Data de publicação: 24/abr/2020 17:00
Ouve-se um grito, um choro, um berro de tristeza;
Ouve-se um pranto, um chamar, um apelar à firmeza;
Ouve-se um pássaro a cantar e um gato a gemer,
Vê-se uma lágrima no céu a correr,
Vê-se uma onda gigantesca no alto mar,
Vê-se uma árvore, sem folhas, a tremer,
Sente-se um vento, um clarão a nascer,
Sente-se uma tempestade de pavor,
Sente uma dor... uma dor...
Um medonho nevoeiro atravessou a terra,
Há uma estranha sensação de guerra,
No palpitar de cada um.
Todos correm para lugar algum:
Correm, correm, pisam, pisam, choram, gritam.
Surge então a noite algo esperada:
O mundo fecha os olhos para os nunca mais abrir;
A lua foge, foge, para nunca mais voltar;
A luz do sol abandona-nos para sempre.
Acabaram os animais, acabaram as plantas,
Acabaram as alegrias e tristezas,
Acabou a vida e a morte,
Acabou o mundo.
Acabou o homem pelo homem...
Rafael M. Coelho, poema escrito em 1985, bem atual, infelizmente