Vamos ver em detalhe apenas este assunto. Para os demais, veja, por favor, a Bíblia de Jerusalém.
Primeiro relato, mais antigo
Escrito pelo Javista, no século 9 antes de Cristo, em Judá, vai do Gênesis 2,4b até 3,24. Nele podem ser vistos:
Duas grandes tradições: versículos 4b-8 e 18-24: a criação do homem e da mulher; versículos 2-9.15-16;3 = o paraíso e a queda.
O homem é criado fora do paraíso e colocado lá depois (Gn 2,4b-8)
A mulher é criada da costela do homem, mas já dentro do paraíso (Gn 2,21-24).
Todos os demais seres viventes são criados depois da criação do homem e antes da criação da mulher.
Há aqui a árvore do fruto proibido, a árvore da vida e o pecado original.
Caim e Abel são os primeiros filhos de Adão e Eva.
Segundo relato, mais recente
Esse segundo relato foi escrito pela tradição Sacerdotal após o Exílio, portando no século 6º antes de Cristo (o Exílio terminou em 538a.C), vai do cap. 1, vers. 1, até cap. 2, versículo 4a e continua o relato no capítulo 5.
O homem e a mulher são criados num mesmo instante, dentro do paraíso (Gn 1,26).
Todos os seres foram criados antes do homem ao contrário da primeira tradição (Gn 1,1-25).
Não há, nesta segunda tradição, nem a árvore do fruto proibido, nem a árvore da vida, assim também como não relata o pecado original.
Essa tradição desconhece Caim e Abel e diz que o primeiro filho de Adão e Eva é Set (Gn 5,3).
CAIM E ABEL
Diz a Bíblia de Jerusalém que os primeiros sares humanos surgiram, como diz a ciência, a 2 ou 3 milhões de anos atrás; Caim e Abel pertencem já ao período que começa depois do último período glacial, ou seja, em 9000 a.C. Veja o que diz o comentário da Bíblia de Jerusalém:
"O relato de Caim e Abel supõe uma civilização já um pouco evoluída no domínio religioso, com o culto com as ofertas de produtos (talvez as primícias) do solo e dos primogênitos do rebanho (Gn 4,3-4), no domínio social, em que supõe a existência de homens que poderiam matar Caim e outros que poderiam vingá-lo (Gn 4,14-15).
Enfim, este relato de Caim e Abel pôde se relacionar de início não aos filhos do primeiro homem, Adão e Eva, mas ao antepassado epônimo dos quenitas (cainitas: confira Números 24,21). Reportado às origens da humanidade, ele recebe um aspecto geral:
- de um lado, Caim e Abel estão na origem de dois modos de vida, ou seja, o agricultor sedentário e o pastor nômade.
- de outro lado, esses dois irmãos personificam a luta do homem contra o homem. Ao lado da revolta do homem contra Deus, há também a violência do "irmão" contra seu "irmão". O duplo mandamento do amor (Mt 22,40) mostrará as exigências fundamentais com a vontade de Deus.
Deus criou o mundo de tal forma que nele pudéssemos viver, a fim de garantirmos a continuidade dele e para continuarmos a obra divina, ou seja, para partilharmos com os nossos descendentes (filhos, netos, bisnetos) as maravilhas da criação e a vida eterna. Em outras palavras: nossa missão principal nesta vida é ampliarmos o gênero humano e ensinarmos aos que nos vão substituir no governo deste mundo a amar a Deus, nosso criador, e a servi-lo com todo o nosso ser.
O homem é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. Temos todos os anos de nossa vida para decidir se aceitamos ou não o que Deus nos deu e nos quer dar. Se aceitarmos, seremos recebidos por ele no céu e por todos os seus anjos e santos. Se não aceitarmos, Deus permite que vivamos a nosso modo, tanto aqui como lá. A esse modo de vida sem Deus, chamamos inferno.
Se, ao morrermos, ainda não estivermos preparados dignamente para viver com Ele, segundo escolhemos com nossa vida aqui na terra, passaremos um tempo nos preparando. Damos o nome a esse tempo de purgatório. O tempo de purgatório já pode ser vivido antes da morte, com nossas renúncias, atos de caridade, esmolas, e aqueles sofrimentos que não conseguimos afastar, quando aceitos e oferecidos por amor.
De que modo Deus criou o universo, não sabemos. A história contida no Gênesis de 1 a 11 é apenas simbólica, para nos mostrar que quem criou o mundo foi Deus, que esse mundo segue a evolução natural das coisas, conduzida por Deus, e que, a cada homem, Deus cria a alma no momento de sua concepção no ventre materno: a alma não é gerada pelo ato sexual dos pais.
Também desconhecemos como foi realmente feito o pecado original. Sabemos que foi um ato de desobediência a Deus, ou seja, um ato de querer viver independentemente de Deus, decidindo por si mesmo o que é certo ou errado: só Deus pode decidir o que é certo ou errado. Pelo Batismo, ficamos livres da falta original, mas não ficamos livres de suas consequências (sofrimento e morte).
Quanto aos anjos, foram criados na Graça de Deus, mas tiveram oportunidade de escolher se ficariam ou não com Deus. Alguns deles rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino. São chamados diabos, satanás, demônios. O nome "anjo", na verdade, é o nome do cargo desses espíritos, ou seja, "mensageiro". Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis.
Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à "vida": é o anjo da guarda. Em Mt 18,10, Jesus diz: "Não desprezeis nenhum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus veem continuamente a face de meu Pai que está nos céus". No entanto, para receber a ajuda do anjo da guarda é preciso pedir. Ele não pode entrar em nossa vida e interferir nela sem o nosso consentimento; também não é obrigado a nos obedecer. Os anjos são submissos a Deus, e não a nós. Há pessoas que colocam um nome em seu anjo da guarda. Isso é negado por uns, aceito por outros. No Catecismo da Igreja Católica não há nada que vá contra, mas há um diretório sobre piedade popular e liturgia que, no parágrafo 217, diz que não se deve pôr nome ao nosso Anjo. Cabe a você decidir...
Quanto a satanás, o seu poder é limitadíssimo. Ele não passa de uma simples criatura, poderosa, é verdade, pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas precisamos ter certeza de que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam (Rm 8,29); ou seja, não devemos ter medo.
RESUMO DAS MENSAGENS DADAS A MARIA SIMMA PELAS ALMAS.
Resumo feito em 13/01/2023 do texto em PDF de Irmã Emanuel
https://quemrezasesalva.com.br/bibliotecadigital/entrevista-maria-simma
INTRODUÇÃO:
Maria Simma nasceu em 02/02/1915 e faleceu em 2004, com 89 anos de idade. Aos 25 anos de idade começou a ser visitada pelas almas do Purgatório. Era camponesa austríaca. Nos últimos anos de vida viveu sozinha em sua casinha de Sonntag, na montanha do Voralberg, Áustria. Viveu pobremente, casinha pequena.
Trecho que copiei de outro site: “Maria Simma foi, desde a juventude, muito pia e frequentou assiduamente os cursos de instrução religiosa dados pelo seu sacerdote, dott. Kari Fritz. Depois da escola primária partiu para a Svevia, mais tarde para Hard, Nenzing e Lauterach. Queria ser freira, mas em três vezes se viu mandada a casa por causa da sua constituição frágil. Com a morte do pai em 1947, viveu sozinha. Para poder se sustentar se ocupava de jardinagem. Vivia na pobreza e era ajudada por pessoas caridosas. A sua permanência por três vezes no convento a formaram e a fizeram progredir espiritualmente, preparando-a, assim, ao seu apostolado em favor das almas do purgatório. A sua vida espiritual é caracterizada pelo amor filial para com a Santíssima Virgem e do desejo de socorrer as almas do purgatório, mas também de ajudar com todos os meios, as Missões.”(https://digilander.libero.it/monast/purga/porto/simma.htm
Diz também nesse outro site (digilander), que ela ensinou catecismo durante a época do Nazismo, com grande talento e destreza.
Voltando à Irmã Emanuel:
1- Os sofrimentos do Purgatório são atenuados pela alegre expectativa e a certeza de que se vai reencontrar, mais cedo ou mais tarde, nos braços de Deus.
2- Nós, os vivos, podemos diminuir o tempo de Purgatório das almas pela oração. Em troca, elas vão nos ajudar também nesta vida e na outra, quando nós estivermos no Purgatório.
3- O Purgatório é o “chuveiro” em que vamos tomar banho durante um certo tempo, a fim de tirarmos o mau cheiro nosso e podermos abraçar Jesus. O desejo que as almas do Purgatório têm de Deus lhes é profundamente doloroso, trata-se de uma agonia. “O Purgatório é uma grande crise da falta de Deus”. “Nenhuma alma quereria voltar do Purgatório para a Terra, porque possuem um conhecimento que nos ultrapassa infinitamente e não aceitariam mais voltar às trevas da Terra. Eis onde reside toda a diferença entre o Purgatório e o sofrimento que conhecemos na Terra. No Purgatório, embora a dor seja atroz, as almas têm a certeza de poderem vir a viver para sempre com Deus, certeza absoluta, que torna a alegria mais forte que a pena. Nada há na Terra que as possa fazer desejar viver de novo, nesta Terra, onde nunca se está seguro de coisa alguma”.
4- É a própria alma que quer ir ao Purgatório antes de ir para o Céu. “Ela está perfeitamente unida à Luz de Deus, no Espírito Santo”.
5- “No momento da morte se vê Deus de maneira confusa, mas numa tal claridade que é suficiente para sentir uma grande saudade de Deus”. Essa claridade ofuscante, se comparada às trevas da Terra, entretanto, “não é nada em relação à luz que a alma conhecerá quando subir ao Céu”.
6- Nossa Senhora sempre visita as almas e lhes fala que fizeram muitas coisas boas. Ela as consola. Há dias especiais em que Maria vem libertá-las: “Natal, Todos os Santos, Sexta-Feira Santa, no dia da Ascenção e da Assunção”.
7- Têm maior possibilidade de irem para o céu os que têm um coração bom para com todos: a caridade cobre uma multidão de pecados (1 Pedro 4,8b).
8- Meios que podemos usar na Terra para evitar o Purgatório: ajudar as almas do Purgatório, que elas também nos ajudam; humildade, que é a melhor arma contra o Maligno. Ela expulsa o mal.
9- As almas que ajudamos nos assistem, conhecem as nossas necessidades e obtêm-nos muitas graças.
10- O bom ladrão, Dimas, agradou a Deus por ter aceito humildemente o sofrimento, dizendo ser um sofrimento justo, encorajou o outro ladrão a aceitá-lo também. Experimentou o temor de Deus, que é sinal de humildade. Aceitar a morte, abandonar-se plenamente à vontade do Senhor.
11- Os meios eficazes para livrar as almas do Purgatório: A Santa Missa, pois é Cristo que se oferece por amor a nós. A eficácia da Missa é proporcional ao amor que tiveram à Missa durante a vida. Também nas Missas durante a semana.
12- Outro meio eficaz para as almas do Purgatório: oferta do sofrimento voluntário, como a penitência, as privações e também a oferta dos sofrimentos involuntários, como a doença, o luto. Quando se sofre na Terra, pode-se crescer no amor, ganhar méritos, ao passo que no Purgatório só dá pra descontar os pecados. Aqui temos a liberdade de escolher. Isso dá um sentido extraordinário aos sofrimentos. Acolher os sofrimentos e oferecê-los com paciência e humildade. Unir os nossos sofrimentos aos de Jesus, depositando-os nas mãos de Maria, que saberá o melhor modo de utilizá-los. “Maria devolver-nos-á tudo na hora da morte e os sofrimentos oferecidos serão os nossos mais preciosos tesouros no outro mundo”. As almas do Purgatório não são revoltadas.
13- Outras orações eficazes para a libertação das almas do Purgatório: A Via-Sacra, o Terço e, melhor, o Rosário: as almas chamam Maria de “Mãe de Misericórdia”. As indulgências do terço (e de outras orações) têm um valor inestimável para a sua libertação. As orações de Santa Brígida e todas as orações em geral.
14- A contrição ou arrependimento, na hora da morte, é muito importante. Para lucrar a indulgência plenária de todos os pecados é preciso estar livre de todo apego ao pecado. Quanto à tentação diabólica antes da morte, é verídica, mas nós temos a graça de lhe resistir e rechaçá-lo, pois se não quisermos, o demônio não pode nos fazer nada.
15- Entre a morte aparente e a morte real há uns minutos em que podemos nos arrepender dos pecados e para nos decidirmos se aceitamos ou não ir para Deus. Aí temos a visão total da própria vida. Também ficamos sabendo qual será o nosso próximo sofrimento, no caso, no Purgatório.
16- A melhor preparação para a morte é abandonar-se totalmente ao Senhor, oferecer-lhe todo o sofrimento pelo qual passar, encontrar a sua felicidade em Deus. Devemos preparar quem vai morrer dizendo-lhe a verdade a respeito de sua condição, além de orar muito por ele.
17- Para ser santo aqui na terra é preciso ser muito humilde, não se preocupar consigo mesmo. O orgulho é a mais forte armadilha do inimigo.
18- Pode-se pedir a Deus que permita que passemos já aqui na Terra o Purgatório pelo qual teremos que passar após a morte.
19- Há vários níveis de sofrimento moral no Purgatório. Cada alma tem um sofrimento único. Os sofrimentos são maiores que os maiores sofrimentos na Terra, mas de maneira simbólica: fazem doer a alma.
20- Ao Purgatório vão sempre Maria e os Anjos. Cada alma é acompanhada pelo seu Anjo da Guarda. Os santos não vão. São Miguel vai. Os Anjos aliviam e consolam as almas, que podem vê-los.
21- Cada pessoa tem a consciência para reconhecer o bem e o mal. Uma consciência dada por Deus e uma consciência interior, em diferentes graus. Com essa consciência, cada pessoa pode tornar-se uma pessoa bem-aventurada.
22- O suicídio muitas vezes não leva à condenação, dependendo do estado mental em que se encontrava a pessoa quando o cometeu. Diz a vidente: “Porém, elas lastimam-no, pois, olhando as coisas à luz de Deus, as almas compreendem, de uma só vez, todas as graças que lhes estavam reservadas para o tempo que ainda lhes restava viver. O que as faz sofrer mais é ver o bem que poderiam ter feito e não fizeram, ao abreviar a sua vida. Mas o Senhor leva em conta o suicídio consequente de uma enfermidade”.
23- Overdose e drogas leva muita gente ao Purgatório.
24- Para os que lamentam o próprio sofrimento e desejam morrer, Maria Simma diz que deveriam oferecer esse sofrimento pelas almas. A pessoa que oferece também vai ser bem-aventurada, vai ter uma grande felicidade no Céu. Quando estivermos no Céu, estaremos satisfeitos com o grau de felicidade recebida, pois saberemos que não merecemos mais nada.
25- Muitas pessoas de outras religiões também estão no Purgatório. “Aquele que vive bem a sua fé é feliz”.
26- Há muitos padres no Purgatório, muitos porque não suscitaram o respeito à Eucaristia e por terem negligenciado a oração, o que lhes diminuiu a fé. O sacerdote deveria rezar o terço todos os dias e orar muito ao Espírito Santo.
27- O Purgatório das crianças não é tão longo e nem tão penoso, por lhe faltarem o discernimento.
28- Vão para o Inferno as pessoas que não querem ir para Deus. Vai-se ao Inferno por orgulho, quando se obstina voluntariamente no não a Deus. Só vão ao Inferno aqueles que, com toda a liberdade, decidem ir para lá. O pecado contra o Espírito Santo, do qual fala Jesus e que não é perdoado, é a recusa radical da Misericórdia e isto em plena luz, em plena consciência.
30- Se os ricos fizerem obras de caridade, se amarem, podem também chegar ao Céu.
31- Os que praticam o espiritismo fazem coisas muito perigosas para si próprios e para os que a eles se dirigem para pedir conselho. Estão completamente afundados na mentira. É proibido invocar os mortos.
32- Negócios mal feitos, mal adquiridos, levam ao Purgatório. As almas ficariam no Purgatório até o bem ser devolvido.
CONCLUSÃO:
Cada ato de amor que oferecemos ao Senhor, cada pequena renúncia, cada jejum, cada pequena privação, cada combate contra as nossas tendências, contra os nossos defeitos, cada perdão aos inimigos, todas as coisas que possamos oferecer ao Senhor, serão para nós um ornamento, uma joia, um verdadeiro tesouro para a eternidade.
Levantar-se, buscar a confissão cada vez que cair, como o fazem os santos. Eles cometem pecados, mas logo se levantam e se comprometem a não pecar mais.
Santa Catarina recebeu em revelação particular isso tudo o que ela disse do Purgatório. É impressionante a concisão e a lógica das palavras, da exposição.
Vou tentar resumir para vocês, mas seria bom se vocês lessem o texto integral da santa. Vou deixar o link aqui para quem se interessar:
1- O fogo se que fala a santa parece não ser material, mas sim é o amor de Deus que nos purifica.
2- As almas do Purgatório só têm uma vontade: a de estarem ali, nesse lugar de purificação.
3- Não dizem para si mesmas coisas como: “Eu, cometendo tais e tais pecados, mereço estar aqui”. Ou: “se eu não os cometesse, estaria agora no paraíso”. Ou ainda: “Aquelas almas saem fora do purgatório antes de mim”; “Eu sairei antes daquela outra”.
4- Elas sentem uma alegria tão grande de estarem cumprindo a ordem de Deus, desejando que Ele faça com elas o que e como desejar, que não pensam em outras coisas, nem coisas boas nem coisas más, no que se refere às outras pessoas. Estão vivendo ali na mais pura caridade, pois não podem se corrigir por si mesmas como foi possível fazer na terra. Não se ocupam de outros pensamentos, como os referentes a outras pessoas que estão ali penando por seus próprios pecados.
5- Logo que morrem lhes são reveladas a causa pela qual irão ao purgatório. Depois disso, já não pensam mais nela. Como sabemos, após a morte não podemos mais pecar. As penas que teremos que cumprir se referem apenas aos pecados cometidos nesta terra e já perdoados, mas que ainda deixaram manchas para serem purificadas.
6- A incomparável alegria que sentem as almas no purgatório ocorre por influência de Deus nelas: cresce à medida em que vão se consumindo os impedimentos que se opõem a essa influência. O impedimento é como uma ferrugem que se consome no fogo. À medida em que diminuem, a influência de Deus nela é maior, mais corresponderá à radiação de luz. Não é a pena que diminui: o que diminui é o tempo de a estar sofrendo.
7- As penas são extremas, e a santa diz que não consegue descrevê-las, mas explica como pode:
— A base de todas as penas é o pecado, quer o original, quer o atual. E quanto mais a alma se afastou de Deus aqui na terra, mas vai se tornando maligna e menos Deus se comunica com ela.
— A pena do pecado retarda o instinto beatífico para Deus, que perdemos pelo pecado original. A alma entende isso e disso nasce um fogo tão extremo, que chega a ser semelhante ao do inferno, porém sem culpa. Aliás, é a culpa que torna maligna a vontade do condenado ao inferno, ao qual Deus não se comunica com a sua bondade. Os que estão no Inferno partiram desta vida com vontade maligna e por isso seus pecados não foram perdoados, e nem serão, pois depois da vida terrestre não podem mais mudar a sua vontade. Ao partir desta vida, a alma permanece fixa no bem ou no mal. O julgamento é irreversível, porque, para além da morte, não há possibilidade de mudar a posição de liberdade, que foi fixada al como se achava no momento da morte.
— A alma no Purgatório sabe que a pena pela qual está passando a aproxima mais do estado de sua primeira criação, pura e limpa, e se descortina, aos poucos, para ela, o instinto beatífico para Deus. E sabe que a pena é finita, pois já estão sem culpa, cancelada pelo arrependimento. Com o passar do tempo sentem mais a radiação divina.
— Deus diminui a pena devida dos que estão no Inferno, não em duração, porque é para sempre, mas em quantidade, pela sua doce bondade. Ou seja: eles sofrem lá uma pena menor do que realmente mereciam. Diz a santa: “Oh! Como é perigoso o pecado feito com malícia! O homem dificilmente se arrepende dele, e não se arrependendo, permanece na culpa. E o homem persevera na culpa tanto quanto persiste na vontade do pecado cometido ou a cometê-lo.
— No Purgatório as almas têm suas vontades inteiramente em conformidade com a vontade de Deus. E Deus corresponde com a sua bondade e elas permanecem contentes com a vontade de Deus, pois são purificadas do pecado original e do pecado atual. As almas purificadas de toda culpa e unidas a Deus pela vontade, veem Deus claramente, de acordo com o grau em que Ele a elas se manifesta. Percebem quão importante é desfrutar Deus, pois sabem que as almas foram criadas para esse fim.
— As almas do Purgatório sentem a fome de Deus e padecem por isso, mas sabem que depois da pena vão poder vê-lo e serão saciadas plenamente dessa fome. Por isso suportam com amor suas penas, pois sabem que essas penas é que vão lhes trazer a visão beatífica. A união a Deus lhes é tão importante que, em comparação a ela, o Purgatório lhes parece nada, muito embora seja semelhante ao Inferno.
— O PARAÍSO: não tem nenhuma porta (por parte de Deus). Ali entra quem quiser entrar, porque Deus é todo misericórdia e se volta para nós com os braços abertos para nos receber em sua glória. Mas a essência divina “é de tal pureza e claridade, muito mais do que podemos sequer imaginar, que a alma que tem em si uma imperfeição como uma partícula de pó, se lançaria decerto em mil infernos, antes de encontrar-se diante da presença divina com aquela mínima mancha”. Como o Purgatório está precisamente à disposição para remover essa mancha, lança-se nele, sabendo que ali se encontra uma grande misericórdia, que é capaz de livrá-la desse impedimento.
8- A importância do purgatório : — A santa viu nele tanta pena quanto no Inferno, mas a alma o recebe com toda a misericórdia, pois a mancha que ela tem que tirar de si a impede de se unir ao seu amor, ou seja, a Deus. Pareceu à santa que a pena consiste mais em que a alma vê em si algo que desagrada a Deus e que ela (a alma) fez voluntariamente, contra a infinita bondade de Deus. Essa é a pena maior do que outras que ali a alma vai encontrar. As almas estão na graça de Deus, mas ainda sentem esse impedimento (as manchas deixadas pelos pecados perdoados), que não as deixa se acercar de Deus. Deus “vai continuamente atraindo a alma e inflamando-a no seu fogo, e não a deixa nunca, até que a tenha conduzido àquele ser primitivo, ou seja, para aquela perfeita pureza na qual foi criada”.
9- Cada um tem seu grau de perfeição próprio, de acordo com o que praticou aqui na terra, e chega a esse grau de perfeição após a pena purificadora. A santa compara com a purificação do ouro, que chega aos 24 quilates e aí não muda mais, por mais fogo que se coloque nele. Cada elemento tem seu limite próprio. Assim a alma: cada uma tem seu grau de perfeição.
10- Se as almas do Purgatório pudessem ser purificadas somente pela contrição, num instante pagariam totalmente suas dívidas, pois sua contrição é grande pela clara luz que as faz ver a importância do impedimento. Entretanto, o impedimento tem que ser pago integralmente, e Deus não o tolera nem em uma mínima parte, pois assim exige sua justiça (nota minha: acredito que essa contrição seja possível aqui na terra, e desse modo não precisaríamos passar pelo Purgatório. É o caso dos santos e santas...).
11- E diz mais a santa: “Agora que vejo estas coisas claramente na luz divina, sinto vontade de gritar com um grito tão forte, que poderia assustar a todos os homens do mundo, dizendo-lhes: Oh! Miseráveis! Por que razão se deixam cegar assim pelas coisas deste mundo, do que para uma necessidade tão importante, como na que se encontrarão e não tomais precaução alguma? Estão todos sob a esperança da misericórdia de Deus, que já é tão grande; porém não veem que tanta bondade de Deus será julgamento, por ter agido contra a sua vontade? Sua bondade deveria obrigá-los para fazer tudo o que Ele quer, mas não deve dar-lhes a esperança de cometer o mal impunemente. A justiça de Deus não pode falhar, e é preciso que seja satisfeita de uma forma ou de outra plenamente. Não confie, pois, dizendo: eu me confessarei e conseguirei depois a indulgência plenária, e no momento serei purificado de todos os meus pecados. Pensa que esta confissão e contrição, que se necessita para receber a indulgência plenária, é uma coisa tão difícil de se conseguir que, se tu soubesses, tremeria com grande temor, e estaria mais certo de não possuí-la do que de poder consegui-la”.
(A santa ainda continua a falar sobre o assunto, mas visando nossa vida aqui na terra. Se você se interessar a ver, o link está no início da página).
06/12/2020
Quando nós oferecemos a Deus o que passamos de contrariedades, sofrimentos, mortificações, penitências, doenças, momentos fortes de oração, romarias, caridade (obras de misericórdia e doações) e tantas outras coisas mais que nos custa, estamos nos utilizando isso como um purgatório. Sem a purificação dos pecados cometidos ninguém entra no céu, diz Apocalipse 21, 27: “Nela (na Cidade Celeste) jamais entrará algo de imundo, e nem os que praticam abominação e mentira. Entrarão somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro”. Maria insistiu muito nisso com Jacinta e Francisco, em seu aparecimento em Fátima, ou seja, para oferecerem tudo o que sofressem pela conversão dos pecadores, ou, mais prático, pelas intenções que Maria desejar aplicar.
Diz o Catecismo da Igreja Católica: “Esses bens espirituais da comunhão dos santos também são chamados o “tesouro da Igreja”, que é o valor infinito e inesgotável que têm junto a Deus as expiações e os méritos de Cristo nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade toda seja libertada do pecado e chegue à comunhão com o Pai (...). Pertence além disso a esse tesouro o valor verdadeiramente imenso e incomensurável e sempre novo que têm junto a Deus as preces e as boas obras da Bem-aventurada Virgem Maria e de todos os santos que, seguindo as pegadas de Cristo Senhor, por sua graça se santificaram e totalmente acabaram a obra que o Pai lhes confiara; de modo que, operando a própria salvação, também contribuíram para a salvação de seus irmãos na unidade do corpo místico” (nºs 1476 e 1477).
O nome "anjo", na verdade, é o nome do cargo desses espíritos, ou seja, "mensageiro".
Há 9 Coros Angélicos, pelo menos que conhecemos. Desses, apenas os Anjos da Guarda (nono coro) e alguns Arcanjos entraram em contato com os seres humanos. Dos Arcanjos, apenas São Gabriel, São Rafael e São Miguel falaram com seres humanos, segundo a Bíblia. Sabemos os nomes de apenas três deles, revelados na bíblia: MIGUEL, GABRIEL, RAFAEL. Os demais, provenientes de várias fontes, como visões particulares e livros apócrifos, não devem ser invocados pelos nomes. (Seus nomes: URIEL, JEGUDIEL, JEREMIEL, SEALTIEL, SALATIEL E BARAQUIEL. Ninguém sabe de onde esses nomes foram realmente tirados).
Foram criados em número incomensurável, muito antes que o ser humano. São divididos em 9 coros angélicos: 1° coro, Serafins; 2° coro, Querubins; 3° coro, Tronos; 4° coro, Dominações; 5° coro, Potestades; 6° coro, Virtudes; 7° coro, Principados; 8° coro, Arcanjos; 9° coro, Anjos.
Você pode encontrar os coros angélicos nestas citações bíblicas:
Serafins: Is 6,2;
Querubins Gn 3,24; Ex 25,18; 1Reis 6,23; Sl 18,11; Ezeq 10,3; Dn 3,55
Tronos: Col 1,16
Dominações: Ef 1,21
Virtudes: Ef 1,21
Potestades: Ef 1,21 e 1 Pedro3,22
Principados: Col 1,16
Arcanjos Tobias 3,16-17; Daniel 8,16; 9,21; 10, 13-21; 12,1
Anjos: em vários lugares
Além de Maria e dos santos, os anjos também intercedem por nós, como podemos ver em Mateus 18,10; Jó 5,1; cap. 33,23-24; Salmo 91,11-13; Apocalipse 8,3; Zacarias 1,12 (o anjo intercede por Jerusalém). Não há como negar esses textos todos! A Igreja é unida, reza unida, seja a parte dela que ainda está aqui (a Igreja padecente), seja a parte dela que já está no paraíso (a Igreja triunfante).
Devemos rezar diariamente para o nosso Anjo da Guarda e ter intimidade com ele, falando-lhe de nossos problemas, projetos, desejos, reconhecendo os fracassos etc.
Nosso Anjo oferece tudo o que fazemos de bom para Deus, continuamente. Na Missa e nas orações, nos acompanha sempre, a não ser que não queiramos ou o tivermos descartado.
A oração ao Anjo, todos a conhecem: “Santo Anjo do Senhor (nome), meu zeloso guardador, se a você me confiou a piedade divina, sempre me reja, me guarde, me governe e me ilumine, amém”.
Eles intercedem por nós e nos protegem em nossa caminhada nesta terra, se pedirmos isso a eles. Não podem interferir em nossa vida sem o nosso consentimento e são muito sábios e inteligentes.
Eles estão sempre ao nosso serviço, embora não sejam obrigados a nos obedecer. Eles são submissos apenas a Deus. São dotados de inteligência e vontade. São criaturas imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Eles intercedem por nós e nos ajudam em nossa caminhada na terra, nos inspiram coisas boas e o caminho certo, mas temos que pedir isso a eles.
Veja os textos sobre os Anjos da Guarda: Mateus 18, 10: “Seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus”. Jesus não mente!
Atos 12,15: “Então é o seu anjo!” Pedro batia à porta, mas todos pensavam que ele ainda estava preso.
Gênesis 24,40: “O Senhor, em cujo caminho sempre andei, mandará o seu anjo contigo e fará bem-sucedida a sua viagem”.
Gênesis 48,16: “O anjo que me guardou de todo mal, abençoe estes meninos!”
Êxodo 23, 20-21: “Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei. Esteja de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz. Não lhe resistas, pois ele não te perdoaria tua falta, porque o meu nome está nele”
Há entre algumas pessoas o costume de se colocar um nome ao próprio Anjo da Guarda. O Diretório Sobre a Piedade Popular e Liturgia (no parágrafo 217) diz que não se deve pôr o nome ao Anjo da Guarda. Cabe a você escolher o que fazer. No Catecismo Católico não há nada sobre isso, nos capítulos que fala dos Anjos (336). Naquela santa Cidade, onde há plenitude da ciência pela visão do Deus onipotente, não precisam de nomes próprios para se distinguirem uns dos outros. Ou seja, não ponha nome no seu Anjo. (Veja mais adiante sobre o porquê não se pode colocar o nome em nosso Anjo da Guarda).
Os Anjos só nos guardam se nós lhe pedirmos isso. Deus respeita nosso livre arbítrio e não se intromete em nossa vida se nós não lhe pedirmos. Os Anjos fazem a vontade dele e, portanto, também não agem sem que lhe peçamos.
Mesmo que sejamos bons e santos, nem sempre o Anjo nos livra dos perigos. Jesus é Deus e morreu crucificado e com inúmeras chagas. Os santos mártires não foram poupados de uma morte bárbara.
Há alguns santos que foram impedidos por Deus de morrerem pelos leões, pelo fogo, mas não escaparam da espada (tiveram suas cabeças decepadas), porque Deus nunca interfere em nossas ações, e não interferiu no ato do carrasco que decepou a cabeça do referido santo. Um exemplo disso é São Januário (19/09), que passou ileso pelo fogo e pelos leões, mas não se livrou de ter sua cabeça decepada.
Se no acidente a pessoa vai morrer, Deus pode, se quiser, impedir a sua morte. Mas, será que se a pessoa continuar viva irá para o céu quando morrer mais velha?
Ou também Deus pode permitir a morte de uma pessoa para livrá-la de males piores no futuro, como essas doenças que judiam muito da pessoa. Na verdade, só Deus sabe por que muitas vezes o nosso Anjo da Guarda não nos livra de alguns acidentes ou problemas.
Muitos problemas que temos, sabemos disso, provêm de pecados que cometemos. Se fizemos a coisa errada, o nosso Anjo, que não impediu nosso pecado, não vai também impedir as consequências do pecado, a não ser que façamos penitência, oremos, e mudemos de vida. Mesmo assim, nem sempre ele “conserta” as coisas para nós. Exemplo disso é Davi, que mandou matar Urias depois de ter pecado com a esposa dele. Davi teve que sofrer as consequências de seu pecado, mesmo depois de ter sido perdoado por Deus.
(Fonte: https://pt.aleteia.org/2018/04/19/posso-dar-um-nome-ao-meu-anjo-da-guarda/ )
Padre Paulo Ricardo - publicado em 19/04/18
Anjos têm nome? Posso tentar descobrir o nome do meu anjo da guarda, ou mesmo dar a ele um nome próprio de minha preferência?
Um dos ensinamentos mais belos e consoladores de nossa Igreja Católica é que cada um de nós possui um anjo da guarda, dado por Deus a nós a fim de nos conduzir pelo caminho da salvação. “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida” [1], ensina São Basílio Magno.
Anjos são espíritos puros. Eles têm inteligência e vontade, e operam de vários modos especiais a fim de nos guiar, influenciar e proteger. Não é apenas permitido, mas também muito bom e louvável que aprendamos a invocar nossos anjos guardiões e a reconhecer suas inspirações.
Existem, no entanto, alguns perigos a evitar em nosso relacionamento para com eles. Um erro particularmente persistente entre muitos católicos é o de tentar descobrir o nome ou a identidade de seus anjos da guarda, ou até mesmo dar-lhes um nome qualquer. Trata-se de uma prática compreensível, pois, quando seres humanos se relacionam, saber o nome um do outro constitui um primeiro passo indispensável. Contudo, uma distinção deve ser feita a esse respeito: entre si, os seres humanos são iguais, mas esse não é o caso entre nós e os poderosos membros da corte celeste.
Tentar descobrir o nome, ou dar um nome, ao nosso anjo da guarda, é uma má ideia por três razões principais.
Em primeiro lugar, Deus criou uma multidão de anjos, mais do que somos capazes de imaginar. E, no entanto, ele deu aos seres humanos, nas Sagradas Escrituras, os nomes de apenas três deles: São Gabriel, São Miguel e São Rafael. Como isso é tudo o que Deus quis nos revelar a respeito da identidade de anjos específicos, não devemos tentar descobrir os nomes de outros anjos. Esse conhecimento está além de nossa condição, e procurá-lo seria não só um ato de irreverência, mas também nos faria cair no vício da curiosidade.
A Bíblia possui relatos de seres humanos tentando sondar os nomes dos anjos, sem êxito algum. No livro do Gênesis, por exemplo, o patriarca Jacó não conseguiu descobrir o nome da criatura misteriosa que lutou com ele no deserto. “Jacó lhe pediu: ‘Dize-me, por favor, teu nome’. Mas ele respondeu: ‘Para que perguntas por meu nome?’” (Gn 32, 30).
Quando um anjo apareceu à mãe de Sansão, no livro dos Juízes, ela disse a seu esposo: “Veio me visitar um homem de Deus, cujo aspecto era terrível como o de um anjo do Senhor. Não lhe perguntei de onde vinha, nem ele me revelou o seu nome. Ele disse-me: ‘Ficarás grávida e darás à luz um filho’” (Jz 13, 6-7). Quando o anjo retornou, o pai de Sansão, chamado Manué, “perguntou-lhe: ‘Qual é teu nome, para que possamos te honrar quando tua palavra se cumprir?’ E o anjo do Senhor lhe disse: ‘Por que perguntas o meu nome? Ele é maravilhoso!” (Jz 13, 16-18).
Em segundo lugar, o ato de dar nomes é bastante significativo. Nomear uma coisa significa reivindicar autoridade sobre ela. No jardim do Éden, o Senhor concedeu a Adão domínio sobre todos os animais e, como um exercício dessa autoridade, Adão deu a todos os animais um nome que lhes fosse apropriado. Entretanto, Deus só trouxe a Adão as criaturas que estavam abaixo dos seres humanos na hierarquia da Criação (ou no mesmo nível, no caso de Eva). Deus não levou a Adão criaturas superiores aos homens, como são os anjos, puros espíritos.
Por isso, não cabe a nós dar nomes ou descobrir os nomes de criaturas que estão acima de nós. Conhecer o nome de um anjo é descobrir muito mais a respeito da sua identidade do que quando sabemos o nome de um ser humano. Porque os anjos são espíritos puros, conhecer-lhes o nome significa conhecer-lhes a essência, o próprio núcleo do seu ser e o propósito para o qual foram criados. Esse conhecimento está reservado somente a Deus e a quem Ele o quis revelar no Céu.
Em terceiro lugar, ao tentarmos descobrir o nome de nosso anjo da guarda, podemos acabar procurando por sinais de que nosso anjo está tentando nos responder com um nome específico. Nessa tentativa, nós poderíamos confundir muitas coisas como sendo “sinais”, sem que o sejam de fato, e terminaríamos apenas por nos iludir a nós mesmos.
Mais do que isso: assim como estamos na companhia dos anjos, também estamos na companhia de demônios. Se um deles vê que estamos tentando descobrir o nome de nosso anjo da guarda, e sabe o tipo de coisas que tomaremos por sinais (porque os anjos decaídos são mestres na arte de enganar), eles podem se disfarçar como anjos de luz e mandar-nos falsos sinais. Se observam que estamos seguindo seus enganos, eles nos podem nos levar para bem longe. É essa a razão por que muitos santos revelavam a seus diretores espirituais todos os fatos sobrenaturais que lhes ocorriam, para servir de proteção contra ilusões demoníacas.
Existe ainda uma última razão para não brincarmos com nomes de anjos: a Igreja desaconselha essa prática. De acordo com o Diretório sobre a piedade popular e a liturgia, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, “é de se rechaçar o costume de dar aos anjos nomes particulares, com exceção de Miguel, Gabriel e Rafael, que aparecem nas Escrituras” [2].Em síntese, uma vez que a humanidade se encontra hierarquicamente abaixo dos anjos, não devemos arrogar-nos um lugar superior, tentando nomear ou descobrir o nome dos anjos que nos foram designados como guardiões. A Igreja desencoraja essa prática para nossa própria proteção. Assim como as nada aconselháveis tentativas de se comunicar inapropriadamente com o mundo dos espíritos, fazer isso pode nos tornar vulneráveis à ação demoníaca, a qual Deus pode permitir a fim de nos ensinar uma lição de humildade. Fica claro, por todas essas razões, que não é de nossa alçada saber sobre os anjos mais do que nos foi revelado por Deus. Basta-nos o fato de que os temos sempre bem próximos a nós — só uma oração a distância. Procure diariamente, portanto, a guia do seu anjo da guarda, aprenda a amá-lo e a obedecer-lhe… mas não tente descobrir o nome que ele tem, para o seu próprio bem.
Referências
1-São Basílio Magno, Ad Eunomium, 3, 1 (PG 29, 656B); cf. também Catecismo da Igreja Católica, § 336.
2-Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Diretório sobre a piedade popular e a liturgia: princípios e orientações, 13 de maio de 2002, n. 217.
Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 21-03-2019, Gaudium Press) A Quaresma é o período ideal para não se esquecer do Maligno, com o pensamento a Jesus que no deserto pôde enfrentá-lo.
Jejum e lutas contra o demônio na Quaresma
João Paulo II em 26 de fevereiro de 2004, por ocasião do encontro com os párocos romanos disse:
"Enquanto empreendemos o itinerário quaresmal, olhemos a Cristo que jejua e luta contra o diabo. (...) Nós também, como Cristo, somos chamados a uma luta forte e decidida contra o demônio".
Recentemente o Papa Francisco durante o Angelus de 10 de março, primeiro domingo da Quaresma, disse:
"com o diabo não se dialoga, não se deve dialogar, só se lhe responde com a Palavra de Deus".
E Francisco ainda continuou:
" Há um aspecto sobre a qual gostaria de chamar a atenção, algo interessante. Jesus ao responder ao tentador não entra em diálogo, mas responde aos três desafios só com a Palavra de Deus"
Também , ainda há pouco, no dia 03 de março, o Papa Francisco, no seu encontro com as crianças da paróquia romana de São Crispim de Viterbo, falou do "pai da mentira":
"O diabo existe sim, é verdade, ele é o nosso maior inimigo. É aquele que procura nos derrotar na vida. É o que coloca nos nossos corações desejos maus, pensamentos feios e nos leva a fazer coisas ruins, as muitas coisas ruins que têm a vida, chegando até às guerras. (...) como podemos nos comportar para nos defendermos destas agressões do diabo, que é o dono do mundo? Antes de tudo com a oração.
(...) Por isso é preciso rezar a Jesus para que afaste o diabo de nós, para que não deixe que ele se aproxime de nós.
Vocês sabem qual é a maior qualidade do diabo? Porque ele tem qualidade: é muito inteligente, mais inteligente do que os teólogos!
É inteligente e essa é uma qualidade. Mas a qualidade que mais aparece no diabo e melhor se exprime é que é um mentiroso. (...) No Evangelho é chamado de pai da mentira".
Sucesso do demônio na representação
O que faz do diabo um grande perigo a ser enfrentado somente com as nossas forças, sem a graça, é sua capacidade de mimetismo, de disfarce, a inconstância para reforçar seu poder enganador.
Em cada época há o diabo que corresponde melhor aos seus pesadelos.
Na Idade Média era representado como um bode maléfico com o rabo pontudo, na metade do século XX sua imagem era de uma nuvem de cogumelo atômico.
Depois veio o período da negação da sua existência:
Era o tempo do materialismo, do relativismo, dos ateísmos de estado, do niilismo: se não existe Deus, não deve existir seu antagonista.
Mas, quando o homem nega a existência do diabo, ai está o grande sucesso do diabo.
Mistério da iniquidade
Na audiência de 15 de novembro de 1972, Paulo VI refere-se ao demônio recordando a dura e triste realidade daquela época italiana:
" Não é dito que cada pecado seja diretamente causado por uma ação diabólica (...) mas também é verdade que quem não vigia com certo rigor moral sobre si mesmo (...) se expõe à influência do mysterium iniquitatis, ao qual São Paulo se refere (...), e que torna problemática a alternativa da nossa salvação "
Sim! O Maligno existe
João XXIII identifica como "conspiração do descaso", a necessidade de negar a existência do Maligno, fingindo que não exista.
Em 1959, na conclusão do ano centenário das aparições de Lourdes João XXIII disse:
"Queridos filhos, como em outros tempos da história se adensaram nuvens no horizonte que colocaram em agitação almas, famílias e povos, assim agora, vive-se na angústia e no medo: especialmente para muitos que infelizmente fidem et spem non habent, não têm fé nem esperança.
Muitos pensam em inebriar-se e esquecer.
Mas a realidade está diante dos olhos de todos, e este acúmulo de desordens morais e de esforços imaturos e sacrilégios de se opor à soberania divina, à santa lei do Decálogo e do Evangelho é algo deplorável: assim como cresce a aversão à diária e despreocupada falsificação da verdade, da liberdade e da justiça através dos órgãos muitas vezes nefastos da opinião pública".
Olhar o mal de frente
Olhar o mal de frente continua sendo a tarefa mais grave e difícil para o homem do final do milênio, que continua a preferir o desdém, o enleio, acomodar-se nos lugares da não virtualidade, onde tudo parece neutro, nem bom nem mau.
Mas somente perecem ...
São expressões de João Paulo II durante a sua visita à Puglia em 24 de maio de 1987:
" Esta luta contra o Demônio, que caracteriza a figura do Arcanjo Miguel é atual também hoje, porque o Demônio está vivo e agindo no mundo. De fato, o mal que está nele, a desordem que se encontra na sociedade, a incoerência do homem, a fratura interior da qual é vítima não são apenas consequências do pecado original, mas também efeitos da ação infestadora e obscura de Satanás, que insidia o equilíbrio moral do homem "
O Vulto Novo para o demônio
Nos primeiros anos do novo milênio as chamas do Inferno aparecem através do terrorismo.
As torres gêmeas, atentados em Paris, Berlim, Bruxelas, a perseguição muitas vezes silenciosa de tantos cristãos pelo mundo...
Bento XVI durante sua viagem ao Líbano em 2012 recorda que devemos mudar:
"Devemos estar bem cientes de que o mal não é uma força anônima que atua no mundo de forma impessoal ou determinista.
O mal, o demônio, passa através da liberdade humana, através do uso da nossa liberdade; procura um aliado, o homem: o mal precisa dele para se espalhar. E assim, depois de ter violado o primeiro mandamento, o amor a Deus, vem para perverter o segundo, o amor ao próximo. Com ele, o amor ao próximo desaparece, deixando o lugar à mentira e à inveja, ao ódio e à morte. Mas é possível não se deixar vencer pelo mal, e vencer o mal com o bem (...).
Somos chamados a esta conversão do coração; sem ela, as 'libertações' humanas tão desejadas decepcionam, porque se movem no espaço reduzido que lhes concede a mesquinhez do espírito do homem, a sua dureza, as suas intolerâncias, os seus favoritismos, os seus desejos de vingança e os seus instintos de morte.
É necessária a transformação nas profundezas do espírito e do coração para reencontrar uma certa clarividência e imparcialidade, o sentido profundo da justiça e do bem comum". (JSG)
(Da Redação Gaudium Press, com informações Vatican News)
Diz Lucas 10,18: “Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago”. Apocalipse 12,7-9, num texto maior. Ele não pode nos obrigar a pecar. É vencido pela oração. O poder de Deus é maior que o do mal, como vemos em Marcos 3,23-30.
Em 1ª Pedro 5, 8, vemos que devemos ser “sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, anda em derredor como um leão que ruge, procurando a quem devorar”.
Segundo o Apocalipse cap.12,7-9, o demônio era um anjo de luz (esse é o significado da palavra “Lúcifer”: o portador da luz), mas revoltou-se contra Deus com muitos outros anjos, que o seguiram, como aconteceu depois com Adão e Eva, e quiseram ser tão ou mais poderosos do que Ele. Não quiseram mais viver com Deus, e este criou um estado de vida para eles, a que chamamos inferno.
14 setembro 2012 Autor: Bíblia Católica | Postado em: Doutrina Católica 3
Autor: Dom Estevão Bitencourt
A razão por que muitos em nossos tempos não acreditam no inferno, é que nunca tiveram explicação exata do que ele significa: é frequente conceber-se o inferno como castigo que Deus inflige de maneira mais ou menos arbitrária, como se desejasse impor-se vingativamente como Soberano Senhor; o réprobo seria atormentado maldosamente por demônios de chifres horrendos, em meio a um incêndio de chamas, etc. — Não admira que muitos julguem tais concepções inventadas apenas para incutir medo ; não seriam compatíveis com a noção de um Deus Bom.
Na verdade, o inferno não é mais do que a consequência lógica de um ato que o homem realiza de maneira consciente e deliberada aqui na terra; é o indivíduo quem se coloca no inferno (este vem a ser primariamente um estado de alma; vão seria preocupar-se com a sua topografia) ; não é Deus quem, por efeito de um decreto arbitrário, para lá manda a criatura, É o que passamos a ver.
Admitamos que um homem nesta vida conceba ódio a Deus (ou ao Bem que ele julgue ser o Fim último, Deus) e O ofenda em matéria grave, empenhando toda a sua personalidade (pleno conhecimento de causa e liberdade de arbítrio); essa criatura se coloca num estado de habitual aversão ao Senhor. Caso morra nessas condições, sem retratar, nem mesmo no seu íntimo, o ódio ao Sumo Bem, que sorte lhe há de tocar ?
A morte confirmará definitivamente nessa alma o ódio de Deus, pois a separará do corpo, que é o instrumento mediante o qual ela, segundo a sua natureza, concebe ou muda suas disposições. Depois da morte, tal criatura de modo nenhum poderá desejar permanecer na presença de Deus; antes espontaneamente pedirá afastar-se d’Ele. Não será necessário que, para isto, .o Juiz supremo pronuncie alguma sentença; o Senhor apenas reconhecerá, da sua parte, a opção tomada pela criatura ; Ele a fez livre e respeitará esta dignidade, em hipótese nenhuma forçando ou mutilando o seu alvitre.
Eis, porém, que desejar afastar-se de Deus e permanecer de fato afastada, vem a ser, para a alma humana, o mais cruciante dos tormentos. Com efeito, toda criatura é essencialmente dependente do Criador, do qual reflete uma imagem ou semelhança ; por conseguinte, ela tende por sua própria essência a se conformar ao seu Exemplar (é a natureza quem o pede, antecedentemente a qualquer opção da vontade livre); caso o homem siga esta propensão, ele obtém a sua perfeição e felicidade.
Dado, porém, que se recuse, a fim de servir a si mesmo, não pode deixar de experimentar os protestos espontâneos e veementíssimos da natureza violentada. A existência humana torna-se então dilacerada : o pecador sente, até nas mais recônditas profundezas do seu ser, o brado para Deus ; esse brado, porém, ele o sufocou e sufoca, para aderir a um fim inadequado, fim que, em absoluto, ele não quer largar apesar do terrível tormento que a sua atitude lhe causa. —
Na vida presente, a dor que o ódio ao Sumo Bem acarreta, pode ser temperada pela conversão a bens aparentes, mas precários…, pela auto ilusão; na vida futura, porém, não haverá possibilidade de engano!
É nisto que consiste primariamente o inferno. Vê-se que se trata de uma pena infligida pela ordem mesma das coisas, não de uma punição especialmente escolhida , entre muitas outras por um Deus que se quisesse “vingar” da criatura. Em última análise, dir-se-á que no inferno só há indivíduos que nele querem permanecer. —
A este tormento espiritual se acrescenta no inferno uma pena física, geralmente designada pelo nome de fogo; certamente não se trata de fogo material, como o da terra, mas de um sofrimento que as demais criaturas acarretam para o réprobo, e acarretam muito naturalmente. Sim; quem se incompatibiliza com o Criador não pode deixar de se incompatibilizar com as criaturas, mesmo com as que igualmente se afastaram de Deus (o pecador é essencialmente egocêntrico), de sorte que os outros seres criados postos na presença do réprobo vêm a constituir para este uma autêntica tortura (não se poderia, porém, precisar em que consiste tal tormento).
Por último, entende-se que o inferno não tenha fim ; há de ser tão duradouro quanto a alma humana, a qual por sua natureza é imortal; Deus não lhe retira a existência que lhe deu e que, em si considerada, é grande perfeição. Embora infeliz, o réprobo não destoa no conjunto da criação, pois por sua dor mesma ele proclama que Deus é a Suma Perfeição, da qual ele se alheou (é preciso, nos lembremos bem de que Deus, e não o homem, é o centro do mundo).
Não se pense em nova “chance” ou reencarnação neste mundo. Esta, de certo modo, suporia que Deus não leva a sério as decisões que o homem toma, empenhando toda a sua personalidade; o Senhor não trata o homem como criança que não merece respeito. De resto, a reencarnação é explicitamente excluída por textos da Sagrada Escritura como os que se acham citados sob o nº 8 deste fascículo.
Eis a autêntica noção do inferno, que às vezes é encoberta por descrições demasiado infantis e fantasistas.
Veja a propósito E. Bittencourt, A vida que começa com a morte (ed. AGIR) Cap. VI.
Redação (Terça-feira, 05-06-2018, Gaudium Press) Através de um vídeo postado nas redes sociais, o Padre Samuel Bonilla, esclareceu algumas verdades esquecidas sobre a existência do demônio.
Utilizando as Sagradas Escrituras, o sacerdote explicou que a palavra "diabo" tem origem grega e significa "caluniador" e que apesar de no Antigo Testamento ser utilizada mais a palavra 'Satanás', no Novo Testamento o termo mais empregado é 'diabo'. No entanto, existem muitos outros nomes (Lúcifer, Belzebu, Belial) e títulos com os quais o demônio é chamado (maligno, tentador, príncipe deste mundo, deus deste século, acusador dos irmãos).
Sobre a origem do demônio, o Padre ensina que "Deus não criou o diabo, criou os anjos, mas em algum momento alguns anjos se rebelaram contra Deus. Nesse momento, muitos decidem ser aquilo para que foram criados, para louvar a Deus. Mas outros se rebelam pela soberba e não querem louvar a Deus, querem tomar o lugar de Deus. Foi assim que nasceu o diabo e foi jogado no inferno".
Citando o Catecismo da Igreja Católica, o sacerdote recorda que os demônios "foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus. Esta decisão é irrevogável, porque eles são seres espirituais, não temporais, suas decisões têm repercussões eternas".
Um alerta que o Padre Sam dá é o de não brincar com o demônio, pois por ser um anjo, "é superior a nós, à nossa natureza humana, ele tem uma natureza espiritual". Entretanto, "o poder do diabo não é infinito, porque o diabo é uma criatura", e nós cristãos "somos filhos de Deus, que é todo-poderoso".
"Aqueles que estão mais próximos de Deus, ou se esforçam para estar perto de Deus são perseguidos com mais insistência pelo diabo", recordou o sacerdote recordando dos muitos santos que tiveram um combate direto com o demônio, tais como São Francisco de Assis, Teresa de Ávila, São João da Cruz, Catarina de Sena, São João Maria Vianney e Padre Pio.
Concluindo suas considerações, o Padre Sam advertiu que "uma das táticas preferidas do diabo é fazer a pessoa acreditar que ele não existe, que ele é um simples símbolo ou uma ideia, uma invenção do homem. Entretanto, o demônio não é um mito e devemos combatê-lo". (EPC)