"Eu te tatuei na palma de minha mão"!- (Isaías 49,16)
– A fuga da Sagrada Família para o Egito: uma família tão simples, em dois jumentos, provavelmente numa caravana, pois não se viajava sozinho naqueles tempos, uma família tão comum, mas... a mais importante do universo!
Se os bajuladores de plantão soubessem disso, fariam fila para bajulá-los! Estava ali, num jumento, o Senhor do Universo, o Deus Criador de tudo, em forma humana, real, verídica, em corpo humano, mas ao mesmo tempo plenamente divino.
No entanto, os bajuladores estavam bajulando as pessoas erradas, fossem quem fossem, pois não havia ninguém mais importante do que aquela família no(s) jumentinho(s). Minha atenção, voltou-se para a Eucaristia à minha frente: Jesus está ali, na minha frente! O Deus e Senhor do Universo está ali para ser “bajulado”, adorado, servido, amado, ouvir minhas súplicas, minhas queixas, meus louvores, meus agradecimentos. Veio-me à mente e ao coração apenas uma coisa: não preciso de mais nada, de nada que está aqui. Tenho Jesus à minha frente e no meu coração, na minha vida.
Não preciso dos livros, dos doces, das roupas, das tranqueiras que guardo, do rádio, da TV! Muitos santos nem tiveram a bíblia toda, pois era algo difícil antes da invenção da imprensa. Não preciso de nada disso porque Jesus está aqui comigo, física e espiritualmente! Haja o que houver, Ele tem-me em suas mãos, eu estou em sua companhia. Ele é meu Rochedo, minha força, minha salvação, “O Caminho, a Verdade, a Vida”! (João 14,6). Já dizia Santa Teresa de Ávila:
“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! A paciência tudo alcança! Deus nunca muda! A quem a Deus tem, nada lhe falta! Só Deus basta!” Deus nunca nos decepcionará! Diz Isaías 54,8-10:
“Agora, com amor eterno, volto a me compadecer de ti, diz Javé, Meu amor nunca vai se afastar de ti”. Isaías 44,21: “Nunca vou esquecer-te!”; Isaías 49,15-16: “Ainda que a mãe se esqueça do filho que gerou, eu não me esquecerei de ti, diz o Senhor. Veja: eu te tatuei na palma de minha mão!”
Meu Deus, que palavras bonitas! Deus tem nosso nome tatuado em suas mãos! Mas vejo que para realizar isso que estou aqui dizendo, preciso das três virtudes fundamentais: A Fé, a Esperança e a Caridade! Sem essas virtudes, não dá! Mas elas não são frutos de nosso esforço, mas dons de Deus, que as dá a quem as pede.
2005
Quando eu trabalhei como jardineiro, limpava sempre a cadeira onde estava uma bela teia de aranha, mas no dia seguinte a teia estava refeita! Que perseverança! Se nós tivéssemos a constância dessa aranha, já seríamos santos!
A grande diferença entre nós e a aranha é que ela sempre refará a teia do mesmo jeito, mas nós poderemos refazer os nossos atos, a nossa vida, de modo diferente. Se repetirmos os mesmos erros, o resultado será sempre negativo. A perseverança é o caminho da vitória. O desânimo é o caminho da derrota. Mas precisamos perseverar no bem! Diz Santo Agostinho: “É melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado”.
No Apocalipse temos a promessa de vários “prêmios” para quem lutar e perseverar até o fim. Confira no Apocalipse 2, 7.11.17.26; 3, 5.12. 21.
Nossos desânimos, às vezes, têm por causa o fato de não conseguirmos atingir os nossos objetivos em curto prazo, ou porque colocamos esses objetivos numa altura superior a nossas forças, ou ainda porque somos perfeccionistas em nossas ações.
A humildade e a confiança são as bases da perseverança e do progresso em nossa santidade. Em 2a Cor 4,16-18 vemos que “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o homem exterior vá caminhando para a ruína, contudo, o nosso homem interior se renova dia a dia”.
Na Bíblia vemos alguns profetas desanimando, mas logo se restabelecendo: Elias: 1a Reis 19,3-9. Elias foi reanimado por um anjo que lhe trouxe pão e água. Jeremias 20, 7-18: brigou com Deus, mas ao querer desistir sentia o amor de Deus como um fogo a percorrer-lhe os ossos. Moisés em Êxodo 34, 8 chama o povo de Deus de “povo de cabeça dura”, de tanto cair e levantar-se. Outras “injeções” de ânimo contra o desânimo: Lc 8,15: a perseverança da semente; Rom 2,6-7: perseverança na prática do bem; Ef 6,18: rezar sem cansaço, incessantemente; Mt 10,22: perseverar até o fim para ser salvo; Tg 1,25: perseverar na prática do bem, para sermos felizes.
Usemos, portanto, nossos “tombos” para sabermos onde estão os obstáculos e, assim, podermos vencê-los, ou, conforme o caso, nos desviar deles. “Perseverai na oração, na vigilância e em ação de graças” (Colos 4,2). Um ato inteligente de nossa parte é, na humildade, rever nossas atitudes, perceber nossas fraquezas e onde erramos e recomeçarmos a luta, mas desta vez sem cometermos os mesmos erros, confiando mais no apoio e no consolo de Deus!
15/02/16
Quando nasci eu era uma vela enorme, nova, forte, chama viva e iluminadora. Agora, aos 71 anos de idade, sou uma vela quase no final, com manchas, frágil, chama fraca e quase não ilumino nada.
O passado tornou-se apenas lembranças esparsas, algumas já esmaecidas pelo tempo. Alguns colegas de escola ou de brincadeiras tornaram-se nomes de ruas; outros adoeceram; outros desapareceram.
Tenho ainda uma fita cassete, início dos anos 80. Estava perdida, mas eu a encontrei numa limpeza. Rebobinei-a, para “desgrudar” a fita e tentei ouvi-la: era a gravação que eu fizera com um amigo que faleceu dois meses após a gravação. Músicas bonitas, acompanhadas ao violão, que ele tocava muito bem. Uma delas é “Deus vem”, do Emaús: “Quando, às vezes pergunto, onde andará Deus, preciso encontrar. Peço ao tempo e ao vento: onde andará Deus, preciso encontrar! Então, Deus vem, de modo que eu nunca imaginei. Creio em ti, crês em mim, Deus sempre esteve bem perto de mim...”
Confesso-lhes que não consegui conter algumas lágrimas de saudade. O mundo está se tornando chato para mim. As músicas de que eu me lembro e gosto parece-me que só eu delas me lembro e delas gosto!
Outra coisa que me é difícil é lidar com esses benditos telefones celulares! Como eu os acho complicados! Só mesmo os meus netos conseguem entende-los! Prefiro um daqueles bem simples, mas mesmo assim são complicados. Ainda prefiro o fiel telefone fixo, sem complicação alguma. Serve para telefonar, nada mais. Para que mais a gente quer um telefone? Não é para telefonar?
Eu ainda sou do tempo das novelas de rádio. Ah, que saudades da novela “O direito de nascer”! Anos 50, rádio Nacional do Rio e Nacional de São Paulo. Uma amiga da minha mãe (ainda está viva, com quase 100 anos de idade) a convidava para escutarem juntas a novela, e eu ia junto. Uma das rádios lançava no ar um capítulo mais adiantado que a outra, mas havia maior dificuldade em acessá-la. Era uma tarefa difícil ouvir o que o Albertinho Limonta falava para a mamãe Dolores! E aquela tia “azeda”, solteirona, que dizia: “É assim que eu sou! É assim mesmo que eu sou”! E alguém (não me lembro quem) cantava: “Te quiero, sabrás que te quiero, cariño como este jamás sentió...”
Era um orgulho ouvir o capítulo antecipadamente, para fazer inveja aos que ainda estavam no capítulo anterior!
A novela durou um ano inteiro, e começou a ser conhecida, pelos maridos, como “O Direito de encher”. Era ouvida às 20 horas, logo após a Voz do Brasil. Aquela artista que depois fez sucesso na tevê, Vida Alves, dizia, com solenidade: “Senhoras e senhoritas! Colgate, o perfumador dos mais belos sorrisos, e palmolive, o sabonete das estrelas apresentam... (música) ...O Direito de Nascer! Uma novela de.... (nome da autora).
Na verdade, não sinto saudades da novela em si, mas das circunstâncias em que eu a ouvia, do ambiente e da época em que a gente a ouvia.
Bem... minha vela está no fim, e eu assumo a realidade da minha velhice. Olho o ambiente em que vivo, a natureza, os percalços da vida, mas tudo se torna uma sinfonia agradável, que ofereço a Deus. Procuro viver nele e com ele, e isso faz a diferença! A vida eterna, que pretendo alcançar, é muito melhor do que esta, e lá reverei todos os meus colegas e amigos que já se foram. “Deus sempre esteve perto de mim...”!
APOCALIPSE 19, 7-8:
“Fiquemos alegres e contentes, e demos glória a Deus, porque chegou o tempo das núpcias do Cordeiro. Sua esposa já se preparou. Foi-lhe dado vestir-se com linho brilhante e puro”. O linho significa as obras justas dos santos”.
Nós, Igreja, somos a esposa de Cristo e nossas boas obras são a veste de noiva com que a Igreja vai desposá-lo. Que tipo de veste estamos preparando com nossas obras? Uma veste bonita, elegante, rica, de linho puríssimo, como fala o texto, ou uma veste feita de pano de estopa?
É preciso, nestes tempos tão calamitosos, que nos coloquemos à escuta de Jesus, esposo da Igreja, que nos chama à conversão. Converter-se é lavar as vestes no Sangue do Cordeiro, como diz o Apocalipse, é pedir perdão dos pecados cometidos e recomeçar uma vida nova.
Para que isso aconteça na realidade e não apenas em nossa mente, sugiro que comecemos com coisas simples, como por exemplo, deixar de gritar com os outros, principalmente com os de casa, deixar de falar palavrões, tratar a todos sem preconceitos e com respeito, rezar todos os dias e que não seja muito curta, nunca faltar à missa semanalmente, saber ouvir os outros, ajudar a todos os que necessitam, ser paciente com tudo e com todos, ler diariamente a Bíblia, pelo menos alguns versículos, um tempo de meditação etc.
Outra coisa muito importante que precisamos mudar em nossa mente é o fato de achar que nada é pecado. Isso, aliás, foi o pecado original: os nossos primeiros pais quiseram escolher eles mesmos o que seria ou não pecado e não ouviram o que Deus lhes dissera. Só Deus pode dizer o que é ou não pecado, e ele já nos disse isso. Cabe-nos ouvir o que ele nos pediu para fazer, com muita humildade e amor, sem questionar se é ou não pecado. Se ele mandou evitar tal coisa, evite! Ele mandou-nos amar a todos, amemos! Ele nos mandou perdoar, perdoemos! Ele nos mandou deixar de cometer adultérios, deixemos!
Já falei noutro artigo sobre a imoralidade de certas novelas quase pornográficas que muitos assistem e permitem que as filhas e os filhos assistam. A licenciosidade dos costumes se instala na mente dos e das adolescentes de tal maneira que passam a achar que tudo é permitido, que nada é pecado. O assunto principal é sempre sexo, e sexo mal colocado, mal vivido, baseado no adultério ou simplesmente no prazer pelo prazer.
Não só nesse assunto, mas em outros focos também, como o econômico, as falcatruas que se fazem para os protagonistas das novelas conseguirem o que desejam, a ideia de vingança como solução de problemas, a busca de uma felicidade momentânea baseada no dinheiro e no prazer imediatos e assim por diante.
Quando conseguirmos mudar assim nossa vida, lavar dessa maneira nossas vestes no sangue do Cordeiro, já teremos o começo de um mundo novo, baseado na caridade, no verdadeiro amor cristão, e decerto Jesus, esposo da Igreja, que somos nós, a desposará com maior alegria.
Após nossa morte, na verdade só mudamos de dimensão: saímos do tempo e do espaço para entrarmos numa dimensão diferente, desconhecida para nós, mas que sabemos que existe, se temos fé.
Após a morte continuamos plenamente conscientes. Dizer que entramos num sono profundo é modo de dizer. Muitas religiões não católicas acreditam que só vamos acordar no Juízo Final. Não é verdade. Na bíblia vemos muitos trechos que confirmam nossa consciência pós-morte. Lucas 23, 42-43, por exemplo, diz que Jesus falou ao bom ladrão: “ Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” Hoje, disse Jesus. Quer dizer que Jesus ressuscitou, na verdade, no mesmo dia em que morreu, na sexta-feira santa! E que o ladrão convertido foi com ele.
Em Lucas 16,19-21, Jesus conta a história do rico e do mendigo Lázaro, em que os dois morres e ficam bem acordados depois da morte, um no inferno e outro no céu, ao lado de Abraão, que também está acordado. Jesus não é mentiroso. Se não fosse desse modo, ele nunca teria dado um exemplo como esse! Diz João 14,2: “Na casa do meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vô-los teria dito. Vou preparar-vos o lugar”. Jesus só deu exemplos de realidades que existem, se não desse mesmo jeito, de maneira parecida.
Nesse trecho vemos também que Jesus disse “moradas”, e não outra coisa. Para ficar dormindo, para que dizer “moradas”? Se fôssemos ficar dormindo até o Juízo Final, Jesus iria talvez nos preparar “camas”, e não moradas.
Se você ler o trecho da transfiguração do Senhor, verá que Moisés e Elias, que apareceram com Jesus, estavam bem acordados! É só conferir em Mateus 17,2.
Logo que morremos, nos conscientizamos se somos ou não dignos de entrarmos no céu. Se tivermos alguma pendência, ou se não estivermos preparados ainda, nós nos dirigimos ao Purgatório, e só sairemos de lá quando estivermos puros, preparados para o paraíso. Diz o Apocalipse 21,27: “Coisa algum imunda entrará na Cidade Celeste”. É como quando alguém está com os sapatos sujos e precisa entrar numa sala limpíssima: não tem coragem de entrar. Vai tirar os sapatos, ou limpá-los, e só então entrará na tal sala. É assim que funciona. Ao morrermos, nos tornamos totalmente sinceros.
Os que rejeitaram a Deus aqui na terra, não suportam olhar para Ele depois de mortos e fogem de sua presença, e vamos dizer assim, “se escondem” de Deus no inferno. Não vão ao Purgatório porque sabem que de lá sairão um dia para entrarem na luz eterna. Quem rejeita a Deus, rejeita a luz. Deus não manda ninguém para o inferno. Quem vai para lá, vai espontaneamente.
Na Bíblia vemos vários trechos sobre o céu, inferno, purgatório. O céu e o inferno são mostrados claramente, mas o purgatório é mostrado nas entrelinhas. Leia e observe:
1ª Pedro 3,19: “Cristo foi pregar aos espíritos em prisão”, ou seja, no purgatório. Mateus 5,25, diz que podemos ser postos na prisão e de lá não sairemos até pagarmos o último centavo. Ora, na prisão ninguém paga nada. A menção é simbólica e se refere ao purgatório, que pode ser iniciado já nesta vida com o sofrimento oferecido a Deus em reparação pelos pecados, pela caridade, pela oração, pela penitência, pelo perdão.
Mateus 12,32 diz assim: “Se alguém pecar contra o Espírito Santo isso não lhe será perdoado nem neste mundo, nem no outro”. Isso sugere que só o pecado contra o Espírito Santo, que consiste em não aceitar o perdão, ou não querer ser perdoado, ou achar que Deus nunca o perdoará, só esse pecado não pode ser perdoado no outro mundo. Isto significa que os demais pecados podem ser perdoados no outro mundo! Aliás, é o que Jesus foi fazer lá onde estavam os mortos, esperando sua ressurreição, no texto lido acima da 1Pedro 3,19.
O purgatório é justamente essa oportunidade que temos de nos purificar, se ainda não estivermos purificados ou plenamente arrependidos de nossos pecados, embora tenhamos conseguido não cometê-los mais. Acontece, muitas vezes, de não praticarmos mais certos pecados, mas não sentirmos um arrependimento sincero no coração. O propósito de não pecar mais nos livra do inferno, mas, se não estivermos plenamente arrependidos, não nos livra do purgatório.
Um trecho muito claro sobre esse assunto é 1ª Coríntios 3,11-16, que nos diz que muitos serão salvos “como que através do fogo”, simbolicamente o purgatório, porque não construíram sua casa com material bom, indestrutível, como o ouro e a prata: construíram-na com palha, ou seja, deixaram a desejar em seus propósitos de uma vida nova, sem pecados. Quanto ao céu e ao inferno, todos conhecem muitos textos que falam sobre eles e não há muita dúvida a respeito.
Sobre a oração pelos mortos, podem, sim, serem feitas. Se prestarmos atenção veremos que o próprio Jesus rezou pelos mortos. Duvida? Então leia João 11,32-44; Lucas 7,11-15; Marcos 5,35-43! Nesses textos, Jesus ora ao Pai e em seguida ressuscita Lázaro, a menina e o filho da viúva de Naim. Em Atos 20,7-12 e cap. 9,36-41, tanto S. Paulo como S. Pedro também oram por duas pessoas mortas, que ressuscitam.
Veja bem: quando Jesus ou os dois apóstolos àcima ressuscitaram essas pessoas, elas estavam mortas e eles, assim, estavam rezando pelos mortos! Se elas ressuscitaram, ganharam uma segunda chance de se salvarem. Se isso foi possível a eles, por que não a todos nós? Deus não faz acepção de pessoas (Deuteronômio 10,17, Lucas 20,21; Romanos 2,11; Efésios 6,9 etc). Por esses motivos, nós também podemos rezar pelas pessoas falecidas, pedindo a Deus que as perdoe dos pecados cometidos.
Esse pedido de perdão pelos pecados cometidos por pessoas falecidas pode ser visto no livro de 1º Macabeus 12,42-45 e, de certa forma, em 1º Samuel 31,11-13, em que os habitantes de Jabes jejuaram por 7 dias por Saul e os seus filhos, mortos em combate, assim como em 2º Samuel 1,12; cap. 3,35. Jejuaram por quê, se não acreditavam que isso poderia ajudar na salvação dessas pessoas? Também vemos em Gênesis 50,10, que “José celebrou por seu pai (falecido) um luto de sete dias”. Veja também Judite 16,24 e Eclesiástico 22,12.
Transcrevo em primeiro lugar um texto muito bonito que encontrei no site "Dei Verbum", de Porto Feliz. Em seguida, uma pequena história do que poderia ser a vida em Nazaré. Veja também o texto do "Jesus-Cáritas" sobre esse assunto.
A VIDA DE NAZARÉ E A CONVERSÃO DE DEUS À CONDIÇÃO HUMANA.
"De Nazaré pode sair algo de bom?”(Jo 1,46). Natanael, que fez esta pergunta aos primeiros discípulos de Jesus, tinha suas razões para duvidar. Lucas precisa dizer a região em que fica Nazaré, pois seus leitores, sobretudo os de fora da Palestina, não saberiam onde fica Nazaré, de tão pequena e sem importância no grande mundo do Império Romano.
Os evangelhos apócrifos têm certa impaciência com esta pequena Nazaré. Jesus, segundo alguns, antes de começar sua missão pública, teria ido ao Egito ou até à Índia para conhecer a sabedoria destes centros do mundo.
Ou, conforme outros apócrifos, Jesus já fazia alguns milagrezinhos de crianças para se divertir. É muito difícil aceitar que o Messias, o próprio Filho de Deus, tenha passado a maior parte de sua vida num ambiente absolutamente comum, em total anonimato, sem nada de extraordinário, como a maioria da humanidade.
ELE CRESCIA
Depois de cumpridos os mandamentos a respeito dos nascidos, Lucas afirma uma vez de João e duas vezes de Jesus que eles cresciam, ficavam fortes, com sabedoria, graça e espírito. João no deserto e Jesus em sua pequena e quase desconhecida cidadezinha de Nazaré. Enquanto o ambiente de João lembra os grandes momentos de Israel no deserto, Jesus, que seria o maior, crescia numa condição mais comum.
O desígnio de Deus passa pelo mergulho no cotidiano da vida humana. Em Nazaré tudo devia ser muito simples, pois nem estava à beira do lago da Galileia e nem na planície que se estendia mais adiante aos seus pés, onde estava a rica cidade de Séforis, uma cidade que, estranhamente, não é mencionado nos evangelhos.
A vida social se daria em torno de um lugar de oração, com ao menos um rabino para ensinar os adolescente, e torno da única fonte até hoje existente.
Um pouco de agricultura e um pouco de animais, uma vida muito simples. O mistério de Deus passa por uma política e por uma economia muito marginais, por uma religiosidade simples e sincera. Os apócrifos tinham impaciência em aceitar esta “ignorância” do Filho de Deus, e esta necessidade de crescimento e de aprendizado a partir de um contexto tão rude.
FILHO DE MARIA E “FILHO DA LEI”
NA Galácia, alguns judeus não conseguiam crer que alguém tão humilde, pudesse ser maior do que a Lei de Israel com toda a sua grande história . Mas Paulo insistiu:
Deus nos enviou seu próprio Filho, “nascido de uma mulher”, portanto muito humano, e submetido às leis humanas, solidário com tudo o que é humano (Cf.Gl 4,4). Lucas faz um teste, abrindo, com muito pudor, uma janela para examinarmos o crescimento de Jesus: uma vez completado doze anos, todo judeu deve realizar o ritual de iniciação que ainda hoje se chama “Bar Mitzwáh”,ou seja, ele deve tornar-se “ Filho da Lei. Isso significa ler as Escrituras em público, na Sinagoga,participar do círculo dos mestres na lechiváh, a escola rabínica, e, naquele tempo, devia começar a acompanhar os adultos na peregrinação anual à Cidade santa de Jerusalém e ao templo.
Lucas nos atesta tudo isso a respeito de Jesus: ele esta no momento crucial do seu crescimento, está se tornando adulto. Assim, quando Jesus diz à sua mãe, que o guiou até os doze anos, que está cuidando das coisas “de seu Pai” no templo, entre mestres, ele está assumindo a Lei, pois é “filho” da Lei, e esta é, de agora em diante, o seu “pai”, a autoridade e o guia de sua vida. E Lucas cerra a janela com discrição, repetindo a frase: ele voltou a Nazaré, e continuava seu crescimento em idade, sabedoria e graça. “Em tudo igual a nós –consubstancial a nós segundo a humanidade”, diria em 431 o concílio de Éfeso. (Aqui termina a citação do referido site)
(deste site:)
AGORA UM POUCO DE IMAGINAÇÃO SOBRE O QUE PODERIA SER A VIDA DE NAZARÉ, VIVIDA POR JESUS EM SUA ADOLESCÊNCIA
Quando já morava em Nazaré, um dos amigos de José foi visitá-lo e seu filho de 12 anos, quase mesma idade de Jesus, que tinha 10, foi também. Ele sabia de cor muitas leis, preceitos e orações judaicas. O rapaz que fora com o pai à casa de Jesus não era muito de praticar a religião, pois seu pai era pagão e apenas sua mãe frequentava o templo, num lugar reservado aos casados com pagãos. Ele ia às vezes e se encontrava com Jesus na saída, de seis a dez garotos que voltavam juntos, comentando o que tinham ouvido.
Entretanto, todos se calavam ao ouvir a versão de Jesus do que tinha sido dito: era sempre algo diferente, maravilhoso, vindo não se sabe de onde. Brotavam do coração de um Deus feito homem. Eram ideias muito, muito além daquele tempo.
Jesus gostava muito de repetir a parte da lei que dizia “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração...”etc. Jesus vivia ali, mas não estava só ali: o lugar onde estavam parecia embutido num local mais extenso e mais profundo. Jesus estava com os demais, mas parecia imergido num mundo muito mais bonito, muito mais feliz que aquele.
Mais tarde muitos descobriram, porém, que aquele mundo diferente e maravilhoso estava em seu santo e puro coração. É dali, de seu coração, que brotavam luzes de um novo tempo e de uma nova vida, brotada do amor santo, puro e verdadeiro. E seus felizardos amiguinhos abriam a mente e os corações para verem se recebiam um pouco, pelo menos, daquela sabedoria, amor e santidade. Mas tudo isso era barrado pelos olhos pobres e materialistas daquelas pessoas que com ele conviviam.
Naquele dia em que o amigo de José foi visitá-lo, seu filho ficou à frente da casa com Jesus, conversando, quando Maria levou-lhes dois pães para comerem. Era a hora do lanche. Apareceu, então, um rapaz leproso, ao longe, tocando aquela horrível sineta para lembrar a todos que não deviam aproximar-se. Todos se afastaram, mesmo o amigo de Jesus. Ele, não. Ficou ali até o rapaz chegar perto. Entregou o seu pedaço de pão ao mendigo, com um sorriso. O rapaz fitou-o e a nuvem de angústia que o cobria desapareceu. O sorriso se esboçou e acabou por tomar conta de sua face. Não se curara exteriormente, mas sua vida acabara de tomar um novo rumo, uma nova feição.
Maravilhado ao ver a mudança estonteante obtida por esse simples ato e esse simples olhar, o amigo de Jesus quedou-se em sua insignificância e preconizou:
“Algum dia esse rapaz será curado!”.
Imediatamente adiantou-se e também deu o seu pedaço de pão não ao leproso, mas a Jesus, para que lho entregasse. Ele sorriu e o agradeceu, e entregou o pão ao mendigo. O rapaz leproso colou-se ao chão e não queria mais sair dali, não queria mais se afastar daquela presença extasiante. Jesus, porém, percebendo que ainda não podia fazer mais nada, disse-lhe: “Vai em paz!” Só então o outro saiu. Mas enquanto podia, voltava-se para olhar Jesus de longe, até perder-se de vista.
Foi por esses tempos, aos dez anos de Jesus aproximadamente, que Arquelau, que governava despoticamente aquela região, destruiu uma cidade distante 8 km de Nazaré, Séforis. Eu presumo que muitos sobreviventes (muitos ficaram escravos) tenham fugido para Nazaré e com toda a certeza foram hospedados por José, Jesus e Maria.
Devido a esse e a outros maus governantes, Jesus viu muita violência entre os 3 e 12 anos de idade, conforme nos ensina o Frei Carlos Mesters em seu livro “Com Jesus na Contramão”. É engano nosso achar que Jesus viveu sempre em ambiente tranquilo e pacífico. A infância dele foi marcada pela violência desses déspotas que governavam. A maldade de Arquelau era tanta que logo depois da destruição que ele causou em Séforis, foi deposto pelo governo romano.
Essa violência poderia ter sido, de fato, constatada por ele nessas migrações de pessoas que conseguiam escapar do morticínio ou da escravidão a que eram submetidos nessas cidades circunvizinhas a Nazaré. Consta que duas mil pessoas foram crucificadas em Séforis quando da destruição da cidade.
Quanto a Nazaré, era tão pequena que fora da bíblia não se fala dela. Seus moradores, e José e Jesus estão incluídos nisso, trabalhavam na pequena agricultura. José e seu filho Jesus trabalhavam também na carpintaria: eram camponeses e operários. Jesus ficou, pois, trinta anos trabalhando como camponês e operário e apenas três anos pregando o evangelho, utilizando-se de todo esse conhecimento obtido nessa sua vida de Nazaré.
Ele nasceu em Belém, na Judeia do Sul (Mt 2,1) e foi criado no interior, nessa cidade de Nazaré, na Galileia, no Norte (Lucas 4,16). Falava o aramaico com sotaque de judeu da Galileia. Para os samaritanos era judeus (Jo 4,9) e para os judeus da Judeia era galileu (tudo isso está no livrinho do Frei Carlos Mesters indicado acima).
Era de família não sacerdotal, ao contrário de João Batista (Zacarias , Lc 1,5). Nasceu leigo, pobre, sem nenhuma proteção financeira. Como já dissemos no capítulo anterior, José provavelmente era migrante provindo de Belém, talvez para tentar uma vida mais digna.
Jesus aprendeu o que sabia em casa, com a mãe, e na sinagoga. Essas coisas a gente vê na bíblia, por exemplo, em Lucas 2,4 (migrante), Atos 22,3 (Jesus não estudou como Paulo), Mt 13,55 e Mc 6,3 (os filhos seguiam a profissão do pai.
18 bênçãos (manhã, tarde, noite);
Shemá (3 benditos e 3 leituras ), manhã e noite, sendo:
1 bendito ao Deus Criador,
1 ao Deus Revelador,
3 leituras:Dt 6,4-9 (receber o reino); Dt 11,13-21 (receber a Lei de Deus); Números 15,37-41 (receber a consagração),
1 bendito ao Deus Salvador que liberta o povo.
TUDO MISTURADO COM SALMOS.
Jesus tinha muita intimidade com Deus, seu Pai. Rezava muito, passando noites em oração, como vemos em Lucas 6,12. Nas orações procurava sempre saber o que o Pai queria dele, como em Mateus 26,39. Todos os sábados ia com os pais à Sinagoga (livro citado do Frei Carlos Mesters).
Nos trinta anos que viveu com os pais, em Nazaré, procurou vislumbrar, em seu horizonte, o que faria, qual seria sua missão. Não lhe faltaram muitas tentações, mesmo nesse tempo de Nazaré, como depois, na vida pública, em que foi tentado não apenas pelo demônio, mas também pelas pessoas, que sugeriam-lhe um desvio de sua vocação.
O Frei Carlos Mesters faz um pequeno elenco dessas tentações:
Pedro: tentação de ser um Messias glorioso- veja Mateus 16,22; Marcos 8,33;
Seus pais – veja Lucas 2,48; Lucas 2,49.
Seus parentes, que queriam levá-lo para casa. Veja Marcos 3,21 e 3,33;
Os apóstolos gostaram do afluxo do povo. Veja em Marcos 1,38;
João Batista queria um juiz severo. Veja em Lucas 3,9. Mateus 3,7-12; Mateus 11,3. Jesus mandou João conferir as profecias e confrontá-las com a realidade dos fatos. Veja em ateus 11,4-5; Isaías 29,18-19; Isaías 35,3-5; Isaías 61,1;
O assédio dos fariseus. Veja em Lucas 13,31.32
O povo o queria rei-messias, poderoso. Veja em João 6,15. Jesus se retirou.
O demônio o tentou pedindo que ele fosse o novo Moisés, para alimentar o povo (Mateus 4,3), um Messias que se manifesta (Mateus 4,5-6; João 7,27), um Messias nacionalista que conquistaria o mundo (Mateus4,9). Jesus reage. Veja em Mateus 4,4.7.10.
No Horto das Oliveiras, pede ao Pai que o livre do cálice, mas logo pede que se faça a sua vontade. Veja em Marcos 14,36.
Na prisão, tem a tentação de ser um Messias guerreiro, quando Pedro corta a orelha do outro. Veja em Lucas22,53 e Mateus 26,52.
Todos nós podemos viver a Vida de Nazaré vivida por Jesus, mesmo sendo missionários e pessoas ativas na comunidade. Há muitas horas de descanso e de intervalo em nossas atividades, que podemos muito bem usá-las para uma vida tranquila, de contemplação. Como vimos acima, a vida que Jesus levou em Nazaré não foi assim tão tranquila. Houve muitos momentos de violência externa, que ele e sua família teve de ver e assistir sem poder fazer muita coisa. Jesus veio para ser cem por cento homem e cem por cento Deus, mas não podia usar em benefício próprio sua divindade. Ele veio justamente para nos ensinar e nos mostrar que é possível ser uma pessoa santa, mesmo com os afazeres diários.
O problema sério, principalmente de hoje em dia, é que nós nos apegamos aos nossos trabalhos como se fossem nossa tábua de salvação, e acabamos muitas vezes nos afastando da fonte de tudo, que é Deus.
Diz o salmo 126 (127), que não adianta nada trabalhar sem Deus. É trabalho perdido, jogado fora. Vejo tantas pessoas se matando simplesmente por causa do dinheiro, e ainda mais, que não é do próprio sustento, mas para coisas supérfluas que muito bem poderiam ser deixadas de lado.
O cardeal Van Thuan, bispo do Vietnam fazia apenas alguns meses, foi preso porque era católico. Ficou 13 anos preso, sendo 9 de solitária. Quando chegou à prisão, ficou angustiado, pois tinha deixado muito trabalho apostólico. No fim de alguns dias, após muita oração descobriu que ele não havia escolhido, em sua vida, as obras de Deus, mas o próprio Deus, que se manifesta em qualquer lugar.
Dizia Santa Teresinha do Menino Jesus que “A alegria não está nos objetos, mas no mais íntimo do coração; podemos sempre senti-la, tanto no mais rico palácio, como na mais triste prisão”. E é a mais pura verdade. Jesus foi Deus-homem verdadeiro em todos os lugares, seja em Nazaré, como na vida de pregação como na morte. Fosse qual fosse a situação, ele não deixava sua intimidade com o Pai.
Jesus deveria ser a cara de sua mãe. Deveria ser muito parecido com ela, pois sua carne veio só de Maria. Nossa mãe do céu, que tão bem soube ensinar e educar Jesus, pode também nos educar, nos ensinar, nos orientar no caminho de nossa vocação, seja ela qual seja.
Entretanto, fica aqui um lembrete para que não deixemos a oração, a intimidade com Deus, e Jesus nos deu o exemplo, quando ficava noites inteiras rezando. Nosso sucesso na vida espiritual vai depender não tanto de nossas ações, mas de nossas orações e de nossa confiança na Providência Divina, como fizeram Jesus, Maria e José.
Para sentirmos a presença de Deus em sua vida, devemos viver como Jesus viveu por trinta anos em Nazaré, ou seja, uma vida de oração, contemplação e trabalho, conservar-se num caminho de santidade, na caridade e evitando os pecados.
Todos nós temos nossos pecados, mas precisamos confiar plenamente na Misericórdia divina. Isso implica, é claro, mudarmos nossas vidas de tal forma que tudo o que fizermos agrade a Deus.
Um acontecimento inesperado de sofrimento pode ocorrer em nossa vida. Aproveitemos esse acontecimento para nos purificar, para tomarmos a resolução sincera e corajosa de recomeçar a nossa vida abandonando tudo o que não agradar a Deus. É difícil e, às vezes, até impossível, sem a ajuda de Deus, que obtemos pela oração e pela caridade.
Gosto muito do trecho em que São Paulo Apóstolo fala: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que O haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que ficaram para trás, e avançando para que estão diante de mim, prossigo em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus” (Filipenses 3,13-14).
As lições de Nazaré (Do Papa Paulo VI, homilia da Sagrada Família)
Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho.
Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus. Talvez se aprenda até, insensivelmente, a imitá-lo.
Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido.
Aqui, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo.
Ó como gostaríamos de voltar à infância e seguir essa humilde e sublime escola de Nazaré! Como gostaríamos, junto a Maria, de recomeçar a adquirir a verdadeira ciência e a elevada sabedoria das verdades divinas.
Mas estamos apenas de passagem. Temos de abandonar este desejo de continuar aqui o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. Não partiremos, porém, antes de colher às pressas e quase furtivamente algumas breves lições de Nazaré.
Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo.
Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social.
Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “filho do carpinteiro”! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora, do trabalho humano; aqui, restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui, lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim. Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo nosso Senhor.
Vida religiosa é a vocação de pessoas que vivem em pequenas comunidades, numa congregação religiosa, fazem os três votos: de castidade, de pobreza e de obediência (algumas fazem um quarto voto, que varia de congregação para congregação) e obedecem a um superior local, que, por sua vez, obedece a um superior regional e nacional.
Muitos jovens me perguntam pelo facebook como fazer para entrar na vida religiosa.
Eu lhes respondo, com algumas variações, isto que segue:
A primeira coisa é ter amizade, entrosamento e participação na paróquia em que você vive.
A segunda é ter uma vida de oração, não de orações rápidas, mas um pouco mais prolongada. A oração é a base da vida religiosa.
Terceiro, tem que saber obedecer. Quem tem dificuldades para obedecer não dá certo na vida religiosa.
Quarto, é preciso saber controlar os instintos, já que a vida religiosa não tira as tendências de ninguém. Por toda a vida, até mesmo na velhice, os instintos continuam vivos.
Quinto, é preciso ter certeza de que você não está buscando a vida religiosa para fugir de si mesmo (timidez, preguiça de trabalhar, comodismo) ou de alguma coisa exterior (incapacidades, defeitos, frustrações, falta de emprego etc).
É bom conversar com um religioso aí de perto de você sobre o assunto, e ser sincero para com ele.
A vida religiosa não é brincadeira, não é algo romântico como se apresenta em alguns filmes, como o “Irmão Sol, Irmã Lua”, de Franco Zefirelli.
Durante o seminário menor de uma congregação missionária eu ouvia falar muito das missões de modo poético. Havia um livro de poesias missionárias muito bonito, mas o autor mesmo do livro deixou o sacerdócio, casou-se e morreu no ano passado, bem idoso.
Uma de suas poesias era “O Barco da Madrugada”, que até foi musicada. Eu me lembro apenas de algumas palavras: “O barco da madrugada, vai me engolfar noutro mar. Direi adeus pátria minha, o último adeus talvez. E se Deus quiser que eu não volte outra vez, meu coração te deixo, ó Mãe Celestial. Não tenho medo das águas, nem fúrias do furacão. É sorte a quem os céus busca achar sua tumba no mar”.
O jovem era levado por essas poesias e fantasias sobre a vida religiosa e se decepcionaria, mais tarde, ao ver que ela é feita de pessoas humanas limitadas, e muita renúncia. É fácil imaginar uma vida bonita, dedicada a Deus, baseada na renúncia, mas é difícil praticar essa vida. A natureza humana é muito forte e nos arrasta para a “sensualidade”, como diz Santa Catarina de Sena, até a mais extrema velhice.
Vemos pessoas que vivem a vida religiosa falarem dela com prazer, como algo sublime, mas, se entrarmos em sua vida íntima, veremos quantas provações aquela pessoa vive para se manter intacta. Sobretudo, é necessária muita oração.
A alegria de quem segue sinceramente esse tipo de vida é autêntica. Realmente, quando nos santificamos na vida religiosa, sentimos uma paz profunda e inexplicável, mesmo com os problemas e sofrimentos do dia a dia. Quando “nós nos temos em nossas mãos”, como dizia Dom Luca Moreira Neves no retiro de minha ordenação sacerdotal, ou seja, quando vivemos de modo a dominarmo-nos plenamente, a alegria é constante em nossa vida, por mais árido que seja o ambiente em que vivemos.
Mais uma vez repito, esse auto domínio, baseado no que Santa Catarina de Sena chama de auto conhecimento (só tem um auto domínio quem se conhece plenamente e humildemente assume suas fraquezas para melhor dominá-las), só é conseguido pela oração humilde, pela sinceridade em nos apresentarmos a Deus como somos realmente, com todas as quedas e fraquezas, e não como gostaríamos que fôssemos.
Em resumo: quem abraça a vida religiosa pensando que é forte e que vai conseguir santificar-se sozinho e com pouca oração é, no mínimo, ingênuo. Só com a ajuda de Deus é que podemos nos santificar. Sozinhos, nada conseguiremos. Por isso é que é preciso que antes de se doar a uma vida dessas, a pessoa reflita se tem verdadeiras condições psicológicas, físicas e espirituais para isso.
Eu explicaria assim aquela parábola de Jesus sobre o construtor que começa a casa e não pode terminá-la porque faltou dinheiro. Ele termina a história dizendo: “"Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo." (Lucas 14, 33). Muitas vezes vamos ter que renunciar às próprias ideias para podermos progredir no caminho da santidade. Deus sabe melhor do que nós do que realmente precisamos.
(06/09/15)
O “belo” está presente em muitas coisas: nas flores, nas músicas, nos filmes, nas pinturas, na arte em geral, nos animais, no pôr-do-sol, na natureza, nas crianças.
Entretanto, muitas dessas nossas apreciações não resistem ao tempo: tendem não só a não nos mostrar mais o “belo”, mas até mesmo chegam a nos enfadar ou a nos cansar ao vê-las ou ouvi-las.
Isto ocorreu comigo. Eu havia “perdido” muitas fitas de áudio e vídeo de minha juventude e, sem esperar, os recuperei recentemente, num baú, num quarto de bugigangas nunca procuradas.
Ouvi e vi algumas dessas gravações que ainda funcionavam e decepcionei-me: não me levaram a nada, com apenas poucas exceções.
Percebi, então, que, à medida em que vamos nos acostumando com a oração e a busca de Deus, vamos também nos desapegando dessas manifestações estéticas externas.
O contato com Deus, o único verdadeiro “Belo” que existe, é a única beleza que não cansa, que realmente nos satisfaz. O “belo” o mundo é apenas uma “amostra grátis” do Belo que nos está reservado no paraíso, acompanhado da alegria, da paz, do êxtase diante do divino.
O Beato Irmão Carlos de Foucauld, que vivia em Tamanrasset, no deserto, e em Assekren, dizia, a respeito da contemplação do Belo: “Os ocasos, aqui no deserto, são tão calmos, as noites são tão serenas, esse grande céu e esses vastos horizontes meio iluminados pelos astros são tão pacíficos e cantam silenciosamente de maneira tão penetrante o Eterno, o Infinito, o além, que eu passaria as noites inteiras nessa contemplação. Entretanto, abrevio essas contemplações e volto depois de poucos instantes diante do tabernáculo (onde está Jesus Eucarístico), porque ali tenho muito mais no humilde tabernáculo. Nada é comparável ao Bem Amado (Jesus). (Carta. Texto tirado do livrinho “Um pensamento de cada dia”, do dia 9 de dezembro)
Muitas vezes nós buscamos a beleza em locais onde nunca a encontraremos. Até poderemos encontra-la, mas será efêmera, apenas momentânea. Outras vezes, buscamos belezas e prazeres ilusórios, que nos levam ao pecado, seguido da dor e do remorso e até da perda da saúde ou acidentes.
Deus nos criou e sabe o que é melhor para nós: ele próprio. Quanto mais O buscamos na oração, na contemplação, no atendimento ao próximo, mais nos satisfaremos com o verdadeiro Belo, que nunca nos será tirado e nunca nos deixará frustrados.
As músicas, os filmes, os prazeres, nunca nos darão satisfação completa. A beleza de Deus, que nos será revelada numa vida de busca da santidade, nunca nos abandonará e sempre nos trará a paz. Sempre!-
2015
Nossa ação provoca a ação de Deus. Nós damos o primeiro passo para respondermos ao convite de Deus em determinada ação e Deus faz o resto.
Vemos isso em inúmeros textos bíblicos, mas veja Mateus 8,2: “ Senhor, se queres, tens poder para purificar-me!”
E, logo em seguida, em Mateus 8,5-13, o centurião confiou no poder de Jesus e teve sua iniciativa de procurá-lo. Sua confiança e humildade eram tantas que nem exigiu a presença de Jesus: “Basta, Senhor, uma palavra vossa e o meu criado ficará curado!”
Jesus sabe qual é a nossa intenção quando lhe pedimos algo. Diz o comentário da Bíblia de Jerusalém: “Jesus não pode realizar o milagre quando não encontra a fé que lhes pode dar o verdadeiro sentido, como em Mateus 13, 58: “ E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles”.
“A fé é difícil gesto de humildade que muitos se recusam a fazer, porque exige um sacrifício do espírito e de todo o ser” (comentário de Mateus 8,10).
Mais: “A fé, quando forte, opera maravilhas, alcança tudo, particularmente a remissão dos pecados e a salvação da qual é a condição indispensável” (idem).
Entretanto, devemos sempre buscar também a ajuda médica. Muitas vezes Deus nos cura a parte vamos dizer “incurável” pela medicina, da doença, mas não cura a parte “curável’ pela medicina.
Isso aconteceu com um amigo: recebeu a cura de uma parte da doença, e fez a operação para poder curar a outra parte, que era curável. Só recebeu a cura da parte que ainda é incurável.
O título deste texto se refere à ação catalizadora que exercemos na ação de Deus.
Catalizador é uma substância que provoca a reação da outra, como aqueles dois tubinhos de cola que vêm juntos: um deles só cola se for misturado com o outro.
Desse modo, quando nos arriscamos, quando agimos, Deus também age a nosso favor. É melhor arriscar e aparentemente (é só aparentemente) não conseguir, que nunca arriscar.
Dois sapos caíram, cada um numa jarra de leite. O que se arriscou se debater, buscando uma solução, pôde sair, porque o leite, de tanto ser batido por ele, se tornou manteiga. O outro morreu afogado, pois não quis se arriscar (desculpem, não encontrei no momento outra historinha melhor).
Arriscar-se nos traz muitos dissabores, e mesmo a morte ou prisão, mas é o único gesto que provoca a ação divina. Lembremo-nos sempre que qualquer ação nossa de boa vontade já é uma resposta ao convite que Deus nos fez antes mesmo do nosso nascimento, como diz Jeremias 1,5ss: “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio de tua mãe eu te consagrei e te constituí profeta para as nações”. Isaías diz a mesma coisa no capítulo 40.
No Apocalipse 3,20, Jesus nos pede que abramos a porta de nosso coração, em que ele está batendo, para que possa entrar. Ele pode entrar em qualquer lugar, menos em nosso coração. Ele respeita a nossa liberdade.
O início de qualquer cura só acontece quando a pessoa toma conhecimento de seus limites e fraquezas e se aceita. Há pessoas, por exemplo, que não aceitam o próprio envelhecimento e acabam não aproveitando as coisas boas da velhice.
Disse D. Pedro Casaldáliga: “Deus nos aceita como somos para transformar-nos naquilo que Ele quer que sejamos”. E é a mais pura verdade. Precisamos estar sempre com os pés nos chão. Dizia também D. V. Tepe: “O bom-humor a respeito de nossos defeitos é uma faceta da humildade”.
A base da humildade está em reconhecermos e aceitarmos os nossos limites. À medida que formos nos conhecendo e nos aceitando, passamos também a conhecer e aceitar a Deus e aos demais, pois somos todos feitos à imagem e semelhança de Deus e somos irmãos. Na parábola do fariseu e do publicano (Lc 18,10-14), este foi ouvido por Deus porque reconheceu sua insignificância. Diz também Mt 23,12: “E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado”. Também Tiago 4,6 e 1° Pd. 5,5. Em João 22, 29-30: “Deus salvará ao humilde e livrará até ao que não é inocente”.
Quando somos humildes e nos aceitamos, nunca precisamos mentir para esconder nossa origem pobre, ou esconder a falta de capacidade em relação a isto ou aquilo. Isto quer dizer que se você não tem capacidade para fazer determinada coisa, assuma esse fato! Se seus pais são pobres e analfabetos, assuma esse fato! Se você nunca viajou a lugar algum, e esse for os assunto numa roda de amigos, mão minta! Você vai se sentir bem melhor, e não vai precisar inventar uma mentira para encobrir outra. Não queria mostrar ser o que não é. Ouça as aventuras dos amigos e nunca faça comentários irônicos e negativos das coisas que eles fizeram e você nunca fez.
Nós talvez não sabemos fazer o que os nossos amigos sabem, mas temos as nossas qualidades. Qualquer pessoa no mundo sabe fazer uma outra coisa. “Aquela senhora que mora naquela esquina é pobre, analfabeta, mas ninguém faz, como ela, bolinho de bacalhau! O que faz é delicioso! O marido dela não sabe pintar paredes, mas é o melhor colocador de piso que eu conheço”.
É o que diz Lc 16,10: “Quem é fiel nas coisas mínimas, é fiel também no muito”. Ou então Mt 25,23: “Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei”.
Jesus escolheu apóstolos entre pessoas que não tinham capacidade alguma. No A.T., Isaías achava-se indigno para ser profeta, mas Deus purificou-o e enviou (Isaías 6, 1-9). Elias, após ter matado 450 profetas de Baal, quis desistir e morrer, mas Deus reanimou-o, forçando-o comer pão e beber água, e ali segui a jornada (1° Reis 19, 8-15 e 17, 2-5) Jeremias quis desistir em Jer 20, 7-9, mas dizia que, ao tentar fazer isso, sentia o amor de Deus percorrer-lhe os ossos, como um fogo. Deus não aceitou sua desistência. S. Paulo disse ser “o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apostolo” em 1° Cor 15, 9. S. João Batista disse não ser digno sequer de desatar as correias das sandálias de Jesus, em João 1, 27.
Maria diz em Lc 1, 48 “Deus olhou para a baixeza (= humildade, insignificância) de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Aceitar-se a si mesmo, conhecer-se profundamente, é a maior fonte de paz e alegria que uma pessoa pode desfrutar. Rir-se dos próprios defeitos é o melhor método de vencê-los!
Deus nos ama como somos. Aceitando-se como se é, a pessoa vai também aceitar em sua vida o próprio Deus e as demais pessoas, como elas são! Quando alguém lhe apontar algum defeito seu, antes de zangar-se, procure meditar sobre isso. Talvez o amigo tenha razão.
“Prefiro uma careta sincera a um sorrido fingido”. Ou, como diz Sto. Agostinho: “É melhor andar mancando no caminho certo do que correr no caminho errado”.
26/01/2021
Pois é. Eu estive reparando que o meu corpo de 75 anos está uma tragédia: rugas, pelanca, manchas... barrigona... mas percebo que, por dentro, ainda me sinto jovem e disposto. Como resolver esse dilema? Não faço nem ideia, e não vou resolver isso até o final do texto, não.
Mas isso também me fez pensar que é a melhor prova da existência da alma: dentro de você há algo que não envelhece, que está sempre disposta a viver uma vida agradável, alegre, jovial. É a nossa alma. Ela não envelhece. Ela fica marcada, é certo, por tudo o que fizemos na vida, mas não envelhece.
E se nossa alma estiver "pesada" por causa de nossos pecados, peçamos perdão e recomecemos uma vida nova! Se você é católico, procure um padre e confesse todos os seus pecados. E se comprometa a viver um vida nova. A nossa alma merece! Ela não envelhece com o nosso corpo!
(Leia a historinha ouvindo o famoso "Adágio de Albinoni", com órgão e orquestra, gravado numa igreja da Hungria. Basta clicar no link e ouvir no YouTube: https://youtu.be/PEzuXJ0rOJM ).
(Há também outra versão muito bem tocada: https://youtu.be/ye5JlhAyYhg)
Julho do início da década de 90. Campos do Jordão. Teatro do Palácio do Governo. O frio ficou fora desse templo da música. Lotação completa. Todos bem vestidos, com belos casacos. O perfume das mulheres e o das flores dos jardins que circundam o teatro disputam nosso olfato, mas acabam se entendendo e nós os sentimos todos. Silêncio. Começa o Adágio de Albinoni, com órgão, violino e orquestra.
A orquestra começa a música. A música, a poesia,o romance, enfim, o belo, sob todos os aspectos (visual, olfativo e auditivo) invadem o ar e nos aglutina. O espírito se eleva às alturas! Há duas orquestras: a do palco e a de todos esses instrumentos que mencionei: vestes, perfumes, clima, beleza do local, que se harmonizam entre si de forma praticamente maravilhosa, bela e sublime.
A orquestra de cá se une à orquestra de lá e minhas lágrimas arrematam o enlace, como a calda deliciosa de chocolate que se esparrama pelo bolo já saboroso.
O violino faz o solo. O órgão o responde, seguindo seus passos. O violino se anima e ergue sua voz, em vários outros compassos. O órgão se emociona e completa a harmonia iniciada pelo violino, até chegarem os dois a um clímax musical que em que se completam e se fundem. Entra a orquestra, como os jogadores que carregam nos ombros dois colegas que fizeram virar o jogo!
A natureza não se contém e uma chuva fria sussurra um acorde externo, como se fosse uma redoma de vidro a salvaguardar toda essa harmonia.
A música termina, mas ninguém quer sair do lugar. Eu me arranco da poltrona e, a contragosto, me obrigo a sair e, com meus colegas, voltar para a desarmonia da artificialidade e marasmo do nosso dia a dia.
O belo da arte nos leva a Deus, o Criador de todas as possibilidades de harmonias que possam existir.
Se as criaturas são tão belas, se podemos criar tantas harmonias, como as dessa música , se há tanta beleza na natureza, que se dirá do Criador disso tudo?! Deus é tão completo e maravilhoso, com tanta harmonia e beleza, que tudo o que há de mais belo no universo não consegue exprimir nem um só átimo de sua existência e de sua magnificência, santidade, luminosidade.
Se Deus fosse feito de átomos como nós um só átomo de sua luz daria para iluminar o universo todo, como numa visão que S. João Bosco teve. Esse átimo de luz que ele viu o deixou semi-cego por uma semana!
Se eu falasse aqui que Deus não é só luz; que Ele é também amor, beleza, harmonia, perfume, frescor de uma chuva, alegria de um acorde infinito, e tudo o que não consigo expressar aqui, eu estaria sendo muito injusto, pois não há como comparar Deus com qualquer dessas coisas! Tudo o que existe foi criado por Ele, que está infinitamente distante de ser qualquer coisa dessas! Deus não é nada disso! Deus é Deus, e tanto o belo da arte ou de qualquer outra coisa que existe, nos dá apenas uma mísera, pálida, insignificante ideia do que poderemos contemplar, um dia, se formos recebidos no Reino dos Céus.
O convite já está feito! Desde antes que o mundo existisse, Deus já nos havia chamado para vivermos com Ele no Paraíso. Cabe apenas a nós aceitarmos o convite, procurando, humildemente, colocar-nos diante dele, em súplica, pedindo-lhe que Ele nos livre de nós mesmos, do pecado, e do terrível mal que seria abandoná-lo.
Ele já nos garantiu que nunca vai nos abandonar. Se houver alguma desistência, será por nossa conta. “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir-me a porta, eu cearei com ele e ele comigo” (Apoc 3,20)
Há diferença entre amar e gostar. Muitas pessoas têm o verbo amar como sinônimo de sentimento, de paixão. Na mensagem de Jesus não é assim. Amar não é sentir isto ou aquilo por alguém, mas sim resolver ajudá-lo (a), fazer tudo o que podemos para que essa pessoa viva bem e tenha condições de se salvar após a morte.
Para Jesus, amar é tratar bem as pessoas mesmo que não gostemos delas, dando-lhes atenção ou o que precisarem. Deus ama a todos indistintamente e por isso devemos também amar a todos, sem exceção. Isso é o que diferencia os cristãos de outros tipos de pessoas: os cristãos amam não apenas os amigos, mas também os inimigos.
Quando Jesus nos ordenou que amássemos os inimigos tinha em mente que não gostamos deles, nem eles de nós. Seria anti-humano que ele pedisse que gostássemos dos inimigos.
Deus sempre pratica o que nos pede para fazer. Ele faz cair a chuva tanto na plantação dos bons, como na plantação dos maus. Somente Deus pode julgar as pessoas, e levar em conta se fizeram isto ou aquilo por maldade ou por ignorância. Somente Deus nos conhece bem. Nunca devemos desprezar ninguém.
O próprio Jesus não gostava de certos tipos de pessoas: por exemplo, vivia repreendendo os fariseus. Mas amava a todos, e mandou que também nós amássemos a todos.
Há outro problema: amar nem sempre é fazer o que o outro gosta. Se alguém é criminoso, por exemplo, precisa ser preso para não fazer mal a mais ninguém. Mas não podemos odiá-lo. Talvez se tivesse vivido uma vida melhor, familiar, de carinho e afeto, nunca tivesse cometido tal crime. Ou mesmo talvez tenha sido caluniado e preso sem ter feito o suposto crime. Há muitos casos desses. Se ele tiver fome, por exemplo, é preciso dar-lhe de comer.
Quando o filho faz traquinagens, a mãe o repreende e até lhe dá um pequeno castigo. Ela faz isso porque o ama e quer que ele melhore. Em Hebreus 12,10, diz que Deus nos permite o sofrimento para que, purificados, possamos participar de sua santidade. É, pois, por puro amor que ele permite que soframos. Assim também são os pais quando punem com sabedoria os filhos faltosos.
Na vida do dia a dia deparamos constantemente com esse dilema: amar ou não amar? Gostar ou não gostar? Se quisermos nos salvar, temos que amar, mesmo que não gostemos da pessoa.
(29/07/2012)
“Eu te amei como amor eterno” (Jer 31,3), diz Deus ao profeta Jeremias. Deus nos amou muito antes que nascêssemos! E disse ainda em Jer 1,5: “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci: antes que saísses do seio, e te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações”.
Deus o chamou para ser profeta e lhe deu todas as graças de que ele precisava para seguir sua vocação. Jeremias sofreu muito, se angustiou e até se desesperou, mas não abandonou o caminho que Deus traçara para ele.
É impressionante o que o profeta diz para Deus em Jeremias 20,7:- “ Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu te tornaste forte demais para mim! Tu me dominaste!”
E no versículo 9, disse que aquilo era como um fogo que devorava todos os seus ossos. Entretanto, nos versículos 11 a 13, recobra o ânimo e não desiste: continua a caminhar no caminho a que Deus o chamara.
Tanto Jeremias como Isaías colocaram diante de Deus suas fraquezas, seus limites, mas acabaram superando tudo com a sua graça.
E nós?
Fomos todos chamados a trilhar um determinado caminho. Quando olhamos para o nosso passado, descobrimos que tomamos muitos desvios e nos perdemos muitas vezes.
Como disse um certo santo, ficamos tão distraídos com as belezas do caminho que nelas nos detivemos e acabamos parando, não prosseguimos rumo ao objetivo, à meta final.
Deus nos preparou muitas coisas bonitas, muitas graças, para seguirmos o seu chamado. Nós muitas vezes as jogamos fora, substituindo-as por coisas bobas e passageiras. Quantas coisas perdidas! Quantas vezes Ele teve que mudar o traçado de nossa rota!
Aqui entendo melhor a parábola dos talentos: nós deixamos alguns dos que recebemos sem frutos. E o patrão disse ao servo: “Ao que tem, será acrescentado; ao que não tem, até o pouco que tem será tirado”.
Quantos amigos (as) nossos (as) eram melhores do que nós e já morreram! Não sabemos como Deus age nesse assunto, mas sou tentado a dizer que pelo menos alguns deles e delas talvez já cumpriram a meta que Deus lhes traçara!
Se você me está lendo, é sinal de que está vivo (a). Como tem sido nossa vida?
Tente olhar para o seu passado e perceber as oportunidades e os talentos perdidos ao longo do caminho!
Deus nos chamou e nos garantiu sua ajuda! Quantos de nós aproveitamos todas as graças e dons recebidos?
Confesso-lhes que pesquisei meu passado ontem, no começo da noite, durante a Hora Santa e não gostei do que vi! Peço, agora, a Deus, que me trace outro caminho e me dê, por misericórdia, outras graças, a fim de que eu chegue um dia ao céu. E espero que eu e você nos encontremos por lá!
Quando oferecemos uma oração, um benefício, uma ação social a Deus, uma penitência, dizemos que fazemos aquilo “por amor a Vós, Senhor”!
Será que é mesmo por amor a Deus que fazemos isso tudo? Será que não é por amor a nós próprios, por medo de irmos ao inferno? Será que somos capazes de amar a Deus desinteressadamente?
Pense bem: por mais gratuitamente que façamos algo, o fazemos para ganhar o céu e, portanto, não é algo gratuito. Deus é o único que pode amar gratuitamente, pois é autossuficiente, todo-poderoso, tem tudo e não precisa de nós e de nada, nem mesmo do nosso amor. Por mais que queiramos, não podemos aumentar em nada sua felicidade, que já é infinita!
É possível, porém amarmos a Deus com um amor de gratidão. É, a gratidão por tudo o que Ele nos deu e nos dá.
No amor gratidão nós nos preservamos do pecado, em gratidão do que Deus fez e faz por nós, e assim vamos permitir que ele nos ame agora e em odos os dias de nossa vida, pelo restante da eternidade. Amor gratidão é deixar-se amar por Deus, não só agora, mas para sempre!
Deus se “esconde” de nós, neste mundo, para não forçar a nossa adesão a ele, para preservar a nossa liberdade, o nosso livre arbítrio. Ele fez isso até com São Paulo Apóstolo: Deus o mandou falar com Ananias, que lhe disse o que ele deveria fazer e, com isso, lhe deu liberdade para dizer “não”.
É assim que Deus age: manda-nos bilhetes de amor e amizade e espera, escondido por detrás da árvore, que nós lhe respondamos. Esses bilhetes se veem na bíblia, na liturgia, no dia a dia, por meio dos acontecimentos.
No Cântico dos Cânticos 3,1-2 há um trecho belo sobre a busca do amado: “Procurei-o e não o encontrei”! Maria Madalena também buscou Jesus no sepulcro e não o encontrou de imediato, só depois. Nós o procuramos durante a vida toda e não sabemos se já o encontramos ou não!
A terra é um paraíso em que Deus não aparece pessoalmente, e a estamos transformando num inferno. O Frei Carlos Mesters diz que o paraíso terrestre não deve ser visto como a saudade de algo que passou, mas a esperança de algo que podemos construir.
Procuremos Deus por detrás das “árvores” de nossa vida, como a solidão, doenças, imprevistos, pobreza... e vamos amá-lo pelo menos com um amor de gratidão! Ele nos aceitará como o idoso, que sabe que é cuidado muitas vezes por causa do dinheiro que vai deixar de herança, mas aceita essa situação.
03/04/2017
Precisamos ter muito cuidado ao comungarmos. Estamos recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus de modo real, verdadeiro. Não podemos deixar que partículas do pão consagrado caiam ao chão. Jesus se deixou ficar entre nós na Eucaristia de modo muito indefeso. Podemos fazer o que quisermos com seu Corpo e Sangue, mas se não tomarmos cuidado as partículas serão pisoteadas por outros. São Pio de Pietrelcina era muito cuidadoso, como se pode ver em suas missas, algumas delas filmadas. Você as pode ver no You Tube, mas eu vou deixar aqui um link. Copie esse link e o cole na janela de pesquisa do you tube. É a última missa de São Pio de Pietrelcina e você pode ver com que devoção ele comungava e tinha cuidado com as partículas.
blob:https://www.youtube.com/9f8b817a-6a2d-4809-b5af-58d655d5309b
Ademais, se o corpo dele está ainda incorrupto, é porque Deus gostava dessas atitudes dele.
Outro cuidado na comunhão é estar em estado de graça, ou seja, sem pecado grave. Os pecados leves são perdoados no ato penitencial, e é por isso que eu insisto em nunca chegar atrasado (a) à missa. Quem perde o ato penitencial não deveria comungar!
São Paulo fala no capítulo 11 da carta aos coríntios que os que comungam indignamente são réus do Corpo e do Sangue de Cristo. Veja por você mesmo(a)1ª Coríntios 11:26-30:
“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram”.
Vejo muitos artigos, na internet, condenando a comunhão na mão, como a do bispo Athanasius Schneider, que você pode assistir colando este link na busca do you tube: https://youtu.be/1grq2tHNPp8 . O problema é que comungar na mão é algo irreversível, ou seja, acredito que nunca mais voltará a comunhão diretamente na boca, pelo menos na maioria das igrejas, ainda mais com esse perigo de contágio de doenças atuais.
A solução é uma instrução maior por parte dos senhores párocos. Vejo aí a solução para o caso. Que ensinem os paroquianos a tomarem cuidado com a sagrada partícula. Muitos dizem que Jesus não teve nenhuma preocupação com as migalhas do pão que ele consagrou, mas acho que isso não é desculpa. Se acreditamos que o pão consagrado é o Corpo e o Sangue de Cristo, temos que tratá-lo com todo o cuidado e reverência que Jesus merece. Eu particularmente acho muito constrangedora a comunhão diretamente na boca, além de facilitar a falta de higiene e ser perigosa quanto ao contágio de doenças.
Evangelho de Lucas 6,17.20-26
As bem-aventuranças, segundo o evangelho de Lucas, nos remetem ao livro do Êxodo, capítulo 19.
Assim como Moisés subiu ao Sinai para receber de Deus a Lei e desceu para entregar a revelação divina para o povo de Deus, assim também Jesus sobe para o alto do monte e de lá desce para a planície, onde se encontram os discípulos. Jesus sobe para orar, e depois desce para escolher os doze apóstolos e para proclamar as bem-aventuranças.
As bem-aventuranças devem ser bem entendidas. Não devemos entendê-las em chave moralista. Jesus não está falando do que nós devemos fazer.
As bem-aventuranças, primeiramente, não devem ser entendidas como se fossem um programa de vida para nós pormos em prática. Por isso, quando falamos das bem-aventuranças como a nova lei do Reino é preciso entender que o que devemos fazer não está em primeiro lugar.
Em primeiro lugar está o que Deus faz. As bem-aventuranças proclamam o que Deus faz no mundo, como ele intervém na história, revelam qual é o desígnio de Deus em relação a essa nossa humanidade ferida, sofredora, qual é a atitude de Deus ante tanta injustiça, morte, violência...
As bem-aventuranças não são a proclamação da bondade dos pobres, mas o anúncio da bondade de Deus, que não suporta mais os sofrimentos dos pobres. Não é a justificação da fome que mata tantos, mas a proclamação de que os famintos são felizes porque Deus os ama e não quer que ninguém morra de fome.
Não é a aceitação resignada dos sofrimentos, mas o anúncio de que Deus não é indiferente às lágrimas de quem sofre por si ou pelas tribulações de outros.
Jesus não proclama as bem-aventuranças como um ensinamento teórico. Ele é o bem-aventurado, misericordioso, que fala não de um palácio, de uma vida confortável, mas a partir da pobreza pessoalmente vivida. Ele não tem dinheiro na bolsa, não tem duas túnicas, está próximo dos mais pobres de tal modo que pode falar: “Felizes vós”.
As bem-aventuranças não falam dos pobres; falam de Deus! Mais exatamente, falam de Jesus. “Quem me vê, vê o Pai”. Jesus é o Filho obediente que se despojou de sua glória. Foi odiado, desprezado, morto na cruz e glorificado na ressurreição. Ele realiza em sua pessoa o abaixamento de Deus. Deus ama a tal ponto que se solidariza com os últimos desta terra. Ele não é indiferente aos descartados. Deus vê os “invisíveis”. Deus deseja os indesejados.
Jesus realiza, em sua pessoa, a bem-aventurança, identificando consigo todos os pobres e sofredores e saciando-os com o banquete messiânico. Somente depois de entender as bem-aventuranças em chave teológica, cristológica, é que podemos entendê-la em chave moral; ou seja: o que devemos fazer decorre do que Jesus faz por nós, o que Deus faz em favor dos pobres.
Nesse sentido, a prática da misericórdia, mesmo que não seja mencionada explicitamente no texto de hoje, aparece como nossa nova lei. Ser misericordiosos como Jesus é o que nos pedem as bem-aventuranças.
DOM JULIO ENDI AKAMINE
- 31/03/16-
Dia quente, chove. Gosto muito da chuva, pois faz-me sair um pouco do mesmismo do meu dia a dia e me eleva até o céu. A oração sai mais facilmente e eu percebo de modo mais forte a graça de Deus em minha vida.
Pensei num fato curioso: chove tanto num convento, em que reina o amor de Deus em pessoas consagradas, como numa prisão, em que as pessoas estão pagando por crimes que teriam cometido.
Deus não faz acepção de pessoas e, enquanto vivemos, temos possibilidade de conversão, mudança de vida e salvação.
Na minha infância eu passava horas a ver a chuva caindo nas plantas e nas casas, e aproveitava para canas as músicas do meu tempo, e tocava gaita.
Olhando para a água que cai, vejo como eu mudei, embora a chuva continue caindo do mesmo jeito. Algumas dessas gotas até podem ser as mesmas daquele tempo, já “recicladas”. Como o tempo passa rapidamente! Precisamos aproveitá-lo bem! Quanto tempo perdido com discussões, veleidades, coisas supérfluas, até com pecados!
O Beato Irmão Carlos de Foucauld morava no deserto e passava o tempo na contemplação de Deus e na acolhida aos inúmeros hóspedes que por ali passavam (chegava a 60 por dia), pois era um oásis no meio do deserto do Saara. Ele rezava oito horas por dia. Deus e o próximo: eis qual deve ser nosso objetivo!
Há um filme que intitula a vida do Irmão Carlos como uma “Vida Inútil”. Muitos acham inútil viver orando intensamente e servir aos irmãos. No Saara só chove duas vezes por ano.
Agora já estou no dia 01 de abril de 2015, sexta-feira. O noticiário da tevê disse que a chuva de ontem causou muitos estragos no outro lado da cidade. O que para mim foi uma grande alegria e paz, para muitos foi uma enorme tristeza! É como Deus: para os que nele confiam, é o Salvador; para os que amam o pecado, é considerado um carrasco. Alegria de uns, tristeza de outros.
Mesmo nos lugares em que a chuva fez estragos, Deus não em culpa! As autoridades é que precisam fazer todas as infraestruturas necessárias! A ganância e a má administração de alguns prejudicam a carência de outros, e estes sempre saem perdendo e vivem nesses lugares insalubres!
Deus respeita as escolhas humanas e não costuma agir desnecessariamente. Ele só age quando é estritamente necessário para alguma intenção superior que tem a respeito daquela(s) pessoa(s).
Quando Deus não nos livra de algum problema, dá-nos força necessária e sua graça para vencermos os obstáculos. Para Deus, o importante é que, após a morte, estejamos com ele no céu. É por isso que ele não interfere, a não ser às vezes, nos acontecimentos e catástrofes, como as causadas pela chuva. Deus nos ama a todos, sejamos nós pessoas santas, sejamos pecadores endurecidos. Deus ama até quem está no inferno!
Davi venceu Golias com cinco pedrinhas. Em Medjugorie< Maria nos indicou outras cinco pedrinhas com que podemos vencer o maligno e as nossas falhas:
1- Eucaristia: participação ativa, consciente, tanto nas Stas. Missas como em horários de adoração diários ou pelo menos semanais.
2- CONFISSÃO: Confissão consciente, sincera, sem subterfúgios para que o padre não entenda o que estamos dizendo. Arrependimento sincero ou, se este nos faltar, propor firmemente não cometer mais pecado algum. Ao mesmo tempo, pedir a Deus que nos dê a graça do arrependimento. O propósito firme de não pecar já nos coloca no caminho do céu novamente.
3- PALAVRA DE DEUS:- O estudo e a meditação diária da Bíblia, pois quando a lemos, é Deus que fala conosco.
4- JEJUM:- A princípio, o jejum na alimentação. Pode ser a pão e água ou a abstenção de algum alimento de que gostamos muito e não faz tanta falta para a saúde. A seguir, o jejum de outras coisas, como TV, conversas inúteis e supérfluas etc.
5- ROSÁRIO:- É uma verdadeira arma contra o mal. Simples, é a oração em que meditamos os principais mistérios da vida de Jesus. Consta de quatro terços, e pode ser encontrado neste site, no setor "índice das orações", aí acima.