Data de publicação: 19/abr/2020 12:27
Escrevo isto antes de se saber qual o resultado da polémica e quando a "Petição para Cancelamento das Comemorações do 25 de abril já tem mais de 70mil assinantes".
Continuamos no país do "vale tudo".
Numa altura em que se pela novamente ao "orgulho nacional", ao "depois da quarentena, vai para fora cá dentro", ao "adquirir produtos nacionais", à "união em torno da batalha contra o Covid-19", ao "ficar em casa", etc., eis que surge a desunião e a polémica, do lado de onde não era de esperar: da Assembleia da República ("Casa da Democracia") e do super afetuoso e transversal Presidente da República, acerca das comemorações do 25 de abril neste ano da (des)graça de 2020.
Não vale a pena estar a explicar aqui toda a polémica e discussão instaladas. Apenas quero deixar aqui a minha opinião.
O 25 de abril e 1974 trouxe a liberdade a Portugal, felizmente, mas não trouxe a democracia, infelizmente. Não trouxe a democracia, digo eu, porque parte da população ainda se acha, 46 anos após a revolução, que é dona da mesma. Sempre se achou e continua a achar. Ora, isso, não é uma atitude democrática.
Por um lado, temos uma parte da esquerda que sempre se achou "proprietária" das heranças revolucionárias, qual Irmão do Filho Pródigo, que também se achava dono da herança de seu Pai, esquerda essa que continua a ser sectária e acusando, tudo o que é do centro para a direita do espectro político em Portugal, como "Fascistas" (muitos deles nem sequer sabem escrever a palavra...).
Por outro lado, temos uma direita, que desde abril de 74 não existia tão à direita. Assim como temos dito durante 46 anos que certa esquerda fez falta ao regime, porque não dizer agora o mesmo em relação a certa direita? Provavelmente tem feito tanta falta nestes anos, como fez a extrema esquerda... só que, para muitos, isso é fascismo. No entanto, em termos teóricos, os extremos tocam-se, por isso, para mim, fascismo e comunismo, são realidades com idênticas finalidades e propósitos de retirar liberdade de escolha e democracia ao povo, embora encapuçados por um populismo hipócrita e que, muitas vezes, distorce a realidade e consegue enganar o povo menos esclarecido.
Ora isto não é democracia. Nem uma coisa, nem outra.
O 25 de abril também foi feito por pessoas encostadas ao centro-direita e não conseguiu vingar sem essas pessoas. Teria sim fracassado, se parte dessa esquerda sectária não tem sido travada para evitar que a ditadura virasse de setor.
A Páscoa, que é uma das festas e épocas mais antigas e tradicionais do mundo, com milhares de anos de existência, não tem dia certo para ser comemorada e vivida.
O 10 de junho este ano foi alterado para o ano que vem...
Então, porque não esperar pelo fim do Estado de Emergência, para comemorar o 25 de abril e o 1.º de maio?
Deixai-vos de polémicas desnecessárias e sejai coerentes. Sim, estou a falar para vós: Suas Excelências o Presidente da República e Presidente da Assembleia da República.
2020 abril 19
Rafael M. Coelho