METAR / SPECI

O que fiz aqui foi apresentar apenas o que de mais comum encontramos no dia-a-dia quando consultamos a mensagem METAR. Para aprofundar mais sua pesquisa, consulte o FCA 105-3 - CÓDIGOS METEOROLÓGICOS - METAR e SPECI (aqui).

METAR e SPECI são observações meteorológicas.

Um METAR é uma observação programada, pode ser de 60 em 60 minutos, ou de 30 em 30 minutos, e é com base na meteorologia observada dos últimos 10 minutos.

Um SPECI é uma observação não programada. Um SPECI é utilizado quando há uma alteração acentuada e não prevista no METAR, para dar o conhecimento dos novos fenômenos aos pilotos. Este SPECI é posteriormente “fechado” com outro SPECI para indicar que fenómeno X ou Y terminou e o METAR volta a ser válido. Assim, sabemos que um SPECI nunca vem sozinho. O primeiro é para indicar X ou Y fenômenos, e o segundo a indicar que X ou Y já estão extintos e continua tudo como antes (como no METAR).

NOTA: A abreviatura "COR" é utilizada para o caso de correção do informe.

Vamos agora fazer uma decodificação de um METAR:

Ex. METAR SBGR 272200Z 18015G25KT 0800 R09/1000N R27/1200D +RA BKN012 OVC070 19/19 Q1012 RETS WS LDG RWY 27=

Decodificação:

METAR (Météorologique "Weather" Aviation Régulière "Routine") – Boletim meteorológico regular para fins aeronáuticos.

SBGR – Indicador de Localidade

272200Z – Grupo Data Hora – indica o dia e a hora (UTC) em que foi expedida a observação.

NOTA: Quando a abreviatura AUTO for inserida antes do grupo de vento, indicará que o informe foi gerado por uma EMS automática, sem intervenção humana.

18015G25KT – Indica o vento em superfície; no caso, soprando do quadrante Sul (180º), com 15 nós de intensidade e 25 nós de rajadas (G=gust).

A direção do vento é indicada com três algarismos, de 10 em 10 graus, mostrando de onde o vento está soprando, com relação ao norte verdadeiro ou geográfico

(obs.: As torres de controle informam o vento aos pilotos das aeronaves em relação ao norte magnético).

O vento calmo é indicado nos boletins quando a intensidade do vento for menor que 1 kt e representado por 00000KT.

0800 – visibilidade horizontal predominante estimada em 800 metros. O OBM estima, durante as observações, a visibilidade horizontal em torno dos 360º a partir do ponto de observação e insere nos boletins a visibilidade predominante encontrada, em quatro algarismos, em metros, com os seguintes incrementos:

· de 50 em 50 metros até 800 metros;

· de 100 em 100 metros, de 800 a 5.000 metros;

· de 1.000 em 1.000 metros, de 5.000 até 9.000 metros.

· Para valores a partir de 10.000 metros, informa-se 9999.

Obs.: Para visibilidades menores que 50 metros, informa-se 0000.

Além da visibilidade predominante, será informada a visibilidade mínima quando esta for inferior a 1.500 metros ou inferior a 50% da predominante. Será notificada esta visibilidade e sua direção geral em relação ao aeródromo, indicando um dos pontos cardeais ou colaterais.

Exemplos:

1) 8.000 m de visibilidade predominante e 1.400 m no setor sul – 8000 1400 S

2) 6.000 m de predominante e 2.800 m no setor nordeste – (6.000 2800NE)

Obs: Quando for observada visibilidade mínima em mais de uma direção, deverá ser notificada a direção mais importante para as operações.

R09/1000N R27/1200D – Alcance visual na pista 09 igual a 1000 metros sem variação e, na pista 27, igual a 1.200 metros e com tendência à diminuição. O Alcance Visual na Pista é registrado pelos visibilômetros ou diafanômetros, instalados nos principais aeroportos e quando a visibilidade horizontal for menor que 2.000 metros.

Obs.:

1) quando não houverem diferenças significativas entre os valores de duas ou mais pistas, informa-se somente o R seguido do valor medido (ex.: R1000).

2) Quando houver pistas paralelas, informa-se com letras, após o número da pista, o seu posicionamento: R (direita), L (esquerda) e C (central). Ex.: R09R/1200.

3) Após o valor do RVR, informa-se a tendência de variação, com as letras N (sem variação), U (tendência a aumentar) e D (tendência a diminuir).

  • Se o valor for menor que o parâmetro mínimo que o equipamento pode medir, informa-se M; ex.: R09/0050M – M inferior a 50 metros.
  • Se o valor for maior que o parâmetro máximo que o equipamento pode medir, informa-se P; ex.: R09/P2000 – P superior a 2.000 metros.

+RA – Grupo de tempo presente; no caso é indicada chuva (RA=Rain) forte (+).

Ver a Tabela 4678 que indica o tempo presente para fins de codificação.

Os fenômenos meteorológicos mais utilizados nos boletins são: fumaça (FU), poeira (PO), névoa seca (HZ), névoa úmida (BR), trovoada (TS), nevoeiro (FG), chuva (RA), chuvisco (DZ) e pancadas (SH).

A névoa úmida somente será informada nos boletins quando a visibilidade horizontal estiver entre 1.000 e 5.000 metros; quando acima deste valor e não havendo outro fenômeno significativo será omitido o fenômeno mencionado.

O qualificador de intensidade (leve, moderado ou forte) somente será utilizado para formas de precipitação (DZ, RA, SN, SH etc.).

O qualificador VC (vizinhança) somente será utilizado com fenômenos como SH, FG, TS, DS, SS, PO, BLSN, BLDU ou BLSA entre 8 km e 16 km do ponto de referência do aeródromo.

O descritor TS será utilizado isoladamente para indicar trovoada sem precipitação e, combinado adequadamente quando da existência de precipitação. Ex.: trovoada com chuva moderada => TSRA.

BKN012 OVC070 – Nublado com 1.200 pés e encoberto com 7.000 pés. Indica o grupo de nebulosidade existente sobre o aeródromo ou a visibilidade vertical no caso da existência de nevoeiro de céu obscurecido.

Quantidade: indica com abreviaturas para as seguintes coberturas do céu:

· FEW – poucas – 1/8 ou 2/8

· SCT – esparsas – 3/8 ou 4/8

· BKN – nublado – 5/8, 6/8 ou 7/8

· OVC – encoberto – 8/8

Altura: base das nuvens informada em centenas de pés.

Um dado importante: só teremos definição de TETO quando tivermos informação de BKN ou OVC. De acordo com a legislação da FAB, a ICA105-8 (clique aqui), FEW e SCT são definidos como "NÃO TETO" e BKN e OVC como "TETO".

Tipo: informa-se para os gêneros TCU (Cumulus Congestus) ou Cb (Cumulonimbus). Ex.: SCT030CB – cumulonimbus esparsos a 3.000 pés.

O céu claro será expresso como SKC (SKY CLEAR) e o céu obscurecido será informado pela visibilidade vertical, também em centenas de pés. Ex.: VV001 – visibilidade vertical de 100 pés (30 metros).

19/19 – indica 19ºC para a temperatura do ar e 19ºC para a temperatura do ponto de orvalho. Para temperaturas negativas insere-se a letra M antes da temperatura ou temperatura do ponto de orvalho (M05/M07)

Q1012 – indica o valor do ajuste do altímetro em hectopascais (hPa) em quatro algarismos, como ocorre no Brasil ou em polegadas de mercúrio (Pol Hg), como nos EUA – ex.: A2995 ou 29.95 Pol Hg.

RETS WS LDG RWY 27– trovoada recente e wind shear na pista 27. Faz parte das informações suplementares e relata fenômenos que ocorreram durante a hora precedente e também turbulência e tesoura de vento.

Previsão tipo tendência – evolução do tempo prevista de até duas horas a partir do boletim meteorológico e inseridas no final das mensagens, com os seguintes identificadores de mudança previstos – BECMG, TEMPO e NOSIG. Ex.: METAR SBGR 271500Z 4000 BR FEW020 18/16 Q1018 BECMG FM 1530 TL 1600 2000 – indica mudança de visibilidade entre 1530 e 1600 UTC, prevalecendo após esse horário.

CAVOK – significa "Ceiling and Visibility OK", ou seja, teto e visibilidade OK. É empregado nos boletins em substituição aos grupos de visibilidade, RVR, tempo presente e nebulosidade. Deve ser informando quando ocorrerem as seguintes condições:

· Visibilidade >= 10.000 metros

· Ausência de nuvens abaixo de 5.000 pés (1.500 metros)

· Ausência de precipitação e CB na área do aeródromo.

Veja este link (aqui) com várias abreviaturas usadas na confecção das mensagens METAR e TAF aqui no Brasil e no mundo.

Tabela de Tempo Presente