Aquele menino de 4 anos de idade a quem dediquei o meu primeiro livro e que na altura não vivia comigo, faz precisamente hoje 20 anos. Hoje, ele vive comigo, para minha felicidade (há mais de 3 anos).
Desde essa época, muitas coisas aconteceram, ao fim de contas, passaram-se 16 anos e, em 16 anos muito acontece, muito tem que acontecer. Porém, na minha vida não têm acontecido vivências normais nem tão pouco têm existido os habituais costumes e hábitos que acontecem em qualquer vida normal. Desde a irregularidade de empregos ou trabalhos, aos amores e desamores que acontecem a qualquer artista que se preze, de sobes e desces da situação financeira, das várias localidades por onde tenho passado, muitas têm sido as experiências, boas e menos boas, mas todas elas têm deixado a experiência das vivências dos diversos acontecimentos.
Está quase a chegar o primeiro ano de existência sobre a edição do primeiro "O Testamento".
Prometia na sua sinopse uma história que percorreria os frenéticos anos 70 do século XX e que duraria até aos anos 90 do mesmo século.
Com o decorrer da escrita, nesse feliz ano de 1997, o entusiasmo e o florescer de ideias conduziu-me a uma história que acabaria por se cingir a menos de um ano, situada algures em 1975, ano das efusivas movimentações políticas pós 25 Abril de 74 em Portugal, que conduziram o país à liberdade, à democracia, à reforma agrária principalmente no Alentejo, às nacionalizações principalmente industriais e no setor dos serviços e ainda ao fim da guerra colonial, ao início do processo de descolonização em África e respetivas declarações de independência das ex-colónias ultramarinas e do abandono de Timor.
Conjugam-se assim todas as constelações necessárias e mais o alinhamento dos planetas - visto que o mundo não acabou para todos em 21 de dezembro de 2012 - para o recomeçar desta história que ficou suspensa - textualmente suspensa - entre Portugal e o Brasil, como o senhor leitor sabe. Portanto, se não leu o primeiro livro, aconselho veementemente a fazê-lo antes de iniciar a leitura deste, porque esta não se tratará de uma nova história, mas da continuação daquela que ficou factual e textualmente suspensa.
Toda a minha vida tem sido uma constante partilha com os outros. O que o prova é o facto de que tudo o que tenho conseguido através do trabalho, do esforço e do sacrifício do dia-a-dia, nada tenho, senão o conhecimento, o caráter, as poucas mas sólidas amizades, a experiência generalizada e vasta. A vida tem-me aberto a mente, tem-me aberto ao mundo e tem-me tornado mais refinado, exigente e crítico, começando por mim próprio, mas também na minha relação com os outros. A vida tem-me moldado em muita coisa, exceto nos meus valores e crenças, que não só se mantém conforme me foram comunicados pelos meus pais desde criança e através das boas pessoas que têm cruzado a minha vida. Antes pelo contrário, a defesa desses valores e crenças aguçou-se e tornou-se mais vincada, na transmissão aos meus filhos e às pessoas que me rodeiam, tanto em organizações onde estive envolvido, como na família, como no trabalho.
Nestes 16 anos que separam estes livros, houve meia dúzia de acontecimentos que marcaram a minha vida: o nascimento da minha filha, o ter conhecido pessoas importantes para a minha vida e criado algumas amizades e pertencido orgulhosamente a alguns projetos interessantes; mas também aconteceram coisas negativas, como o falecimento da minha mãe, a traição de algumas pessoas, ter passado por algumas situações em que fui injustiçado e ainda alguns erros cometidos, tanto a nível pessoal como profissional que, por algumas vezes me obrigaram a atravessar alguns desertos de tórrido sol, de árida areia e de gélidas noites.
O mundo não me venceu, nem eu venci o mundo. Vou porém conquistando pequeníssimas batalhas, que algum dia encontrarão um lugar ideal para se viver.
Este vai ser um outro desafio. Decidi escrever esta segunda parte da saga das famílias Curval e Alfonso de forma interativa. Possivelmente será uma forma inovadora de o fazer e quiçá atrevida. De facto, os leitores poderão neste local acompanhar quase de imediato o seguimento desta história que, quando terminar - assim o espero - possa vir a ser editada também em livro, para o leitor possa usufruir do prazer de folhear as suas páginas e sentir o seu cheiro. O leitor poderá ainda enviar as suas ideias, opiniões, sugestões e comentários diretamente para o autor, por esta via ou por correio eletrónico. Esta será uma forma inovadora de acompanhar uma história praticamente ao dia. Não prometo escrever todos os dias, mas prometo que a escrita será regular.
Bemvindos ao "O Testamento II" e muito boas leituras!