Apesar de não ser sob determinado ponto de vista a melhor altura para falar no assunto, Henrique sentia cada vez com maior intensidade a necessidade de falar com Lúcia acerca daquele acontecimento do passado que poderá vir a representar para ele e para a família, um grande problema. Questionava-se a si próprio, qual iria ser a reação da sua mulher sobre o que se passou e as consequências que tal acontecimento teve. Não só a mulher, como os filhos e restante família. É certo que esses acontecimentos ocorreram numa altura em que ainda não estava com a Lúcia, mas a forma como aconteceram e as pessoas que envolveram na história é que podem trazer para ele uma má impressão dos seus entes queridos e afetar de certa forma a sua relação com com ele. Para além do estatuto social poder ficar atingido ao saber-se que Henrique Alfonso tinha um filho de uma prostituta e tinha mantido o segredo por muitos anos. O facto de ele afirmar que estava inconsciente e de não se recordava de nada, não o iliba de vir a ser familiar e socialmente condenado. Depois, quem irá acreditar que ele estava mesmo inconsciente? Todos vão alegar que esse facto é uma invenção de Henrique para se desresponsabilizar do ato que cometeu. Por vezes ele próprio nem acredita nisso, de que estava mesmo inconsciente. Tendo a noção de que se muitas vezes o nosso inconsciente cria barreiras para nos proteger de grandes problemas, Henrique muitas vezes pensa nisso. Pensa se terá sido o seu subconsciente que criou esta barreira de esquecimento ou de amnésia, sabendo que tinha cometido provavelmente o maior erro da sua vida e de esse problema o poderia vir a perseguir por toda a sua vida. Não nos aconteceu já a todos querermos tanto que uma coisa aconteça, que ela acaba mesmo por acontecer? É como se estivéssemos a atrair esse acontecimento para as nossas vidas. Sabe-se que a forma negativa (o não) não é assimilado pelo nosso cérebro, ele apenas processa acontecimentos positivos. O não é simplesmente a negação do sim, por isso algo negativo é a ausência de algo positivo. Se Henrique não tinha na sua vida algo positivo naquela altura do envolvimento na casa das meninas, então essa altura foi para ele negativa, por isso o seu cérebro "esqueceu-a". E possivelmente esse "esquecimento" ficou sedimentado, quando Henrique encontrou Lúcia e deixou por isso de ter motivos para lembrar tal acontecimento. Se ele estivesse inconsciente, então porque se retirou da cama e daquela casa a meio da noite e foi dormir para a sua própria casa? Se estava inconsciente, como poderia ter chegado à sua casa sozinho, sem ajuda, deitar-se na sua cama e dormir? É muito estranho, de facto. Ou será que Henrique tentou durante toda a sua vida até este momento conscientemente apagar essa lembrança do seu pensamento e conseguiu-o mesmo, através do exercício da sua mente? Ele sabia que este problema poderia custar o seu casamento ou, pelo menos, poderia ser um motivo suficientemente grande para que Lúcia o viesse a castigar. Seria o amor entre ambos suficientemente grande e forte capaz de ultrapassar este enorme obstáculo? De qualquer forma, a verdade deveria prevalecer sobre todos os restantes argumentos e por isso Henrique estava consciente que deveria ter essa conversa com a sua mulher o mais rapidamente possível. Por isso, deixou que terminasse a festa de licenciatura de Filipe, que todos recolhessem aos seus aposentos, para tomar a coragem necessária para o fazer.
Sentados na cama, Henrique pediu a Lúcia um pouco da sua atenção, para ter com ela uma conversa muito importante e algo urgente. Apesar de um bocado cansada, Lúcia acedeu. Henrique começou pelo início e contou tudo ao pormenor, sem nunca ter sido interrompido, até ao fim. A pouco e pouco, o rosto de Lúcia ia-se transformando. Parecia que aos poucos se estava a apoderar dela um sentimento nunca até então vivido nem por ela, nem por ambos. Henrique ia percebendo, durante a conversa, a contrariedade interior que a sua mulher estava a começar a sentir e a acentuar. Henrique ia ficando aos poucos com o rosto e as orelhas cada vez mais vermelhas e a transpiração por debaixo dos braços, escorria-lhe costelas abaixo. O sangue que sobrava na cara dele, desaparecia da cara dela. De vez em quando, perguntava-lhe: "Querida, estás bem? Estás a ouvir?". Cada vez mais branca, cerrando as mãos e esticando o nariz para cima, Lúcia esperou enfurecida, mas paciente o final da história. Henrique não adivinhava um final bom como resultado desta conversa, mas tinha que falar tudo. Quando ele terminou, fez-se um silêncio ensurdecedor. Henrique esperava uma reação de Lúcia, que tardava. De cabeça entre as mãos que a seguravam, com os cotovelos em cima dos joelhos, sentada na cama. Levantou-se, disse a Henrique: "Não digas nada, deixa-me ficar sozinha, com os meus pensamentos, não me sigas." Ele, hesitante, mas obediente, só perguntou: "Estás bem? Queres que te prepare um chá? Um copo com água?" "Não, não preciso de nada, só preciso de estar sozinha, não te preocupes", disse-lhe ela.
Lúcia, desceu as escadas, foi até ao escritório, preparou uma bebida forte e sentou-se num dos sofás. Agarrando o copo com intensidade, ora bebia, ora se chegava à frente, ora se encostava no sofá. Apoderava-se do seu coração uma grande angústia, como se a sua vida tivesse terminado ali e não houvesse mais nada para viver, mais nada para sentir, mais nada para contar. No final do copo vazio, a sua angústia transformava-se em choro. Lúcia chorou como nunca lhe acontecera durante toda a sua vida passada. Henrique, inquieto, saiu em silêncio do quarto e sorrateiramente, desceu as escadas escuras e tentou perceber onde estaria Lúcia. Avistou a linha luminosa que atravessava por debaixo da porta encerrada do escritório. Nada ouvia. Não quis incomodar a privacidade, silêncio e reflexão da mulher, voltou-se e regressou para o quarto. Lá dentro, Lúcia continuava agonizante, pesando na balança da sua consciência e racionalidade típicas da sua personalidade, todos os prós e contras que aquela história iria trazer nas suas vidas e na sua relação. Ora pensando, ora dormitando, Lúcia continuou inconsolada toda a noite e por ali ficou quase sem nada dormir toda a noite até ao amanhecer. Henrique, deitado na cama, de barriga para cima, braços atrás da cabeça, olhando para o teto que não via, só via a desgraça iminente que poderia estar para acontecer.
Amanheceu. Os raios do sol nascente rompiam os blocos de nuvens que pelo céu flutuavam, em velocidade quase impercetível. Iluminavam as folhas das árvores que esvoaçavam em ritmada dança ao som do nada que se ouvia. Chilreavam os primeiros pássaros da aurora, despertando o mundo para um novo e importante dia de Maio. A norte, uma fraca e movediça neblina escondia o que se passava na outra margem do rio esverdeado, rompida por alguns madrugadores barcos de pesca, dois de transporte de passageiros que navegavam nas águas calmas do estuário, interrompidos por um portentoso e imponente cruzeiro que rompia por entre aquela nuvem adormecida.
Lúcia procurava na cozinha o cheiro do primeiro café da manhã, feito por Albertina e, aos poucos, outros hóspedes iam chegando, quais abutres à caça da sua presa morta. O seu olhar cruzava-se com o de Henrique: "Bom dia!", dizia ele. "Bom dia!", respondia ela ensaiando um sorriso tristonho. Albertina olhava-os admirada. "Até parece que não dormiram juntos...", pensava com os seus botões. Aparece Aníbal, avisando que Maria e os miúdos estavam quase a descer: "Temos que sair cedo, há muito a fazer no Alentejo." Sentaram-se à mesa do pequeno almoço. Uns já vestidos, outros ainda em pijama e algo despenteados. A pouco e pouco chegavam os jovens da casa e o ancião, que também se levantava cedo: "Tenho que ir cuidar das minhas plantas. Todos ficaram admirados por António Alfonso se levantar tão cedo. Era o hábito de tantos anos a madrugar como as galinhas. Agora, tinha arranjado como ocupar parte das suas manhãs, cuidando das suas plantas: canteiros de flores e algumas árvores que se encontravam no jardim e as quais tinha adotado, para cuidar delas. Sentia-se bem com essa atividade. "Agora, depois de velho, é que me virei para a natureza... dá-me muito prazer e sinto-me muito feliz em cuidar delas..." Sempre admirável, este septuagenário. O casal nada falou à mesa. Ainda estavam em pijama. Henrique aguardava o sinal de Lúcia para a inevitável conversa, mas... "Bem, temos que ir trabalhar!", disse ela e, levantando-se da mesa, dirigiu-se ao quarto, guarnecido de casa de banho, para se arranjar. Henrique foi logo atrás. Já no quarto: "Henrique, temos que falar, mas não agora. Vamos trabalhar, para nos distrairmos. Falamos ao almoço, no restaurante do teu hotel." "Vais lá ter comigo?", perguntou Henrique. "Sim, vou, estou tão perto...", respondeu.
E lá foram ambos no mesmo carro, mas em silêncio. Como a curta viagem até ao local de trabalho de Lúcia era tão curta, não havia necessidade de iniciar uma conversa que não iriam terminar. Porém, as suas mentes não paravam de encontrar frases e argumentação para a tal conversa que travariam ao almoço. Bolas, ao fim de contas, eles amam-se, têm uma família, têm filhos e têm um nome, um estatuto e uma educação e formação pelas quais zelar. Com certeza que encontrariam uma solução, embora que dolorosa ao início, que satisfizesse todas as partes envolvidas. Henrique deixou Lúcia no seu trabalho e seguiu rumo ao seu. Esse era um dia que ele normalmente utilizava para fazer uma ronda por algumas das unidades. No entanto, a sua perturbação mental não o deixava concentrar-se noutra coisa que não seja este problema. Tem receio que possa vir a transmitir alguma impressão errada aos seus colaboradores ou que o seu estado de espírito perturbe a sua habitual lucidez. Por isso, Henrique decide não fazer hoje essa ronda. Entra para o seu habitual gabinete e prefere ir resolver alguns assuntos pertinentes.
A sua secretária estranhou a presença de Henrique naquele dia na sua unidade habitual e questionou-o a respeito "Algum problema, doutor?" Henrique respondeu-lhe que nesse dia iria alterar a sua habitual agenda e ficaria por ali mesmo, para resolver problemas e situações pendentes. "Ainda bem, pois tenho aqui diversas situações para vermos e para o doutor decidir o que vai fazer em relação a algumas." Ainda bem, pensou ele, pois precisava mesmo de alguma que o distraísse, ou então não iria conseguir fazer nada toda a manhã, ansioso pela hora do almoço. Henrique tinha documentos para assinar, um processo disciplinar para decidir, contratações para decidir, contratos de trabalho para assinar, tópicos de reuniões agendadas para anotar e alguns pedidos de colaboradores para responder. Esta é muitas vezes a vida profissional de um gestor: quanto mais pessoas e empresas, mais situações e problemas para resolver. Pensa-se constantemente na sociedade que um gestor ou um patrão nada faz, só emana decisões, debita ordens, redige normas, pede resultados. Mas de facto isto não é verdade para todos os gestores ou patrões responsáveis, cuja cadeira onde se sentam lhes confere poder, mas também responsabilidade. Apesar de Henrique ser ao mesmo tempo administrador e patrão, cuja responsabilidade é acrescida por essa via, ele sente-se como um igual entre todos os colaboradores das suas empresas e tem também sócios e acionistas aos quais prestar contas, uma vez que o dinheiro investido por eles deverá ser remunerado, ou seja, recompensado, através da distribuição de resultados. Felizmente nesse aspeto, Henrique nunca se viu numa situação de ter que justificar eventuais prejuízos, por raramente os há, no entanto, nem sempre os lucros são os esperados. Ele trava em cada reunião de acionistas grandes batalhas com estes no que toca à responsabilidade social de que ele é defensor, mas que muitos dos investidores vêm como mais um custo, em vez de a verem como um investimento na sociedade, na motivação dos seus colaboradores, na ajuda aos mais necessitados, através do mecenato junto de instituições de solidariedade social necessitadas. Digamos que Henrique se situava nesta época, um pouco adiantado em mentalidade, quando comparado com congéneres seus, para os quais apenas a maximização do lucro importava, desprezando a integração social das suas empresas a restante sociedade. Apesar dessas batalhas, que quase sempre ganha, não só porque ele representa a maioria do capital das suas empresas, porque "responde" não só pelas suas quotas, como pelas do seu pai, da sua mulher, que também é acionista e ainda pelas de Aníbal e Maria da Cruz, que receberam ações das empresas em troca das parcerias, feitas com a agricultura. Dizia que Henrique ganha essas batalhas não só porque representa a maioria da estrutura acionista das empresas, como também porque a sua argumentação, os resultados que apresenta, a taxa de rotatividade dos seus colaboradores é muito baixa devido à sua satisfação e motivação e ainda devido à sua capacidade de argumentação e persuasão. Todas estas caraterísticas, nem sempre se aprendem nas faculdades. É a sensibilidade de cada um e a sua formação e experiência que ditam estas práticas. Nas unidades habitualmente visitadas neste dia da semana, também houve algum burburinho pela ausência do gestor. Alguns comentavam sobre o que poderia ter acontecido para que o patrão não tivesse aparecido... circularam até algumas informações erradas e distorcidas e até se formularam algumas piadas a respeito... mas cedo se ficou a saber que afinal Henrique tinha optado por ficar a trabalhar nesse dia no seu gabinete, porque tinha vários assuntos pendentes e que necessitava de resolver. Correu também a versão que Henrique iria passar a visitar as unidades em dias incertos, para que o pessoal não se habituasse ao dia em que o patrão lá iria e, assim, deixassem para esse dia o trabalho perfeito e as ações perfeitas, relaxando nos restantes dias... enfim, em todo o lado existem esses ou essas más línguas que só pensa em desestabilizar o ambiente propiciado. Essa versão chegou aos ouvidos da secretária de Henrique, que de imediato lhe fez saber. Então, Henrique ao ouvir isso, pensou um pouco e comentou:
- De facto, tem algum sentido não habituar o pessoal às minhas visitas rotineiras. Vou passar a agendar dias distintos da semana para me deslocar a cada uma das unidades. Assim, o pessoal estará sempre alerta e atento ao trabalho, não se preocupando apenas no dia em que sabem que os vou visitar, mas estarão preocupados e atentos todos os dias, porque em qualquer um deles eu poderei aparecer. Essa é mais uma forma de auditar o trabalho e as operações. O que acha?
- Parece-me bem, doutor. Mas decidirá antecipadamente os dias em que vai a cada unidade para colocarmos na sua agenda e assim conciliar com outros eventos, ou irá decidir aleatoriamente e sem critério?
- Sem critério? Como sem critério? Alguma vez faço alguma coisa sem critério?
- Não, doutor, não era isso que eu queria dizer, desculpe. Queria dizer...
Reconhecendo para consigo próprio que tinha sido um bocado brusco, Henrique:
- Desculpe, eu é que peço desculpa. É claro que não queria colocar em causa o meu critério, queria apenas saber como organizar o seu trabalho de controlo da minha agenda.
- Não faz mal, doutor.
- Olhe, então, fazemos o seguinte: em cada sexta-feira, ao final do dia de trabalho, definimos a minha agenda de visitas para a semana seguinte, pode ser assim?
- Parece-me bem, doutor, assim conseguiremos organizar melhor todas as suas atividades e diversificar as suas visitas.
Habitualmente, Henrique não é tão brusco nas suas observações. De facto o seu problema com a Lúcia está a perturbá-lo sobremaneira e por isso o seu humor está alterado. Antes de a secretária sair do seu gabinete, Henrique pede-lhe:
- Olhe, peça por favor ao nosso restaurante aqui do hotel, para reservar uma mesa para duas pessoas. Aquela mais isolada lá ao fundo da sala, com vista para o rio, pode ser?
- Com certeza doutor. - E retirou-se.
~~~* ~~~
Lúcia e Henrique encontraram-se finalmente no cantinho mais discreto do restaurante do hotel. Lúcia já tinha decidido o que dizer e fazer com o problema que tinham em mãos. Mas não estava inteiramente ciente sobre a sua capacidade de colocar esta "traição" de Henrique para trás das costas, esquecer e avançar como se nada tivesse acontecido. Sabia que o seu relacionamento iria sofrer algumas diferenças, porque quando se perde a confiança de alguém em quem se depositou a maior possível, a descarga emocional que se segue é bastante forte e por vezes destruidora. Como cristãos e pessoas bem formadas que são, o casal sabia que haveria numa fase como esta das suas vidas, adotar a maior tolerância e a maior caridade. Mais do que nunca deveriam estar próximos e deveriam fomentar entre si a maior amizade, para voltarem a reconquistar a confiança perdida. Lúcia sabia que este erro de Henrique tinha ocorrido antes de se conhecerem, no entanto achou estranho que ele não se recordasse de nada. Seria uma desculpa que ele tinha encontrado para ocultar este acontecimento fortuito da sua vida? Ou seria mesmo verdade? Esquisito foi também o facto de ele ter conseguido ir até sua casa sozinho e sem ajuda, apesar de estar inconsciente. Lúcia sabia também que, uma vez descoberta esta situação, rapidamente chegaria a informação à sua casa, à sua família e à comunicação social. Para não ser considerada e não se sentir uma pessoa injusta, muito menos na sua família, Lúcia tinha decidido assumir perante os seus futuros interlocutores sobre este assunto que conhecia este envolvimento de Henrique desde que se conheceram, apenas desconhecia, assim também como ele, a hipotética existência de um filho que, neste caso, seria o filho mais velho de Henrique.
- Henrique, quando encontrei o André na rua da capital, o meu primeiro instinto foi de imediato a adoção daquele menino, até porque queria ter outro filho e não poder. Não sendo nosso filho, tu não pestanejaste e apoiaste-me desde o primeiro instante. Não me cabe a mim julgar quem quer que seja pelos seus atos, muito menos os teus antes de nos termos conhecido, como casal. Continuando a achar a tua história um bocado esquisita, o meu dever é dar-te o benefício da dúvida e considerar que aquilo que me dizes é a verdade. Se aceitámos criar um filho que não era nosso, porque hei-de eu recusar um filho que é teu, portanto, que tem o teu sangue? Não faria sentido dificultar-nos a vida a esse ponto. Já sabes que, quando se souber do que aconteceu, a tua personalidade pública ficará um pouco abalada e tens por isso que estar preparado para isso. Mas enquanto isso não acontecer, o meu dever é ajudar-te a procurar esse filho, se ele existir. Porém, penso que considerarás justo que a minha confiança em relação a ti, possa ter ficado um pouco abalada. Não sei se isso vai acontecer. Só o saberei, quando eu própria for colocada à prova com alguma situação que surja. Não te enerves com um eventual mau humor da minha parte nos próximos dias, que isto e possa vir a causar. Foi um choque grande para mim esta situação e só a minha calma e racionalidade, me permitiram chegar a esta conclusão.
Na primeira pessoa, Lúcia demonstrou perante o fragilizado Henrique de que massa ela é feita. Mostrou-se forte, determinada e poderosa. Essas eram algumas das características que Henrique tanto nela admirava e, mais uma vez teve a confirmação. Lúcia não só não está disposta a criar barreiras na sua relação, na sua vida, na sua família, como pretende ajudar Henrique a tirar toda esta história a limpo. Pediu a Henrique que não viesse a proporcionar qualquer relação da sua família com a mãe desse filho de Henrique. Se por algum motivo viessem a conhecer-se, nunca deverá existir no futuro qualquer outro tipo de relação além do essencial.
Ele sentia-se muito orgulhoso com a mulher que tinha, mais uma vez. Agradeceu-lhe a sua atitude e postura e disse-lhe ainda não não se iria preocupar demasiado com esse assunto: iria contratar um profissional de investigação privada para tentar encontrar o rasto desse homem, que seria seu filho.
Henrique recebeu um telefonema e, de repente o seu olhar mudou, arrepiou-se todo o seu corpo e nada respondeu a quem lhe ligou, a não ser "Obrigado!".
- Lúcia, temos que ir, é urgente. Liga para os teus colegas a informá-los que não vais trabalhar de tarde. - E ligou também para a sua secretária, a solicitar-lhe o cancelamento da sua agenda para a tarde. Levantaram-se da mesa e dirigiram-se, apressados, ao elevador que os levou ao parque de estacionamento onde se encontrava o carro. Lúcia só olhava para Henrique e não fazia perguntas. Saíram apressados.