NOME POPULAR
Castanheira-do-pará, castanheira-do-brasil e castanheira-da-amazônia. Suas sementes são conhecidas como castanhas-do-pará ou castanhas-do-brasil.
NOME CIENTÍFICO
Bertholletia excelsa Bonpl.
FAMÍLIA
Lecythidaceae
DESCRIÇÃO
Descrição morfológica: Árvore amazônica de grande porte, geralmente com 30 a 50 m de altura, tronco retilíneo e casca grossa e fissurada. As folhas são simples, alternas, alongadas e medem cerca de 25 a 35 cm de comprimento. As flores esbranquiçadas ou levemente amareladas possuem seis pétalas e agrupam-se em inflorescências nos ramos. O fruto é uma cápsula globosa, lenhosa e muito dura, conhecida como ouriço. Pode pesar de 0,5 a 1,5 kg e contém, em geral, 15 a 24 sementes angulosas, cada uma com uma amêndoa comestível.
Utilidade: As amêndoas são consumidas in natura ou usadas em doces e outras preparações; também podem fornecer leite vegetal e óleo utilizado na fabricação de cosméticos. Após a retirada das sementes, os ouriços podem ser aproveitados no artesanato. A coleta das castanhas é uma importante atividade econômica para comunidades amazônicas.
OCORRÊNCIA
Nativa da Amazônia, onde ocorre sobretudo em florestas de terra firme. No Brasil, sua distribuição natural abrange os estados da Região Norte e Mato Grosso. A espécie também ocorre em outros países amazônicos, como Bolívia, Colômbia, Peru e Venezuela.
SUCESSÃO ECOLÓGICA
Clímax exigente de luz. A castanheira se estabelece melhor em clareiras, onde as plantas jovens recebem mais luz, e pode permanecer por muito tempo na floresta madura.
FRUTO COMESTÍVEL?
Sim, a semente, comercialmente chamada de castanha-do-pará.
ÉPOCA DE FRUTIFICAÇÃO
Os frutos levam aproximadamente 12 a 15 meses para amadurecer; por isso, a mesma árvore pode apresentar flores e frutos em diferentes estágios. A queda dos ouriços maduros ocorre sobretudo no período chuvoso. Na microrregião de Belém (PA), o pico de produção de frutos é registrado de dezembro a abril. A época de queda dos ouriços maduros no campus da Unicamp em Campinas-SP, foi obeservada em agosto/setembro .
ÉPOCA DE FLORAÇÃO
Na Amazônia, floresce principalmente nos meses de menor precipitação, frequentemente entre setembro e fevereiro, conforme a localidade. Os exemplares do campus precisam de observação própria para que se estabeleça seu calendário de floração.
Dezembro a abril na região de Belém (PA)
Agosto a setembro na Unicamp, Campinas (SP)
Localização no Campus
Mapa interativo (My Maps) de localização da espécie no campus da Unicamp / Campinas-SP (CAVALHERI, 2026)
Dados Ecológicos
DISPERSÃO DE FRUTOS E SEMENTES
Os ouriços maduros caem pela ação da gravidade (dispersão primária). Depois, mamíferos, principalmente as cutias (Dasyprocta spp.), podem transportar os frutos e abrir sua casca para alcançar as sementes. Ao enterrá-las em diferentes pontos da floresta, contribuem para a dispersão secundária e para o estabelecimento de novas plantas.
VETOR DE POLINIZAÇÃO
Abelhas de médio e grande porte, especialmente dos gêneros Xylocopa, Eulaema, Bombus, Centris e Epicharis. A polinização é predominantemente cruzada: as abelhas transportam o pólen entre árvores durante as visitas às flores. A presença e a importância de cada polinizador variam conforme a região.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
NASCIMENTO, W. M. O. do; CARVALHO, J. E. U. de. Bertholletia excelsa: castanha-do-brasil. In: CORADIN, L.; CAMILLO, J.; VIEIRA, I. C. G. (ed.). Espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou potencial: plantas para o futuro: região Norte. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2022. p. 201–216. (Série Biodiversidade, 53). Disponível na Embrapa. Acesso em: 24 set. 2026.