NOME POPULAR
bacuri, acuri, uricuri, ouricuri, aricuri
NOME CIENTÍFICO
Attalea phalerata Mart. ex Spreng.
FAMÍLIA
Arecaceae
DESCRIÇÃO
Características morfológicas - Palmeira de estipe único (solitária), atingindo de 5 a 10 m de altura e 60 a 75 cm de diâmetro, com tronco parcialmente revestido pelas bases persistentes das folhas já caídas, formando um substrato propício ao desenvolvimento de epífitas. As folhas são pinadas, longas e plumosas, frequentemente com mais de 6 m de comprimento, apresentando de 120 a 150 pinas em cada lado da raque. As inflorescências são estaminadas e andróginas, ocorrendo na mesma planta. Os frutos são elipsoides, lisos, de coloração roxo-amarelada, com endocarpo muito duro, contendo de 2 a 4 lóculos, cada um com uma semente (amêndoa). O mesocarpo é espesso, fibroso-suculento, de cor amarela, doce, aromático e comestível (LORENZI et al., 2015) .
Utilidade - A espécie apresenta diversas aplicações, sendo ocasionalmente cultivada com finalidade paisagística devido ao porte e à rusticidade. Seus frutos são amplamente consumidos pelas populações locais, principalmente na forma in natura, em razão da polpa doce e aromática. Além disso, o mesocarpo e as sementes podem ser utilizados para extração de óleo vegetal, com potencial alimentício e artesanal. As folhas são tradicionalmente empregadas na cobertura de habitações rurais e na confecção de artefatos, enquanto os frutos também desempenham papel importante na alimentação de animais domésticos e silvestres, especialmente em sistemas extensivos.
Informações ecológicas - Espécie nativa de ampla distribuição no Brasil, ocorrendo principalmente em formações abertas e áreas de transição, onde pode formar agrupamentos conhecidos como “acurizais”, sendo frequentemente associada a solos férteis e bem drenados, funcionando como indicadora de terras de boa qualidade. Apresenta relevante papel ecológico, tanto na oferta de recursos alimentares quanto na estruturação de habitats, favorecendo o desenvolvimento de epífitas em seu estipe. Sua polinização é predominantemente entomófila, realizada por besouros, enquanto a dispersão das sementes ocorre principalmente por animais (zoocoria), incluindo mamíferos de médio e grande porte e aves, contribuindo significativamente para a dinâmica de regeneração natural e manutenção da biodiversidade em ecossistemas como o Cerrado e o Pantanal.
OCORRÊNCIA
Nativa do Brasil, com distribuição desde o Pará até São Paulo e Mato Grosso do Sul (Pantanal), ocorrendo também em outros países da América do Sul.
SUCESSÃO ECOLÓGICA
Espécie característica de formações secundárias e ambientes abertos, associada a estágios intermediários de sucessão ecológica, com comportamento adaptado a condições de maior luminosidade.
FRUTO COMESTÍVEL?
Sim, fruto com polpa doce, aromática e comestível e as sementes podem ser utilizados para extração de óleo vegetal, com potencial alimentício
ÉPOCA DE FRUTIFICAÇÃO
Predominantemente na estação seca, podendo variar conforme a região.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO
Ocorre ao longo do ano, com maior intensidade nos meses mais quentes.
DISPERSÃO DE FRUTOS E SEMENTES
A dispersão das sementes de Attalea phalerata ocorre predominantemente por zoocoria, sendo realizada por diversos animais que consomem os frutos e transportam os diásporos para diferentes áreas. Mamíferos de médio e grande porte, como antas, suínos e roedores, além de aves frugívoras, especialmente araras, desempenham papel fundamental nesse processo, promovendo a remoção e deposição das sementes em locais favoráveis à germinação. A elevada resistência do endocarpo contribui para a sobrevivência das sementes após a passagem pelo trato digestivo ou manipulação mecânica, favorecendo a regeneração natural da espécie.
VETOR DE POLINIZAÇÃO
A polinização de Attalea phalerata é predominantemente entomófila, sendo realizada principalmente por besouros que visitam as inflorescências em busca de alimento e abrigo. Esses insetos atuam como agentes polinizadores ao transportar o pólen entre flores estaminadas e andróginas presentes na mesma planta ou em indivíduos distintos, garantindo a fecundação. Esse tipo de polinização é comum em palmeiras tropicais e apresenta elevada eficiência ecológica, contribuindo para o sucesso reprodutivo da espécie em ambientes naturais.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LORENZI, H.; BACHER, L. B.; LACERDA, M. T. C.; SARTORI, S. F. Frutas no Brasil: nativas e exóticas (de consumo in natura). Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2015.
LORENZI, H. Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2010.
Mapa online com a localização da espécie no campus da Unicamp / Campinas-SP (CAVALHERI, 2026)
Referência do vídeo: BACURI: O restaurante da natureza. A palmeira que alimenta araras, papagaios e o Pantanal inteiro. YouTube, 20 de novembro de 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QuJY18FRCIE
Acesso em: 31 mar. 2026.