramos parecer músicos
-Sem graça alguma, não queiramos parecer engraçados
-Desajeitados, não queiramos parecer certinhos
-Simples, não queiramos parecer complicados
etc.
Ou seja, se estivermos no meio de pessoas que são instruídas num determinado assunto e nos fizermos uma pergunta a que não sabemos responder, não devemos mentir para não parecermos o que não somos: simplesmente digamos que não sabemos qual é a resposta correta: “Desconheço esse assunto”. É muito melhor e faremos mais “bonito” agindo assim do que responder mal e todos perceberem que parecemos ser o que realmente não somos. Se agirmos como realmente somos, todos nos compreenderão.
Por mais sem instrução que uma pessoa seja, há muitas coisas que ela conhece dentro de seu trabalho, por exemplo. Naquilo, ninguém a supera. Ora, basta que essa pessoa seja ela mesma, sem falsidade, e contribua, na conversa, com o assunto que conhece bem.
Certa vez fui jantar na casa de uma família chique. Colocaram tantos pratos e pratinhos, tantos copos, talheres etc, que eu me vi perdido: não sabia o que deveria ser usado com o quê. Não pensei duas vezes: simplesmente falei à anfitriã: “Dona Fulana, a senhora me perdoe, mas eu não estou habituado a usar tudo isso. A senhora pode indicar-me quando e o quê devo usar?”
A senhora minha amiga riu com bondade, e disse: “Nem eu gosto disso. É que eu pensei que o senhor, que tem a mesma profissão do meu tio, fosse tão sofisticado como ele!” Conclusão: fomos todos almoçar na cozinha, com pratos e copos comuns. E ficamos amigos! De vez em quando eu aparecia por lá, e eles sempre me trataram bem, e de modo simples. Se eu quisesse bancar o “chique” teria me saído mal!
Outro caso é o de um operário inglês eleito operário do ano. Foi recebido pela rainha da Inglaterra num jantar especial. A dado momento, ele bebeu a água numa tigelinha, que ali estava para serem lavados os dedos. A rainha não titubeou: ela bebeu também a água, mesmo sabendo que não era para beber, e sim para lavar os dedos (acho que estavam servindo algo com osso, como frango, ou algum fruto marinho), e toda a “corte” fez o mesmo. Tudo isso para não deixar o pobre e simples operário sem jeito.
Não mintamos nunca! Sejamos sempre nós mesmos. É claro que, ao nos perguntarem coisas íntimas, devemos manter aquilo em segredo. Simplesmente digamos que não podemos ou não queremos falar sobre tal assunto.
Eu sempre faço assim quando me perguntam coisas sobre outras pessoas. Eu não minto, mas não falo coisa alguma. Digo coisas deste tipo: “Acho que esse assunto, você deveria perguntar diretamente à pessoa em questão”. A conversa imediatamente muda de assunto.
2- Assumamos nossa culpa quando fizermos algo de errado. Não mintamos. Se a gente quebra um copo, não digamos que não sabemos quem o quebrou, pois estaremos prejudicando pessoas inocentes.
3- Às vezes responder perguntas indiscretas com a verdade nua e crua desconcerta tanto o outro que ele não acredita na verdade. Ou então, mesmo que você não tenha feito aquilo, se você exagerar no que eles acham que é a verdade, não acreditam. Vou dar um exemplo:
Um rapaz de 12 anos às vezes urinava na cama por um distúrbio qualquer. Estava já em tratamento médico. Uma vez seus colegas tomaram coragem e chatearam com ele sobre o assunto. Ele disse, sério, sem rir ou hesitar, com a cabeça erguida: “Sim, é verdade. Eu urinei várias vezes por ano nos anos passados. E estou fazendo um tratamento para parar com isso.”
O resultado foi surpreendente! De instrumento de gozação, o fato tornou-se uma amostra de coragem e determinação, e o rapaz ficou bem cotado entre os colegas..
4- Se uma pessoa tem doença grave, incurável, nunca diga a ela. Se ela lhe perguntar sobre o assunto, se você sabe de alguma coisa, peça-lhe para perguntar ao próprio médico.
OBSERVAÇÃO:
Muitas vezes não podemos nos abrir em público, para não estragar nosso trabalho. Os religiosos de algumas ordens religiosas, por exemplo, usam um nome de consagração, diferente do nome de Batismo. Isso não quer dizer que sejam mentirosos ou falsos. Eu uso meu nome de consagração, que fiz há dez anos. Vida nova, nome novo. É o que fez Jesus com Pedro e ocorreu também com tantas outras pessoas no decorrer da história. Nesse caso, o relacionamento nosso é feito na base da confiança. Não se preocupem, por exemplo, em saber tudo da vida de quem escreve, mas reflita e faça o propósito de seguir tudo o que você achar que deve seguir, seja quem for quem escreveu.
Que temos nós para nos sentirmos vaidosos? Olhos, cabelos, boca, nariz e pernas, tudo isso nos foi dado pela genética dos nossos pais. Não temos merecimento algum nisso. Somos “produzidos” ou por nossos pais, ou pelos meios de comunicação social, ou pela sociedade em que vivemos. Se usamos roupa é porque nossa sociedade exige isso. Se o índio não a usa, é pelo mesmo motivo.
É ridículo ver mulheres de 60 ou 70 anos dizerem que têm 45 o 50, escondendo a idade. É preciso SABER ENVELHECER! Se tivermos 50,60,70, vamos agir, pensar e sentir como tal, e nunca como um jovenzinho imaturo de 20 (que, aliás, pode ter mais juízo que um de 60).
Eu não sou jovem. Sou uma pessoa idosa. Minha juventude já passou! Já era! Quero ser alegre, participar, trabalhar, conviver, mas como uma pessoa de mais de 60, e não como uma de 20 (estou achando interessante digitar isto, pois o rascunho eu o escrevi quando tinha 50, e agora já passei dos 75!).
Sei que não vou poder voar de asa delta, ou mergulhar nas Bahamas, porque, em primeiro lugar, não aprendi isso quando jovem, em segundo lugar, não tenho dinheiro para isso, e, em terceiro lugar, não tenho mais idade para iniciar esse tipo de esporte.
Você que já tem 80 anos, orgulhe-se deles! Seja uma digna pessoa de 80 anos! Mas viva sua vida, leia, pratique algum hobby, caminhe, participe da sociedade, tudo como se fosse viver até os 110 anos!
COMO PROCEDER
1-- Esteja sempre apresentável. Isso não é vaidade: é obrigação. Use os enfeites e roupas que combinem com sua idade. É ridículo e hilariante ver uma senhora ou um homem de 70 vestidos como mocinhas e mocinhos de 18! Cada idade tem seus enfeites e tipo de roupa e atrativos próprios. Eu, por exemplo, gosto muito dos meus poucos cabelos brancos!
2- Aprenda a envelhecer. Não queira ter a idade de seus filhos ou netos. Conscientize-se de que, depois dos 40, você vai precisar mais médico, vai estar mais enfraquecido (a), não vai mais estar no pique dos 20.
3- Cuide bem de sua saúde. De sua aparência também, mas sem exageros. Não queira esconder rugas, careca, barriga. Você não vai conseguir enganar a você mesmo.
ORIENTAÇÃO DE HIGIENE E SAÚDE
O(a) orientador (a) deve levar em consideração que a criança ou o adolescente ainda não tem muita estrutura para discutir os problemas sérios decorrentes da má administração dos organismos que atendem a saúde pública. Por exemplo, essas verbas que nunca bastam, quando metade dela não fica pelo caminho. Também o fato do mau atendimento por parte de pessoas estressadas que têm que atender muito mais pessoas do que seria viável nos postos e hospitais.
Eu proponho que você oriente os jovenzinhos a cuidarem da própria saúde e colaborarem para a saúde pública do modo que puderem, principalmente conservando-se numa vida de higiene, de limpeza, na alimentação, de um cuidado especial em tudo o que faz.
Em seguida a estas orientações, você poderia mostrar, sim, todos os problemas do mau atendimento da saúde para o nosso povo simples, na maioria dos lugares. Diga com palavras simples, às crianças, que não está certo o modo tão injusto como nosso povo é tratado. A saúde é um dever do Estado (do governo) e um DIREITO do cidadão.
Mesmo levando em consideração os grandes roubos e da má administração das verbas destinadas à saúde, temos, mesmo assim, pouco interesse no atendimento das pessoas, sobretudo das mais necessitadas. Muitas pessoas continuam morrendo simplesmente por falta de atendimento. Nesse assunto os ricos levam vantagem.
Acho que tanto as crianças, como principalmente os adolescentes, devem conhecer esse problema: Não é uma esmola que o governo dá quando atende gratuitamente, mas é um repasse de verbas arrecadadas pelos tremendos e pesados impostos que todos pagamos, mesmo ao comprar uma só bala. Todos, sem distinção, ricos e pobres, pagamos os impostos embutidos em tudo o que compramos. Diga isso às crianças! Nós temos o DIREITO de sermos atendidos gratuitamente e bem atendidos. Não estamos recebendo, com isso, uma esmola ou um favor. É UMA OBRIGAÇÃO DO GOVERNO.
Agora veja, aqui, uma relação de tudo o que podemos fazer no dia a dia para melhorar nossas condições de vida e de saúde, enquanto não somos bem atendidos. Isso que vou dizer é fácil de se observar, e muitas doenças provêm do fato de que não observamos esses cuidados mínimos:
1- A escovação correta dos dentes
2- O lavar as mãos após pegar qualquer coisa e depois do banheiro
3- Não andar descalço, mas quando fizer isso, lavar os pés logo que chegar em casa. Explicar que existe muitos organismos vivos nocivos à saúde que nós não vemos, mas estão lá.
4- Mastigar bem antes da alimentação.
5- Atender o que os pais dizem quanto a uma alimentação mais sadia. Nem tudo o que é gostoso é bom para o crescimento e para a saúde em geral, principalmente quando se é criança ou adolescente. As verduras, legumes e frutas não devem ser dispensados nunca. Se preciso for, pode-se aprender a fazer uma horta no fundo de casa. Isso até os mais pobres poderiam fazer.
6- Nunca jogar lixo na rua ou em qualquer lugar que não seja a lixeira. Preservar os rios, as fontes, os lugares em que existe mata etc.
7- Não deixar água parada em nenhum lugar, para que não prolifere o mosquito da dengue.
8- Não exagerar na alimentação. Comer demais nunca fez bem à saúde. Os santos que comiam pouco para fazerem penitência, são os que morreram mais idosos. Tomar muito cuidado com refrigerantes e alimentos gordurosos, como esses de saquinho (e das lanchonetes famosas), que a longo prazo, acabam com nossa saúde. Maneirar os doces. Muito doce estraga os dentes e pode provocar outras doenças.
9- Lembrá-los de que muitas doenças que aparecem na fase adulta provêm de maus hábitos na infância e adolescência.
10- O sol faz bem só de manhã e a tardezinha. Fora desse horário, faz mal à saúde, a não ser que seja por uns dez minutos, para adquirir a vitamina D.
11- Há pessoas que quase não bebem água. A água é muito necessária para nossa vida. Não a substituir por refrigerantes, que podem ser bebidos, sim, mas só de vez em quando.
12- O exercício físico faz parte de nossa vida. Quem não tem tempo ou não gosta muito de fazer ginástica, invente algo que goste, como natação ou caminhadas. A boa saúde se baseia, entre outras coisas, nesse costume regular de se caminhar ou de se fazer algum exercício físico. Mas tome cuidado para não exagerar nisso também. Há pessoas que se viciam na malhação, que, feita de modo exagerado, só prejudica.
13- Fumar, usar drogas, nem pensar!
Já tivemos a oportunidade de conversar sobre esse tipo de pessoa nos capítulos 3 e 4. Vamos aprofundar um pouco mais esse assunto:
Os “redentores”, como chamo aqui ironicamente, são aqueles que, a despeito de Jesus, do Papa, do Bispo, do Pároco, querem salvar os outros paroquianos a qualquer custo, mesmo que tenham de pisar em todos eles.
Quando há algo errado na paróquia ou na comunidade, lá vai o “redentor” tomar as dores deste ou daquele e vai tomar satisfações com a outra parte acusada. São essas pessoas que querem resolver todos os problemas da paróquia sem o padre, que é o representante do bispo ali, e tem uma visão mais completa da comunidade, e por esses dois motivos, resolveria melhor o problema, informando-se ou consultando sobre o assunto.
Os “redentores” acabam sendo o segundo pároco da paróquia, e sem provisão, autoridade e carisma para isso. Acabam sendo antipatizados por todos, e atravancam o caminhar de todos. O motivo principal é o fato de que o pároco quase nunca fica sabendo das falhas que o “redentor” procura encobrir, para não “perturbar” o padre. Na verdade, não é para não perturbar o padre que cobrem as falhas, mas sim, para poderem eles mesmos resolverem o tal ou qual problema.
COMO DEIXAR ESSA MANIA
1- Quando surgir um problema, colocá-lo no Conselho Paroquial. Até lá, não tomar providência alguma, se não for de nossa alçada.
2- Se a coisa for urgente, conversar em particular com o padre, mas ser o mais imparcial possível.
3- Lembrar-se de que não temos responsabilidade sobre o tal problema e que não temos autoridade para resolvê-lo, e muito menos a visão global necessária para isso.
4- Se a encarregada de abrir as janelas no horário de terminada missa, por exemplo, não fez isso, ofereça-se ao padre ou ao responsável por esse tipo de problemas para abri-las. Não as abra sem pedir permissão. Depois comente o assunto no conselho paroquial ou comunitário, se for o caso.
5- Precisamos aprender a confiar mais em Deus. Ele vê tudo e tem a todos nós sob a sua proteção. Não interfiramos na vida dos outros, se não formos convidados para isso. Deus age assim! Como Ele exigiria de nós outra coisa? Ele nos dá inspirações de ação, mas não entra em nossa vida sem nosso conhecimento. Faça a mesma coisa, ou seja, só interfira na vida dos outros QUANDO FOR SOLICITADO, ou com o seu testemunho de vida.
Pode acontecer também que as pessoas peçam muitas coisas para fazermos por não estarem muito “a fim” de fazê-las e estão aproveitando de nossa boa vontade. A comunidade só será eclesial, ou seja, de Igreja, se caminhar em conjunto, e não com apenas 01 ou 02 pessoas trabalhando e o resto fazendo nada.
Esse foi o lema da Campanha da Fraternidade de 1994. Vamos aqui dar apenas algumas dicas de um melhor entrosamento entre as pessoas da família.
DICAS AO ESPOSO
1- Você é considerado do “sexo forte”, mas não tenha muitas pretensões. A mulher é muito mais forte do que nós em muitas coisas, e também mais independente.
2- Não cometa abusos em relação à sua força física; respeite a fragilidade feminina.
3- Não pense que só porque você trabalha, pode fazer os outros da casa de bobos da corte, ou de escravos seus.
4- Você pode achar que é o chefe da casa, mas participe da família em condições de igualdade com os demais: você contribui com seus dotes masculinos, na mesma proporção em que a sua mulher contribui com os dotes femininos dela.
5- Dê valor ao trabalho de sua esposa. Se ela for dona de casa, dê-lhe algum domingo ou um dia de semana de folga. Você pode fazer isso levando a família a almoçar fora, ou você mesmo fazendo o almoço. Peça que os filhos o ajudem. Vai ver como é divertido (embora o almoço possa não sair assim tão apetitoso...
6- Se você confiar em sua esposa e permitir que ela trabalhe fora, confie plenamente nela. Não fique demonstrando aqueles ciuminhos infantis.
7- Respeite sua esposa quando ela não estiver muito disposta para um relacionamento mais profundo.
8- Não a traia de modo algum.
9- Se ela deu alguma ordem aos filhos, não a contrarie em frente deles! Converse com ela depois, em particular. O método mais fácil para deseducar os filhos é contrariar a esposa em frente deles.
10- Ser infiel não é só sair com outra: é também ficar todos os dias, após o serviço, ou nos domingos, no bar, no esporte, sozinho, sem a família. Você também às vezes corre o risco de trair sua esposa com uma loira: a cerveja!
11- Quando estiver nervoso, não tente resolver nenhum problema ou tomar nenhuma resolução: deixe tudo em suspenso e saia um pouco, ou ligue a TV, ou vá pentear macacos, mas não decida nada. Deixe a razão e a calma voltarem, e tudo será resolvido a contento.
12- Não bata em seus filhos e nem seja “cricri” com eles. Busque o diálogo. Seja enérgico quando você tiver que impor as suas decisões, mas sem gritar. Mostre sua autoridade na calma e na firmeza, e não na histeria. Se seu filho (a) fez algo errado, chame-lhe a atenção, mostrando onde e porque errou. Mostre-lhe as consequências de seus atos. Bater nunca resolve, além de deixar seus filhos com ódio de você. Não bater não significa ser um “pamonha”: tenha sempre a situação nas mãos.
13 -A oração, não só a particular, mas também a familiar, são muito importantes e nunca devem ser deixadas de lado.
DICAS À ESPOSA
1- Não use artimanhas e chantagem afetiva para ser atendida. Eles vão acabar percebendo isso. Seja simplesmente sincera e mostre aos outros da família o seu valor de esposa e mãe.
2- Respeite o jeitão de seu esposo. Procure conhecê-lo. Procure conhecer a psicologia masculina. Por exemplo: Você sabe que nós, homens, não gostamos de falar nada quando chegamos do serviço o de qualquer lugar? Evite perguntas, a não ser que seu esposo tome a iniciativa de manter uma conversa com você. Não insista em saber como foi o dia dele. Contente-se com o seu “Foi bom!” Mais tarde, tenho certeza de que ele mesmo contará a você o que aconteceu e se ele não fizer isso, aí, sim, você pergunta.
3- Faça com que ele participe das decisões, mesmo quando for ideia sua. Faça com que ele participe e se torne ideia dele também.
4- Nunca chame a atenção dele diante dos outros, ou das crianças. Esse é o maior erro das mulheres nas famílias que já conheci.
5- Não o contrarie diante das crianças. Se você não gostou da ordem que ele lhes deu, converse depois, em particular, com ele, sobre o assunto.
6- Deixe que seus esposos e filhos sintam-se bem em casa. Não seja exagerada na limpeza. Esse é o motivo pelo qual muitos maridos passam nos bares e nos jogos as suas horas livres: as esposas têm mania de limpeza. Se o esposo não pode ficar à vontade na sua própria casa, onde mais ficará? Por aí!
7- Confie em seu marido e não sinta aqueles ciúmes exagerados. Lembre-se de que se ele quiser traí-la, ele a trairá e você nunca o saberá, ou no mínimo demorará para saber.
8- Esteja sempre bonita para ele. Não descuide de sua aparência e sua beleza. Nós homens somos muito bobos nesse ponto e sentimos muita atração por mulheres bem arrumadas e femininas. Termine o serviço antes que ele chegue, e receba-o bonitona e cheirosa.
9- Se possível, procure tomar conhecimento de algum modo do serviço dele, ou pelo menos, no assunto que ele gosta. Ele sentirá muito prazer em discutir com você os assuntos preferidos dele, mesmo que lhe sejam de opinião contrária. Você nem imagina como isso dá certo! Por exemplo: se ele for corintiano, seja palmeirense e conheça algumas coisas do palmeiras. Ele vai adorar discutir isso com você.
10- Pegue seu marido pelo estômago. Depois de mulher e de futebol, o homem gosta de comer bem. Mas não exagere! Se você começar a fazer só o que ele gosta, vai acabar enjoando e seus filhos, assim como você, também têm os seus direitos de comerem o que gostam!
11- Uma coisa que eu nunca vou me esquecer, e que você pode muito bem fazer, é o que uma empregada minha, D. Dalila, fazia: muitas vezes eu estava atarefado corrigindo provas de alunos, fazendo a contabilidade da paróquia, e ela aparecia com uma xícara de café bem quentinho, feito na hora. Como isso me fazia bem! Já vão lá trinta e poucos anos, e não me esqueço disso! Faça isso com seu esposo, ou mesmo com algum dos filhos que estão estudando!
12- Não vou entrar em detalhes neste próximo assunto, pois é muito delicado. Espero que você entenda: o calor humano que seu esposo não encontrar em você, no relacionamento íntimo, vai ser tentado a procurar fora de casa. O homem gosta de muito carinho.
13- Se você é uma dona de casa, reserve um tempo só para você! Vá a uma igreja, ou isole-se em seu quarto, naquela hora em que seus filhos menores estão dormindo, e reze, medite, fique em silêncio absoluto, encontre-se com Deus! Reze um terço, ou leia um trecho da Bíblia! Em nosso site temos as orações com salmos das 9, 12 e 15 horas, com linguagem na primeira pessoa, que torna a oração individual mais gostosa. Reze-a!
14- Lembre-se do carinho e da dependência que seus filhos, principalmente os do sexo masculino, têm em relação a você. Dê-lhes carinho, mas nunca deixando de ser enérgica quando necessário. Quanto às suas filhas, seja amiga delas, mas esteja preparada: elas vão gostar mais do pai. É natural que isso aconteça. Não é culpa sua! Não faça competição com elas pela atenção do seu esposo! Seja aliada a elas. Não mostre ciúmes pela atenção que seu esposo lhes dá.
DICAS AOS FILHOS
1- Lembre-se de que você foi gerado(a) por seus pais por amor. Haja o que houver, saiba que eles o (a) amam mais do que tudo na vida. Nunca eles vão deixar de ser seus pais. Nunca vão fazer qualquer coisa que seja para o seu mal, mesmo que pareça ser assim. Tudo o que eles fizerem, fazem pensando no seu bem, mesmo que às vezes estejam fazendo a coisa errada!
2- Até a maioridade, você é obrigado(a) a obedecê-los. Por que não fazer isso com amor? Muitas coisas que eles lhe dizem são coisas que eles viveram. Se percebem o perigo que você corre, acredite neles! A vida nos dá uma experiência que vocês ainda não adquiriram!
3- Pode ser que em alguma orientação que eles lhe derem, algo pareça estar errado. Dialogue gentilmente com eles, fazendo-lhes ver que aquela orientação talvez esteja errada. Peça-lhes que consulte algum amigo sobre o assunto. Se seus pais forem do tipo teimoso, paciência! Faça o que puder. Pelo menos, não os desacate. Se você ouvi-los, vai evitar muitas coisas más para sua vida.
4- Às vezes você tem vontade de deixar sua casa e ir se aventurar por aí. Veja bem: esse desejo é natural nos jovens. Mas há alguns problemas: pode ser que você esteja querendo fugir dos problemas. Aí, a sua saída será uma fuga e não uma solução. Sabe por quê? Porque você vai levar você consigo mesmo. Não é possível deixar a parte má da gente em casa e ir só com a parte boa! Aonde você for, os problemas irão junto, principalmente na parte em que você era o responsável.
Outro problema é que você pode se achar preparado(a) para aventurar-se por aí, mas nem sempre está. Consulte os adultos que você conhece e que o (a) conhece. Eles conhecem melhor você de modo mais imparcial e poderão saber se você está ou não preparado(a) para sair de casa.
Outro ainda: Só saia de casa se tiver alguma coisa concreta em vista na cidade para onde vai. Eu saí de casa aos 16 anos, mas para estudar num lugar muito bom. Voltei aos 18 e aos 19 me aventurei em S. Paulo, mas já com emprego definido e uma pensão excelente para morar. Meus pais aprovaram tudo isso que fiz, e me abençoaram. Deu tudo certo e eu atendi ao meu sonho de morar sozinho, às minhas próprias custas. Então, acredite: eu sei do que estou falando. Não é fácil, atualmente, fazer uma coisa dessas.
Sair de casa foi, na verdade, a melhor coisa que me aconteceu. Se eu tivesse ficado, não sei o que seria de minha parte pessoal, pois era muito tímido, bobão, medroso. Nessa minha saída, eu “deslanchei” e passei a saber gerenciar melhor as coisas e a mim mesmo. Muitas coisas que ocorreram na minha vida adulta, não foram culpa minha, e infelizmente tive que pagar pelo erro e maldade dos outros. Se eu não tivesse me preparado bem na juventude, inclusive com essa aventura abençoada por meus pais, eu não aguentaria tudo o que estou tendo que aguentar atualmente.
5- Aprenda a controlar e a vencer os problemas aqui e agora, sejam eles quais forem. Não coloque condições. Não diga “Se”. “Se isto fosse assim, eu faria isto; se aquilo fosse assim, eu faria aquilo...” Resolva o caso agora, do jeitão que ele é, sem mudar nada. É aqui e agora que você deve mudar a situação, vencer o problema, executar os seus bons propósitos. Lutando assim, você sempre estará preparado para viver qualquer situação.
6- Procure o grupo de jovens de sua paróquia e se entrose nele! Lá, você participará de muitas conversas sobre seus problemas juvenis. E, o mais importante, encontrará Jesus Cristo em sua vida. E depois que encontrá-lo, ele nunca mais vai deixar você em paz: vai ficar sempre “no seu pé”. E como isso vai ser bom!
7- Os jovens, hoje, sofrem muitas más influências de fora: propagandas, TV, revistas, modismos etc. Essas propagandas são baseadas no que a gente chama de hedonismo, ou seja: busca do prazer pelo simples prazer. Isso é mau! O prazer foi colocado por Deus nas coisas aqui da terra tendo em vista nosso trabalho pelo seu Reino de Amor. Assim, o prazer da comida e da bebida, por exemplo, estão ligados à manutenção da vida, assim como o prazer sexual está ligado à procriação da espécie, e o prazer do lazer está ligado ao descanso necessário. E assim por diante.
Se você tirar o objetivo para o qual determinado prazer foi criado por Deus, muda seu direcionamento e se perde, fica sem objetivo, E isso vai lhe trazer angústia e insatisfação, e você vai querer praticá-lo cada vez mais, para saciar-se, mas não vai saciar-se como pensava, principalmente porque você o desvinculou de sua meta. É aí que as propagandas entram: desvirtuando aquele prazer, sabem que você vai gastar muito dinheiro para mantê-lo e que você não vai se satisfazer. Portanto, nós somos uma mina de ouro para os fabricantes.
8- Enfim, seja consciente de suas atitudes. Não seja “Maria vai com as outras”. Se for seguir alguém, não siga esses idiotas que lhe querem perder, mas siga Jesus Cristo. Tenho certeza de que você nunca vai se arrepender, nunca vai “ficar na mão”.
Se quisermos ser cristãos conscientes, nunca devemos deixar de estudar. Deixamos o estudo acadêmico, em escolas, mas temos muitas outras fontes de aperfeiçoamento do estudo bíblico, catequético, estudos das diversas ciências etc. Se você for jovem, complete seus estudos escolares, aprenda a ler, pois o que muitos jovens fazem é soletrar ou gaguejar a leitura, como a gente ouve tanto nas Missas. As pessoas se atrapalham ao ler coisas simples!
Estude bem a bíblia, a doutrina da Igreja. Neste site você encontra muita coisa para estudar e aprender em relação a Jesus Cristo e à Igreja. Se tiver condição financeira, assine alguma dessas revistas mensais! Vale a pena! Seria bom assinar uma religiosa e uma de notícias e artigos em geral.
É uma obrigação nossa desenvolvermos a capacidade de nosso corpo e de nossa alma pelo estudo constante, a fim de que Jesus Cristo tenha um material melhor em suas mãos, para santificar a comunidade e conduzi-la à realização plena do Reino de Deus.
Quanto à instrução pela televisão, tenha muito cuidado com o que vê. Não se atenha a fatos ridículos da vida mostrados por alguns canais. Siga principalmente os cursos de supletivo de primeiro e segundo graus. Se há programas maus na televisão é porque muitos gostam e dão “Ibope”! Um programa só continua no ar se é visto por um número mínimo e determinado de pessoas. Aprenda a boicotar os maus programas e a favorecer os bons. As novelas, por exemplo, são um desastre! São uma contracultura!
Se nós pararmos com os estudos, regrediremos, voltaremos para trás.
Com o estudo, aprendamos também os bons modos, a nos portar na sociedade, nas casas dos outros, na escola, nas reuniões, na natureza (não a emporcalhando nem a destruindo), e em todos os lugares. Façamos sempre nossa higiene pessoal com muito esmero. Faça um exame de consciência para perceber o que você ainda está fazendo de errado no relacionamento com outras pessoas.
Com o estudo, também, dedique uma parte de sua vida para a economia, para saber controlar seus gastos, fugir de gastar com coisas supérfluas.
Estas orientações são para todos nós, inclusive para mim. Muitas delas eu só consegui superar ou praticar depois de "apanhar" muito na vida. Só Deus sabe tudo o que tive que enfrentar para deixar várias dessas manias. Eu procurei aproveitar os percalços que Deus me permitiu para enfrentar a estrada com coragem, fé e confiança absoluta em Deus.
Acho que a principal atitude nossa é nunca desanimar. Isso é muito importante. Uma outra é pedir sempre a graça de Deus, não querer fazer tudo sozinho. Fazer sozinho é a pior besteira em que podemos cair. Nós somos fracos e não podemos nada. Só Deus pode nos fazer santos e fortes. Por isso, a oração é muito importante. Cada problema que a vida nos colocar, seja tentação ou provação, devemos vencer com a ajuda de Deus, sempre e sempre. Eu só consegui superar muitas coisas agindo desse modo.
Mesmo sofrendo as consequências dos erros do passado, podemos recomeçar uma vida nova, talvez diferente daquela à que estávamos acostumados, mas que pode ser tão boa quanto.
CONCLUSÃO DA SEÇÃO DOS VÍCIOS
1- Deus é Pai. Ele nos ama, tem-nos, todos em seu coração e sabe o que é bom para nós. Ele não nos desampara e sempre nos conduz, se o deixarmos.
2- Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como Deus nos ama.
3- Uma paróquia ou uma comunidade é uma obra de santificação. Assim, é feita por pessoas de boa vontade, mas pecadoras. É preciso muito amor, paciência e caridade cristã para que o amor de Deus surta efeito sobre ela.
4- A paróquia é conduzida pelo pároco, que é auxiliado pelo Conselho Paroquial Esse é o lugar para resolver as dúvidas e os problemas. O local certo não é nas fofocas da padaria, da feira, da cabeleireira, do barbeiro, dos bares, das esquinas. O pároco é o representante do bispo e de Jesus Cristo. Quando age de acordo com a Igreja, é o porta-voz de Deus para nós.
5- Agir contra o padre ou contra o bispo, quando falam em nome da Igreja e de Deus, não agrada a Jesus Cristo. Se estiver havendo algum problema grave, o diálogo é a melhor solução. Pode ser que, nessa “briga”, o padre ou o bispo é que estão com a razão, e só o tempo vai mostrar isso. Como ficaremos, então, se isso ocorrer? Se o padre ou o bispo não estiverem com razão, mas nós não conseguirmos captar a vontade de Deus para determinado caso, seguir as orientações dos superiores nos livra de qualquer culpa.
6- Deus é um Pai misericordioso. Sejamos misericordiosos também! Perdoemos as pessoas, que Deus também nos perdoará Diz Mt 6,14-15:
“Se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai Celeste vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos”
É bobeira nossa ficarmos remoendo maus pensamentos em nosso coração contra esta ou aquela pessoa na comunidade. A coisa se resolve por si só, se usarmos misericórdia e caridade. Tenhamos, pois, confiança em Deus!
Muito comum, principalmente nos que vivem sozinhos e ou isolados.
Para parar de fumar, lave todas as roupas que entraram em contato com a fumaça, tome quatro banhos por dia durante uma semana, pare com o café pelo menos durante aquela semana e temperos picantes. Quando der vontade de fumar, beba uns dois copos de água. Essa é a "receita" dos adventistas.
O corpo deixa de fabricar o hormônio que nos acalma, quando fumamos, e só recomeça a fabricá-lo após pelo menos uma semana sem fumar (revista Saúde).
Nessa semana, tome muito suco de maracujá natural (não serve o artificial). Se você continuar a fumar um cigarro que seja, não vai conseguir parar.
Quanto ao álcool e as drogas, só com a ajuda de outros é possível deixá-los, e talvez sejam necessários alguns medicamentos.
Não aconselho você a deixar o álcool ou as drogas sozinho (a). Procure um AA ou NA, ou alguma casa de recuperação de dependência química.
No nosso site temos um conjunto de reuniões próprias para reflexão sobre esse assunto, com os doze passos de quem quer deixar de beber.
O segredo é não experimentar o primeiro baseado, nem tomar o primeiro gole, nem fumar o primeiro cigarro.
Quem conseguir beber socialmente, não se preocupe: pode tomar algum aperitivo ou uma cerveja, ou vinho às refeições. Mas tome muito cuidado para não se viciar. Jesus tomava vinho (com álcool) e S. Paulo Apóstolo aconselha Timóteo a não tomar só água, mas um pouco de vinho, em 1ª Timóteo 5,23.
Tenha uma alimentação sadia e equilibrada. Nunca estrague nem jogue fora alimentos que ainda possam ser aproveitados. Nossa pobreza não consiste tanto em não ter nada, mas em não estragar nada e aproveitar tudo, deixando as exigências de lado.
Este é outro problema que às vezes só se consegue deixar com a ajuda de um psicólogo. Jesus exige de nós uma vida simples e pobre, se quisermos segui-lo. Libertemo-nos de nossas bugigangas!
"Não julgueis para não serdes julgados" (Mt 7,1). Não falemos mal de ninguém! Nossa Senhora falou para Jacinta que ela deveria se afastar de quem fala mal dos outros.
Quando não vermos nada de bom para falar do fulano (da fulana), digamos frases como " Não quero comentar esse assunto".
O fofoqueiro se arrepende, mas a fofoca continua fazendo estragos e acabando com a vida da "vítima".
Não podemos atirar a primeira pedra (João 8). "Não faleis mal uns dos outros, irmãos! Quem és tu para julgar o teu próximo?"(Tiago 4,11-12).
Nunca minta, nem por brincadeira. Veja o que dissemos acima sobre o conhecer-se e aceitar-se. Quem se aceita e se conhece, não mente.
Dificilmente você seria um ladrão, mas às vezes pecamos nesse assunto, quando:
- pegamos emprestado e não pagamos;
- buscamos o lucro fácil sem trabalhar
- pagamos um salário indigno para os empregados;
- deixamos de pagar as horas extras;
- não permitimos férias
- não devolvemos troco ou mercadorias que nos deram por engano;
- quando praticamos a "lei de Gerson", ou seja, de tirarmos vantagem em tudo;
- quando sujamos e não limpamos
- quando nunca pagamos a despesa nos encontros com os amigos;
- quando cortamos para nós o miolo da melancia e deixamos a casca para os demais.
- quando pegamos a melhor parte da mistura e deixamos a pelanca ou os ossos para os demais.
Diz Mateus 5,40-42: "Aquele que quer pleitear contigo para tomar-te a túnica, deixa-lhe também o manto, e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas. Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que de pede emprestado".
Os (as) testemunhas de Jesus Misericordioso devem sempre pensar nos outros e não agirem como "desesperados" na partilha do que quer que seja, sempre nos lembrando que Deus nos ajuda sempre e nunca vamos passar fome, se nele confiamos.
Romanos 12,10: "Com amor fraterno, tende carinho uns para com os outros, cada um considerando os outros como mais digno de estima". Ver também Fil 2,3-5 e Mt16,26: " Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?" Ou ainda Lucas 16,9 (granjear amigos com as riquezas desta terra).
Jogos de azar, nunca. Quando muito, algumas vezes em encontros festivos, mas sempre por brincadeira, sem apostas. Quem tiver o vício do jogo deve abandoná-lo de vez.
Não perca horas de sono! Alimente-se bem! Tire sua folga semanal e tenha um "hobby", um passatempo! A impaciência e a irritação vêm disso: sono, fome, muito trabalho.
A meditação diária é muito importante em nossa vida, assim como um tempo de silêncio, para nos mantermos na paciência, vivermos em paz.
Tratemos sempre bem os outros, como se nada mais tivéssemos o que fazer. São Francisco de Sales dizia que se a gente estiver rezando e alguém pedir nossa atenção, devemos parar de rezar e atender a pessoa.
Muitos católicos "viram" evangélicos justamente porque eles tratam melhor as pessoas e lhes dão maior atenção.
Ao atender alguém, pensemos estar atendendo o próprio Jesus! A parábola do bom samaritano nos ensina bem isso (Lucas 10,25-27): o sacerdote e o levita não pararam para ajudar o ferido porque, se o fizessem, ficariam impuros e não poderiam ir ao templo. Jesus disse que preferia a misericórdia (=atender os outros) ao sacrifício (= ir ao templo, à missa) Matgeus 9,13; 12,7). Se não pudermos atender bem tal pessoa, marquemos um outro dia, agendemos uma hora para podermos atendê-la como ela merece ser atendida!
Quem atende bem a alguém, está atendendo bem o próprio Jesus. Atenda a pessoa como você nada mais tivesse a fazer. Isso, entretanto, não impede que você seja breve, se tiver outro compromisso. Só relaxe e pare de olhar para o relógio!
Efésios 4,29-31: "Não saia de vossa boca nenhuma palavra inconveniente, mas, na hora oportuna, a que for boa para a edificação, que comunique graça aos que a ouvirem (...) Toda amargura e exaltação e cólera, e toda palavra pesada e injuriosa, assim como toda malícia, sejam afastados de entre vós"
Tiago 3,8-9: " Mas a língua, ninguém consegue dominá-la: é mal irrequieto e está cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor, nosso Pai, e com ela maldizemos os homens feitos à semelhança de Deus"
Os palavrões negativizam o ambiente em que vivemos e o maligno fica à vontade para agir. A espiritualidade acaba, assim como o clima de oração.
Nunca faça ninguém de bobo, nem humilhe a ninguém, nem faça brincadeiras idiotas. Tenha muito respeito pela pessoa do outro.
Pare um pouco a internet, mesmo que seja coisa séria, e vá rezar um terço, caminhar um pouco, fazer outra coisa. Isso ajuda a não nos viciarmos. Lembre-se de que se você for aposentado(a), precisa ter um trabalho manual ou uma coisa que tome o seu tempo, a fim de não se viciar em tevê e internet.
19 de janeiro de 2012
Hoje o autor do Livro de Samuel toca uma tecla muito sensível para os tempos dele, e para os nossos também: a inveja. Saul matou mil, mas Davi matou dez mil. Assim cantavam, em coro, as jovens de Israel, diante da vitória de Davi sobre Golias.
Mas este canto não agradou a Saul. “A mim deram-me apenas mil, enquanto a este pastorzinho lhe dão dez mil?” E, a partir daí, começa uma triste história de perseguição de Davi, por parte de Saul.
Que é a inveja? A inveja é uma patologia que nos habita, e ninguém de nós se diga imune de inveja. Quando se dá a inveja? A inveja, esta patologia que nos habita, e que normalmente não vem bem tratada, manifesta-se quando alguma pessoa de nosso conhecimento nos sobressai; quando alguma pessoa de nosso círculo é elogiada, ou elevada: “porque ele e não eu? Porque ele recebe mais do que eu? Porque ele é mais considerado do que eu?” E assim começa a inveja, que corrói o coração, e lhe retira a paz e a tranquilidade, até se manifestar na forma de perseguição, que é o que acontecerá aqui, entre Davi e Saul.
Repito; é uma doença patológica, que se aninha em nossos corações. Não suportamos a superioridade dos outros; não suportamos o elogio que é dado aos outros, não suportamos que alguém seja mais importante do que eu. E, como consequência desta patologia, vem as mais diversas formas de eliminação, ou pretensão de eliminação, daquele rival.
Quem de nós nunca se tornou vítima desta doença? Quem de nós nunca sentiu inveja de alguém? Atenção; simplesmente gostar de ter uma coisa que o outro tem, não é o vício da inveja. Simplesmente gostar eu de ter um carro, ou uma casa que o outro tem, não é ainda inveja. A inveja acontece quando eu me entristeço ou, sobretudo, quando eu não tolero que ele possua, o que eu não possuo; quando eu não tolero que ele seja elogiado, e eu não. E, a partir daí, começo a olhá-lo com suspeição, ou com olhos maus, desejando, eu mesmo, a sua destruição.
Este é um pecado capital; um pecado realmente grave, que corrói o nosso interior e nos tira a paz. Examinemos a fundo, diante desta página, quantas vezes tivemos inveja, e o mal que a inveja faz a nossos corações.
Crer em Deus não é senti-lo presente, mas saber que ele está presente, mas saber que Ele está presente, mesmo que não o sintamos. Fé não é um sentimento, mas sim, "A garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem" (Hebreus 11,1).
Deus sempre está conosco. Sempre! Mas nós às vezes confundimos fé com sentimento e isso atrapalha nossa vida espiritual. Muitos santos ficaram anos sem sentir nada dentro deles, só simplesmente acreditavam. Uma dessas santas foi a madre Teresa de Calcutá!
Hebreus 12, 10 diz que Deus só nos permite o sofrimento para que nos purifiquemos e assim possamos receber sua santidade; ou seja, mesmo nos sofrimentos ele está presente, "torcendo" por nós. A felicidade verdadeira é estar com Deus. Tudo o mais é supérfluo!
Romanos 8,18ss: "Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá revelar-se em nós".
V. 23: "Nós (...) gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo. Pois nossa salvação é objeto de esperança; e ver o que se espera, não é espera. Acaso alguém espera o que se vê? E se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos"!
Ou seja: a esperança da ressurreição, de nos salvarmos, depende de nossa perseverança. Esperança e perseverança sempre andaram juntas.
Um modo de perseverarmos, além da vigilância, da oração e da caridade, é confiarmos em nossa querida Igreja Católica, deixada por Jesus, e a prática assídua, fiel e honesta dos sacramentos.
Diz o capítulo 13 da 1º carta aos coríntios que a caridade orienta todas as outras. Sem a caridade, o amor sincero, nenhuma das virtudes tem valor. Caridade não é tanto o ato, mas a intenção com que o fulano fez aquele ato. Filipenses 2,2-4 diz que precisamos sempre pensar no bem dos outros, mais do que nos nossos próprios bens.
Geralmente não percebemos como prejudicamos a convivência com outras pessoas com nosso egoísmo, narcisismo, individualismo, pedantismo, pão-durismo etc.
Havia dois amigos almoçando num certo lugar. Na travessa, um bife pequeno e um bife grande. Um deles pegou o bife grande. O outro reclamou: “ Que sem-educação! O certo seria você ter pegado o pequeno e deixado o grande para mim!” Aí o “sem-educação” respondeu: “Como você é cheio de boa educação, ia pegar o pequeno, não é mesmo? Eu só adiantei o que você iria fazer!
Muitas pessoas acham que têm direitos adquiridos em tudo o que fazem, e sempre têm uma desculpa honrosa para levarem vantagem. Muitas outras procuram compensar seu complexo de inferioridade obrigando os demais a seus caprichos e vivem dando ordens, como se realmente dominassem a situação. Muitas vezes isso é falta de segurança!
O (a) testemunha de Jesus Misericordioso precisa aprender a controlar esses “ismos” todos e viver na humildade e na caridade, agindo como se nada possuísse e como se fosse indigno de tudo.
Ser humilde é ter consciência do que se é, aceitar-se como se é. Ser humilde não é a mesma coisa que ser tímido. Humildade é virtude, ao passo que timidez é defeito!
Ser humilde é agir de acordo com as próprias qualidades e capacidades, sem querer pavonear-se das qualidades. É também reconhecer que os demais também possuem capacidades e qualidades.
Ter medo de agir, muitas vezes, é soberba, vaidade, mas não humildade. Exemplo: muitos não querem ler nas missas por vergonha de errar (ou seja, por vaidade), e não por humildade. Seria, do mesmo modo, falta de humildade querer ler a leitura da Missa para que saibam que você é bom na leitura.
Se você aceitar algum serviço ou cargo, tenha como único motivo a glória de Deus e o bem das pessoas, como diz 1ª Coríntios 10,31-33:
“Quer comais, quer bebais, quer façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”(...)”Em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”.
É preciso aprender a vigiar nossas ações pra não prejudicar o próximo no dia a dia, fazendo de tudo para viver apenas com o necessário, sem muitas exigências. Em tudo demonstramos se amamos ou não os demais: no banho (muitos demoram demais), na alimentação (muitos pegam tudo e deixam o outro sem nada), na limpeza (muitos sujam tudo e não limpam nada), na prestatividade (muitos acham que os outros são seus empregados) etc.
O cristão autêntico nunca vai querer tirar vantagem em tudo, pois a nossa única vantagem é o paraíso, a vida eterna! O resto é o resto! O restante das coisas é lixo, como diz S. Paulo em Filipenses 3,8:
“Tenho tudo como esterco, em busca do Reino de Deus” Romanos 12,3: “ Não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus proporcionou a cada um”.
Sobretudo, devemos ser humildes para com Deus, não o tentando pela falta de humildade, como pede Sabedoria 1,1-5:
“Deus se revela aos que o buscam com a simplicidade de coração, aos que não o tentam”.
Peçamos- lhe as graças com humildade, submissão, colocando-nos em suas mãos para o que ele quiser de nós, deixando-o “livre” para que ele faça conosco o que bem quiser. Lembremo-nos de que tudo o que recebermos, deixaremos aqui no dia de nossa morte, e tudo o que partilharmos, nos acompanhará à vida eterna. Acolher e respeitar nosso próximo nos abre para o acolhimento de Deus.
Tudo o que dermos a qualquer pessoa, é ao próprio Deus que estamos agradando, e Ele, que nos ama tanto, nos retribuirá. Eclesiástico 4,10 diz que tudo o que quisermos dar a Deus, demo-lo aos pobres e demais necessitados!
Temos de encontrar tempo para acolher, ouvir e conversar com quem nos procurar. Deus encontrará um “tempo” também para nós. Tenhamos misericórdia dos que erram. Ajudemo-los a se recuperarem e a recomeçarem nova vida. Deus terá também misericórdia de nós e de nossa família (Mateus 6,14-15). Diz Tiago 2,13: [
“A misericórdia triunfa sobre o juízo”.
Para vivermos em harmonia, nunca julguemos quem quer que seja, como nos pede Lucas 6,36-37: “ Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados”.
Julgar é diferente de fazer uma crítica. Julgar é colocar más intenções naquilo que a pessoa falou ou fez. Se não soubermos os motivos pelo qual o outro fez isto ou aquilo, calemo-nos! Se precisarmos admoestá-lo, pensemos bem nisto: nunca coloquemos em suas “costas” uma culpa que achamos que ele tem. Ou seja: pode ser que a pessoa fez o que fez por fraqueza, ou outro motivo qualquer, e não por maldade ou “sem-vergonhice”.
Se uma pessoa quebrar algo, por exemplo, podemos até pedir-lhe mais cuidado com aquilo; isso não é julgar. O que não podemos fazer é dizer que a pessoa fez aquilo de propósito, apenas para contrariar-nos. Isso seria julgar. Diz S. Paulo, no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios, que a caridade nunca se findará, nem no céu. Vale a pena ler o capítulo todo, para perceber até que ponto devemos amar e “deixar para lá” tantas coisas que são motivos de brigas!
Jesus resumiu os dez mandamentos em três: Amar a Deus sobre todas as coisas, amar ao próximo e amar a si mesmo. Devemos amar ao próximo na mesma medida com que nos amamos. Amar a Deus, na verdade, se realiza no amor ao próximo.
Amar significa perdoar sem medida, como diz Lucas 17,4:
“ Se o irmão pecar contra você 7 vezes no dia e 7 vezes no dia vier a você e lhe disser: arrependo-me, perdoa-lhe!”.
Entretanto, o perdão implica numa reparação, numa compensação da parte que ofendeu. Se for um crime, deve ser normalmente julgado pela justiça.
A caridade também é partilha dos bens. Dificilmente vamos ficar sem recompensa quando sabemos partilhar. Deus nunca deixa falar nada aos que partilham, como Lucas 6,38:
“Dai e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos colocarão no vosso colo, porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”.
É imbecilidade nos apegarmos aos bens materiais ou nos preocuparmos em demasia com o futuro. “O futuro a Deus pertence”, diz o povo.
Se pedirmos perdão e nos comprometermos a não mais pecar. Os pecados graves devem ser confessados a um padre, mas não basta isso! É necessário que a pessoa se esforce para não cometer mais aquele pecado (e outros que tenha cometido). Seria bom refletir nos textos que falam sobre isso: Mateus 16,18-139, João 20,22-23, Tiago 5,16.
Os outros pecados mais leves serão perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e caridade. A misericórdia, o amor, a caridade, cobrem a multidão de pecados, diz 1ª Pedro 4,8.
Esses pecados mais leves também são perdoados com atos de reparação, como as orações, pequenos jejuns ou renúncias de vez em quando, como de alimentos, televisão, bebidas, doces, ou ainda aceitando e oferecendo a Deus os sofrimentos, em reparação dos nossos pecados.
Em 1ª João 1,9, vemos que “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda a culpa”.
O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso não pedimos perdão. Isso pode ser refletido em 1ª João 5, 16-17; Mateus 12,31-32, Hebreus 6,6.
Jesus diz que devemos perdoar sempre, em Mateus 18,22. Pedro lhe perguntara se devia perdoar até sete vezes, mas Jesus respondeu setenta vezes sete, que equivale a sempre. Em Lucas 17,4, lemos: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás”.
Em Mateus 6, 14-15, Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade e compreensão. Jesus pede, também, para tirarmos qualquer pensamento de vingança.
Há vários trechos de perdão que podemos meditar: Mateus 5,38-48; cap. 5 22-26; cap. 18, 23-35: Lucas 15, 11-32 (filho pródigo).
Em Romanos 12,19, vemos uma frase muito bonita e importante para nos trazer a paz: “A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”. No versículo 20, S. Paulo comenta que se tratarmos bem a quem nos odeia, se perdoarmos a quem nos ofendeu, esse ato será como que tivéssemos colocado “brasas” sobre a cabeça dele. Essas “brasas” são símbolos do remorso que o fulano irá sentir, e talvez se converter.
Esse é o maior mandamento. Diz João 13,34-35: “Assim como eu vos amei, vós deveis amar uns aos outros” Já em Marcos 12,28-34, Jesus nos manda amar ao próximo como a nós mesmos, e em Romanos 12,19-20 e Mateus 5,44-48, a amar até os inimigos.
Amar o inimigo é possível se entendermos bem que AMAR não é GOSTAR. Jesus não exigiu que gostássemos, mas que amássemos o inimigo. Isso significa tratar bem dele, não ter sentimentos de vingança, orientá-lo para descobrir Deus em sua vida e aprender a agradecê-lo, a fim de que possa ir para o céu, que possa realizar-se como pessoa.
Jesus nunca exigiu que não tivéssemos inimigos, pois ele mesmo os tinha e muitos! O que ele proíbe é que maltratemos a quem quer que seja, e que tiremos de nosso coração qualquer sentimento de vingança.
João Batista morreu justamente por ter denunciado o adultério de Herodes, como vemos em Marcos 6, 17-29. Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como vemos em Mateus 5,27-32 e Tiago 4,4. Em João 8,11, Jesus perdoou a mulher adúltera, mas a advertiu que NÃO PECASSE MAIS.
A castidade deve ser seguida por todos os que não são casados. Mesmo no casamento, é preciso muita prudência nesse assunto. ´
É muito oportuna esta pequena homilia do Pe. Fernando Cardoso sobre a castidade, mesmo dentro do matrimônio:
26 de agosto de 2011 - (6ªf.da 21ªsem.TC)
Paulo é um pastor realista; sabe que a comunidade por ele fundada em Tessalônica - como outras tantas - caminha na contramão, sob muitos aspectos, com relação aos pagãos de onde provieram e aos judeus sempre eficientes em tornar-lhes a vida difícil. Dentre as virtudes exigidas pelo Cristianismo, depois de ter insistido na fé, na esperança e no amor, Paulo aponta a castidade. O domínio sexual é importante para quem quer viver na intimidade com Deus. O sexo é uma realidade em cada um, uma fonte de energia tremenda. Nos tempos de Paulo e, sobretudo, nos meios pagãos, a imoralidade sexual era aberrante. Havia quem vinculasse aberração sexual ao culto das divindades clássicas greco-romanas; havia prostitutos e prostitutas sagrados nos templos pagãos.
Paulo insiste com a comunidade de Tessalônica para que se mantenha irrepreensível neste aspecto, diante de Deus e de Jesus Cristo. Saiba cada um honrar seu próprio corpo e honrar o corpo de outras pessoas. Saiba viver santamente o matrimônio se for uma pessoa casada, com respeito e com entrega de si mesmo ao outro, e viva castamente aquele que se encontra fora do matrimônio.
“Deus - Aquele que nos chamou à Sua vida - é Santo”. Não tolera essas aberrações provocadas pelo uso desordenado do sexo. Ele nos quer santos e irrepreensíveis não apenas em nosso coração, mas também em nossos corpos, tornados, pelo batismo, templos de Seu Espírito.
Mais tarde dirá aos Coríntios que o corpo é para o Senhor e o Senhor, para o corpo. Não tolera a profanação do templo do corpo e aquele que o profanar será punido severamente por Deus.
Outra parábola de vigilância apresenta-nos Jesus no Evangelho de Mateus: “O Reino dos Céus é semelhante a dez jovens que tomaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo.
Como este demorasse, acabaram dormindo todas elas. No meio da noite ouviu-se um grito: “O noivo está chegando, ide ao seu encontro!” Recordo-me de um comentário a esse texto feito por um santo russo chamado Serafim de Sarov. Disse ele que o óleo presente nas lâmpadas das virgens sensatas era a presença do Espírito Santo em suas vidas. E continua: finalidade da vida cristã é a aquisição do Espírito Santo. Era exatamente o que faltava às virgens despreparadas. A ausência do Espírito de Deus em nós transforma a nossa em vida lúgubre, desorientada e obscurecida. Tal pessoa jamais entrará no repouso de Deus.
Por outro lado, uma pessoa repleta do Espírito de Deus é normalmente autêntica, composta, mas sobretudo feliz e contente. Uma vez experimentada essa presença, ela jamais quererá voltar a seu estado anterior.
Deixaremos de lado a falta de caridade, quando aprendermos a viver a gratidão.
Jesus sempre gostou da gratidão e detestou a ingratidão. Em Lucas 17,17-18 vemos como ele sentiu a ingratidão dos leprosos curados que não voltaram para agradecer e como elogiou a gratidão do que voltou para render graças, que era, por sinal, inimigo político dos judeus, um samaritano.
Em Mateus 23,37-38, Jesus sentiu a ingratidão do povo judeu e se expressou deste modo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, quantas vezes quis te reunir como a galinha reúne os pintinhos sob as asas, mas vós recusastes!”
Em Mateus 18,23-35, Jesus contou a parábola do rei e do devedor, que fora perdoado em três toneladas de ouro (eu fiz a conta e deu mais ou menos isso), mas ao sair do palácio não perdoou a um seu devedor que lhe devia 400 gramas de ouro! E Jesus condenou a atitude dessa pessoa tão ingrata!
Quanta gratidão temos com as graças de Deus Nós O agradecemos sempre? Pecar é um ato de ingratidão a Deus, pois Ele nos trata bem e nos perdoa e, ao pecarmos, estamos nos afastando dele, que tanto nos ama. Ao não perdoarmos estamos tendo ingratidão contra Deus, que nos perdoa sempre!
Quando recebermos dos outros a ingratidão, agradeçamos a Deus, pois Ele nos agradecerá no lugar do ingrato, com muitas graças! Nunca devemos fazer as coisas para sermos louvados e recompensados! Precisamos nos acostumar a fazer tudo para a maior glória de Deus, sem nenhum interesse pessoal. “Depois que fizerdes tudo o que puderdes, deveis dizer: 'Somos servos inúteis'! “-Lucas 17,10.
Jesus chorou várias vezes. Por exemplo em Lucas 19,41:”Quando Jesus chegou mais perto e pôde ver a cidade, chorou sobre ela, dizendo'Se também tu, principalmente neste dia que te é dado, reconhecesses o que te pode trazer a paz!”
Pedro também chorou por ter sido ingrato a Jesus, em Mateus 26,75. Já no Antigo Testamento, Deus reclama da ingratidão do povo, como em Miquéias 6,2-5.
Nunca sejamos ingratos para com ninguém, pois além disso “doer” no coração da outra pessoa, provoca a não ajuda de Deus em nossos atos e projetos.
Outra virtude necessária aos cristãos é a paciência. S. Francisco de Salles (séculos 16/17) era muito irascível, até que converteu-se, tornando-se o “Santo da Paciência!”
Já nos adverte Efésios 4,26-27: “Que o sol não se ponha sobre a vossa ira! Não deis entrada ao demônio!”. O demônio se sente “à vontade” num ambiente em que pelo menos uma pessoa está irada. A inimizade, a discórdia, o ódio, a irritação, os gritos histéricos, são “a praia” do demônio, do maligno. Numa discussão, por exemplo, o que se deixa levar pela ira, pela impaciência, perde, mesmo que esteja com a razão.
O livro “A Imitação de Cristo” diz, no capítulo 3, do livro 2:
“Quem não está em paz, converte em mal até o bem. O homem bom e pacífico, porém, faz com que tudo se converta em bem. Nas irritações dizemos muitas coisas que não diríamos na calma, que não deveríamos dizer, e atendemos às obrigações alheias e nos descuidamos das nossas (...) Suportemos os outros, para sermos suportados”.
S. Paulo nos diz em 1ª Tessalonicenses 5,14.16:
“Sejam pacientes para com todos.(...). Estejam sempre alegres”. (Ver também Tiago 5,8). Mateus 5,5: “Felizes os mansos, porque possuirão a terra”; Mateus 11,9: “Aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração”.
Quem é paciente vive em paz, conseguirá alcançar a “terra prometida”, para nós o paraíso, o final feliz da caminhada. “Devagar se vai ao longe”, se diz no italiano. Ou São Tomás de Aquino: “É melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado”.
Uma coisa errada que às vezes fazemos é ficar olhando no relógio quando alguém quer falar conosco e não estamos dispostos a “´perder tempo” com ele. Muitas vezes não é perda de tempo, pois a pessoa está necessitada de alguma atenção. Aliás, nunca temos tempo, a não ser quando temos algum interesse na conversa. Muitas famílias não se conversam porque estão vendo TV, novelas e ai de quem falar com alguém! Espero que Jesus não fique impaciente, olhando no relógio dele, quando eu precisar falar com ele!
Diz o Eclesiástico 2,14: “ Ai de vocês que perderam a paciência! O que farão vocês quando o Senhor lhes pedir contas?”
Muitos católicos deixaram a religião e passaram para os protestantes ou para os evangélicos por causa do acolhimento que essas igrejas lhes fizeram, ao contrário de muitas igrejas católicas que não sabem acolher. Quantas pessoas não se achegam à confissão porque o padre não tem paciência com a demora e até levam uma “bronca” daquele que está ali para servir, e não para ser servido.
Os problemas e a vida daquela pessoa são muito importantes! Mesmo que aquela pessoa não conte nenhum pecado grave, o padre deveria atender e ouvir com amor, solicitude, mansidão. O padre que fizer isso vai progredir a passos largos na fé e será acolhido por Deus, além de ter a participação na comunidade aumentada. O tempo do padre é, antes de tudo, do povo, não dele mesmo. Diz Mateus 20,28:
“O Filho do Homem não veio para ser servido.Ele veio para servir e para dar a vida como resgate em favor de muitos.”
Não só os padres, mas todos nós devemos ter paciência, também, com os doentes e necessitados, fazer-lhes visitas rápidas (visitas longas cansam e enfadam o doente), suprir-lhes as necessidades. Gastar tempo com eles é gastar tempo com o próprio Jesus, e no final, não estamos gastando, mas ganhando nosso tempo.
Por fim, tenhamos cuidado com as palavras. Mateus 5,37: “Seja o vosso 'sim', sim, e o vosso 'não', não. O que passa disso vem do maligno”. Ou seja, ser sincero e verdadeiro no que falamos (comentário da Bíblia de Jerusalém). Mateus 12,36-37 fala que seremos julgados segundo nossas palavras. Em Efésios 4,29.31: “ Não saia de vossos lábios nenhuma palavra inconveniente, mas na hora oportuna a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem.(...) Toda amargura e exaltação e cólera, e toda palavra pesada e injuriosa, assim como toda a malícia, sejam afastadas de entre vós”
“DEUS NOS PERMITE O SOFRIMENTO PARA NOS PURIFICAR, A FIM DE QUE POSSA NOS INFUNDIR A SUA SANTIDADE” (Hebreus 12,10).
Deus quer que vivamos felizes, como diz João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.” Entretanto, ele permite os sofrimentos para purificar- nos, a fim de transmitir-nos a sua santidade, como diz Hebreus 12, 10 e assim poder receber--nos no céu. Ofereçamos todos os sofrimentos que não pudermos evitar em reparação dos nossos pecados e para nossa santificação. Diz Apocalipse 21,27: “Coisa alguma imunda entrará na Cidade Celeste”.
O tempo que passamos aqui na terra é muito pequeno, em vista da eternidade que viveremos no paraíso. Se suportarmos com amor e paciência os problemas que temos aqui, receberemos a vida eterna como recompensa. Sofremos porque somos pecadores e precisamos nos purificar.
Quem não tem pecado e assim mesmo sofre, é porque Deus vê sua bondade e docilidade e, permitindo o sofrimento, pode com isso salvar muitos outros que convivem com aquela pessoa.
Jesus, Filho único do Pai, também sofreu muito para nos salvar. Se ele não nos libertou ainda, só ele sabe o porquê, pois diz São Paulo em Efésios 3, 20: “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos”. Cabe a nós confiarmos nele e aguardarmos a libertação com confiança e paciência. Não maldigamos a Deus e nem a ninguém. Ainda podemos ser felizes!
Quando resolvemos seguir os caminhos de Jesus, as provações e dificuldades nos seguem e até nos oprimem, se não pedirmos Sua proteção. Quem fala isso é o Eclesiástico 2,1-18: Somos provados em nossa fé, esperança e caridade como o “ouro é provado no cadinho” (v.5); “Confie no Senhor e Ele o ajudará; seja reto o seu caminho, espere no Senhor” (v.06). “Todos os que confiaram no Senhor não ficaram desiludidos” (v.10); “O Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados e salva do perigo” (v 11); “Ai do pecador que anda por dois caminhos” (v.12); “Ai de vocês que perderam a paciência!” (v.14); “Cada um de nós se coloque nas mãos do Senhor, e não nas mãos dos homens, pois a misericórdia dele é como a sua grandeza”(v.18).
Deus é misericordioso porque é Todo-poderoso. Ele é onisciente e sabe do que precisamos. Por que então nos preocuparmos? Por que termos medo do futuro? Coloquemo-nos em suas mãos! (Mateus 5;6;7; MT 6,25-32). O versículo 5 do trecho acima do Eclo 2, lembra que seremos provados como o ouro no cadinho. É muito bonita essa comparação se a entendermos: O ouro é um metal nobre e não faz liga com nenhum outro metal; apenas se mistura. No cadinho, sobre o fogo, ele se derrete e se desliga de todos os outros metais com os quais está misturado e sai, puro, do outro lado. Pela provação, pelos sofrimentos, pelas contrariedades, somos purificados de todas as impurezas com as quais nos misturamos em nossa vida de pecadores, e iniciaremos uma nova vida de conversão puros, sem mistura alguma com o que desagrada a Deus, “para que Deus nos infunda a sua santidade” (Hebreus 12,10).
Nunca duvidemos do poder, da sabedoria e da graça de Deus, e não tenhamos medo (como o Apocalipse inteiro nos mostra)! Joyce Mayer, pastora evangélica americana, diz que Jesus nos proibiu de termos medo, mas não de suarmos frio e tremermos. Jesus não teve medo, mas até suou sangue!
Muitos sofrimentos que temos são grandes e parecem infindáveis. Às vezes nos dá a impressão que colocaram obstáculos, pedras, muros, desvios, barreiras em nosso caminho. Certo dia eu estava me sentindo assim, sem conseguir ver a luz no fundo do túnel, quando, na Missa, cantamos o “Tu és, Senhor, o meu Pastor, por isso nada em minha vida faltará”... Percebi que se não fechasse os olhos, eu me desataria em lágrimas. Eu não podia chorar, pois era eu quem estava “puxando” o canto, de microfone na mão. Disse então a Deus, em desabafo, algo parecido com isto: “ Meu Deus, são muitos obstáculos! Parece que tudo está se fechando em minha frente! Por que tanto ódio e ogeriza nas pessoas? Quantas pessoas procurei ajudar! Parece que isso não valeu nada!”
Aos poucos fui percebendo que talvez eu estivesse cansado, e que tudo iria passar. Lembrei-me de Isaías 25,8 e Apocalipse 21,4|: “O Senhor enxugará toda lágrima de nossos olhos”. Também de Santa Faustina: “Ó tempo presente! Tu me pertences totalmente!” e Santa Teresinha: “Quero amar-vos, Senhor, só por hoje, nada mais!” Resolvi, então, deixar nas mãos de Deus o meu futuro e comecei a “degustar” o tempo presente. Olhei a Eucaristia, que é Jesus, meu companheiro de caminhada, e a nuvem passou.
São Paulo Apóstolo fala, em Filipenses 3,8-16:
“Tudo considero como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar Cristo”. (...) “Irmãos, (...) Esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo para o alvo, como prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus”(...) “ Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegamos, conservemos o rumo!”.
Percebi, a duras penas, que a provação se faz necessária para forjarmos uma vida santa e fortalecermos a esperança, como nos diz Romanos 5,3-5: “(...) Nós nos gloriamos na tribulação(...) que produz a paciência(...) que produz a experiência(...) que produz a esperança(...) que não engana, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi dado”.
A sinceridade é a base de nosso relacionamento com Deus e com todos. Diz o salmo 119/118,1: “Felizes os íntegros em seu caminho, os que andam conforme a lei do Senhor”. São ridículas aquelas pessoas que elogiam a tudo e a todos, mas sempre estão descontentes com tudo e com todos.
Por outro lado, o elogio sempre faz bem quando é merecido. A crítica só deve ser feita se a pessoa em questão for sua subordinada ou se ela lhe pedir. As pessoas se ofendem muito quando alguém lhes chama a atenção. Entretanto, se eu for me confessar com algum padre, este deverá ser muito sincero para comigo, mostrar-me a verdade a meu respeito, sem rodeios. Muitos estragos têm sido feitos em pessoas, por não se lhes terem dito a verdade a respeito de sua vida de pecado.
Para ser sincero com os outros, preciso ser sincero comigo mesmo, aceitando-me como sou, assumindo-me como sou, conhecendo e aceitando meus próprios limites e defeitos, mesmo que isso doa, ter consciência plena e humilde dos próprios pecados e pedir perdão deles a Deus, confessando-se pelo menos algumas vezes por ano. Isso nos leva à salvação e a uma alegria infinda, a uma paz deliciosa, como diz 1ª João 1,8-10:
“Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a Verdade não está em nós. Se reconhecermos os nossos pecados, Deus, que é filel e justo, perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a injustiça. Se dizemos que nunca pecamos, estaremos afirmando que Deus é mentiroso, e sua palavra não estará em nós.
Há muitas pessoas que são do “time” “Me engana que eu gosto”, ou seja, que não aceitam nenhuma crítica às suas pessoas, por mais construtivas sejam. A hipocrisia é bem comum na sociedade atual. Muitas pessoas mentem, inventam, “enrolam” os outros, exageram, maquiam a verdade, tentam parecer o que nunca foram ou mesmo o que nunca serão, etc.
Nossa hipocrisia começa logo de manhã quando cumprimentamos uma pessoa. Você está realmente querendo saber como ela está? Se a pessoa tiver a infelicidade de responder e tentar lhe mostrar o que não anda bem nela, você logo a descarta e lhe promete que num outro dia a escuta, e que está com pressa. Sempre estamos com pressa.
No escritório, mais falsidade, quando temos que concordar com os chefes e dizer que está tudo bem, quando na verdade muitas vezes discordamos do que estamos fazendo de modo obrigatório.
Nas prisões, a coisa piora: tanto os presos têm que concordar com os funcionários, como eles também têm que mostrar que é aquilo mesmo que querem, quando, na verdade, estão apenas cumprindo ordens. Os funcionários de uma prisão são bem diferentes quando estão em suas vidas normais. No trabalho, precisam mostrar uma cara de brabo, que muitas vezes não têm na vida normal.
Quantas vezes temos que rir de piadas sem graça, só para contentarmos quem as contou! E concordar com tantas coisas às vezes contra nossa vontade!
Os pastores e os padres, coitados, quanta ginástica precisam fazer, nas homilias, para não ofenderem estes ou aqueles! Qualquer assunto de que falam sempre provoca críticas, nunca contentam a todos ( e nem devem, se quiserem ser verdadeiros!).
Quando o assunto é pecado, porém, os pastores e os padres devem sempre ser sinceros, mesmo que percam a amizade daquela pessoa. Nunca enganar a ninguém nesse assunto. São João Batista morreu assassinado por ter denunciado o adultério de Herodes!
Jesus vivia pregando contra os fariseus e autoridades do tempo, por causa do fingimento e da hipocrisia, como em
Mateus 23,27-28: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados...”
Lucas 12, 1: “Acautelai-vos do fermento (=hipocrisia) dos fariseus!”
Tiago 3,17: “A sabedoria que vem do alto(...) é isenta de parcialidade e hipocrisia.”
Mateus 6,2.5.16 fala que é hipocrisia dar esmolas para sermos vistos. Mateus 23,13 diz que os escribas bloqueiam o Reino dos Céus aos homens, e eles mesmos não vão conseguir entrar.
Outro tipo de hipocrisia é quando um assassino pega 13 anos de prisão e alguém que não matou ninguém pega 20 anos; ou aquele rapaz que foi preso por ter roubado uma barra de chocolate ao passo que certos políticos roubam milhões e nunca vão presos. Também o fato da sociedade, que aplica uma pena tão alta para atentado ao pudor, é a que mais faz propaganda desse tipo de coisas. Ou os pais, que só começam a arrancar os próprios cabelos, quando a filha fica grávida. Se não tivesse ficado grávida, poderia continuar em pecado quanto quisesse. Isso não é uma horrível hipocrisia?
Agora, o pior tipo de hipocrisia é quando mentimos para nós mesmos e para Deus! SOMOS O QUE SOMOS DIANTE DE DEUS! Somos levados a pensar que somos melhores do que os outros, que levamos vantagens sobre outras pessoas, que temos supremacia ou sei lá mais o quê...
Acabamos fingindo para nós mesmos, para os outros e para Deus. Se eu não me aceitar como eu sou, nunca vou melhorar nem vencer-me. E não podemos enganar a Deus. Isso é impossível!
Dizia D. Valfredo Tepe: “Deus nos aceita como somos para transformar-nos naquilo que Ele quer que sejamos”.
OS ENSINAMENTOS DE JESUS
Jesus nos salvou porque obedeceu ao Pai durante toda a sua vida, e esta á a virtude mais difícil de ser cumprida: a obediência. Obedecendo a Deus, aos nossos superiores, aos nossos chefes no trabalho, sempre acertaremos e teremos paz e confiança. É claro que eu excluo aqui ordens que contrariam a lei moral ou a vontade de Deus.
Jesus obedeceu plenamente ao Pai, deixando por um tempo as “mordomias” divinas para ser igual a nós em tudo, menos no pecado (Filipenses 2,6-11). Só quem faz a vontade de Deus entrará no céu (Mateus 7,21)
Muitas coisas que se escrevem a respeito da obediência e de outras virtudes, mostrando desvios que diminuem a intensidade da renúncia de nós mesmos para praticá-las, correm o risco de se trair a palavra de Jesus sobre o assunto, de modo que ela caiba em qualquer situação. Há um autor, Felicisimo Rodriguez, espanhol, que fala muito sobre esse assunto em seu livro sobre a vida religiosa: “A maior traição que se faz ao texto evangélico é diminuir tanto a sua intensidade que ele caiba em qualquer situação em que vivermos”.
Vejo isso, por exemplo, numa denominação religiosa moderna, com muitos adeptos (a igreja universal) que aprova o aborto em pessoas estupradas. Estou certo de que Deus vai retirar suas bênçãos sobre os que apregoam esse assassinato e dizem que é coisa correta. O “bispo” que comanda essa denominação diz mais: que se deve abortar a criança para que ela não passe fome depois que nascer. Meus Deus, que monstruosidade!
Como Deus poderia abençoar uma coisa dessas? Qualquer tipo de assassinato, inclusive qualquer tipo de aborto, é condenado por Deus e isso foi ratificado por Jesus. Quem segue conscientemente esse tipo de doutrina põe em perigo a sua salvação. Seja qual for o motivo pelo qual uma mulher ficou grávida, ninguém, NINGUÉM MESMO pode matar a criança, esteja ela em que estágio da gestação estiver.
Concluindo o assunto “obediência”, digo que se o superior que estiver dando a ordem for idôneo, honesto, devemos simplesmente obedecer, sem nos preocupar com mais nada. Poderíamos até conversar sobre a ordem recebida, dialogar com quem a deu, desde que isso não seja motivo de desavença e inimizade. “O combinado não é pesado”, diz o ditado.
Pergunto? Você obedece sem reclamar aos seus pais, no caso das crianças, ou aos seus superiores, no caso dos adultos?
Jesus obedeceu em tudo ao Pai. O que você acha disso?
Qual é a maior dificuldade na obediência, no seu ponto de vista?
“Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra” (Mt 5,5).
Ser “manso” de coração não significa ser alienado, indiferente, mas sim, aprender a resolver todos os problemas e discrepâncias sem perder a calma, a confiança, na presença de Deus.
Mesmo se uma pessoa estiver certa, perde a razão se estiver irritada. “A melhor forma de ganhar uma discussão é ficar calada”, (Dizia uma irmã de uma congregação religiosa). “No dia seguinte, com mais calma, o problema se resolverá com maior facilidade”.
Gosto muito do trecho da poesia de Santa Teresa de Ávila que vocês já conhecem: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”
Ser manso de coração significa também ouvir o outro com paciência, sem pressa,sem ficar olhando para o relógio. Se não puder ouvi-lo ali, combine com ele um horário e se disponha!
Disse D. Valfredo Tepe, num de seus últimos livros antes dele morrer, “Antropologia Cristã”, que Gandhi escreveu no “Bhagavadgita” sobre a mansidão (cf. Pág. 292-293):-
“O que é um carma iogue? ( um seguidor dessa doutrina). É um piedoso, que não tem ciúmes de ninguém,
que é uma fonte de misericórdia,
que não é egoísta,
que é desinteressado,
que considera do mesmo modo o calor e o frio,
a felicidade e a miséria,
que perdoa,
que está sempre satisfeito,
cujas resoluções são firmes,
que consagrou seu pensamento e sua alma a Deus,
que não triunfa,
que não se aflige,
que não teme,
que é puro,
que é hábil na ação mas fica insensível a esta ação,
que renuncia a todos os frutos bons e maus de suas atividades,
que trata do mesmo modo os seus amigos e os seus adversários,
que fica indiferente ao respeito e à irreverência,
que não se infla com o louvor,
que não sucumbe quando se fala mal de sua pessoa,
que gosta do silêncio e da solidão,
que possui uma razão disciplinada!.
Quanto a Jesus, D. Valfredo comenta (pág. 318): “Jesus humilhou-se e não se irritou com as deficiências da existência humana. Tampouco deixou-se provocar para a irritação pelos homens ou pelos acontecimentos, Por sua vida mostrou o que proclamou no sermão da montanha: “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” Mt 5,5)(como também disse; “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. (Mt 11,29)”
(Pág 319) “Jesus quer-nos ensinar que não precisamos ser petecas de nossa tendências agressivas numa espiral interminável de violências: afrontas-revides; agressão-violência”(...) “A ternura é a grande aliada do espírito para frear a agressividade reativa” (...) “Cultivar a ternura é estar espiritualmente de alerta contra possíveis irritações” (...) “ E se cultivo a ternura, amo também o próximo; pois minha não-reação, contrariando a sua expectativa de uma briga, o deixa perplexo e o leva a se desarmar, por sua parte. Quando um não quer, dois não brigam, diz o povo”.
(pág. 323). Entretanto, “Mansidão não é fraqueza, pachorra, timidez, mas é firmeza, não -violenta, que sofre, talvez longamente, mas afinal consegue desarmar o inimigo, libertando-se da opressão e libertando também a ele da escravidão ao paradigma da violência reativa”.
Enfim é manso de coração quem tem humildade para confiar a Deus seu futuro, arrepender-se dos pecados feitos no passado e viver com serenidade e alegria o seu Hoje.
Quanto ao viver o dia de HOJE, Santa Faustina Kowalska, juntamente com tantos outros santos, procuraram viver o tempo presente, o hoje, deixando nas mãos de Deus o futuro; confiar em seu perdão pelos pecados do passado e largar-se em suas mãos para viver plenamente o dia de hoje. “O futuro, a Deus pertence; o passado, confiamos à sua misericórdia. Só nos resta o tempo presente. Este, sim, nos pertence plenamente”.
Só vive bem e intensamente o tempo presente, o dia de Hoje, quem se abandonar à Divina Providência e nada temer, porque sabe que Deus nunca irá permitir que alguma atitude errônea nos prejudique: se nos ligarmos a Ele, Ele não nos abandonará, nada nos faltará, nem o que é necessário, para vivermos: “Nada me faltará se me conduzires” (Salmo 23).
Diz Efésios 2, 4: “Deus é rico em misericórdia!”, e quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las.
Tiago 2,1-26 nos diz que a fé, sem as obras, é morta: precisamos ajudar os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.Diz também no v. 13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. Agindo assim, no julgamento final Deus será misericordioso também para conosco, como nos diz Mateus 25, 31-46 (o julgamento final).
É bom lembrar que a misericórdia implica, também, a não julgarmos a ninguém. Veja Mateus 7,1-4 e 1ª Pedro 4, 8 “A misericórdia cobrirá a multidão dos pecados”!
Diz Efésios 3,20: “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além de tudo o que pedimos ou pensamos”.
Se Deus é assim tão poderoso, ele pode também ser todo misericordioso, como diz Jeremias 31,3:
“Eu te amei com um amor eterno; por isso guardo por ti tanta ternura!”
Por isso tenhamos certeza de que ele nunca nos abandonará, se deixarmos que ele tome conta de nossa vida, como diz Isaías 42,16;
“Eu nunca hei de abandoná-los”
E em Isaías 49,15:
“Mesmo que a mãe se esqueça do filho que gerou, ou deixe de amá-lo, eu jamais me esquecerei de ti!”.
Ou ainda em Isaías 66,13:
“Qual mãe que acaricia os filhos, assim também eu vou dar-vos o meu carinho”.
Se estivermos dispostos a deixar os pecados e nos aproximarmos de Deus, ele nos perdoará nossos pecados, conforme lemos em Miqueias 7,19:
“Ele vai nos perdoar de novo! Vai calcar aos pés as nossas faltas e jogará no fundo do mar todos os nossos pecados”.
Se pedirmos perdão e nos comprometermos a não mais pecar. Os pecados graves devem ser confessados a um padre, mas não basta isso! É necessário que a pessoa se esforce para não cometer mais aquele pecado (e outros que tenha cometido). Seria bom refletir nos textos que falam sobre isso: Mateus 16,18-19, João 20,22-23, Tiago 5,16. Os outros pecados mais leves serão perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e caridade. A misericórdia, o amor, a caridade, cobrem a multidão de pecados, diz 1ª Pedro 4,8.
Esses pecados mais leves também são perdoados com atos de reparação, como as orações, pequenos jejuns ou renúncias de vez em quando, como de alimentos, televisão, bebidas, doces, ou ainda aceitando e oferecendo a Deus os sofrimentos, em reparação dos nossos pecados. Em 1ª João 1,9, vemos que “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda a culpa”.
O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso não pedimos perdão. Isso pode ser refletido em 1ª João 5, 16-17; Mateus 12,31-32, Hebreus 6,6.
Jesus diz que devemos perdoar sempre, em Mateus 18,22. Pedro lhe perguntara se devia perdoar até sete vezes, mas Jesus respondeu setenta vezes sete, que equivale a sempre. Em Lucas 17,4, lemos: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás”.
Em Mateus 6, 14-15, Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade e compreensão. Jesus pede, também, para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Há vários trechos de perdão que podemos meditar: Mateus 5,38-48; cap. 5 22-26; cap. 18, 23-35: Lucas 15, 11-32 (filho pródigo).
Em Romanos 12,19, vemos uma frase muito bonita e importante para nos trazer a paz: “A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”. No versículo 20, S. Paulo comenta que se tratarmos bem a quem nos odeia, se perdoarmos a quem nos ofendeu, esse ato será como que tivéssemos colocado “brasas” sobre a cabeça dele. Essas “brasas” são símbolos do remorso que o fulano irá sentir, e talvez se converter.
AMAR AO PRÓXIMO:
Esse é o maior mandamento. Diz João 13,34-35: “Assim como eu vos amei, vós deveis amar uns aos outros” Já em Marcos 12,28-34, Jesus nos manda amar ao próximo como a nós mesmos, e em Romanos 12,19-20 e Mateus 5,44-48, a amar até os inimigos.
Amar o inimigo é possível se entendermos bem que AMAR não é GOSTAR. Jesus não exigiu que gostássemos, mas que amássemos o inimigo. Isso significa tratar bem dele, não ter sentimentos de vingança, orientá-lo para descobrir Deus em sua vida e aprender a agradecê-lo, a fim de que possa ir para o céu, que possa realizar-se como pessoa.
Perdoar, amar, implica em nunca julgar, para também não sermos julgados. Do mesmo modo que julgarmos também seremos julgados (Mateus 7,1-2).
Entretanto, não podemos confundir julgar com criticar. Na crítica positiva, caridosa, construtiva, apontamos algo errado que precisa ser mudado. No julgamento, pelo contrário, colocamos má intenção na ação da pessoa, e isso é que é pecado.
Exemplo: se alguém derrubar e quebrar um copo seu de estimação, criticar seria pedir que esse alguém tome mais cuidado com o que é dos outros. Julgar seria dizer que ele quebrou o copo porque não gosta de você.
Quanto à humildade, lembro que Jesus foi muito humilde. Diz Mateus 11,29-30: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve”.
Ser humilde, entretanto, não é ser tímido! Jesus morreu porque enfrentou as autoridades religiosas do tempo, que escravizavam o povo. Ser humilde é reconhecer os próprios limites e aceitá-los, reconhecendo os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando a ninguém.
Ser humilde é não querer fazer tudo sozinho, mas sempre procurar buscar a ajuda de Deus e das pessoas capacitadas para aquela ação. Reflita sobre isso em Tiago 2,1-7; Marcos 2,15-17; Marcos 6, 37-44. O salmo 40, 17 nos diz: “Sou pobre e indigente, mas Deus cuida de mim!”
Entretanto, o orgulhoso, o autossuficiente, é abandonado às suas próprias forças e, como diz Sabedoria 1, 1-5, Deus não se revelará a ele. Santa Teresa de Jesus diz uma coisa belíssima quanto à humildade e à confiança em Deus:
“Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”.
Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus, como nos conta Lucas 1,46-54. O humilde está sempre com Deus e é fortalecido por Ele.
O livro da Sabedoria, capítulo 1, versículos de 1 a 5, já falava que os simples conseguem obter a revelação da pessoa de Deus. Ele se revela aos simples e aos que não o põem à prova.
A humildade está unida à simplicidade que significa, antes de tudo, confiar em Deus plenamente, deixando em segundo, terceiro ou mesmo último lugar aquilo que nos dá prepotência sobre os outros, ou uma situação financeira privilegiada, abandonando completamente tudo o que nos pode separar de Deus, tudo o que for supérfluo e secundário. As coisas que não puderem ser renunciadas, não se apegar a elas, porque um dia nos “deixarão na mão”, como o povo fala.
Tudo é relativo e secundário se colocamos como nossa meta principal o Reino de Deus. Dizia São Tomás de Aquino: “É melhor andarmos mancando (claudicando) no caminho certo do que correr no caminho errado, pois só chegaremos ao paraíso se estivermos no caminho certo, estejamos correndo ou mancando”.
A simplicidade nos leva a ser pobres em espírito e puros de coração (Mateus 5,1-8). Quando entramos em crise ao nos lembrarmos de quantas coisas no passado deixamos de fazer pelos outros, principalmente pelos nossos pais e pessoas mais achegadas, pelas vezes que não demos testemunho de nossa fé, devemos pedir perdão e perdoar a todos os que nos prejudicaram. Isso vai nos tirar da depressão, do estresse, vai nos dar alívio, e se nos colocarmos nos braços do Pai, que, poderoso, poderá nos purificar e conduzir a nossa vida por um caminho de confiança e de esperança.
Sta. Teresinha já dizia isso, em palavras parecidas com estas: “A lebre, ao ser perseguida pelos cães, refugia-se, assustada, nos braços do caçador”.
Eu acho essa frase magnífica! Na crise de desânimo, de enfado, de repugnância por tudo, e às vezes até por nós mesmos, precisamos e podemos, para nos livrar de um Deus-Juiz, nos refugiarmos e pedirmos ajuda no Deus Salvador e misericordioso. Vendo que não há outra saída, ou seja, que não dá para nos livrar do perigo, refugiemo-nos nas mãos do próprio Juiz enquanto estamos vivos e nesta terra! Enquanto estivermos por aqui, ele não é juiz: ele é salvador.
Já dizia Santa Teresa de Ávila: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! A paciência tudo alcança! Deus nunca muda! A quem a Deus tem, nada lhe falta! Só Deus basta!”
No dia 22/04/2011, 2º dom, da Páscoa, o Papa João Paulo II falou sobre a MISERICÓRDIA DIVINA. Eis um pequeno resumo:
1- "Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos" (Ap 1, 17-18). . A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, até a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: "Não temas!"; morri na cruz, mas agora "vivo pelos séculos dos séculos"; "Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive".
"Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor" (Sl 117, 1). É um prodígio em que se abre em plenitude o amor do Pai que, pela nossa redenção, não se poupa nem sequer perante o sacrifício do seu Filho unigênito. Em Cristo humilhado e sofredor, crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável.
3. É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. De fato, a mensagem da qual ela foi portadora constitui a resposta adequada e incisiva que Deus quis oferecer às interrogações e às expectativas dos homens deste nosso tempo, marcado por grandes tragédias. Jesus, um dia disse à Irmã Faustina: "A humanidade não encontrará paz, enquanto não tiver confiança na misericórdia divina" (Diário, pág. 132). A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milênio.
4. O Evangelho, que há pouco foi proclamado: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21). Imediatamente a seguir, "soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus confia-lhes o dom de "perdoar os pecados", dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade. Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão.
5. O Coração de Cristo! O seu "Sagrado Coração" deu tudo aos homens: a redenção, a salvação, a santificação. Deste Coração superabundante de ternura Santa Faustina Kowalska viu sair dois raios de luz que iluminavam o mundo. "Os dois raios segundo quanto o próprio Jesus lhe disse representam o sangue e a água" (Diário, pág. 132). O sangue recorda o sacrifício do Gólgota e o mistério da Eucaristia; a água, segundo o rico simbolismo do evangelista João, faz pensar no batismo e no dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14). Através do mistério deste coração ferido, não cessa de se difundir também sobre os homens e as mulheres da nossa época o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade autêntica e duradoura, unicamente nele pode encontrar o seu segredo.
6. "Jesus, confio em Ti". Esta oração, querida a tantos devotos, exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador. Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples ato de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado. Maria, Mãe da Misericórdia, faz com que conservemos sempre viva esta confiança no teu Filho, nosso Redentor. Ajuda-nos também tu, Santa Faustina, que hoje recordamos com particular afeto. Juntamente contigo queremos repetir, fixando o nosso olhar frágil no rosto do divino Salvador: "Jesus, confio em Ti". Hoje e sempre. Amém !
18/02/2019
(Da segunda leitura do Ofício das Leituras da 2ª f. da 6ª semana comum)
Segundo São Bernardo abade, quem encontra a sabedoria e nela habita é muito feliz.
Os três passos da sabedoria são:
1º- A confissão da própria iniquidade. Quem tem sabedoria reconhece suas falhas, seus limites e seus pecados.
2º - Quem tem sabedoria louva o Senhor com ação de graças e cânticos de louvor.
3º- Quem tem a sabedoria edifica os outros pela sua palavra e exemplo.
Eu diria que a sabedoria não se confunde com a “esperteza”. Muitos acham-se “espertos” porque agem de modo individualista, acham-se “o máximo”, estão sempre com o dedo em riste apontando os defeitos dos outros, e orgulhando-se da própria inteligência e conduta.
Segundo São Bernardo, ter e morar com a sabedoria é agir de modo diferente desse mencionado: é procurar conhecer-se, aceitar-se como se é, e pedir a Deus que lhe dê a graça de crescer na santidade. É manter-se humilde, por maior que seja seu progresso.
Quem tem a sabedoria corrige os outros com a própria vida, ou seja, pelo bom exemplo, por uma vida santa.
Sobretudo, como ele mostra no segundo ponto, dá sempre graças a Deus e o louva com cantos de louvor.